O banho do Edu demorou mais do que o habitual, o som da água caindo no piso do banheiro ecoando pela casa silenciosa como uma contagem regressiva. Na cozinha, minhas mãos trabalhavam no automático. Recolhi o jornal Estado de Minas, dobrei-o com cuidado e o coloquei no centro do móvel, ao lado do documento oficial da UFMG e da fundação. Passei um pano úmido na fórmica da mesa, organizei as cadeiras e me sentei. Meus dedos batucavam na madeira, o peito subindo e descendo numa respiração curta.
Aquela casa, que antes parecia o símbolo máximo da nossa independência conquistada a duras penas, agora parecia um palco suspenso no tempo. O ano era 1999, o milênio estava terminando lá fora, mas dentro daquelas quatro paredes, o nosso próprio mundo estava prestes a sofrer uma guinada sem volta.
Quando a porta do banheiro finalmente se abriu, o Edu surgiu vestindo uma bermuda jeans escura e uma camiseta de algodão cinza que deixava seus braços fortes, moldados pelo esforço diário com os motores da oficina, totalmente à mostra. Seus cabelos lisos e escuros ainda pingavam um pouco, e o cheiro do sabonete de lavanda que usávamos preencheu o corredor. Ele não exibia o sorriso largo de minutos atrás; sua expressão era uma mistura de solenidade, expectativa e um receio profundo, quase palpável.
Ele caminhou até a cozinha com passos lentos, arrastando as sandálias de borracha, e parou diante da mesa. Olhou para a cadeira vazia na minha frente e, depois, diretamente nos meus olhos.
• Eduardo: "Pronto. Limpo e sem graxa. Como você pediu."
• Amanda: "Senta aqui, Edu. Por favor."
Ele puxou a cadeira de madeira, o som do atrito no piso quebrando o silêncio denso. Sentou-se mantendo os braços apoiados nos joelhos, inclinado para a frente, como se estivesse pronto para receber um veredito difícil.
A Confissão de Amanda
Aproximei minha cadeira um pouco mais perto da mesa. O espaço que nos separava era mínimo, mas a distância emocional que precisávamos cobrir era um abismo de convenções sociais e tabus. Respirei fundo, buscando na mesma coragem que me fez encarar aquela prova da UFMG as palavras certas para desarmar o homem que daria a vida por mim.
• Amanda: "Edu... nas últimas duas semanas, eu te pedi silêncio. Pedi que a gente se fechasse para o mundo e para nós mesmos para que eu pudesse fazer aquela prova. E você me deu exatamente o que eu precisava: paz, apoio e o seu cuidado. Mas eu mentiria se dissesse que a minha cabeça só pensou em biologia, física ou química."
O Edu não interrompeu. Seus olhos castanhos, muito expressivos, fixaram-se nos meus, as pupilas ligeiramente dilatadas.
• Amanda: "Desde aquela noite na varanda, quando você abriu o seu coração e confessou tudo o que guardava desde a nossa adolescência lá no interior... aquilo nunca mais saiu da minha cabeça. Nem do meu coração. No começo, o meu primeiro impacto foi o choque. Afinal, a gente cresceu dizendo que éramos irmãos, dividindo o mesmo espaço, lutando as mesmas batalhas. Mas depois que o susto passou, e nos dias em que você me evitou, eu comecei a olhar para trás. Comecei a rever tudo o que passamos juntos."
Dei uma pausa, sentindo minhas bochechas esquentarem, mas mantive o olhar firme.
• Amanda: "Lembrei de quando a gente não tinha nada, de quando dividíamos o quarto na casa da nossa tia com aquela televisãozinha, de quando decidimos arriscar e alugar essa casa sozinhos. E percebi que a única pessoa que realmente importava para mim, a única pessoa com quem eu me importava em agradar, em ver sorrir, era você. Eu nunca me interessei por nenhum rapaz do cursinho, nunca olhei para ninguém na rua. E percebi que o que eu sentia por você... já não era apenas aquele amor de irmãos que a gente aprendeu a ter."
O Edu engoliu em seco. Vi o gogó dele se mover e os ombros darem uma leve relaxada, embora a tensão na linha do maxilar continuasse ali.
• Eduardo: "Amanda... você está me dizendo que..."
• Amanda: "Estou dizendo que eu também comecei a enxergar você com outros olhos, Edu. Um jeito que eu não sabia bem o que era, que me assustava, mas que me puxava na sua direção. Eu não sinto repulsa. Eu sinto... desejo. Sinto vontade de estar perto de você de uma forma que nunca estive de ninguém."
Estendi minha mão por cima da mesa de fórmica. Dessa vez, fui eu quem tomou a iniciativa. Meus dedos tocaram a pele quente e levemente calejada da mão dele. O Edu virou a palma dele para cima imediatamente, entrelaçando nossos dedos com uma força que demonstrava todo o alívio que ele estava sentindo.
• Amanda: "A gente passou no vestibular. Minha vida profissional está garantida com essa bolsa. Não temos mais com o que nos preocupar imediatamente. Por isso, eu tomei uma decisão, Edu. Eu quero dar uma chance para nós dois. Quero ver se isso que a gente está sentindo é algo passageiro, uma confusão pelo tanto que vivemos isolados, ou se a gente realmente nasceu para viver esse amor. Eu quero tentar. Com você."
Os olhos do Edu se encheram de lágrimas novamente, mas dessa vez não era o choro da graxa ou do cansaço, era o choro de um homem que finalmente recebia a chave do paraíso que julgava trancado para sempre. Ele se levantou da cadeira de ímpeto, sem soltar a minha mão, e me puxou para cima.
• Eduardo: "Amanda... eu esperei por isso a minha vida inteira. Juro por Deus. Eu não sei nem o que dizer... eu só quero te fazer a mulher mais feliz desse mundo."
O Primeiro Beijo e a Entrega na Sala
Ele não me puxou para um abraço forte e bruto como os de comemoração. Ele me conduziu para fora da cozinha, caminhando devagar até a sala de estar. A sala era simples, mobiliada com o sofá de tecido que havíamos comprado com muito esforço e um tapete central. A luz da tarde entrava oblíqua pela janela, desenhando feixes de poeira dourada no ar.
Paramos no centro da sala, de frente um para o outro. O Edu colocou as duas mãos na minha cintura, os dedos longos se espalhando pela minha pele por cima do tecido leve da minha blusa. Eu olhei para cima, encarando a diferença de altura entre nós. Ele, com seus 1,85m, parecia uma fortaleza; eu, com meus 1,65m e meu corpo de curvas normais, sentia-me totalmente protegida nos braços dele.
• Eduardo: "Posso?" a voz dele era um sussurro trêmulo, carregado de um respeito quase sagrado.
• Amanda: "Deve, meu amor."
O Edu inclinou o corpo para a frente, aproximando o rosto devagar, dando tempo para que o mundo lá fora desaparecesse por completo. Quando os lábios dele tocaram os meus, um choque elétrico percorreu toda a minha espinha, descendo pelas minhas pernas e fazendo meus joelhos fraquejarem. Foi um toque suave no início, um roçar de lábios macios e quentes que trazia o peso de anos de desejo reprimido.
Aos poucos, o beijo foi se aprofundando. Minhas mãos subiram pelo peito dele, sentindo os batimentos cardíacos acelerados e descompassados sob a camiseta, até se fixarem na nuca dele, entrelaçando meus dedos nos seus cabelos ainda levemente úmidos. O Edu soltou um suspiro baixo contra a minha boca e pediu passagem com a língua. Eu abri os lábios, permitindo que nossas línguas se encontrassem pela primeira vez. O sabor dele era limpo, doce, misturado ao frescor do café que havíamos tomado mais cedo.
O beijo tornou-se urgente, intenso. O Edu me apertou mais contra o seu corpo malhado, e eu pude sentir a rigidez dos seus músculos e o calor absurdo que emanava dele. Minhas costas arquearam levemente quando ele desceu as mãos da minha cintura para as minhas nádegas, segurando-me com firmeza, suspendendo-me ligeiramente para que nossos corpos ficassem totalmente colados. Senti a protuberância rígida dele contra a minha intimidade, mesmo através das roupas, e um calor líquido começou a se formar no meu baixo ventre.
Rompemos o beijo por falta de ar, mas nossas testas continuaram unidas, nossas respirações misturando-se no silêncio da sala.
• Amanda: "Edu... eu nunca fiz isso com ninguém. Eu... eu sou virgem, você sabe disso, não sabe?"
• Eduardo: "Eu sei, Amanda. Sei disso." ele afastou o rosto um pouco, olhando-me com uma adoração pura "E tem uma coisa que você não sabe... mas eu também sou. Eu nunca toquei em nenhuma outra mulher desse jeito. Saí com garotas, tentei beber, tentei namorar para te esquecer... mas meu corpo rejeitava todas. Eu me guardei esse tempo todo, mesmo sem saber se um dia teria você. Meu corpo e meu coração sempre foram seus."
A revelação me atingiu em cheio, enchendo-me de uma ternura imensa. O homem forte, o mecânico que lidava com o peso do trabalho bruto diário, havia se mantido casto por amor a mim.
Não dissemos mais nada. O Edu deu um passo atrás e, com as mãos trêmulas, segurou a barra da minha blusa de algodão, subindo-a devagar pelos meus braços até tirá-la por completo, revelando meu sutiã branco simples. Ele olhou para o meu corpo com os olhos brilhando, admirando meus seios médios que subiam e desciam com a respiração acelerada. Depois, fui eu quem levou as mãos até a barra da camiseta cinza dele, puxando-a para cima. Ele me ajudou a tirá-la, revelando o peito largo, os braços fortes e definidos pelo esforço físico e o abdômen malhado.
Deitamo-nos no tapete macio da sala. O Edu desabotoou o meu short jeans com cuidado, deslizando-o pelas minhas pernas junto com a minha calcinha, deixando-me totalmente nua diante dele. Ele tirou a própria bermuda e a cueca com movimentos rápidos, e pela primeira vez eu vi o corpo do meu irmão em sua totalidade viril. Ele era lindo, musculoso, e sua masculinidade estava ereta, imensa e pulsante, apontando na minha direção.
Ele deitou-se entre as minhas pernas, apoiando o peso do corpo nos antebraços para não me machucar. Seus lábios desceram pelo meu pescoço, mordiscando a pele sensível da minha clavícula, fazendo-me soltar gemidos baixos que eu nem sabia que era capaz de emitir. As mãos dele acariciavam minhas coxas grossas, subindo até o quadril, abrindo espaço.
Quando a ponta da sua intimidade rígida tocou a minha entrada, que já estava completamente úmida e lubrificada pelo desejo, nós dois paramos por um segundo. Ele olhou no fundo dos meus olhos.
• Eduardo: "Se doer, você me avisa. Vou devagar, com todo o cuidado do mundo."
• Amanda: "Só me ama, Edu. Me faz sua."
Ele empurrou o quadril para a frente com lentidão. Senti uma pressão forte, uma queimação aguda quando a barreira da minha virgindade foi rompida pelo tamanho dele. Soltei um gemido sibilado entre os dentes e apertei os ombros fortes dele com as minhas unhas. O Edu parou imediatamente, mantendo-se dentro de mim, colando nossos lábios em um beijo terno, sussurrando palavras de amor no meu ouvido até que a dor inicial desse lugar a uma sensação de preenchimento absoluto.
Quando ele percebeu que eu havia relaxado, ele começou a se movimentar. O ritmo era lento no início, um vai e vem suave que fazia nossas peles coladas produzirem um som estalado e sutil. Aos poucos, a paixão e o instinto contidos por anos assumiram o controle. O Edu começou a estocar com mais força, e cada movimento dele me jogava contra o tapete, arrancando gemidos altos da minha garganta. O prazer começou a subir em ondas do meu baixo ventre, uma sensação avassaladora que me fazia contrair as paredes internas ao redor dele, levando-o à loucura.
• Eduardo: "Nossa, Amanda... você é tão apertada, tão gostosa... eu te amo, eu te amo!"
O ritmo tornou-se frenético. Nossos corpos suados colavam-se e descolavam-se na penumbra da sala. Eu joguei a cabeça para trás, cravando os dedos nas costas musculosas dele enquanto o ápice do prazer se aproximava. Senti uma pulsação intensa dentro de mim, uma explosão de puro êxtase que me fez contrair inteira e soltar um grito agudo, gozando pela primeira vez na vida nos braços do meu homem. Segundos depois, com uma última estocada profunda, o Edu travou o corpo sobre o meu, soltando um gemido grave e gutural enquanto derramava todo o seu sêmen quente e espesso no fundo do meu ventre, preenchendo-me por completo.
O Banho e a Descoberta no Quarto
Ficamos deitados ali por alguns minutos, recuperando o fôlego, com o Edu depositando beijos suaves pelo meu rosto e limpando o suor da minha testa. Depois, ele me pegou no colo com facilidade e nos levou até o banheiro.
Entramos juntos debaixo do chuveiro quente. A água caía sobre as nossas cabeças, limpando os vestígios da nossa primeira entrega. O Edu pegou o sabonete, ensaboou as mãos e, com uma delicadeza extrema, começou a lavar o meu corpo, passando a espuma pelos meus seios, pela minha barriga e entre as minhas pernas, cuidando de mim como se eu fosse a joia mais preciosa do mundo. Eu fiz o mesmo por ele, massageando as costas largas e o peito dele, maravilhada com a intimidade que havíamos acabado de inaugurar.
Saímos do banheiro enrolados em toalhas e caminhamos direto para o meu quarto. Desde que havíamos mudado para aquela casa, eu tinha uma cama de casal espaçosa, que até então parecia grande demais para mim. O Edu trancou a porta do quarto e deixou a toalha cair. Eu fiz o mesmo. A noite já começava a cair lá fora, e a iluminação vinha apenas da luz do poste da rua que passava pela cortina fina da janela.
Deitamo-nos nos lençóis limpos. O descanso havia renovado as energias, e o contato da pele nua acendeu novamente o desejo que parecia insaciável. O Edu se deitou de lado, apoiando a cabeça na mão, enquanto a outra mão traçava caminhos suaves pela minha cintura e pelas minhas pernas.
• Eduardo: "Eu quero te conhecer inteira, Amanda. Quero sentir cada pedaço de você."
Ele começou a descer os beijos pelo meu corpo. Seus lábios passaram pela minha barriga, fazendo-me arrepiar, e continuaram descendo até as minhas coxas. Ele abriu as minhas pernas com delicadeza e aproximou o rosto da minha intimidade, que ainda estava sensível, mas já começava a secretar o líquido do desejo novamente.
Quando a língua quente e molhada do Edu tocou o meu clitóris, eu dei um salto na cama, segurando os lençóis com força. Era uma sensação completamente nova, direta e avassaladora. Ele começou a movimentar a língua em círculos, alternando com lambidas longas e profundas que me faziam erguer o quadril involuntariamente. Os gemidos saíam sem controle da minha boca. Eu enterrava as mãos nos cabelos dele, puxando-o para mais perto, entregando-me totalmente àquele prazer oral que ele me proporcionava com tanta dedicação.
A intensidade aumentou. O Edu usava os dedos para abrir os meus lábios vaginais enquanto a sua boca trabalhava sem parar na minha intimidade, sugando o meu clitóris com suavidade. Eu sentia que ia explodir a qualquer momento. Minhas pernas tremiam.
• Amanda: "Edu... meu Deus, Edu... eu vou... eu vou gozar!"
Ele não parou. Continuou sugando com mais força até que meu corpo inteiro entrou em convulsão. Eu gozei na boca do meu irmão, liberando uma quantidade imensa de fluxo líquido. O Edu sorveu cada gota do meu mel, engolindo o meu gozo com uma volúpia que me deixou completamente sem forças, relaxada na cama.
Ele subiu o corpo, com os lábios molhados pelo meu suco, e me beijou profundamente, compartilhando comigo o sabor do meu próprio prazer.
A visão do Edu ali, ereto novamente, com o membro pulsando e brilhando na penumbra, fez com que um instinto primitivo despertasse em mim. Eu quis retribuir o prazer na mesma moeda. Empurrei-o levemente pelos ombros, fazendo-o deitar de costas na cama. Ajoelhei-me entre as pernas dele, observando o tamanho da sua virilidade.
Aproximei meu rosto devagar. Dei uma lambida suave na ponta do membro dele, onde uma gota de líquido seminal já brilhava. O Edu soltou um gemido grave e jogou a cabeça para trás, cravando as mãos nos lençóis.
• Eduardo: "Hummm... Amanda... assim eu não vou aguentar..."
Incentivada pela reação dele, abri a boca e envolvi a cabeça do membro dele, sugando com cuidado, envolvendo-o com os meus lábios para que meus dentes não o arranhassem. Comecei a movimentar a cabeça para cima e para baixo, engolindo o máximo que conseguia daquele comprimento forte. Minha mão direita segurava a base do membro dele, massageando os testículos firmes, enquanto a minha boca trabalhava no compasso do desejo.
O Edu gemia alto no quarto escuro. Ele erguia o quadril da cama, impulsionando-se para dentro da minha boca, completamente dominado pelo prazer que eu lhe dava. A textura dele era firme, quente, e o som da minha saliva envolvendo o membro dele criava uma atmosfera de puro erotismo. Aumentei a velocidade da sucção, usando a língua para massagear o freio do membro dele.
• Eduardo: "Amanda... para... eu vou... eu vou derramar... na sua boca..."
• Amanda: "Deixa, Edu. Deixa vir. Não para."
Continuei sugando com força total. O corpo do Edu esticou completamente na cama, os músculos do abdômen se contraíram e ele soltou um grito rouco de puro êxtase. Senti a primeira grande descarga de sêmen atingir o fundo da minha garganta. Era um jato forte, quente e espesso. Eu não recuei. Mantive a boca firme, sugando enquanto ele despejava sucessivos jatos do seu gozo na minha boca. Engoli tudo com prazer, sentindo o gosto forte e característico do homem que eu amava. Quando ele finalmente terminou, deixei o membro dele sair devagar dos meus lábios, limpando o canto da minha boca com o polegar.
O Edu me puxou para cima dele com uma força desesperada de amor. Ele me abraçou com tanta intensidade que parecia querer me fundir ao seu próprio corpo.
• Eduardo: "Você é perfeita... minha mulher... minha Amanda..."
Ajeitamo-nos na cama, puxando o lençol leve sobre nós. Eu deitei a cabeça no peito largo dele, ouvindo os batimentos cardíacos que aos poucos iam se acalmando, enquanto o braço forte dele me envolvia pela cintura. Dormimos assim, abraçadinhos, os corpos interligados, os fluidos misturados, sabendo que a partir daquela noite, nada no mundo seria como antes.
O Grande Dia no Cursinho
A segunda-feira amanheceu radiante. Acordamos cedo, trocamos beijos carinhosos e cúmplices na cozinha enquanto tomávamos o café. Não havia mais espaço para a dúvida ou para o medo. Éramos um casal, e iríamos enfrentar o mundo de frente. Vestimos nossas melhores roupas para o compromisso no cursinho, onde o Professor Carlos nos aguardava.
Quando chegamos à sede da instituição de ensino, a fachada do prédio estava decorada com uma enorme faixa de lona que dizia: "PARABÉNS AMANDA DA SILVA - 1º LUGAR GERAL MEDICINA UFMG!". Haviam alguns alunos na calçada e, assim que entramos na recepção, fomos recebidos com uma salva de palmas calorosa por parte dos funcionários e dos professores que ali estavam.
O Professor Carlos veio ao nosso encontro, vestindo um terno alinhado e acompanhado por um homem de cabelos grisalhos e postura elegante, que logo descobrimos ser o Diretor Executivo da Fundação Mantenedora, o Dr. Renato.
• Professor Carlos: "Olhem só se não é a nossa grande estrela! Amanda, Eduardo, que bom que chegaram. Este aqui é o Dr. Renato, diretor da nossa fundação."
• Dr. Renato: "É um prazer imenso conhecê-los." o diretor apertou a mão da Amanda e depois a do Eduardo com firmeza "Amanda, o seu desempenho foi um feito histórico para a nossa instituição. O comitê da fundação ficou impressionado com a sua trajetória, saindo do interior de Minas, trabalhando duro e alcançando o topo da UFMG. Os documentos da sua bolsa de estudos integral e do seu auxílio manutenção já estão prontos para a assinatura."
Fomos conduzidos até a sala da diretoria, uma sala ampla com uma mesa de vidro e cadeiras de couro confortáveis. Sobre a mesa, estavam os contratos oficiais.
• Dr. Renato: "Conforme o Professor Carlos deve ter adiantado, a bolsa cobrirá todas as mensalidades que no caso da UFMG não existem por ser pública, mas nós cobriremos todos os custos logísticos, o que inclui uma verba mensal equivalente a três salários mínimos da época para o seu sustento, compra de livros, jalecos e transporte. Além disso, a fundação tem parceria com um laboratório médico que já garantiu uma vaga de estágio remunerado não obrigatório para você a partir do terceiro ano do curso."
Eu olhei para os papéis e depois para o Edu. Ele estava com os olhos brilhando, segurando a minha mão por baixo da mesa de vidro, dando-me o suporte de sempre.
• Amanda: "Eu não tenho palavras para agradecer, Dr. Renato. Isso vai me permitir focar 100% nos estudos e me tornar a médica que sempre sonhei ser."
• Professor Carlos: "E nós temos certeza de que você será uma das melhores profissionais que este país já viu, Amanda. Agora, assine aqui e aqui."
Peguei a caneta esferográfica e assinei meu nome nas linhas indicadas, oficializando a virada mais espetacular da minha vida. O Edu deu um suspiro audível de alívio. O peso financeiro do meu sonho não estava mais nas costas dele.
Após as assinaturas, fomos levados até o auditório do cursinho, onde alguns jornalistas de jornais locais e de uma rádio da capital nos esperavam para uma breve coletiva de imprensa. Respondi às perguntas com calma, sempre fazendo questão de ressaltar que sem o apoio do meu irmão Eduardo, que trabalhava na oficina mecânica para me manter estudando, eu jamais teria chegado até ali. O Edu permaneceu no fundo do auditório, com os braços cruzados, os olhos fixos em mim, transbordando um orgulho que agora tinha um sabor ainda mais profundo e íntimo.
Planos Para a Nova Vida
No início da tarde, despedimo-nos do Professor Carlos e do Dr. Renato e pegamos o ônibus de volta para casa. A sensação de dever cumprido e de vitória era completa. Quando entramos na nossa casinha, tiramos os sapatos apertados e desabamos os dois no sofá da sala, o mesmo sofá que havia testemunhado a nossa primeira grande entrega no dia anterior.
O Edu me puxou para perto, deixando que eu deitasse a cabeça no ombro dele.
• Eduardo: "Bom... parece que agora é oficial mesmo, né? Minha irmã... ou melhor, a minha mulher é a futura médica mais famosa de Belo Horizonte."
• Amanda: "Sua mulher, Edu. Sempre sua mulher a partir de agora." virei o rosto para dar um selinho demorado nele "E com essa verba da bolsa de estudos que vou receber todo mês, as coisas vão mudar muito para nós aqui em casa."
• Eduardo: "Vão sim. Com o dinheiro que eu estava separando todo mês para pagar as suas coisas do cursinho e que ia separar para os materiais da faculdade, eu posso finalmente investir na oficina. Quero comprar aquele elevador hidráulico que te falei, comprar ferramentas novas de última geração e expandir o negócio. O Gordinho vai precisar de mais ajuda, vou ter que contratar mais um rapaz."
• Amanda: "Isso é maravilhoso, meu amor! Você merece crescer tanto quanto eu. E tem outra coisa... a gente precisa pensar em como vamos lidar com as coisas daqui para frente. Perante o mundo, perante a nossa tia e os nossos pais lá no interior... nós ainda somos apenas dois irmãos dividindo o aluguel para estudar e trabalhar na capital."
• Eduardo: "Eu pensei muito nisso ontem à noite enquanto você dormia, Amanda. O mundo lá fora nunca entenderia o nosso amor. Vão julgar, vão falar besteira, e eu não quero que ninguém aponte o dedo para você ou tente atrapalhar a sua carreira na faculdade de medicina por causa disso. Por mim, a gente mantém a nossa vida de casal trancada dentro dessa porta. Daqui para fora, somos os irmãos batalhadores de sempre. Daqui para dentro... somos marido e mulher. O que importa é o que a gente sabe e o que a gente sente."
Olhei para ele, admirada com a maturidade e a proteção que ele me oferecia. Ele estava disposto a viver no anonimato social do nosso amor apenas para garantir que eu estivesse segura de qualquer julgamento.
• Amanda: "Você está certo, Edu. Nossa casa será o nosso santuário. Nosso segredo e nossa força. Vamos construir a nossa vida aqui, prosperando juntos, você na oficina e eu nos hospitais."
Ele sorriu, levantou-se do sofá e estendeu a mão para mim, repetindo o gesto do dia anterior, mas agora com a leveza de quem tinha o mundo inteiro aos seus pés.
• Eduardo: "Bom, a comemoração oficial no cursinho já passou. Mas acho que a nossa comemoração particular no quarto ainda está longe de terminar. O que você acha, Doutora?"
• Amanda: "Acho que você está absolutamente certo, meu mecânico favorito."
Dei a mão a ele, deixando-me guiar mais uma vez em direção ao quarto, pronta para continuar descobrindo aquele amor que havia desafiado as regras do mundo para nos tornar um só.
Continua...