O erro final não foi o reencontro.
Foi o que não aconteceu depois dele.
Ela partiu sem avisar. Não houve despedida, explicação, mensagem longa demais enviada de madrugada. Apenas o sumiço seco, administrativo, definitivo. Como se tivesse aprendido que algumas coisas só sobrevivem enquanto não são nomeadas — e que dar um fim também pode ser uma forma de assassinato.
Ele demorou a perceber que era real.
Nos primeiros dias, ainda esperou. Depois, procurou. Por fim, entendeu: não havia mais nada para encontrar. Ela tinha arrancado a própria presença da história como quem apaga um arquivo corrompido para salvar o sistema inteiro.
Foi aí que veio a consequência mais cruel.
Ela conseguiu seguir.
Ele, não.
Não porque ainda a amasse — isso seria simples.
Mas porque tudo o que sentia depois dela parecia uma imitação ruim de sentimento. Relações mornas. Desejos corretos. Afetos sem risco. O mundo ficou funcional, mas sem profundidade.
Anos passaram. O corpo envelheceu. A vida andou. E, por fora, ninguém diria que algo estava errado. Esse foi o golpe final: não havia drama visível. Só um homem que funcionava bem demais para alguém que tinha morrido por dentro em silêncio.
Certa noite, já tarde, ele tentou lembrar do rosto dela com precisão — e não conseguiu. Restou apenas a sensação. A intensidade. O dano.
Percebeu então que a obsessão não tinha sido por ela.
Tinha sido por quem ele foi quando tudo ainda podia dar errado.
E isso ele nunca mais seria.
O desfecho não foi solidão.
Foi pior.
Foi continuar vivendo…
sem nunca mais se sentir completamente real.