Era Apenas para Pegar — Parte 2 Pelo reflexo do espelho, o tempo pareceu parar. Parado na porta, com a mochila jogada num ombro só e a boca meio aberta num misto de choque e triunfo, estava o Lucas. O garoto certinho da turma, o líder de classe que sempre disputou cada décimo de nota comigo e que vivia olhando de lado quando o professor me elogiava nos seminários. O silêncio no banheiro ficou tão pesado que dava pra ouvir a água da torneira pingando no alumínio. Eu continuei travada em cima da bancada de granito, com a saia levantada, as pernas ainda abertas e a calcinha rasgada pendurada na coxa. O professor demorou dois segundos pra processar. Ele se puxou pra fora de mim devagar, o barulho úmido da pele se soltando ecoando no azulejo, e ajeitou o pau pra dentro da calça antes de virar de frente, tentando usar o próprio corpo pra cobrir o meu. — Lucas... — a voz do professor saiu rouca, tentando recuperar a compostura de autoridade que já tinha ido pro lixo. — O que você tá fazendo aqui? A aula já começou. O Lucas deu um sorriso torto, fdp, daqueles de quem sabe que acabou de achar ouro. Ele não respondeu de primeira. Tirou o celular do bolso devagar, olhando alternadamente pra mim — ainda descabelada e suada na bancada — e pro professor, que tentava fechar o cinto com a mão meio trêmula. — Eu vim ver por que a queridinha da turma e o professor de Gestão demoraram tanto no intervalo — o Lucas falou, dando dois passos pra dentro e encostando a porta atrás de si. A voz dele era pura ironia. — E pelo visto, o favor que você devia pra ele era bem mais caro do que a gente imaginava, né? — Olha como você fala, garoto — o professor deu um passo à frente, tentando peitar o Lucas, mas a autoridade dele tinha acabado ali. — Se eu fosse você, não dava nem mais um passo — o Lucas ergueu a câmera do celular na altura do peito, encarando o professor nos olhos. — A gente sabe muito bem o que acontece se essa história, ou essa foto do espelho, chegar na coordenação. Você perde a cadeira, perde a licença e ela roda na faculdade por fraude de nota. Eu me mexi na bancada, descendo as pernas com cuidado e puxando a saia pra baixo de uma vez. As minhas pernas ainda estavam bambas do orgasmo, o calor dele derramando por dentro da minha coxa, mas o gelo do pavor subiu direto pra minha cabeça. — O que você quer, Lucas? — perguntei, ajeitando o cabelo e encarando ele pelo espelho, sem esconder o ódio. Ele olhou pra mim de cima a baixo, demorando os olhos nas minhas pernas ainda trêmulas e na regata amassada. O sorriso dele ficou ainda mais nojento. — Pra começar... a nota máxima no trabalho final sem eu precisar entregar nada. E o gabarito da prova de semana que vem na minha mão até amanhã cedo. O Lucas deu mais um passo na minha direção, parando perto da bancada, e abaixou a voz só pra eu ouvir: — E pra você não rodar junto comigo e manter o meu silêncio... a gente vai ter que conversar de um jeito bem parecido com esse aqui. Só que na minha casa.
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