O Dia da Prova e a Consagração
O domingo amanheceu com um céu limpo, pintado daquele azul pálido típico do inverno de 1999 em Belo Horizonte. O ar estava gelado, e a neblina da manhã ainda se desfazia lentamente entre as montanhas que cercavam a capital. Lembro-me de abrir os olhos às cinco horas da manhã. Meu coração não batia, ele parecia galopar dentro do peito. Mas, curiosamente, não era um nervosismo desesperado; era uma adrenalina pura, a sensação de quem sabe que está prestes a entrar na arena para a batalha mais importante da vida.
Tomei um banho demorado, deixando a água quente relaxar os músculos tensos das minhas costas. Quando saí do quarto, o cheiro de café fresco e pão de queijo quentinho já inundava a casa. O Edu já estava de pé, vestindo uma camisa limpa, com os cabelos ainda molhados do banho. Ele tinha um sorriso calmo no rosto, o tipo de sorriso que ele guardava apenas para os momentos em que precisava ser o meu pilar.
Um Começo de Dia Tranquilo
A mesa da cozinha estava posta de um jeito que ele nunca fazia nos dias comuns. Havia frutas cortadas, o café fumegando na garrafa térmica e um copo de suco de laranja.
• Eduardo: "Bom dia, futura doutora. Dormiu bem?"
• Amanda: "Bom dia, Edu. Para ser sincera, acho que meu cérebro continuou revisando as fórmulas de química enquanto eu dormia. Mas estou bem. Só com aquele frio na barriga inevitável."
• Eduardo: "Senta aqui. Come com calma. Hoje você precisa de energia, aquela prova da UFMG não é brincadeira e eu não quero ver você tendo tontura no meio das questões de biologia."
Sentei-me e puxei a caneca de café. O Edu se sentou na cadeira ao lado, não na minha frente como de costume. Ele parecia querer estar mais perto, mas mantinha uma distância respeitosa, sabendo o quanto aquele dia exigia do meu foco.
• Amanda: "Edu... obrigada por tudo isso. Olhar para trás e lembrar de onde a gente saiu... da roça, ajudando a mãe a lavar roupa para fora, sem nem ter uma televisão em casa... e ver onde estou hoje, prestes a fazer o vestibular de medicina. Parece um sonho. Às vezes tenho medo de acordar."
• Eduardo: "Mas não é um sonho, Amanda. É a sua realidade, conquistada com o seu suor e com a sua inteligência. Você se lembra de quando chegamos na rodoviária de BH? Aquelas luzes todas, o barulho dos carros... a gente parecia dois bichos do mato assustados. E olha para você agora. Você domina essa cidade muito mais do que imagina."
Sorri, sentindo uma lágrima teimosa querer escapar, mas a segurei. O Edu estendeu a mão e deu um leve tapinha no meu ombro, transmitindo aquela força bruta e segura dele.
• Eduardo: "Hoje é o dia de colocar no papel tudo o que você guardou nessa cabeça nesses últimos seis meses. Não se preocupe com os outros candidatos, não se preocupe com a concorrência. Ninguém ali trabalhou mais duro do que você. Eu confio em você de olhos fechados."
• Amanda: "Eu vou dar o meu melhor, Edu. Por mim, por nossos pais lá no interior... e por você."
Ele me olhou nos olhos, com uma intensidade que fez meu estômago dar voltas, mas a voz dele continuou mansa e firme.
• Eduardo: "Faz por você, Amanda. Eu já estou feliz demais só de estar aqui te vendo dar esse passo. Agora termina esse café que o ônibus do cursinho não vai esperar."
A Chegada ao Local de Prova e o Encontro com o Professor
O cursinho havia organizado um ônibus para levar os alunos até o campus da UFMG na Pampulha. O Edu fez questão de ir comigo até o ponto de encontro. O trajeto foi silencioso, mas um silêncio confortável. Eu segurava a minha identidade e as canetas esferográficas azuis transparentes dentro de uma sacolinha, enquanto o Edu caminhava ao meu lado, imponente com seus 1,85m, parecendo um guarda-costas particular.
Ao chegarmos perto do ônibus, avistamos uma aglomeração de estudantes ansiosos, alguns roendo as unhas, outros revisando apostilas de última hora o que o Professor Carlos sempre dizia que era um erro gravíssimo. E lá estava ele, o Professor Carlos, com sua pasta de couro debaixo do braço e um megafone na mão, tentando acalmar os ânimos da moçada.
Assim que ele me viu passar pela calçada, os olhos dele brilharam por trás dos óculos de grau. Ele se afastou do grupo principal e veio em nossa direção.
• Professor Carlos: "Amanda! Que bom ver você firme e forte. E este deve ser o seu irmão, o Eduardo, de quem você tanto fala."
• Eduardo: "Prazer, professor. Sou eu mesmo. Vim trazer a minha irmã para a batalha."
• Professor Carlos: "O prazer é todo meu, Eduardo. Quero te dar os parabéns, pois sei o quanto você apoia a Amanda. E para você, Amanda..."ele colocou a mão no meu ombro"...tenho apenas um conselho: respire. Você foi a mente mais brilhante que passou pelas minhas salas este ano. Aquele simulado não foi sorte, foi competência pura. Quando abrir o caderno de provas, faça primeiro o que você sabe com total certeza. Deixe o que for mais complexo para o final. Controle o tempo, mas não deixe o tempo controlar você."
• Amanda: "Obrigado, Professor Carlos. Suas aulas de biologia foram fundamentais. Eu vou manter a calma, prometo."
• Professor Carlos: "Eu sei que vai. A UFMG está esperando por você. Boa prova, minha querida. Nos vemos na saída."
O professor voltou para o grupo de alunos e o Edu me puxou para perto do portão de entrada do campus, onde o fluxo de estudantes já era imenso. Faltavam poucos minutos para os portões fecharem.
• Eduardo: "Bom, chegou a hora." ele segurou minhas duas mãos. O calor das mãos dele pareceu afastar todo o frio que fazia naquela manhã "Olha para mim, Amanda. Esquece qualquer problema, esquece qualquer dúvida. Entra lá e brilha. Eu vou estar bem aqui na praça em frente ao portão, te esperando. Não vou arredar o pé daqui até você sair por aquele portão."
• Amanda: "Você vai ficar aqui esse tempo todo, Edu? São horas de prova!"
• Eduardo: "Vou. Não conseguiria trabalhar na oficina sabendo que você está aqui fazendo a prova da sua vida. Vou comprar um jornal, tomar um café por aqui e rezar por você. Vai lá, guria. Quebra tudo."
Ele me deu um beijo carinhoso no topo da cabeça. Aquele gesto me deu uma paz inexplicável. Despedi-me dele com um aceno, mostrei meu documento ao fiscal de segurança e entrei no campus da universidade. Quando olhei para trás, antes de entrar no prédio das salas, o Edu ainda estava lá, acenando para mim com um sorriso de orgulho que preencheu todo o meu peito.
A Melhor Prova de Todos os Tempos
A sala de prova estava silenciosa. O barulho do relógio de parede parecia amplificado. Quando o fiscal autorizou o início da prova e eu quebrei o lacre do caderno de questões, parecia que o mundo ao meu redor havia sumido.
Comecei a ler as questões de língua portuguesa e literatura. Guimarães Rosa, Machado de Assis... os textos pareciam conversar comigo. As respostas saltavam aos meus olhos. Quando passei para a parte de ciências da natureza, que era o peso maior para medicina, senti uma clareza mental que nunca tinha experimentado antes. As equações de física se encaixavam perfeitamente. Em química, as reações orgânicas faziam total sentido.
Mas foi em biologia que eu realmente senti que estava fazendo a melhor prova da minha vida. As questões sobre genética, fisiologia humana e ecologia pareciam ter sido escritas com base exatamente nas anotações que eu tinha revisado na noite anterior com o copo de leite que o Edu me trouxe. Minha caneta deslizava pelo cartão de respostas com firmeza. Eu não tinha dúvidas. A cada questão respondida, a certeza de que aquela vaga era minha aumentava.
Quando terminei a redação, cujo tema abordava as transformações sociais na virada para o novo milênio algo que eu vivia na pele reli o texto e senti orgulho de cada linha escrita. Entreguei a prova faltando trinta minutos para o encerramento do tempo total. Eu estava exausta, mas com a alma lavada.
O Pós Prova e a Longa Espera
Ao sair pelo portão principal, o sol da tarde já estava fraco. No meio da multidão de pais, namorados e parentes, meus olhos procuraram a figura alta do meu irmão. E ele estava lá, exatamente no mesmo lugar onde o deixei pela manhã, em pé perto de uma árvore, com os braços cruzados. Assim que me viu, ele abriu os braços e eu corri ao seu encontro, enterrando meu rosto no peito forte dele.
• Eduardo: "E aí? Como foi? Pelo seu sorriso, acho que o monstro da UFMG não te assustou."
• Amanda: "Edu... foi maravilhoso! Eu nunca tive tanta certeza em uma prova na minha vida. Parece que tudo o que estudei caiu ali. Eu consegui fazer tudo com calma, a redação fluiu... foi perfeito!"
• Eduardo: "Eu não tinha dúvida nenhuma. Vamos para casa, você precisa comer de verdade e descansar."
Caminhamos até o ponto de ônibus e, durante o trajeto de volta para o nosso bairro, a calmaria pós-tempestade começou a se instalar. Sentados lado a lado no banco do ônibus urbano, eu olhei para ele e decidi tocar no assunto sobre o resultado e o que viria a seguir.
• Amanda: "Edu, o gabarito oficial sai amanhã nos jornais, mas o resultado final mesmo, com a lista dos aprovados, só vai sair daqui a duas semanas. Eles precisam corrigir as redações e processar tudo."
• Eduardo: "Duas semanas... vai ser uma ansiedade brava, hein?"
• Amanda: "Vai sim. Mas o que eu queria te dizer é que... assim que sair essa lista, as coisas vão mudar. E eu sei que te pedi um tempo para pensar sobre o que você me confessou na varanda. Eu não esqueci, Edu. Nem por um segundo."
Ele olhou para a janela do ônibus por um momento, observando o trânsito de Belo Horizonte, antes de voltar os olhos castanhos para mim.
• Eduardo: "Eu sei que não esqueceu, Amanda. E cumpri minha palavra, não toquei no assunto para te deixar 100% focada nessa prova."
• Amanda: "E eu sou muito grata por isso. Então, vamos fazer um trato? Assim que sair o resultado oficial da UFMG, nós vamos sentar. Nós dois. Sem pressa, sem o peso de apostilas ou de preocupações com o futuro imediato. E vamos conversar finalmente sobre nós. Sobre o que você sente, sobre o que isso causou em mim... sobre tudo. Pode ser?"
Um brilho de esperança e alívio cruzou o rosto do meu irmão. Ele pegou a minha mão, apertando-a com aquele carinho que me dava segurança desde a infância.
• Eduardo: "Pode ser, Amanda. É tudo o que eu mais quero. Vamos esperar o resultado. Até lá, cabeça fria."
O Dia do Resultado e a Surpresa do Cursinho
As duas semanas pareceram arrastar-se como se fossem dois anos. Eu continuei trabalhando, lavando e passando as roupas das famílias do bairro para manter a cabeça ocupada. O Edu passava o dia inteiro na oficina, o som das chaves de fenda e dos motores nos fundos da casa servindo como uma trilha sonora para a nossa espera silenciosa.
Até que a grande data chegou. Era uma manhã de sexta-feira. O resultado seria publicado no caderno especial do jornal Estado de Minas e também fixado nos murais da própria universidade e dos grandes cursinhos da capital.
Eu estava terminando de estender uma leva de lençóis no varal do quintal quando ouvi passos apressados vindo da calçada da frente. Não era o Edu, pois ele estava debaixo de um caminhãozinho na garagem naquele momento. De repente, a nossa portinha de ferro bateu com força e passos pesados subiram os degraus da varanda.
• Professor Carlos: "Amanda! Amanda, cadê você?!"
A voz do Professor Carlos ecoou pela casa, vinda da sala. Ele parecia esbaforido, como se tivesse corrido uma maratona. Larguei o balde de roupas no chão e corri para dentro de casa, limpando as mãos no avental. O Edu, ouvindo os gritos e reconhecendo a voz do professor, também entrou correndo pela porta dos fundos, ainda limpando as mãos cheias de graxa em uma estopa preta.
• Amanda: "Professor Carlos! O que aconteceu? Saiu a lista?!"
Professor Carlos: "Saiu! Saiu a lista dos aprovados da Universidade Federal de Minas Gerais!" ele segurava um exemplar do jornal dobrado debaixo do braço, e o rosto dele estava vermelho de tanta emoção.
• Eduardo: "E aí, professor?! Fala logo, pelo amor de Deus, não mata a minha irmã do coração!"
O Professor Carlos olhou para mim, os olhos marejados atrás das lentes grossas dos óculos. Ele abriu o jornal sobre a mesa da nossa cozinha a mesma mesa onde tantas conversas difíceis e profundas tinham acontecido. Ele apontou com o dedo trêmulo para o topo da primeira coluna do caderno de medicina.
• Professor Carlos: "Amanda... você não apenas passou no vestibular mais difícil do estado. Olha aqui. Lê você mesma."
Aproximei-me da mesa, sentindo minhas pernas tremerem como gelatina. Foquei os olhos nas letras pequenas do jornal de 1999. Lá estava o curso: MEDICINA - INTEGRAL. E logo abaixo, na linha número um, em letras garrafais pretas:
1º LUGAR: AMANDA APARECIDA DA SILVA
Meus olhos se encheram de lágrimas instantaneamente. Minha visão ficou embaçada. Eu reli o nome três, quatro vezes para ter certeza de que não estava delirando. 1º Lugar. Eu tinha sido a melhor de todo o estado. A menina humilde do interior de Minas Gerais, que veio para a capital sem nem saber o que era uma televisão, tinha conquistado o topo da maior universidade pública da região.
• Amanda: "Meu Deus... Edu... eu passei! Eu passei em primeiro lugar!"
O Edu soltou a estopa no chão. Ele não se importou com a graxa nas mãos ou na roupa de trabalho. Ele deu dois passos largos e me suspendeu no ar, me girando pela cozinha enquanto soltava um grito de vitória que deve ter sido ouvido por todo o quarteirão.
• Eduardo: "EU SABIA! PUTA QUE PARIU, AMANDA! VOCÊ É A MELHOR! PRIMEIRO LUGAR!"
Ele me colocou no chão, e nós dois choramos abraçados, lavando toda a alma, lembrando de cada noite em claro, de cada humilhação que passamos na vida e de como aquela vitória representava a virada definitiva na história da nossa família.
O Professor Carlos limpava as próprias lágrimas com um lenço de pano, observando a nossa comemoração com um sorriso paternal. Ele esperou que nos acalmássemos um pouco antes de pedir a nossa atenção.
• Professor Carlos: "Amanda, Eduardo... por favor, escutem. A notícia não para por aqui. O motivo de eu ter vindo pessoalmente à casa de vocês, antes mesmo de ligar, é porque o que aconteceu hoje vai mudar a vida de vocês de uma forma ainda maior."
Nós dois nos soltamos e olhamos para o professor, tentando recuperar o fôlego.
• Professor Carlos: "Como vocês sabem, o nosso cursinho é mantido por uma fundação privada de grande porte. Nós temos uma tradição interna, uma cláusula estatutária que pouca gente conhece porque raramente acontece. O aluno do nosso cursinho que alcançar o primeiro lugar geral em medicina na UFMG recebe uma honraria especial."
Ele abriu a pasta de couro e tirou de lá um documento oficial com o timbre da instituição.
• Professor Carlos: "Amanda, você acabou de ganhar uma bolsa de estudos integral e auxílio-manutenção completo para todo o seu curso de medicina. A fundação vai arcar com todos os seus livros didáticos, seus jalecos, seus materiais de apoio, além de uma bolsa mensal de custeio para alimentação e transporte durante os seis anos de faculdade. Você não vai precisar gastar um único centavo da oficina do seu irmão para se formar médica."
O silêncio caiu sobre a cozinha, interrompido apenas pelo som da nossa respiração pesada. Aquilo era mais do que uma aprovação; era a libertação financeira e a garantia de que o sonho que parecia impossível agora estava totalmente blindado contra qualquer dificuldade.
• Amanda: "Professor... eu não sei nem o que dizer... Isso... isso é real?"
• Professor Carlos: "É totalmente real, Amanda. Você merece. Você e seu irmão provaram que o esforço vence qualquer barreira. Na segunda-feira, quero vocês dois na sede do cursinho para assinarmos os papéis e falarmos com a imprensa local. Parabéns, Doutora Amanda."
O professor apertou a mão do Edu, deu um abraço apertado em mim e se despediu, deixando o jornal sobre a mesa. Ele sabia que aquele momento precisava ser vivido por nós dois, a sós.
O Prenúncio da Grande Conversa
Quando a porta da frente se fechou novamente, o silêncio que ficou na casa era diferente. Não era o silêncio da dúvida, nem o silêncio do cansaço. Era o silêncio do futuro que havia chegado com força total.
Olhei para o Edu. O rosto dele ainda tinha marcas de lágrimas que limpavam caminhos na graxa da bochecha. Ele olhava para o jornal na mesa, depois para o documento da bolsa de estudos, e por fim olhou para mim. O peito dele subia e descia rapidamente.
• Eduardo: "Você conseguiu, mana... Você mudou a nossa vida. Ninguém nunca mais vai poder dizer que a gente não venceu."
• Amanda: "Nós conseguimos, Edu. Sem você naquela oficina, sem você me dando força e pagando aquele cursinho, eu nunca teria chegado aqui. Essa vitória é tão sua quanto minha."
Ele sorriu, mas o sorriso dele foi dando lugar a uma expressão mais séria, profunda, lembrando-se do trato que havíamos feito no ônibus duas semanas atrás. O resultado havia saído. A aprovação estava garantida. O futuro profissional estava desenhado.
Não havia mais apostilas, não havia mais vestibular, não havia mais desculpas para adiar.
Eduardo: "Bom... o resultado saiu, Amanda. E você cumpriu sua parte de um jeito que eu nunca vou esquecer." a voz dele baixou de tom, tornando-se aquela voz rouca e intimista da noite na varanda "Acho que... agora a gente precisa ter aquela conversa, não é?"
Senti um arrepio correr por toda a minha espinha. Olhei para a mesa da cozinha, para o dia ensolarado lá fora e para o homem que esteve ao meu lado a vida inteira, e que agora me olhava não apenas como irmão, mas como o homem que confessou me amar além dos laços de sangue.
• Amanda: "Sim, Edu. Chegou a hora. Vai tomar um banho, tira essa graxa. Eu vou arrumar essa mesa, e quando você voltar... nós vamos sentar e conversar sobre tudo o que ficou guardado."
Ele assentiu com a cabeça, sério, e caminhou em direção ao banheiro. Eu me virei para a pia, sentindo meu coração acelerar de uma forma totalmente diferente de como foi pela manhã. O vestibular da UFMG tinha sido vencido, mas a prova mais complexa da minha vida pessoal estava prestes a começar naquela cozinha.
Continua...