Ele diz que não sabe mandar flores.
Talvez porque nunca tenha entendido que, para mim, flores nunca foram o que importava.
Porque ele pergunta como foi o meu trabalho. Se estou bem. Como estou.
E, quando percebe que alguma coisa mudou em mim, ele não precisa perguntar duas vezes.
Ele diz que é ruim para lembrar das coisas.
Curioso.
Porque nunca esquece aquilo que eu digo que é importante para mim.
Não lembra datas, mas lembra do meu creme preferido.
E talvez seja assim que ele cuide: guardando pequenos detalhes de mim em algum lugar que só ele conhece.
Ele é discreto.
Eu sou espalhafatosa.
Eu chego fazendo barulho, ocupando espaço, transbordando.
Ele apenas olha.
E ri.
Ele é prático. Decide. Conduz. Resolve.
Eu penso, repenso, complico, hesito.
E ele sabe esperar a minha indecisão sem tentar apagar quem eu sou.
Diz que não gosta de ser o centro das atenções, mas permanece ao meu lado quando todos os olhos se voltam para mim.
Diz que não gosta de exageros, mas me deixa exagerar.
Até no calor.
Até quando eu passo dos limites daquilo que ele considera sensato.
Diz que gosta do próprio espaço.
Mas me deixa entrar.
Invadir.
Bagunçar.
Tomar conta.
E, quando poderia reclamar, apenas me chama de bagunceira.
Diz que não tem ciúmes.
Mas sempre quer saber quem é o amigo novo.
E eu sorrio.
Porque algumas coisas não precisam ser confessadas para serem percebidas.
Ele não é homem de muitas palavras.
Ainda bem.
Porque quando ele me puxa para perto, quando me aconchega em seus braços, quando coloca minha cabeça contra o peito e me acalma, nenhuma palavra faria aquilo dizer mais.
Ele diz que não gosta de dormir abraçado.
Mas é exatamente ali que me encontro quando preciso.
No peito dele.
Nos braços dele.
Naquela quietude que só existe quando ele me segura e o mundo parece diminuir por alguns instantes.
Ele está sempre correndo.
Sempre tem alguma coisa acontecendo.
Mas, de algum jeito, sempre existem vinte minutos para nós.
Para fofocar.
Para rir.
Para dividir bobagens.
Para simplesmente estar.
Ele diz tanta coisa sem dizer absolutamente nada.
Porque nele, atitude sempre falou mais alto que discurso.
E talvez seja isso que me prende.
Não uma promessa.
Não uma declaração.
Mas esse cuidado constante, silencioso, quase teimoso.
Esse jeito de estar.
Esse jeito de conduzir sem precisar anunciar que está conduzindo.
Esse zelo que me envolve sem me sufocar.
Ele me faz sentir única.
Me faz transbordar.
Ele é calmaria.
Eu sou furacão.
E talvez seja justamente por isso que exista tanta tensão entre nós.
Porque quando o furacão encontra a calmaria, não deixa de ser furacão.
E a calmaria não deixa de ser calmaria.
Elas apenas aprendem a existir no mesmo lugar.
Ele é Dom Gravata.
E eu, sua nyx.
nyx-de-dom-gravata-