Aquele verão inesquecível

Aquele verão inesquecível
Iniciemos essa história pelo começo, não literalmente, mas naquilo que foi mais importante e marcante, o verão de 2012. Ia ser mais um verão semelhante a todos os anteriores desde que me conheço por gente, quando meus pais me levavam para casa dos meus avós paternos no litoral e me deixavam aos cuidados deles e livre para curtir a maravilhosa praia encravada numa enseada não muito extensa. Eram as férias pelas quais eu ansiava o ano todo. Como filho único e, sem primos com quem pudesse brincar, pois a irmã do meu pai havia se mudado para o exterior com o marido estrangeiro e o casal de filhos, eu não podia ver um garoto com a minha idade que já ia fazer amizade.
Foi assim que conheci o Nico durante a infância, neto da viúva, e muito amiga da minha avó, vizinha da casa dos meus avós. Era lá que a família dela se reunia todos os verões enchendo a casa de movimento e vida, uma vez que cada um dos três filhos dela trazia a prole em peso. Não havia cercas entre as duas casas, assim nos esbaldávamos pelos quintais amplos sem respeitar limites. Apesar do Nico também ser filho único, eu o invejava por ter todos aqueles primos com quem pudesse se divertir. A avó dele, dona Alzira, não fazia distinção entre mim e os netos, assim como meus avós. Dessa forma, ora a garotada fazia as refeições, assistia TV ou jogava videogame numa casa, ora na outra e, isso servia também para algumas noites nas quais dormíamos assim que as energias acabavam sem se importar em voltar para nossos respectivos lares.
O Nico sempre me defendeu dos dois primos mais velhos dele, que gostavam de implicar comigo e me usavam como bode expiatório de suas brincadeiras nem sempre divertidas. Ele era apenas alguns meses mais velho do que eu, mas enfrentava os primos sem temer as consequências, o que eu achava maravilhoso e o tinha como herói. As abordagens cruéis seguiam um padrão semelhante ao bullying que eu sofria no colégio por ser extremamente tímido e quase sempre preferir a companhia das meninas ao invés dos meninos, embora não pegassem tão pesado quanto a molecada do colégio, uma vez que a dona Alzira logo dava um jeito de punir seus excessos. Um deles, o Flavio, mais velho de todos, era o que mais implicava comigo tendo muitas vezes me levado ao choro com sua truculência. Era nessas horas que o Nico entrava em ação e, sem medir a discrepância de forças, partia para cima do primo em minha defesa. Não só essa atitude, mas toda sua maneira de ser fizeram crescer uma amizade entre o Nico e eu que não conhecia limites. Era algo tão intenso como se fossemos aquele irmão que não tínhamos.
E por que o verão de 2012 foi tão marcante? Porque foi ali que algo mudou minha vida e meu futuro. Eu estava em plena metade da minha segunda década de vida, tinha sido um verão dos melhores que já tive, pois já tínhamos mais liberdade para sair sem tanto controle por parte de pais e avós. O Nico havia ganho no Natal uma motoneta Honda Pop100 e, comigo na garupa, explorávamos as praias próximas e os lugares isolados que exigiam caminhadas longas e penosas. Às vezes sumíamos durante horas e, invariavelmente tínhamos que ouvir um sermão quando voltávamos. Porém, isso não importava, valia o tempo que passávamos juntos, valiam as conversas sobre qualquer assunto, valia a presença um do outro pois ela se bastava por si só.
Ficamos assistindo um filme até tarde na noite que antecedeu minha partida, pois na semana seguinte as aulas recomeçariam. O Nico ainda ia ficar alguns dias, já que o pai dele não teve como vir buscá-los naquele final de semana. Como de costume, tínhamos nos enfiado na cama e, à medida que a madrugada avançou trouxe um friozinho que nos obrigou a procurar por um virol onde nos enrolar e a ficar o mais próximos um do outro. Meus avós já dormiam a sono solto há horas quando o filme acabou e nos ajeitamos para dormir. Eu estava usando um short de moletom justo que se amoldava a minha bunda roliça e carnuda, responsável tanto pelo bullying que sofria na escola quanto do primo do Nico, Flavio. Ele estava metido num short de Tactel meio folgadão que, ao roçar no pau dele provocava ereções que não controlava nem queria, uma vez que estava naquela idade na qual a testosterona corria solta em suas veias e começava a mudar seu corpo, sua mente e seu comportamento. Ele andava tão assanhado que por todo verão tinha bolinado comigo e dito coisas que nunca tinha dito antes, sempre relacionadas a sexo e sacanagem.
Pouco depois de havermos desligado a luz do quarto, ele se aninhou a mim em conchinha; passou seu braço, que havia ganho músculos que não existiam no verão anterior, na minha cintura; encostou o peito quente, e que também começava a ganhar alguns pelos, nas minhas costas nuas; e acomodou o queixo, onde crescia um ridículo tufo de pelos espaçados, na minha nuca. Eu gostava do toque dele, gostava do cheiro dele, gostava de sentir aquele calor que o corpo dele emanava e adormeci pressentindo ter bons sonhos. O Nico se agitava, parecia não encontrar uma posição para relaxar. Sentiu a excitação aumentar com a quentura do meu corpo, com o cheiro cítrico da minha pele fazendo uma ereção se desenvolver e o cacete começar a vazar pré-gozo. Lentamente ele foi montando em mim, se esfregando nas minhas nádegas, sentindo o corpo todo sendo possuído pelo tesão que o levou a arriar meu short e expor minha bunda lisinha e macia. A agitação não me acordou, eu apenas ronronei um pouco procurando inconscientemente uma posição mais confortável. Minha movimentação, mesmo que sutil, só exacerbou o tesão e os calores que ele estava sentindo. Num arroubo, ele baixou o short e libertou o pauzão completamente duro e sensível. Por alguns segundos ele pensou em me acordar e propor a transa, mas teve medo da minha reação, de eu talvez me indignar e o expulsar dali, de contar aos meus avós o que estava fazendo comigo, e desistiu. Contudo, o tesão de um adolescente cheio de hormônios não arrefece tão fácil assim, ainda mais quando o objeto de seu desejo está ali ao lado, sedutor e na posição exata de suas necessidades. Ele continuou a se esfregar nas minhas nádegas, alimentando a ereção, sentindo a minha pele quente, forçando a rola dura no reguinho apertado, delirando de tanto desejo. Sentiu que a qualquer instante ia gozar e não queria desperdiçar aquele líquido precioso deixando simplesmente escorrer sobre a minha bunda. Não, isso não podia acontecer, tinha que empurrar o pau ao menos um pouco para dentro do meu cuzinho e se despejar dentro dele. Ficou tão agoniado que começou a pincelar o pauzão no meu reguinho, para cima e para baixo, ia enlouquecer de tanto tesão se não metesse logo naquele buraquinho rodeado de preguinhas. Seus dedos já estavam todos melados aquele visgo pegajoso que não parava de escorrer do pinto excitado. Ainda dormindo, eu me movimentei outra vez reagindo ao peso do corpo dele montado em mim, ficando numa posição ainda mais vulnerável. É agora ou nunca, pensou ele e, com um impulso forte, empurrou a cabeça estufada da pica para dentro daquele buraquinho quente todo melado com seu visgo. Eu acordei soltando um gemido, foi preciso ele me apertar com mais força junto ao corpo dele
- O que você está fazendo? – perguntei sonolento, até perceber que algo pulsava dentro do meu cuzinho.
- Quero você, Lucas! – respondeu num sussurro excitado
- Hã? – percebendo que eu não atinava com o que estava acontecendo, ele deu uma estocada forte e a rola entrou no meu cuzinho. – Ai! – gemi, despertando de vez.
- Dói? – murmurou ele, cobrindo meus lábios com dois dedos lambuzados de pré-gozo.
- Um pouco! – respondi, antes de lamber o visgo saboroso dos dedos dele
- Não quero te machucar! Me avise se estiver doendo muito!
- Tá bom! – esse – tá bom – respondia à pergunta dele, mas também assinalava o que eu estava sentindo. Estava sendo prazeroso sentir a carne rija dele pulsando forte e afundando lentamente no meu cuzinho à medida que ia distendendo meus esfíncteres numa dor suportável.
- Posso meter tudo? – ele arfava, mal conseguia se conter, o frenesi o impelia a socar de uma vez o caralho todo naquele casulo úmido e apertado, ao mesmo tempo que temia me machucar.
- Acho que sim, pode! – respondi, ainda não distinguindo o que era dor e o que era prazer, tão fusionados estavam.
- Você é tão gostoso, Lucas! Seu cheiro, sua pele, a maciez úmida e quente do teu buraquinho, é tudo tão maravilhoso!
- Também estou gostando de sentir você dentro de mim, é a melhor coisa que já senti. – devolvi, sentindo meu próprio pinto duro como jamais esteve.
Fui me virando até ficar completamente de bruços, o Nico montado em mim, metendo sua carne rija num vaivém prazeroso no qual dava para sentir o sacão dele batendo no meu reguinho e os pelos pubianos roçando o entorno do meu cuzinho arreganhado. O prazer foi evoluindo num crescer constante até eu ter o meu primeiro orgasmo e, através de um ganido me escapulindo pelos lábios, começar a gozar liberando os jatos de porra sem controle. O Nico chegou quase ao mesmo tempo ao gozo, deu uma juntada firme em mim, meteu o pauzão até o talo no meu rabo, estremeceu e deixou o esperma leitoso eclodir feito um chafariz, me melando todo por dentro. Engatados, arfávamos de exaustão. Ele estava tão suado que a pele grudava na minha, enquanto fungava e chupava minha nuca. Permanecemos grudados até adormecermos, com o cacetão dele dando pinotes cada vez mais espaçados entre a minha mucosa que o encapava com firmeza.
Pela manhã ele me observava esperando eu acordar, apoiado num cotovelo e com um sorriso abobalhado naquela cara safada.
- Eu queria acordar assim todas as manhãs, vendo seu rosto tranquilo, ouvindo o sussurro da sua respiração, feliz por você ter me deixado entrar em você. – disse ele, quando abri os olhos.
- Você ficou meio bobão depois do que fizemos, sabia! – exclamei, admirando-o em toda sua sensualidade.
Ele foi se inclinando sobre mim, começamos a nos beijar demoradamente despertando também o tesão que arrepiava nossos corpos. Minutos depois ele estava novamente dentro de mim, dessa vez frente a frente, me encarando cheio de malícia, enquanto eu mantinha minhas pernas abertas flanqueando seu torso e deixando o pauzão dele atolar no meu cuzinho feito um bate-estacas. Vendo como eu me contorcia, gemendo e me agarrando aos seus bíceps ele acabou gozando primeiro. Ejaculadas abundantes foram precedidas por um urro gutural, fazendo a porra viscosa escorrer para o fundo do meu ânus, antes de eu mesmo sentir uma forte contração na pelve e esporrar sobre meu ventre. O quarto todo cheirava a sexo, àquele líquido de odor penetrante e alcalino que se espalhava por nossos corpos.
Assim que minha avó começou a nos chamar da cozinha para tomar café, nos metemos debaixo do chuveiro. Um olhava para o outro e começava a rir sem parar feito dois bobos que tinham descoberto a origem do pecado original. O Nico olhava para meus mamilos salientes, lambia-os, tocava as pontas dos dedos nos biquinhos intumescidos. Eu deslizava as mãos espalmadas sobre seu peito largo que transmitia virilidade e força. Ríamos sem motivo, ou talvez por todos eles. Ríamos de bobeira, tomados pelo êxtase. Ríamos da descoberta que fizemos. Ele levou uma das minhas mãos até seu falo empinado e eu o acariciei sentindo-o latejar e explorei delicadamente todo aquele equipamento que ele tinha entre as pernas e que havia me dado tanto prazer.
No início daquela tarde voltei para casa com meus pais, fim das férias, fim do mais significativo verão que já tive. Andei macambuzio por alguns dias sentindo a falta do Nico que agora doía mais que das outras vezes, até que a rotina foi dissipando esse sentimento e me envolvendo com outras coisas.
Por obra do destino e, depois de muitos acontecimentos, só voltei à casa do meu avô dez anos depois, que nesse interim havia enviuvado. Essa década havia mudado muita coisa naquela praia que outrora sempre foi tranquila, com poucos moradores e casas de veraneio. Eu agora vinha esporadicamente, apenas por alguns poucos dias em feriados prolongados, pois vivia assoberbado de trabalho na revista onde trabalhava, depois de me formar em jornalismo, capitaneando um pequeno time de colaboradores e de olho numa promoção para redator-chefe.
Em nenhuma dessas ocasiões consegui me reencontrar com o Nico. A avó dele também mal o via nos últimos tempos, e me revelou que ele viajava muito a trabalho e estava sempre muito ocupado, depois de ter concluído a faculdade de arquitetura.
- De todos os netos ele era o mais apegado a mim, agora nem se lembra que eu existo, preciso fazer uma dúzia de ligações para obter o retorno de uma, na qual ele está sempre apressado mal conseguindo falar algumas frases. – revelou-me a dona Alzira com uma expressão de pesar no rosto vincado.
- É assim mesmo, vó Alzira (eu a chamava de vó desde quando brincava com seus netos) os tempos agora são outros, passamos horas presos em nossos empregos, não sobra tempo para quase nada. – afirmei para consolá-la.
Recebi a ligação do meu avô a caminho do trabalho. Com uma voz agitada e ofegante pediu que o fosse visitar com urgência, encerrando a ligação antes que eu pudesse perguntar o porquê de tanta urgência. Como havia passado mal há questão de uns dois meses, tendo que ser levado às pressas ao pronto-socorro pelos vizinhos com dores no peito e falta de ar, dei meia volta e fui direto para o litoral. No trajeto fui avisando que me ausentaria por alguns dias trabalhando à distância e resolvendo as pendências mais urgentes. Por sorte eu contava com a minha assistente direta, super amiga e fiel escudeira, a Karol que conhecia minha vida tanto quanto eu próprio, sendo a única na empresa a saber que eu era gay. Depois do meu avô, ela foi a primeira pessoa com quem me abri revelando um segredo que vinha guardando desde aquela última noite das férias de verão de 2012. Também era ela a minha maior aliada nos conflitos que eu travava com o Renan, um sujeito machista e arrogante que se achava o maioral e competia comigo para ver quem seria o escolhido pela diretoria para ser o novo redator-chefe. Embora não tivesse nenhuma certeza, quando nos encontrávamos sozinhos num canto da redação, ele insinuava que eu era gay, me dava cantadas ofensivas e, dada a sua homofobia, me tinha mais do que um simples corrente no trabalho, mas como alguém que ele vigiava com afinco e sem descanso para confirmar suas suspeitas para me desmascarar diante de todos. Ninguém da equipe gostava dele, à exceção de três ou quatro capachos puxa-saco que ele usava como verdadeiros escravos.
- Fica sossegado, Lucas! Cuido de tudo por aqui! Eu bem que avisei que você estava precisando de férias, mas você nunca me ouve! Cuida do fofo do seu avô e vá me dando notícias. Diga a ele que o amo e estou com saudades. – disse a Karol antes de encerrar a ligação.
Dirigi feito um louco pela rodovia, nessas horas era bom ter um SUV possante que ia abrindo caminho pela imponência. Que ao final da jornada eu teria acumulado um rol de multas, era mais que certo. Mas tratava-se do meu avô, a pessoa mais importante da minha vida depois que perdi meus pais num acidente no inverno de 2012. No acesso estreito de faixa contínua à praia onde ficava o condomínio onde meu avô morava, um maluco numa dessas enormes motocicletas de alta cilindrada, começou a buzinar, a dar luz alta gesticulando para eu sair da frente, pois corria feito um louco. Era impossível dar passagem dado que nem acostamento havia naquele trecho sinuoso. O sujeito insistia, parecia tomado de um desespero maior que o meu em chegar ao seu destino, fosse lá onde quer que isso fosse. Puto com o sujeito, fiz sinal para ele passar por cima se fosse capaz. Não é que o doido varrido tentou a ultrapassagem apesar da faixa contínua. Quando estava emparelhado comigo despejando impropérios que felizmente não consegui ouvir, surgiu um veículo vindo em direção contrária não lhe dando tempo de completar a ultrapassagem com segurança. O outro motorista nem pensou em desviar veio com tudo e, espremido entre os dois veículos teve um dos espelhos retrovisores arrancados e quase perdeu o equilíbrio, fazendo a motocicleta ziguezaguear até ele conseguir recuperar o equilíbrio. Pensei que ele ia se estatelar todo, o que teria sido uma boa lição para aquele sem noção. Nem preciso dizer que ele nos xingava até a enésima geração gesticulando como um desvairado. Ele acelerou e sumiu de vista, mas por poucos instantes, pois o reencontrei entrando no condomínio do meu avô, onde seguiu junto comigo até a casa da dona Alzira.
- Onde foi que conseguiu sua carteira de motorista, se é que tem habilitação? – perguntou ele, enquanto tirava o capacete e me encarava soltando fogo pelas ventas.
- Eu é que pergunto! Não aprendeu as regras de trânsito, não sabe o que significa uma faixa amarela contínua pintada do chão? Deviam cassar a sua habilitação por colocar as pessoas em perigo! – afirmei, no mesmo tom de voz belicoso dele.
Por uns instantes ele focou em mim parecendo me reconhecer, embora eu não identificasse nenhum traço conhecido naquele sujeito que, preciso mencionar, era um verdadeiro pedaço de mau caminho. Um tesão de macho, grande, e que nem mesmo a calça e a jaqueta de couro conseguia esconder o tanto de músculos que havia debaixo delas; isso sem mencionar aquele rosto anguloso com a barba por fazer que lhe dava ao mesmo tempo um ar selvagem e viril.
- Não está me reconhecendo, não é? Esqueceu-se de tudo! É bem do seu feitio, virar as costas e partir sem se preocupar em se despedir. – afirmou ao me reconhecer.
- E deveria? Algumas pessoas faço questão de esquecer! – devolvi, crente que se tratava do Flavio, aquele neto entojado da dona Alzira que me azucrinava a vida na adolescência, uma vez que, examinando melhor, de todos os netos dela era o que mais poderia ter um corpão parrudo como o dele, pois já era assim anos atrás.
- É bom saber! Mas no momento estou sem tempo para discutir com você, tenha um excelente dia! – ironizou, seguindo até a porta de entrada da casa da avó.
Eu fiz o mesmo, corri até a entrada da casa e comecei a chamar pelo meu avô, pois na pressa de pegar a estrada não voltei para casa para pegar as chaves da casa. Ela estava trancada, dei a volta pelos fundos e continuei chamado cada vez mais aflito sem obter uma resposta. Na casa ao lado a cena se repetia, gritos chamando pela dona Alzira não obtinham retorno.
- Vovô! Vovô! Você está aí? Me responda, vô! – fui ficando cada vez mais desesperado, achando que ele podia estar caído e inconsciente.
Não demorei a perceber que o sujeito passava pela mesma aflição, seus chamados não eram atendidos e ele chegou a trepar no telhado da varanda para ver se conseguia abrir alguma janela do andar superior.
- Por que está nessa agonia toda? – perguntou-me ele, depois de não conseguir abrir nenhuma das janelas da casa ao lado.
- Meu avô! Ele me ligou há algumas horas, parecia estar passando mal. Há poucos meses foi parar no pronto-socorro com suspeita de ataque cardíaco, e agora não me responde. Será que ele enfartou e está lá dentro caído no chão. – respondi
- Minha avó também me ligou, disse que precisava falar comigo com urgência. Não disse do que se tratava, mas estava aflita e não parecia bem! Pode ter acontecido alguma coisa com ela também. – retrucou ele, deixando a desavença momentaneamente de lado. – Você não tem a chave da casa dele?
- Não! Esqueci de pegar na pressa de vir para cá!
- Quem é que, com um mínimo de juízo, não traz as chaves consigo? – murmurou ele
- E você, por que não destranca a porta da casa da sua avó? Ah! Já sei, porque também não têm as chaves, não é? – retruquei zangado.
Perdi a paciência, tinha que fazer alguma coisa, e lá estava ele, o capacete do sujeito pendurado no guidão da motocicleta. Sem hesitar, apossei-me dele e o atirei contra o vidro de uma das janelas da varanda que se espatifou todo e me permitiu entrar pelo buraco formado.
- Seu doido! – berrou ele. – O que pensa que está fazendo?
- Procurando pelo meu avô! Se você fosse mais inteligente faria o mesmo para encontrar sua avó! – devolvi
- Meu capacete, caralho! Você usou o meu capacete! – repetia ele
- Você não vai morrer por conta de um capacete! Antes por pilotar feito um maluco! Ficou só um uns arranhõezinhos! – afirmei.
Meu avô não estava na casa, o celular estava largado na mesa da cozinha, mas nem sinal dele. Eu já estava prestes a entrar no carro e sair à caça dele no pronto-socorro da cidade quando ele e a dona Alzira, lépidos e rindo, surgem no portão, carregando cadeiras de praia e o guarda-sol.
- O que está acontecendo aqui? Minha janela, o que fizeram com a minha janela? – perguntou meu avô quando nos viu alvoroçados.
- Onde foi que o senhor se enfiou, vovô? Quer me deixar maluco? Depois da sua ligação eu pensei que estava acontecendo algo de ruim! – respondi, correndo na direção dele e o abraçando
- Não seja dramático, Lucas! Eu estou bem, só com muitas saudades de você! Faz meses que não aprece.
- E a senhora, dona Alzira, o que deu em você, vovó para me ligar pedindo que viesse com urgência? Que urgência é essa? – questionou o sujeito, cobrando a avó
- Ora que urgência, a urgência em passar um tempo com meu neto! É pedir muito? Me sinto tão solitária, vocês me abandonaram, só pensam em si, nas suas carreiras! – disse a dona Alzira.
- Não me parece estar tão solitária e, muito menos abandonada! Que chantagem barata foi essa, vovó?
Estava na cara que aqueles dois tinham armado aquela situação, e nem se deram ao trabalho de negar quando os encurralamos no sofá da casa do meu avô cobrando explicações. Confesso que respirei aliviado sabendo que nada de ruim tinha acontecido, mesmo eu tendo passado por todo aquele sufoco. O sujeitinho parecia estar vivendo a mesma situação.
- Eu fiz aquele arroz de forno com frutos do mar que você tanto gosta, meu neto! Vamos todos lá para casa almoçar juntos e festejar que estejam aqui. – disse a dona Alzira, feliz pela tramoia deles ter sido bem sucedida. – Não é bom que o Lucas esteja de volta? Vocês também devem estar com saudades um do outro. - emendou
- Não faço questão alguma da presença dele! – rosnou o sujeitinho, à meia voz para não desgostar a avó, mas fazendo questão de eu ouvir.
- Sujeitinho arrogante! Por mim ficaria feliz em nunca mais ter que topar com a sua cara! – resmunguei. Eu nunca ia engolir esse Flavio, o cara mais entojado que já conheci, por mais tesudo que ele estivesse.
No trabalho o Renan estava se aproveitando a minha ausência para ganhar terreno rumo a chefia da redação, passando por cima da ética, da moral e do respeito com os colegas. Um dos maiores patrocinadores da revista anunciou que estava retirando sua publicidade da revista depois de uma malograda reunião na qual o Renan o deixou tão desgostoso e irritado que resolveu abandonar o patrocínio. Nem preciso dizer o quanto a direção ficou preocupada, uma vez que a conta de publicidade dele estava entre as cinco maiores da revista, e sua saída representava um golpe nas finanças. Fui eu quem conseguiu essa conta e o cliente sempre manteve uma ótima relação de confiança comigo. Quando minha assistente, Karol, ligou me informando da catástrofe, pedi que agendasse uma reunião virtual com o cliente para recuperarmos a conta.
Nessa mesma ligação, a Karol me informou que durante a última reunião de pauta, levantou-se a possibilidade de fazer uma matéria com um dos maiores expoentes mundiais da fotografia que acabara de ter uma exposição de seu trabalho em Nova Iorque na qual lhe seria concedido um dos mais importantes prêmios da fotografia mundial. Eu já havia ouvido falar dele, Carlos Brondi, era tido como uma pessoa avessa a conceder entrevistas, a se deixar fotografar, a aparecer nas mídias e de uma personalidade controversa e polêmica, devido ao fato de em certa ocasião um repórter de um canal de televisão ter sido extremamente invasivo, mesmo depois de ele ter se recusado a dar a entrevista. Em frente as câmeras, ele deu uns socos no repórter quando perdeu a paciência.
- Nossa revista concorrente está toda mobilizada para conseguir uma matéria com o Carlos Brondi, se eles conseguirem, será mais um duro golpe na revista e nossos empregos podem estar em risco. – disse a Karol.
- Vou dar um jeito nisso também, ainda não faço ideia de como, mas vou fazer! Diga a equipe para não entrar em pânico, vamos dar a volta por cima! – afirmei, para que o moral da equipe não caísse.
- Como, Lucas? Ninguém faz ideia de onde esse sujeito se esconde, ele até se recusou a receber o prêmio em Nova Iorque para não aparecer nas mídias. E, quem é que vai se atrever a tentar uma entrevista com ele, sabendo que pode acabar levando umas porradas? O cara que conseguir a proeza de encontrar esse sujeito e entrevistá-lo, deve estar para nascer. – argumentou ela.
- Pois escreva o que estou dizendo, seremos nós a fazermos uma matéria de capa com esse tal Carlos Brondi, seja lá em que canto do mundo ele estiver. – devolvi
- Conheço sua capacidade e persistência, meu amigo, mas dessa vez tenho que te alertar para não sonhar com o impossível! – retrucou. – E você como está, seu avô está melhor?
- Você não vai acreditar, Karol, ele literalmente me chantageou! Não está com nenhum problema de saúde. Disse na maior cara de pau que só estava com saudades e queria a minha companhia.
- Bem, isso é ótimo, não é? De qualquer forma, você estava mesmo precisando de umas férias, faz anos que não tira algumas.
- Que o vovô esteja bem é ótimo, com certeza. Mas no mesmo dia em que cheguei aqui me reencontrei com um dos netos da dona Alzira, um tal de Flavio, um sujeitinho que me aporrinhou todos os verões que passei aqui e que não mudou nada desde então, estamos tendo uma briga atrás da outra. – revelei. – Voltando ao assunto trabalho, quero que me mande tudo que encontrar sobre esse fotógrafo, Carlos Brondi. Onde foi visto pela última vez, os trabalhos que fez para a exposição em Nova Iorque e que lhe renderam o prêmio, enfim tudo que puder pesquisar, Ok?
- OK, chefinho! Mas continuou achando que uma matéria com ele não vai rolar. – devolveu ela.
- Ah! Mais uma coisa, compre um capacete de motociclista, o mais sofisticado que encontrar!
- Comprou uma moto? Para que precisa de um capacete? – perguntou incrédula
- É outro assunto que preciso resolver!
No final daquela semana a Karol me enviou por e-mail tudo o que havia encontrado na pesquisa sobre o fotógrafo. Também me revelou que o Renan estava deixando a redação maluca e, que uma matéria de moda de outro anunciante de peso corria o risco de não acontecer por ele estar boicotando todos os arranjos que eu já havia feito para essa matéria. Fiquei tão puto que entrei em contado com os diretores e pedi para que liberassem a Karol para vir me ajudar nessas questões. Dois dias depois, ela estava se hospedando conosco. Meu avô a conhecia pois já estivera outras vezes passando feriados prolongados conosco.
- Providenciei tudo que me pediu, mãos a obra, vamos desenrolar todos esses problemas! – disse ela, na manhã seguinte, quando estávamos tomando café na varanda pouco antes do neto da dona Alzira surgir com um amigo também numa motocicleta possante.
Ele nem se deu ao trabalho de nos cumprimentar ou apresentar o amigo, entrou em casa como se não existíssemos.
- Sujeitinho petulante! – rosnei
- Qual deles é neto da dona Alzira? São dois pedaços de mau caminho! Afffe, que chego a sentir calores onde não devia! – exclamou a Karol, maravilhada com a visão daqueles dois machos viris.
- O de bermuda cáqui! O que tem de tesudo, tem de arrogante! Sujeitinho grosso! – resmunguei, pois ambos estavam sem camisa com os peitorais enormes expostos.
- E o amigo, sabe se tem namorada? – perguntou ela, toda interessada naquele exemplar másculo.
- É o Betão, sei pouco a respeito dele. Encontrei-o no centro da vila umas duas vezes, é dono do bar mais badalado da região. Dizem que no verão o lugar é disputadíssimo e onde rola música ao vivo e uma galera bonita e endinheirada. Ao menos é bem mais simpático que o amigo arrogante. – respondi.
Como estávamos resolvendo as questões mais urgentes, o material que a Karol havia me enviado ficou no meu laptop por alguns dias sem eu o examinar. No entanto, quando voltamos a nos concentrar no tal fotógrafo polêmico, uma das fotografias, em branco e preto, que fez parte da exposição em Nova Iorque me chamou a atenção.
- Não pode ser! – exclamei, no mesmo instante em que uma descarga de adrenalina percorria meu corpo.
- O que foi que aconteceu? – perguntou a Karol, sem entender nada.
- Essa fotografia! Eu sei quem tirou essa fotografia! Não pode ser! Todo esse tempo eu .... – não consegui concluir a frase de tão desconcertado que estava.
- O que tem a fotografia? Quem a tirou nós já sabemos, o Carlos Brondi, onde está a novidade? – questionou ela. – Nem é a mais bonita da coleção!
Tratava-se de uma fotografia feita ao entardecer, um garoto adolescente estava sentado na proa de uma canoa de pescadores enfileirada com mais algumas numa faixa de areia ao lado de um rochedo. Quase encostado nele havia pousado um cormorão sobre a borda da canoa. Não dava para identificar o rosto do garoto nem do pescador que estava parado próximo a canoa, enrolando uma rede de pesca, pois ambos estavam contra a luz e a sombra não deixava identificar os traços de ambos.
- Sou eu! Foi ele! – balbuciei emocionado.
- Você não está falando coisa com coisa, Lucas! - exclamou a Karol.
- Preciso resolver uma coisa urgente! – afirmei, correndo em direção a casa da dona Alzira.
- Oi Lucas! Que bom que está aqui, estou preparando o jantar e quero que você, seu avô e sua amiga venham jantar conosco. – disse ela, sem que eu prestasse atenção no que dizia.
- Vovó Alzira, seu neto está em casa? É urgente!
- O que aconteceu, Lucas, para você estar nessa agonia? – no mesmo instante em que ela vinha da cozinha na minha direção, notei a mesma fotografia pendurada entre outras tantas na parede do corredor. O ar começava a me faltar.
- Essa foto!
- O que tem essa foto? É você na canoa, foi o Nico quem tirou! Você deve se lembrar. – disse ela, me apontando na imagem. – Ele está lá em cima, no quarto dele, o que tem de tão urgente para conversar com ele? Não vão começar a brigar de novo, não é Lucas, desde que chegaram aqui não tem feito outra coisa!
- Não! Não vou brigar, juro! – respondi, correndo escada acima.
Ele havia saído do banho, terminava de secar os cabelos com a toalha nas mãos e ainda não havia se vestido, estava sedutoramente nu em todo seu esplendor. Fiquei paralisado na porta que havia aberto de supetão sem bater.
- O que faz aqui? Não te ensinaram a bater na porta? – perguntou, cobrindo o sexo enorme que pendia entre suas coxas musculosas. De tão absorto que estava, não consegui articular sequer uma palavra. – Vai dizer a que veio, ou vai ficar aí parado me espionando? – indagou zangado
- Nico! – quase nem eu mesmo consegui ouvir minha voz.
- Finalmente me reconheceu! Já é uma evolução! Precisou de uma semana para isso, o que prova que se esqueceu de tudo, que o passado não teve nenhuma importância para você. Sua vida deve ser tão glamorosa e cheia de eventos que não cabem recordações nela. – continuou falando.
- Nico! – repeti, sem perceber, apenas admirando aquele homem lindo no qual se transformou o meu amigo de infância, o menino que me defendia dos outros, o garotão que, ao me desvirginar, me fez descobrir minha sexualidade, se transformando na única e maior paixão da minha vida.
- Vai ficar aí repetindo meu nome feito um toca-discos emperrado?
- Nico, eu ... eu ... – os pensamentos fugiram. – Eu ... eu ... eu pensei que fosse o Flavio, o corpo atlético, a barba, não parecia ser você!
- Pois é, mas sou! Esqueceu de tudo em mim! Eu achando que jamais se esqueceria de mim, que tolo idiota! – despejou, ainda zangado pelo meu engano. – Se interessa saber, o Flavio não tem mais nada de atlético, está gordo, casado, com dois filhos e uma mulher que é um verdadeiro entojo. – revelou.
- Nunca me esqueci de você! Como poderia?
- Para quem levou uma semana para se dar conta de quem eu era, não sei se dá para acreditar nos que diz.
- Você não facilitou as coisas! Por que não me disse quem era? Ainda por cima, começou a agir feito o seu primo. – argumentei
- Porque você já chegou aqui todo posudo, quase me atropelando na estrada, detonando minha moto e meu capacete. Para que eu ia perder meu tempo dando explicações! – revidou ele, numa altercação que já ia ganhando contornos de outra briga.
- Não vou brigar com você, nem gastar minha saliva com um sujeito que nem conheço mais de tanto que se transformou. – exclamei, deixando-o falando com as paredes.
- E então Lucas, conseguiu resolver o que tinha de tão urgente com o Nico? – perguntou-me a dona Alzira quando passei por ela feito um raio
- Seu neto é insuportável! Insuportável, sabia? – rosnei
- O que deu em vocês dois que não podem ficar juntos cinco minutos sem começar a brigar? Vocês eram tão amigos quando crianças! – retorquiu ela.
- Nunca fui amigo desse almofadinha deslumbrado! – exclamou o Nico ao descer as escadas.
- Muito menos eu! – declarei, antes de voltar para junto da Karol.
- E eu achando que íamos conseguir juntar esses dois! – ouvi a dona Alzira afirmar, ao sair porta afora.
Quando a Karol me viu chegando bufando feito um touro bravio, já sacou que minha incursão à casa vizinha tinha dado merda.
- Aquele sujeitinho é intragável! Só para você saber, agora fodeu de vez! Petulante! Grosso! Machão metido! – despejei irado.
- Quem, o tal neto da dona Alzira? Aquele que te aporrinhava quando adolescente? Ao que parece o que você tinha de tão urgente para resolver, não deu certo.
- Deu é foi uma grande merda! Acabo de ter mais uma briga com o Carlos Brondi. A entrevista já era, podemos esquecer! – revelei
- Como assim o Carlos Brondi? Senta aí, Lucas e me conta essa história, pois estou toda perdida.
- O sujeitinho, o cara com quem venho discutindo desde que cheguei aqui é Carlos Brondi, o neto da dona Alzira, que me .... (quase solto – que me desvirginou); bem, isso agora já não importa mais, o que eu confundi com o primo dele, Flavio, que enchia meu saco na adolescência.
- Confundiu?
- É confundi! Como é que eu podia saber que aquele garotão gentil e maravilhoso, virou um traste igualzinho ao primo? Como deixei de perceber? Logo ele que jamais saiu .... – eu ainda não estava preparado para confessar meu passado com o Nico.
- Traste já é pesado, meu amigo! O cara é um tesão de homem! Será que não é exatamente isso que está te deixando tão bolado com ele?
- Claro que não sua maluca! Eu sou lá de me deixar intimidar por homem? Nunca, jamais! – a Karol começou a rir, enquanto eu espumava de raiva. – E não se atreva a dizer mais nada, ou vai sobrar para você!
A Karol e o Betão criaram uma sintonia desde o momento em que foram apresentados, e a coisa estava ganhando força, tanto que ela não parava de falar nele e ficou me azucrinando para irmos até o bar dele para que pudessem flertar com algum pretexto.
- Pensa bem, Lucas! Você não disse que o Carlos vive se encontrando com o amigo, é a oportunidade que precisamos para nos aproximar dele e reverter essa situação belicosa entre vocês dois. O Betão pode nos ajudar nisso se explicarmos nosso problema. – argumentou
- O que te leva a pensar que ele vai nos ajudar, traindo a confiança de um amigo de longa data?
- Deixa que disso eu me encarrego! – exclamou, dando um sorriso malicioso.
Fomos ao centro da cidade onde acontecia o burburinho nas ruazinhas onde se concentravam os restaurantes, lojas, bares e pontos de encontro da galera boêmia. O Betão nos recebeu com um abraço acalorado, não distinguindo o da Karol do meu. Eu tinha para mim que o safado sentia o mesmo tesão por ambos, pela maneira como me abraçava toda vez que nos encontrávamos; uma pegada forte, máscula que, a um só tempo servia para sentir a sensualidade dos nossos corpos. Conforme previsto pela Karol, ele topou nos ajudar, sabendo que isso o ajudaria a levar a Karol para a cama bem antes do que ele imaginava.
Assim que o Nico chegou, fechou a cara para mim e fingiu que eu não existia. Passamos horas sentados lado a lado sem nos falarmos, feito duas crianças birrentas, cada um esperando o outro ceder. Percebi que teria que ser eu a passar por cima do meu orgulho se quisesse aquela matéria com ele, e dei o braço a torcer. Revoltado, é certo, mas dei. Não deu outra, ele logo foi se achando vitorioso naquela batalha sem sentido.
- O Lucas precisa fazer uma matéria com você para a revista onde trabalha, que tal você o levar para alguns dos lugares mais bonitos da região para servirem de fundo para as fotografias para a matéria? Você conhece tudo por aqui tão bem quanto eu, e bem, eu estou um bocado atarefado para fazer isso! – sugeriu o Betão, querendo um tempo a sós com a Karol.
- Não quero publicidade em torno da minha pessoa! Fotografias, nem pensar! – respondeu carrancudo o Nico, fechando a questão.
- Não seria exatamente sobre você! Estamos a um passo de perder um grande patrocinador devido a uma cagada que o Renan, um adversário do Lucas, fez durante uma reunião e que o levou a querer desistir da publicidade na revista. Precisamos recuperar esse cliente. – esclareceu a Karol.
- E por que precisam de mim, então?
- Você poderia fazer as fotografias para a matéria! – afirmou o Betão
- Bem, isso eu até posso fazer, como um favor especial! No entanto, só os créditos pelas fotografias devem aparecer na matéria, sem mencionar mais absolutamente nada a meu respeito. – ordenou o Nico.
- Qual a razão de você se esconder tanto, do que tem medo? Por que insiste no anonimato sendo tão talentoso? – perguntei.
- Tenho minhas razões! É pessoal e não negociável, basta que saiba disso!
No dia seguinte o Nico me levou a alguns lugares que poderiam servir de cenário para a matéria. Havia lugares lindos na região que eu, quando frequentava a casa dos meus avós, não cheguei a conhecer. Gostei particularmente do farol, uma construção antiga na ponta de um rochedo que avançava em direção ao mar. O Nico ainda não estava falando comigo, a cara emburrada desestimulava qualquer tentativa de abordagem, ficamos ambos calados. Sem ele perceber, tirei algumas fotos dele distraído e absorto entre as pedras observando o horizonte. A luz de fundo o deixava sexy, mexia com as minhas lembranças, atiçava meu corpo e deixava meu cuzinho sonhando com o pauzão potente dele como naquela noite maravilhosa que passamos juntos. Também notei que ele me observava de canto de olho, disfarçando para não ser flagrado, e talvez sentindo a mesma saudade daquela noite onde me teve por inteiro.
A caminho de outro lugar, ele começou a correr pela estrada que contornava as colinas e margeava as praias numa velocidade assustadora. A motocicleta se inclinava obrigando a me agarrar a ele para não cair.
- Para essa moto, eu quero descer! Para, Nico! – ele continuou forçando a barra, acelerando e fazendo manobras arriscadas. Entrei em desespero e comecei a gritar mandando-o parar enquanto socava suas costas.
- Ficou doido, por que está me esmurrando, seu cagão medroso! Ficou com medinho, foi? Antigamente você não era tão fresquinho! – disse ele, enquanto eu me recuperava do pavor.
- Sim, eu tenho medo! Qual o problema disso? Pode ir embora, não subo mais nessa coisa! Não preciso de mais nada de você!
- Deixa de bobagem, quase ninguém passa por aqui fora da temporada, não vai encontrar carona para a cidade, seu medroso! Só me falta começar a chorar por uma besteira dessas! – exclamou ao notar que meus olhos se enchiam de lágrimas.
- No inverno daquele ano em que nos vimos pela última vez eu perdi meus pais. Íamos comemorar o aniversário da minha mãe num jantar familiar, mas eu passei mal durante a tarde com um princípio de gripe e não fui com eles. Como estavam só em dois, meu pai foi de motocicleta e, na volta, sob uma garoa fina, um motorista embriagado os atingiu em cheio. Desde então tenho medo de motocicletas, de velocidade, de malucos irresponsáveis feito você! – revelei, deixando-o estarrecido.
- Desculpa, eu não sabia! Sinto muito! Prometo que não vou brincar mais. – afirmou sentido
- Por que está brigando tanto comigo, Nico? O que foi que eu te fiz?
- Foi embora sem se despedir, nunca mais voltou ou deu notícias. Parece que o que houve entre nós nunca teve importância para você, nem ao menos me reconheceu dias atrás. O que devo pensar, que aquela noite não representou nada para você.
- Eu acabei de explicar por que nunca mais voltei para cá. Com a morte dos meus pais tive que ir morar com minha tia. Nós éramos adolescentes, eu não pensava em você como um parceiro, mas como um amigo, até porque só descobri minha sexualidade naquela noite. Naquela idade o que poderíamos ter feito, éramos imaturos, não tínhamos como nos sustentar, éramos totalmente dependentes. Nesse contexto que relacionamento se sustentaria? E você, por que nunca me procurou, nem quando soube pela sua avó que eu voltei a visitar meu avô regularmente. Faz dois anos que o visito e você nunca me procurou.
- Um ano depois daquele verão nos mudamos para a Argentina por conta do trabalho do meu pai. Dois anos depois eles se divorciaram e encontraram novos parceiros. Eu pensava em você o tempo todo, o que estava fazendo, com quem estava andando, se estava com outro cara, se ainda se lembrava de mim. Quando terminei a faculdade cada um foi para seu lado, a família se desfez. Rodei o mundo a trabalho antes de voltar para cá e fincar raízes. – revelou.
Após essas revelações ficou claro que todos aqueles anos sem contato tiveram motivos relevantes para terem acontecido, de ambas as partes. O que ficou evidente naquele momento no qual cada um se abriu na maior sinceridade, e na troca de olhares, foi que aquele amor adolescente ainda residia em nossos corações, só precisava ser trazido à tona e admitido.
Havia anoitecido quando terminamos de fazer um lanche na loja de conveniência e café de um posto de combustíveis na beira da estrada, de cujas mesas cobertas por guarda-sóis no deque ao ar livre avistava-se um píer todo iluminado avançando sobre o mar. O Nico me levou até ele, ficamos em silêncio por um tempo, olhando a lua debruçada sobre as águas escuras formando um reflexo prateado. Estávamos a um passo um do outro, mas parecia haver todo um oceano a nos separar, algo que doía no fundo do coração.
Num rompante, empurrei-o do píer e ele caiu no mar. Pulei em seguida para junto dele achando que isso quebraria aquela barreira que persistia em não cair por si mesma. O Nico ficou furioso debatendo-se na água fria e nadando em direção a uma das colunas do píer para o escalar.
- Pirou, foi? Seu maluco sem noção! – berrou exaltado e zangado
- Vai me dizer que não consegue reconhecer uma brincadeira? – questionei
- Brincadeira? Brincadeira estúpida e inconsequente, você quer dizer! – ele espumava de raiva, sem eu ver razão para tanto. – Sabe o que acabou de fazer, seu doido? Meu celular e as chaves da motocicleta estão lá no fundo, e eu estou tentado a enfiar essa sua cabeça oca dentro da água até você as encontrar nessa escuridão. – despejou.
- Foi sem querer! – retruquei arrependido e por não ter imaginado que ele estava com as chaves e o celular nos bolsos e não na motocicleta.
- Sem querer o escambau! Você me empurrou, deliberadamente! Ah, o que eu não daria para poder te esganar agora, seu ... seu ... seu veadinho petulante!
- Desculpa! E o que vamos fazer agora? Se acha que é tão mais maduro do que eu, me diga o que vamos fazer para voltar para casa.
- Vamos a pé! Ou você acha que alguém vai passar por aqui a uma hora dessas?
- A pé? São pelo menos seis quilômetros! – exclamei, ciente de que tinha feito uma cagada.
- É nisso que dá quando essa cabeça oca não pensa nas consequências de seus atos! Caralho, Lucas, só não te dou umas porradas porque preciso guardar minhas forças para empurrar essa moto até em casa. Mas, não pense que isso vai ficar barato! – ameaçou.
Ele veio resmungando e xingando o caminho todo. Quando tentei ajudá-lo a empurrar a motocicleta pesada ele me mandou tirar as mãos e ficar longe dela, alegando que eu ia acabar fazendo mais besteira. Fiquei puto por ele estar me tratando como se eu fosse um completo imbecil, e caminhei ao lado dele sem abrir mais a boca. Quem ele pensa que é, o maior sabichão desse mundo?
Quando chegamos em casa a Karol e o Betão estavam à nossa espera na varanda, aflitos e ao mesmo tempo esperançosos com nossa demora, pois aventaram a hipótese do Nico e eu termos feito as pazes e deixado o tesão rolar solto. No entanto, bastou verem nossas caras para entender que tudo havia dado errado, e não seria dessa vez que íamos nos entender.
- A partir de agora trate de ficar bem longe de mim, está me ouvindo? Nem se atreva a chegar perto! Toda vez é a mesma coisa, algo dá errado e eu é quem me ferro! Fica longe! – berrou ele raivoso.
O Nico e o Betão seguiram para a casa da avó dele, com ele relatando o ocorrido e me culpando de tudo. Eu e a Karol entramos em casa e não parei de reclamar do mau humor dele.
- Eu queria entender o que se passa com você, Lucas! Ao invés de ficar numa boa com o Nico, sabendo que disso depende sua promoção a redator-chefe, cada encontro de vocês se transforma num completo desastre. – acusou-me ela
- É ele! É tudo culpa dele! É ele que é intragável! – incriminei-o
- E você não fica atrás! Desde que o reencontrou só faz arrumar confusão! – mandei-a à merda. Foi mais um dia onde tudo acabou dando errado, como se já não me bastasse a pressão do trabalho, o mau caráter do Renan tentando puxar meu tapete, a promoção em risco.
Estranhei quando dias depois meu avô quis que eu fosse buscar uma encomenda que havia feito na livraria da cidade, pois ele tinha o hábito de não delegar tarefas. Fui com a Karol que logo se prontificou a me acompanhar, pois andava com a boceta toda assanhada para o lado do Betão, não perdendo nenhuma chance de ficar algum tempinho com ele. Fui logo avisando que não íamos ficar no bar do Betão, correndo o risco de nos encontrarmos com o Nico, uma vez que ele vivia por lá ajudando e trocando confidências com o amigo. O que eu não sabia, era que a dona Alzira também pediu um favor ao Nico, mandando-o para uma loja de conveniência que ficava a poucos metros da livraria. Ela e meu avô armaram novamente para nos conciliar sem que desconfiássemos.
Tomamos um sorvete nas mesinhas da calçada enquanto resolvíamos algumas questões da revista durante uma videochamada com a equipe na redação. Ao terminarmos a reunião virtual a Karol disparou em direção ao bar o Betão que ficava algumas dezenas de metros adiante na praça do final da rua. Enquanto esperava pelo retorno dela, fui abordado por dois sujeitos metidos a conquistadores baratos, embora fossem homens que atrairiam qualquer garota com seus físicos atléticos e bronzeados. Sentaram-se simplesmente a minha frente sem pedir licença, começaram a me passar cantadas que mais soavam como provocações ao me proporem uma suruba a três.
- Se der uma olhada por baixo da mesa vai ver o que tenho aqui, duro e babando, esperando por esses lábios carnudos. – disse um deles.
- Sacamos que uma bunda gostosa como a sua só pode ser de um gay. Que tal você liberar o cuzinho para as nossas rolas e nos fazer uns boquetes? Estamos há dias acumulando leitinho para você! – acrescentou o outro.
- Cafajestes! Não me lembro de tê-los convidado a sentar! Deem o fora! – ordenei ultrajado. Ambos riram, fizeram questão de manipular os cacetes numa provocação explícita.
Fechei o laptop, juntei minhas coisas e segui na direção do bar do Betão. Eles vieram atrás de mim, um deles me puxou pelo braço enquanto o outro fechou a mãozona nas minhas nádegas, caçoando e exaltando o volume avantajado delas. Continuei caminhando num passo mais apressado para me livrar do assédio, mas encurralado entre os corpos parrudos deles, um deles tentou me beijar, enquanto o outro levava minha mão até seu sexo. Eu era avesso a brigas, mas eles pediram. Sofri bullying desde muito jovem, como sabem, inclusive do Flavio primo do Nico, porém não só dele, o que me levou a aprender judô. A ocasião se mostrou propícia e com um golpe ashi-waza derrubei o que queria que eu pegasse no caralho dele. Já o que estava bolinando minhas nádegas foi lançado ao chão com um o soto-gari dando início a uma briga em plena rua, pois ambos voltaram a me agredir. A confusão levou o Nico a se meter na briga para me defender, pois desde que os dois sujeitos começaram a me abordar ele ficou de olho neles, num misto de ciúme por estarem me passando cantadas e por serem machos atraentes. O Nico estar ali a poucos metros na mesma hora que os sujeitos resolveram mexer comigo não era nenhuma coincidência, mas um plano arquitetado pelo meu avô que os aliciou e a dona Alzira, ambos querendo juntar definitivamente os netos que não estavam conseguindo chegar a um acordo. Com a entrada do Nico na briga, a confusão se generalizou, a polícia foi chamada e fomos todos parar na delegacia. Ninguém conseguiu convencer o delegado da inocência e acabamos sendo levados para as celas; os dois sujeitos todos estropiados pelos meus golpes de judô e pelos socos do Nico numa e, ele e eu na que ficava ao lado.
- Está contente agora? É a primeira vez que entro numa cela de cadeia, tudo graças a você! – vociferou o Nico
- Eu também nunca estive preso, mas por sua culpa agora sei como é uma cadeia! – devolvi belicoso. – Se não tivesse se metido onde não foi chamado não estaríamos aqui! - acusei
- Ah, a culpa agora é minha, claro! Quando é que tudo que acontece de ruim não é por culpa minha, hein? – questionou ele zangado. – Eu só quis te defender daqueles sujeitos, seu mal-agradecido!
- Não preciso que ninguém me defenda, sei fazer isso sozinho! – exclamei. – Não foi você quem me pediu para eu ficar longe de você, por que veio se meter nos meus assuntos?
- Porque não quis que eles te machucassem, seu veadinho cabeça dura! – revidou ele
- Pois agora sou eu quem te peço que fique longe de mim! Valentão! Olhe onde vim parar por causa das tuas boas intenções!
Enquanto as horas passavam e nós dois não parávamos de nos acusar mutuamente, o Betão explicava ao delegado, um amigo dele dos tempos de colégio, que aquilo foi resultado da armação de nossos avós tentando fazer com que eu e o Nico ficássemos juntos como na paixão iniciada na adolescência.
- Os dois sujeitos prestaram queixa por agressão, estão estropiados enquanto seu amigo e o namorado dele não tem sequer um arranhão. Não posso simplesmente fingir que a agressão não aconteceu. – disse o delegado ao Betão e à Karol antes de tomar o depoimento dos dois sujeitos que acabaram confessando ter me provocado a pedido do meu avô, que segundo um deles, um cara que devia alguns favores ao meu avô, só topou a armação porque supostamente não envolveria nenhum risco ou consequência.
- Não fazíamos ideia de que o neto dele dominava artes marciais. Aquela carinha de moleque indefeso e aquele corpão sensual, quem imaginaria pudesse ser tão violento? Retiramos a queixa se nos liberar. – propôs o que estava com a cara mais desfigurada pelo inchaço.
- Testemunhas que presenciaram a agressões disseram que vocês insultaram e assediaram o rapaz com expressões homofóbicas e, para que aprendam a lição, vão passar a noite aqui, refletindo sobre a besteira que fizeram. Eu os podia enquadrar no crime de homofobia. Só não o faço por tudo não ter passado de uma armação do avô do rapaz. – sentenciou o delegado.
O Nico e eu ouvimos a mesma justificativa para continuarmos trancafiados, eu me revoltei e ia questionar a decisão, mas o Nico me encarou com uma olhada furiosa enquanto esmagava meu braço, me convencendo a ficar de boca fechada para não complicar ainda mais as coisas para o nosso lado.
No avançar da noite com a barriga roncando de fome, o corpo todo moído e suado, fui me reclinando sobre o ombro do Nico onde adormeci acalentado pelo calor que vinha do corpão dele recostado na parede da cela. Fazia tempo que não dormia um sono tão relaxado e seguro.
Ao amanhecer fomos liberados. Um mal olhava para o outro, e as poucas frases que trocamos foram rosnados de revolta.
- Vai subir na moto ou vai ficar aí esperando seu príncipe encantado vir te resgatar? – perguntou ele, ao subir na motocicleta que o Betão havia trazido até a delegacia.
- Grosso! – rosnei. – Meu príncipe encantado virou sapo! – resmunguei à meia voz. Por que eu sempre tinha a impressão de ele estar com a razão, aquele sujeitinho arrogante?
Chegando em casa tivemos uma discussão acalorada com nossos avós.
- Vocês precisam parar com essas armações! Entendam de uma vez por todas que não somos mais amigos, nunca fomos e jamais seremos, muito menos vamos nos apaixonar um pelo outro como vocês estão sonhando. – dissemos com toda firmeza e obstinação. Meu avô e a dona Alzira se entreolharam numa cumplicidade irritante, fingiram acatar nossa ordem e disfarçaram um risinho que estava lá, escondido atrás da cara de pau deles, se divertindo com a situação embaraçosa em que nos meteram.
- Eles vão se entender, falta pouco! – sussurram a uma só voz
- Vovô! – exclamei exaltado.
- Vovó! – exclamou o Nico.
Meu avô que cozinhava muito bem, preparou um jantar especial naquela noite como uma espécie de pedido de desculpas por seu plano de nos unir acabar nos colocando na cadeia; chamando a vizinha e o neto para se juntarem a nós. Até o Betão entrou na dança, já que seu interesse pela Karol não era mais segredo para ninguém. Eu, inclusive, tinha certeza que os dois andavam trepando a torto e direito. O prato principal do jantar, uma paella de frutos do mar, o prato predileto do Nico, fora elaborado exatamente para que ele não recusasse o convite e para servir de desculpa pela enrascada na qual o meteu. Foi uma noite agradável na varanda dos fundos, na qual o ar morno do dia e uma brisa leve vinda do mar convidavam a contemplar o céu estrelado onde uma lua em crescente reinava soberana.
Após o jantar e a sobremesa nossos avós foram se recolher, dormiam cedo. O Betão e a Karol se prontificaram a lavar a louça e arrumar a cozinha por onde parecia haver passado um furacão. Constrangidos, Nico e eu ficamos um tempo sentados ao redor da mesa sem saber como começar uma conversa, até ele me chamar para uma caminhada na praia.
- Seu avô é maluco! – começou ele, quando chutávamos a areia fofa e ainda quente ao iniciarmos a caminhada. – Aliás, nossos avós são malucos. Onde já se viu convencer dois sujeitos feito aqueles para darem em cima de você bem debaixo das minhas barbas. – continuou, achando graça da situação.
- Ficou com ciúme? – perguntei
- Eu? Tem cabimento! Daqueles caras saradões? – desdenhou. – Claro que fiquei, porra do caralho! O sujeito encheu a mão na sua bunda, desgraçado! Eu tinha que arrebentar a fuça dele! – afirmou revoltado.
- Dei uma lição naqueles dois babacas, não foi? Não permito que qualquer um tome liberdades comigo! – devolvi
- Foi, deu sim! – exclamou rindo. – Eles não esperavam por uma reação tão violenta, nem mesmo eu, quando seus golpes os colocaram a nocaute. Onde aprendeu aqueles golpes? – quis saber.
- Frequentei uma academia de judô e jiu-jitsu desde garoto, quando resolvi botar um fim no bullying que sofria na escola. – esclareci.
- Por que nunca me contou que sabia se defender tão bem assim?
- Não precisei! Você fazia isso por mim e eu adorava! – confessei. – Quando você entrou na briga dando porradas naqueles dois eu senti saudades do tempo em que você peitava seus primos em minha defesa.
- Ainda se lembra disso? – indagou, um tanto quanto surpreso.
- Nunca me esqueci de nada do que tivemos juntos, ao contrário do que você vive afirmando, especialmente da noite daquele último verão. – ele parou de caminhar e se virou de frente para mim.
- Nem eu! Desde então vivo sonhando com outra noite como aquela, em te ter em meus braços, em me alojar dentro de você! – afirmou, tomando uma das minhas mãos entre as dele e fazendo meu coração disparar.
- Ainda coleciona mangás? Você era fissurado neles, nos dias de chuva quando não dava para ir à praia você os ficava lendo com a cabeça apoiada no meu colo. - rememorei saudoso
- Você lembra? – perguntou, feliz por constatar que não havia me esquecido dele. – E você, ainda tem o costume de ficar catando pedrinhas de formato talhado e conchas que encontra pelo caminho? – provando que nem ele havia se esquecido de pequenos detalhes do nosso convívio.
- Parecia uma coisa boba, não é, juntar pedrinhas e conchas? Eu as datava e colocava num dos grandes recipientes de vidro que minha avó usava para estocar as conservas de frutas e vegetais que fazia. Nem imagino o fim que aquele vidro levou, nunca mais o vi. – não confessei, mas cada uma daquelas pedrinhas e conchas guardavam os melhores momentos da minha vida, quando o Nico fazia parte dela.
Ele levou a mão que segurava até seu peito, me encarou fazendo meu corpo se arrepiar todo. Trouxe-me lentamente para junto dele e fez o beijo acontecer. A emoção que senti naquele instante trouxe de volta aquela paixão adormecida, aquele tesão que fazia uma onda de eletricidade percorrer minha coluna. Suas mãos foram se apossando de mim durante o beijo que se acalorava, entraram debaixo da minha camiseta, percorriam minhas costas, deslizavam sobre meus mamilos que projetavam seus biquinhos rijos e excitados, afundaram no meu short e amassaram minhas nádegas quentes com volúpia.
- Nico! – suspirei, com o desejo carnal à flor da pele.
- Lucas! – ronronou ele, capturando meus lábios entre os dentes.
Apesar da praia deserta àquela hora, a prudência nos levou a não consumar o tesão que nos incendiava ali mesmo entre a areia fofa e as marolas com cristas de espuma branca que vinham lamber a praia. Uma noite na cadeia já bastava para não arriscarmos a sorte, transando sob o céu.
- Vem comigo, quero te mostrar uma coisa. – disse ele, quando, a muito contragosto, parou de bolinar a carne roliça e firme das minhas nádegas.
Ele me levou até próximo ao centro da cidade, após pegarmos a motocicleta na casa da dona Alzira. Entramos numa casa que já havia despertado minha curiosidade pelo estilo arquitetônico arrojado que destoava das demais. O interior era tão moderno e arrojado quanto a fachada, com espaços amplos e minimalistas e iluminados.
- É sua? – perguntei
- Sim! Construí quando voltei ao Brasil e me estabeleci em definitivo por aqui.
- Por que não foi morar com sua avó? Pensei que estava morando com ela.
- Quis ter meu próprio espaço! Ademais, estou perto dela se ela precisar. – esclareceu, ficando a me observar admirando os detalhes da casa. – Acabou que precisei abrigar um hóspede que, pelo visto, não tem a menor intenção de sair daqui, o Betão.
- O Betão, por quê?
- A ex-mulher o espoliou durante o divórcio litigioso e turbulento. Ficaram casados menos de cinco anos, ela o traiu e tratou de levar o máximo de bens que conseguiu, deixando-o numa situação difícil, arruinado. Perdeu a casa que foi à leilão e teria perdido o bar se eu não tivesse entrado de sócio, pois ficou completamente descapitalizado. Desde então ele mora aqui e reluta em abrir mão do quarto que tem lá em cima. Às vezes tenho a impressão que é ele o dono da casa, pois se apossou de tudo, desde a cozinha até a rotina de cuidados e manutenção, isso sem mencionar quando me expulsa para poder trazer as garotas com quem trepa. – revelou
- Então a Karol já deve conhecer esse lugar melhor do que eu! – exclamei jocoso
- Com certeza! Mas esse lugar foi construído pensando em você, vivendo ao meu lado! – afirmou, antes de se dirigir até umas prateleiras numa das paredes da sala, e tirar de cima dela, o vidro no qual eu guardava as pedrinhas e conchas, entregando-o em minhas mãos. Senti a visão se embaçando quando meus olhos se umedeceram.
- Você o guardou! – balbuciei emocionado
- Estão todas aí, com as respectivas datas em que as juntou. Vai ver que acrescentei mais algumas dos lugares por onde passei mundo afora e sentia um vazio no peito querendo que você estivesse junto comigo. – soltei as pedrinhas que tinha nas mãos e fui até ele, afaguei seu rosto e o beijei cheio de ternura.
Quando chegamos ao quarto no andar superior, eu já estava nu, sentindo a ereção dele roçar minha bunda e seus chupões marcando a pele da nuca. Deixei-me cair sobre a cama larga enquanto ele se livrava da bermuda fazendo saltar o imenso caralhão grosso que parecia ter dobrado de tamanho desde quando me desvirginou. Ele foi se deitando devagar sobre mim, encaixando-se em meus braços e deixando-se acariciar enquanto me beijava numa gula desenfreada, enfiando a língua na minha garganta, onde eu a chupava sentindo o sabor másculo de sua saliva. As mãos deslizavam sobre minha nudez, uma afundou no meu rego e foi vasculhar as pregas do meu cuzinho. Eu respirava acelerado, meu corpo queimava, a pele arrepiava em contato com a dele. Eu tateava sobre seus músculos rijos e enormes, sentindo o tesão com o qual investia sobre mim. Ele girou até eu ficar por cima dele e suas mãos poderem amassar minha bunda com mais avidez. Fui descendo meus beijos sobre o tronco maciço dele, contornando com beijos molhados e lambidas o umbigo peludo, o que o fez suspirar. As pontas dos meus dedos precediam o caminho até a virilha dele, seguidas dos beijinhos em toques quase imperceptíveis, depositados sobre a glande arroxeada do pesado cacetão que envolvi na palma da mão sentindo a potência das pulsações, que o mantinham rijo feito uma barra de ferro. Assim que o pré-gozo começou a minar, fui lambendo e sorvendo o visgo salgado cheirando a macho.
O Nico grunhia, se contorcia, deixava-se chupar pelos meus lábios quentes e gulosos. Percorri diversas vezes, com lambidas e chupadas, todo trajeto da glande ao gigantesco sacão peludo onde meus dedos brincavam com as bolonas borrachóides. Ele não fazia mais que ronronar meu nome, segurar minha cabeça pelos cabelos junto a virilha pentelhuda, e usufruir da minha boca macia trabalhando seu falo.
- Vou gozar, caralho! Vou gozar, Lucas! – grunhiu, quando vi a musculatura de sua barriga trincada se contraindo em ondas, e ele querendo que eu parasse de chupar, o que não fiz.
Apenas o encarei erguendo o olhar em sua direção e suguei forte até o primeiro jato de esperma cremoso e quente jorrar na minha boca. Ele urrou, enquanto eu engolia toda aquela porra de sabor alcalino e amendoado, observando embevecido como eu me deleitava com o leitinho viril que ejaculava.
Deitei-me sobre seu peito, dedilhando carinhosamente entre os redemoinhos de pelos ao redor dos mamilos dele. Expressamos em poucas palavras quase sussurradas toda felicidade embutida naquele momento sublime. A mão do braço que circundava minha cintura, afagava minha nádega lisinha, dando-lhe a prazerosa sensação de posse. De quando em quando, eu pousava um beijo sutil na borda da mandíbula dele, sentindo a barba pinicar meus lábios sensíveis. Ele sorria, soltava ruidosamente o ar que se acumulara nos pulmões, sabendo que a paixão não havia morrido, que continuava lá, dentro de nós, só esperando para ser vivida.
Meu pinto estava duro fazia tempo, doía um pouco da ereção prolongada, tomado daquela inquietude que me fazia querer dar o cuzinho. A mesma inquietude voltou a crescer dentro dele, provocando nova ereção que minha mão acariciava. Ele rolou para cima de mim, que me vi de bruços, prensado sob o peso dele. Rebolei fazendo o pauzão dele se encaixar no meu reguinho profundo e estreito. Ele mordiscava meu cangote, beijava meus ombros e descia pela minha coluna lambendo as saliências ósseas. Meu corpo convulsionava movido pelo tesão crescente, pelo desejo de ser penetrado, pela vontade de aninhá-lo em mim. O Nico apartou minhas nádegas, meteu a cara no meio delas e foi lambendo o reguinho liso até se deter na entrada do cuzinho plissado. Soltei um gemido lascivo, me agarrei ao travesseiro e empinei bem a bunda mostrando o que eu queria. Ele me torturou por mais de cinco minutos, lambendo meu cuzinho, mordiscando as nádegas, enfiando o polegar na minha fendinha anal apertada fazendo-o rodopiar na entrada dela. Era como se estivessem a me drenar todas as forças, eu só queria sucumbir ao tesão do meu macho, deixá-lo se apossar do meu corpo e da minha alma.
Guiando o caralhão grosso de 24 centímetros ele o forçou na portinha do meu cu. Suspendi a respiração esperando pela penetração dolorida.
- Quero você, Lucas! – sussurrou ele
- Sou seu, Nico! Sempre fui seu! – balbuciei, empinando o rabo e o encaixando na virilha dele.
A estocada firme forçou as preguinhas além do limite de sua elasticidade fazendo a cabeçorra deslizar para dentro do meu cuzinho. Gani alto sentindo a dor aguda e penetrante se espalhar pela pelve. O Nico se agarrou ao meu tronco com força, afagou os mamilos, chupou minha nuca e esperou meus esfíncteres se amoldarem ao cacetão. Arfávamos na mesma cadência, já não eram mais dois corpos distintos; à medida que ele forçava o pauzão para dentro do meu cu, me empalando com seu dote cavalar, uma conexão forte se materializava. Ele se empurrou todo para dentro de mim, ouvindo meus gemidos de dor e prazer atiçando sua tara. A cada vaivém o sacão pesado dele tamborilava entre as minhas nádegas apartadas.
- Ai macho! Ai Nico! Meu cuzinho, Nico! – murmurava eu ao sentir meu ânus se rasgando num ardor crescente.
- De quem é esse cuzinho, Lucas? Fala para o teu macho quem é o dono desse cuzinho apertado da porra, fala! – grunhiu ele, acelerando o ritmo das estocadas à medida que o tesão o aguçava.
- É seu, Nico! É só seu! – gemi perdido no duplo prazer, o de eu mesmo estar ejaculando num gozo que fez estremecer toda minha musculatura, e no de sentir o pauzão dele pulsando forte a cada jato de sêmen que inoculava no meu cuzinho encharcando-o com sua umidade viril.
Só depois de findo o coito, é que me dei conta que foi disso que sempre precisei, voltar a me aninhar nos braços dele, entrelaçando meu corpo ao dele e ouvindo sua respiração serena como naqueles tempos da adolescência quando dormíamos juntos embalados por aquele sentimento indefinido que nenhum dos dois ainda havia compreendido. Fazia tempo que não dormia tão relaxado, sentindo que estava exatamente onde deveria estar.
Estava quase na hora do almoço quando descemos e demos de cara com o Betão e a Karol preparando, entre sussurros para não nos despertar, uma refeição na cozinha. Sacaram de imediato o que tinha acontecido, até porque o Nico desceu as escadas usando apenas um short folgado dentro do qual sua rola pendulava a cada passo que dava, e eu uma das minhas cuecas cavadas com as nádegas quase totalmente expostas, uma vez que o restante das minhas roupas havia ficado espalhado pela sala onde o Nico começou a as arrancar do meu corpo na noite anterior.
- Tá olhando o quê? – perguntou o Nico, dando um cascudo na cabeça do Betão quando ele arregalou o olhar na direção da minha bunda ao vê-la tão exposta pela primeira vez. – Se toca, malandro! Isso não é para o seu bico! – acrescentou.
- Tô olhando nada, qual é? – retrucou o Betão ao se tocar que a Karol também não gostou nem pouco daquela secada cobiçosa sobre a minha bunda.
- Sei, tô sabendo! Te conheço, malandro! – devolveu o Nico. – Abre teu olho com esse aí, Karol, se não quiser ver uma galhada crescendo na sua testa. – sugeriu
- Pô, qual é mano? Tá a fim de queimar meu filme? – protestou o Betão. – Não dá ouvidos para esse sujeito, Karol, ele gosta de me colocar em maus lençóis para figurar de santo.
Meu avô também estranhou o fato de eu não ter dormido em casa e ter chegado com uma expressão descontraída e sorridente, como há tempos ele não via. Perguntou-me, como quem não quer nada, se estava tudo bem comigo; quando sua real intenção era perguntar se eu tinha me acertado com o Nico, o que ele tinha quase certeza de haver acontecido. Ele não esperou nem meia hora para dar na casa da vizinha e contar sobre suas suspeitas. Quando fui até a varanda, flagrei os dois de conluio, felizes como dois pombinhos cuja tramoia parecia estar produzindo resultados.
- Não tem problema algum se o Nico quiser vir dormir aqui em casa, como nos velhos tempos! – afirmou meu avô, ao regressar da casa da dona Alzira.
- E por que o Nico haveria de querer dormir aqui em casa, vovô? – perguntei para provocá-lo
- Não sei! Pensei que talvez vocês tivessem dependências a serem resolvidas. Você não comentou que ele ia fotografar sei lá o que para uma campanha da revista na qual você e a Karol estão empenhados? – meu avô nunca foi bom nas desculpas esfarrapadas que dava, já dizia minha avó.
- Você não toma jeito, vovô! – exclamei rindo.
Começamos a passar todas as noites juntos, na maioria das vezes na casa do Nico onde tínhamos mais liberdade para ficarmos nos agarrando pelados enquanto preparávamos o jantar, trocando beijos escandalosos e carícias libidinosas e treparmos em qualquer lugar quando o tesão exigia a conjunção dos nossos corpos. O Betão se queixava com a Karol de haver perdido seu espaço na casa quando se viu obrigado a dormir algumas noites nos fundos do bar, sobre um colchão improvisado. Ela, já completamente apaixonada pelo safado, cobrou dele uma postura mais firme, questionando por quanto tempo ele ainda ia ficar de favor na casa do Nico, ao invés de providenciar um lugar próprio. É obvio que as intenções dela eram as de se instalar o quanto antes nesse lugar como esposa dele, já que esse era seu grande sonho, casar-se da forma mais tradicional possível, vestida de branco, de véu e grinalda, se debulhando em lágrimas na hora do famigerado – Sim, aceito! – aos pés do altar; muito embora aquela boceta não tivesse mais nada de virgem, tendo sido preenchida por ao menos uma meia dúzia de caralhos, segundo as minhas contas, dado os relatos picantes que fazia me confidenciando suas conquistas.
Com essa questão amorosa resolvida, pelo menos foi o que pensei, tive mais tempo para me dedicar à disputa com o Renan pela chefia da redação. Ele andava me ferrando como nunca, minha ausência na revista facilitava suas artimanhas para me derrubar. Disposto a não perder aquela conta importante, propus ao patrocinador fazermos a campanha fora dos padrões convencionais, usando a beleza natural da cidadezinha praiana como fundo para as imagens de seus produtos, uma vez que estavam bastante ligados a questões de meio ambiente, hábitos saudáveis de vida e liberdade. Ele topou na hora e, como já estávamos bem atrasados com os prazos, a Karol e eu caímos de cabeça no trabalho, providenciando tudo para as coisas acontecerem. O Betão manjava muito de marketing, havia se formado nessa área e trabalhado alguns anos nela antes do divórcio e da reviravolta na vida, e me ajudou muito a fazer com que a campanha fosse um sucesso. Nos bastidores aproveitava para dar uns amassos na Karol, meter a mãozona ora em suas tetas rechonchudas, ora entre as coxas até deixar a boceta dela toda molhada.
- Vai mesmo fazer as fotografias para a campanha para mim? – perguntei ao Nico, sabendo que ele havia deixado bem claro que não queria holofotes em cima dele nem de sua vida privada.
- Vou! Naqueles meus termos, fique bem esclarecido!
- Prometo! Juro que vou fazer tudo conforme me pediu! Eu te amo, sabia? – proclamei, cobrindo-o de beijos até o deixar excitado.
A equipe da revista responsável pela campanha chegou na semana seguinte com todas as tralhas e equipamentos necessários. Ficaram hospedados numa das charmosas pousadas da cidade. O ânimo por estarem novamente sob a minha chefia era contagiante, cada um dando o melhor de si, uma vez de detestavam trabalhar sob as ordens do Renan e o clima pesado que ele criava.
Tudo pronto, o primeiro dia de trabalho aconteceu num dos lugares que o Nico havia me mostrado. Tudo estava perfeito, a luz solar, a cor do céu, os tons do mar, os reflexos da areia branca, o formato das rochas sobressaindo como esculturas sobre as quais as modelos pousavam com os produtos do patrocinador. Tinha sido um dia exaustivo, mas producente. Num jantar informal com a equipe elogiei o trabalho de cada um, e traçamos a estratégia para o dia seguinte no novo local.
- Dá para ver o quanto eles te adoram! – disse o Nico quando chegamos à casa dele. – Não fazia ideia que fosse um líder tão nato! Estou feliz por trabalhar com você! – asseverou quando me abraçou por trás sob a ducha, exigindo meus préstimos sexuais com a enorme ereção que roçava no meu rego.
- Também estou feliz de trabalhar com você! Muito obrigado, amor! Sei que está fazendo uma concessão enorme, e não tenho palavras para te agradecer. – devolvi, rebolando até sentir que estava encaixado nele.
- Sei de um jeito com o qual pode me agradecer! – ronronou entre dentes, pincelando o caralhão no meu reguinho, antes de um enfiar no meu cu ali mesmo, para depois me fazer caminhar com ele atolado até o talo no meu rabo em direção a cama onde só me largou depois de arregaçar meu ânus e o inundar com seu esperma leitoso.
No dia seguinte, em meio aos trabalhos, do nada surgiu o Renan bisbilhotando feito uma ave de rapina. Ele veio direto a mim, começou suas provocações, sendo bem mais agressivo e ofensivo que de costume por estarmos fora da redação. Nunca entendi o que esse tipo de heterossexuais tinha com os gays. Um problema de autoconfiança talvez, uma insegurança quanto a própria sexualidade, uma fobia por se sentirem agredidos por quem estava de bem consigo mesmo, aceitando o fato de que ser homossexual não fazia dele um coitado, mas um ser como qualquer outro, que apenas precisava lutar mais e com mais empenho contra uma sociedade que ditava a moral conforme seus próprios interesses.
- Então a bichinha conseguiu a tal entrevista com o famoso Carlos Brondi, ora vejam só! – começou. – Quais foram as concessões que precisou fazer para vencer a aposta que fizemos? Ah, deixa eu adivinhar! Foram só algumas mamadas na pica do sujeito? Não, não pode ter sido apenas isso, ninguém conseguia nem chegar perto do famoso, foi bem mais que algumas mamadas. Conta para mim, Lucas, fica só entre nós, deixou ele arregaçar seu cu, não foi? Havia tanto em jogo, a chefia da redação, claro que você não ia economizar. Deu esse rabão até ele se saciar dentro dele, fala a verdade! – provocou, enquanto a Karol o repreendia pela vilania das afirmações, e outro membro da equipe tentava afastá-lo de mim pressentindo que aquilo não ia acabar bem.
Nossa discussão acabou por distrair o Nico, que perguntou a um membro da equipe próximo dele, quem era sujeito empertigado que estava discutindo comigo.
- É o tal do Renan que vive infernizando a vida do Lucas! O que quer puxar o tapete dele para ficar com a chefia da redação. – esclareceu meu assessor.
A discussão acalorada evoluiu para a agressão física, o Renan percebendo que estava sem aliados, começou a me sacudir pelo braço enquanto eu revidava tentando escapar dele. O Nico vendo a agressão veio em nossa direção disposto a socar o Renan pela antipatia que sentia por ele surgida dos comentários da Karol.
- Carlos Brondi, não é? – perguntou o Renan, estendendo a mão num cumprimento fingido, quando ele chegou perto. O Nico não cumprimentou, apenas perguntou o que estava acontecendo entre nós. – Você não contou a ele, não é Lucas? Falou para ele da aposta? Tenho certeza que não! – continuou provocador.
- Isso não é da sua conta, Renan! – explodi raivoso. – Saia daqui, só está tumultuando os trabalhos!
- Sabia que fizemos uma aposta, Carlos? O que perdesse ia pedir demissão da revista, deixando os louros e a chefia da redação para o outro. Aposto que o Lucas não te contou que o que estava em jogo era uma entrevista com você, sobre seu trabalho e sua vida pessoal. – revelou o Renan, saboreando a expressão contrariada que surgiu no rosto do Nico.
- É verdade o que ele está dizendo, Lucas? É sério que seu objetivo era conseguir uma maldita entrevista para sua revista? Fala Lucas!
- Eu posso te explicar tudo, Nico! Não aqui, não agora! Falamos disso mais tarde! – implorei, temendo a reação dele.
- Eu quero as respostas agora, Lucas! É verdade tudo isso que esse sujeito falou? Me responda!
- No começo foi, quando me dei conta de quem você era. Mas depois tudo mudou, eu juro! Tem que acreditar em mim, Nico! Eu jurei não te expor e jamais trairia sua confiança! – retruquei desesperado, notando a ira brotar em seu olhar.
- Pois faça a sua entrevista, já sabe tudo a meu respeito mesmo! Você venceu a aposta! Era isso que você queria, não é? É toda sua, colha a vitória, você fez por merecer! – exclamou furioso e saindo caminhando ao me dar as costas.
- Espera Nico, vamos conversar! Eu te explico tudo!
- Não preciso das tuas explicações! Já entendi o suficiente!
- Então é Nico agora, ficaram bem íntimos nessas poucas semanas pelo que estou vendo! – tripudiou o Renan, contente por me jogar contra o Nico. – Mas cá entre nós, veadinho, vai precisar dar o cu mais vezes se quiser se reconciliar com seu macho! – acrescentou, o que fez o Nico dar meia volta ao ouvir a ofensa e esmurrar a cara do Renan derrubando-o no chão.
O Nico não atendeu minhas ligações, não respondeu minhas mensagens, nem as que lhe enviei através da dona Alzira e do Betão, apesar de ambos o aconselharem a me ouvir e fazer as pazes, já que não dava para negar o quanto nos amávamos. Se havia algo que conhecia bem na personalidade do Nico era a teimosia; encasquetada alguma coisa na cabeça ninguém nem nada o fazia mudar de ideia. Era sua maneira de demonstrar autonomia.
Alguns dias depois voltei para a minha cidade, recomecei o trabalho na revista e soltamos a campanha bem sucedida do patrocinador, recuperando a conta que dava novo fôlego financeiro à revista. Fui elogiado por todos os lados, menos por quem realmente importava, o amor da minha vida. Ele não dava sinais de arrependimento, de querer o diálogo, de fazer as pazes comigo. Era o lado machão irredutível dele determinando suas atitudes.
Publiquei um artigo em formato de entrevista com ele usando um pouco do que havíamos conversado durante aqueles dias em que voltamos a namorar e transar, e de tudo que sabia dele, sem o expor, sem invadir sua privacidade, apenas respeitando os limites que ele havia me imposto ao aceitar fazer as fotografias para a campanha publicitária. Revistas importantes mundo afora correram atrás dessa entrevista com ele, sem o conseguir. O ineditismo foi a matéria de capa da revista no mês seguinte e vendeu como água no deserto. Foi preciso reimprimir mais duas edições. A entrevista não só me rendeu a chefia da redação, mas também um prêmio importante como jornalista de mídias escritas. A premiação eu recusei e, só não fiz o mesmo com a chefia da redação por que envolvia a segurança do emprego dos membros da equipe.
Passei dois meses trancafiado em casa, dispensando encontros com amigos, saídas para baladas, festinhas dos colegas. Nada fazia sentido sem o Nico, sem aquele sorriso protetor dele, sem o calor do corpão dele quando empurrava o caralhão fundo no meu cuzinho.
Arrependi-me de ter um dia dado as chaves de casa para a Karol, pois ela invadia e vinha me aporrinhar quase todos os dias para me tirar daquele marasmo. Numa ocasião conseguiu convencer até o Betão que continuava intercedendo a meu favor junto ao turrão do Nico. Ele jogou a revista com a matéria nas mãos dele forçando-o a ler o artigo e dizendo que nem o próprio Nico se conhecia tão bem quanto eu o descrevi no artigo. Acrescentou que só alguém muito apaixonado exaltaria suas qualidades com tanta precisão e, que ele seria um idiota se abrisse mão de um amor tão puro e verdadeiro.
Karol e Betão conseguiram seu intento ao me arrancarem de casa no dia em que a diretoria da revista fez um jantar em comemoração ao meu novo cargo. Tive que comparecer para não parecer que não estava me importando com a promoção. Fizeram na verdade uma festa, todos os membros da revista estavam presentes, além de alguns patrocinadores, pessoal da gráfica, terceirizados que colaboravam com a revista e alguns jornalistas de mídias concorrentes.
Eu sorria chorando por dentro para todos eles, sentindo o peso do que o destino havia me cobrado por aquela promoção. Como o ápice da festa era o jantar, no qual a diretoria fez um brinde em minha homenagem, me sujeitei a recebê-lo fingindo uma alegria que não existia.
- Creio que também mereço alguns créditos pelo sucesso da campanha! – eu conhecia essa voz, me virei rapidamente na direção dela e lá estava ele, de paletó e tudo, algo que detestava usar, sorrindo para mim com aquele sorriso que fazia minhas pernas tremerem.
- Nico! – soltei, explodindo de felicidade.
Ao o reconhecerem começaram a bater palmas em homenagem a ele, a ovacionar o famoso e controverso, Carlos Brondi, o fotógrafo de fama mundial cujos trabalhos corriam as mais famosas galerias.
Ele caminhou na minha direção, meu coração queria sair pela boca, eu tremia da cabeça aos pés, o olhar penetrante dele fazia meu cuzinho piscar acelerado, seus braços me envolveram, me trouxeram para junto dele e o beijo acalorado aconteceu à vista de todos, revelando a um só tempo a minha sexualidade desconhecida por todos e a paixão da minha vida. Fomos ambos aplaudidos.
- Vou meter meu cacete no seu cuzinho assim que sairmos daqui, meu putinho tesudo! – sussurrou ele no meu ouvido
- Não vejo a hora desse pauzão me inseminar! – devolvi, deixando-o capturar meu lábio com os dentes.


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Ficha do conto

Foto Perfil kherr
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Nome do conto:
Aquele verão inesquecível

Codigo do conto:
259700

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
18/04/2026

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