Quando os Mortos Chamam.

Quando os Mortos Chamam.
Da série Quando os Mortos Chamam
Um conto erótico de Anonimo
Posted By: Tuga069
Categoria: Heterossexual
Data: 03/11/2026 06:49:59
Direitos autorais do texto original © 2026
Assuntos: Conversar Com Mortos, Heterossexual, Revelação, Tristeza.
?? Texto produzido com auxílio de inteligência artificial
Gil sentiu um arrepio percorrer a nuca, mas fugiu da pergunta.

— Então está combinado — disse ele, mudando de assunto. — Você vai conversar com os mortos e nós vamos congelar vivos.

Os três riram.

Pouco depois, já vestidos, deixaram o quarto e seguiram pelo corredor em direção à área do café da manhã.

Mas, antes mesmo de chegarem à sala, Mariana diminuiu o passo.

— Esperem.

Gil e Rita olharam para a frente.

Um rapaz de menos de trinta anos, vestindo o uniforme da pousada, estava parado diante de uma das paredes do corredor. Nas mãos, segurava uma moldura grande e tentava encaixá-la cuidadosamente no espaço reservado.

Mariana se aproximou, curiosa. Quando os três chegaram mais perto, perceberam do que se tratava.

Era uma homenagem a Claudiane.

A fotografia dela ocupava o centro do quadro. Abaixo, havia algumas informações sobre o velório e uma breve mensagem de despedida.

?? ?????????????????? ??

?????? ?????????????? ?? ????????????ã??, ?????????????????? ?????????? ?????????????????? ?? ?????? ???????????? ?????? ?????? ?????????? ???? ????????ó?????? ?????????? ?????????????? ?? ???? ???????? ???? ?????????? ?????? ?????????????? ?? ???????????????????????? ???? ????????????ê-????.

?? ?????? ??????????????, ?????? ????????????çã?? ?? ?????? ????????????ç?? ???????????? ??????ã?? ????????????????????. ??

O rapaz ajustou a moldura mais uma vez, certificando-se de que estivesse reta. Depois, deu um passo para trás e ficou observando a fotografia por alguns instantes.

Havia algo de triste em sua expressão.

— Com licença — disse Mariana, aproximando-se. — Você trabalhava com a Claudiane?

O rapaz se virou.

— Na verdade, não. Quer dizer, agora estou trabalhando aqui, mas não trabalhava antes.

Ele esboçou um sorriso discreto e estendeu a mão.

— Meu nome é Marcos.

— Prazer, Marcos. Eu sou Mariana, e estes são Gil e Rita.

Depois das apresentações, Mariana tornou a olhar para a homenagem.

— É muito triste o que aconteceu com ela. Você a conhecia bem?

Marcos baixou os olhos por um instante.

— Não tanto quanto gostaria. Eu conhecia a Claudiane por causa do meu pai, mas não costumava ficar muito tempo na pousada.

— Seu pai também trabalha aqui? — perguntou Gil.

— Sim. Ele é o Eduardo, proprietário da pousada.

— Ah! Agora entendi — disse Mariana. — Você veio ajudar seu pai, uma vez que aconteceu essa tragédia com Claudiane, que era a gerente

— Exatamente. A morte dela, além de ser uma tragédia deixou um buraco enorme aqui. Meu pai está tentando resolver um monte de coisas ao mesmo tempo, e achei que poderia ajudar um pouco.

Ele olhou para o quadro novamente.

— Além disso, não achei certo deixar tudo como se nada tivesse acontecido. A Claudiane fazia parte da história desta pousada. Merecia uma homenagem.

Mariana observou a fotografia em silêncio.

— Eu não tinha te visto aqui antes — comentou Rita.

Marcos soltou uma risada breve.

— Pois é. Mas, para falar a verdade, meu trabalho aqui é temporário. Estou cursando Medicina e preciso voltar aos estudos. Vim apenas para ajudar meu pai enquanto ele tenta contratar uma nova funcionária e colocar as coisas em ordem. Por sorte ainda tinha esse antigo uniforme que ainda me serve.

— Medicina? — perguntou Gil. — Então você pretende ser médico?

— Sim, igual o meu irmão Marcelo que trabalha no Hospital da cidade

Marcos fez uma pausa antes de continuar:

— Mas infelizmente, meu pai está tão arrasado que começou a falar até em fechar a pousada.

— Fechar a pousada?! — Mariana arregalou os olhos.

— Sim. Ele diz que não sabe se vale a pena continuar depois de tudo o que aconteceu. A ausência da Claudiane foi mais um peso para ele.

Gil trocou um olhar com Mariana.

— Mas ele não pode tomar uma decisão dessas assim, de uma hora para outra — disse Mariana. — Ainda mais num momento como este.

— Eu também acho — respondeu Marcos. — Por isso, estou tentando convencê-lo a esperar um pouco antes de decidir qualquer coisa. Só que não tem sido fácil.

Ele respirou fundo e lançou mais um olhar à fotografia.

— Ainda não consigo acreditar que ela morreu. Parece que, a qualquer momento, vamos vê-la aparecer naquele corredor.

Mariana sentiu um aperto no peito.

— É difícil aceitar quando alguém vai embora assim.

— Mas é pior do que vocês imaginam — disse, por fim, com a voz embargada. — Vocês não sabem o que descobriram quando examinaram o corpo dela.

Mariana franziu a testa.

— O quê?

Marcos desviou o olhar para a fotografia antes de responder:

— Ela estava grávida.

— Grávida?! — exclamou Mariana, surpresa.

Gil ficou imóvel. Por um instante, seus olhos encontraram os de Mariana.

Não precisaram dizer nada. Ambos se lembraram da mulher que haviam visto e de seu pedido desesperado para que salvassem a filha.

Era por isso.

Aquela mulher era Claudiane e estava tentando salvar a própria filha.

Marcos baixou os olhos, incapaz de continuar olhando para a fotografia. Sua expressão se tornou ainda mais sombria quando voltou a falar:

— Depois do acidente ela foi levada ao Hospital onde meu irmão trabalha, mas infelizmente a criança também não sobreviveu.

Mariana levou alguns segundos para assimilar a informação. Depois, franziu a testa, intrigada com outra questão que aquela revelação trazia à tona.

— Mas eu lembro que se pai disse que a Claudiane era solteira e que não tinha nenhum compromisso naquele momento. Quem era o pai da criança?

Marcos suspirou e balançou a cabeça.

— Não sei. E, para ser sincero, acho tudo isso muito estranho. Ela não contou a ninguém aqui da pousada que estava grávida.

Fez uma pausa, como se estivesse reorganizando as próprias lembranças. Então, sua expressão mudou ligeiramente, dando lugar a um ar de quem começava a compreender algo que, até aquele momento, não fazia sentido.

— Depois que soubemos que ela estava grávida, algumas coisas começam a se encaixar. Meu pai tinha achado estranho que ela tivesse começado a usar roupas mais largas, mas não deu muita importância. Agora parece que ela tava tentando esconder a barriga. Ela não queria que ninguém soubesse.

Marcos passou a mão pelo rosto, pensativo.

— E tem outra coisa... Meu pai comentou que algumas pessoas chegaram a perguntar se ela estava grávida. Acho que perceberam alguma mudança nela. Mas Claudiane sempre negava. Dizia que não, que não havia motivo para pensarem aquilo.

Marcos desviou novamente os olhos para a fotografia. Depois de ajeitar a moldura uma última vez, soltou um suspiro cansado.

— Com licença. Preciso continuar com meus afazeres.

Sem esperar resposta, afastou-se lentamente, com os ombros curvados e os passos pesados. Por alguns segundos, ninguém falou. E os três decidiram simplesmente seguir para tomar o café da manhã.

Já dentro do salão, o assunto ficou mais leve. Rita parecia ter deixado de lado a conversa sobre Claudiane e falava animadamente sobre os planos para o restante do dia.

— Depois que eu voltar da meditação, vou me encontrar com o Daniel — comentou Rita. — Ele vai estar de folga à noite, então combinamos de ficar juntos um pouco.

Ela tomou mais um gole de café e, em seguida, olhou para Mariana e Gil.

— Por falar nisso, vocês poderiam me acompanhar até ao Parque Aquilino Ribeiro (Parque da Cidade). Vamos fazer uma meditação por lá. Acho que vocês vão gostar da experiência.

Mariana trocou um olhar rápido com Gil antes de responder:

— O convite é tentador, Rita, mas hoje vamos ficar só nós dois. Já tínhamos combinado de fazer esse passeio.

— É — confirmou Gil. — Queremos aproveitar o dia para conhecer o Palácio do Gelo e o Bar de Gelo.

Rita sorriu, sem demonstrar qualquer incômodo com a recusa.

— Tudo bem! Fica para uma próxima vez, então. Espero que se divirtam por lá!

— Com certeza! — respondeu Mariana, sorrindo. — E depois você nos conta como foi a meditação.

Rita assentiu, levando a chávena aos lábios, enquanto o casal voltava a conversar sobre os lugares que pretendia conhecer naquele dia.

Rita terminou o café, levantou-se e pegou sua bolsa.

— Então nos vemos mais tarde.

— Bom passeio — disse Gil.

— Para vocês também.

Rita acenou e deixou o salão.

Mariana esperou Rita desaparecer pelo corredor antes de se voltar para Gil.

— Então... Eduardo disse que o último namorado de Claudiane era ruivo. — Ela o observou por alguns segundos, como se estivesse juntando as peças. — Não era o Marlon?

Gil desviou o olhar, pego de surpresa.

— Pode ser, mas existem muitos homens ruivos por aí. Marlon não é o único.

— Sei... — Mariana respondeu, sem parecer convencida. — Mas vocês eram muito amigos. Ele nunca comentou nada com você sobre ter tido um affair aqui na pousada? Afinal, se ele e Claudiane tiveram alguma coisa, imagino que você soubesse.

Gil soltou uma risadinha sem graça e coçou a nuca.

— Olha, faz tempo que isso aconteceu. Não me lembro de ele ter comentado nada...

Mariana estreitou os olhos.

— Não se lembra ou está tentando desconversar?

— Que isso, Mariana! Não estou desconversando. Só não sei se ele teve alguma coisa com ela.

— Você não sabe ou não quer me dizer? — insistiu ela, sem tirar os olhos dele.

Gil suspirou e não respondeu. Em vez disso, olhou para o relógio.

— Vamos para o Parque Gelado então?

Mariana franziu a testa.

— Gil...

— Está na hora — interrompeu ele, levantando-se.

Sem dar espaço para mais questionamentos, Gil seguiu o caminho até o carro, visivelmente aliviado por ter escapado — ao menos por enquanto — das perguntas incisivas de Mariana. O trajeto até o Palácio do Gelo, porém, não lhe concedeu o sossego que esperava. Assim que se acomodaram, Mariana voltou à carga, aproveitando a oportunidade para matar a curiosidade.

— Você e o Marlon eram bem amigos, né? — perguntou ela, enquanto Gil conduzia o carro.

— Sim, muito. Ele sempre foi brincalhão. Aliás, acabou morrendo por causa disso.

Mariana virou o rosto para ele, surpresa com a afirmação.

— Como assim?

Gil soltou um suspiro antes de responder.

— O Marlon tinha um problema no coração e os médicos tinham recomendado que ele não jogasse futebol. Mas ele era teimoso e não levava a recomendação muito a sério. Continuava jogando como se nada pudesse acontecer.

— Brincava com a própria vida! — comentou Mariana, indignada.

— Pois é. E o pior é que todo mundo ficava tenso quando via ele em campo, porque sabia do risco que estava correndo.

Gil fez uma breve pausa, mantendo os olhos na estrada, antes de continuar:

— Uma vez, durante uma partida, ele caiu no chão e começou a fingir que estava passando mal. Na hora, todo mundo entrou em pânico, achando que era o problema do coração. O pessoal correu para perto dele, desesperado, tentando descobrir o que estava acontecendo. Só que, depois de deixar todo mundo apavorado, ele se levantou dando risada. Era tudo uma pegadinha!

Mariana arregalou os olhos, incrédula.

— Que irresponsável! Como alguém pode brincar com uma coisa dessas?

— Eu sei. Na época, a gente ficou muito bravo com ele. Mas o Marlon tinha dessas coisas. Achava graça em provocar os outros e, às vezes, não percebia o quanto passava dos limites.

— E depois dessa ainda teve coragem de continuar jogando?

— Teve. Cerca de um mês depois, lá estava ele de novo, jogando bola como se nada tivesse acontecido.

Gil apertou um pouco mais o volante, e seu tom ficou mais sério.

— Só que, dessa vez, ele passou mal de verdade. Caiu em campo, e o pessoal que estava por perto achou que era outra pegadinha. Afinal, ele já tinha feito exatamente aquilo antes.

Mariana ficou em silêncio por um instante, começando a perceber onde aquela história iria terminar.

— Não… — murmurou ela, apreensiva. — Dessa vez não era brincadeira?

Gil balançou a cabeça negativamente.

— Não. Dessa vez, ele estava realmente passando mal. Mas, como todo mundo achou que era mais uma das palhaçadas dele, demoraram a chamar o socorro.

Mariana levou a mão à boca, horrorizada.

— Meu Deus, Gil…

— Quando perceberam que era sério, já era tarde demais. O Marlon morreu.

O silêncio tomou conta do carro por alguns segundos. Mariana, que até então vinha fazendo perguntas sem parar, parecia não encontrar palavras para reagir.

— Que história triste… — disse ela, por fim. — Uma brincadeira idiota acabou custando a vida dele.

— É. Acho que ninguém imaginava que aquilo pudesse acontecer de verdade. Mas aconteceu.

Gil manteve os olhos fixos na estrada, e Mariana, dessa vez, não fez outra pergunta imediatamente. A história de Marlon havia deixado nela uma mistura de tristeza e indignação, enquanto Gil parecia reviver, mesmo que por alguns instantes, a dor de ter perdido um amigo de maneira tão absurda.

Depois de alguns minutos de carro, Gil e Mariana finalmente chegaram ao Palácio do Gelo.

Logo na entrada, perceberam que o lugar estava bastante movimentado. Havia uma fila considerável de pessoas esperando para entrar na atração, muitas delas tirando fotos diante da fachada do shopping.

— Pelo jeito, não fomos os únicos a ter essa ideia — comentou Mariana, olhando para a fila.

Gil sorriu.

— Faz parte. Pelo menos temos companhia para congelar.

Os dois entraram na fila e ficaram conversando enquanto aguardavam. O ambiente era descontraído, com famílias, casais e grupos de amigos animados para conhecer a atração.

Quando chegou a vez deles, receberam as orientações e seguiram para a área onde eram fornecidas as roupas apropriadas para as baixas temperaturas.

Mariana vestiu o casaco térmico, colocou as luvas e ajeitou o gorro sobre a cabeça.

— Estou começando a achar que isso tudo é exagero.

Gil terminou de fechar o próprio casaco.

— Você vai dizer isso até entrar.

Assim que atravessaram a porta da área refrigerada, Mariana descobriu que ele tinha razão.

Uma onda de ar gelado atingiu os dois.

— Meu Deus! — exclamou ela, rindo e abraçando o próprio corpo. — Isso é muito mais frio do que eu imaginava!

Gil começou a rir.

— Eu avisei!

Havia esculturas iluminadas, corredores congelados e diferentes espaços para os visitantes explorarem.

Mariana logo esqueceu o frio e começou a tirar fotos.

— Gil, olha isso!

Ela o puxou pela mão até uma escultura de gelo.

— Tira uma foto minha aqui.

— Só uma?

— Algumas.

Mariana sorriu.

Os dois continuaram percorrendo a atração, divertindo-se com o frio e explorando cada ambiente. Em determinado momento, entraram no Bar de Gelo, onde até os copos e parte dos móveis eram feitos de gelo.

Mariana levantou o copo e fez um brinde.

— À nossa sobrevivência!

Gil encostou o copo no dela.

— E ao fato de ainda sentirmos os dedos.

Depois de algum tempo, os dois começaram a sentir fome.

— Acho que já está na hora de procurar alguma coisa para comer — disse Mariana.

Gil concordou.

Eles deixaram a área mais fria e seguiram para o espaço reservado a restauração do Palácio do Gelo.

Sentaram-se lado a lado e fizeram o pedido.

Enquanto aguardavam o almoço, Mariana apoiou os braços sobre a mesa e olhou para Gil e sorriu.

— Só espero que o almoço não venha congelado.

Gil riu.

— Depois de passar tanto frio, eu aceitaria até sopa fervendo.

Gil concordou. Sentaram-se lado a lado, e o garçom veio anotar o pedido. Enquanto aguardavam, Mariana apoiou os braços sobre a mesa e acompanhou distraidamente a programação da televisão. Uma reportagem desportiva havia começado mostrando imagens da Seleção Brasileira de futebol.

Gil sorriu de leve.

— O Marlon adorava futebol. Ele tinha aquele sonho de ser jogador e, um dia, chegar à Seleção. Sempre que vejo uma reportagem dessas, acabo lembrando dele.

Mariana permaneceu olhando para a televisão.

— Ele era maluco por futebol.

— Nem me fala, eu me lembro como ele ficou quando o Brasil foi eliminado pela Noruega! Muito dececionado com a seleção!

Mariana virou o rosto para ele.

— E pensar que ele ainda teve um caso com a Claudiane...— Você sabia disso?

Gil desviou os olhos para a televisão.

— Acho que... o Marlon tinha comentado alguma coisa.

— Acho? — Mariana arqueou uma sobrancelha.

— É... não lembro direito.

Nesse momento, o garçom chegou com os pratos, interrompendo a conversa.

— Aqui está. Bom apetite!

Os dois agradeceram e começaram a almoçar. Durante alguns minutos, Mariana não tocou mais no assunto. Gil, por sua vez, parecia concentrado demais no prato, como se torcesse para que a conversa simplesmente desaparecesse.

Depois de terminarem, levantaram-se e deixaram a mesa.

Já estavam se afastando do restaurante quando Mariana parou de repente.

— Pera aí, Gil!

Ele se virou.

— O que foi?

Mariana o encarou, agora claramente desconfiada.

— Como assim o Marlon ficou chateado porque o Brasil perdeu para a Noruega?

Gil ficou em silêncio por um instante.

— Ué... ficou.

— Gil, o jogo foi este ano! — Ela cruzou os braços. — O Marlon já estava morto!

Gil piscou algumas vezes, percebendo tarde demais a própria contradição.

— Não, espera... Eu me expressei mal.

— Se expressou mal?

— Eu quis dizer que... acho que ele teria ficado chateado. Se estivesse vivo, claro.

Mariana continuou encarando-o.

— Mas você falou que lembra como ele ficou.

— Eu... confundi as coisas.

— Confundiu?

Gil tentou sorrir, mas Mariana não acompanhou.

Ela cruzou os braços com mais força.

— Gil, a gente combinou uma coisa.

— O quê?

— Que não haveria segredos entre nós.

Ele perdeu o sorriso.

Mariana se inclinou em direção a ele.

— E você acabou de falar de uma lembrança de alguém que já estava morto quando aquilo aconteceu. Então me explica: de onde você tirou essa lembrança, Gil?

Gil passou a mão pelo rosto e soltou uma risada curta, sem humor. A postura rígida e defensiva desmoronou por completo. Ele se encostou na mesa, parecendo finalmente em paz por ter sido pego.

— Graças a Deus... — murmurou ele, olhando para o teto por um segundo antes de voltar aos olhos de Mariana. — Você não tem ideia do quanto é cansativo mentir pra pessoa que você ama.

Mariana permaneceu de braços cruzados, a guarda levantada, sem entender a reação dele.

— Gil, do que você está falando?

— Eu tenho essa lembrança — disse ele, a voz serena, quase acolhedora. — Porque o Marlon falou comigo no dia do jogo. Eu consigo falar com as pessoas depois que elas morrem.

O silêncio caiu entre os dois. Mariana abriu a boca, mas nada saiu de início.

— O quê...?

— É a verdade — afirmou Gil, sentindo o peito leve pela primeira vez em anos. — Eu consigo falar com algumas pessoas que morreram.

Mariana descruzou os braços lentamente, paralisada pela tranquilidade dele diante de algo tão absurdo.

— E por que você nunca me contou?

Gil abaixou os olhos.

— Porque eu não sabia como explicar.

Mariana ficou em silêncio.

— Quando o Marlon esteve aqui, ele conheceu a Claudiane. Os dois acabaram se envolvendo. Ele se apaixonou por ela.

Gil fez uma pausa.

— Pouco depois disso, o Marlon morreu.

Mariana engoliu em seco.

— E então?

— Depois que ele morreu, ele voltou.

— Em espírito?

— Sim.

*********************************

***************************

Gostou do conto?
Por Tuga069
Se você gostou, comente por favor, se não gostou, diga, queremos melhorar, ficaremos gratos.


Faca o seu login para poder votar neste conto.


Faca o seu login para poder recomendar esse conto para seus amigos.


Faca o seu login para adicionar esse conto como seu favorito.


Twitter Facebook



Atenção! Faca o seu login para poder comentar este conto.


Ultimos 30 Contos enviados pelo mesmo autor


276191 - Minha sobrinha tarada passou uns dias na minha casa. - Categoria: Incesto - Votos: 3
276189 - O marido brochou e eu tive que foder sem pena. - Categoria: Traição/Corno - Votos: 3
276152 - CRÔNICA PARA O DIA DE FINADOS. - Categoria: Confissão - Votos: 0
276108 - Trabalhando no Pet shop fiz um atendimento na casa do cliente coroa - Um conto de Regina (1•conto). - Categoria: Coroas - Votos: 2
276102 - Puta do colega de trabalho. - Categoria: Heterosexual - Votos: 1
275985 - Amizade entre esposa e personal. - Categoria: Heterosexual - Votos: 1
275978 - A negona rabuda da academia. - Categoria: Coroas - Votos: 2
275976 - A tribo das amazonas. - Categoria: Grupal e Orgias - Votos: 1
275967 - Vi minha afilhada chupando um pirulito e senti o maior tesao. - Categoria: Traição/Corno - Votos: 1
275895 - Comi a gostosa mãe do meu amigo - parte 2. - Categoria: Traição/Corno - Votos: 1
275891 - O melhor boque-te foi feito pela minha filha. - Categoria: Incesto - Votos: 3
275885 - Meu filho dormindo e a nora comigo. - Categoria: Traição/Corno - Votos: 1
275868 - Comi o cú da gostosa mãe do meu amigo. - Categoria: Traição/Corno - Votos: 2
275867 - A melhor amiga da minha esposa. - Categoria: Traição/Corno - Votos: 2
275862 - Transei escondido com minha amiga na casa dela. - Categoria: Traição/Corno - Votos: 0
275845 - Comi a mulher do amigo. - Categoria: Traição/Corno - Votos: 1
275821 - Casada Safada - Categoria: Traição/Corno - Votos: 1
275818 - Casada Safada - Categoria: Traição/Corno - Votos: 0
275817 - Esposa do meu amigo escreveu uma de nossas putarias. - Categoria: Traição/Corno - Votos: 0
275776 - Traindo Com Gosto - Categoria: Traição/Corno - Votos: 1
275743 - Fui a comida especial na despedida de solteiro. - Categoria: Confissão - Votos: 3
275688 - Grávida e dando para um bem dotado. - Categoria: Confissão - Votos: 2
275687 - O sogro precisava e eu...dei com amor! - Categoria: Confissão - Votos: 2
275683 - Tirei o complexo do rapaz com pau pequeno. - Categoria: Confissão - Votos: 1
275679 - De casada, mãe, puta e deixando a profissão. - Categoria: Confissão - Votos: 0
275660 - Casada pagando boque-te. - Categoria: Traição/Corno - Votos: 0
275659 - A FESTA - Categoria: Grupal e Orgias - Votos: 0
275614 - Preparando para uma festinha. - Categoria: Grupal e Orgias - Votos: 1
275606 - Portugal - As Casadas. - Categoria: Grupal e Orgias - Votos: 2
275605 - PORTUGAL - A MADURA CASADA. - Categoria: Traição/Corno - Votos: 2

Ficha do conto

Foto Perfil tuga069
tuga069

Nome do conto:
Quando os Mortos Chamam.

Codigo do conto:
276224

Categoria:
Confissão

Data da Publicação:
03/11/2026

Quant.de Votos:
0

Quant.de Fotos:
0