Eu finalmente lhe perguntei, cansado dos cochichos nos churrascos de família, da maneira como minhas tias franziam os lábios sempre que o nome dele surgia. Ele apenas riu — aquela risada fácil e confiante que fazia sua barriga balançar um pouco. Ele não era musculoso, não como os caras das revistas de fitness, mas havia uma solidez nele; uma robustez nos braços e no peito que transmitia segurança. Sua pele era, em sua maior parte, lisa, com uma leve penugem nos antebraços e nas canelas, e ele além de ser, sempre exalava a aparência de alguém que acabara de tomar banho
“Você quer mesmo saber?”, perguntou ele, com os olhos escuros brilhando.
Eu balancei a cabeça, com a garganta apertada. Ele olhou para o relógio , que já marcava o início da noite, e me pediu para subir na moto. O trajeto durou vinte minutos, passando pelos últimos postes de iluminação da nossa cidade, onde a estrada se transformava em uma fita de asfalto engolida por terra. Entramos em um terreno de cascalho atrás de um posto de gasolina desativado, onde vários caminhões de grande porte estavam estacionados em um semicírculo irregular, com as cabines às escuras. Meu coração batia como de um pet recém adotado.
Ele desligou o motor e seguimos a pé. O ar cheirava a diesel e terra úmida. Ele parou ao lado de um Caminhão azul; o escapamento ainda estalava enquanto esfriava. A porta lateral estava entreaberta, deixando escapar uma fresta de luz amarelada que cortava o crepúsculo.
Renato não bateu. Ele simplesmente escancarou a porta.
A luz interna acendeu, revelando o compartimento de descanso da cabine. Lá dentro, estava sentado um homem que eu nunca tinha visto. Era mais velho, talvez no final da casa dos trinta anos, com um rosto arredondado e de traços surpreendentemente suaves. Destacava o cavanhaque que emoldurava uma boca pequena sem bigode. Usava um boné preto, virado para trás. Estava sem camisa — a peça encontrava-se jogada sobre o volante —, revelando um peito pálido e peludo que subia e descia em respirações lentas e pacientes. Era um homem grande; a barriga dobrava-se sobre o cós da calça jeans. Quando seus olhos pousaram em mim, sua mão deslizou até a virilha, apertando o tecido jeans de um jeito de forma relaxada.
Renato subiu na cabine como se fosse o dono do lugar. Não disse uma palavra. Apenas enganchou os polegares no cós de sua calça de moletom cinza, bem folgada, e a puxou para baixo. Por baixo, ele vestia um short jeans — daqueles cortados, tão curtos que deixariam as minhas tias escandalizadas de tão indecente —, com a bainha desfiada subindo pelas coxas grossas. O caminhoneiro observou a cena; depois, seu olhar voltou para mim, que ainda permanecia ali, de pé sobre o cascalho.
“Ele só vai observar hoje”, disse Renato, com a voz inexpressiva. Ele chutou a calça de moletom para um canto. “E isso vai ser um extra.”
O sorriso do caminhoneiro surgiu lentamente, de um jeito inquietante. Não chegava aos olhos. “Você é uma figura, sabia?” A voz dele era um ronco grave, como eu já imaginava e desejasse que fosse. Ele mudou o peso do corpo, fazendo as molas do beliche rangerem. “É caro mas vale a pena.”
Um calor subiu pelo meu pescoço. Eu deveria ter sentido vergonha. Em vez disso, uma curiosidade intensa e elétrica pulsava em minhas veias. Fiquei paralisado no lugar, um voyeur à beira de um mundo particular e sórdido.
Renato subiu no beliche estreito. O colchão estava coberto por um lençol cinza e fino. Ele não beijou o homem. Não o tocou. Apenas virou-se, expondo as costas, e puxou o short para baixo, revelando a curva de suas nádegas. O caminhoneiro emitiu um murmúrio de aprovação e pegou um frasco de lubrificante no painel. O estalo da tampa soou alto na cabine silenciosa.
Subi para observar melhor, com a respiração curta, e ainda com a porta aberta. Ainda não sabia se queria participar ou sair correndo.
Enquanto Renato apoiava as mãos na parede da cabine. Os dedos grossos e pálidos do caminhoneiro, besuntados de gel, desapareceram entre as nádegas firmes de Renato. A cabeça de Renato pendeu para a frente; um suspiro agudo escapou por entre seus dentes. Ele não recuou. Estava imóvel como uma estátua esculpida em pedra, os músculos tensos sob a pele lisa.
A outra mão do caminhoneiro foi até o próprio cinto, tateando a fivela. O som do zíper foi um ruído áspero. Ele se expôs — grosso e avermelhado — e acariciou-se uma, duas vezes, com os olhos fixos nas costas de Renato. Ele murmurava algo baixinho, um canto rítmico que eu não conseguia distinguir bem, mas que fez meu estômago se contrair.
Meu próprio corpo me traía. Um calor acumulou-se na parte baixa da minha cintura — uma pressão formigante que fez com que minha calça jeans parecesse apertada demais. Eu conseguia sentir a o tecido áspero do meu próprio jeans contra a pele, a umidade começando a atravessar minha cueca. Minha boca estava seca. Cada terminação nervosa estava voltada para a cena dentro da cabine, para os sons úmidos e a respiração ofegante.
O caminhoneiro se posicionou, guiando o próprio pau com a mão. A respiração de Renato falhou — um som minúsculo, quase imperceptível. Ele não se moveu. Apenas esperou. O caminhoneiro respirou fundo, seu peito peludo se expandindo, e então avançou.
O corpo inteiro de Renato ficou rígido. Seus nós dos dedos ficaram brancos de tanto apertar a parede. O caminhoneiro soltou um gemido longo e trêmulo, a cabeça tombando para trás; o boné escorregou, revelando uma área suada de cabelos escuros. Ele começou a se mover, num ritmo lento e profundo que fazia a cabine inteira balançar sobre a suspensão.
Eu não conseguia desviar o olhar. Ver Renato — meu primo, antes tão confiante e intocável — sendo desmantelado dentro daquela caixa de metal imunda. A barriga macia do caminhoneiro batia contra as costas de Renato a cada estocada. O rosto de Renato estava escondido, mas eu conseguia ver a tensão nos músculos do pescoço dele, a forma como sua respiração vinha em lufadas irregulares, porém contidas.
O ritmo do caminhoneiro vacilou. Ele se retirou, produzindo um som úmido e escorregadio. Renato se endireitou, o peito subindo e descendo com força. O caminhoneiro deu uma ordem gutural.
Renato se virou. Seus olhos encontraram os meus pela primeira vez desde que ele subira na cabine. Eram escuros, indecifráveis. Ele se ajoelhou no beliche, de frente para o caminhoneiro, e o homem guiou sua cabeça para baixo. Meu primo abriu a boca, e o caminhoneiro se enfiou ali dentro.
Ouvi a mim mesmo soltar um arquejo. O som foi engolido pelo suspiro alto e aliviado do caminhoneiro. A cabeça de Renato balançou, suas bochechas afundaram. A mão do caminhoneiro desceu — sem qualquer delicadeza — e agarrou a nuca de Renato, empurrando-o ainda mais para dentro.
Levei a mão à boca. O gosto da minha própria pele era salgado. A outra mão pressionava com força o jeans sobre a minha virilha. Eu tremia. Uma onda de tremor e tesão disputavam fortemente na hora.
Os olhos do caminhoneiro, semicerrados, desviaram-se para a porta. Ele me viu. Um sorriso lento e preguiçoso surgiu em seu rosto. Ele não parou. Apenas observou enquanto eu os observava; seus quadris começaram a se mover com mais rapidez, e os sons úmidos do seu pau entrando e saindo da garganta de Renato preencheram o pequeno espaço.
Minha visão se estreitou, focando apenas naquele ato. Eu sentia o cheiro do lubrificante, do suor, do diesel. Era o cheiro de algo proibido — algo que, agora, estava em meus pulmões e memória.
O corpo do caminhoneiro enrijeceu. Seu rosto se contorceu. Ele emitiu um som que era, ao mesmo tempo, uma risada e um soluço. Empurrou a cabeça de Renato para baixo mais uma vez, mantendo-o ali, enquanto seus quadris davam solavancos.
E então, vinda da escuridão lá fora, surgiu uma nova voz. Baixa. Curiosa.
— Vai ficar olhando a noite toda, ou vai entrar na brincadeira?
