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Maria Eduarda atravessou a academia em direção à saída sem desacelerar o passo. Os fios de cabelo ainda úmidos do treino caíam sobre os ombros enquanto ela enxugava discretamente o suor da testa com a toalha. Não procurou Eduardo com os olhos, não lhe dirigiu uma única palavra.
Mas ele a observou.
Observou cada detalhe.
O balanço suave dos cabelos. A postura confiante. O jeito leve de caminhar. O sorriso que surgia naturalmente em seus lábios, iluminando o rosto de uma forma que ele conhecia muito bem.
Só que, desta vez, aquele sorriso não era para ele.
Ao chegar perto da saída, Manu ergueu a mão em um aceno carinhoso. Seus olhos brilharam ao encontrar alguém do outro lado da recepção. Era Diegão.
O gesto foi rápido, mas suficiente para apertar algo dentro de Eduardo.
— Estranho... — comentou Romário, observando a cena. — A Manu acabou de sair sorrindo para aquele grandalhão ali, mas você parece tão tranquilo. Não está com cara de ciúmes como a minutos atrás.
Eduardo soltou uma risada seca.
— Eu? Com ciúmes? Tá me estranhando, Romário? Não estou nem aí para Maria Eduarda nenhuma, se esqueceu que quem terminou fui eu? Ainda mais por causa de um viadão daquele? É mais fácil ele dar em cima de você do que dá Maria Eduarda.
Diz Eduardo.
_ De mim não, tá maluco é? Mas como você sabe que o Diegão é gay?
_ Ele não é irmão do outro viadinho? É tudo farinha do mesmo saco!
Disse Eduardo com desdém. Mesmo enquanto falava, seus olhos continuavam acompanhando a silhueta de Maria Eduarda desaparecendo pela porta.
— Claro... — respondeu Romário com um sorriso de canto.
Romário apenas arqueou uma sobrancelha, percebendo que Eduardo estava muito mais incomodado do que admitia.
Alguns metros dali, de frente a loja Elegance, Gustavo encontrou Manu.
— E aí? Estava na academia? Encontrou meu irmão?
— Encontrei sim. Mas foi tranquilo. Nem ele falou comigo, nem eu com ele.
Ela observou o uniforme que Gustavo vestia.
— Mas espera... você veio me encontrar já vestido para o trabalho?
Gustavo passou a mão na nuca, tentando parecer natural.
— Seu Oswaldo ligou. Precisava de ajuda para buscar alguns materiais.
Manu cruzou os braços e estreitou os olhos.
— Ah, é? Então por que está todo ofegante?
Por um instante ele hesitou.
— Porque carreguei as caixas.
Ela segurou o sorriso.
— Claro... carregou caixas. Um certo vendedor da Elegance não tem nada haver com isso né?
O olhar divertido dela fez Gustavo perder completamente a defesa.
Os dois trocaram um sorriso silencioso.
— Vou para casa tomar banho e depois seguir para o Studio.
— Então nos vemos lá.
Por alguns segundos permaneceram se encarando, confortáveis naquela proximidade. Então cada um seguiu seu caminho.
De volta à academia, Eduardo ainda carregava a irritação que tentava esconder. Ao passar por Diegão, não resistiu.
Mesmo vendo que o instrutor explicava um exercício para outro aluno, caminhou em linha reta e esbarrou nele de propósito.
O impacto foi leve, mas intencional.
Antes que qualquer discussão começasse, um aluno próximo reconheceu Eduardo e o cumprimentou.
A interrupção quebrou o clima.
Eduardo respondeu rapidamente e seguiu para a saída ao lado de Milena e Romário.
Foi então que ouviu uma voz atrás dele.
— Então esse é o ex dela?
Houve uma breve pausa.
— Agora entendo porque ele está desse jeito.
— Como assim?
— Porque eu também ficaria desnorteado se deixasse uma mulher como a Manu escapar.
Eduardo parou por um instante.
Os músculos da mandíbula se contraíram.
A vontade de voltar e iniciar uma discussão atravessou seu corpo como um raio.
Mas, pela primeira vez, decidiu continuar andando.
Ainda assim, aquelas palavras o acompanharam durante todo o caminho para casa.
Nos dias seguintes, Eduardo insistiu várias vezes para que Gustavo o acompanhasse até o estúdio de uma amiga de Milena.
Sem revelar exatamente para onde iam ou o motivo. E justamente por isso, desconfiado, Gustavo recusava. Sempre.
Toda tentativa terminava em desconfiança, discussão e alguma intervenção dos pais.
Até que, numa tarde, Romário apareceu com uma ideia que considerava brilhante.
Um sorriso malicioso surgiu em seu rosto.
— Relaxa. Eu tenho um plano. Dissolve esse comprimido em algo para seu irmão beber é tiro e queda. É da minha avó ela toma isso e dorme igual um tijolo.
Quando Gustavo abriu os olhos, demorou alguns segundos para entender o que estava acontecendo. O coração disparou.
Ele estava sentado em uma cadeira. Amarrado. Piscou várias vezes, a visão meio turva ainda, a cabeça meio pesada.
O ambiente ao redor parecia saído de um sonho estranho.
As paredes misturavam tons de rosa e branco. Uma decoração delicada ocupava cada canto do cômodo. Bem à sua frente havia uma cama cuidadosamente arrumada.
E, observando-o com expressões que variavam entre diversão e expectativa, estavam Milena, Eduardo e duas garotas que ele tinha certeza de já ter visto em algum lugar. Só não conseguia lembrar onde.
— Espera... — murmurou. — O que está acontecendo aqui?