O cansaço de Antônio é uma crosta que nem o banho de posto consegue tirar. Quarenta anos de vida, vinte de estrada. No painel do caminhão, a foto da esposa e dos filhos na Bahia é um altar distante, um lembrete de um homem que ele finge ser trinta dias por mês. Na boleia, a mão é sua única companheira; o prazer é solitário e mecânico como a troca de marchas.
Noite fechada. Posto de combustível na beira da BR. O cheiro é de óleo queimado e café requentado. Antônio estaciona o monstro de ferro ao lado de outros. Arma a rede entre as grades da carreta, o balanço da lona imitando um berço que não traz paz.
Foi quando o viu.
Um macacão azul escuro, sujo de graxa, mas que não escondia o que Antônio buscava: uma bunda farta, firme, que se movia com o ritmo de quem conhece o chão que pisa. O funcionário, uns trinta anos, caminhava em direção ao banheiro dos fundos. O desejo de Antônio, guardado por quilômetros de asfalto, despertou como um bicho faminto.
Antônio o seguiu. O banheiro fedia a desinfetante barato e abandono.
O rapaz estava no mictório. Antônio parou ao lado, ignorando as outras cubas vazias. Não houve sutileza. O volume na calça de Antônio era um grito, uma montanha de carne pulsando sob o tecido. O funcionário olhou de soslaio. Viu a provocação. Viu o perigo e, em vez de fugir, sentiu o próprio sangue descer. O pau do rapaz respondeu, esticando o macacão azul.
Sem dizer uma palavra — porque a estrada não permite diálogos — Antônio pegou a mão do rapaz e a guiou até sua braguilha. O toque foi o gatilho. O funcionário ajoelhou-se no chão de cimento frio. A boca dele, quente e urgente, envolveu Antônio. O rapaz olhava para a porta, o medo da descoberta misturado à sede do pecado, mas não parou. Ele mamava com a devoção de quem encontra uma fonte no deserto.
Mas Antônio queria o objeto do seu delírio.
— Levanta — rosnou o motorista.
O rapaz obedeceu, os olhos nublados. Antônio o virou de costas e baixou o macacão. A bunda, alvo de seu desejo, estava ali, nua na penumbra do banheiro. Antônio ajoelhou-se e enterrou a boca, a língua explorando o interior úmido e proibido. O rapaz soltou um gemido abafado contra os azulejos encardidos.
Depois, o batismo de ferro. Antônio levantou-se e empurrou seus dezoito centímetros de dureza. Sem medo, sem intimidade, apenas a força bruta da necessidade acumulada. Ele socava para dentro com a fúria de quem quer atravessar o corpo do outro. Bufava, a respiração ofegante batendo na nuca do funcionário.
O rapaz sentiu tudo queimar. Um fogo que subia pela espinha. Mas depois da dor, veio o preenchimento. Algo agradável, um calor que amenizava o incêndio. Quando a rola grossa de Antônio finalmente saiu, o rapaz sentiu o oco. O vazio que dói, mas que liberta.
Antônio limpou-se no próprio braço. O funcionário ficou ali, recompondo o macacão, a felicidade ainda escorrendo pela abertura, um rastro de vida deixado no silêncio do posto.
Antônio voltou para a rede. Dormiu o sono dos justos, enquanto o asfalto lá fora continuava a chamar, mudo e infinito.

Gostei bastante... Votei