Episódio 5 – Os olhos do quintal (contado por Anita)
Jairo partiu de manhã cedo. Fiquei na porta, ainda nua, vendo o barco sumir no rio. O calor já estava forte. Fechei a porta, abri todas as janelas baixas de duas bandas pra deixar o vento circular e continuei como a gente tinha combinado: sem roupa nenhuma. A casa era nos fundos do terreno do Seu Orácio, um senhor de uns sessenta anos que morava sozinho na casa da frente. O quintal era grande e comum às duas casas. De onde ele sentava na varanda dele, dava pra ver quase tudo dentro da nossa se as janelas estivessem abertas. Eu sabia disso… mas no começo não pensei muito. Nos primeiros dias eu andava nua sem me preocupar. Fazia café, lavava a louça, me sentava no sofá com as pernas abertas por causa do calor. Só no quarto dia, quando estava de pé na cozinha passando um pano no fogão, senti que alguém me olhava. Virei de leve e vi Seu Orácio no quintal, parado perto do pé de manga, olhando direto pra janela. Congelou. Eu também. Meu coração disparou. Corri pro banheiro e me tranc ei, tremendo. Fiquei com medo. E se ele contasse pra alguém? E se ele fosse grosso? No dia seguinte eu abri só metade das janelas. Andei nua mesmo assim, mas ficava de olho. Ele apareceu de novo, mais longe, fingindo que estava mexendo nas plantas. Eu senti o olhar dele na minha bunda quando passei pela sala. Dessa vez não corri. Só virei de costas e continuei o que estava fazendo, o coração batendo forte. Era só o Seu Orácio… o dono da casa, um homem quieto, sozinho. Aos poucos o medo foi virando outra coisa. No sexto dia eu já deixava as janelas bem abertas. Me sentei no sofá de frente pra elas, pernas abertas, e fiquei ali, suando, sabendo que ele estava no quintal. Vi a sombra dele se mexer. Não me cobri. Passei a mão devagar pela barriga, desci até a buceta e abri os lábios com dois dedos, só um pouco. O prazer veio misturado com o medo. Eu estava me exibindo pra ele e gostando. Nos dias seguintes foi piorando (ou melhorando). Eu lavava roupa nua no tanque do quintal, de costas, sabendo que ele me via da varanda. Depois entrava, deixava a porta entreaberta e me masturbava no sofá, bem devagar, olhando de canto se ele ainda estava lá. Uma tarde me ajoelhei de quatro no chão da sala, de frente pra janela, e enfiei os dedos fundo enquanto gemía baixo. Quando levantei o rosto, Seu Orácio estava parado no meio do quintal, olhando fixo. Não desviou o olhar. Eu também não. Continuei até gozar, tremendo, as pernas molhadas. Ele nunca se aproximou. Só olhava de longe. E eu, que comecei com vergonha e medo, fui ficando viciada naquilo. Cada vez que sentia os olhos dele em mim, a buceta latejava. Eu andava mais devagar perto das janelas, me virava de propósito, abria as pernas quando me sentava. O corpo inteiro pedia pra ser visto. Quando Jairo voltasse eu ia contar tudo. Mas, por enquanto, eu estava sozinha, nua, e o Seu Orácio me observava todos os dias. E eu já não conseguia mais fechar as janelas. No próximo episódio: Seu Orácio aparece na porta para cobrar o aluguel… e eu o recebo completamente nua.
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