Mas eu não ficava sozinho. Fiquei responsável por cuidar das duas cadelas dela, que eram verdadeiras princesas: a Rosana, uma dalmata linda e cheia de energia, e a Jojo, uma Doberman imponente, mas com um olhar dócil e muito apegada a mim.
No começo, eu só fazia o básico: comida, água e passeios. Mas a convivência foi ficando intensa. A Rosana era muito carinhosa, adorava deitar no sofá e encostar a cabeça no meu colo enquanto eu assistia TV. Já a Jojo era mais observadora, mas sempre que eu chegava perto, ela encostava o corpo grande e quente nas minhas pernas, pedindo carinho.
Com o tempo, a solidão da casa e a ausência da minha tia foram criando um clima diferente. Aquele silêncio da casa à noite, com as duas cadelas me rodeando, começou a despertar algo em mim. Elas eram minhas companhias, mas a forma como me olhavam e me procuravam começou a ficar mais intensa.
Na quarta-feira à noite, depois de um banho, sentei no chão da sala para brincar com elas. A Rosana logo veio e deitou de barriga para cima, pedindo carinho. A Jojo ficou ao lado, me observando com aqueles olhos escuros. Enquanto eu fazia carinho na Rosana, sentia a respiração da Jojo quente no meu pescoço. A casa estava silenciosa, a tia só voltaria na sexta, e eu percebi que aquelas duas não eram apenas cachorros de estimação... elas eram as verdadeiras donas da casa, e elas estava ali para me servi-las.
O clima esquentou, e a noite prometia ser longa.


