Ela sabia exatamente o que estava fazendo.
Havia planejado aquilo durante dias. A ideia de entrar numa favela, sozinha, vestida daquele jeito, a consumia como uma febre. Não era só tesão. Era a necessidade de se colocar numa situação onde o controle poderia escapar dos seus dedos. Onde o medo fosse real. Onde a vergonha queimasse de verdade.
“Se eu continuar vivendo só no que é seguro, vou enlouquecer”, pensou, as mãos apertando o volante. “Preciso de algo que me assuste de verdade.”
Essa comunidade vivia bem isolada. O que tornava mais perigoso.
Quando as primeiras lajes e os varais improvisados surgiram, o estômago dela contraiu. O cheiro mudou: esgoto, comida cozinhando, lixo queimado. Olhares começaram a acompanhá-la assim que desceu do carro. Homens encostados em muros, mulheres na porta de casa, adolescentes em grupos. Uma loira de vestido curto e corpo de patricinha andando sozinha por ali não passava despercebida.
Ela seguiu até a birosca onde um homem sentava como se fosse o dono de tudo. Alto, pele marcada, camisa aberta, dentes de ouro. Ao redor dele, quatro homens. O chefe.
— Ei, loirinha — a voz dele era grave, arrastada.
— Tá perdida ou tá procurando encrenca?
Dava para ver que tinha uma arma na cintura.
Sabrina parou. O coração batia tão forte que doía. O medo era real. E, ao mesmo tempo, a buceta latejava.
Ela poderia dizer que foi engano, que já estava de saída, desculpas etc...mas não, queria continuar.
— Procurando algo que a cidade não me dá — respondeu, a voz mais firme do que esperava.
O chefe riu, trocando olhar com os comparsas.
Ele entendeu o que ela queria, mas não confiava que ela iria prosseguir com a ideia.
O homem se aproximou, fez um olhar ameaçador e disse:
— Aqui a gente não brinca de princesa. Se quer ficar, mostra coragem.
— Mostrar coragem...o que seria mostrar coragem para vocês? Perguntou ela.
Foi um dos homens, magro e tatuado no pescoço, quem falou:
— Manda ela andar pelada. Aí a gente vê se ela aguenta o tranco.
O silêncio que se seguiu pesou. Sabrina sentiu o sangue subir ao rosto. Vergonha. Medo. E um tesão tão sujo que quase a fez tremer.
Não era noite ou um lugar fechado. Não era um ou dois, eram vários e na entrada na comunidade.
Por um momento parecia que iria recuar. Um dos homens já expressava que iria ir. Afinal uma patricinha não iria prosseguir com o desafio.
Mas estamos falando da Sabrina.
Ela passou os dedos pelas alças do vestido e o deixou cair.
O ar quente da favela tocou cada centímetro da pele nua. Os seios pesados ficaram livres, os mamilos já duros. A buceta exposta. O bumbum desprotegido. Murmúrios se espalharam como fogo.
O ato simples, foi tão rápido e conseguiu calar aquele grupo.
O coração dela batia. O sol queimava a pele.
Foi ela que agiu primeiro.
Ela começou a andar.
Os comentários vieram de todos os lados.
— Olha essa vadia…
— Patricinha maluca.
— Vai se arrepender.
Uma mulher na porta de casa cuspiu no chão, com nojo. Um homem mais velho apenas observava em silêncio, a expressão impossível de ler. Outros riam. Alguns já estavam de pau marcado na bermuda.
Foi então que uma mão grande e áspera tentou agarrar sua bunda.
Sabrina deu um salto, o coração disparando de verdade. O medo subiu pela garganta como bile. Ela se virou, o corpo inteiro em alerta. O homem riu, mostrando os dentes, mas não insistiu quando o chefe soltou um assobio baixo de advertência. Ainda assim, o toque não autorizado ficou queimando na pele dela. A sensação de que a qualquer momento alguém poderia simplesmente pegar o que quisesse.
Ela continuou andando, as pernas trêmulas, a vergonha misturada ao tesão de uma forma que quase a enojava de si mesma. E, ainda assim, precisava daquilo. Precisava do erro.
Os homens andaram para dentro da comunidade, o chefe apenas fez um sinal para ela segui-los.
No caminho, ela via o chefe na frente e dos lados e atrás os homens serviam ele a cercaram. Não tinha volta.
Era tanta gente, tanta gente vendo. Que ela decidiu apenas olhar para frente.
Foi quando viram uma are melhor cuidada, era um praça.
Na praça de terra batida, o chefe ergueu a mão.
— Chega. Ganhou respeito, loira. Agora fala o que quer de verdade.
O chefe sabia o que ela queria, mas queria que ela falasse isso na frente de todos.
Sabrina estava ofegante. Suor e líquido escorriam pelas coxas. A voz saiu rouca:
— Quero que seus homens me comam. Aqui. Na frente de todo mundo.
Houve um silêncio estranho. Mesmo ali, a proposta pesou. Alguns homens se entreolharam. Um deles balançou a cabeça, como se não quisesse se envolver. Outro já abria a calça.
Alguns comentários deram a entender que ela seria linchada pelo grupo.
Mas foi então que algo, que não sei dizer se foi salvação ou começão da perdição aconteceu.
Três se adiantaram em atender ao pedido dela.
O primeiro a pegou pelos cabelos, forçando ela a se abaixar e enfia a rola na boca sem muita delicadeza. O gosto de suor e pele invadiu a garganta dela. Sabrina engasgou, lágrimas nos olhos, o medo ainda presente. Ao mesmo tempo, a buceta se contraía de puro tesão.
Enquanto a chupava, outro homem se ajoelhava atrás e a penetrava com força. A dor e o prazer se misturaram. Ela gritou contra a rola que lhe esticava a boca. A plateia reagia de formas diferentes: alguns xingavam, outros masturbavam-se abertamente, uma mulher virou o rosto com nojo, um homem fitava em silêncio.
Eram várias pessoas, com reações diferentes.
Foi então que ela notou.
Havia um homem mais afastado, encostado num poste, que não ria, não xingava e não se tocava. Apenas olhava. O olhar dele era diferente. Fixo. Pesado. Como se estivesse gravando cada detalhe. Sabrina sentiu um arrepio distinto quando os olhos deles se encontraram.
Os homens se revezavam. Um na boca, outro na buceta, depois no cu. Em certos momentos ela não sabia mais quantos tinham tocado nela. A dúvida fazia parte do medo. Alguém gozou no rosto dela. Outro puxou seus cabelos com força enquanto a chamava de puta de rico. A vergonha queimava. O tesão também.
Quando finalmente a soltaram, Sabrina estava coberta de terra, suor e porra. As pernas não a seguiam direito.
O chefe, que tinha apenas observado até ali, se aproximou. Ajeitou a camisa e falou baixo, só para ela:
— Agora você vem comigo.
Não era um pedido.
Na casa simples, de paredes sem reboco, ele se sentou numa cadeira de plástico e abriu a bermuda.
— Ajoelha.
Sabrina obedeceu. O pau dele era grosso, pesado, cheirando a homem. Ela o chupou em silêncio, a boca já dolorida, enquanto ele falava:
— Você é uma doente. Uma patricinha que veio aqui pra se sujar. Eu já vi muita vadia… mas você gosta do medo. Gosta de quase perder o controle. Isso é perigoso. Um dia alguém não vai parar.
Ele gozou na boca dela sem aviso. Sabrina engoliu, a garganta queimando.
Quando saiu da casa, ainda nua sob o vestido amassado que tinha pegado de volta, as pernas trementes, a cabeça confusa. O tesão tinha sido satisfeito. O medo, não. Os dois ainda brigavam dentro dela.
Foi então que o homem do olhar diferente se aproximou. Sem dizer nada, colocou um papel amassado na mão dela. Um número de telefone.
Sabrina fechou os dedos em volta do papel e continuou andando até o carro.
Enquanto dirigia de volta pela estrada de terra, o corpo latejando, a mente nublada, ela ficava olhando de relance para o papel no banco do carona. Pensava no que poderia acontecer se um dia ligasse. No que aquele homem, que só tinha olhado, poderia fazer com ela. No quanto ainda precisava de situações onde o controle não fosse totalmente seu.
O medo ainda estava lá.
E, de forma doentia, ela já sentia falta dele.


