Rendido pela paixão

Rendido pela paixão
Ser um duque na França na primavera de 1793 não era propriamente um privilegio, mas um perigoso chamariz para que sua vida acabasse numa guilhotina. Por isso, meu pai, Duc du Chaumont, se transferiu com toda a família para o palacete de campo de onde, caso se fizesse necessário empreender uma fuga, a fronteira com a Suíça não estaria muito distante. A Revolução de 1789 não trouxe a prosperidade que os camponeses esperavam, nem melhorou as condições da burguesia que acreditava, através dos ideais iluministas, se tornar parte do governo e das tomadas de decisão. No início desse ano decapitaram o rei Luís XVI e a partir daí os revolucionários se empenharam numa caça às bruxas acreditando que a República estava consolidada com a proclamação da Primeira República Francesa no ano anterior. No entanto, o que se viu foi o surgimento de um caos nunca visto antes, enquanto o país passava por uma grave crise fiscal. Inclusive entre os revoltosos surgiram desavenças e, em meio ao caos, a França vivia um período de terror onde cabeças rolavam como se fossem folhas levadas pelo vento.
Apesar de eu ser filho único do Duc e da Duchesse du Chaumont, o palacete estava cheio de primos tanto dos irmãos do meu pai quanto dos da minha mãe, o que tornava a vida bastante agitada. Isso sem mencionar as visitas de outros membros da aristocracia que estavam passando pelo mesmo dilema depois de se verem obrigados a abandonar às pressas suas ricas casas e fugirem para o campo. Pouco afeito ao burburinho, eu procurava me isolar o máximo que podia, ora vagando pelos campos, ora caminhando pelo extenso bosque que cercava boa parte da propriedade.
Enquanto isso, fora do sossego da propriedade, as monarquias ao redor da França passaram a ser o novo alvo do exército francês que avançava pelos territórios destituindo-as pela violência, nas chamadas Guerras Revolucionárias que se estenderam pelos anos seguintes fazendo despontar um novo herói nacional, um general de 26 anos que foram bem sucedido na campanha da Península Itálica, Napoleão Bonaparte, que ganhava cada vez mais prestígio. Ele e outros generais viram seu status crescer vertiginosamente. Alguns deles eram amigos do meu pai que, adepto do iluminismo, era um defensor da República e, tinha como certo que a aristocracia havia sido a grande responsável pela instabilidade política. Porém, isso não lhe garantia nenhuma imunidade, afinal continuava sendo um duque, um membro da aristocracia que a plebe e os burgueses queriam ver decapitados, fossem lá quais fossem seus ideais e crenças.
Foram essas amizades que levaram alguns generais a conceder uma certa proteção à nossa família, entre eles havia um que inclusive era amigo pessoal de Bonaparte e o apresentou ao meu pai. Numa recepção no palacete, encontrei-o pela primeira vez. Uma figura excêntrica que me inspirou pouca confiança. Mas, quem era eu? Um molecão entrando nos 20 anos que detestava política, que adorava artes, música e a companhia dos cães da propriedade.
Quem escolheu o capitão Phelippe Grandmaison para comandar o destacamento de pouco mais de trinta homens para nos dar proteção foi o próprio general Guilhoume; aquele, amigo pessoal de Bonaparte, e um dos mais influentes generais da época. Não restou, portanto, ao capitão, outra opção que não aceitar a incumbência sem questionar, embora em seu foro íntimo era um daqueles idealistas fervorosos que comemoravam cada cabeça aristocrática que era decepada na guilhotina.
Ele chegou com seu destacamento pomposamente uniformizado numa manhã nebulosa quando o sol tentava a todo custo furar o bloqueio das nuvens e da neblina baixa. Pouco depois, fomos todos oficialmente apresentados aos nossos guardiães, num café da manhã que minha mãe passou dois dias organizando.
No meu meio social eu convivia com inúmeros rapazes e homens que não tinham nada de másculos, pelo contrário, sua homossexualidade era algo facilmente constatável em alguns deles, enquanto outros, e nisso me incluo, primavam pela discrição e eram empurrados para casamentos arranjados com filhas e irmãs de outras casas aristocráticas no intuito de consolidar um patrimônio e poder cada vez maiores. A mim haviam designado a Anabelle, uma garota meiga e franzina, filha do Conde D’ornelles. Nos conhecíamos desde a infância e tínhamos uma amizade que permitia nos expor sem receio de julgamentos ou quebras de confiança. Descobrimos logo que não queríamos nos casar, eu por não ser afeito a mulheres, ela por estar apaixonada pelo meu primo Gasgón que vivia me infernizando desde que seu corpo foi se modificando pela ação dos hormônios. De todos os primos, era o mais tarado. Não lhe escapavam nem as criadas jovens da casa e, se eu vacilasse, também iria sentir seu cacetão avantajado no meu cuzinho, pois ele babava pela minha bunda carnuda e roliça como um garanhão sentindo o cio.
Durante a apresentação formal do destacamento, não deixei de reparar que havia alguns soldados bastante interessantes, do tipo parrudo, cara de macho, poucas palavras, exatamente como eu sonhava quando pensava no homem pelo qual me apaixonaria algum dia e a quem me entregaria de corpo e alma. Não fosse esse romantismo que me levava a acreditar num grande e único amor, eu já teria, como outros gays com quem convivia, dado o cu com a mesma facilidade que comia um brioche. Portanto, dentre todos, eu ainda era o único virgem, o único que nunca sentiu um cacete entrando no cu, e também, o único que ainda se apavorava com as histórias contadas pelos que tiveram essa experiência; que os cacetes dos machos rasgavam os cuzinhos dos homossexuais em meio a gritos e súplicas que nunca eram atendidas quando estavam dominados pelo tesão. Embora contassem essas histórias rindo, afirmavam que não queriam repetir a dose, mas, na primeira oportunidade, lá estavam eles, pelos cantos, gemendo nos braços de um macho dominador.
Estávamos em lados opostos das mesas que haviam sido colocadas no amplo espaço cascalhado ao lado do palacete, próximo ao chafariz e dois grandes pergolados cobertos por tumbérgias que estavam repletas de flores azuis. Ele era lindo, sem dúvida. Habituado a estar cercado por homens afrescalhados, acima do peso, cheios de afetações que julgavam lhes dar um ar de finesse e que, em termos sexuais mal davam conta de cumprir suas funções, segundo os relatos de desapontamento de esposas e namoradas, o capitão Phelippe era o oposto deles. A começar pelo corpo grande e musculoso, pela maneira firme como se movia, pelo rosto anguloso revestido por uma barba mantida curta, pelo olhar autoritário com o qual liderava sua tropa e, por aquela coisa cilíndrica e comprida que exibia seu contorno sob a calça junto à coxa esquerda a cada passo que dava. Não fui o único a reparar naquilo, meus primos veados, as primas solteiras e até as esposas de alguns tios eram visivelmente tomadas de calores quando contemplavam aquele caralhão prodigioso. Eu, na minha ingenuidade, admirava aquele dote tendo a certeza de que era um daqueles que os gays haviam me contado rasgar o cuzinho no qual eram enfiados. Admiração e medo me fizeram acreditar que o mais prudente a se fazer era manter distância daquele homem, por mais que me sentisse cativado por sua figura. Porém, na distância que nos separava naquela manhã, algo não me deixava parar de olhar na direção dele e, de quando em quando, eu o flagrava olhando para mim como nunca antes alguém havia me olhado. Era de arrepiar o corpo todo, da cabeça aos pés.
Embora estivesse se esforçando para disfarçar o desconforto que estava sentindo com aquela recepção, ele se comportava de maneira simpática, o que estava longe do sentia em seu foro íntimo. Os cochichos pelas mesas tinham-no como alvo, exaltando seus feitos militares apesar da pouca idade, sua virilidade inquestionável, e a curiosidade exacerbada por seu dote que deixava cuzinhos e vaginas agitados, o meu incluso.
Ao final da recepção, enquanto se dispersavam, ouvi-o comentar com seus imediatos mais próximos, ao cruzar com eles camuflado pelas flores do caramanchão, o quando estava lhe custando cumprir as ordens do general Guilhoume naquela missão.
- Bando de aristocratas parasitas e exibicionistas! – começou exclamando revoltado. – As mulheres sexualmente insatisfeitas se cobrindo com tecidos exorbitantemente caros e joias de valor inestimável para suprir a inquietude de suas vaginas. Os homens, se é que há algum no meio deles e aquele tanto de veados, fazendo mesuras, sorrindo feito idiotas, falando sobre futilidades enquanto o povo faminto continua pelas ruas e campos sem nenhuma perspectiva. O que se gastou nessa recepção que, estejam certos, nada teve a ver em nos fazer uma cortesia, apenas nos mostrar o quão distantes estamos socialmente dessa gente, podia ter saciado a fome de muitas famílias. – completou
- Tem razão capitão, nunca havia visto tantos veados juntos, o que é aquilo? Para que tanta afetação, tantos floreios, sem mencionar a extravagância luxuosa daquelas roupas. Mais parecem espantalhos! – retrucou um sargento.
- Quatro ou cinco garotas não são de se jogar fora! Duas delas, aquelas que ali vão e continuam olhando em nossa direção, estavam se assanhando para o meu lado, não paravam de me elogiar e de olhar para o meio das minhas pernas. A se manterem tão desinibidas, vou me encarregar de lhes oferecer exatamente o que precisam para apagar o fogo que suas bocetas. – afirmou outro sargento.
- E o filho do duque então, Julien! – exclamou o capitão. – Por mais que se esforce para parecer homem, há algo nele que me faz acreditar que gosta de uma bela rola naquela bundona carnuda. – disse o capitão.
- Nem me fale, capitão! Nunca havia visto um rapaz com uma bunda como aquela! Toda vez que olho para ela, preciso apertar meu cacete que quer endurecer voluntariamente. – voltou a comentar o primeiro sargento.
- Concordo, meu amigo! Fico a imaginar como seria sentir a rola afundando naquelas carnes todas! Sei que vou passar algumas noites me masturbando pensando naquele rabão. – concordou o segundo sargento.
- Me digam que homem tem uma cabeleira aloirada e cacheada como a dele, um rosto mais liso que a bunda de um bebe, aquele par de olhos azuis que brilham feitos duas safiras enfeitiçantes, um corpo escultural como se fosse talhado por Michelangelo, e usando aqueles culotes justos de brocado ou veludo do habit à la française que lhe ficam entrando no rego e salientando o volume das nádegas? Será que ele não tem noção do quanto isso é incompatível com uma figura masculina? – indagou o capitão. – E as camisas, repararam nas camisas dele? Gola e punhos todos enfeitados de babados e rendas, que homem se veste assim? – emendou, extraindo risos dos colegas.
- O senhor esqueceu de mencionar o lencinho rendado de tule que ele tira da manga a todo momento para enxugar as gotas de suor que lhe brotam da testa. – completou um dos sargentos, aumentando a risada.
- E também aqueles lábios vermelhos e úmidos! – acrescentou o outro. – Já imaginaram eles chupando um cacete? Minha Santa Joana d’Arc, eu daria todo meu soldo mensal, irregular e sempre atrasado, para sentir esses lábios chupando minha rola!
- Nunca mais volte a insinuar semelhante ofensa, se não quiser levar uma punição! Não estamos aqui para satisfazer as carências sexuais desses nobres sanguessugas, ou já se esqueceram do que viemos fazer aqui? – indagou furioso o capitão.
- Foi só uma brincadeira, capitão! – retrucou o sargento, que subitamente estranhou aquela mudança repentina de humor.
Depois de ouvir essa conversa fiquei ainda mais desconfiado do capitão. Era evidente que se pudesse nos levar ao cadafalso o faria com o maior prazer. Representávamos uma classe aristocrata cujas cabeças ele gostaria de ver decepadas numa guilhotina, e isso me fez sentir um frio gélido percorrer a coluna. Ele nos mataria a todos na primeira oportunidade, em nome dos ideais revolucionários. Passei a evitá-lo o quanto pude, nem cruzar seu caminho eu me atrevia por medo de sentir suas mãos vigorosas estrangulando meu pescoço.
- Você sempre foi um cagão, Julien! Eles foram mandados para cá para nos dar proteção, não para nos estrangular! – afirmou meu primo Gasgón quando revelei minhas suspeitas durante um piquenique com os primos e primas às margens do lago que distava algumas centenas de metros do palacete.
- Pois eu gostaria de sentir aquelas mãos me apertando! Eu ia gemer e pedir clemência oferecendo meu cu em troca da minha vida. – disse um dos meus primos, fazendo-nos rir.
- Acha graça de todos quererem nos guilhotinar, seu imbecil? – perguntei furioso. – As pessoas nos odeiam, odeiam o que representamos, e você age como se tudo não passasse de uma brincadeira. – sentenciei, sem paciência.
- E você é um idiota que se mantem virgem esperando por um príncipe encantado para foder essa sua bundona! Esse seu príncipe não existe, Julien, meta isso na sua cabeça oca e deixe que metam um cacete no seu cu antes que ele engruvinhe! – devolveu ele.
- Cretino! Bando de imbecis! – exclamei raivoso, deixando o grupo e voltando para casa. Eu estava farto de estar cercado por todos aqueles parentes, de ter que aturar suas conversas vazias e me mostrar simpático quando os queria ver pelas costas.
- Volta aqui, Julien! Não seja estraga prazeres! Será que não consegue entender uma brincadeira? – indagou uma das minhas primas, com quem eu melhor me relacionava.
- Eu já me prontifiquei uma centena de vezes a tirar o cabaço da bundinha do Julien, mas ele continua se fazendo de difícil! – sentenciou o Gasgón, fazendo a turma rir. – Volta aqui, Julien, vem mamar a minha pica que esse mau humor passa! – acrescentou, enquanto eu fugia a passos cada vez mais largos.
Eu estava cortando caminho ao passar próximo do antigo e imenso paiol que havia sido transformado no alojamento para acomodar os militares, quando atravessei uma sebe alta e acabei esbarrando com força no capitão. Eu que já vinha bufando pelo caminho, soltei os cachorros em cima dele.
- Não olha por onde anda? – perguntei, raivoso com os olhos injetados
- Foi Monsieur le Duc quem se chocou comigo, não o contrário! – exclamou ele, com uma arrogância não disfarçada.
- Pare de me chamar de Monsieur le Duc! Não é porque sou filho de um que tenha que ser tratado assim! Está cansado de saber que me chamo Julien, e é assim que deve ser referir a mim! – despejei.
- Mas, será duque futuramente! – teve a ousadia de retrucar.
- Isso se você até lá não decepar a minha cabeça, como é de sua vontade! – devolvi, encarando-o, surpreendentemente, sem medo.
- O que está dizendo, de onde tirou um absurdo desses? Quero lhe lembrar que estou aqui para protegê-lo e à sua família. – retrucou.
- Não foi isso que ouvi o senhor dizer aos seus sargentos! O senhor nos chamou de bando de aristocratas parasitas e exibicionistas, foram essas literalmente as suas palavras, ou vai querer negá-las agora? – questionei.
- Lamento que tenha ouvido meu desabafo! Porém, fique certo que vou me empenhar ao máximo para cumprir a missão que me foi dada. O Monsieur .... o jovem Julien não tem o que recear, eu garanto! – asseverou, antes de eu o deixar falando sozinho. Pois vá se iludindo que acreditei numa só das suas palavras, seu ... seu ... seu machão arrogante e convencido.
Por tudo que a França e a Europa inteira estavam passando, eu tinha certeza que nossas vidas nunca mais seriam as mesmas, que uma nova ordem social estava se estabelecendo e que essa nobreza falida e sem nenhuma utilidade estava com os dias contados, se é que chegariam a ter muitos antes de suas cabeças rolarem como vinha acontecendo dia após dia, numa barbárie descontrolada.
Minha relação com meu pai era muito estreita. Eu admirava suas ideias progressistas, seu desapego ao título herdado por gerações, sua visão republicana e por uma justiça social que não excluísse ninguém. Eram esses os assuntos que nos levavam a ficar horas sentados lado a lado conversando e trocando ideias. Também eram nesses momentos que ele aproveitava para me dar conselhos e me desapegar de tudo que haviam me ensinado, observando mais o que acontecia ao meu redor para tirar minhas próprias conclusões. Eu nunca duvidei do amor incondicional que meu pai tinha por mim, e isso me levou, certo dia, a abordar a minha sexualidade.
- Por que temos tantos homossexuais na família? – perguntei
- Apesar de acreditar que a sexualidade de uma pessoa não possa ser induzida pelo meio social, mas que é inerente à própria personalidade, eu acho que o ambiente e o meio em que vivemos facilita muito os homens sublimarem sua masculinidade, quando a tem, ou deixar a falta dela guiar suas atitudes, já que em nome de uma civilidade onde há tantas regras de etiqueta social esse aspecto acaba se perdendo para algo que é mais valorizado que a masculinidade, que acaba sendo vista como algo inferior, algo com o que apenas a plebe se preocupa. – respondeu ele
- Me sinto mais atraído por homens do que por mulheres! – soltei, sem meias palavras. – Acha que isso é errado, papai?
- Não, não há certo e errado nessa questão! Como eu disse, a sexualidade é uma coisa inerente à pessoa, não algo que ela escolha por vontade própria. Eu já havia percebido sua falta interesse pelas garotas, e isso não é nenhum defeito. Só lhe previno que jamais será fácil viver sua sexualidade em plenitude, especialmente no mundo atual que estamos vivendo. – era essa serenidade de pensamentos que me fazia admirar meu pai.
- Eu te amo, papai!
- Eu também te amo, Julien! Muito, meu filho! – eu sempre saía renovado e feliz depois das nossas conversas.
Meus passeios diários, quando o clima o permitia, eram acompanhados pelos dois briards e por três bouviers de Flandres que, além de me fazerem companhia, aproveitavam a incursão para correr atrás de lebres, farejar os ninhos de faisões nos limites iniciais do bosque, ou simplesmente correrem brincando junto às minhas pernas. Eu gostava de todos e, não fosse a proibição da minha mãe, estariam dormindo no meu quarto todas as noites. Apenas o Cézanne adquiriu esse privilégio quando ainda filhote, pouco depois de ter sido atacado por uma raposa que o deixou com alguns ferimentos que eu tratei até ele se recuperar, o que nos levou a desenvolver um vínculo de confiança. Atualmente, com quatro anos, ele não pode ver uma raposa que se põe a caçá-la até a ver estirada ou morta, tamanha a raiva que ficou delas. Eu costumava sumir por horas, colhendo amoras selvagens, observando os pássaros, colhendo tudo que achava interessante, guardando folhas caídas de formatos peculiares que seriam depois enfiadas entre as páginas dos livros que lia, sem me preocupar em voltar para casa e para todo aquele tumulto no qual a casa se transformou quando a parentada veio se abrigar no palacete. O mordomo e a governanta já estavam habituados aos meus sumiços e, muitas vezes os acobertavam, sabendo que eu me sentia infeliz naquela casa cheia de pessoas. Mas, era a minha mãe que costumava dar o alarme, a ficar com os nervos à flor da pele, a destacar um batalhão de empregados para me caçarem e trazerem de volta. Desde a chegada dos militares, ela ganhou um forte aliado nesse empreendimento, o capitão Phelippe. Ultimamente ela vinha recorrendo a ele toda vez que eu passava umas horas sem ninguém saber do meu paradeiro e, não sei porque cargas d’água esse infeliz se punha a me caçar como se eu fosse um foragido da justiça.
Nesse dia ele me encontrou devido aos latidos dos cachorros que perseguiam um coelho em meio ao bosque forrado de folhas caídas, enquanto eu corria atrás deles para garantir que não machucassem o bichinho. Ao contrário deles, eu havia perdido do fôlego e respirava como se tivesse corrido uma maratona quando fui interceptado por ele e mais dois soldados.
- Pensei que minhas ordens tivessem sido bem claras! Ninguém, absolutamente ninguém, deve se afastar demais da casa sozinho ou sem dizer para onde está indo. Portanto, eu lhe pergunto m’sieur le Duc, o que faz aqui tão longe de casa, sozinho e sem que ninguém saiba de seu paradeiro? Sua mãe está desesperada à sua procura! – esbravejou empertigado, me detendo pelo braço com sua mão potente que se fechara em torno dele como uma torquês.
- Me solte, seu ... seu ... (por que eu nunca encontrava a palavra certa para definir esse sujeito?) ... seu mandão! Não lhe devo explicações, muito menos do meu paradeiro! Sei muito bem como voltar para casa sem a sua escolta que, aliás, eu dispenso! – protestei, me safando daquela mão esmagadora.
- Tenho ordens para proteger a sua família e as vou cumprir quer o m’sieur le Duc goste ou não! Vamos, ande, venha comigo! – ordenou, como se eu fosse um dos seus soldados.
- Não vou! E pare de me chamar de m’sieur le Duc, isso me irrita e eu já te falei mil vezes que meu nome é Julien! Entendeu, Julien! – devolvi furibundo. Eu já havia notado que ele sentia prazer em me chamar de m’sieur le Duc toda vez que queria me provocar, ou me fazer sentir um garoto mimado. E isso bastava para o meu sangue ferver e eu querer voar no pescoço daquele arrogante.
- Podem ir, eu me encarrego de levar o fujão para casa! – ordenou aos soldados que nos deixaram, após baterem continência para ele.
- Arre sujeitinho irritante! – rosnei. – Eu já disse que não vou e está acabado! Me deixe em paz! – esbravejei. Ele tentou disfarçar o risinho, o que me deixou ainda mais furioso.
- Vai nem que eu tenha que te colocar no ombro e te levar à força! Quer me testar?
Eu desisti e o acompanhei, não porque me sentisse intimidado por ele, mas para não pagar o mico de chegar em casa trazido nos ombros daquele machão acostumado a dar ordens. Se bem que sentir aqueles braços musculosos me carregando por aí fosse algo tremendamente tentador, mas ele jamais podia desconfiar disso.
Quem levou a bronca por eu ter sido humilhado por aquele sujeito foi a minha mãe, sobre a qual descarreguei toda a minha ira.
- Não sou nenhuma criança, tenho 20 anos e você manda esse capitão atrás de mim como se eu não soubesse cuidar de mim mesmo! Nunca mais faça isso, se não quiser que eu não lhe dirija mais a palavra! – exclamei feroz.
- Sei muito bem que você não é mais criança, Julien, mas estamos vivendo momentos de muita insegurança e você está ciente disso! Eu me preocupo quando você some e demora a voltar, esses bosques podem estar abrigando revoltosos que só estão esperando uma oportunidade para dar cabo de nossas vidas. Eles nos odeiam, isso não é segredo para ninguém. E, se eu recorro ao gentil capitão Phelippe é porque confio nele e sei que vai proteger cada um de nós caso seja necessário. – devolveu ela, se vitimizando para me comover.
- Pois saiba que seu “gentil” capitão seria o primeiro a cortar as nossas cabeças se pudesse! – afirmei, mesmo ele estando presente e ouvindo a nossa discussão.
- Não diga bobagens, Julien! Peça desculpas ao capitão agora mesmo! Não foi essa a educação que lhe demos, seu ingrato! – pronto, era o que me faltava, receber uma lição de moral na presença dele, que parecia estar se divertindo com a carraspana que eu estava levando.
- Me desculpe! – rosnei tão baixinho que quase não se podia ouvir. Ele estava se rindo por dentro, eu podia jurar. Saí pisando firme sem olhar para a cara dele, pois isso me faria cometer algum desatino.
No final daquela mesma tarde ele veio ter comigo e se ofereceu para me acompanhar nos passeios, alegando que assim eu estaria mais seguro. Pura mentira, ele queria é me aporrinhar, isso sim. Não fosse aquele olhar que me provocava arrepios por todo corpo, eu teria recusado.
O confinamento do meu primo Gasgón na propriedade, longe do agito da cidade, de seus amigos baderneiros, das garotas que vivia assediando para conseguir uma trepada, estavam-no deixando impossível de conviver. Nossas primas Chloé e Manon já o conheciam mais intimamente que qualquer outra. A Manon nem podia vê-lo por perto que já se afastava e o ameaçava de contar ao pai o tipo de cafajeste que ele era, depois de ter caído na sua lábia uns tempos atrás e sentido o pauzão dele socado na sua vagina. A Chloé era mais safada, chegada num cara bem apessoado e com cara de tarado, bem ao estilo do Gasgón, mas andava regulando o acesso ao meio de suas pernas depois que tiveram uma discussão por ele ter se comportado como um selvagem, segundo as palavras dela, durante uma transa. Desde a chegada dos militares as duas voltaram seus olhares para aqueles machos uniformizados que correspondiam os olhares e sorrisos delas, fazendo-as esquecer do primo que já conheciam e que perdera a graça ante homens bem mais interessantes. Algo parecido estava acontecendo com meus primos Jean e Pierre, os dois gays mais afetados da família que estavam habituados a mamar o cacete do Gasgón e a deixar que ele o enfiasse em seus cus assanhados. Agora os ânus deles estavam sendo preenchidos pelas rolas dos militares, cujas opções para satisfazerem suas necessidades carnais se resumiam a uma punheta, ou mamadas nas picas das minhas primas ou primos, desde que passaram a ficar confinados na propriedade, o que deixava o Gasgón a ver navios. Restrito a poucas opções, ele começou a dar em cima de mim com mais impetuosidade. Minha bunda parecia aluciná-lo, cada movimento, cada risada, cada atitude minha era observada com vívido interesse e um tesão que o obrigava a apertar o cacetão que endurecia à sua revelia. Nós dois já tínhamos um histórico de desentendimentos por conta de ele me assediar, especialmente sabendo da minha virgindade e se achando no direito, como um dos poucos machos da família, a me tirá-la a qualquer custo, mesmo sem o meu aval. Foi na adolescência que se deu a nossa primeira briga, quando ele chegou a me arrancar as calças para se apossar da minha bunda numa luta corporal desigual, pois ele é bem mais forte do que eu. Na ocasião meu pai e meu tio, o pai dele, o advertiram e o castigaram pelo que fez, mas isso nunca o impediu de continuar tentando.
Uma plataforma com assoalho de madeira fincada na margem do lago e, com uma parte coberta por um telhado, servia de ponto de descanso, relaxamento e observação nas tardes abafadas de verão quando o sol estava se pondo atrás das árvores do bosque. Nós a estávamos usando no verão quente como trampolim para mergulhar nas águas frescas do lago e para conversas que adentravam a noite, sob um céu relaxante. Esse também sempre foi um dos meus locais favoritos da propriedade onde costumava ir para nadar todos os verões, ou para ficar lendo sob a proteção da parte coberta quando o sol se mostrava mais inclemente.
No meio daquela manhã com o sol alto e quente, eu segui para a plataforma sozinho, pois meus primos já tinham outros planos e não quiseram me acompanhar. Meu intuito era terminar as poucas páginas que faltavam para eu concluir a leitura de O Contrato Social de Jacques Rosseau, um tema atualíssimo para situação que a França estava enfrentando. Finda a leitura, fiquei por mais de um quarto de hora meditando sobre a sua visão filosófica sobre o iluminismo, procurando coaduná-la com minhas próprias opiniões sobre o assunto. A despeito de estar sentado à sombra do telhado da plataforma, o calor me fazia suar e estava praticamente me convidando a nadar na água fresca do lago. Olhei ao meu redor para me certificar de que ninguém pudesse me ver nadando pelado, já que ultimamente a propriedade se encontrava repleta de olhares indiscretos circulando por todos os lados. A água estava uma delícia, envolvia meu corpo desnudo com um frescor estimulante a cada braçada que me levava para longe da plataforma. Ao emergir de um mergulho e voltar minha vista para a plataforma, vi o Gasgón saltando pelado nas águas e nadando ligeiro na minha direção. Nadando o mais rápido que conseguia numa trajetória obliqua em direção à plataforma para desviar dele, acabei não sendo ligeiro o bastante para impedir que me alcançasse. Fui agarrado dentro da água, senti sua ereção resvalando insistentemente nas minhas nádegas, suas mãos me detendo, sua boca tentando me beijar enquanto me debatia procurando escapar de seu assédio libidinoso. A muito custo, dando socos e chutes, consegui chegar à escada da plataforma, escalando-a mais ligeiro que um macaco. No entanto, ele conseguiu se lançar sobre mim assim que subi na plataforma. De bruços, cerceado pelo peso do corpão dele, minha reação não produzia muitos efeitos, e eu sentia o tesão dele aumentando à medida que o pauzão duro se encaixava no meu reguinho. Exausto, eu já me dava por rendido e começava a me conformar em perder a virgindade ali na margem do lago tendo o sol como única testemunha da minha vergonha, quando um grito vindo de longe distraiu o Gasgón – Ei, o que está acontecendo aí? – e me permitiu escapulir debaixo dele e correr em direção à mata, onde seria mais fácil me esconder entre as árvores evitando o estupro. Na corrida estabanada para me esconder, acabei pisando numas pedras pontiagudas e cortando o pé, o que me fez claudicar até encontrar o tronco largo de uma árvore que me permitiu sumir de suas vistas.
- Vem cá seu veadinho! Vem sentir a pica do seu primão, vem! Me obrigar a te caçar só está tornando a coisa mais excitante, vem ver como está o meu pau, durinho, pronto para entrar no seu cuzinho! Vem, Julien, vem sentir como é gostoso perder o cabaço numa rola de macho! – sentenciava ele, procurando descobrir onde eu estava escondido. A voz grossa e obstinada estava cada vez próxima, e meu coração parecia querer saltar pela boca, enquanto a dor vinda do corte no pé só aumentava. – Não adianta se esconder, veadinho, eu vou te encontrar e vou arregaçar seu cuzinho por ter me forçado a correr atrás de você! Vem cá, Julien, prometo que você vai gostar da minha pica e se viciar nela! Vem minha gazelinha virgem, vem sentir o cacete do seu primo, vem! – continuava ele, a poucas dezenas de passos de onde eu estava prestes a sucumbir.
Meu arfar acelerado e ruidoso me traiu, o Gasgón me encontrou e não consegui dar mais que uns poucos passos mancando antes de ele me agarrar novamente e me prensar contra o tronco de uma árvore. A perseguição o deixou mais bruto, ele estava me machucando e a virilha peluda se fazia sentir no rego que ele abria com ambas as mãos para facilitar a penetração do caralhão que deslizava ao longo dele.
- Para Gasgón! Não faz isso comigo! Eu te imploro, não me fode, não me fode primo! – supliquei choroso, quando subitamente senti o corpão dele se desgrudando do meu.
Ao me virar, o capitão Phelippe estava esmurrando violentamente o Gasgón caído no chão tentando se defender, em vão, dos socos que o atingiam. Minutos depois, ele já não conseguia mais reagir, estava tonto e desorientado e se revolvendo sobre as folhas secas que crepitavam a cada movimento que fazia.
- Você está bem, Julien? Ele te machucou? O que esse desgraçado fez com você? Seu pé está sangrando! Tem algum outro lugar que ele machucou? – perguntava o capitão numa avalanche de perguntas que nem me dava tempo de responder, enquanto seus braços fortes me envolviam e me traziam para junto da quentura segura dele.
Eu respondia apenas acenando negativamente a cabeça e me agarrava aquele tronco maciço com todas as forças. À medida que me acalmava na segurança de seus braços, me dei conta de que foi a primeira vez que ele me chamou pelo nome, Julien, que nunca me soou tão lindo como na voz grave dele, e não de m’sieur le Duc como costumava fazer. Demorou até eu me dar conta de que estava completamente nu, e de que os olhos do capitão me examinavam com vívido interesse, a ponto de lhe provocar uma ereção nada discreta. Como se tivesse acabado de levar um choque, me desvencilhei dele e tentei voltar à plataforma para pegar as minhas roupas.
- Venha, eu te ajudo! – afirmou ele, me carregando feito um saco de farinha sobre os ombros vigorosos e largos, o que deixava minha bunda totalmente exposta.
- Me coloque no chão, imediatamente! – vociferei ultrajado. – Me solte e me coloque no chão, estou mandando, não está me ouvindo?
- Quietinho! – retrucou ele, dando um tapa estalado nas minhas nádegas e continuando sua trajetória. – Você não pode andar por aí com esse pé machucado, vai precisar de um curativo.
- Me solte capitão! Já disse, isso é uma ordem!
- Ainda bem que não recebo ordens suas, seu molecão ingrato! E, até estar seguro em sua casa, é você quem vai me obedecer sem reclamar, está entendendo? – devolveu ele. Rosnei furioso, detestava ser controlado por outros, particularmente por esse ... esse ... esse capitãozinho folgado. Antes de conseguir proferir outro protesto, senti mais um tapa daquela mãozona estalando nas minhas nádegas.
O Gasgón foi expulso do palacete naquela mesma tarde. Foi a condição que meu pai impôs para que toda família do irmão não tivesse que deixar a propriedade. Meu tio já andava farto das maluquices do filho e o enviou à casa de um antigo arrendatário de suas terras no departamento de Vosges, onde precisou levar uma vida bem mais modesta e sem privilégios.
O corte no pé foi mais sério do que parecia. Foi preciso que um médico suturasse o ferimento que, apesar de todos os cuidados infectou e me restringiu ao leito por três longas semanas. No quinto dia, ainda febril e debilitado, ele veio ter no meu quarto numa visita que deveria ser de cortesia, mas que não escondeu sua preocupação com a minha saúde.
- Está se sentindo melhor? – perguntou, apertando nervoso o bicórnio antes de o colocar debaixo do braço como mandava a etiqueta militar para recintos fechados. Não sei se foi o nervosismo, que não era natural em sua índole, por estar no luxo do meu quarto ou, se devido ao fato de eu estar usando uma camisola de dormir tão transparente que se podia identificar nitidamente os mamilos castanhos contrastando com a pele muito branca e, o pintinho bem formado com o saco escrotal globoso sobre o qual se apoiava entre as minhas pernas, mas o olhar dele estava tão fixo em mim que eu quase o podia sentir sobre a pele.
- Eu estou bem, obrigado! – também não sei dizer porque respondi tão secamente, não era do meu feitio agir assim.
- Fico feliz em saber! Espero que se recupere logo e que volte a fazer suas caminhadas.
- Por quê? Para poder me vigiar?
- Não! Claro que não! Sei que gosta de passear pela propriedade e imagino que isso deva estar lhe fazendo falta. – devolveu, educado e parcimonioso.
- Era só isso? Obrigado pela visita, capitão! Até mais! – retruquei, numa grosseria sem tamanho, infelizmente presenciada pela minha mãe que não se eximiu de me criticar na frente dele.
Ele me tirava do sério, aqueles olhares, aquele corpão maçudo, aqueles braços que eu agora sabia o quanto eram fortes, aquelas mãos que tocaram minhas nádegas nuas, e o pior, ele ter me carregado sobre os ombros e visto minha nudez por inteiro. Não era razão suficiente para eu sentir raiva desse sujeito?
Passado um mês eu estava recuperado fisicamente, mas ainda podia sentir o tesão do Gasgón querendo me desvirginar e o quanto minha nudez havia mexido com o capitão Phelippe e seu falo inquieto, o que me levou a adiar um pouco mais as caminhadas com os cães que se mostravam a cada dia mais agitados, evitando assim de cruzar com ele.
O remorso por ter sido tão rude no trato com o capitão estava me corroendo por dentro e não o deixava sair dos meus pensamentos. Ele queria me ver numa guilhotina, assim como toda aristocracia e o que ela representava. Então por que eu não conseguia sentir raiva dele, por que me estremecia todo quando ficávamos próximos, por que não parava de sonhar com aqueles braços e aquele torso que me acolheu quando me feri no bosque? O capitão ia me encarar com aquele olhar de repúdio, ia ser lacônico no agradecimento e na aceitação das minhas desculpas, se é que ia me desculpar, mas eu precisava me desculpar pelas grosserias que lhe dirigi e pela maneira como agi, me mostrando um verdadeiro idiota.
Fui ao alojamento dos militares pouco depois do jantar com esse intuito. Os que renderiam os primeiros a ficarem de vigília já estavam deitados em suas camas, os demais jogavam cartas e alguns conversavam animadamente em tom baixo junto a porta de entrada do alojamento, onde uma brisa amenizava um pouco a noite abafada.
- O capitão Phelippe! – exclamei, num tom de voz acanhado, ao me deparar com aquele tanto de torsos másculos nus.
- Boa noite, Monsieur le Duc! – responderam, cobrindo rapidamente meus troncos em sinal de respeito. – O capitão está lá nos fundos, no quarto dele! – responderam.
- Obrigado! Não se preocupem em vestir as camisas, está quente e vocês estão como se estivessem em suas casas. Não precisam ter cerimonia comigo! – afirmei, seguindo na direção que me apontaram.
O oficial tinha um quarto e um banheiro separado dos demais, e foi nessa porta que bati, ensaiando mentalmente o que ia lhe dizer. Depois de passados alguns minutos a porta não se abriu, pensei em dar meia volta e deixar isso para outra hora, até porque sentia minhas mãos suando. Fazer um pedido de desculpas não podia ser algo tão difícil, e eu não era nenhum homem de fugir de suas responsabilidades. Bati mais duas vezes antes de abrir e porta e constatar que o quarto estava vazio, mas que alguém se movimentava no banheiro. Fiquei ali plantado esperando o capitão sair. Quando ele finalmente surgiu quase tive um troço, não contava que saísse quase pelado apenas com uma toalha enrolada na cintura e os cabelos ainda molhados. Ele também estancou quando me viu ali parado em sua privacidade, ficando sem saber como agir; se voltava para o banheiro e se recompunha, se me pedia para esperar do lado de fora até estar vestido, ou se simplesmente me inquiria sobre o que fazia quando ele já estava de folga.
- Boa noite, capitão! Eu ... eu ... eu .... – nada podia ser mais constrangedor do que ficar gaguejando feito uma galinha diante dele sem conseguir terminar as frases – eu ... eu ...
- Boa noite, Julien! Essa parte eu já entendi. – interrompeu-me ele, me deixando ainda mais nervoso e sem conseguir desviar os olhos dos pelos sensuais de seu peitoral musculoso.
- É que eu ... eu ... vim lhe pedir desculpas! – expirei forte quando finalmente as palavras saíram. – Fui muito grosseiro com você quando me salvou do meu primo e quando veio ter comigo no meu quarto. Peço perdão por ter agido assim, você não merecia e estou muito arrependido! – só de encarar aquele olhar uma onda de serenidade me invadia e me tranquilizava.
- Não precisava me pedir desculpas! Sei que para vocês isso é uma tarefa sobre-humana, que não estão acostumados a se rebaixarem diante de plebeus. Volte para casa m’sieur le Duc e esqueça esse assunto! – retrucou ele secamente, como eu havia imaginado.
- Não me chame assim! Sou o Julien! – retorqui feroz.
- Pois bem, Julien! Melhor assim? Volte para casa e não fique perambulando por aí no escuro, não é seguro! – devolveu ele, no seu jeito de dar ordens, mesmo a quem não as pediu.
- Não acho que esteja me rebaixando por estar lhe pedindo desculpas! Assim como não acho que o senhor seja um plebeu só porque não possui um título! As pessoas jamais deveriam ser classificadas por categorias, pela classe social, pelo que possuem ou deixam de possuir. Não foi para isso que deflagraram a Revolução, pela liberté, égalité, fraternité? – questionei, encarando-o desafiadoramente.
- O que sabe sobre isso? Leu algum folhetim e está tentando me impressionar se mostrando indulgente? – perguntou, devolvendo a encarada.
- Talvez mais que o senhor! – exclamei de pronto. – Não sou nenhum alienado ou bitolado pelos preconceitos da minha classe social, é bom que saiba disso!
- Bom para o m’sieur le Duc! Tenha uma boa noite!
- Seu ... seu ... seu arrogante, grosso, desaforado, imbecil! – descarreguei irado. – Eu te odeio tanto quanto você me odeia! Estamos quites, portanto!
Nesse instante ele abriu a toalha deixando-a cair aos seus pés e me exibiu, pendurado entre suas pernas, o maior e mais calibroso cacetão que eu já tinha visto e um sacão que não ficava nada a dever. Foi a maneira que encontrou para intimidar. Meus olhos se arregalaram, a boca secou, o cuzinho piscou como nunca antes; deu dois passos na minha direção, me agarrou com força e me trouxe para junto de seu tronco, onde defensivamente espalmei minhas mãos. Nos encaramos sem dizer nada, até eu sentir o calor de sua pele me aquecendo inteiro. Afaguei seu peitoral, ele aproximou o rosto do meu, meus lábios começaram a tremer e foram capturados pelos dele. Fiz força para controlar o chilique e não desmaiar de tanto tesão que estava sentindo. Ele prendia meu lábio entre os dentes, tracionava-o e o lambia numa sequência inebriante de prazer. As mãos dele deslizavam sobre as minhas vestes e as puxavam fazendo surgir a pele alva que aumentava seu tesão.
- Ca...pi...tão! – exclamei, sentindo o ar me faltar.
- Julien! – sussurrou ele no meu ouvido com a boca molhada.
Embora fosse eu a estar em seus braços, e a ser conduzido até a cama, eu sentia que era ele que estava se rendendo a mim, a tudo aquilo que desprezava, às convicções das quais já não tinha mais certeza de professar, à medida que ia sentindo meu corpo sendo coberto pelo dele, enquanto o desnudava.
Seus beijos desciam pelo meu pescoço, ombros, peito e ventre atiçando meu desejo e me fazendo gemer. Ele cravou os dentes num mamilo e mordeu até eu gemer alto, soltou-o, lambeu-o e chupou-o devagarinho me deixando em êxtase. Nunca senti nada igual, nunca vi o desejo carnal de um homem se incendiar daquela maneira, o pauzão endurecendo e se transformando numa tora de carne latejante. O capitão Phelippe a posicionou a centímetros do meu rosto deixando o pré-gozo pingar sobre ele e me fazendo sentir seu perfume almiscarado de macho. Abri lentamente a boca, os lábios ainda tremiam e acho que não iam parar de tremer tão cedo, e fui envolvendo a glande enorme até ela preencher a minha boca, e eu começar a sugar seu néctar viril. Ele ronronou, grunhiu, soltou o ar entre os dentes e gemeu meu nome.
- Julien, seu molecão safado e gostoso! Eu devia te castigar por isso! Por me deixar nesse estado de completo excitamento.
- Pensei que sua missão era me proteger e não me castigar! – murmurrei, afagando seu rosto másculo, tirando por breves segundos o pauzão da boca antes de beijar a dele, quente e sôfrega.
- O que quer comigo, seu putinho safado? Me deixar maluco? Vai se arrepender de ser tão atrevido! – afirmou, quando voltei a sugar a cabeçorra da rola.
Nunca pensei que uma pica pudesse ser tão saborosa. O pré-gozo do capitão era tão delicioso que minha boca se enchia de saliva, a mucosa da cabeçorra era macia e quente, e eu a chupava com suavidade encarando o rosto dele, iluminado pelo tesão. O Phelippe gemia como se o prazer o estivesse machucando, revolvia minha cabeleira enquanto afundava minha cabeça na virilha.
- Não entendo porque vocês usam essas camisas e culotes tão cheios de botões, fitas, cordões e o diabo a quatro, tornando a tarefa de as despir um verdadeiro sacrifício. É mesmo coisa de boiolas, de afrescalhados! – disse ele, quando afoito para me ter nu em suas mãos, ia me tirando as roupas do corpo.
- Talvez seja para provocar isso aqui fazendo-o endurecer! – exclamei com um discreto sorriso enquanto apertava o cacetão rijo dele.
- O meu endurece toda vez que chego perto de você, esteja vestido da cabeça aos pés ou pelado como naquele dia em que te livrei de seu primo.
Por uns instantes, depois de tirar todas as minhas roupas, ele ficou me admirando, como se estivesse diante de uma obra de arte. Seu olhar tinha um brilho cobiçoso, o toque de suas mãos sobre a minha pele começou tão suave que eu mal o sentia, embora a pele começasse a arder por onde seus dedos passavam. Não sei se eu tremia de tesão pela visão do cacetão pendurado para fora da braguilha, ou se pelas histórias libidinosas que os gays haviam me contado para me amedrontar, afirmando que essas coisas rasgavam nossos cuzinhos provocando uma dor lancinante quase insuportável, e que muitos homossexuais chegavam a desmaiar durante o coito de tanta dor. Só sei que, quando o capitão me deitou de costas sobre a cama que tinha seu cheiro impregnado em cada fio dos lençóis, vindo para cima de mim com seu pauzão enorme livre das calças, o pavor se apossou de mim e eu quis sair correndo dali enquanto meu cuzinho ainda estava intacto.
- O que foi? Não quer fazer? – perguntou ele, ao notar minha hesitação.
- Estou com medo! – balbuciei.
- Vou ser cuidadoso, prometo! – devolveu ele, fazendo as histórias que me contaram parecerem ainda mais verdadeiras. Esse homem vai me rasgar para se satisfazer, foi a certeza que passei a ter.
Contudo, havia algo no olhar dele que me instigava a continuar, algo que colocava um fogo dentro de mim que me enchia de coragem, algo que me fazia querer experimentar como era ficar grudado num macho como o capitão, tal qual eu tinha visto os animais do campo fazendo.
Ele abriu minhas pernas, colocou cada uma delas sobre um ombro, ergueu minhas ancas e enfiou um travesseiro debaixo delas e veio. Veio com o olhar fixo, a respiração acelerada, o torso peludo se inclinando sobre mim, tão próximo que eu podia sentir o calor que emanava. O beijo demorado cobriu minha boca até eu ficar sem fôlego, as lambidas molhadas desceram pelo pescoço, roçavam suavemente os biquinhos salientes dos meus mamilos, deslizavam do peito para o abdômen num misto de cócegas e um arrepio que deixava minha pele ouriçada. Então ele parou e olhou fixamente nos meus olhos. Chegou a hora, pensei. Vai ser agora, é agora que ele vai colocar toda essa coisa cavalar dentro do meu cuzinho e me rasgar como diziam. No entanto, foi a cabeça dele que mergulhou entre as minhas coxas me fazendo sentir as mordiscadas que adentravam lentamente nelas até alcançarem as nádegas. Agora eu sabia qual era o real significado da palavra vulnerável, pois era assim que me sentia. Então veio a primeira lambida, diretamente sobre as preguinhas do meu buraquinho plissado. Eu me contorci todo e gemi alto, foi a coisa mais prazerosa que já senti.
- Ai capitão! – escapou dos meus lábios, dando a ele a certeza de que eu estava pronto para levar vara no cu.
Ele ficou um tempo me lambendo, cutucando meu buraquinho com a ponta da língua, mordiscando as nádegas, e enfiando o polegar na minha fendinha estreita que, imediatamente, se travou aprisionando-o. Dessa vez gani, alto e indiscretamente demais, o que fez um soldado aparecer no vão entreaberto da porta e perguntar se o capitão estava bem, antes de constatar o que estava acontecendo e abrir um largo sorriso de cumplicidade.
- Feche a porta, Aloïs, por favor! – ordenou o Phelippe sem se abalar com a interrupção.
- Sim senhor, é claro!
Em minutos o alojamento inteiro ficou sabendo que o filho gostosão do duque estava sendo comido pelo capitão deles. Homens como aqueles reconheciam o valor de outro macho quando presenciavam cenas como aquela. O conceito e admiração pelo capitão só aumentou entre sua tropa.
Enquanto isso, no quarto agora fechado, o capitão pincelava o caralhão babando ao longo do meu reguinho liso, molhando o buraquinho no qual sentia as preguinhas se revolverem num frenesi crescente. Ele embolou uma camisa que estava sobre a cama, que tinha o cheiro másculo dele, e com ela cobriu minha boca ao mesmo tempo que, através de um impulso vigoroso, meteu a cabeçorra do pauzão no meu cuzinho. Meu grito apavorado não passou de um longo uivo surdo dentro da camisa, enquanto meu ânus era dilacerado pela tora de carne que afundou dentro dele. Eu me agarrei aos ombros dele, cheguei a enfiar as pontas dos dedos nos músculos duros, enquanto meu corpo se contorcia querendo escapulir debaixo do dele.
- Sssshhhh! Quietinho! Já entrou, a dor já vai passar, é só você se acalmar e relaxar. – disse ele, com a sabedoria de quem já havia feito aquilo uma porção de vezes.
- Não vou aguentar, dói muito! – exclamei, no que não passou de um rumorejar ininteligível sob a camisa comprimida contra a minha boca.
Meu cu travou de tal maneira com aquele espasmo que se fechou ao redor do cacetão dele que eu não sabia se ia voltar a se abrir algum dia. Precisou o capitão me beijar diversas vezes por longos períodos para os esfíncteres começarem a relaxar permitindo que ele continuasse a enfiar o caralhão lentamente para o fundo do meu cuzinho. A cada estocada eu gania, mas já não queria mais fugir, pois o cacetão grosso e impetuoso pulsava tão forte dentro de mim que eu só pensava no prazer que estava sentindo e não mais na dor que continuava presente e se espalhando por toda a pelve.
Eu tinha um homem dentro de mim. Essa constatação e o rosto viril do capitão ao alcance das minhas mãos fez surgir um sentimento que nunca experimentei, um sentimento que fazia meu coração bater forte me fazendo desejar aquele macho como nunca antes desejei alguma coisa.
- Ah, Julien, como eu esperei por esse momento! Como desejei ter você em meus braços, rendido, acolhendo meu cacete nesse cuzinho apertado e quente! De início achei que você não passava de mais um veado fresquinho e fútil como tantos outros de sua classe social, mas o tempo e o convívio me fizeram enxergar a criatura adorável que você é, e meu tesão só aumentava. Eu, como militar, jamais deveria estar dizendo isso; mas, capitulei, me rendo inteiramente aos teus afagos, a esse olhar doce, ao seu cuzinho encapando a minha rola. – ronronava ele entre os beijos vorazes que me dava.
Eu não disse nada, apenas envolvi o tronco maciço dele em meus braços, arranhando suas costas largas a cada estocada que levava e que fazia o caralhão deslizar fundo em mim. Depois de haver aberto um túnel no meu rabo com aquele cacetão grosso, ele o puxou para fora do meu cuzinho, me fez ficar de quatro na beira da cama, voltou a cobrir minha boca com a camisa, segurando as pontas atrás da minha cabeça com uma das mãos como se fosse uma rédea, e empurrou de uma só vez, vigorosamente, o pauzão insaciado para dentro do meu cu, consumando a posse definitiva do meu ser. Eu me sentia uma verdadeira égua sendo domada enquanto me enfiavam um caralhão no cu. Assim que o vaivém do mastro grosso deslizando dentro do meu cuzinho começou, fazendo meu pinto balançar feito um pêndulo, comecei a gozar, gemendo feito uma cadela enquanto esporrava os jatos por todo lado. O Phelippe estava me fazendo sentir coisas com as quais jamais havia sonhado, meu corpo era dele, o dele era meu, tanto que a cada contração anal eu o sentia vibrando dentro de mim como se fosse uma parte minha.
- Seu veadinho tesudo do caralho, você geme feito uma cadelinha, seu putinho! – grunhiu ele, socando cada vez mais forte a mais fundo até seu urro rouco escapar e reverberar pelo quarto, juntamente com a porra densa e leitosa que ejaculava no meu ânus arreganhado.
Eu a sentia entrando em mim, escorrendo sobre a mucosa esfolada, formigando no fundo das entranhas, e me senti completamente recompensado pela dor e pelo prazer que esse macho me proporcionou. Eu desabei sobre a cama sob o peso dele, sem que o cacetão saísse do meu cu. Arfávamos exaustos, o peito suado dele colado nas minhas costas, seus braços me envolvendo, suas mãos manipulando os biquinhos saltados das minhas tetinhas. Um torpor gostoso foi tomando meu corpo sem que eu soubesse precisar quando peguei no sono.
O Phelippe estava em pé, vestindo o uniforme, quando despertei sonolento e sem saber exatamente onde estava. Quando me deparei com seu sorriso, soube o que havia feito com aquele macho.
- Oi! – exclamei feliz.
- Precisa levantar e voltar para casa, logo vão perceber que não dormiu no seu quarto e começarão a te procurar. A última coisa que precisam descobrir é que passou a noite comigo. Com você não sei o que pode acontecer, mas eu certamente perderei minha patente de capitão. – disse ele, me apressando.
- Eu queria ficar aqui o dia todo, com você! – devolvi
- Nem sempre se consegue o que se quer! Anda, levanta e se veste! – a voz dele não soava tão doce e carinhosa como quando estava dentro de mim. – Acha que consegue caminhar até em casa?
- Acho que sim, por quê?
- Não entre em pânico quando vir sua ceroula manchada de sangue, é normal! Seu cuzinho vai ficar dolorido e sensível por alguns dias, e pode ser que tenha dificuldade de caminhar. – previu ele.
- Você me rasgou com seu cacetão grosso, foi isso?
- Não foi proposital! Acontece quando a mulher ou o veadinho são muito estreitos!
- Nas próximas vezes vai ser assim também? – perguntei, fazendo-o olhar na minha direção e sorrir.
- Molecão safado, nem está esperando as preguinhas cicatrizarem e já está pensando em levar mais pica no cu?
- De que adianta eu esperar elas cicatrizarem se o seu pauzão vai me rasgar de novo quando me pegar outra vez. – respondi.
- Anda, pare de me atentar! Vista-se e vá para casa, antes que eu perca a cabeça e foda seu rabinho até você pedir arrego. – ordenou, dando um tapa estalado na minha bunda.
Por via das dúvidas, entrei pela porta da cozinha, onde o movimento dos empregados preparando o desjejum para tanta gente corria a pleno vapor.
- Minha nossa, de onde você está vindo a essa hora, seu moleque travesso? – perguntou a governanta que me viu crescer e conhecia muito bem as artes que eu aprontava assim que a vigilância sobre mim era negligenciada. – Você dormiu fora de casa? Onde e com quem você esteve? Se seus pais souberem que andou fazendo o que não deve, vão te castigar, Julien! – questionava ela, toda nervosa, por saber que no final das contas a corda sempre arrebentava do lado dos empregados. – Suba correndo e não faça barulho! Só faltava te verem chegando a essa hora e nesse estado!
- Acalme-se Léontine! Não se esqueça que não sou mais aquele moleque que deixava os empregados com os cabelos em pé, tenho vinte anos, sou um homem agora e posso muito bem andar por aí sem ter que dar satisfações. – retruquei.
- Mas pela sua cara dá para ver que andou aprontando, e que não foi pouco. Crescem os meninos, crescem as safadezas! – sentenciou.
De uns anos para cá eu havia dispensado que me ajudassem durante o banho, uma prática comum que eu abominava por me fazer sentir um retardado incapaz de cuidar das próprias abluções. Se ainda a fizesse, teria uma testemunha da virgindade perdida, pois conforme o capitão afirmou, minha ceroula estava manchada de sangue, comprovando que meu cuzinho havia sido rasgado no coito impetuoso.
- Você está diferente, Julien! – começou o Jean, meu primo abichanado, quando aproveitávamos o sol matinal conversando nas mesas do jardim. – Você deu o cu, seu puto rameiro! Olhem para a cara dele, rapazes, ele deu o cu, tenho certeza! – exclamou eufórico como se tivesse acabado de descobrir um tesouro.
- Cala essa sua boca, Jean! – retruquei furioso.
- Você não me engana! Perdeu o cabaço na pica de um macho, está na sua cara! – continuou, contente por constatar que eu não era aquele primo santinho que todos acreditavam. – Foi o capitão, não foi? Sim, foi ele, tenho certeza! Eu saquei o jeito que ele olha para você, como fica embaraçado quando estão próximos, como aperta aquele cacetão excitado quando seca a sua bundona. Conta como foi! Você aguentou tudo aquilo? Debaixo das calças dá para ver que a coisa deve ser enorme. – desatou a soltar sem freios nem pudor.
- Se você não calar essa sua boca agora mesmo, Jean, vou providenciar para que tenha o mesmo destino do Gasgón! – ameacei. – Eu estou farto da presença de vocês e suas famílias em nossa casa! Não se tem mais sossego, vocês estão por toda parte, suas conversas são vazias e irritantes! Meu pai jamais deveria ter acolhido vocês em nossa casa, isso virou um inferno desde que chegaram aqui. – afirmei, despejando toda minha frustração por ter que conviver com eles.
- Para você estar nesse mau humor todo, a foda não deve ter sido boa! Porque quando eu dou cu para um macho fico lépido e faceiro como uma libélula! – disse ele, antes de eu partir para cima dele aos socos que o fizeram gritar estridentemente feito uma cadela sendo arrombada.
- Fora! Fora da nossa casa, sua bicha desgraçada! Fora todos vocês! Andem sumam daqui, vão para o inferno! – berrava eu, a plenos pulmões, atraindo a atenção dos parentes.
- O que deu nesse moleque? – perguntou uma das minhas tias ao me ver perdendo as estribeiras.
- Mande essa gente toda embora, pai! Mande-os sair daqui! – pedi, quase aos prantos de tão desgastado que estava com a casa lotada de pessoas fúteis vivendo num luxo que já não tinham mais.
- Deixem-nos a sós! – ordenou meu pai, lançando um olhar em direção a minha mãe, ambos também fartos daquelas pessoas, embora estivessem fazendo das tripas coração para se mostrarem bons anfitriões.
Os parentes começaram a se mudar dois dias depois, sem um rumo definido, sem saber se cairiam nas mãos dos revoltosos na próxima esquina, sem contar com as mordomias a que estavam habituados e sem ninguém que os protegesse do caos que pelo qual a França passava.
No âmbito do palacete as coisas também começaram a mudar. Meus pais passaram a implantar uma vida mais simples, o batalhão de dezenas de empregados foi reduzido, festas e comemorações passaram a ser realizadas apenas em datas festivas e com alguma representatividade pessoal. Essas mudanças trouxeram paz tanto à casa quanto a cada de um nós, nos aproximando enquanto família sem a presença de centenas de estranhos que mal nos permitiam conversar. Nunca me senti tão próximo dos meus pais e creio que eles também estavam gostando de descobrir o filho que tinham e para o qual, até então, haviam dedicado pouco de seu tempo por estarem sempre envolvidos em eventos sociais.
Na esfera pessoal, e depois da frase do capitão que me marcou no dia que tirou a minha virgindade – “Não entendo porque vocês usam essas camisas e culotes tão cheios de botões, fitas, cordões e o diabo a quatro, tornando a tarefa de as despir um verdadeiro sacrifício. É mesmo coisa de boiolas, de afrescalhados!” – resolvi mandar fazer roupas novas, sem tantos adornos, sem aqueles tecidos caros, sem aquele tanto de babados, laços e botões, com cortes mais simples e práticos e em tecidos mais simples. O alfaiate pensou que eu estava enlouquecendo, que estava me vestindo como um plebeu, que aquilo que eu estava a lhe pedir era um ultraje à minha condição de futuro Duque de Chaumont.
- Aquiete-se, Jacquin! Não vou perder a minha essência só por estar mudando meus trajes. – disse a ele. – Use toda sua criatividade e me confeccione camisas e calças mais simples, esqueça as casacas rebuscadas do dia-a-dia, não vou mais usá-las.
- Perdão m’sieur le Duc, mas vai parecer um mendigo, um homem do povo, ninguém vai respeitá-lo! É um absurdo o que está me pedindo. – retrucou ele
- Não quero ser respeitado pelas minhas roupas, mas pelas ideias, pelo meu caráter, pelos valores que carrego comigo!
- M’sieur le Duc até parece um desses revoltosos! De que lado m’sieur está? É o fim dos tempos, só pode ser! – exclamou inconformado.
- Tem razão, Jacquin, é o fim dos tempos! É o fim de uma sociedade desigual que já não se sustenta e que precisa se reformular se quiser continuar existindo. Escreva o que lhe digo, daqui a algumas décadas viveremos numa sociedade muito diferente da atual, e é bom que as pessoas comecem a se conscientizar. – argumentei.
- Como eu disse, é o fim dos tempos! Só espero não estar mais aqui para presenciar essa barbaridade! – afirmou, balançando a cabeça contrafeito. Eu ri, dei umas palmadas amistosas em seu ombro e me pus a explicar como queria minhas novas roupas.
Meus pais estranharam quando as viram, mas concordaram com a praticidade e até a minha mãe se inspirou a produzir para si modelos também mais práticos e confortáveis. Os militares que continuavam nos dando proteção me encararam com surpresa. Embora já soubessem que eu não era um homem como eles e que havia servido seu capitão na cama como se fosse uma fêmea, disseram que as novas roupas me faziam parecer mais homem sem todos aqueles adornos rebuscados. O capitão Phelippe abriu um largo sorriso ao me ver pela primeira vez nos novos trajes.
- Vou precisar menos de dois minutos para te deixar peladinho! O que significam essas roupas, mandou confeccioná-las pensando em mim? Ficaram lindas sobre seu corpo! Aliás, tudo fica lindo sobre esse corpo! – afirmou, olhando ao redor para ver se o campo estava livre para me dar uns beijos e bolinar minha bunda.
- Você não reclamou das antigas? Não disse que me despir era um sacrifício? Pois bem, resolvi facilitar a sua vida! – devolvi, retribuindo seu beijo e acariciando o cacetão que começava a dar sinais de vida dentro da calça.
- Seu putinho safado! Gostou da minha rola, não foi? Vá para o lago no final da tarde e me espere, vou te preencher por inteiro e te deixar todo molhadinho! – exclamou excitado, usufruindo da minha mão afagando o cacete.
Depois disso a ansiedade não me deixou, as horas não passavam, parecia que eu tinha um formigueiro no cu, o calor me inquietava, nada me distraía, eu perambulava pela casa sem me deter em nada. Ele disse no final da tarde, mas quando no final da tarde, estamos em pleno verão, as tardes se estendem por uma eternidade nessa época, o sol se põe às 20-21 horas, eu não vou aguentar esperar tanto tempo, dizia eu a mim mesmo, consultando o relógio a cada poucos minutos.
Antes da hora do chá eu estava na plataforma, o sol brilhava alto, fazia calor, nenhuma folha nas árvores se movia. Cisnes e gansos passavam deslizando sobre a água como se fossem navios de uma esquadra, alheios ao entorno. Um calor abrasador ia tomando conta do meu corpo, resolvi me despir e entrar na água. Nem mesmo me preocupei em confirmar se não estava sendo observado. Que me importa, a essa altura tanto os militares quando os empregados já sabem que andei dando cu para o capitão. Meu pinto começou a endurecer assim que o vi se aproximando da plataforma, ele sim, olhando constantemente ao redor para saber se não estava sendo vigiado.
Ele é tão lindo, veja como anda, que passos firmes, que porte másculo, que presença marcante esse macho tem, confirmava eu em pensamento, me movendo como um peixe dentro d’água. Ele já vinha sorrindo como se tivesse certeza de que teria suas necessidades de macho plenamente atendidas. Parou na borda da plataforma e ficou me observando gingar pelado dentro da água transparente.
- Não vai entrar? – perguntei, olhando para o meio das pernas dele onde uma ereção indiscreta era bem visível.
Sem perder tempo, ele começou a se despir e saltou para dentro da água fresca, com duas braçadas me alcançou e me puxou para junto de si. Foi um beijo demorado, a língua dele se entrelaçando com a minha, meus lábios sendo tracionados entre os dentes dele, sua mão entrando devassamente no meu reguinho estreito e seu dedo remexendo as preguinhas do cu. Pendurei-me em seu pescoço, fechei as pernas ao redor da cintura dele e lhe devolvia os beijos libidinosos ronronando feito um gatinho manhoso, enquanto ele explorava meu buraquinho anal.
- Vou entrar sim, vou entrar nessa fendinha quente e a inundar de porra! É isso que você quer, não é, seu putinho tesudo? – questionou.
- Eu quero você, capitão! Quero te alojar em mim! Quero te sentir vibrando nas minhas entranhas! – respondi, alisando dengosamente o contorno do rosto dele.
- Você virou a minha cabeça do avesso, seu veadinho gostoso! Não penso noutra coisa que não meter minha pica nesse rabão. Você é um perigo para qualquer macho, com esse corpo, com esse olhar, com esses afagos. Você me fisgou como um peixe no anzol, seu putinho, e agora minha paz de espírito se foi, meu tesão me remete aos teus beijos, ao teu cuzinho macio e úmido. – sussurrava ele, me apertando com força e enfiando mais um dedo no meu cu fazendo-os rodopiar no esfíncter contrátil.
- E você virou a minha, meu macho! – devolvi, acariciando a nuca dele.
Me segurando pelas nádegas, ele me fez escorregar cintura abaixo até o pauzão empinado dele tocar meu buraquinho. Com um potente impulso de baixo para cima, meteu quase a metade do caralhão no meu cuzinho. Gritei e me agarrei nele, ele me beijou para compensar a dor que me causava. Lentamente, comecei a quicar em cima daquele mastro que ia deslizando para dentro do meu cu e me abrindo como se fosse me rachar ao meio. Simultaneamente, ele me golpeava por baixo até o cacetão inteiro sumir dentro do meu rabo. Nossas bocas não se desgrudavam, e continuava quicando e gemendo num vaivém alucinado até me sobrevir o orgasmo, eu ganir forte, fincar meus dedos em seus ombros e me esporrar todo. Os laivos de porra cremosa flutuavam ao sabor do movimento da água que nos circundava.
O capitão me tirou do lago e me fez ficar ajoelhado de quatro no tabuado da plataforma. Pernas ligeiramente afastadas, neguinho aberto, ânus plissado bem visível e piscando, a posição perfeita para ser montado por um macho. Ele apontou a cabeçorra sobre a fendinha e se empurrou para dentro dela. Soltei outro grito que chegou a atrair a atenção dos gansos e cisnes. Montado em mim como se eu fosse uma cadela, ele começou a bombar; inicialmente devagar e com cuidado, pois notara que a primeira penetração havia deixado o cuzinho inchado e avermelhado. À medida que eu rebolava para o pauzão dele ir se encaixando em mim e gemia externando meu deleite, intensificou as estocadas, socando fundo e forte, às vezes me obrigando a soltar gritinhos para aplacar a dor que por uns segundos suplantava o prazer. O urro gutural dele ecoou entre os juncos da margem do lago enquanto ele se despejava todo dentro de mim. Quando desmontou, meu corpo todo tremia, o excesso de esperma pingava do buraquinho que se fechava aos poucos em contrações rítmicas. Ele se deitou de costas sobre o tabuado, arfando e deixando a musculatura envolta em prazer ir relaxando gradualmente.
- Deita a cabeça no meu peito, seu putinho tesudo! Vem fazer carinho no teu macho, vem! Acho que estou merecendo, não acha? – ronronou. Segurei seu rosto entre as mãos e o beijei, não querendo desgrudar meus lábios dos dele.
Cochilei em seus braços até o sol desaparecer no horizonte, as rãs começarem a coaxar e as revoadas de pássaros retornando aos seus ninhos anunciar que a noite havia chegado. Dessa vez, ao chegar em casa atrasado para o jantar, ninguém precisou me perguntar por onde andei. A felicidade estampada no meu rosto bastou para saberem o que andei fazendo e com quem.
Para fazer frente à Primeira Coalizão, um esforço conjunto de diversas monarquias europeias contra a França revolucionária, a frente de guerra contra a Prússia e a monarquia dos Habsburgos exigia cada vez mais militares para rechaçar a invasão do território francês. A situação levou o general Guilhoume e retirar o destacamento que nos dava proteção. Meu medo não residia no fato de ficarmos vulneráveis aos revoltosos, mas ao destino do capitão Phelippe, o homem pelo qual eu estava tão apaixonado que não concebia a ideia de me ver longe dele e de suas impetuosidades sexuais.
Fizemos amor na noite que antecedeu a sua partida como se não houvesse amanhã. Ele meteu com tanta gana, me arregaçou como nunca havia me arregaçado antes só para deixar em mim o sêmen que carreguei por quase um dia no cuzinho lanhado. Chorei desolado quando o vi partir liderando sua tropa sem que nada pudesse ser feito. A promessa de me escrever com regularidade não aconteceu. A princípio as cartas chegavam numa letra escrita às pressas, mas foram rareando ao longo dos meses até não chegarem mais. As dúvidas cresciam dentro de mim, estaria morto, teria me esquecido, teria encontrado uma nova paixão?
Para não mergulhar num mar de incertezas e desilusões, me empenhei junto com meu pai a reformular as coisas na propriedade. A revolução não trouxe a abundância que o povo esperava, nas cidades, para onde muitos se mudaram, e estavam cheias de pessoas jogadas pelas esquinas ao relento dependendo a bondade alheia para sobreviver.
- E se trouxéssemos os camponeses de volta, não mais como vassalos, mas como parceiros? – perguntei certo dia quando conversava com meu pai sobre o futuro das nossas terras.
- Como pretende conseguir isso? Eles jamais voltarão agora que conquistaram a liberdade. – afirmou meu pai.
- Uma liberdade que lhes tirou o pão da mesa! Estão aos milhares passando fome nas cidades sem nenhuma perspectiva de que as coisas melhorem. A situação econômica da França está se deteriorando cada vez mais, financiar a guerra está empobrecendo o país e a população. Nossa própria situação fica cada vez pior à medida que as terras não produzem mais por falta de quem as cultive. Como nós, há outros membros da aristocracia vendo seus recursos rarearem, agora que a monarquia não mais os privilegia com recursos da coroa. Poderíamos nos unir e propor aos camponeses uma parceria deixando-os cultivar as terras e terem uma participação no lucro da venda das safras, o que permitiria que eles próprios pudessem sustentar suas famílias e terem um excedente para o futuro. Com a união dos nossos vizinhos proprietários e dos camponeses na venda dos produtos, conseguiríamos impor nossos preços, lucrar mais do que o fazendo em separado. No final, os lucros seriam repartidos conforme o percentual de produção de cada propriedade e de cada família camponesa. – expus, enquanto ele me ouvia com vivo interesse.
- De onde você tira essas ideias malucas, Julien? – perguntou ao final da explanação.
- Não sei, elas brotam feito ervas daninhas na minha mente durante minhas caminhadas diárias pela propriedade. Não são malucas, podem ser ousadas, talvez. – devolvi, o que o fez rir.
- Estava brincando com você! É que de uns tempos para cá você anda tão inovativo que está difícil acompanhar suas ideias. – argumentou. – Vamos tentar! Não temos nada a perder e, os camponeses certamente têm muito a ganhar.
Passei dois anos envolvido nesse projeto que começava a mostrar seus primeiros resultados positivos após as primeiras colheitas depois da recuperação das terras abandonadas. Tivemos que restringir a chegada de novas famílias que faziam o caminho de volta, das cidades empobrecidas para o campo que garantia sua subsistência. Nossos vizinhos também estavam se beneficiando do projeto e estavam se conscientizando que aquelas benesses recebidas da monarquia e da coroa tinham acabado para todo o sempre.
Apesar de passar o dia todo envolvido com a agitação que passou a fazer parte da propriedade, eu não conseguia tirar aquele vazio de dentro do peito, deixado pelo capitão Phelippe. Ninguém nunca soube o quanto eu chorava antes de pegar no sono. Ao menos dentro do meu coração ele continuava vivo e dono da única paixão da minha vida. Se em realidade isso era verdade longe dos meus olhos eu não saberia dizer, mas continuava a alimentar a esperança de o ver chegando algum dia com aquele seu caminhar firme, de pernas afastadas como se o tamanho do que carregava entre elas lhe dificultasse um andar menos viril.
Uma área cultivável da propriedade havia sido recuperada no ano anterior com o trabalho dos camponeses com os quais nos havíamos associado. Com a chegada da estação de plantio, eu estava ajudando a medir e delimitar os talhões onde seria plantado o trigo e as forrageiras, quando vi uma carruagem passando na estrada e se dirigindo para o palacete. Julguei tratar-se de alguma visita, uma vez que após os demais proprietários da região terem aderido à ideia da parceria com os camponeses, a vida social dos meus pais haver voltado a ficar mais agitada, e continuei com a minha tarefa. Provavelmente à hora do almoço eu teria a chance de saber de quem se tratava, já que minha mãe ia se alegrar se alguém se juntasse a nós para a refeição. No momento, minha prioridade era dar andamento ao trabalho, pois a janela de cultivo durava poucas semanas e tinha que ser aproveitada por conta do clima favorável, e não ficar fazendo sala para algum vizinho.
Cerca de meia hora depois a silhueta dele veio atravessando o campo tal qual nos meus sonhos. Cheguei a esfregar os olhos para ter certeza de não se tratar de uma miragem ou de um sonho em pleno dia. Era ele, sem nenhuma dúvida. Eu reconheceria essa silhueta e esse caminhar mesmo dentro de uma multidão. O tronco largo aprumado, a cabeça altiva, as passadas firmes com as pernas afastadas estavam vindo para mim. As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto suado antes mesmo de eu poder distinguir o dele àquela distância. O coração disparou na mesma intensidade que minhas pernas me conduziam em direção a ele. Era o meu capitão, o meu Phelippe constatei explodindo de felicidade.
Ele abriu os braços e também passou a correr na minha direção. Estava ligeiramente mais magro do que eu me lembrava, mas ainda tinha aquele corpão parrudo e sólido ao qual eu me aninhava depois de termos feito amor. Saltei para cima dele assim que o alcancei e comecei a cobrir seu rosto de beijos. Ele me agarrou com força, esmagou meu tórax contra o dele e pronunciou meu nome enquanto me beijava numa voracidade saudosa. Suas mãos tateavam pelo meu corpo como se conferindo se ainda era o mesmo no qual penetrou durante os coitos lascivos onde saciou todas suas necessidades carnais de macho.
- Julien, meu molecão, minha paixão, meu amor! – exclamava ele, aumentando a sofreguidão dos beijos.
- Phelippe, meu amor, é você! É você de verdade, em carne e osso! Não em sonho, não nos meus delírios de saudade. – verbalizei, não me desgrudando dele com receio da magia se desfazer.
Naquele mesmo dia ele nos contou sua saga depois de ter deixado a propriedade e ido para o front de guerra nos Países Baixos Austríacos, onde foi ferido meses depois, capturado e feito refém pelo exército prussiano. Passou quase um ano num hospital se recuperando do ferimento antes de ser resgatado pelas tropas francesas, período no qual as cartas deixaram de chegar. Quando voltou para a ativa foi enviado para a Península Itálica onde ficou até se desligar do exército poucos meses atrás. Desde então se empenhou em voltar para Chaumont como civil para me reencontrar e viver a paixão à qual se rendeu ao me conhecer e unir seu corpo ao meu.
A presença dos meus pais não limitou a sinceridade de suas palavras revelando o que sentia e que já havíamos feito sexo durante o período em ele e seu pelotão estavam responsáveis pela nossa segurança. Foi até engraçado ver a reação do meu pai enquanto ele confessava abertamente o que fazíamos durante os meus sumiços e nas noites depois das quais eu regressava ao alvorecer, mal podendo caminhar, mas com um sorriso luminoso de orelha a orelha.
- Amo o Julien, Monsieur le Duc! Amo seu filho e quero ficar com ele, é por isso que voltei! Sei que sou um plebeu, que esse é um relacionamento totalmente fora dos padrões, mas o amor que sinto por ele, e o que tenho certeza ele sente por mim, vai encontrar uma maneira de podermos ficar juntos. – o olhar do meu pai se revezava entre mim, ele e minha mãe, enquanto se mantinha calado apenas ouvindo.
A ansiedade dentro do meu peito só crescia. Por que meu pai não dizia nada, não protestava, não expressava sua opinião quanto ao que estava ouvindo? Por que minha mãe não apregoava os valores morais com os quais costumava rechaçar tudo aquilo que abominava ou que não seguisse os preceitos religiosos? Eu estava ficando assustado. A qualquer momento um deles ia explodir e o capitão e eu estaríamos irremediavelmente perdidos.
- O que você me diz quanto a tudo isso, Julien? – perguntou-me meu pai, mais serenamente do que eu imaginava.
- Amo o capitão Phelippe, pai! Eu o amo e me entreguei a ele! Não com a leviandade que meus primos o fizeram com os homens com os quais se deitaram, mas com a paixão que se instalou em mim assim que o capitão chegou a essa casa. – asseverei.
- Nada em você é convencional, Julien! Nunca foi! Você, suas ideias, suas atitudes sempre nos surpreenderam pelo ineditismo, pela ousadia, pela quebra de convenções e protocolos. Sua mãe e eu não esperávamos nada muito diferente quando fosse se apaixonar, só não esperávamos que fosse por outro homem, devo admitir. Eu nunca cerceei sua liberdade, seu livre arbítrio e não vou fazê-lo agora. Porém, saibam vocês que apesar de todas essas novas ideias iluministas que a Revolução trouxe, a sociedade não está e, acredito que jamais estará preparada para aceitar um relacionamento afetivo entre dois homens. O que me preocupa é a sua segurança, Julien, o mal que podem fazer com vocês por fugirem aos padrões convencionais. A Revolução deixou isso bem claro, decepando cabeças aos milhares quando alguém não concorda com as ideias dos outros ou com o que está estabelecido. – esse era o Duc du Chaumont, meu pai, de quem não se esperava outra coisa que não o bom senso, a cabeça aberta à mudanças, a aceitação de que a sociedade estava em transformação e que antigos privilégios não existiam mais. Eu o amava exatamente por isso.
- Havemos de encontrar uma maneira de ficar juntos sem despertar a ira da sociedade, Monsieur le Duc! – afirmou o capitão, envolvendo minha mão na dele num gesto de carinho, ao qual respondi com um sorriso de cumplicidade.
- Bem, meu genro, então escolha um dos nomes e passe a me chamar de Alain Gaultier Pardaillain du Gondrin, até porque o Duc de Chaumont é um título que nos dias atuais vale menos do que o papel no qual o rei Louis XV o concedeu ao bisavô do meu pai. – sentenciou meu pai, me enchendo de orgulho de ser filho dele.
São poucas as pessoas que sabem do verdadeiro relacionamento que o Phelippe e eu temos; os empregados mais antigos da casa e uns poucos parentes enxeridos que não sossegaram enquanto não lhes foi explicado motivo pelo qual o capitão passou a residir no palacete. Para os demais, somos os administradores bem sucedidos da parceria com os vizinhos proprietários e os camponeses que faziam a propriedade dar lucro e prosperar garantindo o sustento das famílias que residiam e trabalhavam as terras.
Era tão somente na intimidade do nosso quarto que o Phelippe pincelava seu caralhão grosso e pesado no meu rosto quando já lhe escorria o pré-gozo, instigando-me a mamá-lo até a última gota do esperma leitoso que ejaculava na minha boca; ou quando a comichão das minhas preguinhas anais me impelia a sentar sobre sua verga em riste até ela afundar no meu cuzinho enquanto eu o provocava com beijos e carícias até ele se lançar sobre mim e enfiar o pauzão até o talo no meu rabinho dadivoso, enchendo meu casulo anal de porra que formigava até adormecermos entrelaçados um nos braços do outro, felizes por estarmos juntos.

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Ficha do conto

Foto Perfil kherr
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Nome do conto:
Rendido pela paixão

Codigo do conto:
262162

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
16/05/2026

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