Lá embaixo, o espetáculo acontecia.
O trabalho pesado rolava em silêncio absoluto. Aquele colosso de pele preta reluzia de suor sob o sol, os músculos forjados na pá e na marreta. Sem a camiseta velha, a visão exibia ombros absurdamente largos e um peito estufado, coberto por uma mata de pelos grossos, molhados e salpicados de pó de cimento.
Mas o que realmente roubava o ar e secava a boca de quem assistia era o cenário da cintura pra baixo. A calça surrada e suja descia perigosamente pela linha do quadril a cada movimento em direção à pilha de tijolos. O tecido grosso não dava conta de esconder a brutalidade enclausurada ali. O volume era uma obscenidade completa. Um pacote pesado, desenhando o contorno de uma tora ignorante, com um saco tão cheio que formava um calombo denso no meio das coxas do peão.
Engolindo em seco, o cu de Thiago deu mais algumas piscadas nervosas, contraindo sozinho, já imaginando o estrago que aquele pedaço de carne bruta faria se roçasse e abrisse caminho em suas entranhas.
O sol castigava sem dó. O relógio passava das duas da tarde, e o ar tremia pesado de tão quente. Ela agora olhava para a garrafa de água trincando de gelada na geladeira bastou. O coração disparou no peito macio. A covardia brigava feio com o tesão, mas a vontade suja de ser rasgado por um macho daquele tamanho venceu de lavada.
Os chinelos foram calçados às pressas, junto com uma camiseta branca fina que não escondia o desenho rosado dos bicos do peito. As pernas tremiam a cada degrau na descida.
Quando a porta de vidro do saguão abriu e o pé tocou a calçada, o bafo fervente da rua bateu direto no rosto claro. De costas, a figura colossal marretava o concreto, o som seco e pesado ecoando pelo condomínio.
— O-oi... — a voz saiu fina, quase um sussurro inseguro e desesperado por atenção.
O impacto no concreto parou. A marreta foi apoiada no chão, e o corpo virou devagar. De perto, a presença do peão era um absur-do. O peito largo subia e descia ofegante, ensopado. O cheiro atingiu o rosto pálido como um soco muito bem dado: testosterona pura, suor grosso e axila masculina. Era o puro cheiro de um predador trabalhador. O chão sumiu, as pernas bambearam e o pauzinho deu uma fisgada dolorida, chorando de tesão dentro do moletom.
— Tá muito quente... — as palavras continuaram, o olhar desviando para baixo, as bochechas brancas vermelhas, queimando de vergonha. — Trouxe uma água gelada pra você.
Nenhum sorriso ou "muito obrigado" quebrou a tensão. Apenas um par de olhos escuros, intensos e predatórios, cravados sem piedade no rosto do gordinho. A aproximação veio lenta, ditada pelo som bruto da bota de bico de aço esmagando o concreto quente. Ao tomar a garrafa, a mão imensa, suja de cimento e entupida de calos deslizou de propósito sobre os dedos macios e trêmulos que a seguravam.
O choque do contato foi elétrico. A pele clara arrepiou na mesma hora. Era a lixa grossa testando o veludo.
O plástico estalou ao ser aberto. O litro foi virado de uma vez, e o excesso de água gelada escorreu pelo queixo rústico, descendo pelo pescoço grosso até se perder no suor do peito peludo. A sede secou a garrafa inteira sem que aquele olhar de macho desviasse um milímetro sequer de sua presa. Do outro lado, restava apenas o transe absoluto: o corpo farto paralisado, a boca levemente aberta, a respiração curta e faminta.
— Tava precisando... — a voz raspou no fundo da garganta, um som grave e arrastado que vibrou direto no estômago amolecido pelo tesão.
O frasco vazio foi empurrado de volta com firmeza contra o peito do garoto.
— Tu mora ali no segundo andar, né? Do lado esquerdo.
Os olhos claros se arregalaram levemente. O peão sabia. Aquela encarada confirmava que a vigia da janela não era segredo pra ninguém.
— É... no 201. — A resposta escorregou mais fina do que nunca, um fio de voz entregando todo o desespero, entregando de bandeja a chave da própria submissão.
Um meio sorriso cínico marcou o canto da boca escura. A água do queixo foi seca nas costas da mão imunda antes daquele corpo imenso ameaçar voltar para o batente da obra.
O estômago do garoto afundou. O macho ia escapar. O pânico de perder a chance de sentar naquela tora monstruosa calou qualquer resquício de razão. Um passo trêmulo à frente fez o chinelo raspar no cimento fervente da calçada.
— É... — O chamado saiu falhado, quase sem ar.
O peão parou. O rosto rústico virou devagar, encarando de cima para baixo por sobre o ombro absurdamente largo.
— Você... você faz bico por fora?
O escrutínio foi lento, pesado e carregado de malícia. O olhar predatório desceu do peito claro e ofegante até cravar direto na bermuda cinza de moletom, onde a miniatura inofensiva já estava perfeitamente desenhada, babando e umedecendo o tecido sem nenhum pudor.
— Depende do serviço. O que tu quer? — a voz soou grave, arrastada, sem a menor pressa. A postura inteira exalava a certeza de quem tinha o controle absoluto daquela calçada.
— O... o azulejo do meu box tá estufando. Meu banheiro precisa de um orçamento. — A mentira saiu da forma mais óbvia e patética do mundo, o rosto claro pegando fogo de vergonha. — Pensei que podia dar uma olhada. Hoje.
Foram cinco segundos inteiros de silêncio antes de qualquer resposta. Cinco segundos com aqueles olhos escuros cravados, farejando sem esforço a putaria que transbordava do morador de condomínio. E então, um sorriso rústico e malicioso se abriu, exibindo os dentes brancos contra a pele suada e escura.
— Box estufado, é? Entendi... — Dedos ásperos coçaram a barba falha no queixo quadrado. — Minha pausa é umas três e meia da tarde. Eu subo lá.
O cu se espremeu com um aperto violento. Sentiu sua próstata reagir.
— Valeu, patrão. Mais tarde te devolvo o favor. — O peão finalizou a conversa virando as costas, e logo o som seco da marreta voltou a punir a parede.
A volta para dentro foi rápida, passos apressados de quem fugia. O coração batia rasgando a garganta. No elevador, as pernas finalmente cederam; as costas escorregaram pela parede de espelho, incapazes de sustentar o peso do próprio tesão, enquanto a mão direita apertava a virilha com força. A bermuda estava completamente encharcada de pré-gozo, o moletom cinza grudando na carne quente. O ar mal passava pelos pulmões. Lá embaixo, o buraco latejava faminto, úmido de suor, apenas contando os minutos para a hora em que aquele monstro bateria na porta para "devolver o favor".
Assim que o trinco da porta estalou nas costas, trancando o apartamento, o instinto de autopreservação evaporou por completo. Não tinha mais volta. Os passos seguiram rápidos e diretos para o banheiro, onde o porcelanato limpo e claro brilhava frio sob a luz de LED. Com as mãos tremendo de ansiedade, a gavetinha do gabinete foi puxada. De lá, saíram um frasco quase cheio de lubrificante à base de água e duas camisinhas.
Nada foi escondido. Muito pelo contrário. O frasco e os plásticos ficaram largados ali mesmo, bem em cima da bancada, do lado da saboneteira cara. Escancarados. Uma placa de neon invisível gritando “me fode, me arromba”. Era um convite suicida.
O olhar cruzou com o próprio reflexo no espelho embaçado pelo suor. O pânico brigava de faca com a adrenalina. O macho da obra podia muito bem subir, achar aquilo uma loucura e soltar um soco na cara pra ensinar respeito. Ou... podia simplesmente arrancar a bermuda de moletom e cumprir a promessa de estrago que aquele volume obsceno na calça suja carregava. E, mesmo com as pernas fracas, o corpo inteiro estava disposto a pagar o preço. Fosse a porrada ou a foda.
O relógio cravou 15h10. Na sala, a TV ligada no mudo e o ar-condicionado no talo gelando o ambiente não aliviavam o peso da espera no sofá caro. Os dedos tentavam rolar a tela do celular forçando alguma concentração, mas a mente só estava lá fora, no calor do cimento. O silêncio limpo do apartamento nunca pareceu tão ensurdecedor.
Quando o relógio do celular cravou 15h32, duas batidas secas e pesadas estouraram na madeira da porta. O estômago despencou na hora.
A fechadura foi destrancada sob mãos trêmulas, abrindo a fresta devagar. O batente inteiro foi preenchido por aquela massa de músculos. A camiseta velha estava jogada sobre o ombro, revelando completamente o peito largo e escuro. O cheiro de macho bruto engoliu o ar-condicionado e o perfume caro da sala numa fração de segundo.
— Onde é o banheiro? — A pergunta soou baixa, raspando o fundo da garganta, enquanto os olhos escuros varriam o apartamento impecável, avaliando o território.
— A-ali... no fundo do corredor, à direita. — O recuo foi instintivo, abrindo passagem com a respiração presa.
A entrada foi ignorante. Cada passo pesado da bota fazia o piso vibrar, sem a menor cerimônia ou pedido de desculpas por marcar o tapete claro com sujeira. Atrás dele, as pernas brancas seguiam bambas, o coração espancando as costelas tão forte que chegava a doer.
No banheiro, o contraste era um absurdo visual: a sujeira e a brutalidade da obra invadindo aquele espaço de porcelanato branco e espelhos intocados. O olhar escuro do peão correu pela parede do box, mas desceu imediatamente e travou na bancada da pia.
Lá estavam. O frasco de lubrificante e os dois preservativos. A armadilha escancarada, esperando a fera dar o bote.
O silêncio que caiu sobre o banheiro pareceu durar horas. A respiração travou na garganta, o estômago embrulhou. O corpo macio se enrijeceu contra o batente, preparando-se para o pior. Um grito. Um empurrão. Um soco direto na cara por ser uma bicha atrevida demais.
A mão imensa e calosa avançou sobre a bancada, recolhendo o tubo de lubrificante. O frasco foi pesado lentamente entre os dedos sujos de cimento antes que a figura colossal se virasse devagar. Não havia um pingo de raiva naquele rosto escuro. Muito pelo contrário. O olhar brilhava com uma malícia crua, predatória, mas incrivelmente calma.
— Olha só...
A voz saiu baixa, arrastada, grossa a ponto de quase roçar o azulejo. O plástico do frasco continuava girando devagar na palma áspera e suada.
— É por isso que tu fica na janela todo dia. E agora isso aqui… tudo arrumadinho pra mim.
Um aceno negativo, mudo e desesperado, foi a única defesa possível. A boca estava seca demais para articular uma única sílaba, enquanto a vergonha fazia o rosto pálido pegar fogo.
Bastaram dois passos pesados para encurralar a presa por completo contra o portal. O calor que irradiava daquele paredão de músculos suados era absurdo, uma verdadeira fornalha. Um braço imenso se ergueu e, com apenas dois dedos ásperos e calejados, forçou o queixo macio para cima, obrigando o contato visual. O toque era possessivo, dominador, mas estranhamente respeitoso.
— Tem mais alguém em casa?
A pergunta veio seca, cortante, sem margem para mentiras.
O gogó subiu e desceu rasgando, engolindo a saliva escassa.
— Não… moro sozinho.
Um sorriso de canto se desenhou lentamente, destacando o branco dos dentes contra o maxilar suado e escuro.
— Para de tremer, porra.
Os dois dedos apertaram o queixo macio com um pouco mais de força, obrigando o rosto pálido a se erguer e sustentar o olhar do predador.
— Sei o que tu quer e vou te dar.
O alívio e o tesão bateram como um choque elétrico. O cuzinho depilado piscou involuntariamente dentro da cueca, úmido, desesperado para ser usado.
— Ajoelha.
Foi a única ordem necessária. Os joelhos roliços despencaram no chão frio, batendo no porcelanato num baque surdo. As pernas largas do peão se abriram como bases de um pilar. As mãos calejadas desabotoaram o cinto de couro gasto, e o som agressivo do zíper descendo ecoou pelo banheiro. O tecido da calça foi puxado para baixo junto com o elástico frouxo da cueca.
A tora saltou para fora, erguendo-se ereto, a carne era pesada. Era um monstro absoluto. Um mastro grosso, escuro, pulsando vivo de sangue, entupido de veias que saltavam sob a pele esticada e desembocavam numa cabeça roxa e enorme. O cheiro denso que subiu daquela virilha invadiu o ar: oito horas de suor sob o sol de obra puro e bruto, misturado com o almíscar salgado de testosterona acumulada.
Não houve hesitação. A boca macia se abriu gulosa e engoliu a glande latejante de uma vez só. O contraste visual era uma obscenidade pornográfica: a pele branca e macia de apartamento se esfregando nas coxas negras, peludas e sujas. A sucção era faminta, babando o saco pesado sem frescura, enquanto a língua se lambuzava do gosto rústico do macho trabalhador. Um grunhido rouco, satisfeito, ecoou alto. As mãos calosas agarraram os fios de cabelo claro, cravando as unhas na nuca, ditando o ritmo, socando a rola sem dó até o fundo da garganta.
— Porra, que boca quente... — o resmungo saiu entre os dentes cerrados, o peito largo subindo e descendo ofegante. Passados alguns minutos de punição gutural, um puxão firme pelos cabelos tirou o pau de dentro do buraco apertado com um estalo molhado. A tora brilhava encharcada de saliva e gozo precoce.
— Levanta. Tira essa roupa.
Sem esperar, o braço forte girou o registro do chuveiro no máximo. A água fervente explodiu e a fumaça começou a embaçar os espelhos limpos. A camiseta fina e o short cinza foram arrancados num frenesi desajeitado, deixando o corpo branco, gordinho e indefeso exposto sob a luz, tremendo inteiro de antecipação e fome.
Um solavanco bruto puxou o corpo macio para debaixo da água. Ali, o suor, o pó de cimento e o tesão encardido escorreram pelo peito do peão, respingando e sujando impiedosamente a pele do dono do apartamento.
— Me lava. — A ordem cortou o vapor do chuveiro, rouca, quase um grunhido animal.
Não houve espaço para hesitar. Mãos trêmulas de tesão agarraram o sabonete e começaram a ensaboar o peito colossal e escuro. Os dedos afundavam na mata molhada de pelos, tateando a carne de pedra por baixo, mapeando os músculos travados de quem carregava peso o dia inteiro. A espuma escorregava livre enquanto o toque subia pelos ombros largos e descia pelos braços grossos, apertando os bíceps, absorvendo a força bruta do peão. O caminho seguiu ladeira abaixo, as palmas macias alisando o abdômen tenso, acompanhando a trilha de pelos que mergulhava em linha reta direto para a virilha.
Quando a espuma esbarrou na rola, a garganta secou de novo. Os dedos macios se enrolaram na tora escura e latejante, ainda meia-bomba, e o movimento de vaivém começou devagar, sentindo as veias grossas saltando sob a pele esticada. A mão esquerda desceu como suporte, abrigando o saco pesado, massageando as bolas cheias com um cuidado quase devoto, enquanto a direita ordenhava o mastro ensaboado. Um grunhido gutural vibrou fundo no peito largo, e, em resposta instantânea, duas mãos imensas e calejadas desceram pesadas, agarrando a cintura gordinha, cravando os dedos na carne mole para travar o corpo no lugar.
Alguns instantes depois, de joelhos debaixo da água quente, as palmas macias esfregaram a sujeira das coxas grossas e dos joelhos rústicos. Em seguida, o rosto pálido subiu apenas o suficiente para abocanhar a cabeça roxa de uma vez só. A sucção começou faminta, gulosa, enquanto as duas mãos continuavam trabalhando a grossura daquele mastro. A água do chuveiro escorria pelo rosto, misturando-se à saliva farta. A língua babava e passeava pelas veias saltadas, roçava no freio sensível e afundava até o saco pesado, saboreando cada centímetro daquele colosso de obra que vinha sendo espiado há semanas.
Um puxão bruto ergueu o corpo gordinho do chão num solavanco só. O registro foi fechado. A saída do box aconteceu com as peles ainda pingando e coladas, a textura áspera roçando no veludo. Um empurrão firme prensou a carne branca contra a pedra fria da bancada, exatamente de frente para o espelho grande.
No reflexo do vidro embaçado, as mãos enormes começaram a mapear o território. Desceram pela barriga mole, apertaram com ignorância as nádegas fartas, subiram de volta e travaram nos peitinhos. Dedos grossos beliscaram os mamilos rosados, puxando e torcendo sem nenhuma pena. Um gemido alto estourou no azulejo do banheiro, a nuca tombando para trás enquanto o cu piscava sozinho, de puro tesão.
O peão o virou para si e se abaixou um pouco, o suficiente para abocanhar um dos peitos. A mamada veio com fome de bicho, a língua áspera rodando e os dentes arranhando a aréola de leve. A mão livre não dava trégua ao outro mamilo, esmagando e amassando a carne macia. Esmagado contra a bancada, o corpo pálido só conseguia se contorcer, enquanto a miniatura de rola latejava inútil, pingando grossas gotas de pré-gozo direto no chão.
Sem interromper a sucção feroz no peito, a mão livre e molhada desceu direto para a fenda entre as nádegas brancas. Os dedos úmidos tatearam o buraco liso. O indicador circulou a entrada, apertando e testando o terreno antes de invadir o buraco de vez, esticando as pregas, abrindo o caminho na marra. Um gemido longo e arrastado escapou, enquanto as palmas pálidas escorregavam sem força nos ombros do alfa.
A boca largou o peito, deixando para trás um mamilo vermelho, inchado e latejante. O frasco de lubrificante foi pescado na bancada com rapidez. Uma poça generosa do gel frio caiu na palma áspera e logo foi esfregada com vontade no rabo do outro. Os calos de obra rasparam de leve enquanto dois dedos abriam o cuzinho com cuidado, espalhando a frieza do líquido, entrando e saindo num vaivém calculado, sentindo a resistência do músculo ceder aos poucos sob a pressão.
O corpo colossal o virou e se alinhou por trás. A cabeça roxa e descomunal da pica roçou na entrada rosada, carimbando a marca. O empurrão veio firme, mas com uma calma assustadora. Apenas a glande rompeu a barreira. Outro ganido choroso tomou conta do banheiro. O avanço parou exato nesse ponto, travado, dando tempo para a carne macia se acostumar com a invasão absurda, sentindo o anel apertar e relaxar desesperado em volta daquela ponta grossa.
— Respira… — O sussurro bateu quente e rouco bem no pé da orelha.
A invasão continuou, afundando centímetro por centímetro da tora escura, sem pressa. Cada avanço era parte de um arrombamento lento e deliberado. No espelho, a visão era o puro quadro da putaria: o rosto branco completamente vermelho e suado, a boca aberta puxando o ar, a pelves farta esmagada na pedra fria da bancada. E logo atrás, cobrindo tudo, o paredão de músculos escuros e brilhantes, o abdômen trincado e as coxas grossas travadas de tensão enquanto o peão preenchia seu território com a tranquilidade de quem domina a obra.
Quando a pica escura chegou até o limite do fundo, raspando onde nunca ninguém tinha encostado, o movimento parou de novo. A tora ficou imóvel, apenas sentindo o cu fervendo e apertado pulsar, engolindo a invasão em espasmos involuntários. O peito largo colou nas costas claras. Mãos enormes escorregaram pela barriga macia, subiram devagar e travaram nos peitinhos outra vez, brincando grosseiramente com os mamilos enquanto davam tempo para que o corpo gordinho se abrisse e aceitasse por completo a grossura.
Um gemido baixinho ecoou pelo banheiro. Os olhos quase fechados lutavam para focar no espelho, assistindo ao vivo à própria expressão de prazer viciado. E, logo atrás, refletida no vidro embaçado, a imagem do predador: suado, pingando água do chuveiro, com um olhar escuro e letal fixo no próprio estrago.
— Por favor… — o pedido escapou, a voz falhando num fio de pura dependência. — Me fode... me fode…
O meio sorriso de canto ressurgiu no reflexo. Os dedos calosos agarraram a cintura mole com possessividade. Então, a pica foi puxada para fora com força, deslizando no gel até sobrar apenas a cabeça roxa roçando a entrada. O cuzinho recém-aberto se fechou, piscando vazio, engolindo o nada.
Um gemido curto, falhado e frustrado saiu, quase como um protesto pela perda repentina do mastro.
O ritmo lento e torturante se arrastou por mais um tempo. A tora sumia até o talo, e a investida cravava ali, imóvel por um segundo inteiro, apenas saboreando o aperto desesperado do anel fervente antes do recuo arrastado. Pelo espelho embaçado, dava para assistir de camarote à desconstrução daquele morador de apartamento: o rosto claro se contorcendo a cada invasão, a boca escancarada babando sem controle, as sobrancelhas franzidas num misto de dor e gozo, o pescoço esticado marcando as veias.
Aos poucos, a foda foi mudando de marcha. As estocadas ganharam mais distância e uma força ignorante começou a dar as caras. O controle inicial foi cedendo espaço pro instinto puro, e a pele escura e suada da virilha começou a bater pesada contra a maciez das nádegas brancas. O estalo sujo de carne contra carne, misturado ao gel, subiu de volume no banheiro. Cada novo impacto arrancava um gemido baixo, rouco e quebrado, transformando o silêncio limpo do lugar no som cru de um verdadeiro arrombamento.
— Mais… assim… — o pedido saiu quebrado, num fio de voz quase sem ar.
O apelo foi atendido na hora. Duas mãos imensas agarraram a cintura macia e o ritmo acelerou brutalmente. As estocadas ficaram mais fundas, mais firmes. A tora entrava até ao talo, e a bacia dura colidia contra o rabo farto com um estalo úmido e obsceno. A cada socada, o corpo mais frágil balançava para a frente, o peito a balançar e a barriga a bater de leve contra a bancada fria.
Já não havia espaço para formar palavras. Apenas gemidos e grunhidos rasgados escapavam pela boca aberta contra o vidro embaçado. A cada enfiada mais forte, um som baixo e gutural ecoava na garganta, pura rendição animal.
O ritmo tornou-se pesado, perdendo o controle para a urgência do tesão. As estocadas ficaram mais profundas.
Um gemido grave anunciou o limite, a voz rouca e cortada:
— Porra… vou gozar…
As mãos enormes apertaram a cintura com muito mais força. As estocadas ficaram irregulares, mais longas, enterrando até ao fundo e parando uma fração de segundo antes do recuo. No espelho, o reflexo exibia a face do homem a contorcer-se de puro prazer, a mandíbula trancada e os olhos escuros quase fechados. Em resposta, os olhos claros reviraram-se para trás, o corpo de baixo a tremer por inteiro na iminência do clímax.
— Dentro… — o pedido escapou rasgado, um fio de voz se partindo no ar denso do banheiro. — Goza dentro… por favor…
Um riso baixo, rouco e letal raspou contra a orelha quente.
Não houve aviso. As mãos enormes e pesadas deslizaram até seus ombros, prendendo o corpo no lugar como uma prensa. O ritmo mudou de forma violenta. A cadência lenta sumiu, engolida por estocadas profundas, rápidas e cheias de uma raiva primitiva. Restava apenas gemer e agarrar a beirada da bancada, as unhas raspando no mármore.
Com um urro final, a invasão chegou ao limite numa estocada brutal, travando ali. O primeiro espasmo quente foi tão forte que o impacto reverberou pelo estômago. O alívio líquido encheu o espaço de uma só vez, jorrando sob pressão, uma sequência intensa e pesada que transbordou. A possessão continuou mesmo no limite, pulsando fundo, ordenhando até a última gota enquanto o suor e o excesso de prazer escorriam sem freio pelas pernas bambas, molhando o chão limpo. As mãos enormes esmagavam os ombros com força ignorante.
O corpo de Thiago tremeu inteiro, em curto-circuito. O buraco se contraía apertado em volta da invasão, sugando cada pulsação, cada gota quente que ainda pulsava lá dentro. A sobrecarga de calor, volume e humilhação era absoluta.
— Não para… — o pedido saiu rasgado, num fio de voz que quase chorava de puro tesão. — Continua metendo… vou gozar só com isso… não tira… continua…
Sem que a carne escapasse um milímetro sequer, o quadril bruto voltou a trabalhar. Movimentos mais lentos, mas absurdamente fundos, espalhando e misturando o próprio leite no fundo do canal. Contra a bancada, o corpo macio se contorcia no espelho, a um segundo de transbordar de prazer só pela humilhação de estar com o buraco completamente cheio.
A tremedeira nas pernas era tanta que mal dava para se aguentar em pé. O pauzinho inútil balançava intocado na frente, pingando pré-gozo sem parar. A visão daquele desespero submisso foi o combustível final. O peão voltou a meter com força bruta. As estocadas ficaram devastadoras, rasgando até o limite. A pelve dura batia com estalos violentos na bunda farta. O leite que já inundava as entranhas saía e era empurrado de volta a cada socada, criando um barulho sujo e ensopado que ecoava por todo o banheiro.
— Isso… isso… — os gemidos se atropelavam, enquanto a cabeça era jogada para trás.
O ritmo acelerou para a marcha final. Cada impacto bruto arrancava o ar dos pulmões. O anel contraía em espasmos de desespero, tentando segurar a invasão, mas o volume de sêmen era grande demais. A cada porrada de quadril, uma espuma grossa e branca vazava pelas laterais, sujando as coxas, as bolas e escorrendo pelas pernas.
O corpo inteiro engessou, paralisado pelo choque elétrico. E, sem precisar de um único toque das mãos, o gozo finalmente explodiu.
A musculatura inteira engessou por um segundo, paralisada pelo orgasmo. Depois, veio o tremor incontrolável. O pauzinho imprestável jorrou sem precisar de um único toque, disparando jatos fracos que carimbaram o móvel, enquanto o anel fervente se fechava em volta da tora escura em espasmos violentos e instintivos. O aperto milimétrico espremeu a carne grossa que ainda pulsava lá dentro, ordenhando o que restava de porra para fora.
Apenas quando a carcaça gordinha amoleceu por completo e cedeu seu peso sobre o mármore é que o vai e vem cessou. O silêncio tomou conta, rasgado apenas pela respiração pesada e ofegante de quem dominava, a pica imóvel enterrada até a base, sentindo as contrações fracas do buraco arrombado pulsarem ao seu redor.
O tempo parou no som do cansaço. A retirada aconteceu devagar, a carne escura deslizando para fora e abandonando o território. O cuzinho arregaçado piscou no vazio e cedeu, deixando um fio grosso e branco escorrer de imediato. O corpo pálido continuou jogado sobre a bancada, os joelhos quase falhando, o peito subindo e descendo em desespero por ar.
Uma das mãos calejadas desceu, enxugando a própria rola e limpando o excesso de gozo direto na coxa branca. O toque final foi um tapa ardido e estalado na nádega já inchada e vermelha.
— Amanhã passo aqui de novo. — O aviso veio seco, a voz arranhada de exaustão.
A única resposta possível foi um aceno mudo de cabeça, sem forças para emitir qualquer som. A toalha úmida foi usada sem pressa para secar o suor bruto do peitoral escuro. A calça de obra e a camiseta suja de cimento foram vestidas num ritmo calmo e soberano. Antes de deixar o banheiro, o olhar predatório cruzou o espelho uma última vez, admirando o próprio estrago: o corpo macio, marcado e farto de leite. Um meio sorriso de canto selou a despedida.
A porta do apartamento bateu forte segundos depois. No banheiro, a figura abandonada não se moveu. O buraco latejava, a porra morna escorria pela parte interna da coxa e encontrava o chão. No reflexo do vidro embaçado, o rosto que devolvia o olhar não era o mesmo de uma hora atrás. Estava vermelho, coberto de suor, completamente humilhado e viciado.