"Não consigo, professor", ele disse, jogando a caneta sobre o livro de história. "Minha cabeça não funciona assim."
"Funciona como, então?" perguntei, mantendo a voz neutra.
Ele olhou para mim, e pela primeira vez, não com a desconcentração habitual, mas com um foco intenso. "Funciona melhor com coisas concretas. Coisas que posso tocar."
A declaração ficou pairando no ar quente da sala.
Rafael era alto, mas não magro. Tinha um corpo de jogador de futebol amador — pernas fortes, quadris largos, uma presença física que preenchia o pequeno escritório. Usava sempre roupas simples: camisetas de algodão que esticavam nos ombros, jeans que pareciam justos demais nos coxas.
Nas semanas seguintes, comecei a notar outros detalhes: a maneira como ele mordia a ponta da caneta quando pensava, os pelos loiros nos antebraços, o leve sotaque interiorano que aparecia quando se exasperava.
Até que uma quinta-feira abafada, enquanto tentávamos desvendar equações de primeiro grau, um estrondo de trovão fez as luzes piscarem. A chuva começou a cair violentamente.
"Vou ter que esperar", disse ele, olhando pela janela.
"Ou continuamos a revisão", sugeri.
Ele virou-se lentamente. A camiseta branca estava levemente transparente com o suor. "Professor, posso falar uma coisa?"
"Claro."
"Eu não vou melhorar." A declaração foi simples, sem autopiedade. "Não é falta de capacidade. É falta de interesse."
"E no que você tem interesse?"
Ele não respondeu com palavras. Levantou-se, contornou a mesa e parou diante da minha cadeira. De perto, pude ver os pequenos fios de barba loira que ele deixava crescer, os olhos verdes-azulados fixos nos meus.
"Em coisas que não são lição", sussurrou.
Então sua mão encontrou a minha, guiando-a até a coxa dele. Através do jeans, senti o músculo firme, quente. Meu coração acelerou.
"Rafael..."
"Eu não sou tão burro assim, professor", ele interrompeu suavemente. "Sei exatamente o que estou fazendo."
Ele se ajoelhou. O movimento foi tão inesperado que engoli em seco. Seus dedos desabotoaram minha calça com uma destreza que nunca demonstrara com cadarços de tênis, que sempre pareciam desamarrados.
Quando ele me envolveu com a boca, minha cabeça recuou contra a cadeira. Foi quente, úmido, e sua língua trabalhou com uma dedicação que nunca dedicara a qualquer matéria. Minhas mãos encontraram seus cabelos castanhos, curtos e ásperos ao toque.
"Espera", eu disse, a voz rouca.
Ele parou, olhando para cima. Seus lábios estavam brilhantes. "Por quê?"
"Porque quero mais."
Levei-o até o sofá. Ele seguiu, seus olhos nunca deixando os meus. Quando tirei a camiseta dele, revelei um torso que confirmou minhas suspeitas — não era definido de academia, mas sólido, natural, com uma leve camada de músculo sobre o peito largo e o abdômen.
"Você é lindo", ele disse, como se lesse meus pensamentos.
"Quieto", respondi, beijando-o.
O beijo era diferente agora — ele era receptivo, mas entregava o controle. Suas mãos grandes percorreram minhas costas, mas foi eu quem as guiou, quem as posicionou onde queria.
Deitei-o de costas no sofá. Ele ficou lá, olhando-me, respirando profundamente. Seu peito subia e descia, os mamilos se contraindo levemente no ar fresco do ar-condicionado.
Minha boca percorreu seu corpo — o pescoço que tanto observara, os ombros largos, o tórax, a barriga lisa. Quando cheguei aos jeans, olhei para cima. Seus olhos estavam escuros, a boca entreaberta.
"Por favor", ele sussurrou.
Desabotoei os jeans, puxei-os junto com a cueca. Ele ergueu os quadris para ajudar. E então lá estava ele, completamente exposto. Forte, cheio, belo em sua masculinidade despretensiosa.
Por um momento, apenas contemplei. Rafael sob minha luz, sob meu olhar, sob meu controle. A inversão era intoxicante.
Minha boca desceu novamente, e ele gemeu, suas mãos se enterrando nos cabelos. Trabalhei-o devagar, sentindo-o crescer ainda mais na minha boca, sentindo seus músculos abdominais se tensionarem.
"Professor... eu vou..."
Retirei-me. "Ainda não."
Seus olhos imploraram, mas ele não protestou. Virei-o de bruços. A visão de suas costas largas, da linha que descia pela coluna até as nádegas firmes, me tirou o fôlego.
Preparei-o com cuidado, com paciência. Ele enterrou o rosto no braço, seus ombros tremendo levemente.
"Está bem?" perguntei.
"Melhor que bem", ele respondeu, a voz abafada.
Quando entrei, foi com uma lentitude que quase me matou. Ele estava apertado, quente, e seu corpo se abriu para mim em uma rendição completa. Seus dedos se agarraram ao sofá.
Comecei a me mover, e ele gemeu em um tom que não conhecia — baixo, gutural, verdadeiro. Cada movimento meu encontrava resposta no corpo dele, um arquejar das costas, um empurrão dos quadris para trás.
"Assim", ele sussurrou. "Exatamente assim."
Meus dedos se agarraram aos seus quadris, marcando a pele. O som da nossa respiração, dos nossos corpos se encontrando, da chuva contra a janela, criou uma sinfonia íntima.
Acelerei, e ele respondeu com urgência igual. Seu corpo se abriu mais, aceitando-me mais profundamente. As mãos dele alcançaram para trás, encontrando minhas coxas, puxando-me para dentro.
"Eu quero...", ele começou.
"O quê?"
"Quero você me comendo sempre assim."
A declaração, proferida com o rosto ainda enterrado no sofá, foi minha ruína. Meus próprios limites se desfizeram. Enterrei-me nele uma última vez, profunda, completamente, e explodi em um silêncio atordoado.
Segundos depois, senti seu corpo estremecer violentamente. Ele gemeu meu nome — não "professor", meu nome verdadeiro — enquanto encontrava seu próprio clímax contra o sofá.
Por um tempo, ficamos imóveis, conectados ainda, respirando em uníssono. A chuava diminuíra para um chuvisco.
Eu me retirei suavemente. Ele virou-se, deitando de costas. Seu rosto estava relaxado, pacífico de uma maneira que nunca vira durante nossas aulas.
"Cadê a toalha?" ele perguntou, um sorriso nos lábios.
"Banheiro."
Ele levantou-se, nu e imponente, e caminhou até o banheiro. Voltou com duas toalhas, entregou-me uma, começou a se secar com a outra.
"Sabe", disse ele, sentando-se no chão aos meus pés, "acho que finalmente entendi alguma coisa."
"O quê?"
"A importância da... aplicação prática."
Eu ri, passando a toalha pelo rosto. "É uma metodologia não convencional."
"Para um aluno não convencional." Ele apoiou a cabeça em meu joelho. "Quando é a próxima aula?"
"Segunda-feira."
"Vou estudar antes."
"Duvido."
Ele olhou para cima, e seus olhos tinham um brilho que não conhecia. "Para algumas coisas, eu estudo sim, professor."
Beijei-o, e o beijo tinha o gosto de descoberta e transgressão. Lá fora, a chuva parara, e um raio de sol entrou pela janela, iluminando o corpo dele ainda nu aos meus pés.
Ele estava certo sobre uma coisa — algumas lições exigem demonstração prática. E naquela tarde, o aluno finalmente aprendera algo. E o professor também.