Minha filha voltou da universidade com aquele ar de quem conquistou o mundo e, de quebra, o direito de ignorar as convenções sociais. Instalou-se na sala como se o sofá fosse uma extensão de sua própria liberdade, circulando para lá e para cá usando apenas uma camiseta folgada e calcinha. A princípio, não me espantei. Para mim, a nudez nunca fora um tabu. A mãe, com seu pragmatismo suíço, sempre circulou pelos cômodos como veio ao mundo, com uma naturalidade que tornava qualquer roupa um adereço supérfluo. Mas com a menina era diferente. Havia uma descoberta ali. Minha filha decidiu também abandonar a depilação. Pela sua calcinha dava para ver um tufo rebelde, de pelos espessos, selvagens, que desafiavam o corte da lingerie e se ofereciam à vista com uma insolência nova. Eu olhava, confesso, o que atraía meu olhar era a pura estranheza daquela novidade adulta. Num desses momentos de distração, ela me pegou no flagra. Não houve drama, nem o choque que se esperaria de uma cena de costumes de outros tempos. Ela apenas riu, aquele riso de quem conhece o pai que tem. — Está olhando o quê, pai? — provocou ela, com uma ponta de sarcasmo. — Nada... — gaguejei, tentando recuperar a dignidade. — É que você realmente cresceu, não é? Ela soltou uma gargalhada limpa, dessas que encerram qualquer assunto solene. Mas a coisa não parou por aí. No dia seguinte, a evolução do despojamento deu um salto: ela apareceu na sala apenas de camiseta. A calcinha havia ficado em algum lugar do passado. A cada passo, o movimento do tecido revelava a ausência total de qualquer peça íntima. Quando ela se sentou à minha frente, a camiseta subiu, e a visão foi total: sua bucetinha peluda, iluminada sob a luz da manhã. — Imaginei que você fosse gostar mais desse figurino — disse ela, piscando o olho, num tom de brincadeira que deixava tudo no campo da cumplicidade doméstica. Rimos os dois. Minha mulher, entrando na sala e sentindo o clima de "libertação geral", não quis ficar atrás. Com aquele desprendimento helvético que me desarma há anos, lançou o desafio: — Ora, por que não fica nua de uma vez? Seria muito mais prático. Fiquei ali, entre o celular e o café, observando as duas. No fundo, sinto que há um novo código sendo escrito naquelas quatro paredes. Minha filha parece testar os limites dessa nova transparência, e eu, como bom observador de mim mesmo, sigo tentando entender até onde vai essa liberdade de quem descobriu que, em casa, a gente pode ser exatamente o que é — ou, pelo menos, o que a natureza resolveu deixar crescer.
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