Depois de sermos interrompidas, não havia clima para continuarmos. Só nos restava nos despedirmos e aguardar que o acaso nos propiciasse uma nova oportunidade. Antes que eu saísse, ela me beijou e me abraçou tão intensamente que me faltou ar, mas o brilho em seus olhos havia desaparecido. No lugar havia uma espécie de vácuo intransponível e frio. Ali, eu percebi que fui guardada novamente na caixinha de enteada e, talvez, nunca mais sairia de lá.
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Minha rotina recomeçou, provas, provas. Parece enredo de um filme de terror. Ou você tira 7 de média ou será punida pela eternidade fazendo mais provas, provas, provas.
Conheci algumas garotas interessantes, mas eu não tinha paciência de aturar conversas sobre maquiagem, fofoquinhas, intrigas, progressivas etc. Eu gostava de conversar sobre política, filosofia, astronomia e mitologia. Coisas que somente dois colegas de sala chamados Gilberto e Gilvan conseguiam me fazer passar horas conversando. Ambos eram muito inteligentes e isso me obrigava a sempre estar bem informada e buscando conhecimento. O Gilberto era um verdadeiro CDF e por vezes eu o odiava por não fazer nenhum esforço para tirar as melhores notas da sala. Já o Gilvan era um cara que conseguia captar a nuances nas entrelinhas. Ele tinha uma inteligência emocional fora do comum. Além de se expressar muito bem ao falar em público. Só de olhar para mim ele já sabia como eu estava emocionalmente. Quando conversávamos, eu sentia que havia algo diferente em sua incansável prestatividade. Toda vez que eu me perdia em meus pensamentos ele aparecia com um doce, um bombom ou uma barra de chocolate e me dava. Eu sentia que ele não queria nada em troca, apenas conversar. Dessa forma ele conseguiu romper minha indiferença. Contudo, toda vez que eu retribuía o gesto com um doce ou bala era como se ele não admitisse ficar em dívida e nos dias seguintes ele dobrava a quantidade de doces que ele dava. Era como se ele fosse um velho no corpo de um cara de dezoito.
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Nesse período eu fiquei com uma garota da turma de letras, mas passei a evitá-la apesar de ela beijar muito bem. Ela era bacana, mas não respeita meus nãos e, também, queria que eu me afastasse dos meus melhores amigos, me afastar das duas pessoas que me acolheram sem fazer questionamentos sobre minha vida, sobre minhas escolhas. Não sei se por ciúmes ou por implicância; ela dizia não os suportar.
Depois disso, eu só queria ficar em meu canto, quieta e incomunicável e a maioria das garotas com quem flertei eram inseguras, mais precisamente, enrustidas. Eu estava sem paciência e me sentindo cansada física e emocionalmente para bajulá-las. Na realidade eu só não queria perder meu tempo tentando conquistar as patricinhas da universidade.
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Estudar e dormir, estudar e dormir. Meu corpo estava estranho –, eu peguei uma gripe ou sei lá o quê que nunca curava. A vovó me ajudou muito e sempre vinha me trazer comida. Fiquei assim por praticamente uma semana e eu não tinha coragem de ir ao médico apesar da vovó repetir para que eu procurasse um médico quase como um mantra.
Meu pai veio me visitar depois que a vovó ligou para ele. A Maiara e a Letícia vieram, ambas estavam vestidas como se fossem a um lugar especial de tão arrumadas e, como sempre e seus corpos exalavam uma espécie de feromônio que me fazia só pensava em sacanagem.
As duas me repreenderam como se fossem minha mãe e minha irmã. Era perceptível a angústia nos olhos delas. Na realidade eu estava amando ser paparicada dessa forma. Todos ao meu redor, cuidando de mim... Papai, vovô, todos estavam se revezando para não me deixarem só e me reprimindo também por eu não ter ido ao médico.
Nesse momento eu estava na casa da vovó eu já estava bem melhor e queria muito voltar para minha casinha.
Nesse rodízio de pessoas. Acabei ficando sozinha com a Maiara. Ao me ouvir resmungar que queria ir para minha casa ela disse que de jeito nenhum me deixaria ficar só porque eu ainda aparentava está fraca eu debilitada. Nisso, tive uma ideia um tanto quanto egoísta. Pedi que ela deixasse que a Letícia fosse dormir em casa às noites até eu me sentir melhor. Senti que ela titubeou e seu olhar se distanciou, mesmo assim, sem me olhar nos olhos ela assentiu com a cabeça. Na tentativa de despistar minhas reais intenções eu a abracei fortemente aproveitando para comprimir seus seios com meu corpo e dei um beijo em seu rosto pegando o cantinho de sua boca. Ela ficou imóvel me olhando como se eu não tivesse feito o que ela queria e aguardando algo. A única ideia que me veio à mente foi abraçá-la novamente pousando minha cabeça em seus seios e apertando sua a mão no intuito que ela me indicasse o que ela queria, mas ela virou o rosto tentando escondê-lo com os cabelos.
Nós não tínhamos muito tempo. Então, permaneci de pé a abraçando e dei um leve mordia em seu ombro. Ela continuou parada como uma estátua escondendo o rosto. Delicadamente fui puxando sua face até que ficássemos com os rostos alinhados. Ela estava vermelha como um pimentão e sua orelhas estavam pegando fogo. Porém seus olhos continuavam baixos. Continuei dando mordidinhas seu ombro e cheirando seu pescoço. Comecei a descer minha mão aproveitando para resvalar em seus seios e parando entre suas pernas.
— Você sabe que eu estou doente e que eu preciso tomar meu remédio, né!? — eu disse ao pé de seu ouvido.
Ela continuou cabisbaixa. Então comecei erguer seu vestido o que a fez juntar as pernas e comprimir os joelhos. Senti uma certa recusa, mas seu pescoço estava totalmente exposto como se aguardasse ser afagando e beijado. Seu cheiro era uma mistura de perfumes que lembrava o cheiro da polpa do cacau misturado com o cheiro da flor da Dama da Noite. Esse cheiro entrava por minhas narinas e me dava vontade de mordê-la e dar tapas em seus seios. Continuei com meus lábios roçando sua pele macia e enfiei minha mão dentro de sua calcinha. Ao tocá-la, consegui sentir que sua calcinha tinha babadinhos e algo parecido com miçangas. Seus pelos continuavam macios e volumosos, toda vez que me lembro deles eu tenho vontade de arrancá-los nos dentes e quando toquei sua boceta ela suspirou e empurrou o quadril mais para frente como se quisesse foder minha mão. Sua boceta estava quente e úmida e quando comecei a tentar fazer movimentos circulares ouvimos os passos da vovó com suas velhas sandálias Azaleia. Nos afastamos rapidamente e nos recompomos. Vovó chegou trazendo sua especialidade, pães de queijo. O cheiro dos pães de queijo preencheu o quarto misturando-se com o cheiro inebriante do café preparado com os grãos colhidos e torrados pelos meus avós maternos.
Maiara permaneceu estática sem olhar para mim. Fez alguns gracejos para vovó, pegou uns três pães de queijo e começou a se despedir apressadamente dizendo que iria embora pegar as crianças. Mas antes que ela saísse eu a segurei sua mão e fiz questão de dizer:
— Nossa vovó! A Maiara é ingrata, ela vai embora e perder essa delícia de café da tarde que você nos preparou. Que pena! Toda vez que a vovó faz coisas tão gostosas assim eu chupo até meus dedos. – Ao dizer que chupava meus dedos eu olhei fixamente para ela e levei meus dedos à minha boca. Dedos esses que há poucos minutos estavam dedilhando sua xaninha. Ela simplesmente molhou os lábios o começou a tocá-los esboçando um sorriso perverso e malicioso. O gosto era sutil e salgadinho; minha mão ficou impregnada com seu perfume. – Inacreditável o quanto aquela boceta era cheirosa.
Continuei elogiando a vovó e por vários momentos quando a vovó se distraia com os elogios eu me certificava e esbarrar na Maiara. Às vezes era em seus braços, às vezes nos seios. Na verdade eu queria enfiar um dedo no rabo gostoso dela e fazê-la gemer.
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Vovó só dava risada me chamando de besta porque eu dizia que tudo que ela fazia era divino. Maiara, por sua vez, voltou a cobrir o rosto que estava vermelho e ao nos levantarmos para nós despedirmos em definitivo, a vovó virou de costas e caminhou rumo ao corredor eu só tive tempo de segurar minha madrasta, roubar um selinho e deslizar meu rosto entre seus seios. Ela, por sua vez, me apertou fortemente, enfiou a mão em sua calcinha dando aquela lambuzada em seus dedos e rapidamente enfiou em minha boca. Foi um dos momentos mais excitantes de minha vida. Naquele momento não era necessário palavras. Era como se nossas mentes estivessem em sintonia, como se uma soubesse o que a outra queria. Ali, eu descobri que eu amava minha madrasta e que ela me amava numa mistura eletrizante de amor e desejo.