Turno da Noite A portaria do edifício Residencial Horizonte era pequena, mas tinha um ar de intimidade que nenhum outro lugar do prédio possuía. Uma mesa de fórmica, um monitor dividido em quatro câmeras, uma cadeira giratória que rangia, uma geladeira barulhenta e uma janela grande que dava para a rua quase sempre vazia depois das vinte e duas horas. Era ali que Suellen passava as noites. Trinta anos, cabelos loiros que ela prendia num coque frouxo para combater o calor, olhos verdes que pareciam sempre estar procurando algo. Os seios fartos esticavam o uniforme azul-marinho da empresa de segurança — um modelo que ela mesma dizia ser “indecente para quem trabalha sentado o turno inteiro”. Calça de poliéster justa demais nas coxas, camisa de manga curta que marcava o contorno do sutiã. Ela sabia que os moradores mais velhos desviavam o olhar. Sabia também que alguns mais novos não desviavam. Gustavo aparecia quase todas as noites. Coordenador de manutenção do condomínio, quarenta anos recém-completados, barba rala bem aparada, corpo de quem já foi muito de academia mas agora mantinha a forma mais por teimosia do que por vaidade. Ele dizia que vinha “verificar o gerador” ou “checar se o portão automático estava travando de novo”. Mentiras frágeis que os dois sustentavam com sorrisos cúmplices. No começo eram só conversas. Depois café oferecido por ela, bala de hortelã que ele trazia no bolso do macacão. Depois silêncios que duravam mais do que as palavras. Depois toques que pareciam acidentais: a mão dele roçando a dela ao pegar a caneca, o braço dela encostando no peito dele quando se abaixava para pegar algo que caiu. Uma madrugada de quinta-feira, o prédio inteiro dormia. Chovia fino lá fora, o tipo de chuva que faz o asfalto brilhar e abafa qualquer barulho de rua. Gustavo entrou na portaria sem dizer nada, só fechou a porta de vidro com cuidado. Suellen nem levantou os olhos do celular de imediato. Só quando ouviu o clique da tranca é que ergueu o rosto. — Tá cedo pra gerador, não? — ela perguntou, voz baixa, quase rouca. — Tô sem sono — ele respondeu, já contornando a mesa. Ela girou a cadeira devagar, ficando de frente para ele. As pernas entreabertas, a calça do uniforme marcando a curva interna das coxas. Gustavo parou a poucos centímetros. O cheiro dele era uma mistura de sabonete barato, óleo de motor e algo quente, masculino, que fazia o estômago dela apertar. — Seu marido tá te esperando em casa? — ele perguntou, quase num sussurro. — Meu marido tá dormindo desde as dez e meia. Como todas as noites. — Ela sustentou o olhar dele. — E a sua mulher? — Dormindo também. Com o remédio que o médico receitou pra ansiedade. Os dois riram baixo, um riso nervoso, cúmplice, quase triste. Então ele se abaixou. Os lábios encontraram os dela devagar, como se ainda estivessem testando se era permitido. Mas no segundo beijo a hesitação acabou. A língua dele invadiu a boca dela com fome acumulada de meses. Suellen agarrou a gola do macacão dele, puxando-o para mais perto. As mãos grandes de Gustavo subiram pelas laterais do corpo dela, contornaram os seios por cima da camisa, apertaram com força o suficiente para arrancar um gemido abafado. Ela se levantou da cadeira. Ele a encostou na parede ao lado do monitor, bem embaixo da câmera que apontava para o hall — ironicamente a única que não gravava a portaria interna. As mãos dele abriram os botões da camisa dela com uma pressa que não combinava com a calma que ele sempre demonstrava durante o dia. Quando o sutiã preto de renda apareceu, Gustavo parou um segundo só para olhar. — Caralho, Suellen… Ela sorriu, um sorriso torto, safado. — Tira logo. Ele obedeceu. A boca dele desceu direto para o mamilo esquerdo, chupando com força enquanto a mão livre apertava o outro seio. Suellen jogou a cabeça para trás, batendo na parede, mordendo o próprio lábio para não gemer alto. A mão dela desceu até o zíper do macacão dele, abriu, enfiou por dentro da cueca e encontrou o pau já duro, quente, pulsando. — Você tá assim desde quando? — ela perguntou, apertando devagar, subindo e descendo a mão. — Desde a hora que entrei e vi você de pernas abertas na cadeira. Ela riu contra a boca dele, depois se ajoelhou. O pau dele escapou da cueca, grosso, a cabeça brilhando de excitação. Suellen olhou para cima, direto nos olhos dele, enquanto passava a língua da base até a ponta, devagar, provocadora. Quando finalmente o colocou na boca, Gustavo segurou o coque dela com as duas mãos, não para forçar, mas para se equilibrar. Ela chupava com vontade, cabeça subindo e descendo, a saliva escorrendo pelos cantos da boca, o barulho molhado ecoando na portaria silenciosa. — Porra… assim eu não aguento — ele grunhiu. Ela tirou da boca só o tempo de falar: — Então não aguenta. Mas ele a puxou para cima. Virou-a de costas, encostou-a na mesa. Baixou a calça dela junto com a calcinha até os joelhos. Os dedos dele encontraram a buceta dela já encharcada, escorregadia. Dois dedos entraram fácil, o polegar roçando o clitóris em círculos rápidos. Suellen apoiou as mãos na mesa, empinando a bunda, gemendo baixo. — Me fode, Gustavo… agora. Ele não esperou. Posicionou a cabeça do pau na entrada, segurou os quadris dela com força e empurrou até o fundo num só movimento. Os dois soltaram um suspiro ao mesmo tempo. Ele começou devagar, sentindo cada centímetro, depois aumentou o ritmo. A mesa balançava, o monitor tremia, as câmeras continuavam filmando o hall vazio. Suellen virava o rosto para trás, procurando a boca dele. Beijavam desajeitados, desleixados, enquanto ele metia cada vez mais forte. A mão dele subiu até o seio esquerdo, apertando o mamilo entre os dedos. A outra mão desceu até o clitóris dela e esfregou em movimentos rápidos. — Vai gozar pra mim, vai — ele sussurrou no ouvido dela. Ela não respondeu com palavras. Só apertou os olhos, mordeu o lábio com força e gozou tremendo inteira, as coxas fechando em torno da mão dele, a buceta pulsando em volta do pau. Gustavo segurou firme nos quadris dela, meteu mais três, quatro vezes com força e gozou dentro, gemendo rouco contra o pescoço dela. Ficaram assim alguns segundos, ofegantes, suados, a respiração dos dois misturada. Ele saiu devagar, o sêmen escorrendo pela coxa interna dela. Suellen riu baixo, ainda de bruços na mesa. — Se alguém aparecer agora, a gente tá ferrado. — Então a gente finge que tava consertando o interfone — ele respondeu, já puxando a calça dela para cima. Ela se virou, ajeitou o sutiã, abotoou a camisa com dedos trêmulos. Olhou para ele com um sorriso cansado e satisfeito. — Amanhã tem plantão de novo. — Eu sei — ele disse, passando o polegar no canto da boca dela, limpando um resto de batom borrado. — E eu vou vir “verificar o gerador” de novo. Suellen se sentou na cadeira, abriu as pernas de leve só para provocá-lo mais uma vez. — Então vê se traz café decente dessa vez. Ele riu, deu um último beijo na testa dela e saiu. A porta fechou com aquele clique suave. No monitor, o hall continuava vazio. A chuva continuava caindo. E Suellen, sozinha de novo na portaria, passou a língua nos lábios, ainda sentindo o gosto dele, e sorriu para o reflexo escuro da janela. A noite ainda estava só começando.
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