Foi então que viu o buraco.
Na parede de um prédio antigo, quase abandonado, havia uma abertura irregular de uns sessenta centímetros. No fundo, algo brilhava. Um reflexo dourado, fraco, mas insistente. Como se a chamasse.
Ela parou. Olhou para os lados. Ninguém. Nem um gato. O coração acelerou — não de medo, mas de ganância. Aproximou-se, agachou, e os olhos se acostumaram com a escuridão. Era uma tiara. Ouro puro. As pedras captavam a pouca luz e devolviam um brilho frio e cobiçoso.
O buraco descia quase vertical. Uns trinta metros, calculou. Estreito. Difícil. Mas possível.
— Se eu sair daqui com aquilo… — murmurou baixinho.
Tirou o casaco, ajoelhou e enfiou a cabeça. O cheiro de mofo e terra úmida subiu imediatamente. Começou a se arrastar. Os primeiros metros foram suportáveis. Até o tecido da blusa grudar.
Não era um prego. Era como se a parede tivesse uma textura viva, pegajosa, que se prendia ao pano e se recusava a soltar. Quanto mais puxava, mais se enroscava. A ganância falou mais alto que o constrangimento. Contorceu-se no espaço apertado e tirou a blusa, deixando-a presa atrás de si. Depois a calça. O jeans agarrou nos quadris com a mesma força teimosa. Teve de abrir o botão, puxar o zíper e se contorcer até conseguir se livrar. O sutiã veio em seguida. Os seios saltaram livres, pesados, os mamilos endurecidos pelo frio. Por último a calcinha. O tecido fino grudou nas coxas até ela forçar o quadril e se livrar da última peça.
Agora estava completamente nua. Pele contra o chão irregular e frio. Os seios balançando a cada movimento, o sexo exposto, o corpo suado e vulnerável. Mas livre para continuar. A tiara brilhava mais perto.
O túnel se abriu num vão de cerca de um metro. Espaço suficiente para ficar de pé. Ela se ergueu, as costas doendo, e viu a peça dourada a poucos metros à frente. Mas o chão escondia uma fenda estreita e profunda. Quando experimentou colocar um pé, o material pegajoso se fechou em volta do tornozelo. Só soltava se ela estivesse completamente ereta. Qualquer inclinação e ficava presa.
Não havia outra forma de alcançar a tiara. O túnel era estreito demais para se apoiar de lado. A única possibilidade era enfiar os pés na fenda, inclinar o tronco para frente e esticar os braços. A bunda ficaria alta, arrebitada, completamente exposta.
Ficou parada alguns segundos, respirando pesado. Nu. Sozinha. A vergonha e o medo lutavam contra a ganância. A ganância venceu.
Colocou um pé. Depois o outro. O material se fechou com um som úmido. Incliniu o corpo. As mãos tocaram o chão à frente. Os seios penduraram pesados. A bunda subiu, aberta e indefesa. Empurrou o tronco para frente, os dedos se esticando em direção ao ouro.
No instante em que tocou a tiara, a madeira desceu.
Uma peça pesada bateu com força, prendendo os dois braços esticados à frente. O impacto doeu. Tentou puxar. Nada. O alarme começou a soar — agudo, metálico, repetitivo. O pânico bateu de uma vez. Forceu os pés, balanceou o corpo, contorceu a bunda no ar. Quanto mais se debatia, mais o material da fenda apertava os tornozelos. Estava completamente imobilizada: pés presos, pernas abertas, bunda alta e exposta, tronco inclinado, braços travados, seios pendurados.
O alarme parou. O silêncio que veio depois foi pior.
Ouviu o rangido de uma porta se abrindo bem atrás dela, perto do traseiro vulnerável. Passos lentos.
— Socorro! — gritou, a voz já embargada. — Por favor, me ajuda! Estou presa!
A risada veio baixa, rouca, masculina.
— Hehehe… a armadilha pegou mais uma.
O sangue gelou. Forceu os braços até os músculos doerem. Nada. Sentiu a presença dele se aproximar. O ar mudou. Alguém estava ali, olhando diretamente para o seu corpo preso, para a bunda arrebitada, para tudo que ela não conseguia esconder.
A mão tocou suas nádegas. Quente. Grossa. Áspera. Apertou a carne como quem examina mercadoria.
— Por favor… me ajude… — implorou. — Eu te dou a tiara, faço o que você quiser, só me solta…
Ele riu. O dedo deslizou entre as nádegas e empurrou para dentro dela sem cerimônia. Ela soltou um grito abafado, o corpo se contraindo. O dedo explorou, áspero, invasivo. Depois saiu. Ouviu o barulho úmido de ele chupando o próprio dedo.
— Hmmm… essa é das boas.
O zíper abriu logo em seguida.
Ele não avisou. Não hesitou. A cabeça grossa se esfregou na entrada e, num único empurrão brutal, enterrou tudo. O grito dela rasgou o túnel. Ele era grosso demais, e a posição não deixava nenhum espaço para se afastar. Começou a foder sem misericórdia — estocadas profundas, ritmadas, violentas. Cada investida fazia o corpo dela balançar para frente, os seios pesados oscilando, os braços puxando inutilmente contra a madeira. O som úmido e obsceno da penetração ecoava junto com o bater da carne.
E vieram as palmadas. Fortes. Secas. Na nádega direita. Na esquerda. De novo. A carne queimava, tremia, marcava de vermelho. Ela gemia e soluçava, a voz cortada, a saliva escorrendo pelo canto da boca. Pedia para parar. Dizia que doía. Ele só acelerava, rindo atrás dela, usando-a como um objeto preso numa armadilha.
Dez minutos depois o ritmo mudou. As estocadas ficaram curtas, descontroladas. Ele agarrou seus quadris e a puxou com força contra si. Gemeu baixo, rouco:
— Porra… essa é das boas mesmo…
E gozou. Jatos quentes e grossos encheram sua buceta em quantidade absurda. Ele continuou empurrando fundo enquanto descarregava, como se quisesse enterrar cada gota o mais fundo possível. O excesso já escorria pelas coxas dela, pingando no chão frio do túnel.
Ele ficou parado alguns segundos, ainda enterrado, respirando pesado. Depois puxou o pau para fora. Um fio grosso de porra escorreu logo em seguida. Sem aviso, a mão desceu com uma força brutal. O tapa foi tão forte que ela gritou, a nádega inteira latejando como fogo.
— Potranca boa! — gritou ele. — Vou usar mais vezes.
O zíper fechou. O farfalhar da calça. Passos se afastando.
— Espera! — ela gritou, a voz já rouca de tanto implorar. — Me solta! Por favor! Não me deixa assim!
A porta rangeu. Fechou com um estrondo metálico definitivo.
O silêncio voltou.
Ela ficou ali. Nua. Completamente imobilizada. Pés presos na fenda. Braços travados pela madeira. Bunda alta, marcada de vermelho, ainda arrebitada. A buceta latejando e escorrendo a porra dele em fios quentes pelas coxas. A tiara de ouro continuava brilhando a poucos centímetros dos seus dedos que não conseguiam mais se mexer.
Sozinha.
Usada.
E sabendo, com uma certeza gelada no peito, que ele voltaria.
retilineo