A Madrastra - parte 01

A casa era um daqueles sobrados de classe média que pontilhavam o bairro, com suas paredes brancas e janelas de alumínio que refletiam o sol da tarde. Lá dentro, no entanto, a luz parecia sempre mais opaca, como se as cortinas tivessem sido tecidas com o próprio ar pesado que ali se respirava.

Pedro tinha dezoito anos e já aprendera a navegar pelos silêncios daquela casa. O pai, homem de terno e compromissos, vivia entre aeroportos e reuniões, deixando para trás uma rotina de ausências que se tornara tão familiar quanto o cheiro do café pela manhã. A madrasta, Júlia, era como uma pintura emoldurada pela vida que escolhera — bela, sim, mas de uma beleza contida, como se cada gesto seu fosse cuidadosamente ensaiado diante de um espelho invisível.

Ela viera de um mundo onde as margens eram estreitas, onde cada real contado era um suspiro de sobrevivência. O casamento com o pai de Pedro fora sua passagem para uma existência mais branda, onde o único trabalho exigido era manter a casa impecável e a aparência imaculada. Mais nova que o marido em quase duas décadas, aprendera cedo que a submissão era o preço da segurança, e pagava-o com a moeda de sorrisos contidos e passos leves.

Para Pedro, Júlia era um mistério que habitava os corredores da casa. Nos dias em que o pai viajava — e eram muitos —, ele sentia a presença dela como uma música de fundo, uma melodia que se insinuava em seus pensamentos nos momentos mais inoportunos. Não raro, ele se pegava observando-a às escondidas, espreitando por entre frestas de portas entreabertas, alimentando-se de vislumbres roubados que mais tarde se transformavam em punhetas solitárias e silenciosas em seu quarto.

Os dias seguiam um ritmo quase litúrgico. Café da manhã e jantar eram os momentos em que suas vidas se encontravam, como dois navios que se cruzam brevemente em alto-mar. Ela perguntava sobre seus planos, ele respondia com monossílabos, e assim a semana se desenrolava, previsível como um relógio.

Setembro trouxe consigo um vento que mudaria tudo.

Naquela manhã de quinta-feira, a escola de Pedro foi tomada por um luto súbito. Um aluno, um garoto de sua idade com quem ele trocara poucas palavras mas dividira o mesmo corredor por anos, morrera num acidente banal — um carro, uma curva, um instante de desatenção. A comoção foi imediata e avassaladora, e as aulas foram suspensas antes mesmo do meio-dia.

Pedro caminhou para casa num estado de estranha desconexão, como se o mundo ao redor tivesse adquirido uma textura irreal. A morte, até então um conceito abstrato, agora lhe parecia uma presença concreta, uma sombra que se estendia por sobre as calçadas ensolaradas.

Era pouco mais de dez horas quando ele abriu a porta da frente. O silêncio da casa o envolveu como um casaco familiar, e ele seguiu instintivamente para o escritório — o cômodo onde os computadores repousavam, cada um em sua mesa, como sentinelas de uma vida digital.

O que viu ao entrar fez o tempo congelar.

Júlia estava sentada diante da tela, os fones de ouvido cobrindo suas orelhas como uma concha protetora. O vestido — aquele vestido florido que ele a vira usar tantas vezes — estava levantado até a cintura, e entre suas pernas abertas, um vibrador zumbia numa dança mecânica. A tela do computador pulsava com imagens explícitas, corpos entrelaçados em coreografias de desejo.

Pedro não conseguia se mover. Seus olhos, traidores, gravavam cada detalhe: a forma como os dedos de Júlia seguravam o objeto, a tensão em suas coxas, o movimento rítmico de sua pelve contra o ar. Ela não o vira, ou não queria ver, e continuava absorta em seu ritual privado, os gemidos escapando de seus lábios como uma linguagem que ele nunca imaginara ouvir.

Foram segundos que duraram uma eternidade.

Então, como se um fio invisível tivesse se rompido, Júlia levantou os olhos e o viu. O choque em seu rosto foi imediato, um véu de terror que desceu sobre seus traços como uma máscara. Seu corpo congelou, e por um instante, pareceram duas estátuas num museu do constrangimento.

Ela se levantou num movimento brusco, o vestido caindo sobre suas pernas como uma cortina que se fecha. O vibrador foi escondido atrás de suas costas, como uma criança flagrada com um brinquedo proibido. Seus lábios se moveram, mas as palavras saíram como farrapos:

— Pedro... Pedro... não é o que você está pensando...

O rapaz permaneceu imóvel, os olhos fixos nela, a mente vazia como um cômodo despejado. Seu coração batia em algum lugar distante, como um tambor ouvido através de uma parede grossa.

Júlia começou a chorar — não um choro contido, mas um soluço que parecia vir do fundo de um poço escuro. Ela pousou os fones sobre a mesa, cobriu o rosto com a mão livre e saiu do escritório, deixando para trás um rastro de lágrimas e humilhação.

Pedro ficou ali, paralisado, os olhos fixos na tela do computador que ainda pulsava com a cena interrompida. E o que viu foi brutal em sua simplicidade: um sujeito fortão pegando uma magrinha de quatro, socando forte, num ritmo mecânico e implacável, enquanto ela gemia com o rosto enterrado no travesseiro.

Finalmente, ele se moveu. Saiu do escritório, foi para seu quarto, tirou os tênis e deitou-se na cama, ainda vestido. O teto branco acima dele parecia um céu vazio, sem estrelas, sem respostas.

Ele adormeceu.

Júlia, em seu quarto, vivia o pior pesadelo de sua vida.

A sensação era de ter caído num abismo sem fundo, onde cada tentativa de se agarrar a algo resultava em mais vazio. Sua respiração vinha em ondas irregulares, e as lágrimas teimavam em escorrer, como uma torrente que não encontrava barragem.

Toda a estrutura que construíra com tanto cuidado — a fachada de dona de casa recatada, a imagem de esposa devotada, a ilusão de uma vida ordenada — desmoronara num único instante. Pedro vira. Ele sabia agora o que ela fazia nas horas de solidão, o segredo que guardava atrás das cortinas e dos sorrisos educados.

O que ele diria ao pai? O que o pai faria? Perder tudo, voltar para a vida humilde de onde viera, ser despedaçada pelo julgamento do marido — esses pensamentos giravam em sua mente como abutres à espera de um corpo moribundo.

Por horas, ela ficou imóvel, a alma em pedaços, o corpo tremendo com o choque do que acontecera.

Mas a vida tem a cruel capacidade de seguir adiante, independentemente de nossa vontade. Lentamente, como quem emerge de águas profundas, Júlia começou a reagir. Tomou um banho — a água quente contra a pele parecia tentar lavar não só o suor e as lágrimas, mas a própria memória daquela manhã. Vestiu-se com roupas simples, como uma armadura contra o mundo, e foi para a cozinha.

Preparou o almoço com gestos mecânicos, quase hipnóticos. Cortou legumes, temperou a carne, arrumou a mesa para dois. Mas não ousou chamar Pedro, nem comer. Ficou sentada, o olhar baixo, as mãos sobre o colo, como uma condenada esperando a sentença.

As horas passaram arrastando os pés. O relógio marcou quatorze horas quando ela finalmente desistiu. Preparou um prato para o rapaz, guardou-o no forno e escreveu um bilhete — palavras simples, sem culpa, sem pedido de desculpas: "Deixei seu almoço no forno."

Depois, foi para seu quarto e fechou a porta, como quem se recolhe a uma tumba.

Pedro acordou com a luz da noite entrando pela janela. Seu corpo estava dormente, a mente ainda turva como água suja. A fome latejava em seu estômago, um chamado primitivo que o puxou da cama e o conduziu pela casa escura.

Na cozinha, encontrou o bilhete. Leu as palavras como quem lê um idioma estrangeiro, sem realmente compreendê-las. Aqueceu a comida, comeu sem sentir o sabor, lavou o prato num gesto automático.

Quando se viu diante da porta do escritório, não soube dizer se fora o acaso ou a curiosidade que o trouxera até ali. Abriu a porta lentamente, e encontrou a cena intocada: o computador ainda ligado, a pornografia ainda rodando em loop, como uma ferida que não cicatriza. Lá estava de novo — o sujeito fortão, a magrinha de quatro, aquele soco seco e repetido.

Fechou a porta atrás de si e sentou-se diante da máquina. Os fones de ouvido repousavam sobre a mesa, e ele os colocou como quem veste uma máscara. As imagens dançavam diante de seus olhos — corpos, gemidos, uma coreografia de desejo sem pudor. Seus dedos encontraram o caminho até o elástico do moletom. Ele puxou a calça para baixo, lentamente, e iniciou a masturbação — a mesma punheta vagarosa e cadenciada que tantas vezes repetira ao imaginar o corpo de Júlia — com o olhar fixo na tela, entregue àquelas imagens que agora pareciam assombrosamente reais.

Júlia, em seu quarto, tivera um pensamento súbito: o computador. Ela não se lembrava de tê-lo desligado. Se Pedro tivesse acesso a ele, veria todo o histórico, cada pesquisa, cada vídeo, cada segredo que ela guardava em pastas ocultas.

O pânico a impeliu para fora do quarto, seus pés descalços fazendo pouco barulho no piso de madeira. Ela abriu a porta do escritório sem pensar, e o que viu fez seu sangue congelar.

Pedro estava sentado em sua cadeira, as calças arriadas, entregue à masturbação, a mão deslizando no ritmo familiar daquela punheta lenta, o corpo ligeiramente inclinado para a tela que projetava sombras azuladas sobre seu rosto. Ele estava absorto, completamente alheio à sua presença.

Júlia engoliu em seco. A porta estava aberta apenas o suficiente para que ela visse tudo — cada detalhe da cena, cada contração dos músculos do rapaz. Sua mão permaneceu na maçaneta, imóvel.

Foi então que Pedro começou a gozar.

O jato de sêmen atingiu a tela do computador com uma força que surpreendeu até mesmo ele, manchando a imagem dos corpos entrelaçados. Um gemido baixo, quase um soluço, escapou de seus lábios enquanto sua mão diminuía o ritmo, os dedos ainda segurando o membro que lentamente se aquietava, o corpo todo tremendo com o último espasmo da punheta que o consumira por inteiro.

Foi nesse momento que ele a viu. Seus olhos se encontraram através da penumbra do escritório, e o tempo pareceu suspender-se.

Júlia sentiu o mundo desabar sobre seus ombros. Tudo o que construíra, tudo o que temia, tudo o que desejava e reprimia — estava ali, naquele olhar cruzado, naquela intimidade brutal e exposta.

Ela puxou a porta e a fechou com um baque seco, fugindo para seu quarto como se o inferno estivesse em seus calcanhares.

Pedro, por sua vez, vestiu-se lentamente. Os dedos ainda tremiam levemente quando ele subiu o elástico do moletom. Foi ao banheiro, urinou, lavou as mãos — gestos que pareciam absurdamente normais para a situação. Depois, foi para a sala, ligou a televisão e deitou-se no sofá.

As imagens da TV dançavam diante de seus olhos, mas ele não as via. O que via, gravado em sua retina, era o rosto de Júlia naquele instante final — o choque, o medo, algo mais que ele não sabia nomear, mas que pulsava agora em seu peito.

Ela, em seu quarto, encolhera-se na cama, os braços apertados contra o peito, o coração batendo como um pássaro preso numa gaiola de costelas. O silêncio da casa pulsava ao seu redor, carregado de palavras não ditas, de olhares que se recusavam a se encontrar, de um segredo que agora pertencia a ambos.

A noite se estendeu sobre eles como um manto espesso, e no escuro, cada um navegava por suas próprias águas turvas — ele, pelos corredores da descoberta; ela, pelos abismos do medo.

Os dias seguintes foram um exercício de delicado equilíbrio. O pai de Pedro voltou de sua viagem no domingo, e a casa recuperou sua fachada de normalidade. Jantares em família, conversas banais sobre o trabalho e os estudos, o ranger familiar das engrenagens domésticas.

Mas havia um novo elemento no ar, um fio invisível que ligava Pedro e Júlia através dos cômodos, dos olhares furtivos, das palavras que não precisavam ser ditas. Era o segredo que compartilhavam, a cumplicidade involuntária de quem viu o outro nu em sua fragilidade.

E enquanto o pai de Pedro planejava sua próxima viagem, enquanto Júlia preparava o café da manhã com mãos que já não tremiam tanto, enquanto Pedro fingia concentrar-se nos livros — algo se movia nas profundezas daquela casa, uma corrente subterrânea que prometia, mais cedo ou mais tarde, vir à superfície.

O silêncio, afinal, não era vazio. Era apenas o prelúdio de tudo o que ainda estava por ser dito.


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Ficha do conto

Foto Perfil Conto Erotico pedrobo1960

Nome do conto:
A Madrastra - parte 01

Codigo do conto:
274644

Categoria:
Incesto

Data da Publicação:
14/10/2026

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