Meu amigo diácono

O sol poente entrava pela janela estreita da casa paroquial, pintando de laranja sombrio o tapete desbotado e os livros de capa dura na estante. O ar estava pesado, impregnado com o cheiro de café requentado, cera de móvel e o incenso teimoso que grudava nas vestes. Foi naquela sala austera, sob o olhar impassível de um crucifixo de madeira, que o véu se rasgou de vez.

Ele estava parado no centro da sala, ainda com a túnica preta, mas sem a autoridade. Parecia um homem desmontado, os olhos claros agora escuros e assustados, perdidos no abismo que se abria sob os seus pés. A respeitabilidade escorrera dele, deixando apenas uma presença física sólida, compacta, de ombros largos e antebraços fortes sob a manga arregaçada. Um homem construído para o serviço, não para o que estava por vir.

Não houve preâmbulo. O "não pode" que sussurrara na sacristia horas antes havia virado cinzas. Avancei e ele recuou, as costas batendo na estante, fazendo os volumes tilintarem. Quando o agarrei pela nuca, senti o cabelo grisalho, bem aparado, e a barba rala arranhando minha palma. O beijo que se seguiu não foi doce; foi uma tomada, um selo de silêncio. Seus lábios, inertes no início, entreabriram-se com um gemido rouco e, então, responderam com uma fome desesperada, décadas contidas. Suas mãos agarraram meu casaco, meu cinto, puxando-me contra ele com uma força que surpreendeu. Senti toda a solidez daquele corpo, trémulo e quente, contra o meu.

Minhas mãos foram diretas à cintura, abrindo botões e zíper. A calça simples e a cueca branca caíram aos seus tornozelos. Um "Por favor..." rouco escapou-lhe, mas o movimento dos seus quadris, um bombeamento involuntário contra a minha mão, gritava a verdade. Ajoelhei-me no tapete áspero. Ele tapou a boca com a mão, os olhos marejados de terror e êxtase. Não lhe dei tempo para o arrependimento.

O gosto dele era salgado, terroso, puramente masculino. Ele gritou, um som curto e sacrílego que ecoou na sala vazia, e suas mãos agarraram-me os cabelos, não para afastar, mas para se ancorar. Ouvi murmúrios entrecortados – orações ou pragas – enquanto o seu corpo se tensionava e depois se desfazia num tremor violento, as costas batendo na estante mais uma vez. Um livro pesado caiu no chão com um baque surdo. Ele deslizou até sentar, ofegante, arrasado, os olhos vidrados na cruz na parede. A expressão era de um naufrágio total.

Mas em mim, o incêndio apenas crescia. Aquele alívio rápido fora só lenha molhada nas chamas. Olhei para ele, frágil e trémulo no chão, e o desejo foi uma lâmina fria. Não era suficiente.

"Já foi… já está feito," ele gaguejou, recuando no tapete quando me aproximei de novo.

Ignorei-o. Agarrei-o pelos quadris, virando-o com força. De quatro, no tapete diante do sofá gasto, com a túnica negra jogada sobre as costas como um manto grotesco, ele estava completamente profanado. A parte de trás, pálida e forte, estava exposta. Meu movimento foi bruto, sem preparo. Cuspi na minha mão e depois nele, naquele ponto contraído e tenso. Ele estremeceu como se queimado.

"Por favor, não… não desse jeito…" a voz estava abafada pelo sofá.

Mas o "não" já não tinha poder. Alinhei-me e empurrei. A resistência foi feroz, um anel de músculo que lutava para não ceder. Ele gritou, um som agonizante, e os dedos dele cravaram-se no tecido velho do sofá, rasgando-o. Empurrei com mais força, segurando seus quadris com força, até que a barreira interna cedeu de uma vez, com um gemido abafado seu, e eu estava dentro, envolvido por um calor úmido e incrivelmente apertado.

Ficou imóvel, ofegando como um animal ferido. Comecei a mover-me. Cada embate era uma fricção áspera e ardente. Não era prazer, era conquista. Era posse. E então, algo mudou. Os gemidos de dor misturaram-se com um grunhido rouco, mais profundo, quando encontrei um ângulo diferente. O corpo dele, traidor, começou a ceder, a empurrar para trás contra mim, primeiro hesitante, depois com uma urgência desesperada.

Tirou o rosto do sofá, um fio de saliva ligando seus lábios ao estofamento. "Deus… meu Deus…" gemeu, mas era um lamento de êxtase, não de arrependimento. Uma das mãos dele soltou o sofá e desceu, eu via pelo movimento do braço, para se tocar. A visão daquilo, daquele homem de fé rebatendo contra mim enquanto se masturbava, desfez meu último resquício de controle.

O ritmo tornou-se frenético, brutal. O som da nossa pele, dos seus gemidos roucos, dos meus grunhidos, afogou o tic-tac de um relógio distante. O crucifixo assistia. A estante tremia. Eu via apenas a nuca suada, os cabelos grisalhos molhados.

O clímax dele veio com um tremor violento que apertou tudo ao meu redor, um grito contido que foi também uma oração pervertida. Foi o estímulo final. Enterrei-me nele até ao fundo e libertei-me, numa onda quente e prolongada que parecia esvaziar-me a alma.

Ficamos assim, colados, ofegantes, o ar agora carregado com o cheiro doce e acre do nosso sexo. Eu despenquei sobre as suas costas, sentindo o coração descontrolado dele. Aos poucos, o mundo regressou. O silêncio da casa paroquial era agora um julgamento mudo.

Retirei-me lentamente. Ele desabou de lado no tapete, encolhido, a túnica uma ruína, o corpo a tremer em espasmos finais e em choque. Não me olhou. Olhava para as próprias mãos, sujas, com uma expressão de horror tão absoluto que era palpável. A culpa emanava dele como um campo de força.

Levantei-me, arrumei a roupa em silêncio. O ato estava completo. Tinha comido, possuído, violado o Diácono no próprio santuário da sua fé. E ao fazê-lo, tinha visto o homem por baixo, despedaçado e entregue. Saí da sala, deixando-o ali, um náufrago no tapete desbotado. O baque do livro no chão fora o prenúncio. O que ficou para trás foi um silêncio muito mais alto que qualquer grito, ecoando pelos corredores vazios da casa de Deus.


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Ficha do conto

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Nome do conto:
Meu amigo diácono

Codigo do conto:
253051

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
24/01/2026

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