Na sala dos professores, apurou provas da 5ª série enquanto o céu, lá fora, empilhava nuvens cinzentas. Às 17h50, o vento ganhou força. Às 18h05, o barulho seco: um estalo de tronco, o aclive do estacionamento cedendo, o trovão de galhos sobre o telhado da Kombi alugada. A árvore tombara em cima de quatro carros — um deles, o seu Gol branco.
Selma correu debaixo da chuva fina, mãos na cabeça. O capô estava amassado, para-brisa completamente fissurado. Merda. Ela viu, ali mesmo, que não sairia dali tão cedo.
Dentro da sala de direção, ligou para a Polícia Ambiental e para os Bombeiros. Explicou que a escola era órgão público, que precisavam de um boletim. A secretária entreolhou-se com a vice:
— A gente precisa documentar, senão não vai indenização.
Os Bombeiros chegaram rápido, cordões isolaram a área. Formou-se uma galerinha de alunos sobrando de atividades extras, mas a chuva os espantou. Restaram funcionários, dois policiais rodoviários e ela.
Entre eles, estava Marcelo. Esguio, cabelos castanhos desalinhados, jaqueta da PM aberta sobre o colete à prova de balas. Primeiro, fez perguntas oficiais: nome completo, horário exato, tipo de árvore. Depois, recolheu as testemunhas. Quando chegou à vez de Selma, ajeitou a voz num tom mais baixo:
— Professora Selma, é? Vai ficar até tarde hoje?
— Segunda e sexta eu fecho às dez. Infelizmente.
Ele anotou devagar, deixando a caneta vibrar ao raspinar o papel molhado. Assinou, estampou o carimbo, mas não se despediu.
Os guinchos retiraram os destroços por volta das 20h50. O sargento liberou a equipe. Marcelo, porém, permaneceu.
Selma, então, desconfiou. Mas, pense: o homem é profissional, talvez redija um complemento de ocorrência…
Na real, ele queria é outra coisa — e ela, lá no fundo, percebia. Por isso, quando voltou para seu corredor, sentiu o coração martelando mais forte que o relógio de parede.
21h05. Últimos alunos, tchau. A vice mandou mensagem: “Selma, pode fechar a chave geral? Reunião com a prefeita amanhã cedo. Beijo.”
Claro que podia. Aliás, adorava aquele silêncio da escola rural depois que todos iam embora — o ranger do assoalho de madeira, o eco abafado do campo lá fora. Voltou à sala 8, sentou à mesa repleta de provas, acendeu a luminária de LED. O vento uivava pelas frestas; o telhado de zinco rangia como se alguém andasse por cima.
21h30. Do corredor, ouviu passos. Pausou o corretivo.
— Alô? — chamou, sorrindo. Sempre educada.
Marcelo surgiu na porta, capacete debaixo do braço, lanterna na mão.
— Ainda tá aqui, professora?
— Botei a prova do paiol cheio. — gargalhou, mostrando a pilha de provas. — Precisa de mais alguma informação, soldado?
— Civil, na verdade — corrigiu ele, mostrando o distintivo de 3ª classe. — Mas “PM” cai bem. — Fechou a porta com a sola da bota, dando um estalo ecoante. As luzes, então, oscilaram: um piscar breve, um novo apagar.
Tchum. Escuridão total.
— Porra… — ela soltou, sem pensar.
— Calma, já ligo a lanterna.
Feixe claro cortou o ambiente, revelando fileiras de carteiras, montes de cadernos — e Selma de decote, curvada sobre a carteira, olhos amendoados marejados de surpresa.
— Desculpa o palavrão. — sussurrou.
— Palavrão é o de menos. — A voz dele desceu mais grossa. Deu um passo, depois outro. — Posso?
Ela assentiu, sem saber bem o quê. Marcelo aproximou-se, apoiou a mão na mesa, sentiu o cheiro de amônia de giz misturado ao suave perfume amadeirado dela. A lanterna iluminava de baixo para cima, esculpindo sombras carnais nos lábios dela.
— Desde que te vi no pátio… — começou, a voz embargada. — Fiquei te imaginando assim, no escuro, sozinha…
Selma riu, nervosa.
— O senhor é rápido nos flertes, hein?
— Sou direto. — Beijou-a. Não foi beijo de quem pergunta; foi beijo de quem já recebera licença. A boca dele abriu a dela, língua buscando logo a língua dela, um calor que subiu pelo pescoço e estourou no crânio dela.
O corpo de Selma respondeu antes da razão: mãos à nuca dele, seios apertando o colete, pernas entrelaçando. Gemeu baixinho quando ele mordeu o lábio inferior — daqueles niquinhos que ela adorava.
— Caralho… — ela exalou, ofegante.
— Quero te ver. Agora. — Marcelo largou a lanterna sobre a mesa, feixe apontado para o teto, e já puxava o zíper da blusa dela.
— Espera… — ela segurou o pulso dele. — A escola… as câmeras…
— Sem energia, nada grava. — A voz segura, quase rouca. — Só a gente.
A última resistência desmanchou. Ela ergueu os braços, deixando ele despir a blusa preta. O sutiã renda bege mal segurava os seios médios; os mamilos, duros, perfuravam o tule.
Marcelo lambeu os lábios, sugando ar como quem vai se afogar.
— Meu Deus, Selma… é isso, os seus peitos… lindos demais.
Ela corou, mas sorriu, maliciosa.
— Sempre ganho elogio por eles… mas nunca de um PM no escuro.
— Posso ver direito? — já puxava o sutiã para cima. Os seios saltaram, pesados, auréolas grandes e bicudas, da cor de sua pele morena clara, pontudos para fora.
Ele apagou a lanterna por um segundo, depois religou, apontando diretamente para o peito dela.
— Desce a luz, fico nervosa… — piou ela, cobrindo-se com o antebraço.
— Tá bom, tá bom. — inclinou o feixe para a lateral, mas os olhos não desgrudavam. — Posso tocar?
— Vem.
Marcelo ajeitou as mãos grandes sob cada seio, massageando com reverência. Apertou, depois circulou as auréolas com os polegares. Selma gemeu, longo, e levou a mão dele à boca, lambendo dois dedos, ensinando. Ele entendeu: desceu a boca, abocanhou o mamilo esquerdo, sugando com força, língua batendo no bicinho.
— Ahhhh… — ela enterrou os dedos nos cabelos desalinhados dele. — Chupa mais… assim…
Enquanto mamanhava, ele já desabotoava o colete, jogando-o no chão. A camiseta da PM foi para cima, revelando um torso esguio, pouco piloso, músculos tenso de desejo. Selma passou a língua pelos mamilos dele, mordiscou, depois desceu a cintura, fivela do cinto, zíper.
— Tá doido pra me comer, né? — sussurrou, sacando o pau já duro, roliço, de cabeça rosada, pulsando.
— Desde que te vi no pátio… — repetiu, a voz trêmula. — Quero meter nessa professora gostosa…
Ela fechou a mão, mediu o comprimento, esfolou de cima pra baixo. Um filete de esperma já brilhava na ponta; ela espalhou, massageando o freio. Marcelo levou a mão dela embora, respirou fundo.
— Se você continuar, eu gozo fora… quebro sua mesa.
— Então bota dentro. — desafiou, sem acreditar na própria ousadia.
Marcelo virou-a depressa. Selma agarrou a borda da mesa, arqueando as costas. Ele desceu a calça jeans e a calcinha de renda num único impulso. A luz da lanterna beirava a cena: duas nádegas fartas, brancas em contraste com a pele morena, se contraindo de expectativa.
— Vou te comer sem capa — avisou, cuspindo na palma, lubrificando o pau. — Tá querendo?
— Tô… — ela confirmou, ofegante. — Só vai… devagar no começo, depois me fode.
Espalhou as pernas. Os lábios da xota já estavam inchados, úmidos, escorrendo pela coxa. Marcelo guiou a cabeça entre as dobras, roçou no clitóris, fez-a estremecer. Depois, encaixou no canal quente, pressionando. Entrou metade, parou.
— Ahhhh… que buceta gostosa… — rosnou, segurando a cintura dela.
— Mete… mete tudo… — ela implorou, esfregando os seios contra a madeira fria.
Ele empurrou até o fim. O som de entrada úmida ecoou: splock. Começou devagar, quase saindo, voltando com estocadas longas. Selma tremia, internamente, gemendo baixo, “uhh… uhh…”. Quando sentiu que ela relaxava, acelerou: a madeira tremeu, lapiszeiras rolaram, o relógio de parede tilintou com o batimento.
— Socorro… vai… ahhh… tô gozando… — ela avisou, agarrando a borda. O orgasmo subiu-lhe pelas pernas, contraiu-lhe o canal, espirrou um jato quente sobre o pau dele.
— Porra, que gostosa… — ele esticou o pescoço, sentindo a contração. — Agora é minha vez…
Retirou-se de estalo, virou-a de novo. Selma sentou na borda da mesa, pernas abertas, suor escorrendo entre os seios. Ele bateu uma punhetinha rápida, mirando.
— Quer dentro outra vez ou posso gozar no teu umbigo?
— Bota dentro… quero sentir seu leite na minha xota… — ela puxou-o pela nuca, beijando-o com língua feroz.
Marcelo enfiou de volta, dois pumps, quatro, seis — ergueu o rosto, soltou um grunhido rouco. O corpo dele se travou, o pau latejou, jorrando porros quentes lá dentro, enchendo-a. Selma sentiu cada pulsão, contraiu-se para sugar mais, pernas enroladas na cintura dele.
Ficaram abraçados, ofegantes, até a tensão baixar. Ele apenas então percebeu que segurava o feixe da lanterna contra as costas dela, iluminando o teto como holofote de cinema.
— Caralho… — suspirou, beijando-lhe o ombro. — Foi… inesperado.
— Melhor sexo de mesa da minha vida — ela respondeu, limpando-se com o lencinho que guardava na gaveta. — E olha que já dei umas boas risadas por aqui…
Ele riu, abotoando o uniforme. A energia retornou; os florescentes piscaram, apagaram, acenderam de vez. O relógio marcava 22h15.
— Preciso fechar a chave geral — disse ela, saltando do mobiliário. — Se quiser, me acompanha. Depois me leva até a portaria?
— Claro. — Ele olhou-a com novo brilho. — Mas, professora… da próxima vez, quero seu cu. Fiquei doido pra ver esse rabo sendo comido.
Selma sentiu uma fisgada de tesão recém-adormecido. Virou-se, ajeitando o sutiã, e fez um olhar por cima do ombro:
— Quando quiser… mas promete devagar? Tudo começando com a língua…
— Prometo. — respondeu, dando um tapinha leve na bunda dela.
Desligaram as luzes, fecharam as portas, desceram o corredor sob o zunido reiniciado das lâmpadas. Do lado de fora, a chuva havia parado; o cheiro de terra úmida subia pelos campos escuros.
Quando trancaram a cancela, Selma sentiu o vento frio entre as pernas, a lembrança quente do gozo escorrendo. Virou-se para ele:
— Vai contar pro oficial?
— O que acontece na escola rural, fica na escola rural. — garantiu, beijando-a de novo, lenta, possessiva.
Ela sorriu, abrindo a porta do seu Gol rebocado pela guincho.
— Até a próxima tempestade, então.
Marcelo acenou, já planejando o dia em que voltaria — desta vez com lubrificante extra e folga de horário. O motor quebrou o silêncio da estradinha de terra, enquanto Selma, no retrovisor, via o PM esguio acompanhando com o olhar até sumir na escuridão.
A escola atrás dela parecia maior, mais vazia — e carregada de um segredo novo que, ela sabia, voltaria a latejar toda vez que sentasse àquela velha mesa de madeira.




Delicia