Foi ele quem abriu a porta. Rafael. Eu só o via de relance, indo e voltando da faculdade. Mas àquela distância, não dava para perceber os detalhes. Tinha uns vinte e poucos anos, magro, mas não frágil — uma magreza angular, de quem tinha os ossos certos sob uma camada fina de músculo. Cabelos castanhos escuros, desalinhados de um jeito que parecia natural, não estudado. Vestia apenas um short de basquete desbotado, solto na cintura estreita. A pele, cor de mel claro, tinha um brilho suado. Ele sorriu, meio sem jeito, os dentes muito brancos contra os lábios rosados.
“oi . Obrigado por vir.” A voz era mais grave do que eu imaginava.
Entrei. O apartamento cheirava a incenso e roupa limpa. Ele se virou para me levar até a varanda, e a coluna vertebral dele desenhava pequenas sombras sob a pele, uma fileira de nós perfeitos que desaparecia dentro do short. Meus olhos seguiram aquela linha.
Na varanda, as plantas estavam ótimas. Enquanto eu verificava a samambaia, senti, mais do que vi, ele parado na porta. O silêncio ficou carregado, úmido como o ar lá fora.
“Quer uma água?” ele perguntou.
Virei e ele estava lá, encostado no batente. A luz do fim de tarde cortava seu torso, acentuando as costelas discretas, a concavidade suave do estômago. Um fio de suor escorria do pescoço até o centro do peito. Ele não desviava o olhar.
“Quero,” eu disse, e a palavra saiu mais grossa do que eu pretendia.
Na cozinha, ele pegou duas garrafas no fridge. Quando se esticou, a barra do short baixou alguns milímetros, revelando o início do sulco das nádegas. Uma fina linha de pelos escuros sumia ali. Meu sangue correu pesado, direto.
Ele entregou a garrafa. Nossos dedos se tocaram. Ele não tirou.
“Está muito quieto aqui sem meu pai,” ele comentou, como se estivesse apenas fazendo uma observação sobre o tempo.
“Deve estar,” concordei, bebendo um gole. A água gelada não adiantou de nada.
Ele deu um passo à frente. Eu podia sentir o calor do corpo dele agora. Cheirava a sabão de coco e aquele suor limpo, jovem.
“Eu… eu sempre te vi na janela do seu escritório,” ele murmurou, baixando os olhos por um segundo, e depois fixando-os nos meus com uma coragem repentina. “Sempre achei você muito… interessante.”
Não foi uma investida de adolescente. Foi direta, crua. Um convite.
Eu ergui a mão e encostei o dorso dos dedos no seu abdômen. A pele era quente, macia, e os músculos contraíram levemente sob meu toque. Ele prendeu a respiração.
“Interessante como?” perguntei, minha voz agora um rosnado baixo.
Em resposta, ele pegou minha mão e a pressionou contra a frente do short. Era quente, firme e já meio inchada. Um gemido escapou dele.
Foi o estalo. Puxei ele pela nuca e cobri sua boca com a minha. O beijo foi voraz desde o primeiro segundo. Ele abriu a boca com um suspiro, sua língua encontrou a minha com uma urgência desesperada. Suas mãos agarravam minhas costas, unhas cravando através da camiseta.
Quebrei o beijo. “Tem certeza?”
Ele só respondeu puxando meu rosto para beijá-lo de novo, enquanto sua própria mão descia, abria o botão do meu jeans, metia a mão para dentro. Seus dedos longos e finos me envolveram. Eu gritei baixo.
“Quarto,” ele ordenou, sussurrando contra minha boca.
Segui-o pelo corredor. Ele andava na frente, e eu via os músculos das costas trabalhando, a cintura fina, a parte de trás daquele short cedendo a cada passo. A visão era de uma obscenidade linda.
No quarto, era uma confusão de livros e roupas no chão. Sem cerimônia, ele se virou e puxou o short para baixo, junto com a cueca. Ficou nu diante de mim, ereto, magro e lindo como um galho de árvore no inverno. Eu devorei a imagem: o peito estreito, os mamilos cor de rosa escuro, a linha de pelos que levava da barriga lisa até o membro, que apontava para mim, rígido e com uma gota translúcida na ponta.
Cheguei perto e o empurrei para a cama. Ele caiu de costas, os olhos escuros vidrados em mim, cheios de desejo puro. Ajoelhei-me entre suas pernas, que ele abriu sem hesitar. Passei as mãos pelas coxas dele, sentindo os tendões, a pele como cetim. Ele arqueou as costas do colchão quando minha boca finalmente o tocou.
Ele era salgado, vivo, pulsante. Minhas mãos apertavam suas nádegas, puxando-o mais para dentro, enquanto eu o devorava. Seus gemidos eram contínuos, quebrados, suas mãos se enterrando no meu cabelo, não para guiar, mas para se agarrar.
“Por favor… agora…” ele suplicava, entre um gemido e outro.
Tirei a minha roupa às pressas. Ele já estava se virando, de bruços, erguendo o quadril. Oferecendo-se. Seu corpo era uma curva longa e pálida na penumbra do quarto. Busquei a proteção na minha carteira, coloquei. Ele pegou um lubrificante da cabeceira e me entregou por cima do ombro, o olhar embaçado.
A preparação foi rápida, ambos além do ponto de paciência. Quando finalmente me alinhei e pressionei, ele gemeu, um som rouco e profundo. Enterrei-me devagar, vencendo uma resistência quente e quase intolerável. Ele estava incrivelmente apertado, quente, e cada centímetro era uma luta e um êxtase.
Quando estive completamente dentro, paramos os dois, ofegantes. Suas costas estavam tensas, gotas de suor percorrendo a coluna. Então ele se moveu para trás, impaciente.
Comecei a me mexer. O ritmo foi encontrado rapidamente: profundo, firme, sem rodeios. Cada embate fazia seu corpo se contorcer na cama, seus dedos se agarrarem aos lençóis. O som da nossa pele se encontrando era úmido, obsceno. Ele gemia a cada investida, um gemido rouco que saía do fundo do peito.
“Assim… assim, porra…” ele rosnava, jogando a cabeça para trás.
Eu o segurei pelos quadris, sentindo os ossos sob minhas mãos, e o puxei contra mim com mais força. O quarto ficou cheio dos nossos sons: o rangido da cama, os impactos dos nossos corpos, nossos gemidos e ofegos descontrolados. Era feroz, direto, animal.
Ele chegou primeiro. Com um grito abafado no travesseiro, seu corpo arqueou violentamente, e eu senti as contrações dele ao meu redor, intensas e ritmadas. A visão dele perdendo o controle, os músculos das costas enrijecidos, foi o que me levou ao limite. Enterrei-me uma última vez, fundo, e explodi, um rugido abafado saindo da minha garganta enquanto a onda me levava.
Desabei sobre ele, depois rolei para o lado, para não esmagá-lo. O ar do quarto parecia espesso, carregado com o cheiro de sexo e suor. Nossas respirações aos poucos foram se acalmando.
Ele se virou de lado, encarando-me. Seu rosto estava ruborizado, os lábios inchados, os cabelos colados na testa. Um sorriso cansado e satisfeito brincou em seus lábios.
“Ainda bem que meu pai viajou,” ele disse, a voz rouca.
Eu ri, puxando-o para perto. Seu corpo, magro e suado, se encaixou contra o meu. Fora da cama, o mundo ainda existia. Mas ali, naquele momento, só existia o calor da sua pele e o eco do que acabara de acontecer. Direto, cru, e perfeito.
Delícia