A Saga de Otávio 10 – Nem toda volta é recomeço…

A transferência de Otávio saiu de forma repentina, atropelando tudo. Fazia tanto tempo que ele tinha pedido (desde a primeira gravidez de Alice) que, três anos depois, ele já estava conformado que não ia ser transferido tão cedo. Porém, uma necessidade urgente na Superintendência da PF em Fortaleza, rumores de nova rota de tráfico, apreensões aumentando no aeroporto, levaram a direção geral a reforçar a equipe. Com muitos elogios à sua experiência em investigações interestaduais, ele foi um dos escolhidos: em menos de três semanas ele estava de malas prontas, deixando Natal para trás. Até achou que tinha o dedo de Fonseca seu mentor, nessa indicação, mas ele lhe garantiu que não. O mérito era dele, Otávio. E lá foi ele embora, deixando Murilo para trás. Deixando a liberdade sexual construída e compartilhada com seu parceiro nos últimos dois anos e meio, quase três.
O reencontro com Alice para ele foi ambíguo, muito feliz por poder estar perto do crescimento de Theo e da preparação da chegado do outro bebê, mas, ao mesmo tempo, se sentindo angustiado sobre como seria sua vida preso a um casamento sem tesão. Ela o recebeu superfeliz, carinhosa, abraço apertado, barriga de dois meses ainda não aparecendo, mas Alice já estava usando batas, vestidos amplos e blusas largas, construindo a imagem pública da gestante, mesmo que a gravidez tenha sido completamente inesperada. Desde que ele foi pra Natal que vida sexual deles se tornou uma pauta burocrática. Quando ele procurava, ela aceitava e fazia um sexo morno, sem demonstrar muito entusiasmo. O mais comum era dar desculpas para evitar: cansaço da maternidade com Theo, dor nas costas, “hoje não estou no clima”, enxaqueca etc.
Com isso, Otávio aprendera a canalizar seus desejos para os homens, Murilo preencheu esse lugar e, mais recentemente, incorporaram a presença de Rafael. Nesse sentido, ele não podia se queixar. A maior parte do tempo em Natal foram de quase três anos de aventura e prazer. No entanto, de repente, um segundo filho a caminho. Alice deduziu que tinha sido “aquela vez” em que eles foram pra a festa das bodas de prata de uns tios dela, beberam, dançaram, se divertiram e quando voltaram pra casa tiveram uma inesperada e não habitual boa trepada. Ela, sem muita noção por causa da bebida, esqueceu que estava no período fértil e transaram sem camisinha, uma prática que tinha sido incorporado à vida do casal em função dos efeitos colaterais que os anticoncepcionais traziam para ela e que ele, intimamente, até agradecia, lhe dava mais confiança de não passar pra ela nenhuma DST caso contraísse algo numa trepada com outros caras.
Ao mesmo tempo, uma felicidade imensa compensava em grande parte a perda da liberdade e a saudade de Murilo: Theo, com três anos, era o grande amor da vida de Otávio. O menino se agarrava em suas pernas assim que ele chegava em casa, chamando “Papai! Papai!”. Otávio o apertava forte, sentindo o cheirinho de criança, o peso do corpinho quente e rechonchudo. Aquilo era real. Aquilo era o que importava. Ir deixar e pegar o filho na creche escola, participar do dia a dia de Theo, alimentar, banhar, brincar, botar pra dormir, coisas que Otávio tinha tido apenas fragmentos, pequenos pedaços e agora desfrutava integralmente. E Theo era a cara dele, Alice até brincava dizendo que ela foi só o útero de aluguel, o que não era verdade, pois era uma mãe amorosa e dedicada e sua ligação com o filho era fortíssima.
Os primeiros meses de readaptação foram como uma montanha russa, muitas mudanças, novas rotinas, um caleidoscópio de situações e emoções. No trabalho estava tranquilo, até por ter sido alojado na área de inteligência, conectando evidências, construindo linhas e táticas de investigação para as equipes de campo. Enfim, Otávio estava vivendo a vida de casado em toda a sua concretude, casa e trabalho. De manhã, acordava com Theo pulando na cama. Preparava o café, levava o filho para a creche, ia pro trabalho, pegava ele de volta na hora do almoço, ia para casa onde Alice, mais cansada pela segunda gravidez, ficava descansando. Ele assumia boa parte das tarefas domésticas sem reclamar, ao contrário, se sentia no lugar certo, fazendo a coisa certa. À noite, se deitava ao lado da esposa, sentia o calor do corpo dela contra suas costas e tentava dormir. Muitas vezes, espontaneamente ficava de pau duro, tesão acumulado, mas Alice agia como se não percebesse e ele não insistia. Sabia que tinha boas chances de ela dizer não. O alívio vinha quando Murilo vinha visitar a esposa, Letícia, e os filhos. Quase sempre arrumavam um jeito de se encontrar, uma fugida para algum motel, uma trepada rápida, intensa, mas não o suficiente para compensar tudo que perdeu.
A saudade de Murilo era um buraco no peito. Ele se lembrava das noites em Natal: o jeito que Murilo o olhava antes de engolir seu pau até a garganta, o som molhado quando era fodido com força, o gemido rouco quando ele metia fundo no cu apertado do amante. As conversas depois do sexo, as risadas, a cumplicidade e intimidade da convivência diária. Às vezes, no banho, Otávio se masturbava pensando nisso, como em uma tarde chuvosa em Natal pouco antes de saber que iria ser transferido, Murilo o havia empurrado contra a parede da sala, abaixado sua bermuda e chupado com fome. Boca quente, língua girando na cabeça da rola grossa, descendo até as bolas pesadas, lambendo o períneo. Depois cuspiu no próprio dedo e enfiou devagar no cu de Otávio enquanto continuava mamando.
— Quero você todo — murmurou Murilo.
Otávio o empurrou e o virou de bruços no sofá, levantou aquela bunda musculosa, encapou a rola e enfiou ela inteira de uma vez. Começou a foder com estocadas longas e profundas, o som das bolas batendo na bunda de Murilo ecoando. Murilo gemia como uma puta:
— Isso… mete mais forte… me arromba, caralho!
Otávio segurava os cabelos dele, puxando a cabeça para trás, metendo selvagemente enquanto o suor escorria. Quando gozou, jorrou tanto dentro de Murilo que a camisinha quase vazou. Murilo gozou logo depois, o pau pressionado contra o tecido do sofá, deixando uma gosma leitosa sobre o estofado. De volta à realidade em Fortaleza, Otávio gozava no chuveiro lembrando disso, mordendo o braço para não gemer alto, os jatos grossos batendo no vidro blindex do box do chuveiro.
Foi desse jeito que ele resistiu. Nos primeiros quatro meses, não procurou nenhuma aventura sexual com outro homem, apenas os encontros eventuais com Murilo. Nem em salas de bate papo na internet ou sites de relacionamento, até criou perfis sem foto em sites como Disponível e Manhunt apenas para ver o cardápio de putos gostosos, safados, que estavam ali a procura de aventura. Nem em banheiros de shopping ou outros lugares de pegação ele foi. Além do senso moral de querer viver a normalidade cotidiana do casamento, mesmo que isso tenha acontecido quando parecia tão distante, Otávio, ao se incorporara a nova dinâmica de vida, decidiu que queria ser um bom marido, bom pai, bom filho. Estar em acordo com todas as expectativas que recaíam sobre ele e que ele escolheu para si. Ademais, morar em Fortaleza, onde estava a família, os amigos, colegas, tornava tudo ainda mais complicado. O jeito era deixar o desejo queimar por dentro.
A erosão da distância
O tempo e a distância foram fazendo o que a culpa não conseguia sozinha: minar lentamente o que Otávio e Murilo tinham construído em quase três anos. Com Otávio fixado em Fortaleza, as viagens de Murilo foram rareando. De quinze em quinze dias, passaram para uma vez a cada três semanas ou por mês. Com desculpas cada vez mais vagas — plantões, cursos, “a Letícia está desconfiada” —, os encontros se tornaram esporádicos e sem a paixão de antes. As mensagens, antes cheias de tesão e saudade, foram rareando. Murilo estava se aproximando cada vez mais de Rafael, o “terceiro” que havia surgido no flagrante em Natal. O que começou como sexo casual evoluiu para algo mais constante, mais leve, sem o peso das esposas e dos filhos do outro lado.
Otávio sentia isso no peito como uma ferida aberta. Sofria em silêncio absoluto. Não tinha com quem desabafar. Para o mundo, ele era o policial dedicado, o marido atencioso de Alice e o pai amoroso de Theo. Ninguém — absolutamente ninguém — podia saber da dor de estar perdendo o homem que, por um tempo, o fez se sentir vivo por inteiro. Para piorar o que já era difícil, Letícia ficou cada vez mais próxima deles, especialmente de Alice com quem começou a desabafar durante as ligações e visitas. As duas haviam criados uma cumplicidade de “mulheres de maridos ausentes” que não foi alterada mesmo com o retorno de Otávio.
— O Murilo está impossível, Alice. Antes vinha toda quinzena. Agora mal aparece uma vez por mês. Chega cansado, dorme, transa por obrigação e já quer voltar. Eu sinto que tem outra… ou outras — Otávio ouvir Letícia desabafar com Alice num dia que ele estava em casa, tirando um cochilo depois do almoço e elas não perceberam que ele já havia acordado. Ouvir o desabafo de Letícia doeu nele também. Não era só ela que estava sendo deixada de lado.
Alice, com a barriga de seis meses já bem arredondada e Theo correndo pela casa, concordava:
— O Otávio também mudou. Está mais presente fisicamente, óbvio, mas as vezes eu sinto ele distante. Vive no celular ou no PC, sai pra “correr” ou “ver jogo” e volta com cara de quem não dormiu direito. Sei não, viu, Leti, homem é tudo igual…
Otávio ouviu pedaços da conversa e sentiu o estômago revirar. Saudade misturada com culpa lhe apertava o peito. Ele amava Alice do jeito dele. Amava Theo com todas as forças. Mas a ausência de Murilo doía como uma amputação.
Numa das raras visitas recentes de Murilo a Fortaleza, o encontro foi a negação de tudo o que tinham sido. Transaram no motel de sempre, mas faltava fogo, paixão. Murilo estava claramente envolvido com Rafael. Otávio sentiu no jeito como ele evitava olhar nos olhos, no modo como não sustentou a ereção e pareceu se esforçar para Otávio gozar logo e acabar com aquilo.
Depois do sexo, tomando banho juntos, Otávio não aguentou:
— Você tá namorando ele, né? Com o Rafael.
Murilo suspirou, parecendo criar coragem pra falar e, enfim, se virou para olhar nos olhos de Otávio enquanto falava:
— A gente tá junto, sim. E não é a mesma coisa que a gente tinha… Sabe, Tavinho, é mais fácil. Ele não tem esposa, não tem filho, não tem toda essa merda de culpa, de medo, de traição. Com ele eu consigo respirar.
Otávio sentiu os olhos arderem. Não chorou. Apenas assentiu, com o peito rasgado.
— Então é isso. Acabou.
— Deixa disso, Tavinho. A gente não acabou… as coisas estão mudando, você veio embora pra cá, eu fiquei lá, são outros tempos, outro momento… — respondeu Murilo, com voz frouxa, sem convicção, deixando a frase solta no ar.
Não mudou. Definhou. Foi a constatação de Otávio vendo a relação com Murilo murchar igual flor num vaso que foi ficando sem água. Desidratação. Declínio. Que também trouxe decantação. O tempo mastigou o que um dia foi tesão com paixão, relação, afeto. Tudo se dissipando até sobrar só o vazio, a ausência que, como tudo que falta, se torna muito presente. Otávio começou a pensar em procurar aventuras que preenchesse aquele oco cheio de eco. Os encontros anônimos estavam à sua espera. Eram o único escape. No banheiro do shopping, no espigão da praia de Iracema, nos cinemas de pegação. Sexo cru, sem afeto, com camisinha sempre — o medo da AIDS ecoava forte na cabeça dele, as novas drogas ainda não livravam o pânico de condenação à morte que o estigma de um diagnóstico de HIV positivo ainda carregava.
O que mais doía era não ter com quem falar. Nem Murilo, que agora pertencia cada vez mais a Rafael. Nem amigos. Nem família. O bissexual enrustido carregava sozinho o luto de um amor que nunca teve nome, mas que foi o mais intenso de sua vida recente. Letícia continuava reclamando com Alice. Alice reclamava com Otávio. E Otávio, calado, via a própria vida se partir entre o dever familiar e a saudade dolorida de um homem que, aos poucos, escolhia uma vida menos complicada. A distância não só separou corpos. Separou almas. E Otávio, enfim, se convenceu que tinha perdido Murilo de verdade.
Uma noite, Alice dormia profundamente ao lado dele. A barriga já grande subia e descia. Otávio estava com o pau latejando, tesão acumulado de semanas. Levantou-se silenciosamente, foi até o escritório, trancou a porta e abriu o notebook. Não aguentou mais. Procurou fotos antigas de Murilo (escondidas em uma pasta criptografada). Viu um vídeo curto que haviam gravado com a máquina fotográfica digital: Murilo cavalgando ele devagar, rebolando gostoso, o pau grosso batendo na barriga de Otávio a cada descida. O cu vermelho engolindo a rola inteira, brilhando de lubrificante.
Otávio baixou a calça do pijama, cuspiu na mão e começou a se masturbar. Lembrou do cheiro de Murilo, do jeito que ele gemia “me fode mais fundo”, do jeito que ele lhe comia enquanto sussurrava “adoro comer cu de pauzudo, dá mais tesão lascar seu rabo segurando essa pomba gigante”. Acelerou o movimento, apertando a cabeça grossa do próprio pau, imaginando que era a boca quente do amante. Gozou com força, jatos longos e grossos que sujaram sua barriga e o peito, gemendo baixinho o nome de Murilo. Ali, naquela punheta furiosa e, ao mesmo tempo, melancólica, fez o rito de despedida, ele não ia mais esperar, desejar, sonhar com Murilo. Acabou. Limpou tudo, voltou para a cama e abraçou Alice por trás, sentindo a barriga dela. Theo dormia no quarto ao lado. A vida que ele “devia” querer estava ali.
Murilo ainda mandava mensagens esporádicas, genéricas. “Saudades, amigo”. Otávio respondia com o coração desbotado. A distância física tinha diminuído o que sentiam. Tudo ficou pálido, anêmico e sem graça, a mesma falta de cor e brilho que sentia quando fazia sexo com Alice. O sexo com ela continuava quase inexistente — uma ou outra rapidinha sem graça, sempre com ela “fazendo um favor”. Otávio aceitava, gozava, e depois ficava olhando o teto, pensando em paus e bundas, vez em quando em bucetas, nos corpos e nas fodas que tinha experimentado em Natal, Manaus, Brasília. O predador voraz, faminto por outro macho, não havia desaparecido. Apenas estava enjaulado novamente. E jaulas, como Otávio bem sabia, não costumam segurar lobos por muito tempo.
A resistência de Otávio foi se desgastando como uma corda esticada demais. Alice, com a gravidez bem avançada, estava estressada, desconfortável. Ele decidiu passar a dormir no quarto de Theo para deixá-la mais à vontade e ela agradeceu, aliviada. Otávio, por sua vez, carregava sua frustração sexual como um grito preso na garganta. Até que ele parou de resistir. Foi num sábado à tarde. Otávio havia levado Theo com a babá para brincar no espaço kids do shopping e, enquanto Alice descansava em casa, precisou usar o banheiro do terceiro piso, dar um mijão. Um homem de uns 38 anos, barba cerrada, corpo definido, estava no mictório do canto, postura clássica de quem tá caçando putaria. Olharam-se de canto. O homem segurou o pau um pouco mais que o necessário, exibindo uma rola de grossura média, torta pro lado.
Otávio mostrou o seu. Os olhos do cara se arregalaram seguido por um sorriso elogioso. Ele entrou numa cabine convidando Otávio com a cabeça. A hesitação não durou meio segundo. Otávio o seguiu. Ele já estava com a calça arreada até o joelho, a pica balançando, Otávio fechou a porta, ajoelhou e chupou com fome. Engoliu até o fundo, sentindo a glande bater na garganta, babando copiosamente. O homem gemia baixinho deixando Otávio matar sua fome, até que meteu a mão no bolso, pegou uma camisinha e gesticulou para Otávio se levantar e ficar de costas. Otávio se virou, baixou sua calça e cuspiu no cu se preparando pra rola que ia lhe invadir. Surpreendentemente, o cara não começou afoito, como costuma ser nesses lugares, meteu devagar, mas firme, abrindo o cu apertado que há meses não recebia uma rola de verdade.
— Que cu guloso… — sussurrou o homem enquanto enfiava lentamente.
Otávio apoiou uma das mãos na divisória, comprimindo os lábios para não gemer alto, enquanto batia punheta. O homem passou a meter com força, estocadas mais rápidas, até sussurrar num gemido que mais parecia uma confissão:
– Vou gozar.
Otávio sentiu a rola do cara pulsando, cravada no seu cu e gozou logo depois, jatos grossos no chão da cabine. Quando a respiração acalmou, se limparam e com gestos combinaram quem sairia primeiro, quem iria depois. Quando o cara saiu, Otávio fechou de novo a porta da cabine, olhou para sua porra espalhada enquanto vinha um sentimento difuso de “estou de volta”. Ajeitou a roupa, conferiu se estava tudo certo e voltou para buscar Theo como se nada tivesse acontecido. O coração batia forte. A culpa até deu sinais de que estava ali na evidência do rabo ardendo, mas o alívio do gozo foi maior.
Duas semanas depois, durante uma corrida na Praia de Iracema ao entardecer, admirando a construção do Aterro novo, reparou num jovem de uns vinte e poucos anos, que vinha em sentido contrário. Músculos definidos, moreno, short e camiseta de corrida, cruzou com ele dando uma encarada fulminante. Otávio sentiu o coração disparar com a ousadia da abordagem visual, mas seguiu correndo até o Aterrinho. Na volta, vai que ia cruzar de novo com ele. Diminui o passo. Trocaram olhares, o jovem sorriu ao se aproximar, já reduzindo o passo também, até ficaram frente a frente.
— Que calor que tá fazendo, né? – O jovem Iniciou a conversa com uma generalidade típica pra se puxar assunto com desconhecidos.
- Um calor desses merece uma água de coco geladinho, vamos?! – respondeu Otávio já convidando de modo sedutor.
Foram até uma barraca, pediram dois cocos e sentaram em um dos bancos do calçadão. O papo fluiu cheio de mensagens subliminares até que o jovem fez a pergunta de arremate:
- Tá sozinho?
- Não, sou casado… - respondeu Otávio, hesitante.
- Eu vi a aliança, mas não sou ciumento. – brincou o rapaz. Voltaram a rir quando ele fez uma nova pergunta:
- Tá de carro?
E lá se foram para o carro de Otávio, rodaram por cerca de meia hora e foram parar lá pros lados das Dunas, uma rua deserta, lugar ermo, perigoso até, mas o tesão quando alucina desarma o instinto de sobrevivência. No banco reclinado, o novinho baixou o short de Otávio e arregalou os olhos ao ver o tamanho da rola.
— Porra, eu tinha notado pelo volume que era grande, mas, puta que pariu, cara, que pau é esse??!!!!
Segurou a rola de Otávio como quem ostenta um troféu e caiu de boca com vontade, babando, se engasgando, tentando engolir o máximo possível. Otávio segurou a cabeça dele e fodeu sua boca com estocadas curtas. Depois se virou sobre o rapaz e retribuiu: chupou o pau dele (bonito, médio, retinho, pelos aparados, uma tendência que estava começando a se tornar comum na época) enquanto enfiava um dedo naquele cuzinho apertado. O carinha gemia alto e abria as pernas para dar mais acesso, até que sinalizou que só dava pra ir até ali:
- Desculpa, cara, tô morrendo de vontade de dar pra você mas não estou preparado, sacou…?
A resposta de Otávio foi se debruçar sobre o corpo do jovem e voltar a engolir a pica bonita dele. Alternaram as mamadas por alguns minutos até que o cara falou:
- Bora gozar, macho, tá perigoso ficar parado aqui…
Passaram a se punhetar enquanto se beijavam. Otávio gozou primeiro. O cara, uns três minutos depois. Se limparam com a flanela do carro e pegaram o rumo de casa suados, com o carro cheirando a porra e suor. Depois que deixou o jovem numa transversal da Beira Mar, Otávio foi pra casa com os vidros abertos para dissipar o cheiro. A brisa fresca trazia uma sensação de que aos poucos ele restaurava sua vida e recriava o lugar do prazer nela.
Mais alguns dias, o tesão voltou a rondar feito sombra de fantasma e Otávio aproveitou uma tarde de folga do trabalho durante a semana, informação que ele omitiu de Alice exatamente para poder ir atrás de putaria sem ter que inventar desculpas, e foi para um cinema tradicional no centro, onde rolava uma pegação mais discreta. No fundo da sala escura, fez a ronda com o olhar, mas não achou nada interessante. Resolveu ficar por ali, encostado na balaustrada esperando que aparecesse algo. Alguns caras lhe rondaram, mas não eram figuras interessantes e ele se manteve na dele, evitando contato visual para não dar espaço à aproximação, até que um homem de estatura média, corpo troncudo, jeitão meio desengonçado apareceu na entrada, parou e examinou a plateia. Ao trocarem olhares, se avaliaram e num diálogo silencioso, aprovaram-se mutuamente. O cara se aproximou, mas se manteve a uns dois metros de distância. Continuaram trocando olhares furtivos entre si enquanto seguiam analisando o ambiente. Discretamente, foram se aproximando um do outro. Levaram alguns minutos nesse jogo até que o cara chegou nele de vez. Quando os cotovelos se encostaram, apoiados no guarda corpo, houve um choque de excitação. A mão de Otávio desceu e encontrou a rola do cara já dura. Apalpou, amassou e aprovou, tinha um volume interessante ali. O cara repetiu o mesmo ritual se demorando uns segundos a mais, percorrendo a extensão da chibata de Otávio. Mais alguns minutos se pegando e o cara se afastou e gesticulou com a cabeça para Otávio lhe seguir. Entrou numa das antecâmaras de saída, separada da plateia por uma pesada cortina de veludo, bastante espessa por conta do forro e desapareceu dentro do local completamente escuro. Um breu. Otávio lhe seguiu e afastou a cortina para entrar naquela pequena passagem que media dois metros de largura por um de profundidade, sem conseguir visualizar o corpo do parrudo, em quem, literalmente, acabou esbarrando. Pelo tato conseguiram se localizar e se abraçar, trocando um beijo cheio de tesão. Mãos percorrendo o corpo do outro com fome.
O coração de Otávio estava acelerado. Naquele mesmo cinema ele já tinha transado no banheiro, em pé atrás da balaustrada da parte detrás da plateia ou no fundo do balcão da plateia superior, mas nunca naquele lugar. A escuridão acrescentava camadas de aventura e perigo, mescladas de curiosidade e ineditismo. Eles, literalmente, não conseguiam se ver, mas isso não impedia de se acharem. Beijos, chupadas, sarro, pau no meio das coxas, sarrada na bunda, linguada no cu. A interação entre dois versáteis é uma festa. No auge da putaria, o cara pediu:
- mete no meu cu só um pouquinho, quero gozar com essa pomba atochada no furico.
Otávio tateou, achou a camisinha que tinha levado no bolso, vestiu a rola com dificuldade e quando procurou o cu do cara, já o encontrou lambuzado de cuspe. Encaixou a rola e fez pressão. As pregas do parrudo resistiram heroicamente por alguns segundos, mas com a determinação dele empurrando a bunda para trás, o cuzinho cedeu e a rola de Otávio foi entrando naquele rabo apertado, enquanto ele acelerava a punheta. Não passou nem um minuto e a pulsação em seu cu anunciou, ele tava gozando com a rola de Otávio ainda por terminar de enfiar. Otávio parou e esperou para ver se o cara queria continuar. Em contexto de pegação, se não rolar de gozar juntos, quem goza primeiro se manda e deixa o outro na mão sem remorso. Quando o cara parou de tremer, empurrou delicadamente o quadril de Otávio para trás e antes que Otávio tomasse qualquer atitude, ele já estava se ajoelhando e arrancando a camisinha com a mão enquanto, com a boca já alcançando a rolona dura de Otávio, lhe servia uma mamada cheia de volúpia. O cara era mamador experiente e nas preliminares antes da enrabada já tinha conseguido ler o mapa do tesão do parceiro. Administrou um boquete bem lambuzado, alternado com lambidas no saco enquanto o dedo era enfiado no cu de Otávio. Bastaram mais alguns minutos de boquete com dedada pra Otávio anunciar que ia gozar. Parte na boca do cara, parte no chão daquele cubículo.
Depois de se ajeitarem, saíram juntos e nova surpresa, o cara não sumiu, seguiu com Otávio até o banheiro para se lavarem. Lá, sob a luz branca, Otávio viu que tinha uma gota de porra no pescoço do cara e logo tratou de limpar com papel toalha. Entre sorrisos cúmplices começaram a conversar: ambos casados, bissexuais no armário, vivendo de aventuras episódicas bla bla bla. O cara mais experiente, falou de points que Otávio não conhecia e recomendou que ele fosse à sauna.
— Você tem um pau enorme e fode gostoso. No dia que você for na Thermas Iracema vai ser um sucesso.
- Nunca fui, cara, tenho medo…
- bobagem, a rua é discreta, pouco movimento, ali na Aldeota, não tem placa, quem passa nem imagina o que tem lá. Sexta, no happy hour, e domingo à tarde, costuma ter bastante movimento. Vá por mim, você vai curtir, lá tem muitos caras como nós…
Otávio pensou nisso durante dias. Culpa, tesão, medo, curiosidade. Alguns domingos depois, mesmo com Alice podendo entrar em trabalho de parto a qualquer momento, ele inventou uma mentira e foi:
— Amor, vou pro jogo do Ceará no Castelão com a turma da PF. Se sentir qualquer coisa, liga no celular que eu venho correndo.
Chegou na sauna por volta das 16h, nervoso como um adolescente. Pagou, recebeu a chave do armário, tirou a roupa, enrolou a toalha branca na cintura e foi explorar o ambiente. Havia um bar e um salão com espreguiçadeiras espalhadas. Ao lado, quartos escuros com cabines feitas com divisórias de madeira, ao fundo ficavam a sauna a vapor e a seca, juntas da área dos chuveiros, um persistente cheiro de eucalipto no ar e o som de música ambiente tocando baixo em caixinhas de som espalhadas pela ampla casa convertida em sauna. Em todos os ambientes, homens circulando, olhares avaliadores, todos se medindo e caçando.
Foi primeiro na sauna seca, sentou tímido, ficou uns minutos. Depois foi para a vapor. Um homem de uns 45 anos, barrigudinho mas com pau grande, entrou depois e se sentou ao seu lado. Troca sugestiva de olhares, ele se aproximou mais e começou a tocar sua coxa com o joelho. Otávio deixou e abriu a toalha. O homem aceitou o convite e caiu de boca, chupou seu pau enorme com vontade, ajoelhado no banco. Em menos de três minutos, ele gozou, deu um tapinha de agradecimento no ombro de Otávio e saiu.
Após esse batismo de putaria, aos poucos Otávio se soltou. Explorou os espaços, descobriu uma escada que não tinha reparado e levava a um espaço superior, uma grande sala escura com alguns pufes espalhados. Ali, no darkroom, foi rodeado por mãos vindas de todos os lados. Na penumbra dava pra identificar muito pouco dos corpos das pessoas. Otávio decidiu se abandonar a radicalidade sensorial daquele anonimato. Dois homens lhe cercaram ao mesmo tempo. Um começou a chupar seu pau, outro lambeu suas bolas e enfiou a língua no seu cu. Otávio gemeu alto, entregando-se. O que tava lhe fazendo um cunete caprichado, foi conduzindo Otávio a ficar de quatro num colchão. Um cara de corpanzil avantajado, um pau mais comprido do que grosso, procurou o cuzinho de Otávio já vestido com a camisinha. O cara, literalmente, deu uma surra de piroca nele. Meteu de 4, de lado, de frango assado e só gozou quando fez Otávio se sentar no pau dele e rebolar, enquanto Otávio chupava outro pau que apareceu na sua frente.
O pau enorme de Otávio fez sucesso, tal e qual o sujeito parrudo do cinema tinha lhe dito. Vários homens queriam sentar nele. Um novinho magrinho foi mais esperto e ágil que os outros, subiu na rola dele devidamente vestida com a camisinha, se empalou na chibata gemendo quase chorando e foi até o fim. Quando seu cuzinho encostou nos pentelhos de Otávio, deu uma pausa, desfrutando da sensação daquele pau imenso todo atochado no cu e só então cavalgou devagar, gemendo e falando enquanto subia e descia na rola grossa:
— Ai, caralho… tá me abrindo inteiro…
Otávio segurou a cintura dele e meteu para cima, estocadas fortes, fazendo o garoto pular até despejar sua porra sobre a barriga de Otávio. Outro homem se aproximou e enfiou o pau na boca de Otávio. Ele chupava e metia em outro cu ao mesmo tempo, suado, lambuzado, perdido no prazer. Em certo momento, estava no centro de um rodízio: chupava um, era chupado por outro, metia em um terceiro, enquanto outro acariciava seu cuzinho na expectativa de meter rola nele. Gozou duas vezes — uma dentro do cu de um cara que cavalgava ele quase rasgando a camisinha de tanto que rebolava, a segunda, já cansado, na boca de outro que não deixou ele tirar o pau da boca, fez questão de engolir tudo. Corajoso, o safado…
Saiu do dark room exausto, as pernas trêmulas, o corpo relaxado. Tomou banho, vestiu a roupa e foi embora para casa procurando notícias no rádio do carro sobre o jogo. O vozão tinha acabado de ganhar. Aproveitou o crédito de tempo que ainda tinha e parou para fazer um lanche. Enquanto comia, recapitulava mentalmente o que tinha acabado de fazer. O pau chegou a ficar duro, enquanto ele ali sentado, atracado com um cheeseburguer e um refrigerante, repassava, recolhia e catalogava as memórias das sensações de prazer, de luxúria, de tesão. Como quem faz um fichário mental e sensorial da putaria. Chegou em casa, leve, sentindo um misto de contentamento e euforia pela esbórnia que tinha desfrutado.
Alice o recebeu carinhosa como sempre:
— Como foi o jogo?
— Foi ótimo… Ceará ganhou, mas foi duro, jogão disputado — mentiu ele, com base nos depoimentos dos comentaristas esportivos que ouvira no rádio do carro. Se ela assistisse na TV a resenha esportiva no telejornal do dia seguinte, comprovaria a narrativa dele. A arte de mentir tem suas estratégias, suas táticas. Construir a verossimilhança é uma arquitetura factual e um bom investigador sabe.
Theo ouviu sua voz e veio correndo do quarto para abraçá-lo. Otávio sorriu emocionado, pegou o filho no colo e foi inundado, ao mesmo tempo, pelo maior amor de sua vida e por uma pontada de tristeza ao ter que guardar segredo sobre parte da origem da sua alegria.
No dia seguinte, acordou, se levantou, tomou banho e quando foi no quarto trocar de roupa, Alice já estava acordada, recostada na cama. Antes que ele a beijasse e desse bom dia, ela abriu um meio sorriso indefinível, pegou alguma coisa na mesa de cabeceira e lhe estendeu o pequeno objeto, uma embalagem plastificada, brilhante... Era uma camisinha:
- Você esqueceu no bolso da bermuda que foi ao Estádio…


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Ficha do conto

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Nome do conto:
A Saga de Otávio 10 – Nem toda volta é recomeço…

Codigo do conto:
268464

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
28/07/2026

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