Fazia semanas que a obsessão não a largava. Toda vez que fechava os olhos, vinha a memória de um pau diferente na boca: o gosto, a textura, o peso, a forma como a garganta se abria. Ela já tinha chupado quatro homens desde a viagem e ainda assim a vontade só crescia. Parecia que quanto mais ela experimentava, mais precisava de um novo.
Foi por isso que criou o perfil na página de namoro.
Não queria mais só sexo. Ou pelo menos era o que tentava se convencer. Queria um relacionamento. Alguém fixo. Alguém que a fizesse sentir que o amor podia ser mais forte que a luxúria. Alguém maduro o suficiente para lhe dar segurança e, quem sabe, ajudá-la a controlar aquela vontade quase doentia de ajoelhar e engolir.
Foi assim que encontrou o Ruan.
39 anos. 1,71 m. 89 kg. Corpo forte e musculoso, sem ser exagerado. Pernas definidas. Cabelo no estilo k-pop, dividido ao meio, castanho claro quase loiro. Barba média, bem cuidada, com alguns fios brancos aparecendo. Boca carnuda. Nas fotos ele sorria de um jeito calmo. Na conversa, era atencioso, fazia perguntas, parecia realmente interessado nela e não só no corpo.
Eles marcaram de se encontrar num bar discreto de Boa Viagem.
Vanessa chegou cedo e pediu uma caipirinha. Depois outra. O álcool ajudava a segurar o tremor nas mãos e o aperto no estômago. Quando Ruan apareceu, ela sentiu o impacto imediato. Ele era exatamente como nas fotos, só que melhor. A camisa social arregaçada nos antebraços mostrava os músculos das pernas quando ele se sentou. A boca carnuda se abriu num sorriso genuinamente simpático.
— Oi, Vanessa. Você é ainda mais bonita pessoalmente.
Ela o cumprimentou, meio tímida e insegura. Depois de tudo o que fez, um encontro normal parecia ser algo desconhecido para ela.
Eles conversaram. Ele perguntava, escutava, ria no momento certo. Vanessa bebia e sentia o tesão subir devagar, traidor. A cada sorriso dele, a cada vez que a língua passava pelos lábios carnudos, ela imaginava aqueles lábios em outra situação. Tentava se concentrar na conversa, no fato de que ele parecia querer algo sério. Mas a calcinha já estava úmida.
Foi ela quem sugeriu ir embora juntos.
— A gente podia continuar conversando no seu apartamento… se você quiser.
Ruan olhou para ela por um segundo a mais, como se lesse a intenção por trás das palavras, e apenas acenou.
— Claro.
Não era longe o lugar, mas no caminho ela tentava não demonstrar a ansiedade monstro que tinha no coração e entre as pernas.
O apartamento dele era organizado, cheiro limpo, luz baixa. Assim que a porta se fechou, Vanessa sentiu o coração disparar. A vergonha era diferente agora. Não era a vergonha de pedir pau para um estranho qualquer. Era a vergonha de estar prestes a transar com alguém que claramente buscava mais do que uma noite, enquanto ela ainda não sabia se conseguia oferecer isso.
Ruan se aproximou com calma, segurou o rosto dela e a beijou. O beijo foi lento, profundo, a boca carnuda dominando a dela com suavidade. Quando se separaram, ele encostou a testa na dela.
— A gente não precisa fazer nada que você não queira — murmurou. — Podemos só conversar.
O coração dela ficou quente e ao mesmo tempo deu um aperto pela gentileza dele. Totalmente diferente dos outros homens que ela conheceu.
Vanessa balançou a cabeça. A voz saiu rouca:
— Eu quero.
Ela mesma puxou a camisa dele para cima. O corpo apareceu: peito definido, barriga com gomos suaves, pele morena clara. Depois foi a vez da calça. Quando a cueca desceu, o pau dele saltou duro, grosso o suficiente, veias marcadas, a cabeça rosada. Não era o maior que ela já tinha visto, mas era bonito. Limpo. Cheiroso.
Vanessa desceu de joelhos sem dizer nada.
Ruan passou a mão pelo cabelo dela com carinho.
— Você não precisa…
— Eu quero — ela repetiu, e engoliu a cabeça.
Ele achou que ela fazia para agrada-lo, não sabia que no sexo isso era o prato principal dela.
O gosto era suave, limpo, diferente. Ela chupou com vontade, a língua trabalhando embaixo da glande, a mão subindo e descendo na base. Ruan soltou um suspiro baixo e profundo, os dedos afagando o cabelo dela em vez de puxar.
— Assim… do jeito que você está fazendo está ótimo. Pode ir mais fundo se quiser, mas sem pressa.
Ela foi mais fundo. Engasgou de leve, os olhos marejaram, e continuou. O barulho molhado encheu a sala. A cada gemido baixo dele, o tesão dela aumentava. A mão livre desceu e enfiou dentro da calcinha, dois dedos escorregando fácil.
Ruan percebeu.
— Vem cá — disse com a voz rouca, puxando-a para cima. — Deixa eu te provar também.
Ele a levou para o quarto, tirou o restante da roupa dela com cuidado e a deitou na cama. Quando a boca carnuda desceu entre as pernas dela, Vanessa arqueou as costas. Ele chupava com atenção real, a língua larga e quente, os lábios puxando o clitóris no ritmo certo, dois dedos entrando devagar e curvando. Não tinha pressa. Parecia genuinamente preocupado em sentir o corpo dela reagir.
— Me fala se está bom — murmurou contra a buceta dela. — Pode pedir do jeito que você gosta.
Vanessa só conseguia gemer. Quando ele a puxou para o 69, ela se viu de novo com o pau na boca enquanto a língua dele a devorava. O ângulo era perfeito. Ela chupava com mais vontade, saliva escorrendo, enquanto ele gemia entre as pernas dela e metia os dedos mais fundo.
Foi nesse momento que a fantasia traidora apareceu.
Enquanto engolia o pau dele e sentia a língua quente no clitóris, a imagem surgiu nítida: outro homem atrás dela, metendo, enquanto ela continuava chupando o Ruan. Dois paus. A boca ocupada e a buceta preenchida ao mesmo tempo. O pensamento veio tão forte que ela quase gozou na hora. Quase deixou escapar um “queria mais um”. A frase morreu na garganta. Um frio de vergonha percorreu a espinha.
Como eu pude pensar nisso?
Ela se agarrou no pau dele com mais força, como se quisesse expulsar a imagem, e gozou assim: com a boca cheia, a língua dele trabalhando, o pensamento proibido ainda ecoando na cabeça. O corpo tremeu inteiro. Ruan segurou os quadris dela e continuou lambendo até ela pedir, ofegante, que parasse.
Ele se afastou só o suficiente para beijar a barriga dela, subindo devagar.
— Posso entrar em você? — perguntou, a voz baixa, os olhos nos dela. — Só se você quiser. A gente vai no seu ritmo.
Vanessa hesitou só um segundo. Depois acenou.
Ele pegou a camisinha, vestiu e se posicionou entre as pernas dela. Entrou devagar, centímetro por centímetro, observando o rosto dela o tempo todo. Quando estava completamente dentro, parou e beijou a boca dela.
— Está bem?
— Está… — ela ofegou. — Pode mexer.
Ruan começou a meter com movimentos longos e profundos, uma mão segurando a coxa dela, a outra entrelaçada nos dedos dela. De vez em quando beijava o pescoço, perguntava se podia ir mais fundo, se ela queria mais rápido. Era tão diferente dos outros. Tão atento. Tão presente.
E foi exatamente por isso que a fantasia voltou.
Enquanto ele metia gostoso, a boca carnuda beijando o ombro dela, Vanessa imaginou de novo: outro pau deslizando entre os lábios dela ao mesmo tempo. A imagem a fez apertar as pernas em volta da cintura dele e gozar pela segunda vez, um orgasmo longo e tremido, o rosto escondido no pescoço dele para que ele não visse a expressão de vergonha misturada com prazer.
Como eu pude pensar nisso de novo?
Depois, eles ficaram deitados em silêncio por um tempo. Ruan traçava círculos lentos nas costas dela com a ponta dos dedos. Beijou a testa dela.
— Você está bem? — perguntou baixo. — Precisa de alguma coisa?
Vanessa assentiu, mas o desconforto já crescia no peito. Ele era legal demais. Carinhoso demais. Prestava atenção demais. Não merecia alguém que, mesmo depois de um sexo tão bom, ainda pensava em outros paus, em outras bocas, em outras noites anônimas.
Eles conversaram mais um pouco. Ele falou de viagens, de um projeto de trabalho, perguntou sobre a família dela. Vanessa respondia, mas a cada minuto que passava a certeza ficava mais pesada: ela não conseguiria ser fiel. Não conseguiria matar aquela vontade só porque tinha encontrado um homem bom. Uma vida de namoro estável não permitiria o que ela ainda precisava sentir.
Quando se vestiu para ir embora, Ruan a acompanhou até a porta e a beijou com carinho.
— Me liga quando chegar em casa?
Vanessa forçou um sorriso.
— Ligo.
Ela não ligou.
No Uber, olhando a cidade passar pela janela, sentiu os olhos arderem. Doía perceber que talvez nunca conseguisse ter uma vida normal. Que a obsessão ainda era maior do que o desejo de ser amada daquele jeito. E doía ainda mais saber que Ruan, com toda a gentileza dele, não merecia ser só mais um nome na lista de homens que ela tinha usado para tentar se entender.
A vontade, no entanto, já começava a voltar.
Só um pouco.



