Um cowboy à brasileira

Um cowboy à brasileira
Trabalhando há quatro anos numa empresa de desenvolvimento de softwares para o agronegócio, eu estava feliz com a carreira e função que abracei, até a chegada do atual proprietário que a adquiriu há cerca de um ano. Castro era um típico novo rico que emergiu da classe média valendo-se de seu tino comercial e alguns golpes. Estava na casa dos quarenta anos, era casado e pai de dois pré-adolescentes, o que não o impedia de se achar um machão e conquistador inveterado. Seu comportamento chegava a ser acintoso e, logo nos primeiros meses como novo administrador, levou ao menos três funcionárias a pedir demissão devido ao assédio que sofriam. Um colega que trabalhava no mesmo setor que eu, e que era assumidamente gay, foi demitido tão logo o Castro reparou em sua voz esganiçada e em sua maneira de se vestir. Com isso adicionou aos seus inúmeros adjetivos, o de homofóbico.
Em mim ele também começou a reparar, olhava para o meu corpo como se o quisesse devorar, especialmente a bunda que sempre tive bem mais avantajada do que gostaria e que, vira e mexe, me tornava alvo de gracejos e maledicências. O Castro começou a me cercar de perguntas indiscretas quando não encontrou nenhuma evidência aparente que o levasse a concluir que eu era gay. Ele não perdia a oportunidade de me perguntar sobre garotas, namoradas, uma possível noiva, questionamentos esses que fazem todo gay perder a serenidade ficando sem respostas ou as ensaiando para as driblar ou as contornar com algo que não fosse comprometedor ou que pudesse ser objeto de investigação. Toda vez que eu me dirigia ao banheiro ele vinha atrás. Como o banheiro da empresa tinha aqueles terríveis mictórios coletivos compostos de uma canaleta metálica presa à parede, ele fazia questão de se postar bem ao meu lado, puxar a enorme estrovenga para fora da braguilha e mijar fazendo desenhos imaginários com o jato estrondoso de urina, enquanto me examinava de soslaio, o que me deixava terrivelmente constrangido a ponto de muitas vezes eu perder a vontade de mijar. Depois, ele chacoalhava indecorosamente o pauzão sem nenhuma discrição alardeando seu dote, e fazia algum gracejo me tocando com a mão não lavada com a qual segurou aquela coisa. Se me esquivava antes do toque, ele disfarçava um risinho sarcástico. Da inicial indiferença, passei a odiá-lo e a sentir nojo até do ar que expirava. Estava instalado o clima de animosidade entre nós, e ele, com o poder nas mãos, resolveu usá-lo contra mim.
Como não chegava e nenhuma conclusão quanto a minha sexualidade passado quase um ano, mudou de tática e começou a dar descaradamente em cima de mim na esperança de eu me trair nalguma de suas ciladas. Como isso também não acontecia, passou a designar tarefas que fugiam ao escopo da minha função como forma de castigo. Comecei a cogitar a mudança de emprego e passei a enviar currículos a empresas concorrentes na intenção de me livrar dele.
A festa de final de ano foi outra provação. O Castro havia exagerado na bebida e desandou a fazer comentários inconvenientes sobre os funcionários, incluindo uma pergunta, que deixou no ar diante de todos, se achavam que eu era gay; uma vez que para os padrões masculinos eu era bonito demais, usava roupas muito alinhadas e sempre emanava perfumes que, segundo ele, não deveriam acobertar o cheiro natural de um macho. As pessoas ficaram incrédulas, boquiabertas, esboçaram sorrisos amarelos e ficaram sem saber o que dizer uma vez que todos simpatizavam comigo. Não foi, portanto, dessa vez que descobriu se eu era mesmo gay, algo que o devia atormentar tanto a ponto de fazer um papelão ridículo desses.
- Escalei você, Matteo, para acompanhar a implementação e customização do software de gestão zootécnica e financeira para a pecuária bovina numa fazenda que adquiriu nosso produto, mas está precisando de algumas peculiaridades específicas. – disse ele, quando me chamou à sua sala, me passando mais uma tarefa totalmente fora das minhas funções.
- Não sei se sou a pessoa certa para isso, Castro, e gostaria que você revisse sua posição designando algum dos rapazes do desenvolvimento com mais competência nesse assunto. – devolvi. – Eles estão mais aptos a atender as exigências do cliente.
- Pois eu acho que você é a pessoa certa! Quando estiver na fazenda, onde já acertei com o proprietário sua estadia por três semanas, e precisar de algum suporte, você saberá exatamente quem contatar na empresa sem que eu tenha que abrir mão de uma penca de funcionários, o que só atrasaria as coisas por aqui. – retrucou categórico.
- Eu nunca estive num fim de mundo como esse, nem numa fazenda cheia de bois, não entendo nada de pecuária, que ajuda posso prestar a esse cliente? – tentei argumentar mais uma vez.
- Você gerencia a área de desenvolvimento, não pode ser tão difícil ouvir as aspirações do pecuarista e as embutir no software. Ademais, devem ser coisas pontuais pois nosso software é bem abrangente.
- Mesmo assim, Castro, eu ....
- Você vai, Matteo, e está acabado! Estou te passando uma incumbência e espero que a cumpra com êxito! – declarou autoritário. – Minha secretária já providenciou todos os detalhes, seu voo, o envio de equipamentos, enfim tudo que você vai precisar enquanto estiver por lá. Ainda lhe concedo a liberdade de me ligar caso precise de alguma coisa. – concluiu, pondo fim a qualquer chance de argumentação.
Minha vontade foi pedir demissão ali mesmo. No entanto, nenhuma decisão tomada de cabeça quente costuma ser acertada, me dizia o bom senso. Por dentro eu estava amaldiçoando e xingando até a quinta geração daquele cretino, mas saí resignado.
- Já que não está acostumado, trate de tomar muito cuidado com os touros! Eu não sei se você já teve a oportunidade de reparar no tamanho daquilo que está pendurado abaixo do ventre deles e que costuma triplicar quando as vacas entram no cio. – sentenciou debochando, antes de eu bater a porta com força. Filho da puta, desgraçado, tomara que seu pintão seque e caia feito uma fruta podre, seu imbecil.
Dois dias depois meu voo partiu de São Paulo rumo a Sinop no Mato Grosso, onde havia uma reserva para o aluguel de um carro, no dia seguinte, com o qual eu teria que percorrer mais de 500 quilômetros até Nova Bandeirantes, a cidade mais próxima da fazenda onde as mudanças no software seriam implementadas. Eu não tinha dúvidas de que esse arranjo, voo mais dirigir por 500 quilômetros era coisa do Castro, uma vez que havia um aeroporto, se é que se podia chamar assim a pista de pouso de terra localizada nos arredores da cidade, só para me ferrar. Fiquei mais de dez horas na porra das duas rodovias estaduais que ligam Sinop a Nova Bandeirantes, devido a inúmeros trechos interditados para obras de recapeamento, duplicação de trechos, manutenção e projetos de ampliação e melhorias. Sob um calor insuportável que o ar condicionado do carro não dava conta de amenizar, maldisse e xinguei o Castro com todo meu cabedal de adjetivos pejorativos.
Perto do final da tarde finalmente cheguei à cidade, moído, exausto, puto da vida e querendo trucidar meu chefe. Meu destino final nem aparecia no GPS, o que me obrigou a pedir informações num comércio da cidade. Mal havia estacionado o carro em frente ao comércio quando um forte solavanco e o ruído metálico de algo se espatifando assinalou que outro veículo batera na traseira. Desci do carro querendo matar o desgraçado, quando me deparei com um sujeito alto e parrudo trajando uma camiseta colada ao tronco portentoso de onde saíam dois braços musculosos que tinham quase a mesma circunferência das minhas coxas, e um jeans justo e desgastado com um baita volume saliente na altura da braguilha. Completavam o figurino um chapéu no estilo country americano que fazia sombra ao rosto másculo que não via um barbeador há pelo menos dois dias, e um par de botas de couro com desenhos nas laterais que lhe chegavam quase à metade da panturrilha. Um típico cowboy, e que cowboy; de fazer a imaginação de um gay alçar voos estratosféricos.
- Não aprendeu a estacionar? Veja o que fez no meu carro! Você vai pagar por esse prejuízo, pode estar certo! – explodi, vociferando na cara dele.
- Quem não sabe estacionar é você! Não te ensinaram que é preciso puxar o freio de mão? O carro estava rolando para trás quando eu estava embicando na vaga. A culpa foi sua, não minha! – revidou o sujeito, com uma voz tronante.
- Ah, a culpa é minha, claro! Você bate na traseira de outro carro e a culpa é minha! Tirou a habilitação por correspondência, foi? O código de trânsito diz claramente que quem bate na traseira de outro veículo está errado, é o culpado pelo acidente! Mas você não deve saber disso também! – revidei.
Nisso foram juntando curiosos ao nosso redor, uma vez que um acidente envolvendo dois veículos naquele fim de mundo devia ser um espetáculo raro, quanto mais dois caras discutindo para definir de quem era a culpa. O pessoal me encarava de um jeito estranho como se estivesse escrito na minha testa que eu não era dali. Porém, eu tinha outras preocupações no momento mais importantes do que decifrar o significado daqueles olhares curiosos.
- Onde fica a delegacia? Não tem policiais nessa cidade? E guardas de trânsito? – perguntei, me dirigindo a quem estivesse disposto a me responder.
- Cara, você é alguma espécie de lunático? Foi só uma batida de leve, não amassou nada, só fez uns riscos e arranhou a pintura do para-choque. Quer promover uma guerra por conta de uma besteira dessas? – retrucou ele, apontando para o estrago que realmente não era nada significativo, mas que teria que ser pago ao devolver o carro para a locadora, uma dor de cabeça a mais e, mais um tanto de asneiras que teria que ouvir do Castro. – Me fala quanto foi o prejuízo, eu pago, só para não ter que olhar mais para a sua cara nem ouvir a sua voz! – exclamou debochando.
- Não é uma questão de dinheiro, mas de justiça! Você está errado e quer fazer parecer que a culpa foi minha! – eu nem mais sabia o que estava falando depois de estar exausto pela viagem, pelo calor infernal e pela arrogância daquele sujeitinho.
- Cara, eu disse que pago, cacete! Eu pago o conserto dessa porra, eu pago para você calar essa boca! Qual foi a parte que ainda não entendeu? – questionou, como se fosse o dono do mundo.
Deixei-o falando sozinho e entrei no comércio para pedir a informação que precisava, pois mais alguns segundos olhando para aquela cara eu ia acabar cometendo um desatino.
- São pelos menos uns 35-40 quilômetros até a fazenda que você está procurando. – disse o atendente do comércio enquanto fazia uns rabiscos sobre uma folha de papel com as supostas estradas que eu deveria pegar.
Ao voltar ao volante do carro e examinar o papel, continuava sem a menor ideia de como chegar lá, pois os rabiscos não explicavam nada. Tentei o GPS do celular, nenhuma daquelas estradas tinha nome e a fazenda aparecia como uma gota vermelha invertida no meio do nada na tela do celular. Mesmo assim, resolvi seguir as indicações verbais da rota que o GPS mostrava.
Uma certeza e uma decisão eu já havia tomado, assim que voltasse para São Paulo, ia direto para a sala do Castro pedir demissão dessa merda de emprego, e precisaria me acalmar antes de o fazer, pois se estivesse nas condições nas quais me encontrava agora, daria um tiro no meio das fuças daquele filho da puta.
O sol ia sumindo no horizonte e eu continuava vagando e sacolejando pelas estradas que o GPS indicava, já desconfiando que elas jamais me levariam ao meu destino. Não havia viva alma a quem pedir informações, não havia sequer um barracão até onde a vista alcançava caso eu precisasse pernoitar naquele deserto. De tão angustiado comecei a chorar feito uma criança que se perdera dos pais num shopping.
Debruçado sobre o volante com o carro parado no meio da estrada empoeirada, comecei a ouvir o barulho de um motor. Eu não ia morrer ali sozinho e saltei do carro abanando os braços feito maluco à medida que um trator se aproximava.
- É só me seguir, estou voltando para fazenda. – disse o tratorista, um rapagão simpático que, com o torso bronzeado, musculoso e nu, mais parecia uma miragem. – Se continuasse seguindo essa estrada jamais chegaria na fazenda, quem a indicou? Você estava seguindo para longe ao tomar o lado errado na última bifurcação. Vou pegar um atalho na próxima entrada à esquerda, mas vou avisando que a trilha é bem esburacada e deve tomar cuidado numa ribanceira que passaremos mais adiante para não despencar dentro dela. – esclareceu. Segui-o colado ao trator, tenso, sem desgrudar o olhar dos sulcos que ele deixava pela trilha estreita.
De repente, a visão se abriu me permitindo perceber que estava sobre uma colina baixa da qual se via as edificações da fazenda distribuídas por uma enorme área, no centro da qual sobressaía um casarão cercado por varandas e um imenso gramado.
- Graças a Deus, estou vivo! – exclamei de tanta felicidade quando estacionei diante da entrada principal. O tratorista se despediu de mim com um sorriso largo e me examinou mais detalhadamente antes partir, como se tivesse encontrado algo em mim que o deixou bastante satisfeito.
- Prazer, João Pedro, se precisar de alguma coisa, estou às ordens!
O ruído dos motores diante da casa fez surgir um senhor de uns cinquenta e tantos anos, um pouco calvo e com as têmporas cobertas por fios grisalhos. Fisicamente era um homem robusto, alto, de espáduas largas e sorriso fácil e, um pouco acima do peso. Trajava um jeans, botas de couro e camisa xadrez de mangas longas dobradas até o cotovelo, o que me levou a pensar como aguentava aquele calor abrasador nesses trajes.
- Você deve ser o Matteo da empresa de informática! Seja bem-vindo! Sou Alberto! Alberto Montesinos, dono da fazenda. O Castro me avisou que estava a caminho e que solucionaria os problemas que estamos tendo com o software. – desatou a falar animado, me puxando para dentro de uma sala ampla. – Já esteve em muitas fazendas? Conhece algum lugar no Mato Grosso? Nossa região tem se desenvolvido bastante nos últimos anos graças aos fazendeiros que se instalaram por aqui. – eu respondia com acenos de cabeça, pois ele não me dava chance de responder ao emendar uma pergunta na outra.
Minha única vontade era perguntar onde ficavam o chuveiro e a cama mais próxima, pois estava um bagaço.
- Está com fome? Mandei preparar um jantar especial! É uma satisfação poder hospedá-lo na fazenda. Não recebemos muitas visitas dada a distância e as dificuldades para chegar até aqui. Teve alguma dificuldade para encontrar a fazenda? – ele estava me deixando zonzo com tantas perguntas.
- Pensei que teria que pernoitar dentro do carro, não fosse o rapaz com um trator me resgatar nem sei bem onde. – respondi, o que o fez rir.
- O João Pedro! Bom garoto esse! Sempre se pode contar com ele quando necessário! É muito esperto e desenvolto, vai longe, vai longe! Estou pensando em mandá-lo fazer um curso técnico e lhe dar um cargo mais representativo. Bom garoto o João Pedro, bom garoto! – exclamou animado. Eu teria acrescentado – e um tesão de homem! – não estivesse ali a trabalho e mantendo minha carapaça hétero.
- Sem dúvida! Ele foi muito gentil e prestativo! – devolvi.
- Temos um tempo antes do jantar, deve estar cansado e querendo tomar um banho, vou pedir que te levem até seu quarto. – afirmou, fazendo surgir, como que por magia, uma moça que imediatamente abriu um sorriso na minha direção apontando o caminho a seguir.
- Martina, veja se o Matteo tem tudo que precisa no quarto, e providencie o que ele pedir! – ordenou, antes de eu a seguir por um corredor ladeado por portas e chegar à suíte que me designaram.
- Agradeço a hospitalidade, Sr. Alberto, e espero atender às suas expectativas.
- Alberto! Apenas Alberto, vamos dispensar esse “senhor”, aqui na fazenda é tudo muito informal.
Assim que fechei a porta, desabei sobre a cama larga afundando nos lençóis cheirando à melissa. Embora o estômago estivesse colado nas costas e roncando, não quis sair dali. No entanto, não podia fazer essa desfeita e teria que encarar o jantar com meu anfitrião e me mostrar o mais simpático e solícito possível.
Simplesmente deixei a água fria escorrer pelo corpo por quase meia hora na tentativa de ela levar consigo o cansaço, a tensão muscular e a nhaca da viagem, antes de vestir uma calça social mais descontraída e uma polo confortável, uma vez que não fazia ideia de que traje usar numa situação como aquela, e nem com que tipo de pessoas me sentaria à mesa do jantar.
Voltei à sala principal encontrando o Alberto numa poltrona de couro tomando uma cerveja e fumando um cachimbo. Nem me lembro a última vez que vi alguém fumando um cachimbo, e achei gostoso o cheiro achocolatado que emanava, embora fosse avesso ao cheiro pestilento de tabaco queimando.
- Ótimo, ótimo! Vejo que está renovado! – exclamou ele sorrindo quando me viu entrar. – Quer uma cerveja, um vinho, um uísque?
- Uma água! Uma água seria bom! – respondi, um pouco acanhado por ele estar me examinando como todos os demais com quem havia cruzado desde que cheguei à cidade. O que estaria errado em mim, por que me olhavam daquele jeito?
- Na copa sempre há algo para beliscar, beber, se refrescar, fique à vontade para se servir quando quiser, essa é outra informalidade que temos por aqui. – disse ele, após a Martina me servir uma garrafa de água gelada com gás. – Se quiser algo específico, pode ir direto na cozinha e pedir o que quiser, a Martina sempre está por lá e pode te ajudar. – emendou.
- Obrigado senhor Alberto, é muito gentil! – devolvi, quando ele me encarou com o cenho franzido por eu o ter chamado de senhor, num ato falho.
O Alberto estava me explicando quais eram os principais implementos que queria para o nosso software quando o sujeitinho entrou na sala nos interrompendo, e me deixando boquiaberto.
- Ah, Matteo, esse é meu filho, Lucas! Meu braço direito na fazenda e, na verde, responsável por tudo por aqui. É diretamente com ele que você vai tratar a questão do software. – sentenciou efusivo o Alberto. – Lucas, esse é o Matteo da empresa de software!
Era o que me faltava! Filho do dono da fazenda, esse sujeitinho arrogante. É com isso que vou ter que lidar nas próximas três semanas! Qual será a próxima desgraça a cair sobre mim, conjecturava eu em pensamento, enquanto me esforçava para colocar um sorriso amarelo na cara.
- Olá! Como vai? – cumprimentei constrangido.
- Você! Isso fecha meu dia com chave de ouro! – exclamou irritado, deixando o pai espantado.
- Vocês se conhecem? – perguntou o Alberto
- Ele não sabe puxar o freio de mão ao estacionar! – respondeu o Lucas, deixando o pai sem saber o que isso significava. - Raspei de leve o para-choques do carro dele com a camionete na frente da loja do Getúlio enquanto o carro rolava para trás quando quis embicar na vaga. – revelou o Lucas. – Sabia que ele queria chamar a polícia, ir à delegacia, exigir um guarda de trânsito e o escambau por conta de uma porra de um risquinho na pintura? Apesar da culpa ser dele, me propus a pagar o prejuízo, e foi mais um escândalo! – acrescentou, querendo me fazer evaporar no ar.
- Então já se conhecem! – exclamou o Alberto, balançando a cabeça.
- A culpa não foi minha! Quem bate na traseira é o culpado! – insisti, não dando o braço a torcer para aquele ogro brutamontes arrogante.
- Vá se habituando, Matteo, o Lucas é meio esquentadinho! É assim desde criança, não sei de quem herdou esse gênio explosivo! – afirmou o Alberto, achando graça da situação, enquanto eu só queria sumir dali.
Perdi a fome tendo que encarar aquele sujeitinho do outro lado da mesa. Tanto ele quanto eu falávamos pouco, era o Alberto que mantinha a conversa fluindo na tentativa de estabelecer um elo entre nós. O Lucas me fuzilava com o olhar e eu correspondia na mesma revolta. Se esse sujeito pensa que vai me intimidar com essa postura de cachorro bravo, pode tirar o cavalinho da chuva; porque está para nascer o macho que vai mandar e desmandar em mim, estabeleci como minha principal meta enquanto estivesse na fazenda.
Ainda estava escuro quando ele entrou desembestado no meu quarto fazendo o maior alarido.
- Acordamos cedo por aqui! Se quiser fazer seu trabalho é bom levantar e me seguir, não tenho tempo a perder ciceroneando almofadinhas preguiçosos de cidade grande. – sentenciou, enquanto eu procurava saber onde estava, no dia que mal estava começando.
- Sim, claro! Estou indo! – devolvi, me vestindo às presas e correndo atrás dele como um cachorrinho atrás do dono.
Um cheiro gostoso de café dominava o ar quando passamos pela cozinha e, antes que uma senhora que estava terminando de pôr a mesa pudesse me chamar para sentar, ele passou ligeiro por ela.
- Estamos sem tempo para isso, Lurdes! Volto para o almoço, avise meu pai, por favor!
- Mas Lucas, o Matteo ainda não tomou café! – exclamou ela.
- Devia ter levantado mais cedo! Assim ele aprende a não perder a hora! – retrucou o Lucas, pouco antes de ela vir correndo atrás de mim com uma banana e um pedaço de bolo num guardanapo de pano.
- Tenha modos moleque! Se seu pai souber como está tratando a visita, já sabe o que vai acontecer! – afirmou ela.
- Ele não é visita! É um empregado de uma empresa que vende gato por lebre! – devolveu o Lucas, sem olhar para trás.
Havia chovido durante a noite amenizando um pouco o calor, mas o sol já despontava com força indicando que teríamos mais um dia quente. A caminho dos estábulos, meus mocassins de couro afundavam no barro, nos enormes montes de bosta de vaca, nas poças formadas pela chuva. Era óbvio que eu não estava preparado para aquele ambiente, embora estivesse tentando manter um mínimo de dignidade. O primeiro estábulo no qual entramos era a maternidade das matrizes, onde pariam e começava a identificação dos bezerros cuja identidade era lançada no sistema informatizado permitindo, dali em diante, rastrear todo seu processo de crescimento, vacinas, problemas de saúde, ganho de peso e outros tantos parâmetros até estar pronto para o abate.
Os funcionários que estavam na lida olharam para mim com compaixão, como se eu fosse uma espécie de indigente naquelas roupas esportivas calçando mocassins forrados de lama e bosta. O Lucas nem disfarçava o risinho irônico ao me ver naquela situação, e eu amaldiçoava o Castro, o Lucas, a fazenda e a merda do emprego que me colocou naquela situação.
Passamos a manhã correndo de um lugar para o outro, depósito de rações, farmácia veterinária, enfermaria animal, balanças de pesagem, tanques para banho de imersão para controle de ectoparasitas, baias para manejo e aplicação de medicações e mais um tanto de lugares que fui descobrindo para que serviam à medida que o Lucas me arrastava através deles, explicando como funcionavam e onde nosso software deixava lacunas sem controle.
O sol estava a pino quando voltamos para a sede e encontramos o Alberto na varanda da frente. Eu mais parecia um leitão saído do chiqueiro de tão enlameado e sujo que estava até a altura da bunda, o suor saia pelos poros feito uma cascata e a camiseta polo que estava usando estava colada no meu tronco, não podendo ser mais inadequada. Branca, de malha fina e leve, ficou quase transparente depois de encharcada, permitindo distinguir os mamilos acastanhados e seus biquinhos salientes por baixo do tecido. Não à toa, em todos os lugares por onde passamos, os funcionários perdiam a noção do que estavam fazendo enquanto me examinavam disfarçando o riso e os comentários sussurrados à meia voz.
- Essa roupa não serve aqui na fazenda, Matteo! Você está precisando de algo mais adequado e, principalmente, de botas. É até perigoso andar com esse calçado baixo por aí, dentro de um tufo de mato pode haver uma cobra. – disse ele, instalando o pavor em mim. Cobras, eu tenho pavor de cobras, se me deparar com uma, desmaio no mesmo instante, conjecturei. – Por que não deu um par de botas para o Matteo, Lucas? Você sabe que ele não pode andar por aí desse jeito! – exclamou na direção do filho que continuava se divertindo às minhas custas.
- Ele não pediu! – retrucou
- Você sabe que ele não está acostumado a esse ambiente, que nasceu e se criou na cidade, como queria que ele soubesse o que é mais adequado para cá? Você não toma jeito, Lucas! – zangou-se o Alberto, antes de me providenciar trajes e um par de botas.
Eu estava varado de fome e avancei na comida saborosa como se não viesse alguma há séculos. A Lurdes me encarava orgulhosa, sorrindo e me oferecendo tudo que havia preparado, enquanto eu a elogiava com gratidão e sinceridade.
- Está tudo uma delícia, dona Lurdes!
- Também pudera, na fome que você devia estar até pedra estaria gostoso! Saiu sem tomar café! – revelou ela na frente do Alberto.
- Como assim, não tomou café? Tem algo que prefere em vez do que estava servido? – perguntou-me ele. A Lurdes encarou o Lucas, soltou o verbo de propósito para o colocar numa situação conflitante com o pai.
- Conta para o seu pai porque o Matteo não tomou o café da manhã, Lucas! Anda, moleque, conta! – exigiu ela.
- Ele dormiu demais, perdeu a hora! – retrucou exasperado o Lucas.
- O que está acontecendo com você, Lucas? Pode me explicar? Se te pego fazendo mais alguma desfeita para nosso hóspede, vamos ter uma conversa que você não vai gostar, estou avisando! – ameaçou o Alberto; o que fez o Lucas se levantar da mesa e sair pisando firme.
- Está tudo bem, senhor Alberto! Comi a banana e o pedaço de bolo que a dona Lurdes me deu, e foi o suficiente, pode estar certo. – afirmei, para atenuar os ânimos.
- Não está, não! Tome o tempo que precisar para tomar seu café tranquilamente antes de iniciar o trabalho e não se deixe intimidar pelo jeitão carrancudo do Lucas. Estamos tendo umas divergências com relação a assuntos da fazenda e ele anda cada dia mais impossível. Mais parece um cavalo xucro dando coices para todo lado, não é Lurdes? – ela concordou com o patrão e riu na minha direção.
Não vi mais o Lucas pelo restante do dia, e como queria saber mais sobre os gargalos que enfrentavam com o nosso software, fui pesquisar diretamente na fonte, no escritório da fazenda, onde todos os dados eram compilados e onde os problemas se apresentavam. Dois funcionários muito solícitos me deram as informações que eu precisava, na verdade, dois rapagões musculosos e viris de deixar qualquer cuzinho alucinado, filhos de funcionários antigos e de confiança do Alberto que ele havia mandado para Cuiabá para cursarem um curso técnico e fazerem especializações na área de TI. Rogério e o Renato ficaram sarando minha bunda enquanto me explicavam a rotina de trabalho, disfarçando as ereções que se formaram entre as pernas dando, vira e mexe, uns apertões nas rolas excitadas. Não havia muitas opções femininas à disposição na fazenda e a testosterona que corria em suas veias os impulsionava a desejar minhas nádegas proeminentes e carnudas, mesmo sem terem ideia que eu era gay e que poderia satisfazer seus desejos inconfessáveis. Por meu lado, eu estava conhecendo outro tipo de homens, diferente dos quais estava acostumado na cidade. Machos mais primitivos, mais ligados ao jeito natural das coisas acontecerem, menos propensos a rodeios antes de partirem para cima daquilo que almejavam, menos preocupados em disfarçar o tesão quando ele os acometia fazendo seus dotes avantajados mostrarem todo seu esplendor. O resultado não podia ser outro, meu cuzinho passou a um estado de constante assanhamento, enquanto eu sonhava com uma rola deslizando para dentro dele.
Mesmo tendo chegado à fazenda há poucos dias, o Castro não parava de me mandar mensagens querendo saber a quantas andava a customização do software, numa cobrança constante e perturbadora. Na empresa, eu tinha um programador de TI com o qual tinha uma amizade que se estendia para fora do âmbito do trabalho. Junior era gay como eu, discreto, perspicaz, bom caráter e casado havia cinco anos com um ex-colega de faculdade. Formavam um casal lindo, amoroso, com o qual eu costumava sair para me divertir.
- E aí, como andam as coisas por aí? – perguntou-me o Junior numa ligação.
- Mais ou menos! Faz quatro dias que estou trabalhando com dois técnicos de TI tentando descobrir como aperfeiçoar os gargalos do software. São dois caras legais, muito gentis e prestativos, estou amando trabalhar com eles. Porém, o software que o Castro vendeu para o proprietário é totalmente inadequado, para dizer o mínimo. – respondi.
- Então por que as coisas estão mais ou menos? O que está pegando? Você conhece o nosso chefe, tem PhD em trambicagem, não admira que esteja tendo problemas por aí.
- Eu nem devia estar dando importância a isso, mas o filho do dono, um tal de Lucas, é uma pedra no sapato.
- Como assim? O que está rolando?
- Começou que, no instante em que cheguei à cidade, ele bateu a camionete na traseira do meu carro. Discutimos, por que ele é um ogro, brutamontes arrogante, sem que eu soubesse que era o filho do Sr. Alberto. Quando cheguei à fazenda, qual não foi a minha surpresa e a situação constrangedora pela qual passei ao ser apresentado a ele durante o jantar. Eu queria que um buraco se abrisse sob meus pés, Junior, juro. Eu queria sumir para não ter que encarar esse troglodita machão. Ele mal olha na minha cara, faz de tudo para eu pagar mico e fica se rindo às minhas custas. Arre, que sujeitinho, você precisava ver! – revelei.
- Hummm, aí tem coisa! – exclamou o Junior
- Tem o quê, criatura! Tem que eu não fui com a cara dele, nem ele com a minha.
- Quando você usa os adjetivos brutamontes, ogro, troglodita machão já dá para saber que ficou impressionado, pois é exatamente esse o tipo de homem pelo qual você cai de quatro e que deixa teu cuzinho piscando. Confessa, Matteo, o cara te deixa com tesão. Como ele é, parrudão, estilo cowboy machão? – questionava me provocando.
- Tá, ele é tudo isso, mas o que tem de bonito e sexy tem de grosso, mal educado e arrogante! – respondi.
- Com seu jeitinho fofo não dou uma semana para o cowboy machão estar comendo na tua mão! Só não vá se apaixonar por ele! Você sabe que sua estadia aí é curta e que vocês são de mundos diferentes, não comece a cair de amores por ele e depois ficar depressivo quando estiver de volta. – aconselhou.
- Vira essa boca para lá, Junior! Eu hein, me apaixonar por um sujeitinho desses, nem pensar! – devolvi.
- Ainda bem! Ainda bem! Só cumpra o que está me dizendo, OK! Por aqui está tudo aquela merda de sempre, o Castro anda cada dia mais insuportável, ninguém está aguentando mais. Por ser o dono da empresa acha que também é dono do mundo e que somos seus escravos, um saco! – revelou ele.
- Eu tomei uma decisão em relação a isso, quando terminar esse trabalho, vou pedir demissão.
- Você está falando sério? Já tem outro emprego em mente?
- Não, não tenho, mas é coisa certa! Não fico mais nesse emprego, não aguento mais olhar para a cara do Castro e fingir que não ligo para os desaforos que ele me fala. Isso vai acabar, é só eu voltar. – asseverei.
Eu falava com o Junior do meu quarto e não percebi que, depois que a Martina deixou minhas roupas lavadas sobre a cama, saiu sem fechar a porta, nem que o Lucas estava encostado no batente me esperando para irmos até um piquete mais afastado da sede onde juntavam as reses que iam embarcar para o frigorífico. Não sei quanto tempo ele estava ali, mas que o desgraçado ouviu minha conversa e meu desabafo eu tinha certeza, embora ele não tivesse mencionado nada. Perdi o rebolado quando o vi ali encostado com os braços cruzados sobre o peito e me observando sem camisa ao celular. Eu não era nenhum falso modesto, tinha ciência que meu tronco lisinho e bem esculpido era um forte foco de sedução.
Mudei meus trajes depois dos primeiros micos que paguei, embora não tenha trazido nada realmente apropriado para aquele lugar na minha bagagem, tendo que improvisar para não parecer um peixe fora d’água. Ao menos os funcionários já não me encaravam mais com aqueles olhares de gozação, mas ainda havia algo que os atraía, e minhas suspeitas se confirmavam cada vez que um deles precisava dar umas apertadas no cacete.
Ao contrário do filho, o Sr. Alberto era um doce de pessoa, muito expansivo e sincero em suas colocações, eu sentia que ele gostava de mim por algum motivo e gostava de ficar em sua companhia depois do trabalho conversando longamente na varanda enquanto a noite caía. O Lucas passava apressado por nós, sempre carrancudo, rosnando umas poucas frases e sumindo de vista. Cheguei a suspeitar que sentia ciúmes do relacionamento amistoso com seu pai.
Numa manhã, à mesa do café, o Lucas disse que precisava ir até a cidade resolver algumas coisas e fazer compras. Perguntei se não podia me dar uma carona, pois queria comprar umas roupas mais apropriadas, já que as minhas não estavam funcionando. Ele olhou para a dona Lurdes, riu e soltou essa.
- O almofadinha da cidade resolveu virar cowboy, Lurdes! Quem diria, não é?
- Deixa de ser grosseiro, Lucas! Se ele não se sente confortável com as roupas que trouxe, que mal há procurar algo que seja do agrado dele? Você devia ajudá-lo e o levar nos lugares certos! Vá, anda, mostre que de vez quando você até consegue ser um rapaz educado e gentil. – retrucou ela.
- Então vê se apressa, não tenho o dia todo para ficar a sua disposição! – exclamou, externando seu descontentamento.
Nunca senti tanta falta de um shopping. As opções de compras na cidade eram limitadíssimas, mas encontrei o que precisava, até porque depois essas roupas não me serviriam mais. Ao provar alguns jeans numa cabine improvisada de uma loja, fechada apenas por uma cortina que não dava privacidade, notei que o Lucas estava me espionando e olhando descaradamente para a minha bunda coberta pela cueca cavada que estava usando. Só me bastava esse sujeito descobrir o tipo de cuecas sumárias que costumo usar; isso lhe daria assunto para mais de mês.
- Obrigado por me acompanhar e perder seu tempo comigo. – agradeci, após feitas as compras. Ele não respondeu. – Pode fazer o que veio fazer, não vou te atrapalhar. É só me dizer onde devemos nos encontrar e eu estarei lá. – disse para o liberar. Demorou para me responder.
- Quer tomar um sorvete? Você vive reclamando do calor, tem uma boa sorveteria aqui perto! Isso, é claro, se não se importar com a simplicidade dela, pois vai estar longe de ser uma sorveteria sofisticada às quais você está acostumado. – o que deu nele, pensei comigo mesmo. Me convidando para tomar um sorvete, que bicho o mordeu para fazer essa gentileza?
- Claro! Seria ótimo, obrigado! – respondi.
A simplicidade do estabelecimento não combinava com a sofisticação e a qualidade dos sorvetes, um mais delicioso que o outro. O Lucas me encarava sem aquela sisudez costumeira, enquanto a proprietária me fazia experimentar um sabor atrás do outro.
- Eu quero me desculpar com você, Lucas! Começamos com o pé esquerdo, e eu queria te dizer que estou arrependido por ter reagido daquela maneira no dia em que cheguei à cidade. Me desculpe pelo que te disse e pela maneira rude como reagi. A batida foi insignificante e não era motivo para tudo aquilo. – desculpei-me sincero.
- A culpa foi minha, você estava certo! Embiquei na vaga tão apressado que não percebi que seu carro estava rolando para trás. Fui muito grosseiro com você, aliás, continuei sendo, me desculpe. – ora, ora, quem diria, o brutamontes se desculpando e admitindo que estava errado? Estamos progredindo.
Passamos praticamente o dia todo na cidade e percebi que ele não tinha nada a resolver como havia afirmado. Para disfarçar, ele passou rapidamente por um comércio onde trocou meia dúzia de frases com um conhecido que devia ser o dono do estabelecimento e voltou alegando que já tinha resolvido tudo que veio resolver. Não o contradisse mesmo sabendo que estava mentindo, e fiquei feliz por ele ter querido a minha companhia. Até então, nunca havíamos tido uma conversa tão longa e espontânea.
No dia seguinte, ele voltou a ser o Lucas de sempre, carrancudo e grosso. Isso aconteceu depois que me pegou trabalhando na customização do software com o Rogério e o Renato num clima descontraído, cheio de risadas e numa intimidade de velhos amigos. Eu já havia notado o interesse dos dois por mim, para ser mais preciso, pelo meu corpo e bunda que atiçava seus pauzões. Comigo sentado no meio e cada um de um lado na frente da tela do computador analisando e trabalhando nos gargalos, nossos ombros se tocavam e, tal qual eu podia sentir a virilidade de seus torsos musculosos, eles se deliciavam com o frescor do perfume cítrico que emanava do meu, implantando um tesão em nós que, de quando em quando, exigia um breve afastamento para não acontecer uma transa ali mesmo de tão excitados que ficávamos. O Lucas nos flagrou exatamente num desses momentos, pouco antes de eu me levantar abruptamente e correr em direção ao banheiro para jogar uma água fria no rosto e na nuca, porque meu cuzinho queimava de desejo depois que constatei as ereções deles.
O que deu em você, Matteo? Perder o autocontrole desse jeito só porque dois caras tesudos ficaram de pau duro por conta da sua bunda, desde quando você age assim? Só pode ser esse calor. É isso, é o calor, aqui faz muito calor e ele se concentra no seu cu e te deixa nesse estado, respondi a mim mesmo.
Durante o jantar daquela noite o Lucas voltou a me insultar e fazer grosserias que foram prontamente censuradas pelo senhor Alberto. Suas observações tiveram a ver com o que presenciou no escritório naquela tarde. Ele saiu da mesa sem terminar o jantar e sumiu. Mais uma vez o senhor Alberto se desculpou pelo filho, mas estava muito aborrecido com ele. Fui me recolher cedo naquela noite, aquele clima belicoso estava me desgastando. Acabei demorando a pegar no sono e, a dada altura, fui tomar água na cozinha. Apesar de bastante tarde, pai e filho estavam na varanda conversando, ou melhor, tendo uma discussão.
- Já não tenho mais cara para pedir tantas vezes desculpas pelas suas grosserias. Estou farto desse seu comportamento de moleque. Não estou mais pedindo, mas exigindo que daqui para frente você respeite, seja educado e gentil com o Matteo. Ele é um doce de criatura, em uma semana conquistou a simpatia dos funcionários com seu modo gentil de tratar as pessoas. A Lurdes e a Martina o adoram, estão sempre rindo dos comentários dele, dos elogios que faz. Só você implica com ele o tempo todo, Lucas. – sentenciou o senhor Alberto.
- Gentil, educado, bom rapaz, um doce de pessoa, é tudo que ouço o tempo inteiro em relação a ele. Você sabe que ele é gay, não sabe! Assim como sabe o que eu penso em relação aos gays, não são de confiança, não se pode acreditar neles, não se deve nem chegar perto deles. – retrucou exasperado o Lucas.
- Nem todos são iguais, Lucas! O Matteo certamente não é assim, minha percepção me garante que ele tem bom caráter, que é honesto e tem princípios. – afirmou o Alberto. – Uma história que não acabou bem não quer dizer que todas vão terminar do mesmo jeito. São pessoas diferentes, com objetivos diferentes. Não estou pedindo que se envolva com ele, só que o trate com respeito e consideração, que é como ele trata você. – essas últimas frases me deixaram surpreso, o que podia estar atrás delas e que influenciava o comportamento do Lucas para comigo?
Perdi definitivamente o sono depois de ouvir aquela conversa, minha cabeça trabalhava a mil tentando decifrar o significado das palavras do Lucas – Sabe o que eu penso em relação aos gays, não são de confiança, não se pode acreditar neles, não se deve nem chegar perto deles. – o que se escondia por trás dessas afirmações? Fui até a varanda para espairecer e pensar no assunto, e o encontrei sentado exatamente no mesmo lugar, com o olhar perdido no horizonte, como se ele inteiro estivesse na mesma situação. Ele não se mexeu quando me aproximei e me sentei na cadeira de vime ao lado dele. Permaneci em silêncio por um tempo, em respeito ao dele.
- Posso te fazer uma pergunta? – me atrevi. Ele permaneceu calado. – Por que não gosta de mim? Se falei ou fiz alguma coisa que te ofendeu, me diga. Me sinto desconfortável com esse clima entre nós. Se eu puder fazer qualquer coisa para mudar essa situação, me diga, por favor, Lucas. – indaguei, tentando consertar essa animosidade.
- Não há nada que você possa fazer! – respondeu de pronto. – Na verdade o problema sou eu, não você!
- Como assim? Não tenho absolutamente nada contra você. O incidente do nosso primeiro encontro está mais que superado, já me desculpei com você e você comigo.
- Eu estava num relacionamento com um gay fazia cinco anos quando ele simplesmente me traiu, me abandonou e se mudou com meu melhor amigo para São Paulo. Eu o amava, pensei que íamos construir uma vida juntos, mas ele nunca pensou assim, e fugiu na primeira chance que apareceu. – revelou. – De alguma maneira você me lembra muito ele, como ele era no começo quando nos conhecemos, antes de se transformar numa pessoa interesseira e mesquinha. Em todos os lugares para onde íamos, as pessoas logo se apaixonavam por ele, por seu carisma, exatamente como está acontecendo com você. Esta tarde, quando presenciei o clima que estava rolando entre você, o Rogério e o Renato, eu senti uma ponta de ciúmes. Eu queria que você me olhasse com o mesmo olhar que estava olhando para eles. – confessou.
- Você entendeu tudo errado! Estou me dando bem com os dois e isso dá agilidade e progresso ao trabalho que estamos desenvolvendo. Não são eles, nem o João Pedro, que me levou para pescar na beira do rio, que me deixaram impressionado com sua masculinidade. O único que conseguiu isso foi você. E, antes que pense qualquer coisa, eu quero dizer que te achar atraente, sedutor e muito interessante, não significa que quero algo além de uma amizade, quem sabe. Não estou aqui para me aproveitar de ninguém, estou aqui para ajudar vocês a tirarem o máximo proveito do software que adquiriram, nada mais que isso, eu juro. – asseverei.
- Então não acha que sou um, como foi mesmo que você disse – ogro, brutamontes arrogante, troglodita, machão – se estou bem lembrado, quando falava com alguém da sua empresa? – eu não sabia onde enfiar a cara.
- Eu disse isso por que estava com raiva, não especificamente de você, mas do meu chefe que me mandou para cá, de ele ter vendido esse software para o seu pai e que é inadequado para as necessidades de vocês, por me incumbir de customizar algo que, de antemão, eu sei que não vai funcionar plenamente como vocês esperam, dessa merda de emprego que virou um pesadelo depois que ele assumiu o controle da empresa. O que eu queria jogar na cara dele, acabei falando em relação a você. Me desculpe. – desabafei.
- Fui aqui o que seu chefe é para você lá na empresa, agora entendo porque me deu tantos adjetivos! – exclamou descontraído e rindo. – Não facilitei as coisas para você, não foi?
- Não, não facilitou! – devolvi sincero. Foi a primeira vez que senti nossas diferenças superadas. – Bem! Está tarde, vou me deitar, boa noite, Lucas! – desejei, deixando-o na varanda com suas reflexões.
Tomei mais uma ducha, a terceira daquele dia, antes de me deitar pois o calor ajudava a me manter inquieto. Três batidas sutis à porta me fizeram abri-la. Era ele, estava com o mesmo short de quando o deixei na varanda, mas havia se livrado da camiseta. Ficou me encarando dentro da cueca cavada sem dizer nada. Com um movimento ligeiro, me puxou contra si, colou a boca na minha antes mesmo de eu conseguir perguntar a que veio. O toque de nossas peles fez um choque percorrer minha coluna me arrepiando todo. Notei que o mesmo pareceu acontecer com ele. Sua língua entrou lentamente na minha boca junto com o sabor de sua saliva fazendo meu cuzinho piscar. Entreguei-me ao beijo e afaguei sua nuca. As mãos dele desceram pelas minhas costas num roçar suave, mas que me forçou a inspirar com mais força; deslizaram sobre a bunda e, ao sentirem a pele arrepiada das nádegas que a cueca não cobria, se fecharam com força e amassaram os glúteos musculosos. Soltei um gemido brando e voltei a colar meus lábios aos dele. O Lucas deu um toque com o pé na porta a fechando, e caminhou em direção a cama me conduzindo em seus braços, aos quais eu me segurava acariciando os bíceps enormes. Ao pé da cama, ele me soergueu pela bunda e eu envolvi a cintura dele com as minhas pernas. O beijo molhado e quente nos unia quando ele foi tirando a minha cueca e afastando as nádegas polpudas para abrir meu reguinho à procura o cuzinho. Ao tocá-lo, impeli o corpo para cima, me apoiei em seus ombros e aproximei uma tetinha de sua boca. Ele prontamente a abocanhou cravando os dentes no mamilo e o chupando tenazmente. Voltei a gemer e, segurando seu rosto entre as mãos, cobri-o de afagos sentindo a barba pinicar as palmas das mãos. Ao mesmo tempo que tracionava o biquinho saliente e rijo da minha teta, ia introduzindo um dedo na portinha do meu cu, palpando e circundando as preguinhas corrugadas.
Eu não precisava estar vendo o pauzão dele para saber que estava dando pinotes preso dentro do short, e levei uma das mãos até ele, o acariciando através do tecido. O Lucas afrouxou um pouco os braços, o que me permitiu escorregar para baixo e ir beijando seu peitoral e abdômen pelo trajeto até me defrontar com a ereção cavalar consumada sob o short. Ajoelhado diante de suas pernas ligeiramente afastadas, fui descerrando o short pelas coxas musculosas e peludas libertando o caralhão que saltou para fora já soltando o visgo translúcido do pré-gozo. Senti um calafrio ao constatar o tamanho daquilo tudo, especialmente o calibre grosso e a cabeçorra estufada. Já não havia dúvida de que ele ia enfiar aquele cacetão no meu cuzinho nos próximos minutos, sabe-se lá com que consequências. Apesar do receio, o segurei e fui vagarosamente envolvendo a chapeleta melada com meus lábios sequiosos até ela preencher completamente a minha boca. Suguei-a delicadamente, sorvendo o visgo saboroso e ligeiramente salgado, o que fez o Lucas soltar o primeiro gemido rouco. Minha boca percorreu e explorou toda a extensão do pauzão indômito, lambendo, chupando e mordiscando sua imponência. Ele fincou os dedos na minha cabeleira e afundou meu rosto na virilha pentelhuda fazendo o cacetão afundar na minha garganta, enquanto ele grunhia de prazer. As pontas dos meus dedos tateavam pelo sacão, palpando e massageando as bolonas borrachoides cheias de porra que em breve seria ejaculada na minha boca, o que me fez chupar o pauzão com mais determinação.
Não demorou muito para o Lucas me prevenir do gozo iminente, o que aumentou o empenho com o qual eu sugava seu falo taurino. O primeiro jato entrou direto na garganta, os que se seguiram numa sequência ligeira eu fui saboreando e engolindo numa voracidade delirante.
- Minha porra! Você está engolindo toda a minha porra, seu putinho safado! Engole, Matteo, engole meu leitinho, tesão! – rugiu ele satisfeito e abismado, esporrando feito um touro na minha boca gulosa.
- Você é delicioso, sabia! – exclamei, depois de haver limpado o cacetão melado de porra com lambidas que recolheram até a última gota do esperma alcalino e amendoado. Ele abriu um sorriso encantador, me puxou para dentro do aconchego de seus braços e foi me inclinando sobre a cama num tesão crescente que fervia em nossos corpos.
Eu estava engatinhando em direção ao meio da cama quando ele afastou as bandas da minha bundona e meteu a cara no meio delas, lambendo e mordiscando a pele das nádegas. Eu me contorcia e gemia feito uma cadelinha excitada, empinando o rabão volumoso para instigar o tesão dele. Ele começou a lamber minha fendinha plissada, enfiar a ponta da língua molhada no buraquinho estreito e excitado, o que me fez gemer pedindo para que me fodesse.
- Quer levar pica nesse cuzinho apertado, quer, seu putinho? Pede para o macho te foder, pede! Pede para eu meter meu cacete nesse buraquinho gostoso, pede! – ronronava ele, enquanto enfiava o polegar na portinha do meu cu.
- Ai, Lucas! Me fode, macho! Mete esse caralhão no meu cuzinho, mete! – ronronei lascivo.
Ele pincelou a cabeçorra melada pelo reguinho fundo até ela ficar apontada sobre a fendinha plissada, e deu um impulso vigoroso que a fez distender o esfíncter, atravessando-o enquanto dilacerava as preguinhas, a despeito do meu ganido pungente. O pauzão foi escorregando para dentro e me abrindo todo. Eu gemia de dor sentindo a carne se rasgando enquanto ele ia se empurrando para dentro de mim até o talo.
- Delícia de rabo, Matteo! Vou arregaçar esse cuzinho estreito! – afirmou, começando a estocar com força.
Eu me contorcia em agonia e dor, mas o Lucas estava com os braços envolvendo meu tronco, cerceando meus movimentos e amassando os biquinhos dos meus mamilos entre os dedos, só me restando sucumbir à sua gana, me entregando para ser arregaçado. Com o vaivém, ele foi estocando bem fundo, metendo cada vez mais rápido e forte. O prazer só começou a superar a dor quando o cuzinho já estava ardendo todo arrombado. O Lucas metia feito um animal selvagem faminto, me levando a crer que já não fazia aquilo há algum tempo, o que me fez querer suprir carinhosamente sua carência de macho. A cada empinada de rabo que eu dava o caralhão entrava mais fundo em mim e, em meio ao contorcionismo do meu corpo debaixo de dele, eu fui chegando ao orgasmo, a musculatura anal mastigava o cacetão dele quando soltei um gritinho e me esporrei todo.
- Vou leitar seu rabo, tesudinho! – anunciou ele.
Com o caralhão socado fundo no meu cuzinho, senti-o pulsando forte e enchendo meu casulo anal de sêmen leitoso e quente.
- Ah, Matteo! Quero ser seu macho! Quero ser o dono desse cuzinho dadivoso! – sussurrou ele, enquanto chupava a pele da minha nuca. Era esse o meu desejo também, mas não me atrevi a confessá-lo diante de tantas incertezas que nos cercavam.
O Lucas continuou deitado em cima de mim após o gozo, não tirou o caralhão do meu cu e deixou que ele amolecesse lentamente encapado pela minha mucosa anal macia e quente. Adormeci à medida que o corpo relaxava, sentindo o cuzinho ardendo e ciente de que ele ficaria sensível pelos próximos dias.
Nosso entrosamento cresceu depois daquela noite. Já não escondíamos mais que dormíamos juntos todas as noites, ora no meu quarto ora no dele. O senhor Alberto já não tinha dúvida de que eu também havia conseguido conquistar o filho, e estava tendo meu cuzinho visitado constantemente por seu caralho fogoso.
Saber que o Castro havia enganado o senhor Alberto com a falsa promessa de que o software poderia ser customizado para as necessidades da fazenda estava me martirizando. Ele me recebeu com tanta generosidade, fazia de tudo para me agradar e tornar a minha estadia em sua casa a mais confortável e agradável possível, e não era justo que eu me mantivesse calado deixando-o acreditar que o alto valor que pagou pelo software e pela customização lhe traria os benefícios esperados. Com a consciência pesada, embora sabendo que o que decidi fazer não era eticamente adequado, eu o procurei expondo tudo.
- Eu não deveria estar falando isso com o senhor, mas a cada dia que passa e que noto que as suas demandas nunca vão ser contempladas por esse software, eu sinto que estou traindo a sua confiança, mais do que a do meu chefe. Lamento ter sido envolvido nessa trapaça, conhecendo a pessoa de boa índole que o senhor é, senhor Alberto. Tanto que tomei a decisão de me demitir assim que voltar para São Paulo. Nunca mais quero compactuar com as negociatas do Castro. – confessei envergonhado.
- Eu estava pressentindo que as coisas não evoluíam como o esperado. Não foi por falta de aviso, pois o Lucas nunca concordou com essa aquisição. Você ter se esforçado para me oferecer o melhor que podia já é um sinal do seu bom caráter. Eu vou desfazer esse negócio, sem mencionar o que acaba de me expor para não te comprometer. – afirmou.
- Se me permite, Sr. Alberto, o Lucas me mostrou um projeto dele para algumas modificações nos protocolos da fazenda. São ideias fantásticas. Não sou nenhum expert em pecuária, mas notei que a adoção desses protocolos facilitaria em muito a gestão e, para isso, há softwares no mercado muito melhores do que o da minha empresa que atenderiam satisfatoriamente as necessidades da fazenda. Eu me proponho a lhe indicar os mais adequados e, se houver alguma necessidade de pequenos ajustes, os farei com o Rogério e o Renato, sem nenhum custo extra, como forma de me redimir pelo meu silêncio. – propus.
- Você é um rapaz de muito valor, Matteo! Gostei de você no mesmo instante que pisou na fazenda, e vejo que meu instinto também não falhou dessa vez. – devolveu ele. – Tenho sido turrão com o Lucas, mas está na hora de eu ir passando o bastão da administração da fazenda para ele, e parar de implicar com as propostas inovadoras que ele tanto quer pôr em prática. Estou notando o quanto vocês dois se afeiçoaram um ao outro e, não sei se ele mencionou, mas há algum tempo ele teve uma decepção amorosa com um sujeito, talvez sendo esse o motivo pelo qual te tratou tão mal quando você chegou aqui. Eu sei que você gosta dele e ficaria muito feliz se vocês se acertassem. Com você ao lado dele, tenho certeza que a fazenda estará em boas mãos. – sentenciou emotivo. Eu nunca esperei por isso, um pai me pedindo para ter um relacionamento amoroso com seu filho.
- Posso lhe dar um abraço, Sr. Alberto? – perguntei com os olhos marejados quando ele me apertou em seus braços.
- O que está rolando aqui? O que foi que eu perdi? – indagou o Lucas ao nos ver abraçados e emotivos.
- Cuide bem desse rapaz, Lucas! Se você quiser voltar a ser feliz, cuide bem dele porque dificilmente alguém vai te amar como ele. – disse o Alberto.
- Está me arranjando casamento, pai? Eu aqui ensaiando um jeito de pedir ao Matteo que não vá embora quando terminar o trabalho e você se antecipando quebrando a minha surpresa. – disse o Lucas, se juntando ao abraço.
Nem preciso dizer que o Castro me ligou puto da vida poucas horas depois de o senhor Alberto ter comunicado a desistência da compra do software.
- Que merda você está aprontando por aí? – perguntou aos berros quando atendi o celular. – Eu te mando fazer uma coisa simples, esperando que vai dar conta do recado, e pelo visto você só conseguiu fazer merda! Quero você aqui no meu escritório amanhã mesmo, Matteo! Preciso saber o que está acontecendo antes de mandar alguém mais competente resolver a questão.
- Claro, Castro, estarei aí amanhã, sem falta! – devolvi, como se admitisse ser tratado feito um capacho.
O Lucas voltou comigo. Eu quis aproveitar para o apresentar a minha família como meu namorado. Não entrei em detalhes com meus pais quanto aos problemas que estava tendo na empresa, mas eles me apoiaram quando falei que ia me demitir, pois já vinham notando há tempos minha insatisfação e tristeza com o emprego.
- Ah, finalmente chegou! Eu só estava esperando você chegar para .... – nem deixei o Castro terminar a frase quando adentrei à sala dele.
- Só vim para pedir demissão! E comunicar que não vou cumprir nem o aviso prévio! – anunciei resoluto.
- O quê? Como assim, pedir demissão? Você acaba de fazer merda e dar um prejuízo enorme na empresa e acha que pode sair assim, como se nada tivesse acontecido? – indagou surpreso pela minha atitude.
- Será mesmo que fui eu quem fez merda, Castro? Não teria sido você com sua ganância desmedida e a total falta de conhecimento sobre o assunto que o levou a vender um software sabidamente inadequado para as necessidades do cliente? No seu lugar, eu ia torcer para o cliente se contentar em ser ressarcido pelo montante que já pagou sem jogar um processo por fraude sobre a empresa. – afirmei.
- Veado do caralho! Sua postura de bom moço nunca me enganou, eu sabia que você é bicha, mesmo me regulando esse rabão. Não sou homem de aceitar desaforo de veado! O macho aqui sou eu. Eu que mando, eu que determino como e quando as coisas acontecem. – desatou a berrar ao perder a compostura, o que levou os funcionários no entorno a testemunhar suas ameaças homofóbicas. Limitei-me a rir encarando-o quando notei o pessoal testemunhando o desaforo, e deixei-o plantado falando sozinho.
Nunca mais o vi. Tive o desconto do aviso prévio não cumprido descontado das verbas rescisórias, como já esperava, mas estava feliz por não ter mais que aturá-lo. Outros cinco funcionários do meu setor aproveitaram o embalo e também pediram demissão, cansados de serem humilhados pelo Castro, a começar pelo Junior que passou a ser perseguido pelas insinuações do Castro depois de ele descobrir que o Junior era casado com outro homem.
O Lucas me levou consigo na volta para a fazenda. Nunca foi o sonho dele administrar a fazenda, sempre quis se juntar ao único irmão que se dedicava a fotografia profissional viajando mundo afora e sendo criticado pelo pai. Cerca de três anos antes de eu chegar à fazenda, ele se viu obrigado a mudar para a fazenda para cuidar do senhor Alberto que precisou implantar uns stents para restaurar o fluxo sanguíneo de algumas artérias coronárias prevenindo um infarto e melhorando a circulação. Desde então estavam constantemente discutindo sobre divergências na gestão da fazenda e se distanciando na relação pai/filho.
Tudo isso foi ficando para trás quando começamos a colocar em prática as ideias do Lucas, facilitadas pela aquisição de um novo software que controlava todo processo produtivo da fazenda sem nenhum gargalo. Todos sabiam que eu não estava mais ali para resolver problemas na área de TI, mas para dar suporte ao novo patrão que a cada semestre fazia aumentarem os resultados financeiros da fazenda, e para domar um pouco daquele seu gênio rebelde com minhas carícias, o que ninguém presenciava, mas que rolava quando ele se esbaldava no meu rabão carnudo.
Eu precisava ficar atento para o Lucas não me pegar de jeito num canto qualquer dos estábulos, nas margens do rio e da pequena represa que ele formava, na varanda da casa nas noites abafadas, querendo socar o pauzão sedento até o talo no meu cuzinho receptivo.
Não passamos mais o tempo todo na fazenda depois da contratação de um gerente. Temos revezado nossa estadia entre São Paulo, onde o pai dele sempre manteve um apartamento e a fazenda quando em períodos de demanda especifica.
Ainda não oficializamos a nossa união, mas estamos morando juntos enquanto nosso amor se fortalece a cada coito.

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Ficha do conto

Foto Perfil kherr
kherr

Nome do conto:
Um cowboy à brasileira

Codigo do conto:
261636

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
09/05/2026

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1

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