A Rafaela era o oposto. Do RH, trinta e três anos, saia lápis, cabelo sempre preso, voz de quem já leu o regulamento inteiro. Era conhecida por duas coisas: ser comportada e ser intratável. Já tinha reprovado três contratações minhas só pra marcar território. E era, sem exagero nenhum, a mulher mais gostosa do prédio — boca carnuda, pernas de quem faz Pilates, uma bunda que o tecido da saia não conseguia disfarçar.
Na terça-feira, ela apareceu na minha sala com uma planilha e ficou quinze minutos além do assunto.
— Você tem um perfil interessante — disse a Rafaela, encostada na minha mesa. — Todo mundo fala que você é mulherengo.
— Todo mundo fala bem ou mal?
— Depende de quem já foi.
Ri. Ela não riu, mas também não saiu. Na quinta, almoçamos juntos. Na sexta também. Descobri que a Rafaela, sem a planilha na mão, era engraçada, mordaz e boa de conversa. Descobri, na semana seguinte, que ela falava de sexo sem nenhum pudor.
— Meu marido é viril — ela me contou, um dia, com o garfo parado no ar. — Não é disso que eu me queixo. Ele dá conta. O problema é que dá conta sempre do mesmo jeito. E eu queria uma coisa a mais.
— Uma coisa a mais.
— Não finge que não entendeu, você não é bobo.
Entendi. Entendi tanto que ela me convidou pra jantar na casa dela na sexta seguinte, e eu cheguei lá sabendo exatamente o que ia acontecer. O Caio, o marido, abriu a porta de avental. Engenheiro, mais ou menos da minha altura, aperto de mão firme e sorriso de quem já foi avisado.
Jantamos. O vinho era bom e a gente bebeu demais. Na segunda garrafa, a conversa já tinha descido a ladeira: a Rafaela contando, sem filtro, o que gostava na cama, o Caio rindo e completando, eu jogando lenha.
— Ela gosta de ser mandada — disse o Caio, servindo mais.
— E você gosta de mandar? — a Rafaela me perguntou, com o copo nos lábios.
— Gosto que obedeçam.
Ela levantou da mesa, veio até a minha cadeira, sentou no meu colo e me beijou. O Caio se aproximou por trás, empurrou o cabelo dela pro lado e beijou o pescoço da mulher, e eu senti o corpo dela se dividir entre nós dois. Levantei a blusa dela, tirei o sutiã e fechei a boca num peito, e a Rafaela soltou um gemido comprido.
Fomos pro sofá. Ela no meio, o vestido já na cintura, o Caio me olhando de esguelha como quem confere se eu sei o que estou fazendo. Eu sabia. Beijei a barriga dela, desci, e ela abriu as pernas pra mim sem cerimônia nenhuma.
— Ai, caralho — disse a Rafaela, com a mão no meu cabelo. — Assim. Aí.
O Caio tirou a calça, se ajoelhou no sofá e encostou o pau na boca dela. A Rafaela chupou, e por um minuto foi lindo: ela gemendo com a boca cheia, eu com a língua nela, o marido de cabeça jogada pra trás. Aí ela parou, respirou fundo e disse a frase que virou a noite:
— Ajoelha os dois. Quero chupar vocês dois juntos.
Ajoelhamos. A Rafaela se pôs de joelhos no tapete, nos lados, e alternou — um na boca, um na mão, depois trocava, e a gente ria de nervoso e de tesão. Ela puxou os dois pra frente, tentou encaixar as duas cabeças na boca ao mesmo tempo, e aí olhou pra cima, com os olhos molhados:
— Ai, que delícia. Os dois. Enfia mais, Caio.
O Caio enfiou. Ela engasgou, se afastou, tossiu, riu. E eu percebi que, do outro lado, o pau dele já não estava do mesmo jeito de cinco minutos antes. Mais mole. Mais pra baixo.
— Tudo bem? — a Rafaela perguntou.
— Tudo — ele respondeu rápido demais. — É o vinho.
Não era o vinho. Era a conta. Ele olhava pro pau dela — pra boca dela, melhor dizendo — e via o meu ali do lado, mais grosso, mais duro, e o cérebro dele começou a atrapalhar. A Rafaela voltou a chupar, e o pau do Caio foi murchando na boca dela aos poucos, até sair de lá mole, encostado na coxa.
— Caio... — ela chamou, sem paciência.
— Deixa. Continua. É que... — ele gaguejou. — Tá difícil de acompanhar.
A Rafaela olhou pra mim. Eu olhei pro Caio, que se afastou, se sentou no braço do sofá e fez um gesto com a mão.
— Vai — ele disse, com um meio sorriso amarelo. — Vai, Rafaela. Aproveita.
Ela não pediu duas vezes.
— Deita no sofá — eu mandei, e ela obedeceu na hora, de barriga pra cima, as pernas abertas, o vestido enrolado no pescoço. — Você tá ensopada, Rafa.
— Tô desde o jantar.
— Então olha pro teu marido e diz pra ele o que você quer.
A Rafaela virou a cara pro Caio, ofegante.
— Eu quero que ele me foda — disse, sem tirar os olhos do marido. — Quero que ele me foda até eu não aguentar. E quero que você veja.
O Caio engoliu seco. Eu me posicionei e entrei. A Rafaela gritou — um grito curto, abafado, os dedos cravando no estofado. Era apertada, molhada e quente, e o corpo dela se arqueou todo quando empurrei até o fundo.
— Ai, meu Deus — ela gemeu. — Meu Deus, tá grosso.
— Fala mais alto — eu disse, começando a meter. — Teu marido tá ali, ele quer ouvir.
— Tá grosso, Caio — ela repetiu, com a voz quebrada. — Tá grosso demais, tá me abrindo todo. Ai, caralho, tá fundo.
Fodi sem dó. Segurei nas coxas dela e puxei, abrindo mais, e o sofá batia na parede. A Rafaela jogava o quadril pra cima pra me encontrar, e a cada estocada soltava um som que não era mais palavra nenhuma. O Caio assistia, ainda com o pau mole na mão, batendo de vez em quando por obrigação, os olhos indo do rosto dela pro lugar onde eu entrava e saía, brilhando.
— Vira — mandei, quando senti ela começar a tremer.
— Viro, viro — ela disse, desesperada, se jogando de bruços no sofá, o quadril empinado, a bunda erguida pra mim. — Mete de novo. Mete, mete, mete.
Entrei. Ela gemeu contra o estofado. Passei o polegar na entrada de cima, molhei com a própria lubrificação dela, e empurrei o dedo.
— O cu também? — perguntou, com a voz abafada.
— Também.
— Ai, caralho — ela gemeu, e empinou mais.
Tirei o pau da buceta, encostei a cabeça no anel e empurrei devagar. A Rafaela se encolheu inteira, depois foi relaxando, e o pau entrou até o fim. Ela soltou o ar todo num gemido longo e rouco.
— Meu Deus — o Caio falou baixinho, do canto. Era a primeira coisa que ele dizia em dez minutos.
— Tá vendo teu marido? — perguntei, metendo devagar no começo, depois mais firme. — Tá vendo como ela aguenta?
— Tô vendo — ele respondeu, e a voz saiu estranha.
A Rafaela gozou primeiro com dois dedos meus no clitóris, o corpo inteiro tremendo, o cu apertando em pulsos rápidos. Continuei metendo durante o espasmo todo, e ela choramingou, sensível, mas não pediu pra parar. Nunca pedia.
Bati mais forte. O estalo das coxas enchia a sala. A Rafaela já estava rouca, falando coisa sem nexo contra o sofá.
— Goza — ela conseguiu dizer. — Goza dentro, por favor, goza dentro.
Apertei o quadril dela com as duas mãos, enterrei fundo e vim, jorrando, o corpo travando, um grunho preso na garganta. Fiquei parado até o último espasmo, sentindo o cu dela pulsar em volta do meu pau.
Saí devagar. A Rafaela desabou de lado, sem ar, com as pernas ainda abertas, o suor escorrendo pela lateral do corpo. Olhei pro Caio. Ele estava com o pau na mão, meio duro de novo, tarde demais.
— Termina — eu falei, me levantando. — Ela é tua.
Ele se ajoelhou no sofá, entrou, e a Rafaela nem abriu os olhos. Só sorriu, com a boca contra o estofado, e disse uma coisa que fez o Caio rir sem graça:
— Ah, agora o senhor acordou, né?
Peguei meu copo de vinho, sentei na poltrona e fiquei olhando os dois. Ele metia com uma empolgação atrasada, meio desajeitada, e ela deixava, os olhos fechados, com a marca dos meus dedos ainda vermelha na cintura.
— Semana que vem tem mais? — perguntei.
A Rafaela abriu um olho.
— Traz vinho — ela respondeu.
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Por Tuga069
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