Ela entrou sem pressa. Alta, curvilínea, pele pálida com um brilho quase sobrenatural. Cabelos longos e escuros com mechas avermelhadas caíam até a cintura. Olhos dourados de pupilas felinas brilhavam na penumbra. Dois pequenos chifres negros polidos emergiam da testa. Uma cauda fina e pontiaguda balançava atrás dela. Vestia um vestido preto curto e justo, com fendas altas que revelavam as pernas longas.
— Boa noite — disse a voz melosa e antiga. — Meu nome é Lilirah. Sou metade humana, metade demônio. E eu tenho uma proposta para você.
Ele a observava em silêncio, o coração acelerado. Quinze anos lendo sobre ela em livros antigos. Quinze anos desejando exatamente aquela visão.
— Eu quero ser sua namorada — continuou ela, aproximando-se. — Mas tem uma condição. Durante uma semana inteira você não pode me tocar. Nem um dedo. Enquanto isso, eu vou te provocar. Todos os dias. Se passar no teste… eu te concedo um desejo. Qualquer desejo.
Ele engoliu seco e aceitou.
A semana começou.
Lilirah era implacável. Aparecia nua no banheiro enquanto ele tentava se acalmar sob o chuveiro, se tocava na sua frente, descrevia com voz rouca tudo o que faria se ele pudesse tocá-la. Quando ele tentava fugir para o quarto, ela já estava lá. Quando bebia para embotar os sentidos, ela se sentava ao lado, nua, falando baixinho no ouvido. Ele resistia desviando o olhar, usando a cabeça, bebendo, dormindo. Ela respeitava as regras, mas nunca facilitava.
No segundo dia, depois de quase ceder, ele confessou:
— Eu li tudo sobre você. Os homens que você deixou loucos… e também a sua solidão. A guerra. Eu me apaixonei por você.
Lilirah parou. Pela primeira vez o sorriso provocador vacilou.
— Você leu a solidão e ainda assim me chamou…
— Sim. Eu quero viver com você para toda a eternidade.
Ela o encarou por um longo tempo. Depois aceitou o desafio com ainda mais intensidade. Mas agora havia algo diferente nos olhos dourados: medo e esperança misturados.
No final da primeira noite, ele tomou uma decisão extrema. Serviu whisky, depois despejou na água o extrato de ecuedro — a única erva que ela não conseguia reverter.
— Eu tomei a poção que você não reverte — disse, já sentindo o escuro se aproximar. — Me colocará em coma por até nove dias… com sessenta e cinco por cento de chance de morte. Você será minha ou eu morrerei tentando.
Lilirah caiu de joelhos ao lado dele quando o corpo desabou, as mãos tremendo no ar, incapazes de tocar.
— Seu idiota… — a voz dela quebrou. — Eu não queria que você se matasse por mim.
Ele ainda conseguiu sussurrar antes de tudo escurecer:
— Você é tudo o que eu desejei por quinze anos…
Nove dias depois, ele acordou no hospital. Máquinas bipavam. E ao lado da cama, disfarçada de humana, estava ela. Olhos forçados a parecer castanhos, cabelo preso, roupas comuns. Mas ele a reconheceu imediatamente.
— Você sobreviveu, seu teimoso — murmurou Lilirah, a voz embargada. — Os sete dias passaram. Eu sou sua. Exclusiva. Para sempre.
Ele estendeu a mão fraca.
— Me dê sua mão. Quero finalmente sentir sua pele.
Quando os dedos se tocaram, um calor sobrenatural subiu pelo braço dele. Lilirah apertou a mão com força, lágrimas douradas escorrendo.
Depois da recuperação, de volta ao apartamento, ele pediu três dias a mais.
— Quero estar pronto. Nossa primeira noite será especial. Até lá, use todos os seus encantamentos de provocação. Roupas, perfumes, palavras. E se eu não conseguir resistir… não deixe eu me aproximar.
Lilirah sorriu, perigosa e carinhosa.
— Aceito.
Durante três dias ela o provocou sem piedade. Camisas abertas, baby dolls transparentes, banhos juntos, beijos que paravam no limite, gemidos no ouvido, o corpo esfregando sem permitir a penetração. Toda vez que ele quase cedia, a cauda ou as mãos dela o impediam com firmeza gentil.
— Ainda não — sussurrava. — Você pediu três dias.
No final do terceiro dia, ele a mandou embora e preparou o quarto.
Quando a noite chegou, Lilirah encontrou o ambiente transformado: dezenas de velas vermelhas, quadros de rituais antigos e o cheiro inconfundível do incenso da **Dança do Desejo Vermelho**.
Ela parou no meio do quarto, os olhos dilatando.
— Você… preparou o ritual perdido.
Ele a levou até a cama e a algemou.
— Deite-se. Eu vou ler a invocação.
Enquanto a voz dele recitava as palavras antigas, o corpo de Lilirah começou a arder. O desejo multiplicado por vinte tomou conta dela. Ela se debateu nas algemas, gemeu, implorou, os quadris se movendo sozinhos, a excitação escorrendo pelas coxas.
Quando o ritual se completou, ele se aproximou nu e disse:
— Só vou te soltar se você me implorar e disser quem é seu mestre.
A resistência demoníaca quebrou sob o peso do fogo.
— Você é o meu mestre — gemeu ela, lágrimas de necessidade nos olhos dourados. — Me solta… me fode… eu imploro…
As algemas se abriram.
Lilirah se lançou sobre ele como uma tempestade. Beijos vorazes, unhas, dentes, a boca descendo e engolindo seu pau até a garganta. Depois se montou de uma vez, gritando quando ele a preencheu completamente. Por três horas o ritual os consumiu. Ela gozou tantas vezes que perdeu a conta, rebolando, quicando, se contorcendo, pedindo para ser preenchida, marcando a pele dele com arranhões e chupões. O quarto cheirava a sexo, suor e incenso antigo.
No final, exausta, ela desabou sobre o peito dele, ainda com espasmos nos quadris, a mão fraca segurando seu pau, o rosto enterrado no pescoço, beijando e cheirando a pele.
— Eu não consigo mais… — sussurrou, a voz destruída.
Ele se virou e a puxou de costas contra o peito, envolvendo-a com força.
— Meu sonho mais antigo e profundo se tornou real — murmurou no ouvido dela. — Agora descanse enquanto eu cuido de você.
Lilirah se encaixou perfeitamente, a cauda se enrolando na coxa dele, os dedos entrelaçados.
— A Dança do Desejo Vermelho nos marcou — disse ela baixinho. — Corpo e alma. Eu pertenço a você de um jeito que nem eu consigo quebrar. E você… agora também me pertence.
Ela beijou a parte interna do braço que a segurava e fechou os olhos, finalmente em paz.
— Eu amo você, mestre…
As últimas velas vermelhas se apagaram.
E pela primeira vez em séculos, a demônia dormiu segura nos braços de alguém.
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Fim.
retilineo