Diário perdido de uma menina má – Dúvida cruel


(...)
Durante o tempo em que ela permaneceu comigo, todo o cansaço que eu sentia havia sumido, mas retornou de forma avassaladora pouco tempo depois que ela foi embora.
Já anoitecendo vovó veio me dizer que havia um moço perguntando por mim. Eu não fazia ideia de quem seria e a vovó que já estava esquecendo das coisas, não lembrava o nome dele. Pedi para ela trazê-lo até o quarto e para minha surpresa era o Gilvan. O coitado estava descalço e todo arrumado com trajes sociais como se fosse a uma reunião de negócios e trazia consigo uma caixa de bombons e um buquê de florezinhas brancas. Na realidade, não me surpreendi com tanta formalidade porque ele sempre foi muito certinho e educado. Eu disse:
— Meu Deus! Aonde você vai desse jeito e para quem são esses presentes?
O coitado não sabia onde enfiar a cara. A vovó balançou a cabeça me recriminando e saiu do quarto.
Ele suava e gaguejava de uma forma que eu nunca havia visto antes.
— Ah! É, eu fiquei preocupado com seu sumiço e vim ver se você precisa de alguma coisa. Ah! Isso aqui não são presentes, não! – Ele respondeu tentando contornar a situação.
Eu conseguia ver seu o quanto ele estava nervoso tentando esconder as pernas trêmulas.
— Nossa, eu amei os presentes! Vem aqui e me dê um abraço e já abre o chocolate! – Respondi tentando melhorar o clima e realmente surpresa por ser a primeira vez que eu ganhava flores.
Eu o abracei, seu corpo estava gelado.
— Gilvan, relaxa! Eu sou sua amiga. Se lembra?! Amigos! Quem está doente aqui sou eu. Por que você está tão nervoso?
— Eu realmente não sei. É como se eu precisasse estar aqui com você. Não sei se você acredita em intuição, mas eu não conseguia fazer nada nesses últimos sem que sua imagem viesse a ninha mente. – Ele falou com a voz embargada.
— Você é um tarado, isso sim! Respondi ironicamente.
Ele começou a rir numa mistura de vergonha e surpresa com meu comentário. A cara que ele fez foi hilariante.
— Eu vou ser direta e reta com você e talvez isso doa um pouco. Eu te admiro muito, mas eu gosto de mulher!
Ele ergueu a cabeça, deu uma risadinha sarcástica e respondeu:
— Ainda bem! Eu também gosto de mulher!
Sua resposta embaralhou tudo o que eu queria dizer.
— Acredito que você não entendeu. Eu gosto de xana, boceta, lamber boceta, chupar cu, colar velcro, entende?! – respondi irritada.
Ele começou a rir compulsivamente e se sentou à beira da cama.
— Então você foi feita para mim. Nós gostamos das mesmas coisas.
Toda aquela timidez e aparente vergonha havia desaparecido. Era como se ele fosse outra pessoa em relação ao pobre coitado que há pouco tempo havia entrado em meu quarto.
Ele riu tanto que sentiu dor no maxilar. Era como se ele tivesse uma dupla personalidade.
— Calma, calma! Eu estou apenas brincando com você. Eu sei e vejo que você gosta de garotas. Eu só não perderia a piada. Bebê, Bebezinho do papai.  – Ele me chamou de bebezinho me provocando e tentado conter o riso.
— Seu idiota! Eu já ia te xingar. E quem disse a você que aqui me chamam de Bebê?! Se você espalhar meu apelido por aí eu nunca mais falo com você.
Ele parou de dar risada imediatamente, ficou sério e baixou a cabeça.
— Bebê, bebezinho do papai! Lero, lero, lero! – aquele palhaço iria me infernizar pelo resto da minha vida.
Eu não aguentei, dei um soco nas costas dele que fez até barulho. Mas o filho da puta não parou de repetir, bebezinho, bebezinho do papai. Mesmo se contorcendo de dor, ele não parou de dar risada.
Nesse momento eu me rendi e comecei a rir também. Vendo que eu baixei a guarda, ele foi escorregando pela beirada da cama e se sentou no chão apoiando a cabeça em minhas pernas que estavam dobradas em cima da cama.  Ele tinha cabelos longos, cacheados e raspava a lateral da cabeça. Ele era uma espécie de punk tentando se adequar à sociedade vestindo uma espécie de traje socialmente aceito pelos moralistas de plantão...
Tudo aconteceu tão rápido que eu não tinha percebido, mas eu estava afagando sua cabeça e quase desfazendo seu coque. Nisso, retornei à consciência depois de tanta risada fiquei com vergonha e puxei minha mão.
— Eu realmente gosto de você! Quando eu te vi pela primeira vez foi como se eu tivesse encontrado um pedaço que estava me faltando e que eu estava procurando sem ter consciência disso. – Ele conseguia dizer o que queria de uma forma sutil sempre quebrando a linha de raciocínio.
— Cara! Eu não sei o que dizer. Eu nunca pensei eu você como um parceiro romântico. E olha para mim! O que você viu em mim?! Eu me visto estranho, mal tenho cabelo, não me comporto como uma menininha. Eu não tenho nada de atrativo para que algum cara quisesse sair comigo. – Respondi indignada.
Mas o cara era um verdadeiro sabão. Ele parecia um gato que vai se enrolando em nossas pernas e de repente está em nosso colo nos dando mordidinhas.
Eu nem havia acabado de responder e ele já estava massageando meus pés. Eu nem vi o momento que ele começou a fazer isso.
— Eu sei que somos apenas amigos e que você gosta de garotas. O meu objetivo aqui não é te conquistar ou fazer você mudar seus gostos ou seus pensamentos. Eu apenas quero mostrar a você que, apesar de você se sentir insegura e acreditar que nenhum cara te vê como mulher. Eu realmente me sinto bem com você e acho você linda. Eu não sei o que me levou a vir aqui exatamente, mas senti que se eu não falasse hoje eu não falaria nunca mais... Gostosa!
— Gostosa!? Eu sinceramente não sei se você precisa usar óculos ou se você é realmente louco. De onde você tira tanta loucura. – falei tentando controlar o riso.
— Vamos falar sério agora. Vou deixar as brincadeiras de lado. Eu quero me casar com você. 
Eu não sei o que era real ou brincadeira em suas palavras. Só sei que ele me fez pensar em algo que eu nunca havia pensado antes.
O Gilvan é um cara com mais de 1,80m e moreno. Ele tem um corpo de que pratica esportes e parece que ele luta alguma coisa. Seus ombros são muito largos e sua voz é grossa com um tom que parece um mineiro falado. Ela é uma voz é reconfortante e agradável e seu rosto é meio quadrado com traços fortes. Sua boca é carnuda e transmite uma certa luxúria. Ele é o tipo de cara que você olha e diz: eu não vejo boas intenções em seu olhar.  Não porque ele seja um tarado, mas porque você se sente atraente e observada, não de forma vulgar, mas de uma forma que ninguém antes conseguiu fazer. Inacreditavelmente ele nunca me cantou ou fez algum comentário sobre mim ou até mesmo sobre as gostosas da sala. E sempre que o assunto garotas nos rondava ele ficava vermelho e desconversava. Eu nunca imaginei que ele fosse assim.
— Eu sempre te coloquei num pedestal, mas percebi que você é uma mistura de sádico com palhaço. E como assim casar com você? Até agora eu não sei se você está brincando ou me cantando de verdade.
Assim que acabei de fala, ainda em negação. Ele segurou minhas duas mãos e disse:
— Meu objetivo é te fazer rir e se for necessário me ridicularizar, eu faço com prazer. Afinal, somos bons amigos e esquece tudo que eu te disse antes. Tudo isso foi só para melhorar seu humor. E, na realidades, eu sinceramente te acho um tribufu.
Depois de ouvir isso eu o empurrei e dei um chute nele que eu achou que o machucou porque ele ficou rolando no chão com a mão na barriga e rindo compulsivamente.
— Tribufu é Jersey da sua mãe!
Eu não sabia desse lado zueiro dele e nunca falamos de sentimentos.
Ele me fez rir e esquecer um pouco das dores que me assolava.
— Falando sério!
— Lá vem mais uma!
— Você tem namorada?
Eu não sabia o que responder, mas tentei ser honesta.
— Não, não tenho!
— Qual é sua cor favorita?
Era a conversa mais estranha da minha vida, mas respondi normalmente.
— Verde.
— Qual seu tipo de garota preferida?
— Homo sapiens.
— Você gosta de café?
— Eu amo café!
— Com ou sem açúcar?
— Com açúcar, eu sou viciada em açúcar! Eu reconheço e estou lutando contra isso.
— Se você fosse um homem, quem você gostaria de ser?
— Eu seria um Frankestein da vida. Eu pegaria o corpo de um e o rosto de outro. Sinceramente eu nunca pensei em ser um homem. O homem que eu mais admiro é meu pai, mas a ideia de ser igual ou parecida com alguém não me agrada. Eu acho que isso tiraria a singularidade de cada indivíduo.
— Se você fosse Deus o que você faria para melhorar o mundo?
— Nada! A ideia de um mundo onde todos são felizes, todos são lindos, magros e todos terem dinheiro deve ser algo muito monótono e entediante.
— Quantas mulheres você já pegou?
— 5, eu acho!.
— Com qual delas você viveria o resto de sua vida?
Nesse momento a vovó estavam vindo pelo corredor e disse que iria na vizinha e já voltava.
Voltamos a conversar.
— Não sei, eu gostei muito do momento que passamos juntas, mas conviver diariamente com uma pessoa é outra coisa. Nós romantizamos muito as coisas. E eu também não sou uma flor de pessoa.
— Mas você não respondeu.
— Viu! Eu tenho que responder mesmo?! Uh! Eu formaria um trisal com duas que marcaram minha vida.
— Você é muito cachorra mesmo, hein!
Eu não acreditei no que ouvi, foi algo tão ridículo e saiu tão naturalmente da boca dele que eu não me contive e cai na gargalhada. Ele tinha um humor peculiar. E a forma como ele falava dava para sentir o sarcasmo que até ele não se conteve e voltou a rolar de rir jogado no chão. Eu não sabia se o chutava ou se apertava minhas têmporas numa mistura de dor e náuseas. Tentei levantar, mas comecei a ficar tonta. Ele levantou rapidamente e me apoiou.
— O que você está esperando para ir à um hospital ver o que você tem? Você não percebeu que pode ser algo grave? – ele falou de uma forma tão séria que eu fiquei até assustada.
— Eu estou bem! Todos aqui já insistiram que eu procurasse um médico, mas eu estou bem!
— Eu acredito que você está mentindo para todos nós. Pelo pouco que te conheço eu sei que você está mentindo.
Ainda tonta ele me abraçou e nos sentamos na cama. Ele estava realmente irritado. Era como se ele fosse meu pai brigando comigo.
— Quando sua avó voltar eu vou levar você ao médico.
Não tinha escapatória, ele não mudaria de ideia.
— Tá bom! Você parece um velho ranzinza. Você deve mentir sua idade. Seu Matusalém!
— Matusalém é seu pai! Sua pervertida!
— Matusalém, Matusalém!
Voltamos a rir novamente. Estar ali com ele dava a sensação que tempo parecia estar mais lento que o habitual e, de certa forma, ele se aproveitou e me abraçou me encostado em seu peito. Nesse momento, eu não senti nenhuma maldade em seu comportamento. Apenas me senti protegida e amparada.
— O que você está fazendo?
—Fica quietinha! Quem vai cuidar de você vai ser eu.
— Você parece estar se aproveitando da situação.
— Eu nunca faria isso. Você é muito importante para mim... mas já que estou aqui te segurando, eu posso te beijar?
— Seu filho de uma vaca! Eu sabia que você estava se aproveitando. Sai para lá!

Aquele palhaço ficou lá com os lábios esticados esperando que eu o beijasse.
—Para de ser bolo! Eu morrendo de dor e você fazendo palhaçada. Eu nem consigo rir direito que dói até meu pescoço. Vamos inverter as coisas. Você me interrogou e agora é minha vez. Quantas garotas você já pegou?
— Você quer a verdade ou eu posso mentir? – ele respondeu tentando me fazer desistir.
— Sempre diga a verdade para mim e eu sempre série honesta com você.
— Apesar de não parecer, eu sou muito tímido. Eu já me senti atraído por várias mulheres, mas até te conhecer, eu nunca havia sentido o que estou sentindo agora; vontade de andar de mãos dadas; irmos juntos ao cinema; mostrar meus livros preferidos; mostrá-la à minha família. Na realidade, eu não pego ninguém. Mal roubei um beijo de uma prima que depois ficou me zoando. Outra vez, um grupo de amigos praticamente me obrigou a ficar com uma moça que eu nunca havia visto na vida. Ela beijava muito bem o que fez partes de meu corpo ganharam vida própria. Mas ficar ali – com ela, foi estranho. Eu me senti obrigado a fazer algo que eu não queria por mais que tenha sido excitante.
— Meu Deus do céu! Você é um verdadeiro virjão!!! – falei quase que gritando.

Eu não pude deixar de rir. O cara era um verdadeiro bico doce comigo. Mas na realidade era mais inocente do que eu. Eu ri muito, mas percebi que ele se retraiu e toda aquela confiança de antes havia sumido. Ele mal me olhava nos olhos depois de confessar que ainda era virgem. Tentei encorajá-lo a continuar a se abrir comigo, mas ele se encolheu e não falou mais nada.
— Para de ser bolo! Você conseguiu me enrolar esse tempo todo dizendo tantas coisas e agora vai desistir. Eu nunca ficaria com alguém que desiste das coisas antes mesmo de começar.
Ele fez uma cara de choro e tapou o rosto e balbuciou algo que eu não consegui entender
— Eu não entendi! Fala mais alto! – falei me sentindo mal com o que eu havia dito.
— Você, você me machucou! – ele disse quase que chorando.
— Me desculpe! Não foi minha intenção. Eu...
— Só um beijo seu fará eu te perdoar. – ele disse com a cara mais sem vergonha que eu já vi.
Eu jurando que ele estava chateado de verdade, mas aquele filho de uma boa mãe estava dando um golpe em mim.
Percebi que ele não desistiria, então resolvi testá-lo para ver até onde ele iria para conseguir um beijo.
— Então, tudo bem! Eu te dou um beijo se você me mostrar seu pinto. – foi a coisa mais absurda que eu pensei com intuito de fazê-lo desistir.
O coitado arregalou os olhos e ficou verde e pálido escondendo o rosto com um sorriso amarelo. Seu espanto foi tamanho que ele se jogou para trás.
— Meu Deus do céu! Você é uma pervertida mesmo. Eu aqui sendo bacana com você e você tentando me molestar.
Eu estava rolando de rir com a cara de espanto dele e jurando que ele nunca faria o que pedi.
Mas antes mesmo que eu falasse algo e ele ainda fazendo cara de repulsa. Ele se levantou, abaixou as calças com cueca e tudo me dando um susto.
Ele ficou pelado em minha frente. Cobri meus olhos e pedi que ele se vestisse e fiquei aguardando. Tudo ficou num silêncio angustiante. Então eu ouço o barulho de algo balançando em chicoteando. O maldito filho da puta estava chacoalhando o pinto para frente e para trás tão forte que estralava quando batia no próximo a barriga.
— Seu louco! Seu louco! O que você está fazendo!? Minha vó ou alguém pode chegar.
— Eu não sei o porquê, mas eu realmente quero estar perto de você. E sua amizade preenche um vazio em minha vida que eu não sei explicar. E, olha logo para cá que ele está começando a sentir frio e se encolher. – Ele disse com um tom sério mesmo com as calças no meio das pernas.
Numa mistura que incredulidade e fetichismo eu olhei. Ele se depilava totalmente, seu pênis estava flácido e seu testículos eram relativamente pequenos ele não era circuncidado.
— Tudo bem, tudo bem, já vi. Pode se vestir!
— Não vem reclamar, não! nós estávamos envergonhados...  Você gosta de coisas grandes?
— Seu palhaço! Eu já te disse que ou gosto de bocetas! Pinto para mim só se for de galinha. Me deixa enfiar um pinto igual ao seu na sua bunda para ver se você gosta? – respondi indignada.
— Aí não dá, né! Na bunda machuca!
Eu queria xingar e socar ele, mas suas respostas eram surpreendentes.
— Você não vai desistir, né!? – respondi quase que jogando a toalha.
— Eu não sei nem o que essa palavra significa.
Ainda afivelando o cinto ele se inclinou em minha direção e com o rosto sério veio se aproximando e conseguiu tocar seus lábios nos meus. Eu não reagi apenas deixei fluir e mal tocamos nossos lábios, ele voltou a se afastar e de forma eufórica falou:
— Obrigado! Obrigado! Obrigado! Obrigado meu Deus!
Estranhei tamanho contentamento.
— Você considera isso um beijo? – falei um tanto desapontada por ele se contentar com tão pouco.
— Se eu morresse hoje, eu morreria feliz. Eu não tinha nenhuma esperança em conseguir te convencer a isso e estou ainda mais feliz porque por tabela eu beijei 5 vaginas.
Ele era um palhaço mesmo. Eu queria dar socos nele, mas toda vez que eu me mexia minha cabeça parecia que tinha pregos dentro.
Voltamos a rir desenfreadamente. Quando ele voltou a se aproximar ficando de joelhos de frente a mim ajeitando minhas pernas para que ele ficasse entre elas.
— Obrigado pelo dia de hoje. Meu coração está quase saindo pela minha boca, mas eu faria tudo de novo mil vezes se necessário só para ter esse momento gravado em minha mente. – Ele falou de forma séria me olhando nos olhos.
Eu estava me sentindo estranha. Eu não tinha reação alguma. Era como se no fundo, no fundo eu quisesse aquilo e tudo que eu havia vivenciado anteriormente fosse apenas um capítulo em minha vida. Eu senti que ele faria qualquer coisa que eu pedisse e que ele realmente gostava de mim apesar de eu me vestir mal e mais me parecer com um garoto rebelde. Ele não estava nem aí se meu cabelo era grande ou curto ou se eu usava cuecas em vez de calcinhas. Isso me dava medo e eu não conseguia mais encará-lo sem demonstrar e insegurança e uma certa vergonha. E veio um silêncio parecia nos despir em público.
Ainda de joelhos ele afagou meu rosto e colocou a mão atrás de minha nuca me levando ao encontro de seus lábios novamente. Nossos lábios se tocaram e eu senti uma espécie de estática, com se nós fossemos materiais distintos que, ao se tocassem produzem um efeito da física que transcende nossa compreensão.
Dessa vez ele não se afastou rapidamente como antes. Sua boca era grande e cobria meus lábios completamente. Eu senti sua pele grossa e sua barba que despontava arranhar minha pele. Seus lábios estavam quentes e sua boca sugava a minha quase que me sufocando. Era como seu eu não controlasse meu corpo e, diferentemente do que eu sempre imaginei, eu não senti repulsa ou nojo dele como senti por muitos homens. Eu me sinto estranha em admitir, mas eu me senti muito bem ao beijá-lo. Eu me senti mais feminina e algo estranho começou a revirar em meu peito quase que me dilacerando.
Estávamos abraçados ou quase isso; tentando definir o que estávamos fazendo quando fomos flagrados pela Maiara, Letícia e meu pai, todos em pé, congelados próximos à porta.
Eu não tinha o que dizer porque o Gilvan estava entre minhas pernas ainda para piorar, de joelhos.
O três ficaram petrificados e fecharam a porta sem dizerem uma só palavra. Já o Gilvan começou a tremer feito vara verde temendo que meu pai brigasse com ele.
— Nossa Senhora! O que eu vou falar para seu pai agora? Eu nem o conhecia e ele me pegou aqui quase fazendo um oral em você. Que bola fora de eu dei.
Mesmo tremendo ele ainda continuava sendo um palhaço.
— Vai lá se apresentar ou eles vão pensar que você é um tarado. E meu pai tem uma arma. – Eu não poderia deixar de zoar ele.
O coitado não sabia nem onde estava os sapatos dele. Mas teve coragem de ir conversar. Eu fiquei no quarto aguardado ele retornar ou alguém vir falar comigo e não sei o que aconteceu lá na sala.
Meu corpo estava pesado e com a demora acabei adormecendo. Só acordei quando a Maiara começou e me chacoalhar desesperada gritando por ajuda. Eu não estava entendendo nada. Quando senti líquido quente escorrendo do meu nariz. Era sangue, eu havia molhado todo o travesseiro. Todos estavam desesperados sem saber o que fazer. Papai tentado acalmar a Maiara e a Letícia que estavam histéricas, porém elas me ergueram e me levaram ao banheiro. Quando olhei para o Gilvan, ele estava pálido como se fosse desmaiar ou algo parecido.
Já no banheiro tiraram minha camisa suja de sangue me deixando só top e ao expor minha barriga e minhas costas elas viram manchas vermelhas espalhadas pelo meu corpo. Eu já havia notado algumas, mas pensei ser algum tipo de alergia ou algo parecido.  As duas começaram a chorar e a Letícia correu para chamar o papai para que ele me levasse ao hospital urgentemente. Eu sabia que não teria como fugir e pedi que só me deixassem tomar um banho, pelo mesmo.
Meu corpo doía, era uma dor que parecia vir dos ossos e rasgando minha pele. Eu mal conseguia ficar de pé.
— Deixa que eu tiro sua roupa! O que você estava esperando acontecer para correr para um médico. – disse a Maiara numa mistura de raiva e desespero. Seu choro era tão intenso que se misturava com a coriza de seu nariz.
Ela tirou meu top e em seguida meu samba-canção. Me deixando nua. Tentei me esconder, mas naquele momento não havia tempo para pudor. Sua mão estava pesada como se ela fosse uma mãe lavando uma criança lamacenta. Em seguida chegou a Letícia e a vovó que estava tremendo. Papai ficou do lado de fora do banheiro. Todas ali paradas me vendo totalmente exposta como nem minha mãe havia me visto. Eu sempre fantasiei: eu, Maiara e a Letícia dormindo juntas na mesma cama. Beijando uma, depois a outra. As masturbando ao mesmo tempo, as fazendo gozar com minha língua. Mas parece que a vida nos dá uma coisa e nos tira outra. As mulheres da minha vida, todas reunidas chorando e eu desprotegida e indefesa do jeito que vim ao mundo.
Me vestiram e quando comecei a sair do banheiro amparada pela Maiara e Letícia o Gilvan tomou a frente de todos e me carregou no colo até o carro. Papai estava confuso e parecia estar em choque. Fomos eu, papai dirigindo, o vovô que havia acabado de chegar e não estava entendendo nada, a Maiara e Letícia me amparando no banco traseiro. O Gilvan ficou e não sei o que aconteceu com ele depois que saímos. Todos estavam impacientes e não era uma boa hora para eu questionar alguma coisa.
Chegamos a um hospital público e já era umas oito horas da noite. Por incrível que pareça havia poucas pessoas aguardando atendimento. Na maioria idosos e uma mãe com um bebê que não parava de chorar. A Maiara ficou uns cinco minutos falando com a atende e de repente me colocaram numa cadeira de rodas e me passaram na frente de todos. Antes que o médico me atendesse, uma enfermeira cochichou algo ao pé do ouvido dele e ao ver minha pele cheia de hematomas e um pouco de sangue em minha gengiva me levou para fazer um monte de exames. Depois de tudo isso eu só me recordo de ter ido para um lugar que tinha outra senhorinha muito idosa. E simplesmente dormi.
No outro dia quando acordei, a senhorinha havia sumido e em seu lugar havia um senhor todo enfaixado e cheio de ferros e parafusos nas duas pernas. Era algo tão incômodo que eu puxei uma espécie de cortina que nos separava. Ficar ali, sozinha e sem saber por qual motivo estava me angustiando. Depois de um certo tempo, papai chegou e disse que só poderia entrar uma pessoa por vez para me visitar. Ele não olhava diretamente para mim e sua voz estava meio rouca. Quando eu comecei a reclamar que eles me deixaram sozinha sem me falarem nada. Ele correu e me abraçou e começou a chorar copiosamente. Eu não me lembro de ter visto meu pai chorar a ponto de ter uma crise de soluços.
— Pai, o que está acontecendo? O que aconteceu que o senhor está assim?
— Meu anjo! Meu anjo... eu preciso que você venha comigo porque o médico precisa falar com você. Ele vai te explicar tudo e o faremos daqui para frente.
Naquele momento eu percebi que era algo grave, meu coração disparou.
Segurei a mão dele o mais forte que pude e ele foi me amparando. Aquele momento era como se estivéssemos e câmera lenta e a sala do médico fosse a quilômetros dali.
Sentei e meu pai sentou ao meu lado. O médico era um senhor com aspecto ranzinza e bigodudo.
— Olá, meu nome é Cesar. Eu vou pedir mais exames para complementar o diagnóstico que irei te dar hoje....
Ele falou, falou e falou, mas era como se eu estivesse embriagada onde a única coisa que eu consegui entender foi: Leucemia. Eu queria ter chorado ou me desesperado, mas meu pai já havia feito tudo isso. Eu tentava puxar ar para meus pulmões, mas era como se eu tivesse acabado de engolir água muito gelada e ela tivesse descido quadrada por minha garganta.
Saímos e fomos direto à clínica particular refazer os exames. Fiz um que me enfiaram uma coisa em minhas costas; eu teria que aguardar uns dias para saber do resultado e o médico que nos atendeu era ranzinza como o outro do hospital público.
Tudo levava ao mesmo diagnóstico e, novamente, a única palavra que eu entendi foi Leucemia. Papai já esboçava mais otimismo depois de ouvir o médico com os possíveis tratamentos. Confesso que a única coisa que eu pensava naquele momento era deitar em minha cama e dormir uns 30 dias seguidos. Tinha horas que meu corpo doía como se tivessem passado um ralador em meus ossos e depois começava uma mistura de febre e suadeira.
Ao chegar em casa todos estavam me esperando. Vovó, vovô, Letícia, minha irmãzinha, Maiara com meu irmãozinho. E para minha surpresa, o Gilvan.
Todos estavam com uma cara de choro, parecia mais um velório. Então, eu chamei papai:
— Pai, compra umas carnes para nós fazermos um churrasco porque eu estou com muita fome. Vovó, vovô, vocês preparam a salada e a churrasqueira. Maiara e Letícia, vocês preparem o arroz e a maionese. Quero todo mundo trabalhando e, por favor! Parem de me olhar como uma coitadinha e quem vier falar de doença comigo eu vou expulsar daqui. Eu não quero que toquem na palavra doença.
Todos me olhavam com um olhar de piedade e meio confusos porque eu nunca dei ordens a ninguém. Mas todos secaram os rostos conversaram entre si e me deixaram sozinha com o Gilvan. Seus olhos estavam vermelhos, mas secos e sem lágrimas. Ele não falou nada só ficou me observando recostado no batente da porta enquanto eu me aconchegava no sofá.
— O que você está fazendo aí? Deixou de gostar de mim só porque eu estou doente?
Ele permaneceu parado e baixou a cabeça.
Aquilo me fez ficar insegura e encará-lo se tornou impossível. Cobri meu rosto com o capuz de uma blusa que eu estava vestindo e eu nem sabia de quem era. Nisso, eu sinto algo pesar sobre mim. Eu já estava preparando uma sessão de xingamentos quando descubro meu rosto e lá estava ele me abraçando tão forte que parecia que ele queria me quebrar ao meio.
— Seu Malu....
Antes deu completar a frase ele me beijou. Seu rosto, agora estava todo úmido numa mistura de fluídos que eu não queria nem pensar. Seu beijo era uma mistura de paixão e desespero. Eu queria confortá-lo também, queria que ele continuasse me beijando e me apertando até eu desmaiar. Seu beijo era muito diferente dos das mulheres. Eu sentia um incômodo e palpitações que eu não havia sentido antes. Era como se ele fosse um animal feroz disputando um pedaço de carne. Contudo, eu me senti protegida e amada pela primeira vez e eu não queria que aquilo acabasse.
— Seu palhaço! Quem te deu permissão para me beijar?!
— Eu não sei o porquê. Só sei que meu corpo e algo dentro de mim pede para eu estar perto de você. Não sei se você acredita nisso. Agora eu só quero te beijar e sentir você perto de mim.
Antes mesmo dele acabar de falar eu o beijei. Eu queira comparar as texturas das peles, o sabor do beijo; eu queria enfiar minha língua em seu ouvido e apertar seu bumbum; eu queria enfiar minhas unhas em sua carne e a sentir sua cara de dor; eu queria enfiar minha mão eu seus longos cabelos e puxar o mais forte que eu conseguisse; eu queria morder seus lábios até sentir o gostinho de sangue, eu só queria se amada...

Ouvimos um pigarrear na porta. Era Maiara e a Letícia que estava escondida atrás de suas costas.
— Eu vim ver se você estava bem, mas acho que você está bem melhor, né! – Maiara falou.
Ela falou com um tom ríspido e fechando a porta imediatamente.
Eu e o Gilvan ficamos sem saber o que dizer, nos sentamos e assim permanecemos até a Letícia voltar bater na porta e dizer:
— Tudo bem? É, é! A mamãe quer saber se você quer pudim? Ela fez para você e nem me deixou encostar nele. – Ela disse isso num pesar muito grande como se tivesse sido repreendida por tentar experimentar o quitute.
— Claro! Eu amo o pudim que ela faz; não fica aquele cheiro de ovo. Eu já vou lá.
– Não, não, não! Você vai ficar aqui que eu busco para você.
Ela falou mais sério que a Maiara, mas estava evitando me olhar olhos era como se elas não conseguissen ver que o Gilvan estava lá.
– Não, eu não vou andando! O Gilvan vai me levar no colo até lá.
O coitado me olhou com uma cara de confuso e a Letícia quase arregalou os olhos de tão espantada.
— É, eu já ia levá-la lá. Ele falou meio envergonhado.
Ergui meus braços e abracei seu pescoço. Eu conseguia andar normalmente, mas o gostinho de provocar as duas era muito mais satisfatório e gratificante.
Ao chegar à cozinha, a Maiara nos fitou e baixou a cabeça. Era perceptível seu desconforto. Já a Letícia tentava romper a tensão que estava no ar:
— Mãe só faz isso para você. Ela nunca fez nada só para mim.
O Gilvan me deixou próximo à mesa, puxou uma cadeira e eu me sentei.
— Ah! Eu não sei de nada. Só sei que se eu pudesse ficaria com sua mãe só para mim. Tudo que ela faz é uma delícia!
Maiara me serviu ainda receosa, mas esboçando um leve sorriso envergonhado no canto da boca.
— Mas cadê o vovô e a vovó!?
— Você sabe que sua vó quando coloca uma coisa na cabeça não tem como fazê-la mudar de ideia, né! Ela chamou seu vô para irem comprar uma galinha caipira. Ela disse que você sempre gostou.
— Meu Deus! Onde ela irá achar galinha caipira nessa cidade tão grande? Era só para eles fazerem algo para nosso churrasco.
O riso tomou conta de todos. Todos sabíamos que a vovó estava numa fase da vida complicada. Esquecimento, birra por coisas banais e brigas diárias com o vovô.
A Maiara parecia ter se desarmado um pouco.
— Maiara, Letícia, eu quero ir para minha casa, por favor!
Uma olhou para outra como se não gostassem nada da ideia.
— vou falar com seu pai. Mas vou deixar claro que será por no máximo dois dias e se eu ver que você está piorando pode esquecer tudo isso que eu falei. Ah! A Letícia vai te fazer companhia nesses dias.
Nesse momento as duas olharam para o Gilvan como se aguardassem algum comentário.
— Não olhem para mim, ela é teimosa assim mesmo. Eu nem a conheço direito.
Ele conseguiu fazer as duas rirem e tirou um pouca daquela cara carrancuda que ambas arrastavam.
— Nossa! Eu nem te servi. Me perdoe! – Maiara falou pesarosa.
— Está lindo e apetitoso, mas eu não como pudim, mas eu tomo um café se não for incômodo.
...



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Ficha do conto

Foto Perfil Conto Erotico matusalembebe

Nome do conto:
Diário perdido de uma menina má – Dúvida cruel

Codigo do conto:
265955

Categoria:
Confissão

Data da Publicação:
02/07/2026

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