> Quando meus olhos deixam de enxergar,
alguma coisa dentro de mim finalmente silencia.
O mundo perde a forma,
os ruídos ficam distantes
e resta apenas a certeza da Sua presença.
Não preciso saber o próximo movimento.
Não preciso antecipar nada.
Pela primeira vez, não conduzo.
Apenas confio.
Cada ajuste é preciso.
Cada gesto carrega intenção.
E eu compreendo, sem que uma palavra seja necessária,
que estou diante de alguém que sabe exatamente onde quer me conduzir.
A venda não esconde apenas meus olhos.
Ela me afasta da necessidade de controlar.
Me obriga a abandonar a pressa,
a expectativa,
a vontade de prever o que vem depois.
E quanto menos eu vejo,
mais percebo.
A respiração.
A presença.
O silêncio entre um comando e outro.
A confiança crescendo justamente onde antes existia medo.
Não existe espaço para máscaras.
Não existe personagem.
Existe apenas aquilo que somos quando todas as distrações desaparecem.
Eu, vulnerável.
O Senhor, firme.
E entre nós, a confiança que sustenta tudo.
Porque talvez a verdadeira entrega não esteja em perder o controle,
mas em descobrir que, por alguns instantes,
eu não preciso carregá-lo sozinha.
nyx-de-dom-gravata-