Prostituta de rua para pagar contas



Tinha cerca de 33 anos, vivia sozinha, trabalhava numa Rent-a-Car e ao fim de semana trabalhava à noite num clube gay a servir bebidas e a apanhar copos. Tinha de pagar as contas. Com uma surpresa inesperada, um pequeno acidente de carro, e as minhas finanças romperam-se e no final do mês não tinha dinheiro para pagar as contas. Decidi pedir um adiantamento no clube e a resposta veio seca, sem rodeios, como se fosse a coisa mais natural do mundo:
              -Precisas de dinheiro? É muito fácil, com esse corpo, uma roupa sexy e vais para a rua... acredita que ganhas o que precisas. Eu já tinha uma vida sexual livre, sem tabus… porque não complementar para saciar uma necessidade?
Primeira noite
Sexta-feira, banho de imersão bem quente para relaxar, depois a roupa. Lingerie vermelha, bem sexy. Cuecas fio dental, sutiã igual, cinto de ligas a prender e umas meias brancas bem brilhantes. Por cima, uma camisa de seda branca com quatro botões de cima desapertados, e uma mini saia preta de couro bem justa. Calcei umas botas pelo joelho, pintei os lábios, as unhas... decidi usar umas próteses mamárias que tinha comprado há algum tempo. Usei muita cola para elas não saírem, mesmo sabendo que depois não as ia conseguir tirar, mas tinha de ficar bem puta. Olhei-me no espelho, estava pronta. Peguei numa carteira, dois pacotes de toalhetes, duas caixas de preservativos dentro e fui.
Estacionei e a medida que caminhava para o local que eu queria, as pernas queriam ir para trás, a necessidade e as dívidas empurravam-me para a frente. E cheguei. Ali estava o sítio. Respirei fundo, subi um pouco mais a saia para mostrar as ligas, e comecei o “serviço”, caminhando devagar, de um lado para o outro, a olhar nos olhos dos homens que passavam, como que dizendo, “estou aqui para ti”. Os carros passavam, as meias brilhavam... e chegou o primeiro. Fomos para o fundo de uma rua sem saída, tirou o pau, pequeno, mole… meti-o na boca, cresceu quase nada e o leite inundou-me a boca. Embora tenha percebido que ja não dava mais, ofereci o buraco traseiro, mas estava morto. Vestimo-nos, ele deixou-me no meu sítio e foi embora. A minha noite tinha começado. Limpei-me e voltei ao meu ponto.
Não tardou a aparecer outro, depois outro, mais outro...o último, um preto mal vestido, com um carro velho, cheirava mal, a suor ou outra coisa pior, pau grosso e comprido, fodeu-me quase a seco, senti dores, senti-me ser violada, estrupada…, mas tive de aguentar até ao fim. Eram quatro da manhã, os preservativos tinham acabado, eu estava cansada, decido dar por terminada a noite. O corpo estava dorido, o cansaço a pesar em tudo, mas a carteira vazia estava agora semicheia... quase quinhentos contos. A esperança voltou a mim... No dia seguinte tinha de ganhar mais, tinha de ter pelo menos duas vezes mais do que neste dia. Tomei mais um banho para limpar… e cama. Estava cansada, adormeci rápido.
O dia seguinte
Acordei com o despertador, o corpo a queixar-se em todo o lado. Não era uma dor física, era uma dor surda, de quem passou a noite em pé, de saltos, a fingir que estava bem, a sorrir quando apetecia chorar. As pernas pesavam, as costas doíam, e a pele ainda cheirava a banho de imersão, a perfume barato e a rua. Olhei para o teto e durante uns segundos não me lembrei de onde estava, mas rapidamente me lembrei de tudo… da rua… dos carros a abrandar... do dinheiro dobrado na carteira. Levantei-me devagar e fui à carteira para contar outra vez, como se da primeira vez tivesse contado mal. Estava lá. Quase quinhentos contos. Não chegava para tudo, mas chegava para respirar., para pagar a renda atrasada e a luz antes que cortassem. Principalmente para não ter de pedir mais nada a ninguém.
Tomei outro banho, desta vez rápido, quente, quase a escaldar, queria tirar de mim a noite, não porque tivesse vergonha — eu não tinha vergonha — mas porque tinha de ser outra pessoa durante o dia. Na Rent-a-Car ninguém podia desconfiar de nada.
Vesti as calças de ganga, uma camisola larga, o cabelo apanhado à pressa, sem maquilhagem. Olhei-me ao espelho e vi duas Paulas ao mesmo tempo. A de ontem à noite, de lingerie vermelha e botas pelo joelho. E esta, de olheiras, a tentar parecer normal. No trabalho foi um martírio, atender telefones, entregar chaves, sorrir a turistas, explicar seguros que ninguém quer ouvir. A cada cliente que entrava, eu pensava: “se soubesses onde eu estive há umas horas”, e ao mesmo tempo pensava: “se soubesses, também não querias saber, só querias o carro”. À hora de almoço, na casa de banho fiz contas, se ontem ganhei quase quinhentos, hoje tinha de ganhar o dobro, mil. Só assim ficava com as contas em dia e com algum para o mês não voltar a rebentar. O corpo dizia que não, pedia descanso, mas a cabeça dizia “não podes”.
Saí do trabalho já ao fim da tarde, com algum cansaço, mas muita ansiedade. Passei no supermercado para comprar mais preservativos, quatro caixas de vinte e quatro… deviam chegar para a noite. Quando cheguei à casa, pus o dinheiro em cima da mesa e separei em montinhos, prestação, luz água, água, carro… ainda não tinha dinheiro para tudo, esta noite seria de prazer, não de dor.
Jantei, e deitei-me no sofá para descansar, e comecei a pensar na noite que vinha aí. Na roupa que tinha de vestir outra vez, na rua, nos machs, no frio, se alguém me ia conhecer…, mas depois, uma força brutal, quero lá saber, esta noite vou foder com vontade, com prazer, com gosto, esta noite serei puta a 100%.
Pela primeira vez em semanas, eu não estava à mercê de ninguém, não estava à espera de que o patrão do clube me ajudasse, ou carta do banco. Com o meu corpo, com a minha cara, com a minha coragem, eu estava a vencer, e ia vencer sem dúvida nenhuma, tudo dependia de mim… levantei-me, tomei outro banho de imersão, mais demorado desta vez, água bem quente, fechei os olhos e deixei o corpo amolecer. Quando saí fui ao quarto e abri o roupeiro. A lingerie desta noite seria branca, corpete rendado com seis ligas a prender uma meias brancas muito brilhantes, umas cuecas asa delta bem enterradas nas nádegas. Por cima, um vestido justo, preto com decote nas costas quase até ao cu e uma racha até ao joelho…calcei uns sapatos de tacão brancos… maquilhagem leve, mas viva para se notar na noite… naquela noite seria puta de classe, seria eu a escolher os machos, aquela noite não seria tudo que vem à rede é peixe…
Segunda noite
A segunda noite começou diferente, na primeira, era eu com medo, com as pernas a tremer, com vontade de voltar para trás a cada passo para a frente... Nesta, era eu fui com vontade. Vontade de pagar as contas, vontade de viver como eu gosto, como eu sou, uma puta de classe.
Quando cheguei ao sítio, já lá estavam outras. Duas ou três raparigas que não estavam ontem. Cumprimentei com confiança, eu era a líder do espaço, não havia dúvida e elas viam isso em mim. Cada uma no seu canto, cada uma no seu negócio.
Fui para o meu espaço, pronta a começar a noite. O primeiro carro parou, demasiado depressa. Se na noite anterior eu tinha sido a novidade, hoje já me conheciam. Mas naquela noite era diferente, jogava o jogo com mais calma, já não sorria nervosa, sorria confiante, profissional. Já dizia o preço sem gaguejar, as condições eram minhas, as regras era eu que fazia e dizia não com força sem pedir desculpa. Tinha vontade de voltar a sentir-me olhada, vontade de escolher, vontade de mandar. Já não me escondi no canto, fui para o sítio onde a luz dos carros batia melhor, onde as minhas meias brilhavam mais, onde o meu corpo dizia, “olha, mas não tocas”. Cruzei as pernas, encostei-me ao muro, e deixei-os ver-me, e eles viram… muito. A diferença é que desta vez eu é que escolhia, não aceitava qualquer pedinte… olhava, avaliava, decidia se me apetecia ou não. Se não me apetecia, abanava a cabeça e deixava-o ir embora. Se me apetecia, fazia-lhe sinal com o dedo para se aproximar e isso mudou tudo, eu já não estava ali a implorar por clientes, estava ali a escolher com quem queria estar.
Houve um que me fez rir, outro que era tímido, que mal conseguia falar, e eu gostei de o deixar à vontade. Mas houve um que me olhou nos olhos durante algum tempo antes de dizer qualquer coisa, confesso que esse olhar me arrepiou mais do que qualquer toque.
A noite passou sem eu dar por ela, não contei as horas, não contei o dinheiro, simplesmente deixei-me ter prazer nas fodas, chupar os caralhos com veemência e oferecer o meu corpo como uma verdadeira fêmea. O frio na pele excitava-me, o calor dos carros a parar, a adrenalina de não saber quem vinha a seguir, estava a amar cada bocado. E sentia tesão, tesão de verdade. Não o tesão fingido da primeira noite, para agradar. Tesão meu. De me sentir bonita, poderosa, desejada. De saber que eu podia dizer sim, e que podia dizer não. De saber que o meu corpo, que durante tanto tempo só serviu para trabalhar, para carregar caixas, para servir copos, para aguentar, naquela noite servia só para prazer. Para o meu prazer. Escolhia machos decentes, machos potentes para ser bem aberta, para levar aquela foda de me fazer gemer de verdade, ter prazer de os receber dentro de mim, de usarem o meu corpo para meu prazer, de ter a esporra deles em cima de mim, de foder como a puta faminta que sou sem ser só pelo dinheiro, mas porque queria.
Por incrível que pareça, os preservativos acabaram, setenta e duas fodas, setenta e dois machos que me rebentaram o cu, que entraram em mim… estava cansada, mas super feliz. Voltei para casa, já eram quase cinco da manhã.
Não fui logo para o banho. Deitei-me na cama ainda vestida, com sapatos e tudo ficando a olhar para o teto e a sorrir sozinha. Pela primeira vez, não pensei nas contas nem no dinheiro, pensei em mim. Nestas duas noites tinha descoberto imensas coisas acerca de mim… tudo tinha mudado. Já não era só a “rapariga” que precisava de dinheiro. Eu era agora uma “mulher” e gostava de o ser, acabou o esconder quem sou...uma mulher que gostava de aventuras, do poder de ser desejada e de decidir.
E essa descoberta assustou-me e excitou-me ao mesmo tempo.
Adormeci assim, vestida, bem tratada… amanhã seria outro dia.
Epílogo
Acordei… o sol brilhava lá fora, a vida era bela. As contas foram pagas, ainda fiquei com bastante para me esticar e viver confortável. Voltei à minha rotina: Rent-a-Car de dia, clube ao fim de semana à noite. A mesma vida de dia, agora a Paula realizada, feliz pela vida a rotina era a mesma, a vida era outra, tudo mudou, começando pela forma como eu me vestia. Não voltei a vestir-me só para tapar o corpo ou para passar despercebida. Comecei a vestir-me para mim.
No trabalho, acabaram as calças de ganga e camisolas largas, agora eram calças e camisolas justas pata mostrar o meu corpo, para mostrar as mamas lindas que tanto escondia até então, e um sorriso de orelha a orelha, mudança que me custou uma promoção… Chefe de zona, mais responsabilidade, mais casse, por isso a minha roupa passou a ser saia lápis preta, uma camisa branca bem passada, com dois botões abertos, uns sapatos de salto que me faziam andar direita, nada de escandaloso, apenas elegante. Atrevida na medida certa. Os clientes começaram a olhar para mim de outra maneira, os colegas também e eu gostava. Não porque precisasse da atenção deles, mas porque eu me sentia bem naquela pele.
No clube, foi onde mudou mais; se antes, eu servia bebidas, apanhava copos, sorria e desaparecia. Agora, eu passei a ser responsável pelo bar, tinha quatro pessoas a trabalharem para mim e fazia privados como aqueles clientes mais importantes. Um deles, que me conhecia há anos, disse-me uma noite:
-Paula, o que é que te aconteceu? Estás diferente. Eu ri-me e respondi simples:
-Descobri-me. Ele não percebeu, mas eu não expliquei, não havia necessidade.
Comecei a sair mais. Não para a rua, não para procurar clientes. Para jantar, para beber um copo, para dançar. Sozinha, às vezes, com amigas, outras vezes. Descobri o prazer de chegar a qualquer sítio sozinha, elegante, de batom vermelho-escuro, e sentar-me ao balcão sem medo de estar sozinha. Antes, eu tinha vergonha de estar sozinha num restaurante. Agora, adorava. Era o meu momento.
        A vida ensinou-me que quando uma porta se fecha dez se abrem, só temos de saber em qual entrar. E eu entrei na certa.
        
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Comentários


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claudinhaninfo Comentou em 08/11/2026

Adorei, adorei e adorei. Fiquei molhadinha




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Ficha do conto

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Nome do conto:
Prostituta de rua para pagar contas

Codigo do conto:
276725

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
08/11/2026

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