Saí de casa cedo. Meias e tênis. Nada mais. Não era desafio; era constatação. Vestir algo agora não desfazia o que meu corpo já tinha aprendido a sustentar. A rua me engoliu sem cerimônia. De dia, tudo fica mais claro e mais cruel. O som é seco, os cheiros são definidos, os rostos não se escondem atrás da música. Gente indo trabalhar, abrindo portas, esperando ônibus. Todos vestidos. Eu não. A assimetria doía antes de excitar. A coluna se ajeitou sozinha, como se soubesse que ceder postura seria pior que ceder o corpo. Caminhei até onde o fluxo me levou. Não planejei o trajeto; deixei a cidade decidir. Cada semáforo era uma pausa longa demais. Cada vitrine devolvia meu reflexo sem piedade. Minha pele reagia a tudo: vento frio entre prédios, calor acumulado na calçada, minhas tetas balançando conforme eu caminhava, meus bicos endurecendo e ficando enrugadinhos. Meu corpo ia acordando devagar, não em explosão, mas em pressão contínua. Um estado. Os olhares não vinham em massa. Vinham em gotas. Um homem que para de falar no meio da frase. Uma mulher que franze a testa e segue. Um segurança que mede distância com o olhar e escolhe não agir. Palavras surgiam como lâminas cegas: “olha como balançam”, “que tenis bonitos”, “bela roupa”. Ditas para o ar, não para mim. Era pior assim. Atuavam por dentro. O shopping apareceu como abrigo falso. Portas automáticas, ar frio, luz branca. Entrei. Ali dentro, a regra era clara: controle, consumo, normalidade. E eu quebrava tudo só por existir. O chão liso amplificava cada passo. O som dos meus tênis virava anúncio. Pessoas paravam com sacolas nas mãos. Um riso curto. Um celular abaixado rápido demais. O corpo inteiro ficou em alerta, não para fugir, mas para aguentar. Sentei num banco central. Não para descansar. Para atrasar. Meu tesão já estava ali, acumulado, pesado. A demora causava o efeito de mostrar minhas intenções indecentes, que eu não estava lá por acidente, que eu estava lá porque estava gostando. Eu demorava mais para gozar pois meu corpo já estava cansado de tanto gozar, desde o dia anterior, e essa demora me obrigava a ficar mais tempo batendo siririca e portanto mostrando muito mais intenção de ser indecente, e isso me envergonhava e a vergonha me excitava por fazer meu corpo ficar mais consciente de estar pelada, ficar excitada por um motivo tão indecente me envergonhava mais ainda e a vergonha me excitava mais ainda em um ciclo sem fim. Um tremor discreto nas mãos. A mandíbula apertada. Um calor que não se resolvia. Levantei. Andei. Parei de novo. Cada parada era uma gozada. A cada gozada — pequenas quedas, microcolapsos que vinham sem toque, só pelo peso da situação — mas meu tesão não acabava. Ele voltava maior. Mais exigente. O intervalo aumentava e, com ele, o domínio que aquilo tinha sobre mim. Meu instinto gritando para eu me cobrir com as mãos, e desviar o olhar mas eu lutava ferozmente contra esse impulso e colocava minhas mãos para trás, e não desviava o olhar, só para curtir aquela vergonha fulminante, que acende meu tesão e que faz meu corpo ficar consciente de estar pelada. Uma funcionária passou por mim e disse, sem olhar: “O provador fica no fundo.” Cínico, ambíguo, preciso. Não respondi. O corpo respondeu. Meus bicos endureceram mais ainda, minha buceta se molhou mais também. Minha siririca ficou mais barulhenta por que minha buceta ficou enxarcada, fez aquele barulho escandaloso que me mata de vergonha (tchec tchec tchec) Apoiei a mão na parede fria. Bati siriria até gozar, demorou muito porque eu já tinha tido mais de dez orgasmos e meu corpo já não respondia tão rápido, demorou cerca de 40 minutos mas isso só me excitou mais pois as pessoas viram minha intenção indecente e escandalosa. Uma pessoa que fica tanto tempo batendo siririca é porque sabe mesmo o que quer. O atraso fazia doer de tanta vergonha. Saí do shopping com o dia já alto. O sol voltou a bater direto. A cidade me recebeu sem surpresa. Continuei. O carro estava onde eu lembrava, mas não fui direto. Dei mais uma volta. Precisava gozar mais. A repetição cobrava seu preço: cansaço nas pernas, cabeça leve, uma sensibilidade que transformava qualquer estímulo em onda lenta. Meu orgasmo quando chegava, vinha quase sem graça, fraco sem intensidade, mas isso só me dava mais tesão pois escancarava minha intenção de fazer algo indecente mesmo que o premio não fosse tão grande e mesmo sendo tão demorado. Cheguei ao carro no meio da tarde. Entrei. Fiquei parada, sem roupas para me vestir, o carro era a minha roupa. O banco sob as coxas foi quase demais. Respirei até o corpo aceitar ficar. Liguei. Dirigi para casa sem pressa. Cada semáforo, outra pausa. O desejo já não explodia; ele ocupava. Mandava. Em casa, fechei a porta. Tirei os tênis. Fiquei em pé no meio do quarto, sem correr para nada. A última gozada demorou muito. Quando veio, veio como colapso controlado: pernas cedendo, um som curto escapando, a visão fechando por um segundo. Depois, silêncio. Peso. Um tipo estranho de clareza. Deitei no chão. Não cobri o corpo. Deixei o atraso fazer o resto. O dia inteiro estava ali, comprimido. Demorou. E quando acabou, não foi alívio. Foi exaustão aceita. Fiquei assim até anoitecer. A cidade seguiu. Eu também.
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