A Chave do Meu Passado


Olá, meu nome é Amanda, tenho atualmente 36 anos, minha vida sempre foi complicada, nasci em uma família bem humilde, sempre vivi em casa de outras pessoas dos meus 2 até os 7 anos quando meus pais finalmente conseguiram comprar uma casinha no interior de Minas Gerais.
A vida no campo não era nada fácil, aprendi a ajudar minha mãe desde cedo. Desde os cedo eu ia para a escola pela manhã e o restante do dia tinha que ajudar minha mãe com as cosias de casa, ela lavava e passava roupas para várias famílias, e eu sempre ajudava quando chegava da escola, tenho mais 2 irmãos mais velhos, Eduardo 2 anos mais velho que eu e Jonas 10 anos mais velho. Os dois trabalhavam na roça ajudando meu pai, porem Eduardo sempre foi o mais próximo.

Quando terminei a escola, minha família não tinha como pagar uma faculdade para mim nem para meu irmão, pois apenas nos dois estudamos na família, nós tínhamos vontade de ir para a capital para tentar arranjar um emprego e quem sabe conseguir pagar uma faculdade para um dia ajudar minha família.
Depois de insistir muito meus pais resolveram arriscar e deixou eu e meu irmão Eduardo ir para Belo Horizonte, para a casa de uma tia. Primeira vez que saímos do interior e fomos conhecer a capital, foi um susto. Nunca na minha vida tinha imaginado como era diferente.

Muitos podem achar que já poderia ter visto isso pela TV, mas não tínhamos dinheiro para comprar uma, então eu e meu irmão nunca tínhamos visto nada parecido com aquilo que nos esperava.
Chegamos na rodoviária de BH as 6:30 da manhã, minha tia já nos aguardava e fomos direto para sua casa. Era uma casa grande com muitos quartos. Eu e meu irmão dividimos 1 quarto onde tinha 2 camas de solteiro e uma TV. Acreditem uma TV no quarto. Isso era surreal para nós. Passávamos boa parte do tempo quando estávamos em casa vendo TV, tudo era novidade.

Após 1 semana começamos a procurar empregos, minha tia comprava jornais e nos ajudava a escolher algumas cosias, de início sem experiencia em nada, eu apenas conseguia encontrar trabalho parecido com o que fazia na Roça, lavar e passar, mas não era isso que eu queria. Mas era o que tinha para não ficar dentro de casa esperando cair do céu alguma coisa. Meu irmão arrumou um emprego perto de casa em uma oficina mecânica, e até que ele gostou, pode aprender muitas coisas no tempo que trabalhou lá.

Minha tinha tem apenas 1 filho que já era casado e ajudava em casa, mesmo morando em outra casa, ele sempre ajudou sua mãe com as despesas. E vendo esse exemplo, todo mês que sobrava algo eu dividia entre minha tia e meus pais, sempre eu e meu irmão mandávamos alguma coisa para casa para ajudar, e pagávamos algumas contas para ajudar minha tia.

Era uma vida ainda bem distante de tudo que eu e meu irmão estávamos imaginando, mas sempre sonhamos alto e não tínhamos medo nem vergonha do trabalho.

Uma das famílias que eu lavava e passava, me apresentou para outra que me apresentou para outra e logo eu já tinha mais trabalho do que conseguia dar conta, e assim começou a sobrar um pouco de dinheiro que pedi para minha tia guardar, para quem sabe um dia eu conseguir pagar uma faculdade. Ela um dia me levou a um banco onde abri minha primeira conta e conseguia depositar sempre um pouco que sobrava, e meu irmão fez o mesmo.

O tempo foi passando e após 1 ano em BH, eu e meu irmão resolvemos alugar uma casa para vivermos sozinhos, apesar da minha tinha não concordar muito, ela sempre reclamava que as contas estavam ficando pesadas, e ficava reclamando isso ao telefone com seu filho, vendo aquela situação, eu e meu irmão resolvemos arriscar um aluguel para tentar seguir sozinhos nosso caminho. Depois de uma conversa com minha tia, ela nos ajudou a alugar uma casa no mesmo bairro onde ela morava, era uma casa simples, mas tinha uma boa área externa onde eu conseguia seguir com meu trabalho e meu irmão tinha um bom espaço em uma garagem da casa onde poderia abrir sua própria oficina, e foi assim que as coisas começaram a melhorar.

No primeiro ano foi sofrido nos aos poucos conseguimos mobiliar a casa e comprar algumas ferramentas boas para meu irmão seguir com seu trabalho. Eu já estava com 20 anos e meu irmão com 22, e continuávamos nos dando muito bem e prosperando aos poucos.

Eduardo: Amanda, acho que no próximo mês já vamos conseguir pagar uma faculdade para você, estou com bastante trabalho na oficina, e com o que temos no banco, vamos poder iniciar seus estudos como você sempre sonhou.

Amanda: Nossa não vejo a hora de iniciar essa faculdade e podermos mudar de vida para sempre meu irmão.

No mês seguinte eu fui a te um cursinho para fazer matricula pois o vestibular seria no meio do ano, e eu queria muito tentar passar. Eu ia tentar fazer uma faculdade de medicina, pois era meu sonho um dia me tornar medica, mesmo sabendo das dificuldades eu queria muito pelo menos tentar.

Comecei a estudar a noite no cursinho e continuava meu trabalho durante o dia. Meu irmão também começou a trabalhar mais para me ajudar e assim foi.
Uma noite de sábado eu estava sentada na varanda de casa olhando para nosso quintal e meu irmão chegou com uma latinha de refri e sentou ao meu lado, nós começamos a conversar.

Eduardo: Como está o cursinho Amanda?

Amanda: Nossa Edu, é bem puxado viu, mas eu sei que vou conseguir. E nosso futuro depende dessa faculdade.

Amanda: Você acha que vou deixar a única pessoa que sempre esteve ao meu lado e me ajudou em tudo para trás? NUNCA

Falei um nunca bem forte para ele saber que eu sabia que sem o apoio dele, eu jamais conseguiria chegar onde estava chegando.

Eduardo: Eu sei minha irmã, mas depois de tanto sofrimento, finalmente você está conseguindo. E eu também sempre estarei ao seu lado para o que precisar. Pode contar comigo para tudo.

Amanda: E as namoradas, nunca mais te vi com ninguém, não sai mais de casa só fica na oficina e não sai mais com seus amigos.

Eduardo: Eu cansei de amigos sangue suga, sempre que saia com eles, só me chamavam, pois, eu a maioria das vezes pagava, até um dia que falei que não ia sair pois estava sem dinheiro, e nunca mais me chamaram para nada, aí comecei a ver que eu só era amigo deles pois estava com dinheiro. O dia que falei que não tinha, ninguém mais me chamava para nada, esse tipo de amigos quero bem distante.

Amanda: Você está certo meu irmão, melhor sozinho do que com esses carinhas que só pensam em dinheiro.

Eduardo: E tem outra, a única pessoa que eu faço questão de estar ao meu lado é você.

Amanda: Eu fico feliz e também sou grata por você estar sempre comigo.

Eduardo: Sabe Amanda, eu queria muito não ser seu irmão.

Amanda: Por que Edu? Não gosta de ser meu irmão?

Eduardo: É claro que gosto, porem eu queria muito poder ter uma mulher assim como você, linda e inteligente.

Amanda: E quem disse que você não pode ter alguém como quer? Você é um homem muito bonito, trabalhador e muito inteligente também, pode ter a mulher que quiser.

Eduardo: Porem a única mulher que eu sempre sonhei em ter, é minha irmã.

Quando meu irmão disso isso, eu gelei dos pés à cabeça. Fiquei meio que paralisada sem saber o que dizer. Mas depois de alguns segundos eu perguntei.

Amanda: Como assim Edu? Eu sou sua irmã e não estou entendendo o que você está querendo dizer?

Eduardo: É justamente isso Amanda, eu desde muito novo sempre te amei, sempre te desejei, mas nunca tive coragem de te dizer isso. E vendo você crescer e se tornar essa mulher maravilhosa eu fico perdido.

Eu não podia acreditar que meu irmão estava se declarando para mim. Não disse nada para ele, apenas me levantei e fui para meu quarto. Sentei na cama e minha cabeça rodava.

Eu não sei o que se passava na cabeça do meu irmão, mas quando ele me disse que me desejava, algo dentro de mim não sentiu repulsa ou nada parecido, apenas minha cabeça não entendia e eu só pensei em sair de perto dele.

Os dias foram se passando e notei que meu irmão sempre me evitava, saia mais cedo para o trabalho e só voltava para casa após ver que eu já estava deitada, ficava na oficina até tarde.

Até que uma semana depois eu já estava deitada quando escutei ele entrando no banho e eu sai e fui para a sala para esperar ele sair para ter uma conversa com ele. Assim que ele sai do banho o vejo enrolado na toalha e o chamo.

Amanda: Edu, vem aqui um minuto pois quero falar com você.

Eduardo: Eu preciso me vestir, espere um pouco que já volto.

Amanda: Não precisa se vestir é coisa rápida.

Ele veio e se sentou em um sofá a minha frente e começamos a conversar.

Eduardo: Diga Amanda o que você quer falar comigo?

Amanda: Precisa me tratar assim? Por que você está me evitando? Todos os dias você sai cedo e só volta bem tarde para casa, nos finais de semana fecha a oficina e só volta para casa quando já estou dormindo. Fiz alguma coisa para você me evitar assim?

Eduardo: Não Amanda, desculpe, você não fez nada, eu é que não consigo olhar para você, pois como eu te falei...

Eu o interrompi antes dele iniciar novamente a conversa de que sente algo por mim.
Amanda: Pera Edu, não começa com essa conversa que não vai dar em nada.

Eduardo se levantou e já foi em direção ao seu quarto, mas antes de entrar se virou e me disse com a voz tremula.

Eduardo: Eu já estou olhando um lugar para mim Amanda, não demora muito e vou para um lugar bem distante para te deixar em paz, pois está impossível para mim continuar vivendo na mesma casa que você e não poder fazer nada.

Amanda: Como assim você vai embora?

Eduardo: não se preocupe, eu ainda vou continuar te ajudando com seus estudos.

Amanda: Eu não quero saber de estudo nenhum Eduardo, quero saber o motivo de estar tomando essa atitude, primeiro você fala que sente algo por mim, me ignora por mais de uma semana e agora fala que vai embora? Por que está agindo assim?

Eduardo simplesmente entrou para seu quarto e fechou a porta. Eu me levantei e fui até a porta do quarto dele, procurando entender porque ele estava agindo assim comigo.

Amanda: Eduardo, abre essa porta e conversa comigo por favor?

Ele não me respondia, fiquei quase 20 minutos tentando falar com ele e nada de resposta. Fui para meu quarto e resolvi me deitar. Amanhã seria um novo dia e uma nova tentativa de conversar com ele.

Na manhã seguinte eu acordei e ele já havia saído como sempre, eu tomei meu banho e fui para meu quarto me trocar. Enquanto escolhia uma roupa eu fiquei imaginando o que tenho demais para deixar meu irmão assim?

Sou uma mulher normal. Tenho 1,65cm peso próximo dos 70kg, pele branca, cabelos lisos e longos até a cintura, seios médios, pernas normais e uma bunda normal nada avantajada como muitas mulheres que vejo por aí. Sei que sou bonita, pois recebo muitos elogios.

Meu irmão é bem mais alto que eu, ele tem mais ou menos 1,85 ou mais, uns 80kg braços fortes e um corpo bem malhado pela oficina, nunca foi a uma academia, mas tem o corpo muito bem desenhado.

Aquilo que ele me disse não saia da minha cabeça, mas eu não entendia porque somente agora ele me contou isso. E porque não queria conversar comigo. Naquele dia eu não ia ter aulas no cursinho pois no final de semana teria um simulado e os professores apenas iriam revisar uns trabalhos. Aproveitando que chegaria mais cedo, fui direto para a oficina do meu irmão, que fica na “garagem” de nossa casa. Chegando lá ele estava sozinho e foi aí que aproveitei para falar com ele.

Eduardo: Gordinho pega uma chave ¾ que está na bancada para mim.

Quando entrei, ele estava embaixo de um carro e deve ter achado que era o rapaz que trabalhava lá com ele voltando.

Eduardo: Gordinho você agora é surdo, pega a porra da chave para mim por favor cara.

Eu fui até a bancada e peguei qualquer chave e me abaixei para entregar para ele.

Amanda: Serve essa?

Eduardo: Que porra você está fazendo aqui Amanda? E onde está o Gordinho?

Amanda: Eu não sei onde está seu funcionário e vim aqui para falar com você, já que me evita dentro de casa.

Meu irmão saiu de onde estava e limpando suas mãos em uma flanela veio falar comigo.

Eduardo: Não está vendo que estou ocupado? Aqui não é lugar para conversarmos quando eu chegar em casa falo com você.

Amanda: Edu não faz isso, fala comigo por favor? Não quero que você saia de casa, conversa comigo?

Eduardo: Quando eu chegar nos conversamos Amanda, agora me deixa trabalhar que tenho que entregar esse carro ainda hoje.

Eu sai da oficina e entrei em casa, fui me trocar e preparar uma janta, pois se meu irmão realmente viesse conversar, teria algo para comer e poderíamos conversar. Terminei a janta e fui tomar meu banho, meu irmão chegou e foi direto para seu quarto e logo depois foi tomar um banho.

Amanda: Quando sair vem jantar, fiz seu prato predileto.

Eduardo saiu do banho com o cabelo ainda molhado, vestindo uma camisa simples e bermuda. Ele parecia cansado, mas sentou-se à mesa sem dizer nada. O cheiro do macarrão com queijo enchia a cozinha. Por alguns minutos, só se ouvia o barulho dos talheres.

Respirei fundo, reunindo coragem, e quebrei o silêncio:

Amanda: Edu... por que você disse aquilo tudo pra mim aquele dia na varanda? E depois simplesmente sumiu, me evitando como se eu fosse uma estranha? Você ameaçou até ir embora de casa... Eu mereço uma explicação, não mereço? Fala comigo de verdade, sem fugir dessa vez.

Eduardo parou de comer, baixou o garfo e ficou olhando para o prato por um longo tempo. Seus ombros estavam tensos. Quando finalmente levantou o olhar, seus olhos estavam vermelhos.

Eduardo: Porque eu tenho vergonha, Amanda. Vergonha pra caralho do que eu sinto por você. Desde quando éramos adolescentes no interior eu já olhava pra você de um jeito que irmão nenhum deveria olhar. No começo eu achava que era coisa da cabeça, que ia passar..., mas não passou. Quanto mais você crescia, mais linda ficava, mais inteligente, mais forte... e eu me apaixonava mais.
Ele pausou, a voz rouca:


Eduardo: Eu tentei ignorar. Juro por Deus que tentei. Saí com outras garotas, tentei me distrair, mas sempre voltava pra casa e era você que eu queria ver. Quando te falei aquilo na varanda... eu não aguentei mais segurar. E depois que você levantou e foi embora sem dizer nada, eu senti que tinha estragado tudo. Achei que você ia me odiar, que ia ter nojo de mim. Por isso eu me afastei. Preferia sofrer sozinho do que te perder de vez.

Amanda: Eu não senti nojo, Edu... Eu fiquei chocada. Confusa. Você é meu irmão, a pessoa que eu mais confio no mundo. Como eu ia reagir na hora? Mas desde aquele dia eu também não consigo parar de pensar no que você disse.

Eduardo olhou para ela, surpreso.

Eduardo: Amanda... eu te amo. Não daquele jeito que irmão ama irmã. Eu te amo como homem ama mulher. Eu sonho acordado com você. Quero te proteger, te fazer feliz, te dar tudo que você merece. Eu sei que isso é errado pros outros, sei que o mundo nunca ia aceitar..., mas eu não consigo mais fingir. Você é tudo pra mim. Sempre foi.

Ele estendeu a mão por cima da mesa e segurou a minha com cuidado, quase com medo da reação. eu não puxei a mão.

Amanda: Edu... isso é complicado. Muito complicado. A gente é irmão. Mas eu também não consigo imaginar minha vida sem você. Você sempre esteve do meu lado em tudo. Eu não quero que você vá embora. Eu não quero perder você.

Eduardo: Então eu fico. Eu desisto de sair de casa. Mas só se você me prometer que a gente vai conversar sobre isso com calma. Sem pressão. Eu espero o tempo que for preciso.

Amanda: Eu vou pensar muito no que você me falou. Com calma, tá? Não vou te dar uma resposta agora, porque eu ainda estou processando tudo isso. Mas uma coisa eu te digo: você não vai perder a minha companhia. Vamos continuar como sempre... e vamos ver o que o futuro nos reserva.

Eduardo apertou a minha mão com mais força, os olhos brilhando de alívio. Um sorriso tímido apareceu em seu rosto pela primeira vez em dias.

Eduardo: Isso já é mais do que eu merecia ouvir hoje. Obrigado, mana. Só de você não me odiar... já me basta por enquanto.

Nós ficamos um tempo em silêncio, mãos dadas sobre a mesa, o peso da conversa ainda no ar, mas com uma sensação de paz que não existia antes.


Continua...


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Ficha do conto

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Nome do conto:
A Chave do Meu Passado

Codigo do conto:
263641

Categoria:
Heterosexual

Data da Publicação:
03/06/2026

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