O som do motor velho da Kombi foi diminuindo aos poucos até sumir na estrada de terra, deixando para trás apenas uma cortina de poeira fina e o silêncio pesado do fim de tarde. Eu tinha acabado de pagar aquela carona centímetro por centímetro, servindo os dois homens no banco de trás com o meu corpo enquanto fingia que tudo aquilo era apenas o resultado de uma aposta perdida. Eles cumpriram o trato e me deixaram exatamente onde eu pedi: na frente da casinha rústica e isolada que pertencia ao irmão do Madruga, o caminhoneiro que tinha me ajudado no início da minha fuga.
Fiquei ali parada, encarando aquela fachada simples de paredes brancas e porta de madeira azul. Minha mente era um turbilhão de confusão e desespero. Eu sabia que os capangas do night club continuavam na minha cola, caçando uma garota indefesa que eles sabiam que não podia recorrer à polícia ou à própria família por pura vergonha do escândalo. Eu estava em um beco sem saída. Sentia um medo asfixiante, uma vergonha que me esmagava e um estresse que fazia meu coração bater na garganta. Mas o que me deixava mais perturbada era perceber que, mesmo diante de todo esse perigo real, o vento morno da tarde batendo na minha bunda totalmente nua e o rastro do sêmen dos dois homens escorrendo pelas minhas pernas me deixavam absurdamente acesa. Minha única proteção no mundo era aquela camisa xadrez masculina, aberta até a metade, e o tesão que eu sentia naquele momento de extrema vulnerabilidade estava quase me matando.
Respirei fundo, tentando conter o tremor nas mãos e o pulsar forte da minha intimidade exposta. Dei os primeiros passos descalços pela terra batida do quintal, sentindo os gravetos sob os meus pés. A camisa mal cobria o meu bumbum médio a cada movimento que eu fazia. Cheguei perto da porta azul, com o coração parecendo que ia saltar do peito. Eu não fazia a menor ideia de como o irmão do Madruga reagiria ao abrir a porta e dar de cara com uma mulher desconhecida, sem calcinha, sem eira nem beira, vestindo apenas uma camisa de homem e implorando por socorro.
Ergui a mão trêmula e bati três vezes na madeira da porta, segurando a barra da camisa para baixo na tentativa inútil de me cobrir, enquanto esperava para ver quem mudaria o meu destino daquela vez.
A porta de madeira azul se abriu com um rangido seco, revelando a figura de um homem robusto, de ombros largos e traços marcantes que lembravam muito os do Madruga. Ele segurava um copo de metal na mão e me encarou de cima a baixo com uma calma perturbadora. O sol poente batia nas minhas costas, iluminando as minhas pernas brancas e descalças sob a barra curtíssima daquela camisa xadrez masculina.
— P-por favor... Eu sou amiga do Madruga. Ele me disse que o senhor... — comecei a gaguejar, tentando engatar a história que eu tinha inventado sobre a tal aposta perdida na rodovia para justificar o meu estado.
O homem deu um sorriso de canto, soltando uma risada curta e cínica que me cortou no ato. Ele deu um passo para a frente, invadindo o meu espaço na varanda. Antes que eu pudesse reagir, ele segurou a gola da camisa xadrez com dois dedos, puxando o tecido levemente para perto do rosto e aspirando o ar de forma profunda.
— O Madruga já tinha me ligado de um orelhão antes de sumir no mundo. Ele me explicou direitinho quem você era e todas as suas putarias pela estrada, paulistana — ele sibilou, com os olhos fixos na minha alma.
— E olhando para você agora, eu acredito piamente. Você chega aqui no meu sítio, no meio do nada, praticamente nua e cheirando a porra fresca de outro homem. Acha que me engana?
Aquelas palavras caíram como uma bomba no meu sistema. Toda a minha encenação ruiu em um segundo. Ser desmascarada daquela forma tão crua, tendo a minha intimidade exposta pelo cheiro do sexo recente na Kombi que ainda cobria as minhas coxas, fez o meu rosto arder de vergonha. O pânico de saber que ele conhecia a minha verdadeira natureza se misturou com um estresse absurdo, mas a resposta do meu corpo foi imediata: uma descarga violenta de adrenalina atingiu a minha bucetinha, que começou a pulsar e a gotejar intensamente contra a minha pele nua. O exibicionismo psicológico daquela situação estava me matando de tesão.
Ele deu as costas, deixando a porta aberta para que eu entrasse. Eu o segui para dentro da sala simples, com o chão de cimento queimado gelando a sola dos meus pés. O homem caminhou até um sofá de courvin gasto, sentou-se com as pernas abertas e apoiou os braços nos joelhos, mantendo aquele olhar de autoridade sobre mim.
— Escuta aqui. Eu vou te ajudar porque o meu irmão pediu, e eu honro a minha família — ele começou, a voz firme e sem rodeios.
— Vou me mexer para arranjar um documento falso para você poder viajar, vou conseguir um dinheiro para você se manter e nós vamos ter que cortar e pintar esse seu cabelo para ninguém te reconhecer na estrada. Mas essas coisas demoram. Vai levar alguns dias para tudo ficar pronto.
Eu limpei uma lágrima que insistia em cair, sentindo um alívio enorme pela promessa de proteção, mas ainda trêmula pela tensão no ambiente.
— E enquanto você estiver sob o meu teto... — ele continuou, o olhar descendo lentamente para os botões abertos da camisa que revelavam meus seios.
— Já que você é uma puta convicta e gosta de se expor, nós vamos fazer esse tempo ser bom para nós dois. Tira essa roupa agora, fica de joelhos e chupa o meu pau. Vamos ver se você é tão boa quanto o meu irmão falou.
O comando direto, a humilhação de estar completamente à mercê daquele homem rude e a promessa de liberdade criaram um curto-circuito definitivo na minha mente. Sem dizer uma única palavra, levei as mãos trêmulas até os botões restantes da camisa xadrez. Abri um por um, deixando o tecido escorregar pelos meus ombros e cair no chão. Fiquei completamente nua no meio da sala iluminada pela réstia de sol que entrava pela janela, exibindo o meu corpo pequeno e a minha intimidade molhada para o meu novo protetor.
Ajoelhei-me no cimento frio entre as pernas dele, engolindo o restinho do meu orgulho enquanto o homem desabotoava a calça, pronto para cobrar o preço diário do meu novo esconderijo.
O homem se recostou no sofá, as mãos calosas espalmadas sobre os próprios joelhos enquanto me assistia. Com o corpo totalmente nu, livre daquela camisa xadrez que havia sido meu único escudo na estrada, eu sentia a brisa do início da noite entrar pela janela aberta, arrepiando cada centímetro da minha pele branca.
Olhei para cima, sustentando aquele olhar firme e sem rodeios. Segurei o membro dele, que já estava completamente rígido e imponente diante do meu rosto, e levei os lábios até a ponta. Tomada pela adrenalina e pelo desespero acumulado de todo aquele dia de fuga, comecei a engoli-lo com pressa, movendo a cabeça de forma rápida e sôfrega.
Antes que eu pudesse dar a terceira engolida profunda, senti a mão pesada dele se cravar nos meus cabelos castanhos, puxando a minha cabeça para trás com firmeza e interrompendo o meu ritmo no ato.
— Para, para... — ele mandou, com a voz grave, pausada e absurdamente calma.
— Não precisa dessa correria toda. Faz devagar. Quero saborear cada segundo do que o meu irmão tanto elogiou.
Ele soltou o aperto do meu cabelo de forma lenta, deixando os dedos grossos deslizarem pela minha nuca até repousarem no meu pescoço, ditando o novo compasso. Aquela contenção me pegou de surpresa. O choque de ser freada daquela maneira, de ter alguém controlando milimetricamente a velocidade e a intensidade do meu próprio corpo, mexeu com algo muito profundo no meu sistema.
Apesar de toda a gravidade da perseguição, da humilhação de estar ali desarmada e do estresse psicológico que vinha me esmagando, percebi que estava gostando daquela sensação. Era estranhamente gostoso me entregar àquele controle absoluto. Saber que a minha sobrevivência, os meus futuros documentos falsos e o teto que me esconderia dependiam exclusivamente da minha capacidade de ser submissa e dar prazer àquele homem no meio do nada criava um curto-circuito de sensações. Eu não tinha mais o controle de absolutamente nada na minha vida, e deixar que ele assumisse as rédeas do momento era um alívio erótico que eu mal conseguia processar.
Aproximei-me novamente, abrindo bem os lábios. Dessa vez, segui a instrução dele ao pé da letra. Deslizei a língua lentamente por toda a extensão da pele quente, sentindo as veias pulsarem contra o meu rosto. Olhando fixamente nos olhos dele, engoli o membro centímetro por centímetro, subindo e descendo a cabeça de forma suave, cadenciada, deixando a saliva lubrificar tudo com paciência.
— Isso... assim mesmo — ele sussurrou, fechando os olhos por um instante e jogando a cabeça para trás, enquanto a outra mão descia para apertar um dos meus seios médios com força.
Eu continuava naquele ritmo lento e torturante, saboreando o momento e sentindo a minha intimidade, totalmente exposta e colada ao chão de cimento frio, contrair e gotejar intensamente. O exibicionismo de ser dominada daquela forma, sob a promessa de que ele resolveria a minha vida nos próximos dias, estava me matando de prazer. Cada som molhado que a minha boca fazia parecia selar, de forma definitiva, o preço do meu novo esconderijo.
— Levanta — ele ordenou de repente, a voz rouca cortando os meus gemidos abafados enquanto eu ainda trabalhava no membro dele de forma lenta e dedicada.
Antes que eu pudesse processar o comando, as mãos fortes dele seguraram os meus braços, me puxando do chão de cimento gelado direto para o sofá. O contraste do estofado áspero com a minha pele nua e suada me fez soltar um suspiro sôfrego. Ele não me deu tempo para pensar: segurou a minha cintura com firmeza, me virou de costas e me manteve de quatro ali mesmo, empinando o meu bumbum médio na direção dele.
Eu conseguia ver, de relance pela janela aberta, a escuridão da noite engolindo o sítio isolado, reforçando a certeza de que ali ninguém ouviria meus gritos. O homem se posicionou e, sem qualquer aviso ou preliminar, enterrou o pau grosso de uma vez só na minha intimidade encharcada.
— Ahhh! — o grito escapou da minha garganta, ecoando pelas paredes da sala simples.
Ele começou a me foder com estocadas firmes, pesadas e profundas, fazendo o sofá velho ranger ritmicamente contra a parede. Não havia pressa, mas sim uma demonstração pura de autoridade. A cada impacto do quadril dele contra as minhas nádegas, o meu corpo balançava, e eu afundava as unhas no courvin para não cair. Olhar para a frente e ver a minha camisa xadrez jogada no chão, o último rastro da minha jornada até ali, me trouxe uma onda avassaladora de realidade. Os capangas de Maceió podiam estar me caçando, o medo e o estresse podiam estar destruindo a minha mente, mas ali dentro, sob o domínio absoluto daquele estranho, eu me sentia estranhamente salva. O preço era o meu corpo, e entregar o controle daquela forma me dava um prazer que fazia a minha bucetinha apertar o membro dele com uma força absurda.
— Você é muito gostosa, paulistana... O Madruga tinha razão — ele abaixou perto do meu ouvido, a respiração quente queimando o meu pescoço enquanto acelerava os movimentos finais.
O prazer daquela submissão total explodiu no meu peito, e eu gozei alto, contraindo as paredes vaginais ao redor dele. Logo em seguida, ele soltou um gemido pesado e descarregou uma jorrada quente e profunda dentro de mim, me segurando pela cintura até dar o último espasmo.
Ficamos os dois arfando por alguns instantes. Ele se afastou, ajeitou as calças e voltou a assumir aquela postura fria de antes. Olhou para mim, estirada no sofá, exausta e melada.
— Muito bom. Agora recolhe as suas coisas — ele disse, jogando uma muda de roupas velha sobre as minhas pernas: um shorts de elástico desbotado e uma regata preta justa.
— O quartinho dos fundos é seu. Pode se limpar e descansar, porque amanhã cedo a gente começa a resolver a sua vida. Vou atrás dos seus documentos e nós vamos mudar esse seu visual.
Ajeitei o corpo, sentindo o sêmen escorrer pelas minhas pernas brancas, e vesti as roupas que ele me deu. Peguei a camisa xadrez do chão e caminhei em direção ao quartinho, sabendo que os próximos dias naquele sítio isolado seriam longos, intensos e completamente ditados pelas regras dele.
As duas semanas que se seguiram naquele sítio isolado apagaram qualquer rastro da Marina paulistana que tinha descido daquela Kombi. O irmão do Madruga não perdeu tempo. Logo no primeiro amanhecer, ele me sentou em uma cadeira de madeira na cozinha e, com uma tesoura pesada de costura, cortou meus longos cabelos castanhos bem curtinho, na altura da nuca. Depois, despejou uma tinta preta barata que ardia o couro cabeludo. Quando me olhei no espelho quebrado da parede, mal me reconheci. Mas ele ainda não estava satisfeito.
— Essa sua pele muito branca de cidade grande entrega de longe que você não é daqui, paulistana — ele disse, avaliando meu corpo.
— Se algum capanga passar na estrada, vai desconfiar na hora.
Ele buscou uma garrafa pet cheia de um óleo rústico e avermelhado de urucum que ele mesmo preparava. Todos os dias, sob o sol escaldante do meio-dia, ele me mandava ir para os fundos do terreno, um descampado cercado apenas por vegetação rasteira e o horizonte seco. Eu tirava a regata e o shorts, ficando totalmente nua, e espalhava aquele óleo com cheiro de terra por todas as minhas pernas, barriga, seios e todas as outras partes do corpo.
O irmão do Madruga sentava na sombra da varanda, tomando sua bebida e controlando o tempo que eu devia ficar exposta. O vento quente batendo no meu corpo totalmente despido e o olhar fixo dele me vigiando faziam a minha intimidade pulsar de puro tesão. O exibicionismo daquela situação, misturado ao estresse da clandestinidade, criava um curto-circuito delicioso. Em duas semanas, o urucum e o sol forte transformaram minha pele branca em um bronzeado dourado e profundo. Eu já não era a Marina; agora, para o irmão do Madruga, eu era a "Morena".
No décimo quinto dia, ele entrou no meu quartinho no fim da tarde com um envelope pardo. Revelou uma identidade e uma certidão de nascimento falsas. Meu novo nome era Gabriela.
— Tá tudo pronto, Morena. Amanhã cedo você pega o ônibus de volta para São Paulo. Mas hoje a gente vai na venda da cidade comprar os seus mantimentos para a viagem — ele avisou, me entregando um vestido de chita florido e simples, bem comum na região, que ficava solto no meu corpo. Como de costume, ele não me deixou vestir calcinha por baixo.
O verdadeiro teste veio quando chegamos à única venda da cidadezinha, um lugar poeirento com cheiro de fumo de rolo e cachaça. Enquanto o irmão do Madruga pegava algumas provisões no balcão, meu coração quase parou. Sentado em uma mesa de plástico perto da porta, bebendo uma cerveja, estava um dos capangas do night club de Maceió — o homem de cicatriz no braço que eu tinha visto me caçando no terminal rodoviário dias atrás.
O pânico e o medo asfixiante voltaram com força total, fazendo meu peito arder. Instintivamente, minhas pernas tremeram e a minha bucetinha, totalmente livre sob o pano fino do vestido, começou a gotejar de pura adrenalina. Eu estava a poucos metros do meu pior pesadelo.
O homem desviou o olhar da garrafa e olhou diretamente para mim. Meu estômago revirou. Ele avaliou meu corpo de cima a baixo, demorando-se nas minhas pernas agora muito bronzeadas e no meu cabelo preto e curto. Senti o vento da porta erguer levemente a barra do vestido, me deixando ainda mais exposta. O capanga sustentou o olhar por alguns segundos, mas não havia reconhecimento naqueles olhos; havia apenas a cobiça comum de um homem olhando para uma moça bonita do interior. Ele soltou um estalo com a língua, deu um gole na cerveja e virou a cara para o lado.
A transformação tinha funcionado perfeitamente. O plano detalhista e o controle rígido do irmão do Madruga tinham salvado a minha vida.
Voltamos para o sítio em silêncio. Quando entramos na casa escura, a adrenalina daquele quase flagrante na cidade tinha se transformado em um tesão incontrolável. Eu olhei para o meu protetor, sabendo que aquela era a minha última noite ali. Sem que ele precisasse dar uma única ordem, dei um passo à frente, segurei as alças do vestido florido e deixei que ele caísse no chão de cimento queimado, me entregando completamente à Morena que ele mesmo tinha criado.
O irmão do Madruga me puxou pela cintura com aquela mesma pegada firme e rústica, mas dessa vez não havia a pressa do primeiro dia. O sexo daquela última noite foi intenso, porém envolto em uma calmaria que parecia celebrar a nossa vitória silenciosa sobre os capangas. Ele me possuiu ali na penumbra da sala, deixando que eu marcasse o ritmo e usasse o restante daquela energia acumulada pelo medo que quase me paralisou na venda da cidade. Gozamos juntos, exaustos e lavados de suor, selando o fim daquela temporada de confinamento e transformação.
No dia seguinte, o sol mal tinha despontado no horizonte quando ele me deixou na beira da rodovia. Eu vestia o mesmo vestido de chita florido e carregava no bolso o envelope com os documentos de Gabriela e o dinheiro necessário para a longa jornada de volta.
— Juízo na estrada, Morena — ele disse, com um aceno curto de cabeça antes de girar a caminhonete e voltar pela estrada de terra.
Quando o ônibus intermunicipal encostou, respirei fundo. Subi os degraus sentindo o estofado do banco e olhei pela janela enquanto o veículo ganhava velocidade no asfalto. Pela primeira vez em semanas, o peso asfixiante no meu peito sumiu por completo. Deixando aquela casinha rústica e o Nordeste para trás, eu sabia que a Marina de antes estava segura. Os capangas do night club nunca encontrariam aquela garota de cabelos curtos, pretos e pele dourada pelo urucum que agora seguia rumo a São Paulo. Eu estava, finalmente, livre.




