Eu já sabia o dia em que Seu Orácio viria cobrar o aluguel. Continuei nua, janelas abertas, o corpo inteiro à mostra. Quando ouvi os passos no quintal e a batida na porta, meu coração acelerou, mas não me cobri. Abri a porta completamente nua. Ele parou. Os olhos desceram pelo meu peito, pela barriga, pela buceta, pelas coxas. Ficou em silêncio por uns segundos, a mão ainda no bolso da calça. — Pode entrar, Seu Orácio — falei, a voz um pouco trêmula. — O dinheiro está aqui. Ele entrou. Fechei a porta atrás dele. Fui até a mesa, peguei as notas e entreguei. Ele recebeu sem desviar o olhar do meu corpo. O suor escorria entre meus seios. Eu sentia o olhar dele como um toque. Aproveitei o silêncio e falei: — O senhor me vê todo dia pelas janelas… eu sei. Andar nua em casa… isso te deixa mal? Tem algum problema? Ele engoliu seco, a voz rouca: — Problema? Não. Só… não esperava. Ficamos ali, só nós dois na sala quente. Eu respirei fundo, juntei coragem e continuei: — Já que estamos só nós… e o senhor já me viu tanto… não seria justo eu ficar nua e o senhor de roupa. O senhor topa experimentar também? Ficar sem nada aqui dentro, comigo? Seu Orácio me olhou nos olhos. Depois, sem falar nada, começou a desabotoar a camisa. Tirou ela, depois a calça, a cueca. Em poucos minutos estava tão nu quanto eu. O corpo dele era de homem de sessenta anos: barriga um pouco saliente, peito peludo, o pau grosso e ainda mole descansando na meia. Mas ele estava ali, exposto, me olhando de frente. Eu sorri, envergonhada e excitada ao mesmo tempo. — Agora estamos iguais. A partir daquele dia, sempre que ele vinha — e ele passou a vir mais vezes — a gente ficava sem roupa. Eu fazia café nua, ele se sentava no sofá nu, a gente conversava sobre o calor, sobre a casa, sobre qualquer coisa, enquanto o ar quente tocava a pele dos dois. Às vezes o pau dele endurecia só de me ver andando pela sala. Eu fingia não notar… mas notava. E gostava. O medo tinha virado costume. O costume tinha virado prazer. Quando Jairo voltasse, eu ia ter muito o que contar. No próximo episódio: eu peço uma pizza… e vou receber o entregador no portão da frente completamente nua.
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