A Chave do Meu Passado 2


O Peso do Futuro
Uma semana se passou desde aquela noite na cozinha. O clima na casa mudou; o silêncio pesado e a distância deram lugar a um cuidado mútuo, quase tímido. O Edu não me evitava mais, mas respeitava meu espaço. Ele me olhava com uma expectativa contida, mas não me pressionava. E eu? Eu cumpri minha promessa. Estava pensando, processando tudo, mas a verdade é que minha mente precisava se dividir entre o turbilhão que meu irmão causou no meu coração e as apostilas do cursinho.
No sábado, passei o dia trancada na sala de aula fazendo o simulado geral. Eram horas de prova, e quando entreguei o gabarito, sentia minha cabeça latejar.
Na segunda-feira à noite, o professor de biologia e coordenador do cursinho, o Professor Carlos, entrou na sala com um calhamaço de folhas. Ele tinha um sorriso no rosto.
•        Professor Carlos: "Pessoal, por favor, silêncio. Tenho aqui os resultados do simulado geral do final de semana. Quero parabenizar a todos pelo esforço, mas preciso fazer uma menção honrosa. O vestibular do meio do ano está batendo à porta, e medicina é o curso mais concorrido. Mas, se depender do desempenho de hoje, já temos uma vaga garantida."
Ele olhou diretamente para mim. Meu coração disparou.
•        Professor Carlos: "Amanda, parabéns. Você não apenas tirou a maior nota da turma, mas teve o melhor desempenho de todo o cursinho neste simulado. Sua dedicação na roça da vida e nas madrugadas de estudo está aparecendo."
A sala inteira aplaudiu. Eu corei, sem saber direito como reagir, mas uma onda de orgulho e alívio me inundou. Eu estava no caminho certo.

O Jantar de Comemoração

Cheguei em casa quase flutuando. O Edu estava na cozinha, terminando de fritar uns bifes. Quando me viu entrar com o papel do resultado na mão e os olhos brilhando, ele largou o garfo na hora.
•        Eduardo: "Pela sua cara... aconteceu alguma coisa boa no cursinho, não foi?"
Amanda: "Edu, você não vai acreditar!" estendi o papel para ele "Eu fui a melhor nota do simulado! A melhor da turma, a melhor de todo o cursinho!"
O Edu pegou o papel, os olhos dele correram pelos números e um sorriso enorme, daqueles que eu não via há tempos, iluminou o rosto dele. Ele largou o papel na mesa e me puxou para um abraço apertado, me tirando um pouco do chão.
•        Eduardo: "Eu sabia, Amanda! Eu sempre soube o quanto você é inteligente. Nossa, que orgulho de você, minha irmã... de verdade. Isso é só o começo."
Quando ele me soltou, nossos olhares se cruzaram por um segundo a mais do que o normal. O calor do abraço dele ainda estava na minha pele. Sentei-me à mesa e decidi que era o momento de tocar no assunto, com delicadeza.
•        Amanda: "Edu... obrigada. Por tudo mesmo. E, aproveitando que a gente está feliz e conversando... eu queria te falar uma coisa sobre aquilo."
O corpo dele deu uma leve tensionada, mas ele sentou-se na minha frente, prestando atenção.
•        Amanda: "Eu ainda estou tentando amadurecer tudo isso aqui dentro, sabe? O que você me falou... não é algo fácil de digerir de um dia para o outro. Mas eu quero que você saiba que estou pensando, estou processando as coisas no meu tempo. Só te peço paciência."
Eduardo respirou fundo, colocou a mão sobre a mesa, mas dessa vez não avançou para tocar a minha. Ele apenas sorriu, um sorriso compreensivo e maduro.
•        Eduardo: "Eu prometi que não ia te pressionar, Amanda. E vou cumprir. Só de saber que você não jogou o que eu sinto no lixo, e que está pensando... para mim já é o suficiente. O tempo é seu."

O Foco em 1999

Os dias voaram e as folhas do calendário mudaram rápido. O meio do ano de 1999 chegou num piscar de olhos, trazendo aquele frio característico de Belo Horizonte e uma ansiedade que parecia sufocar. Faltavam poucos dias para o meu primeiro vestibular oficial. Eu vinha estudando há mais de seis meses, abrindo mão de noites de sono, lavando e passando roupas no automático, vivendo com a mente mergulhada em fórmulas de física, química e conceitos de anatomia.
Durante todo esse tempo, eu não dei nenhuma resposta definitiva ao Edu. Na verdade, nós quase não tocamos mais no assunto. Não por frieza, mas por um acordo silencioso de preservação.
Uma noite antes da semana da prova, ele entrou no meu quarto trazendo um copo de leite quente. Eu estava cercada de apostilas na cama.
•        Eduardo: "Trouxe para você relaxar um pouco. Você precisa dormir, Amanda. Já passou da meia-noite."
•        Amanda: "Obrigada, Edu." peguei o copo, sentindo o calor nas mãos "Eu só estava revisando os últimos tópicos de história. Parece que quanto mais perto chega, mais dá a sensação de que esqueci tudo."
•        Eduardo: "Você não esqueceu nada. Você está pronta. Eu vejo seu esforço todo santo dia."
Olhei para ele, sentindo um nó na garganta. Ele estava ali, sendo o meu porto seguro, o homem que financiava o meu sonho com o suor do trabalho na oficina, e que mantinha trancado dentro de si um sentimento imenso para não me desestabilizar.
Amanda: "Edu... me desculpa por não ter te falado mais nada sobre nós. É que... o vestibular é daqui a alguns dias. Eu estou tão focada nessa prova, toda a minha energia está nisso. Eu sinto que não posso pensar em mais nada no momento, para não perder a concentração. Essa prova pode mudar a nossa vida para sempre, a minha e a sua. Você me entende?"
Eduardo deu um passo à frente segurou meu rosto com as duas mãos por um breve instante, com uma ternura que me fez fechar os olhos.
•        Eduardo: "Ei, olha para mim. Você não tem que me pedir desculpas por nada. A única coisa que importa agora é a sua prova. Esquece o resto, esquece o mundo, esquece até o que eu te disse se for preciso. Foca na sua vaga de médica. Eu vou estar do lado de fora te esperando, não importa o que aconteça. Quando tudo isso passar, a gente conversa. Agora, bebe o leite e vai descansar."
Ele me deu um beijo na testa e saiu, fechando a porta devagar.
Bebi o leite sentindo as lágrimas arderem nos meus olhos. O ano era 1999, o ano da minha chance de ouro. Minha cabeça estava cheia de matérias, e meu coração guardava uma promessa suspensa no ar. Eu estava pronta para o vestibular. Tudo seria decidido nos próximos dias.


Continua...


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Ficha do conto

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Nome do conto:
A Chave do Meu Passado 2

Codigo do conto:
263675

Categoria:
Heterosexual

Data da Publicação:
04/06/2026

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2

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