Sob o céu de Khron




Sob o Céu de Kharon
 
No final do século XXI. As nações da Terra estavam em paz, trabalhando juntas para explorar e colonizar os locais distantes do espaço. Infelizmente não estavam sós.
Uma raça de não humanos, chamados Drax,estava reclamando direito sobre um dos mais ricos sistemas estelares da galáxia e eles não iam desistir sem lutar, era o novo campo de batalha. 
Para muitos de nós, a Terra tornou-se uma lembrança preciosa, há anos-luz de distância. Nosso único lar era uma fortaleza no espaço.
Como em qualquer guerra havia, longos períodos sem nada a fazer, senão esperar.
 A guerra entre a Federação Terrestre e os Drax   já durava mais de vinte anos. Em ambos os lados, gerações inteiras haviam crescido ouvindo histórias sobre a crueldade do inimigo.
O capitão Elias Torres era um dos melhores pilotos da Federação. Durante uma patrulha de rotina, perto da fronteira, seu esquadrão foi atacado por caças draga. No caos da batalha, Elias perseguiu uma nave inimiga até uma região desconhecida do espaço. Os disparos atingiram ambos os veículos. Sem controle, as duas naves atravessaram uma anomalia gravitacional e despencaram sobre um planeta selvagem chamado Kharon.
Quando Elias recuperou a consciência, encontrou destroços espalhados por quilômetros. Seu comunicador estava destruído. Sem possibilidade de pedir socorro, ele começou a procurar suprimentos. Foi então que viu o sobrevivente da outra nave.
 O Drax era alto, de pele acinzentada e olhos dourados. Tirando essa característica, nada mais no corpo dele se diferenciava de um corpo humano. Seu nome era Rhaak, Elias conseguiu ler o nome gravado em seu uniforme. Ao se encontrarem, ambos sacaram suas armas imediatamente. Nenhum dos dois disparou.Talvez porque estivessem feridos. Talvez porque soubessem que estavam sozinhos e sabiam que ambos estavam em perigo.
Os primeiros dias foram tensos. Dormiam separados. Observavam-se constantemente. Trocar palavras era impossível, pois falavam idiomas completamente diferentes.
Kharon era um mundo cruel. Tempestades elétricas surgiam sem aviso. Criaturas predadoras caçavam durante a noite. A água era rara.
Quando Elias caiu em uma ravina durante uma tempestade, foi Rhaak quem o salvou, usando uma corda improvisada.
Dias depois, uma criatura atacou o acampamento. Elias impediu que o Drax fosse morto.
Pouco a pouco, a desconfiança começou a diminuir e eles passaram a ensinar palavras simples um ao outro: Água, Fogo, Comida, Amigo.
Meses se passaram.
Ao redor das fogueiras, compartilhavam histórias de suas famílias usando gestos, desenhos e o vocabulário limitado que construíam juntos.
Elias descobriu que os Draxs não eram monstros.
Rhaak descobriu que os humanos também não.
A propaganda da guerra havia mentido para ambos.
 As estações em Kharon mudavam lentamente. O que antes era desconfiança havia se transformado em companheirismo.
 Numa noite particularmente fria, Elias e Rhaak estavam sentados próximos à fogueira. O vento soprava entre as rochas, carregando sons estranhos da escuridão.
 — Você… amigo. — Disse Rhaak em seu idioma ainda imperfeito.
 Elias sorriu.
 — Sim. Amigo.
 O Drax inclinou a cabeça, observando-o com aqueles olhos dourados que já não lhe pareciam ameaçadores.
 — Mais que amigo.
 Elias sentiu o coração acelerar.
Durante meses, haviam compartilhado medos, histórias e esperanças. Conheciam-se melhor do que qualquer outra pessoa no universo.
 Nenhum dos dois desviou o olhar.O silêncio entre eles já não era desconfortável. Era íntimo.
Rhaak estendeu a mão lentamente. Elias a segurou. Naquele momento, não eram um humano e um Drax. Não eram soldados. Não eram inimigos. Eram apenas dois seres solitários que haviam encontrado compreensão um no outro.
Os dedos permaneceram entrelaçados, enquanto observavam as estrelas desconhecidas de Kharon, surgirem no céu.
 Pela primeira vez desde a queda naquele planeta, Elias sentiu que não estava sozinho.
 Na tarde do outro dia, uma tempestade de poeira obrigou Elias e Rhaak a se refugiarem entre as montanhas, onde encontraram uma fonte termal escondida entre as rochas.
 Depois de semanas enfrentando calor, lama e sangue, a água quente parecia um presente inesperado.
 Elias retirou a camisa rasgada e a jogou sobre uma pedra. Quando levou as mãos ao botão da calça, titubeou. Olhou para a água, depois para Rhaak. Após um breve instante de indecisão, decidiu que não havia motivo para constrangimento e ficou apenas de cueca, antes de entrar.
As cicatrizes espalhadas pelos ombros e pelo peito revelavam anos de combate. Rhaak observou em silêncio.
 Em seguida, o Drax também removeu as peças de sua armadura orgânica, expondo seu corpo totalmente nu, que Elias nunca havia visto com clareza.
 Tirando a cor cinzenta e os olhos dourados, características adquiridas devido ao clima e a composição química de Kharon, nada o diferenciava de um corpo masculino humano. Era como os povos da terra, com cores e formas diferentes de acordo com a região onde viviam. Os negros da África, os amarelos da Ásia.
Naquela hora Elias pensou que seria muita pretensão dos humanos, achar que num universo tão imenso, apenas no nosso planeta houvesse vida como a que conhecíamos.
Rhaak era um homem bonito, corpo extremamente definido, músculos proeminentes, talvez esculpidos durante anos de batalhas e preparos físicosElias não tinha ainda clareza de como era o treinamento das forças armadas de Kharon, mas sabia que ali na sua frente, o que via era um ser de corpo extremamente másculo e bonito. Um corpo que, apenas na cor, se diferenciava do seu. Não deixou de reparar no volume avantajado que se projetava do meio de suas coxas. O Drax era muito dotado.
O corpo de Rhaak possuía traços alienígenas, mas também algo surpreendentemente familiar: músculos marcados pelo esforço, cicatrizes antigas, marcas de ferimentos e imperfeições que contavam uma história de sobrevivência.Isso deixou Elias excitado. Não chegou a ficar assustado, estavam solitários e esse sentimento lhe pareceu normal.
Por um momento, ambos ficaram constrangidos.
A guerra havia lhes ensinado a enxergar monstros. A realidade era diferente.
Elias percebeu que não estava olhando para uma criatura assustadora. Estava olhando para alguém parecido com ele mesmo. Rhaak parecia chegar à mesma conclusão. Seus olhos dourados percorreram as cicatrizes humanas.
— Guerra? — Perguntou ele, apontando para uma marca no peito de Elias.
— Guerra. — Confirmou Elias. - Rhaak então tocou uma cicatriz semelhante em seu próprio ombro. Os dois sorriram. Não porque fossem iguais, mas porque, apesar de todas as diferenças, carregavam as mesmas dores.
Sentados lado a lado na água quente, deixaram que o silêncio falasse por eles. Pela primeira vez, nenhum dos dois enxergava um inimigo, apenas outro ser vivo, tão vulnerável quanto ele próprio.Saíram da água e fizeram uma fogueira, ambos nus.
 A fogueira lançava sombras dançantes sobre o abrigo improvisado, enquanto Elias observava Rhaak afiar uma lâmina de sobrevivência. Era estranho. Meses antes, a simples presença do Drax despertava desconfiança. Agora despertava algo completamente diferente.
 O brilho do fogo refletia nos olhos dourados de Rhaak. Seus movimentos eram calmos, precisos, quase hipnóticos. Elias percebeu que estava olhando havia tempo demais.
 — O que foi? — Perguntou Rhaak, erguendo o olhar. Elias desviou os olhos por um instante.
 — Nada. - Ambos sabiam que não era verdade.
O silêncio que se seguiu não era desconfortável.Era carregado de algo que nenhum dos dois havia encontrado coragem para nomear.
Rhaak aproximou-se para examinar um ferimento antigo no braço de Elias. Seus dedos tocaram a pele humana com cuidado. Um gesto simples.Ainda assim, Elias sentiu o coração acelerar. O toque demorou apenas alguns segundos.Pareceu muito mais.
Quando seus olhares se encontraram novamente, nenhum dos dois recuou. Havia curiosidade, admiração e um desejo silencioso crescendo entre eles. Não era apenas atração física. Era o resultado de meses compartilhando medos, esperanças e a certeza de que um confiava a própria vida ao outro.
 Rhaak sorriu de leve.
 — Você olha para mim de forma diferente agora.- Elias soltou uma pequena risada.
 — Você também.
 Por um instante, a distância entre eles pareceu desaparecer. Nenhum dos dois fez movimento algum. Nenhum precisava ser feito. A expectativa daquele momento já dizia tudo o que as palavras não conseguiam expressar.
Lá fora, as estrelas de Kharon brilhavam sobre um mundo hostil. Dentro do abrigo, pela primeira vez, ambos sentiam algo que se parecia muito com a possibilidade de serem amados.
Elias aproximou seu rosto do de Rhaak, seus lábios sentiam a respiração do Drax bem próxima à sua, ele estava excitado demais. Seu pau parecia uma espada de aço puro, dura e pingando de desejo.
Rhaak sentia o mesmo em relação ao seu antigo adversário. Não sabia exatamente como era o sexo entre os humanos, mas sabia que algo intenso estava prestes a acontecer e queria muito que aquilo se concretizasse. Entre sua raça não havia distinção entre sexos. Só havia atração e desejo. Quando a energia de dois seres se encaixava, eles apenas deixavam fluir, não importava o gênero, apenas importava o que os dois sentiam. Sua raça não conhecia coisas como culpa ou preconceito. Isso era apenas um conceito terreno.
Ele puxou a cabeça de Elias e encostou sua testa na testa de Elias. Nessa hora um calor estranho entrou pelo cérebro do terreno, causando uma excitação e um calor intenso. Elias sentiu seu corpo todo tremer e se agitar. Um calor nas extremidades e no seu ânus, davam conta de que ele desejava se entregar ao Drax.
Não houve um beijo convencional, as bocas se colaram, mas aquela energia que emanava da testa do Drax supria a necessidade de uma carícia mais íntima. Aquela energia substituía todo o prazer das preliminares.
Elias levou sua mão trêmula até o membro de Rhaak e sentiu a potência daquele órgão imenso. Era muito quente e pulsava muito perante seu toque. O Drax gemeu profundamente e virou o terreno de costas para ele.
Elias chegou a pensar que não era possível um caralho daquele tamanho entrar em seu cuzinho apertado, mas por outro lado, aquela energia que tinha recebido do parceiro alienígena tinha o deixado tranquilo e confiante, seu corpo mandava uma mensagem para que ele se entregasse, e assim o fez.
A cabeça do membro de Rhaak encostou em sua portinha e logo ele sentiu suas pregas se afastarem, se esticarem de maneira intensa para acomodar o membro do parceiro. Sentia uma dor incômoda, um calor intenso vindo daquele membro, mas o prazer superava qualquer desconforto.
Depois que toda aquela massa de músculos e nervos se alojou no fundo do seu reto, ele ficou calmo, esperando os movimentos do parceiro, que gemia e respirava de forma descompassada. Ele apenas segurou na cintura de Elias, deu um tranco forte e puxou o cacete imenso, totalmente para fora do buraco do terreno. Novamente enterrou tudo de maneira forte e repetiu o gesto, tirando tudo de dentro para meter novamente. Elias gemeu de dor e prazer, mas não podia reclamar, nunca tinha sentindo um prazer tão intenso.
Depois de repetir esse movimento por quatro vezes, o Drax abraçou Elias e colou seu corpo ao dele. Nessa hora o pênis imenso do Drax começou a pulsar sozinho, tremulando dentro do reto de Elias, fazendo ele urrar de prazer. Era uma pulsação intensa, como se fosse um vibrador elétrico.
Em minutos ele começou a gritar e a suar fortemente, sentindo seu prazer se aproximar. O Drax o mantinha num abraço apertado o tempo todo, enquanto seu cacete descomunal pulsava dentro do cuzinho terreno.
Elias sentiu uma inundação quente dentro do seu reto e se desmanchou em prazer, jorrando jatos e mais jatos de porra, num gozo nunca antes experimentado.
O corpo do Drax foi se acalmando. Sua temperatura voltou ao normal, seu pênis foi perdendo, aos poucos, aquele calor intenso e também o volume descomunal e logo escorregou para fora do cuzinho de Elias.
Nessa hora Rhaak virou ele de frente e novamente encostou sua testa na testa de Elias,que foi tomando por um sentimento intenso de amor e aconchego. Ficaram ambos abraçados, deitados lado a lado.
 A descoberta
Após meses vagando por Kharon, Elias e Rhaak encontram sinais artificiais próximos a uma cadeia de montanhas. Seguindo-os, descobrem uma antiga estação científica construída por uma civilização desaparecida ou por exploradores que abandonaram o planeta, décadas antes.
 A maior parte da instalação estava destruída.
 • Antenas caídas.
• Corredores inundados.
• Sistemas elétricos parcialmente inoperantes.
• Áreas tomadas pela vegetação local.
 Mas nem tudo foi perdido.
 A água
 A base foi construída sobre um aquífero subterrâneo.
 Mesmo após anos de abandono, bombas automáticas alimentadas por painéis solares ainda mantinham uma pequena estação de purificação funcionando.
 Isso garantia: 
 Água potáve
Banhos ocasionais.
Irrigação das plantações.
As estufas
 As estufas poderiam ser a parte mais valiosa da base, projetadas para produzir alimentos durante longas missões, elas continuaram operando graças a sistemas automáticos.
Elias e Rhaak encontraram: 
• Frutas resistentes.
• Vegetais modificados geneticamente.
• Leguminosas ricas em proteínas.
• Tanques de cultivo hidropônico.
 Talvez parte das plantações tenha sofrido mutações após anos sem manutenção, criando espécies estranhas, exclusivas de Kharon.
 Um novo lar
 A base se tornaria muito mais que um abrigo.Seria o primeiro lugar onde eles poderiam parar de apenas sobreviver.
 Pela primeira vez:
• Dormiriam em camas.
• Teriam refeições regulares.
• Poderiam estudar mapas antigos.
• Tentariam reparar equipamentos de comunicação.
 É também nesse ambiente mais seguro que o relacionamento entre eles pôde evoluir.
O sexo e carinho descoberto pelos dois fazia parte de seus dias. Não se cansavam de se amarem sem culpa, sem pressa, sem compromisso com o universo ao seu redor.
 Quando a necessidade constante de lutar pela sobrevivência diminui, sobra espaço para conversas, memórias, sonhos e sentimentos que antes eram sufocados pela urgência.
 A chuva caía suavemente sobre os painéis de vidro da estufa.
 Pela primeira vez desde que chegaram a Kharon, Elias não precisava pensar na próxima refeição, nem vigiar a escuridão à procura de predadores.
 A antiga base deixara de ser um abrigo improvisado. Era um lar.
 Rhaak terminava de podar algumas plantas quando percebeu Elias observando-o da porta.
 — O que foi? — Perguntou, com um leve sorriso.
 — Ainda acho estranho ver você cuidando de tomates. - Rhaak riu.
 — E eu ainda acho estranho que os humanos conversem com as plantas.
— Eu não converso.
 — Conversa, sim. - Elias aproximou-se, fingindo indignação.
 — Está me espionando?
 — Apenas observando. - Pararam frente a frente.O silêncio entre eles já não carregava insegurança. Era confortável.
 Elias levantou a mão e afastou uma mecha dos cabelos de Rhaak que havia caído sobre seu rosto. O gesto foi natural, quase involuntário.
 Rhaak fechou os olhos por um instante, inclinando-se levemente em direção à carícia.
 — Ninguém nunca fez isso comigo. — Disse em voz baixa.
 — Comigo também não. - Os dois sorriram.
 Lá fora, o vento fazia as árvores da estufa balançarem lentamente. Rhaak segurou a mão de Elias entre as suas e falou:
 — Quando caímos neste planeta, eu desejava sua morte.
 — Eu também.
 — Agora só consigo imaginar este lugar sem você… e parece vazio. - Elias aproximou o rosto.Suas testas quase se tocaram.
 — Acho que foi aqui que descobri o significado da palavra “casa”. - Rhaak respondeu apenas encostando a fronte na dele.
 Ficaram assim por alguns instantes, respirando no mesmo ritmo. Sentindo o amor que aquele gesto provocava nos dois.

A Revelação 
 A chuva tamborilava sobre o teto metálico da estufa, enquanto Elias organizava algumas ferramentas.
Fazia quase um ano desde que encontrara Rhaak naquele planeta.Um ano desde que deixaram de ser inimigos. Um ano desde que a base abandonada se tornara seu lar.
Nos últimos dias, porém, algo parecia diferente. Rhaak passava longos períodos em silêncio. Estava mais cansado. Comia menos. Às vezes permanecia sentado próximo às plantas, observando-as sem dizer uma palavra.
Naquela noite, Elias finalmente perguntou:
— O que está acontecendo? - Rhaak demorou a responder. Os olhos dourados permaneceram fixos na chuva.
— Existe algo que eu nunca expliquei sobre meu povo. - Elias sentiu um aperto no peito, ao ouvi-lo.
— Algo ruim?
— Não. Apenas raro. - Rhaak respirou fundo e colocou a mão sobre o próprio abdômen.
— Os Drax podem gerar descendentes. - Elias piscou.
— Espera… você está dizendo…
— Sim.
O silêncio pareceu durar uma eternidade. Elias tentou organizar os pensamentos.
Guerra interestelar.
Naves espaciais.
Planetas alienígenas.
Tudo isso parecia mais fácil de compreender do que aquela revelação.
— Você… vai ter um filho?
Rhaak assentiu lentamente. Pela primeira vez desde que se conheceram, parecia nervoso.
— Entre meu povo, isso acontece poucas vezes durante a vida. - Elias sentou-se ao seu lado. A surpresa ainda estava ali. Ele tinha sido passivo na relação sexual. Como poderia o parceiro alienígena estar grávido? Questionou o parceiro sobre isso e ouviu a explicação:
— Entre nosso povo esse fato não é apenas biológico como entre os terráqueos. O nosso cérebro, ao receber a energia de uma emoção absolutamente verdadeira, libera uma reação química que faz com desenvolvamos um novo ser dentro da gente. Basta que a emoção seja verdadeira. Lógico que existem meios de se barrar essa emoção através de procedimentos. Assim como vocês fazem com pílulas e outros mecanismos contraceptivos.
Outra emoção começava a surgir. Elias ficou emocionado ao perceber que, naquele planeta dos Drax, os seres eram gerados a partir de uma emoção verdadeira e não apenas de um ato sexual espontâneo. Ficou muito tocado ao saber que seu afeto tinha atingido o parceiro de maneira verdadeira.
— Então haverá uma criança correndo por esta base um dia? – Perguntou. Rhaak soltou um som parecido com uma risada.
— Provavelmente destruindo tudo. - Elias riu também.
O peso da notícia começou a se transformar em algo diferente.Esperança, depois de tanta guerra. Tanta morte. Tanta solidão.
A ideia de uma nova vida parecia quase impossível.
— Você está feliz? — Perguntou Elias. - Rhaak voltou a olhar para ele.
— Estou.
— Eu também. – Completou Elias emocionado.
Por alguns instantes, ficaram observando a chuva cair além dos vidros da estufa. Lá fora, Kharon continuava sendo um mundo hostil, mas dentro daquela velha base abandonada havia algo novo. Não apenas amizade. Não apenas amor. Havia futuro.
Pela primeira vez, ambos acreditaram que talvez sobrevivessem tempo suficiente para vê-lo chegar.
Naquele momento se entregaram a um abraço quente e afetuoso, que logo se transformou numa relação sexual intensa e forte, com ambos fodendo um ao outro, como se estivessem comemorando uma nova era, e realmente estavam.
Contato...
 
A transmissão havia sido enviada havia dezessete dias. Todas as manhãs, Elias verificava os painéis da sala de comunicações. Todas as manhãs, encontrava apenas estática. Até que, pouco antes do amanhecer, um som interrompeu o silêncio da base.
 Um bip curto. Depois outro. A tela acendeu pela primeira vez em mais de dois anos.
 SINAL RECEBIDO
 Elias congelou e chamou o parceiro:
— Rhaak… - O Drax entrou na sala, carregando o filho adormecido nos braços.
 A mensagem continuou surgindo, entrecortada por interferências:
 — “…esta é a estação avançada Argos da Federação Terrestre… identificamos uma transmissão de emergência… identifique-se…”
 
Elias demorou alguns segundos para responder. Sua voz parecia esquecida.
 — Aqui é o capitão Elias Torres… Força Expedicionária Terrestre… código de identificação sete-dois-alfa…
 Silêncio. Depois, uma voz quase incrédula.
 — Capitão Torres… o senhor foi declarado morto há vinte e seis meses. - Elias fechou os olhos. Não sabia se ria ou chorava.
 — Eu sei. – Respondeu apreensivo. A voz prosseguiu.
 — Qual é sua situação? - Elias olhou para Rhaak. Durante meses, imaginara esse momento. Sempre acreditara que responderia imediatamente: “Há um Drax comigo.”
 Agora aquelas palavras pareciam perigosas. Ele lembrou das batalhas, dos companheiros mortos, da propaganda, do ódio.
 Ele olhou para a criança dormindo tranquilamente nos braços de Rhaak.
 — Capitão? - A voz insistiu. Elias respirou fundo:
 — Há três sobreviventes nesta base. – Respondeu. Houve uma breve pausa.
— Entendido. Envie a identificação dos outros dois. - Elias encontrou os olhos dourados de Rhaak. Nenhum dos dois disse nada, mas ambos sabiam que aquela resposta mudaria tudo.
 — O segundo sobrevivente é um cidadão da espécie Drax. - Do outro lado da transmissão, o silêncio foi absoluto. Tão longo que Elias pensou que o contato tivesse sido perdido. Então veio a resposta:
 — Repita a informação.
 — Há um Drax vivendo comigo nesta base. Mais alguns segundos:
 — Ele é prisioneiro? - Elias balançou lentamente a cabeça:
 — Não.
 — Está mantendo o senhor sob ameaça? – A voz perguntou.
— Não.
 — Então explique. -  A voz questionou. Elias sorriu de leve. Como explicar dois anos de sobrevivência, amizade, amor e o nascimento de uma criança em poucas palavras?
 Olhou novamente para Rhaak. O Drax aproximou-se e colocou uma das mãos sobre seu ombro. Aquele simples gesto deu-lhe coragem:
 — Nós salvamos a vida um do outro, inúmeras vezes. Construímos esta base juntos. Somos uma família. - Do outro lado, ninguém respondeu. Talvez estivessem registrando cada palavra. Talvez apenas tentando compreender. Então veio a pergunta que Elias mais temia:
 — Capitão… quem é o terceiro sobrevivente? - Ele sentiu o peso da resposta antes mesmo de pronunciá-la.
 — Nosso filho. - A comunicação caiu em silêncio outra vez. Na sala de controle ouviam-se apenas o zumbido dos computadores antigos e a respiração tranquila da criança. Por fim, a voz retornou, agora muito mais baixa:
 — Capitão Torres… permaneçam em suas posições. Uma missão de resgate partirá imediatamente.
 Quando a transmissão terminou, Elias permaneceu imóvel diante da tela apagada.
 — Eles virão. — Disse calmamente. Rhaak assentiu, mas seu olhar estava distante.
 — Sim.
 — Você está com medo? – Elias perguntou. O Drax observou o filho dormir:
 — Não por mim.
 — Pelo pequeno? – Elias quis saber.
 — Pelo o que o universo decidirá fazer com ele. - Elias aproximou-see segurou a mão de Rhaak.
— Então enfrentaremos isso juntos. Como fizemos desde o primeiro dia. - Lá fora, o sol de Kharon surgia atrás das montanhas.
 Pela primeira vez, desde a queda naquele planeta, o futuro voltava a se aproximar e ele trazia consigo esperança e incertezas na mesma medida.
 
O Resgate 
Três dias depois, os sensores da base detectaram uma assinatura de dobra espacial. Uma nave. Depois outra. - Elias observava a tela em silêncio. Não havia dúvidas. Eram naves da Federação. Rhaak permaneceu ao lado dele, segurando o filho nos braços:
 — Ainda podemos partir. — Disse o Drax.
 — Para onde? – Perguntou Elias. Rhaak não respondeu. Não havia outro lugar. A antiga base era o único lar que conheciam havia mais de dois anos.
 As naves pousaram a quase um quilômetro dali. Pelo monitor externo Elias viu um grupo de soldados desembarcar em formação. Trajes blindados, rifles apontados e um veículo médico logo atrás. Era um protocolo de resgate, mas também de combate.
 — Fique aqui. — Pediu Elias. Rhaak balançou a cabeçanegativamente:
 — Não.
 — Eles podem atirar antes de fazer perguntas.
 — E, se eu me esconder, acreditarão que sou uma ameaça. – Ponderou o Drax. Elias sabia que ele tinha razão. Os dois caminharam juntos até a plataforma de pouso da base. Quando as portas se abriram, o comandante da missão deu alguns passos à frente.
 — Capitão Elias Torres… - Elias fez continência por instinto. O comandante retribuiu.
 — É uma honra encontrá-lo vivo. - Seu olhar, porém, desviou imediatamente para Rhaak. Os soldados ergueram as armas.
 
— Baixar armas! — Ordenou Elias com firmeza. Ninguém obedeceu. O comandante manteve os olhos fixos no Drax.
 — Capitão, afaste-se do alienígena.
 — Não. – Elias foi firme na resposta.
 — Essa é uma ordem. - Elias permaneceu imóvel.
 — Com todo o respeito, senhor… não. -  O silêncio tornou-se pesado. Os soldados trocaram olhares, sem saber a quem obedecer.Foi então que um choro suave rompeu a tensão. Todos olharam ao mesmo tempo. A criança despertara. Rhaak a embalou com delicadeza, tentando acalmá-la. O comandante franziu a testa:
 — Há… uma criança? - Elias respirou fundo. Sabia que aquele momento chegaria, mas ainda parecia impossível.
 — Sim.
 — Onde ela está? - Sem dizer uma palavra, Rhaak deu um passo à frente. Muito lentamente, afastou parte do tecido que protegia o bebê. O pequeno abriu os olhos. Olhos castanhos, como os de Elias.Ao redor das pupilas, um fino anel dourado brilhava discretamente, herdado de Rhaak. Nenhum soldado disse uma palavra. Nenhum.
O comandante permaneceu olhando para a criança durante vários segundos. A imagem parecia contrariar tudo o que aprendera durante a carreira militar. A guerra ensinara que humanos e Draxeram inimigos irreconciliáveis. Aquela criança dizia o contrário:
 
— Como… isso é possível? — Perguntou, quase num sussurro. Elias respondeu com calma.
 — Faz dois anos que tento entender muitas coisas. Aprendi que sabíamos muito menos sobre eles do que imaginávamos.
O comandante aproximou-se lentamente. Pela primeira vez abaixou a arma. Observou o bebê dormir novamente, completamente alheio ao medo dos adultos.
 — Ele não escolheu nascer em uma guerra. - Elias sorriu. “Nem deveria crescer em uma.” – Completou.
 O comandante ficou em silêncio por um longo momento, depois levou a mão ao comunicador:
 — Controle da missão… suspendam o protocolo de contenção. - Os soldados se entreolharam, confusos:
 — Senhor?
 — Guardem as armas. Hoje não vi um inimigo, vi uma família.
 Enquanto os fuzis eram abaixados, Elias sentiu um peso enorme deixar seus ombros. Era apenas o primeiro passo. Haveria interrogatórios, desconfiança e debates políticos.
 Pela primeira vez, alguém da Federação havia olhado para Rhaak e para a criança sem enxergar apenas uma ameaça.
E isso fazia Elias acreditar que talvez o futuro ainda pudesse ser diferente daquele que a guerra havia prometido.
 
Epílogo
 Trinta e dois anos haviam se passado desde o dia em que duas naves caíram sobre Kharon.
 A guerra entre humanos e Drax terminara fazia quase vinte anos.
 Os historiadores apontavam tratados, alianças comerciais e mudanças políticas como as causas da paz.
 Elias sorria sempre que lia aquilo. Sabia que a verdade era muito mais simples. A paz começara muito antes. Numa fogueira. Com duas pessoas famintas dividindo o último pedaço de alimento que possuíam.
 A velha base ainda existia. O tempo cobrara seu preço. Parte do telhado desabara, os corredores estavam cobertos por trepadeiras.Os painéis eletrônicos haviam se apagado havia décadas, mas as estufas permaneciam vivas.
 As árvores plantadas por Elias e Rhaak continuavam produzindo frutos. Era como se o próprio planeta tivesse decidido preservar aquele lugar.
 Elias caminhava lentamente entre os canteiros. Os cabelos, antes escuros, estavam completamente brancos. A idade tornara seus passos mais lentos, mas não diminuíra o brilho de seus olhos.
 Ouviu passos atrás de si. Não precisou olhar. Reconheceria aquele caminhar em qualquer lugar do universo.
 Rhaak aproximou-se e segurou sua mão. As escamas ao redor de seus olhos também haviam perdido a cor com o passar dos anos.
 — Ainda sente falta deste lugar? — Perguntou Rhaak.
 Elias observou a antiga sala onde aprenderam as primeiras palavras um do outro. A oficina onde consertaram os sistemas da base. A enfermaria onde choraram de alegria ao ouvir o primeiro choro do filho. Sorriu:
 — Nunca deixei de sentir. Nem quero deixar.
 Ao longe, gargalhadas ecoaram pela estufa. Uma criança corria entre as árvores. Depois outra, e mais outra. Humanas, Drax ealgumas com traços das duas espécies.
 Brincavam juntas sem perceber que, muitos anos antes, aquilo teria sido considerado impossível.
 Atrás delas vinha um homem alto, de olhos castanhos cercados por um fino brilho dourado. Era o filho deles. Já adulto. Parou diante dos pais:
 — Achei vocês. Como sempre. - Elias abriu os braços. O filho o abraçou com força, depois fez o mesmo com Rhaak. Nenhum dos três disse palavra alguma. Não era necessário.
 Naquela tarde, representantes dos dois governos chegariam para inaugurar um memorial dedicado ao fim da guerra.
 Os jornais chamavam aquele lugar de Base da Reconciliação.
 Os visitantes acreditavam que ali haviam sido assinados os primeiros acordos de paz. Estavam enganados. A paz nunca começara em uma mesa de negociações. Começara quando dois soldados deixaram de apontar armas um para o outro. Quando aprenderam a falar a língua um do outro. Quando descobriram que o medo podia dar lugar à confiança e, depois, ao amor.
 O sol começou a se esconder atrás das montanhas de Kharon, tingindo o céu de dourado e azul. Rhaak entrelaçou seus dedos aos de Elias, exatamente como fizera tantos anos antes, quando ainda não sabiam se sobreviveriam ao inverno seguinte.
 Elias apoiou a cabeça em seu ombro e falou docemente:
 — Se alguém tivesse me contado, naquele primeiro dia, que eu terminaria minha vida aqui… ao seu lado… eu teria chamado essa pessoa de louca.
 Rhaak riu baixinho:
 — Eu também.
 Permaneceram observando o horizonte. As crianças continuavam correndo entre as árvores. O vento atravessava as folhas das estufas como fazia desde o primeiro dia.
Kharon ainda era o mesmo planeta, mas eles já não eram os mesmos homens.
 O mundo que deveria ter sido o túmulo de dois inimigos transformara-se no berço de uma família.
 Às vezes, é exatamente assim que a história pode mudar. Não por causa de exércitos. Nem de governos.
 Mas porque duas pessoas tiveram coragem de amar, quando todo o universo lhes ensinara a odiar.
 
Agradecimento

Este conto é de minha autoria, mas não foi construído sozinho.
Quero deixar aqui meu agradecimento especial ao Tito, que colaborou na construção de algumas cenas e na revisão do texto. Sua participação ajudou a aprimorar momentos importantes da história e contribuiu para que o conto chegasse à forma que apresento agora.

Foto 1 do Conto erotico: Sob o céu de Khron

Foto 2 do Conto erotico: Sob o céu de Khron

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Comentários


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renataowitch Comentou em 21/08/2026

O conto começa como ficção científica de guerra, mas aos poucos muda de gênero sobrevivência → amizade → romance → formação de uma família → reconciliação entre povos. Isso dá uma trajetória emocional muito clara. E existe uma frase que resume muito bem o conto “A guerra havia lhes ensinado a enxergar monstros. A realidade era diferente.”Maravilhoso, nunca havia lido um conto erótico tão bem trabalhado,com uma mensagem tão bacana. nota 1000




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Ficha do conto

Foto Perfil fmike
fmike

Nome do conto:
Sob o céu de Khron

Codigo do conto:
270394

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
21/08/2026

Quant.de Votos:
1

Quant.de Fotos:
5