Era mais uma segunda-feira comum, daquelas que costumam ter o mesmo ritmo de sempre. Como representante comercial, aquela cidade a 60 km da minha era parada obrigatória no início de toda semana. Parei no cliente de praxe e, assim que entrei, a vi debruçada sobre o balcão. Karina exibia aquele sorriso que sempre prendia minha atenção. — Boa tarde, Carlos! Tudo bem? — Boa tarde, Karina! Tudo ótimo, e com você? — Ah, você não deu muita sorte hoje, viu? — disse ela, com um tom provocativo. — É mesmo? Por quê? — O Seu Zé foi para Piracicaba e só volta no final do dia. Olhei bem nos olhos dela, sorri de canto e retruquei: — E quem disse que eu não tive sorte? Olha eu aqui, diante da mulher mais linda da cidade. Ela deu um sorriso tímido, disfarçando o rubor nas bochechas, e balançou a cabeça: — Você não existe, né? Não desiste nunca! Rimos juntos. Como eu não tinha mais compromissos na cidade, aproveitamos o momento para tomar um café sem pressa. A conversa fluía leve, cheia de olhares duplos e entrelinhas. Até que ela soltou: — Pois é... na próxima segunda-feira você vai dar azar de novo. — É mesmo, Karina? Por quê? — Porque vai ser minha folga. — Ué, mas sua folga não era de quarta? — O Seu Zé pediu para eu trocar essa semana. Minha mente trabalhou rápido. A oportunidade estava ali, perfeita, pronta para ser agarrada. — E me conta... o que você pretende fazer nessa folga? — Nada, né Carlos? O que tem para fazer numa cidade pequena dessa numa segunda-feira? — Então almoça comigo. Ela me encarou com um olhar desconfiado, mas nitidamente surpresa e curiosa. — Sério? — Com certeza. — E onde você me levaria? — Você merece algo especial. Que tal subirmos a serra? O rosto dela se iluminou num sorriso irresistível: — Vou adorar! Os dias seguintes pareceram arrastar-se a passos lentos. A expectativa só aumentava. Quando a segunda-feira finalmente chegou, preparei cada detalhe: barba feita, perfume marcante e o carro impecável. Perto do horário do almoço, enviei a mensagem: “E aí, nosso compromisso ainda está de pé?”. A resposta veio rápida: “Claro! Moro na rua X, pode vir me buscar que já estou pronta.” Estacionei em frente à casa dela e avisei que tinha chegado. Quando a porta se abriu e ela caminhou em minha direção, o tempo pareceu desacelerar. Karina estava deslumbrante. Uma maquiagem suave valorizava seus traços, a calça jeans ajustada desenhava suas curvas com perfeição e a blusa preta, com um decote na medida certa, destacava seu colo de forma hipnotizante. Subimos a serra sob um clima gostoso de antecipação. No restaurante, escolhemos uma mesa tranquila. Pedimos uma cerveja gelada e a refeição. Aos poucos, a conversa descontraída deu lugar a um tom mais íntimo e romântico. Nossos olhares se cruzavam com frequência, até que o desejo falou mais alto e nos aproximamos para o primeiro beijo. Um beijo calmo, profundo, de bocas que há tempos se desejavam em silêncio. Após o almoço, fomos para a área externa do restaurante, um mirante impressionante de onde se podia ver toda a região. Karina se encostou na cerca de madeira, admirando a paisagem. Aproximei-me por trás, envolvendo sua cintura com meus braços e puxando seu corpo contra o meu. Colei meus lábios em seu pescoço, sentindo sua pele se arrepiarem a cada toque, enquanto trocávamos carinhos quentes ao ar livre. — Carlos, aqui não dá... todo mundo me conhece e você é casado — sussurrou ela, entre respirações afagadas. — Eu sei, mas não temos motel por perto... — Mais para a frente tem um lugar onde o pessoal costuma ir à noite. É bem discreto. Só não sei como fica durante o dia... Não pensei duas vezes. Seguimos na direção indicada e encontramos um recanto isolado, cercado pela natureza e com uma vista deslumbrante da cidade abaixo. O clima esquentou no mesmo instante. Nossas bocas se buscaram com uma urgência represada. Aumentei a intensidade dos beijos, deslizando minhas mãos por baixo de sua blusa para acariciar seus seios firmes e aquecidos. Karina soltava suspiros suaves enquanto suas mãos hábeis abriam minha calça, tocando-me com desejo. A mistura do calor do momento com o risco velado de estarmos ali deixava tudo ainda mais instigante. Ela me olhou fixamente, com os olhos brilhando de paixão: — Vem comigo. Desceu do carro e caminhou em direção a uma pequena trilha na mata. — Para onde estamos indo? — perguntei, seguindo seus passos. — Só confia em mim. Paramos em um ponto completamente protegido, onde a vista da cidade era ainda mais bonita. — Tem certeza de que é seguro? — perguntei. — Deve ser... e afinal, quem está na chuva é para se molhar, não é? Puxei-a para mim em um abraço apertado, selando nossos lábios num beijo voraz. Ergui sua blusa para me entregar ao sabor de sua pele, enquanto ela se ajoelhava diante de mim, envolvendo-me com entregas e carícias intensas. O contraste entre sua delicadeza e a entrega do momento tornava tudo inesquecível. Acomodei-me junto a uma rocha. Karina baixou as calças e se encostou suavemente em mim, provocando uma proximidade irresistível. Conduzi o momento com calma, sentindo a pele macia do seu corpo se moldar ao meu. Quando me envolvi completamente nela, Karina suspirava baixinho, confessando o quanto desejava aquele momento e o quanto valera a pena render-se àquela atração. O tempo pareceu parar naquela tarde. Trocamos beijos profundos, olhares cúmplices e carinhos constantes sob a luz do sol que começava a baixar no horizonte. Exploramos cada sensação, aproveitando a companhia e a paixão que nos envolvia sem pressa. Ao final da tarde, com o pôr do sol tingindo o céu, a levei de volta para casa. Despedimo-nos com um beijo longo, intenso e molhado — um selo para uma tarde inesquecível. Peguei a estrada de volta para minha cidade com a mente leve, revivendo cada detalhe, cada toque e o aroma de uma segunda-feira que fugiu totalmente do comum.
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