Difícil de Encontrar ( Capítulo 5: Choque de Realidade ).



O trajeto de volta para casa foi pesado. Marianne pedalava sua bicicleta pelas ruas ensolaradas de Miami, sentindo cada músculo de suas pernas protestar pelo esforço do dia . Sua silhueta chamava a atenção mesmo em um momento tão casual: vestindo uma blusa preta justa de mangas compridas e calças claras coladas que acentuavam suas curvas marcantes, ela guiava a bicicleta com uma cesta na frente em direção à fachada de sua casa suburbana.
Assim que chegou, ela estacionou a bicicleta na garagem aberta com um suspiro de cansaço. Caminhou até a frente da casa, encarando a quietude do lugar. Ao empurrar a porta de entrada, deparou-se com uma sala completamente vazia e silenciosa. O contraste com o barulho infernal da cafeteria era quase reconfortante.

Sem pensar duas vezes, Marianne jogou sua bolsa no chão e se deixou desabar no sofá comprido da sala.

"Ó Deus, estou tão cansada...", pensou ela, fechando os olhos pesados.

O estofado parecia abraçar seu corpo exausto. Talvez se eu descansar os meus olhos por algum tempo... Não demorou mais do que alguns segundos para que ela adormecesse profundamente, entregando-se ao esquecimento temporário daquela rotina maçante. Algum tempo depois, o som da porta da frente se abrindo quebrou a calmaria da casa. Lena, a mãe de Marianne, entrou no ambiente carregando o peso de seu próprio dia de trabalho. Ao avistar a filha completamente apagada no estofado, ela caminhou até o lado do sofá, sua expressão misturando preocupação e reprovação. Com seus cabelos ruivos curtos e vestindo uma elegante blusa de gola alta preta, ela olhou para baixo e chamou:

— Marianne?

A jovem apenas murmurou, mudando de posição, mas sem abrir os olhos. Lena suspirou e insistiu, elevando um pouco o tom de voz:

— Marianne?

Desta vez, Marianne piscou, lutando contra a névoa do sono. Ela abriu os olhos lentamente e levantou a cabeça do braço do sofá, tentando se situar no espaço.
— Oh, olá, Mãe... — ela bocejou, limpando o canto dos olhos. — O que você está fazendo aqui tão cedo?

Lena cruzou os braços, a iluminação da sala destacando seu olhar sério.
— Querida, já são seis da noite. Você adormeceu novamente depois do trabalho? Você sabe que sempre reclama que não consegue dormir à noite. Não é de se admirar, já que você toma esses longos cochilos.

Marianne sentou-se no sofá, passando as mãos pelo cabelo desalinhado.

— Bem... Eu não queria. De verdade.

Lena suavizou um pouco a postura e se sentou ao lado da filha, buscando entender o que estava acontecendo.

— Está tudo bem com você? Eu encontro você dormindo no sofá quase toda tarde. Sem mencionar que você está de mau humor o tempo todo.

— Yeah? — Marianne soltou uma risada cínica, desviando o olhar. — Eu não tenho exatamente muito para celebrar, mãe. Empregos sem futuro até onde a vista alcança e todos com quem eu costumava sair foram para a faculdade. Sem mencionar que você é aquela que me fez entrar nessas merdas de trabalho...

— Marianne, nós já discutimos isso muitas vezes — Lena interrompeu, a voz firme, mas paciente. — Nós tínhamos um acordo de que, se você não fosse para a faculdade e planejasse continuar vivendo aqui comigo, você precisaria ter um trabalho. Eu não vou deixar você definhar deitada na cama assistindo a serviços de streaming enquanto eu sustento você. Não foi assim que eu te eduquei. Por outro lado, você é uma garota esperta. Você pode ir para a faculdade como o resto dos seus pares.

Marianne sentiu o sangue subir. A simples menção à palavra "estudar" fazia seu estômago revirar.

— Não é sobre essa coisa da faculdade, mãe! E eu não dou a mínima para a faculdade. Eu já estou farta de estudar. Eu não quero estudar mais.

— Então o que é? — perguntou Lena, genuinamente confusa com a barreira que a filha erguia.

— Apenas largue isso, mãe. Você não entenderia.

— Você pode, por favor, me dizer o que está te incomodando?

Incapaz de conter a frustração que vinha acumulando há meses — exacerbada pela proposta bizarra que recebera no beco da cafeteria mais cedo —, Marianne levantou-se do sofá abruptamente, gesticulando com raiva.

— Eu não sei, porra! Eu acho que... eu simplesmente não me vejo fazendo isso a minha vida inteira! Ok? É isso! Eu não quero trabalhar a minha vida inteira para alguém por oito horas ao dia. Ou, no seu caso, mais do que isso. Eu não quero fazer tarefas sem sentido pelas quais eu não me importo nem um pouco durante toda a minha vida e depois simplesmente morrer! Eu quero fazer algo que dê a sensação de que eu nem estou trabalhando. Algo engraçado, divertido, e que pague as minhas contas!

Lena olhou para a filha, surpresa com a intensidade do desabafo, mas tentou trazer um choque de realidade maduro.

— Querida, a vida não é tão simples. Algumas vezes você terá que se sacrificar para ter as coisas. E, se você tiver sorte, você pode encontrar uma carreira significante.

— Eu não vou encontrar nada significante com as habilidades que eu tenho — Marianne rebateu de forma amarga, caminhando em direção à porta. — E eu tenho certeza absoluta de que não vou voltar a estudar.

Lena levantou-se também, tentando uma última cartada na discussão:

— Marianne, eu já disse a você que deve ter alguma coisa na clí...

Mas Marianne virou as costas para a mãe, recusando-se a ouvir o resto da frase.

— Yeah, e eu disse a você que não dou a mínima sobre isso! Olha, mãe, eu não quero falar sobre isso agora. Eu deixei meu celular na cestinha da bicicleta na garagem. Vou buscar e acho que jantaremos em breve.

Sem esperar por uma resposta, Marianne empurrou a porta da frente e saiu para o ar fresco da noite de Miami, deixando a discussão inacabada para trás, sem imaginar o quão perto estava de encontrar exatamente o tipo de "trabalho divertido" que tanto desejava.


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Ficha do conto

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Nome do conto:
Difícil de Encontrar ( Capítulo 5: Choque de Realidade ).

Codigo do conto:
266645

Categoria:
Exibicionismo

Data da Publicação:
09/07/2026

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