O primeiro passo foi procurarmos um médico para fazer um check-up pré-concepcional. Tudo ok, partimos para a parte prática. Engravidar Marcela não foi tão fácil; demorou três meses. Vera tentava disfarçar, mas morria de ciúme de mim, sentimento somado à abstinência do meu pau. Marcela concordou em não ter outros parceiros até a gravidez ser confirmada, o que a deixava ainda mais tarada e a mim, mais exausto. Tão logo engravidou, Marcela entregou o apartamento, largou o emprego e partiu.
Com a partida da Marcela, pude me dedicar totalmente à Vera, e o que começou como uma posse virou uma verdadeira adoração. Quando eu chegava do escritório, não desgrudávamos; dividíamos o sofá, assistíamos aos nossos filmes colados e, aos poucos, o silêncio dela deu lugar a longas conversas sobre o nosso dia. Com o tempo, percebendo que era amada e estava segura, sua autoconfiança aumentou. Vera começou a expressar suas vontades, me questionar e até a discordar de mim, o que eu achava fascinante. Sua submissão na cama não desapareceu por completo — ela ainda adorava me provocar me chamando de "meu doninho" —, contudo, tudo o que fazia agora era por puro afeto e desejo, e não por obrigação ou medo de ser abandonada. Conversamos sobre o futuro e resolvemos não ter filhos; queríamos a liberdade de viver exclusivamente um para o outro.
Compramos um apartamento maior no mesmo prédio. Usando contatos que Marcela me passou, adquiri uma serva para Vera. Seu nome era Júlia, uma jovem morena com as mesmas preferências sexuais que Vera. Embora nós três tenhamos feito inúmeros ménages, eu nunca toquei nela; ela pertencia a Vera, que a tratava muito bem, num misto de melhor amiga e amante. Júlia viveu conosco por quatro anos, até que, por conta própria, resolveu voltar para sua família e Vera, mesmo frustrada, não se opôs. A participação de Júlia em nossa dinâmica familiar é algo que não me sinto à vontade de detalhar agora, talvez em um outro conto no futuro. Ainda mantemos contato com ela pelo WhatsApp.
Vera teve outras amantes, com a minha anuência, porém nenhuma delas interferiu em nosso relacionamento, fora o fato de eu ter adquirido um fetiche por ouvir os relatos de suas aventuras extraconjugais, das quais participei de algumas. Nunca me senti traído por Vera, que era uma mestra em gerenciar seu tempo para que eu nunca me sentisse negligenciado.
Quanto a Marcela, ela não desapareceu da minha vida; mantivemos um contato próximo, apesar dos quilômetros de distância. Nove meses depois da sua partida, nasceu Carolina, batizada em homenagem à minha irmã. Mesmo longe, nunca fui um pai totalmente ausente. Desde antes de seu nascimento, fiz questão de arcar com as despesas dos exames pré-natais e da maternidade. Eu mandava pensão, bancava os estudos, enviava presentes e, graças à tecnologia, pude acompanhar seu crescimento pelo Facebook e Instagram. Depois de dez anos, Marcela perguntou se eu queria conhecer minha filha pessoalmente, se ela podia voltar e se tinha lugar na minha vida para elas. Coloquei o assunto para debate com Vera.
— Ela é sua única filha e eu não vou criar nenhuma oposição à relação de vocês dois. Não tenho qualquer ressentimento em relação à Marcela; pelo contrário, sempre serei grata por ela ter me dado a você. Contudo, ela tem que estar ciente de que você é meu todos os dias da semana — falou calmamente e com seriedade. Fiquei orgulhoso: minha garota agora era uma mulher tomando posse de seu macho.
— Nunca vi você falar assim, você nunca foi ciumenta — falei, como se estivesse contestando suas palavras.
— Não é ciúme. Seu tempo é escasso e agora vou dividir você com a sua filha. Marcela que fique com o que sobrar.
Alojei Marcela e Carolina no quarto de hóspedes temporariamente. Não houve grandes mudanças na nossa rotina. Marcela era realmente uma boa mãe, educou muito bem nossa filha. Três meses depois, se mudaram para outro apartamento no mesmo bairro. Concordamos com a guarda compartilhada de Carolina. Marcela, apesar dos seus quase cinquenta anos, manteve o furor de outrora. Voltei a ser seu amante, sem tantas regras pré-estabelecidas. Ela tinha outros, mas eu tinha prioridade sobre qualquer um deles.