Quando o Desejo Aprende a Esperar - Parte 2

Capítulo II — O Peso do Segredo

Eles não se despediram como amantes.

Ela saiu primeiro outra vez, ajeitando o cabelo no espelho do elevador, já treinando o rosto neutro que usaria lá fora. Ele ficou alguns segundos a mais no quarto, sentado na beira da cama desfeita, sentindo aquele vazio específico que só aparece depois de algo que não deveria ter acontecido — e que, ainda assim, tinha sido inevitável.

Nos dias seguintes, o silêncio virou um campo minado.

Mensagens digitadas e apagadas. Ligações que não aconteciam. Qualquer notificação no celular fazia o coração disparar. O desejo não tinha ido embora — tinha se transformado em ansiedade.

Quando se encontraram novamente, foi por acaso. Ou pelo menos fingiram acreditar nisso.

Ela estava diferente. Mais contida. Mais vigilante. Como se cada gesto pudesse ser observado por alguém invisível. Ele percebeu na hora: o risco agora não excitava — pesava.

— A gente precisa parar — ela disse, firme demais para ser verdade.

Ele concordou com a cabeça. Não porque queria, mas porque entendeu. Às vezes, o perigo maior não é ser descoberto. É perceber que aquilo começa a reorganizar tudo por dentro.

Mas o corpo não acompanhou a decisão.

Bastou um toque casual, um olhar sustentado por tempo demais, para que tudo voltasse à tona. Só que agora havia algo novo ali: medo. Medo de perder o controle. Medo de não conseguir mais fingir normalidade.

O afastamento começou a deixar marcas. Ela se tornava distante com as pessoas ao redor. Ele mais irritado, mais fechado. Quem os conhecia sentia que algo estava fora do lugar — mesmo sem saber o quê.

E então veio a consequência inevitável: alguém percebeu.

Nada concreto. Nenhuma acusação direta. Apenas perguntas vagas. Olhares demorados. Um comentário solto que não deveria importar, mas importou. O segredo, antes excitante, agora era um nó apertando o peito.

Na última vez que se viram, não houve toque.

Ficaram frente a frente, próximos demais para serem só conhecidos, distantes demais para serem amantes. O desejo ainda estava ali, pulsando como uma ferida que não cicatrizava.

— Se a gente continuar — ela disse baixo —, vai dar errado.

Ele sabia que ela estava certa. E mesmo assim, quando ela se afastou, sentiu algo que não era alívio.

Era abstinência.

Porque algumas obsessões não terminam quando você decide parar.
Elas apenas aprendem a esperar.


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Ficha do conto

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marcusv79

Nome do conto:
Quando o Desejo Aprende a Esperar - Parte 2

Codigo do conto:
253753

Categoria:
Heterosexual

Data da Publicação:
02/02/2026

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