Do que uma mulher precisa na cama



Foi num happy hour que a gente se encontrou. As duas novatas na firma. Tônia, morena clara dos cabelos crespos, tinha idade para ser minha mãe e eu, com pouco mais de 25 anos, na época mais magra que hoje, cabelos lisos e os peitos menores do que eu gostaria. Já ela tinha tudo farto, seios, braços, coxas e uma risada linda que surgia no meio dos beiços grossos.


Já tive casos com outras mulheres, mas nada muito além de um flerte. Mas não passavam de uns beijos mais abusados. Além do medo do que minha família pensaria se soubesse, também na época me parecia mais que normal que toda garota acabasse namorando e se casando com um homem. Era o que eu achava normal.

Por isso nunca fui para a cama com uma. Não que eu ache absurdo um relacionamento com pessoas do mesmo sexo, ainda mais hoje. Acabei namorando os homens, dormi com alguns, só que não me satisfazia deitar com os homens. Eu sentia que faltava alguma coisa, só não sabia o que era. Achava eles uns gatos vestidos, mas deitados ficavam devendo na forma como me tratavam na cama.

Achei que isso fosse o normal, com todas.

Mas tudo começou a mudar quando eu encontrei Tônia. Na época eu namorava o Cris, um advogado de uma firma de seguros. Um namoro de quase um ano. Nem lembro por que nesse dia ele não foi ao tal happy hour. Como eu tinha pouco tempo no escritório, ainda não estava bem enturmada. Acabei mais isolada. Acho que foi isso que chamou a atenção dela.

Noite os seus olhos amendoados e seu jeito de quem gosta de ser admirada. Fazia questão de exibir os seios fartos, quase vazando pelo decote. Uma cinquentona que encantava os homens, principalmente os mais jovens, mas que naquele dia só tinha olhos pra mim.

"Olá! Qual o seu nome?"

"Oi! Meu nome é Denise."

"Prazer, o meu é Antônia, mas pode me chamar de Tônia. Posso sentar?"

E foi assim que tudo começou. Numa conversa de bar entre colegas que mal se conheciam na firma. Ficamos amigas naquela noite. Ela logo me revelou que era uma lésbica assumida e eu lhe falei dos meus problemas com os homens.

Descobri que o mesmo acontecia com ela com as namoradas que arranjava. Não importa, o fato é que nenhuma de nós estava muito satisfeita com os nossos parceiros. Tônia terminara um relacionamento de anos e eu em um que não parecia ter muito futuro.

Passamos a nos encontrar para almoçar. Depois vieram as idas aos cinemas e, óbvio, as compras que ninguém é de ferro. Foi numa dessas saídas, depois de meses nos encontrando, que eu acabei me abrindo com Tônia de uma forma muito mais franca do que costumava me abrir com as pessoas.

Estava cada vez mais desanimada com o Cris. Aliás, como sempre acontecia com os meus namorados, controlador, ciumentos. Só que muito mais que os outros e decepcionante na cama como sempre.

“Quer comer onde, garota? Um lanche rápido ou na sorveteria?”

Eu nem respondi, só franzi o rosto e a boca e ela percebeu que a coisa era mais séria. Tônia sabia que as coisas não iam muito bem comigo e com o Cris.

“Que foi, você hoje tá mais calada do que o normal? Nem quis falar do filme e mal olhou as vitrines. Você não é assim?”

“Ah, sei lá. Te falei que eu hoje não seria boa companhia.”

Senti meus olhos ficarem úmidos; passei a mão rápido. Envergonhada dos que passavam ao nosso lado. Tônia passou o polegar retirando uma lágrima que escorria do outro olho. Aquele sorriso acolhedor de quem deseja o seu bem. Como uma mãe, se bem que minha mãe nunca faria algo assim comigo.

Imagina? Dona Iolanda ia querer se meter na minha vida como se fosse a dela. Deus me livre!

“Então vamos num restaurante. Qual você quer?”

“Ah, escolhe você. Tô sem ideia nenhuma.”

Acabamos no Maximus, no último andar do shopping onde estávamos. Tranquilo, refinado e caro. Mas pelo menos estava vazio e o ambiente intimista me deixava mais à vontade.

“É o Cris, aposto?”

Eu encolhi os ombros e respondi com um ‘é’ longo e dolorido. Tônia outra vez riu e me fez um carinho com os dedos no rosto.

“Eu não sei o que seria de mim se não fosse você, Antônia, juro.”

“Larga ele, já te falei, menina. Você merece coisa melhor. Tem tanto homem no mundo, você é tão jovem, bonita.”

“Eu não sou bonita. Tô me sentindo uma velha feia.”

“Velha? Quem dera se eu pudesse voltar aos meus 25 anos. E você não é feia, tá triste por causa do traste do seu namorado. Ridículo, isso que ele é.”

O garçom chegou, pedimos as bebidas e ele entregou o cardápio.

“Você é que é feliz. Não precisa de homens, eu é que não sei viver sem um.”

Foi aí que ela me surpreendeu de um jeito que me deixou de queixo caído.

“E quem disse que eu não tive?”

“Você foi casada? Você nunca me contou.”

“Você nunca me perguntou. Casei sim, há uns… 30 anos. Wagner era no fundo igual ao seu Cris. Todos são uns machões mandões que se acham os sabichões. Não passam de umas crianças crescidas. Ridículos, todos.”

Ela pigarreou e o garçom chegou com as bebidas. Escolhemos os pratos e voltamos à novidade inesperada.

“Quer dizer que a fogosa Tônia, que só tem olhos para as menininhas, já beijou e namorou com um homem. Muito bem.”

“Se fosse só isso, ainda estava bom. Pior foi aguentar aquilo que eles têm entre as pernas. Detestei, detestei desde a primeira vez. Mas fazer o quê? Na minha época era muito pior que a sua. Imagina eu dizer lá em casa que eu queria namorar uma garota.”

“Mas você já era uma… lésbica? Já sabia?”

“Claro que sabía. Antes de namorar o Wagner e depois que a gente casou.”

“Jura! Casada, você traía o seu marido com outra!”

“E o que é que tem? Eles não fazem isso, por que a gente não pode? Aliás, foi o motivo da separação. O principal: ele pegou a mim e a Mónica na cama no apartamento que eu ganhei dos meus pais quando casei.”

“Sério! O seu marido flagrou você transando com outra mulher.”

“Pois foi minha filha. A velha história voltou mais cedo no dia e eu estava trepando com a Mônica lá em casa.”

“Meu Deus! Você é louca, sabia? E aí, deu merda?”

“Claro que deu; o homem ficou furioso. Queria bater na Mônica, eu tive que entrar no meio da briga e acabar com a raça dele. Ele nunca me viu tão brava. Do rosto vermelho de raiva virou um cachorrinho. Aqueles olhos esbugalhados. Acabou ali.”

“E seus pais não ficaram sabendo?”

O jantar chegou, fumegante e cheiroso. Meu filé ao molho madeira estava simplesmente delicioso e a batata sotê divina.

“E seus pais?”

“Hum! Faleceram sem saber de nada. Imagina, papai tinha um treco, mamãe até que aguentava. Eu sei que ela sabia que eu namorava mulheres. Também só aparecia lá em casa com alguma amiga. Os tempos foram mudando, foi ficando mais comum esse tipo de coisa, mas eu nunca contei que sempre fui uma lésbica.”

“E a Mônica?”

Tônia fez uma careta enquanto mastigava seu suflê de camarão.

“Foi o amor da minha vida, mas depois do barraco lá em casa ela não quis mais se arriscar. Também era casada, ficou apavorada do Wagner contar tudo pro marido dela. Eu é que me fudi nessa história, mas pelo menos me livrei daquele traste.”

Fiquei ouvindo ela falar. A história dela me fez esquecer os meus problemas com o Cris. Ninguém conhece a vida das outras pessoas, não dava nem para imaginar que Tônia deitou com um homem, muito menos casou.

Fiquei admirando os seios dela brotando do sutiã verde escuro por baixo de uma blusa de tule claro e transparente. Ela sempre se vestia assim, provocativa, se mostrando para todos. Mesmo que muitos fossem homens, no fundo Antônia gostava de ser admirada por quem fosse. Mas ela era uma caçadora e não a caça, sempre flertando, sempre mostrando interesse por outras garotas.

Mas, até que comigo ela nunca fez nada, acho que não sou o seu tipo. Sei lá. Só que foi ali que as coisas começaram a mudar. Eu, perdida olhando os peitos da minha amiga, só então me dei conta daquele sorrisinho orgulhoso que ela mostrava quando flertava com outras mulheres.

Não disse nada, engoliu só o que estava na ponta do garfo e eu desviei meu olhar para o meu filé que estava delicioso. Ficamos em silêncio um tempo. Silêncio que ela quebrou perguntou outra vez sobre o Cris.

“Um chato, cheio de manias, ciumento. Ai! Saco! Tá insuportável, nem pede mais desculpas quando me trata como se eu fosse a filha dele, pior, a empregada. E a gente nem é casado. Já pensou?”

“Larga, eu te falei, foi…”

Ela parou olhando para cima como se quisesse lembrar.

“Três semanas, lembra? A última vez que a gente se encontrou.”

“Ah, é fácil falar, né? Não é com você. Larga e onde eu arranjo outro?”

Tônia me olhou de lado, um jogo rápido. O sorrisinho outra vez estampado no rosto. Eu tive um pressentimento, mas resolvi não dizer nada. Bebi meus pensamentos com o vinho rosé que escolhemos.

“Seja como for, querida. Você está numa encruzilhada: ou toma uma decisão ou vai se arrepender de não ter feito nada. Foi isso que eu fiz há quase 30 anos. Chutei o Wagner e me assumi como lésbica. Daí pra frente meu negócio passou a ser exclusivo com as mulheres. Só mulheres: é uma escolha, você não precisa escolher isso. Só não pode ficar se sentindo uma sofredora injustiçada. Fecha os olhos e escolhe uma outra vida. Outra pessoa.”

“Agora você virou conselheira sentimental? Couch de relacionamento?”

Ela riu tampando os lábios com a mão fechada.

“É uma ideia, quem sabe?”

“Ai, ai, que horas são?”

“Quase oito.”

“Tudo isso? Bom, então eu tenho que correr lá pra casa. Vai que o Cris liga e me pega jantando com você.”

“Por que não pode?”

“Foi o motivo da última briga. O homem encrespou que eu saio muito com você. Foi isso. Eu não ia te contar, mas sei lá. Cara ridículo.

“Mas a gente só se encontra no escritório. Faz três semanas que a gente não sai.”

“É que eu contei que você não gosta de homens. Ele ficou perguntando e eu acabei falando. Se arrependimento matasse… Ele ficou com ciúmes de você. Pode?”

“Achei que ele fosse ciumento com outros homens. Foi o que você sempre me disse quando falava das brigas com o Cris.”

“Agora ele tirou você pra Cristo. Saco! Vamos? Tá na minha hora.”

“Vamos, mas você não vai para sua casa. Vai pra minha.”

“Que pra sua mulher? Ficou doida, imagina o Cris me ligar e me ver com você na sua casa?”

“Não atende. Deixa de ser boba, desliga o celular e azar. É isso que eu faço quando meus casos resolvem se intrometer na minha vida. Desligo e fujo delas. Você precisa fazer o mesmo.”

“Fica pra outro dia, então. Hoje não vai dar.”

***

Sentei na sala enquanto ela foi trocar de roupa. Arrependida por ter aceitado o convite. Convite não, ela me deu uma ordem. Ou vinha ou ela não falava mais comigo. Tônia é muito autoritária às vezes. Imagino o que as namoradas não passam com ela.

Mexi no sofá e ouvi um som seco de algo batendo no tapete. Abaixei para pegar; era um desses álbuns antigos em que as pessoas guardavam as fotos. Eu ia só colocar sobre a mesinha de centro, mas calhou de abrir e vi uma foto indecente.

Achei que fosse de alguma das amiguinhas safadas da Tônia, mas examinando melhor. Apesar dos óculos que tampavam os olhos e da cor dos cabelos diferentes, era ela. Era Antônia sentada num barco, com a mão como tapa-sexo, nua, os seios à vista e o inconfundível sorriso orgulhoso estampado no rosto. Mais nova, até mais gordinha, mas era a safada toda desinibida posando num barco.

“Hurrmm, Hurrmm! Quem disse que era pra você ficar fuçando nas minhas coisas?”

Tomei um susto, meu rosto ficou vermelho na hora. Tônia sentou do meu lado colocando as pernas sobre o sofá. Parecendo uma gata, enorme, e deixando ver as coxas carnudas.

“Não é que caiu, devia estar aqui e caiu. Eu só peguei.”

“Deixa ver o que você pegou.”

Tomou das minhas mãos e olhou. Nem um traço de desconforto na face, pelo contrário, abriu um sorriso vaidoso se admirando na foto.

“Foi na Grécia há uns quinze anos. Nessa época eu namorava a Gláucia. Menina louca, a Gláucia queria tirar a foto mostrando tudo, mas na hora eu resolvi me resguardar. Pra que, né?”

“Ficou até mais bonito.”

“Ficou, não ficou? Também achei, mostrar tudo, sei lá. Ainda mais que tinha homens na lancha.”

“Homens!”

“É, foi numa praia de nudismo em Rodes. Todo mundo pelado, no barco, na praia então. Até gente transando havia. E tudo numa boa, como se não tivesse ninguém por perto.”

“Os casais?”

“Todo mundo, homem com homem, homem com mulher, mulher com mulher. Não era em todo lugar, nem toda hora. Meio escondido, mas que todo mundo sabia e ia ver.”

“Meu Deus! E vocês?”

Ela virou a cabeça, me olhando de lado.

“Eu não gosto, sou das antigas, garota. Meu negócio é entre quatro paredes. Aí eu… né! O bicho pega, jogo o pudor pela janela.”

“Ah, com certeza. Uma mulher recatada, ciosa dos bons costumes.”

Ela só riu mordendo os lábios adorando a minha troça com ela.

“Sempre, sempre mamãe me ensinou. Filha, se você estiver em público, não faça nada de que depois você se arrependa.”

“Óbvio! Dona Carmen, não é? Pois então, se for tirar uma foto nua numa praia grega, tampe as suas vergonhas.”

Ela gargalhou, mordendo o mindinho enquanto segurava as pernas dobradas com a outra mão. Dava para notar os seios sacudindo dentro do robe vermelho brilhante e curto. Tão curto que eu via pela primeira vez suas coxas carnudas. Tônia adorava uma academia.

“Pode falar, só tem a gente aqui. Fala.”

“Fala o quê? Não estou te entendendo.”

“Não mostre a boceta em público.”

“Háhá! Mas isso você fez. As duas fizeram, nuas num barco cheio de homens.”

“Não tava cheio de homens, tinha homens também, mas a maioria era mulheres.”

“Imagina se eu um dia vou tirar a roupa na Grécia. Quanto mais sentar num barco com tudo amostra.”

“Mas não estava tudo à mostra, eu tampei. Você mesma falou que ficou melhor.”

“Ah! Sei lá. E onde eu vou dormir?”

“Onde você quiser, aqui, no quarto comigo ou no quarto das visitas. Só não vai voltar pra casa hoje e nem atender o celular. Desligou!”

“Já, já desliguei.”

Eu me ajeitei outra vez no sofá. O jantar me deixou cheia, não estava cabendo na calça. Desabotoei e puxei o zíper um pouco pra baixo.

“Que foi, Tônia?”

“Tira, não está te incomodando? Só tem a gente aqui. E se há uma coisa que eu já vi bastante, foi mulher de calcinha. Não tem a menor graça mais. Prefiro sem, mas aí é com você.”

Falou como se realmente não houvesse nenhum motivo pra eu desconfiar. Tônia era uma mãe para mim, uma mãezona com quem eu cada vez mais me sentia segura.

Tirei. Levantei e até dos sapatos eu me livrei.”

“Bonitinha essa.”

“Brigada.”

“Não vai tirar a blusa também?”

“Não, basta. Que alívio!”

“Andou pegando um sol, menina? Tá bronzeada.”

“Domingo passado no clube com o Cris. A última vez que nos falamos.”

“Foi aí que eu entrei no meio.”

“Não foi antes, antes. Domingo foi só a gota d'água que entornou o copo.”

Voltei a sentir uma pontada no coração, fiquei tirando o esmalte da unha com o dente. Faço tão automático que nem me dou conta quando começo. Tônia já sabe que o meu jeito de demonstrar que estou triste.

“Esquece, garota, esquece. Quer uma bebida?”

“Tem Coca?”

“Qué Coca! Não, tem whisky, tem vodka, tem gim. Bebida pra relaxar, pra esquecer dos chatos que azucrinam a paciência da gente. Quer?”

“Vodka? Tem limão?”

Tônia já estava de pé, olhou pra baixo franzindo a testa, mas depois até que ela gostou da ideia.

“Tá bom, mas você me ajuda com os limões.”

***

Ela foi pegar a garrafa de Smirnoff e eu fiquei na cozinha cortando os limões.

“Não coloca açúcar.”

“Que não coloca açúcar, Tônia!”

“Põe pouco, eu detesto bebida doce.”

Eu resmunguei e funguei, mas ela nem prestou atenção. E virou um tanto de vodka pura e bebeu de um gole só.

“Sua louca, quer ficar bêbada?”

Ela riu como se tivesse sido pega fazendo arte.

“Tiquinho só. Faz mal nenhum. Quer também?”

“Não! Não gosto.”

Ela ficou me observando cortar os limões e, sem que eu percebesse, deu alguns passos e ficou atrás de mim me examinando.

“Adorei esse shortinho. Onde você comprou?”

“Na Hope do Diamond.”

“Ficou linda em você. O vinho combina com a tua pele.”

Senti um dedo passando na borda da renda. Tomei um susto, ela nunca teve essas intimidades. Bastou meu olhar pra ela se desculpar.

“Eu só estava arrumando, ficou dobrado. Só isso.”

“Tá, então pega o gelo e traz o balde.”

“Sim, senhora.”

***

Voltamos pra sala, pro mesmo sofá. Ela serviu os copos e me passou.

“Uuuh! Forte, eu te falei para colocar mais açúcar.”

“Ah! Deixa de ser fresca, garota. Ninguém vai sair mesmo. Ficar tontinha de vez em quando é bom pra caralho.”

“Você não gosta! Que conversa é essa?”

Saiu tão natural que nós duas começamos a gargalhar alto. Pior é que continuei bebendo meu copo acompanhando Tônia, que simplesmente não parava de rir. Enquanto ela ria e eu fazia coro com ela. Algo foi brotando dentro de mim. Comecei a sentir o que uma amiga da faculdade chamava de ‘efeito faísca’. Durante a dor de cotovelo, quando você acha que está tudo bem, que aquilo já não te machuca, do nada, como uma descarga elétrica atingisse você. E zum, acontece, você se lembra da figura que até um segundo antes você tinha certeza de que já não te afetava.

Não era bem o meu caso. Afinal, fazia quase uma semana que o Cris não me ligava. Só que veio outra vez a crise de abstinência. Comecei a chorar ainda rindo. Meus olhos foram ficando úmidos, minha voz foi embargando. Senti até falta de ar.

“Não fica assim, Denise. Ele não merece.”

Desatei a chorar parecendo uma garotinha de quem tomaram o brinquedo. Eu sei que é ridículo, mas era o que eu estava sentindo na hora. Que merda!

“Vem cá, deixa eu te dar um abraço.”

Nem precisou pedir duas vezes. Me encolhi no sofá e deitei no ombro de Antônia. Chorei, chorei e ela me fazendo um cafuné gostoso. Fui me recuperando e saindo da crise aos poucos.

“Bebe vai, vai fazer bem pra você.”

O gosto já nem era ruim, achei agradável. Bom mesmo era estar abraçada com ela.

“Não te falei. Ainda bem que eu insisti pra você vir dormir hoje aqui. Imagina você sozinha no seu apartamento?”

Limpei os olhos com a ponta dos dedos. Eu ainda sentia os efeitos da minha recaída. Me encostei mais nela e senti a fragrância do perfume da Tônia. Ela me fez sentir mais protegida e amada, sei lá.

Não sei o que deu em mim. Ela me olhou de um jeito profundo, os olhos negros me magnetizando. E eu fiz sem pensar. Aquele olhar me atraiu de um jeito que eu não consegui suportar.

“Desculpa, aí desculpa, Tônia. Que vergonha.”

Me arrependi na hora. Levantei sem saber muito bem para onde eu ia. Eu só não queria olhar os olhos negros de Antônia. Um beijo! Ainda por cima de língua. Onde é que eu estava com a cabeça?

Parei de costas pra ela, me segurando no encosto de uma cadeira. Minha cabeça girava e as luzes pareciam mais brilhantes. Só que o que eu fiz me deixou petrificada; só podia ser o efeito da bebida. Ouvi Antônia chegando, cuidadosa pra não me deixar assustada. Chegou por trás e colocou a mão de leve no meu ombro. Eu fui voltando ao normal.

“Desculpa, viu. Não sei o que deu em mim.”

“Relaxa, garota. Acontece, não tem do que se desculpar. Háhá! Sabe que eu gostei.”

“Antônia!”

“Boba, qual o problema? Pior se fosse com uma que não gostasse da fruta. Pensa?”

Ela me abraçou forte por trás, as mãos cruzadas no meu ventre. O cheiro do perfume da Tônia. Fui me sentindo acolhida de novo, uma sensação agradável de estar com quem realmente gosta de você.

Tônia me deu um beijo no pescoço. Eu não disse nada, mas gostei. Veio outro e outro, e o abraço ficou mais apertado. Eu fui deixando, deixando, fui embarcando num carinho suave. Carinho de amiga que gosta de você.

Só que aos poucos eu fui percebendo que era mais do que apenas afeto. Antônia estava excitada. Um tesão que ela não conseguia mais controlar. Um calor vindo da sua cintura, me esquentando as coxas e chegando às ancas.

Ela só abraçava e beijava o meu pescoço com umas mordidinhas de leve. Foi me dando um arrepio na espinha. Fui me sentindo valorizada, amada, por quem estava ao meu lado. Alguém se preocupava comigo de verdade. Eu estava carente e ela me afagava o ego.

Eu levantei o braço e segurei os cabelos crespos da Tônia. Ela gemeu baixinho se apertando em mim. Me dei conta de que o robe vermelho estava aberto e ela, nua, me abraçando por trás. Senti seus bicos duros me tocando as costas.

“Aaah! Tônia.”

“Me dá um beijo.”

Eu balancei a cabeça num sim e nos beijamos de lado. Começou delicado, carinhoso, mas quem disse que Antônia aguentou. Sua língua foi invadindo a minha boca, foi me lambendo por dentro. Beijo guloso, abusado enquanto eu sentia seu quadril pegar fogo queimando minha bunda.

“Aaah! Aaah! Espera.”

Quem disse que ela me ouviu? De repente ela tomou posse de mim. A mão ossuda entrou por dentro do meu shortinho. Nem pediu licença, ávidos os dedos desceram pesquisando a xoxota da amiga. Foi a primeira vez que uma mulher me tocou assim. Antes só eram beijos quase inocentes. Agora eram os dedos safados me conhecendo, abrindo meus lábios, até encontrar o grelo. Um dedo longo fazendo um carinho tão íntimo e me deixando molhada como eu poucas vezes ficava com os homens.

“Aaa! Aaiiii!”

Tônia siriricava como uma profissional. As abraçadas com ela ainda nas minhas costas. E a tarada me chupando a língua e penetrando com os dedos. Eu movia meu quadril contra o dela. Foi virando uma dança erótica.

Os modos de Antônia foram me deixando sem noção do perigo que era me entregar aos desejos.

Atrevida, a outra mão entrou por dentro da blusa, apertou os meus peitos, até descer um dos bojos e me espremer o seio. Eu já não sabia como chegamos a tudo aquilo, só sei que na hora eu queria ir pra cama com a minha amiga. Queria foder Tônia, queria ser fodida pela buceta de quem podia ser minha mãe ou a tia. Eu queria uma noite louca com ela, só pra esquecer a chatice que era a minha vida.

“Uuuh! Uuuuh! Me leva pra cama, leva Tônia.”

Ela riu vaidosa. Sorriso de vencedora. Me deu um beijo na ponta do nariz e um selinho nos lábios.

“Vem.”

Fui puxada pela mão. Tônia apressada querendo que o clima não esfriasse entre nós. Nem me deu tempo. Bastou entrarmos no quarto. E ela deu outro beijo devasso enquanto me tirava a blusa. Abaixou o outro bojo do meu sutiã e me deu um beijo nos peitos. E mamou como uma esfomeada, como seu fosse presente que ela havia ganhado.

Primeira vez que tive tesão em ser chupada assim. Mordida, sugada, babada e a língua safada me deixando com os biquinhos durinhos.

“Chega! Eu também quero Tônia.”

Ela riu se afastando dois passos e abrindo aos poucos o robe mostrando as formas roliças do seu corpo maduro. A cor morena contrastava com as marcas do biquíni que ela usava. A barriga era saliente, pudera, uma mulher de 50, mas ainda apreciável. Parei admirando as marcas na vulva carnuda. Os pentelhos formando um triângulo no alto e o restante bem depilado.

“É isso que você quer?”

Charmosa, ela apoiou os dedinhos de um pé no piso ao lado do outro pé. Admirei as coxas largas da amiga. Minha cabeça girava, ainda não conseguia pensar. Mas a visão foi me deixando mais curiosa. Como é que elas fazem pra ter um orgasmo? Não tem pau, são só as vaginas se esfregando.

“Vem aqui, pega. Pode pegar, é só seu. Dê.”

Ela encostou minha mão no seu peito e me deixou explorar o toque delicado de um seio que não era o meu. O dela era mais pesado, mais encorpado. Apertei os dois tímida. Tônia arfou mostrando que ela gostava dos meus modos. Brinquei com os bicos duros, mais duros e grossos que os meus. Os mamilos eram morenos mais escuros que a pele de Antônia.

“Aiii Dê!”

Meu instinto me fez abaixar e provar o peito da Tônia. Não precisou muito pra aprender a chupar, a morder os peitos de outra mulher. Aprendi rápido a usar a ponta da língua brincando com os bicos.

“Isso, garota assim. Me prova, me prova toda. Me beija!’

Caraca, eu, sei lá, fiz por instinto. Só me abaixei e fiquei de joelhos pra ela. Nunca fiz isso com os homens, nunca um boquete ajoelhada pra eles. Achava ridícula e até humilhante.

Tônia deu uma risadinha assanhada e afastou as coxas o suficiente para que pudesse admirar os segredos da sua xoxota. Uma boceta madura, carnuda, com os beiços da vulva mais escuros. Abri os lábios e lambi receosa. Usei a ponta da língua para saber qual era o gosto de uma vagina. Aquilo era estranho, mas o gosto não era ruim, era o sabor de uma vulva excitada. Seus sucos começando a brotar e molhar as virilhas da Tônia.

“Ai, amor, isso, isso!”

Ela sentiu um arrepio na espinha enquanto murmurava com uma voz rouca. Começou a mover o quadril como se fosse uma foda lenta. Foi ganhando coragem e passou a esfregar a xana na minha cara. Um cheiro intenso de sexo ao mesmo tempo que ela me lambuzava o rosto.

Tão íntimo, tão diferente, foi me deixando ansiosa.E eu fui metendo a língua no meio dos lábios da amiga. Lambi a boceta de Antônia por dentro, beijo devasso de língua. Até que beijei o seu grelo, um ponto duro e rosado que eu passei a lamber com cuidado. Tônia aumentou o ritmo com que se esfregava em meu rosto. Passou a gemer entre os dentes e a se agarrar nos meus cabelos.

“Enfia, enfiaaaa, enfia!”

Eu demorei pra entender o que ela queria, mas penetrei Tônia com um dedo.

“Mais, mais!”

Enfiei outro, depois outro, já eram quatro penetrando a xoxota da amiga. Eu não sabia que uma mulher podia ficar tão perturbada com uns beijos na sua vagina. Tudo era novidade pra mim, nenhum homem havia me deixado assim.

As pernas de Tônia começaram a tremer, seu rosto foi ficando crispado e de repente um jato foi cuspido na minha cara. Fiquei maravilhada com a cena. Eu sabia que havia mulheres assim, mas eu nunca sonhei que um dia eu beberia o orgasmo de alguma.

“Aaah! Aaaiii! Aaaiii! Ufa! Garota. Nossa! Aaah”

Ela ficou um tempo recuperando o fôlego e o discernimento. Até me olhar com um sorriso de alívio nos lábios.

“Desculpa, você não está acostumada, não é, meu bem?”

Aquele sorriso era simplesmente maravilhoso. Ainda mais ali num momento tão íntimo quanto inesperado com ela. Me ajudou a subir e me abraçou como se eu fosse uma namorada.

“Agora é sua vez, amor. Deita que eu vou fazer você esquecer o traste do Cris.”

Eu fiz cara de quem estava em dúvida, nem fiz uma pergunta.

“É sim, senhora, agora é com você, amor. Vem.”

Deitamos, mas ela percebeu que eu permanecia insegura, assustada até, aquilo estava indo mais rápido do que eu conseguia controlar.

“Relaxa. Não tem por que se preocupar. Tô aqui pra te ajudar, fica tranquila. Eu sei que você vai adorar.”

Ficamos abraçadas um tempo, eu admirando o contorno dos seios, a pele sedosa do seu corpo. Enquanto ela me alisava os cabelos como fez antes na sala. Nem me dei conta de quando começou, mas ela foi colocando sua perna entre as minhas e eu acabei fazendo o mesmo com ela. Acabamos abraçadas com as pernas também.

Tônia ficou por cima, aquele sorriso encantador fazendo biquinho, me apertou o peito e desceu pra me dar um beijo. Beijo suave, dois selinhos e ela me fez um carinho na face, sorriu e só então eu notei que minha amiga movia o quadril contra o meu.

Devagar, mas de um jeito muito gostoso, minha coxa começou a melar com a úmida que brotava da boceta de Antônia.

“Aaah! Annnn!”

Ela começou a gemer baixinho me apertando o bico do peito, até vir com um beijo de língua. Me penetrou a boca mais fundo do que fora antes. Sua língua se movia como uma cobra, lambendo a minha. Uma tensão começou a surgir entre nós. Os movimentos do seu quadril ficaram mais intensos.

“Aaaiii! Mmmm!”

Foi minha vez de gemer sentindo minha boceta deslizar contra a coxa morena da Tônia. Seus pentelhos me arranhavam a coxa como uma lixa, mas aquilo só me deixava com mais vontade. Meu coração batendo como um tambor, um calor abafado nos corpos.

Fui perdendo a vergonha outra vez. O jeito de Antônia se exibir, se masturbar com o meu corpo foi me deixando doida pra conhecer o que viria daquele abraço de pernas. Agarrei os cabelos crespos de Tônia e mordi o seu beiço carnudo, desci chupando seu queixo.

“Amuuh! Isso, garota, é assim, assim que se faz.”

O calor queimando as coxas, nossas vulvas numa siririca gostosa. Esmaguei a teta da minha colega de trabalho e ela me puxou para outro beijo insano. Babado, cuspido e lambido. Até que ela resolveu subir e sentar sobre mim.

Me fez ficar com as pernas abertas e colocou o quadril contra o meu e gemeu.

“Uuunhh! Aaahh!”

E mexeu, moveu o seu corpo de encontro ao meu, tive o primeiro beijo de bocetas na vida.

“Aaaah! Tôniaaaa!”

Ela me agarrou o peito beliscando o bico e rebolou com mais gana. Aquilo era simplesmente delicioso, incrível. Sentir duas bocetas se masturbando ao mesmo tempo.

“Mexe, garota. Você também… pode. Aaah! Anda Denise.”

Ela me cavalgava desinibida. Gemia e sorria e às vezes soltava frases curtas.

“Achei que eu nunca ia conseguir… Você… aqui, só pra mim… Cama comigo. Dê!”

Mordi os beiços, fechei os olhos e rebolei como dava na coxa da Tônia. Dava para sentir o suor misturado com os nossos sucos babando os corpos. A pressão do seu corpo contra o meu e ela me obrigando a ficar com as pernas ainda mais abertas.

Veio um orgasmo que nenhum homem foi capaz de me dar. Estremeci e urrei sentindo meu corpo vibrar por inteiro, mesmo com ele preso por baixo de Antônia. Aquela linda, safada que me fodia como se eu fosse uma das suas namoradinhas.

Um melado denso untou as nossas vaginas, o que fez Tôni mover o quadril como se estivesse numa cavalgada louca. Segurou os meus pés e moveu sua xana madura num beijo safado com a minha. Era como se ela quisesse fundir o seu corpo com o meu. Duas loucas se comendo na cama, se fodendo como se o mundo fosse acabar amanhã.

Nem sei quantos orgasmos eu tive, muito menos quantas vezes ela berrou esguichando em mim. Só sei que estava apaixonada por aquele momento. Queria que nunca acabasse, um desvario que fez espantar a minha decepção comigo mesma.

“Aaai! Chega! Ufa! Assim você me mata, garota.”

“Eu? Olha o que você fez aqui, tá tudo molhado.”

Tônia saiu de cima e ficou ajoelhada ao meu lado; parecia uma estátua suada e brilhava da testa à barriga. Já eu estava moída, vermelha dos pés à cabeça, toda descabelada.

Ela deu a sua risada saborosa. Os olhos negros faiscaram e exibiram o sorriso vitorioso fazendo biquinho.

“Adorei Dê. Adorei.”

Eu não disse nada, não sabia o que dizer. Tudo era novidade pra mim.

“Me dá um abraço.”

Ela pediu parecendo uma garotinha e eu dei. Tônia deitou do meu lado, o suor misturado.Tônia parecia que tinha ganhado um troféu e eu, sei lá, já nem me lembrava porque eu chorara na sala.

“Quer um banho?”

“hummh hummh!”

“Vai você primeiro, tem toalha no armário debaixo da pia.”

Dormimos nuas abraçadas. Só que acordamos no meio da madrugada e aí já viu, né! Tônia me ensinou outras formas de amar outra mulher. Doidera, mas isso fica pra outro conto, quem sabe?

Foto 1 do Conto erotico: Do que uma mulher precisa na cama

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Ficha do conto

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Nome do conto:
Do que uma mulher precisa na cama

Codigo do conto:
269867

Categoria:
Lésbicas

Data da Publicação:
14/08/2026

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1

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