A sombra do desejo

A sombra do desejo (mãe Beatriz)
O aroma de alecrim e alho ainda pairava na cozinha quando tudo começou a desmoronar. Pedro, de vinte e dois anos, sentiu as mãos suarem enquanto observava Bia, sua mãe, mover-se entre o fogão e a pia com uma graça que, de repente, parecia estranhamente hipnótica. A luz da tarde filtrada pela janela desenhava sombras alongadas no chão de azulejos, transformando o ambiente doméstico em um palco de tensão silenciosa.
—"Que se passa, Pedro? Não tá com fome?" A voz dela soou como de costume, mas para ele, cada sílaba carregava um peso novo.
Ele engoliu seco.
—"Tô meio esquisito vendo você de um lado para o outro. É que hoje você tá bem... diferente."
Bia parou, uma colher de pau suspensa no ar. Seus olhos — os mesmos olhos castanhos claros que o acalentaram em tantas noites de pesadelo infantil — estreitaram-se.
—"Vamos, Pedro. Sou sua mãe. Tenha juízo."
A frase deveria ter funcionado como um balde de água fria. Em vez disso, algo dentro dele se rompeu.
—"Eu não conto nada para o pai, prometo!" As palavras saíram antes que pudesse detê-las, e num impulso cego, ele a envolveu em um abraço que transgredia todos os limites.
O corpo dela enrijeceu. Por um instante eterno, Pedro sentiu o coração dela bater acelerado contra o seu peito. Pedro levantou-se e apertou-a em seus braços ao mesmo tempo que lhe mordiscava a orelha…Beatriz poderia ter afastado mas uma química traiçoeira a empediu e então, um suspiro escapou-lhe dos lábios, um som entre a resignação e algo mais obscuro.
—"Ai, Pedro, filho... Pensa que sou de ferro? O que você quer de mim?"
Não foi uma pergunta retórica. Havia uma fissura na voz dela, uma brecha por onde a escuridão poderia fluir.
—Sente aquí no meu colo… disse Pedro…
Bia assentiu e sentou-se no colo…
—Nossa que caralho volumoso tu tensa í…Bem se avançarmos mais não tem volta…
O ar na cozinha estava pesado, carregado de um calor que ia além do fogão aceso. Os últimos raios do sol da tarde filtravam-se pela janela, pintando as paredes de um laranja quente e derramando-se sobre os corpos de Pedro e Bia como mel derretido.
Pedro estava parado diante dela, seus olhos escuros fixos nos dela, que pareciam dois pedaços do céu noturno. O espaço entre eles era mínimo, apenas o calor dos seus corpos se tocando, prometendo mais. O cheiro do jantar queimado no fundo da panela já havia se dissipado, substituído por algo mais primitivo, mais urgente.
Ele moveu-se então, devagar, como se temesse que qualquer gesto mais brusco quebrasse o feitiço. Levantou uma mão e apoiou-a suavemente na cintura de Bia, sentindo o tecido fino da sua blusa e o calor da sua pele por baixo. A outra mão encontrou o seu rosto, os dedos deslizando pela linha do seu maxilar com uma reverência que fez Bia fechar os olhos por um instante.
Quando ela os abriu novamente, Pedro estava mais perto. Ele inclinou a cabeça, e ela sentiu o seu hálito quente contra os seus lábios, um prelúdio do que estava por vir.
Era um momento suspenso no tempo, onde o único som era o bater acelerado dos seus próprios corações.
Então, ele fechou a distância.
Pedro encostou a sua cara na boca de Bia, num movimento tão natural quanto a respiração. O primeiro contacto foi suave, apenas o toque dos seus lábios contra os dela, uma exploração cautelosa. Mas a cautela dissolveu-se rapidamente, consumida pela intensidade do momento.
Ele introduziu a língua, e Bia recebeu-a com um suspiro abafado. Não era um beijo qualquer; era uma conversa silenciosa, uma descoberta mútua. A língua de Pedro percorria as nervuras da língua de Bia com uma curiosidade tátil, explorando cada sulco, cada textura, como um cartógrafo a mapear um território desconhecido e desejado.
Ela respondeu ao movimento, a sua própria língua encontrando a dele num ritmo antigo e instintivo. A sensação era avassaladora – uma onda de calor que começou na boca e se espalhou como fogo por todo o seu corpo, até às pontas dos dedos dos pés. Um tremor percorreu-a, um tremor de antecipação e de um desejo que crescia a cada segundo.
A intimidade do gesto, a profundidade da conexão, desencadeou uma resposta física intensa nela. Uma onda de calor concentrou-se no seu ventre, e ela sentiu um espasmo suave, seguido de uma humidade distinta que respingou, súbita e íntima, contra o tecido da sua calcinha. Era um sinal involuntário, uma confissão física do efeito que seu filho Pedro tinha sobre ela, aumentando ainda mais a carga eléctrica que já pairava no ar entre eles.
O beijo aprofundou-se, tornando-se mais voraz, mais desesperado. As mãos de Pedro apertaram-na com mais força, puxando-a contra o seu corpo, enquanto as mãos de Bia subiram pelas suas costas, os dedos a enterrarem-se no tecido da sua camisa. O mundo exterior – a cozinha, o jantar queimado, o pôr-do-sol – desapareceu completamente. Existia apenas este espaço reduzido, este contacto, este sabor partilhado.
Quando finalmente se separaram, foi apenas por um fio de ar. As suas testas tocaram-se, e ambos respiravam com dificuldade, ofegantes. Os olhos de Pedro percorreram o rosto de Bia, inchado e ruborizado pelo beijo, e um sorriso lento e satisfeito apareceu nos seus lábios.
— “Bia,” sussurrou ele, a voz rouca e carregada de emoção.
Ela não conseguiu falar. Limitou-se a abanar a cabeça, um gesto pequeno que dizia tudo. O que tinha acontecido ali, naquela cozinha comum, tinha sido tudo menos comum. Tinha sido um ponto de viragem, um momento em que algo entre eles se tinha desbloqueado e se tinha precipitado para um território novo e perigoso.
Pedro afastou-se um pouco, ainda segurando-a pela cintura. Os seus olhos desceram ao seu pescoço, depois aos seus lábios novamente, como se já tivesse saudades deles.
— “Isto…” começou ele, mas parou, como se não conseguisse encontrar as palavras.
— “Eu sei,” ela finalmente conseguiu dizer, a sua voz pouco mais do que um sopro.
O ar ao rubro começava agora a arrefecer, mas o calor que tinham gerado permanecia, pairando em torno deles como um halo. E ambos sabiam, sem precisarem de trocar mais palavras, que nada voltaria a ser como antes. A cozinha, outrora apenas um lugar de refeições e conversas banais, tinha-se tornado para sempre o palco onde o primeiro acto verdadeiro da sua história tinha começado. E o próximo acto, sentiam-no no ar carregado, estava prestes a começar.
Sem dizer mais nada, ela o conduziu pelo corredor escuro até ao seu quarto que ficava ao fundo. A porta fechou-se com um clique suave que soou como uma sentença. Na penumbra, Bia se transformou diante dos olhos dele. Com um movimento fluido, desfez o zíper da saia godê longa, deixando o tecido cair aos seus pés como uma casca descartada. A camisa azul seguiu o mesmo destino, arrancada em um puxão que parecia carregado de anos de frustração contida.
Ficou em pé diante dele apenas com os saltos altos pretos, uma calcinha branca de renda que mal escondia suas curvas, e um sutiã que moldava seus seios como uma oferta proibida. Pedro sentiu as pernas fraquejarem. Esta não era a mãe que lhe fazia café da manhã. Esta era uma estranha com o rosto familiar.
—"Beatriz," sussurrou ele, usando o nome completo dela pela primeira vez na vida.
Ela não respondeu com palavras. Subiu na cama com uma determinação que anulava qualquer hesitação anterior e posicionou-se sobre seu rosto, olhando fixamente para seus pés enquanto suas mãos desciam para desabotoar os jeans de seu filho Pedro.
O mundo reduziu-se a sensações brutais: o cheiro acre e doce de seu sexo, o sabor salgado de sua pele, a textura de renda contra seus lábios. Era seu primeiro 69, uma iniciação brutal em um altar perverso. Pedro enterrou o rosto nela com uma fome que a assustou, língua e nariz explorando território virgem enquanto suas próprias calças eram puxadas para baixo.
A boca dela envolveu-o com uma expertise que não poderia ter sido aprendida no casamento de vinte anos com seu pai. O pensamento cortou como uma lâmina, mas já era tarde demais — sua espinha arqueou-se, e em poucos segundos de frenesi, ele explodiu em sua boca.
Beatriz hesitou por um momento, os músculos de sua mandíbula tensionando-se visivelmente. Pedro, ainda imerso nela, sentiu o corpo dela tremer. Então, com um movimento quase imperceptível da garganta, ela engoliu. O ato final de cumplicidade.
Quando ela finalmente desceu da cama, evitando seu olhar, a realidade começou a se infiltrar como água gelada. Pedro ficou deitado, atordoado, enquanto ela se vestia em silêncio, cada peça de roupa restaurada como uma armadura contra o que acabara de acontecer.
—"Vai chover," disse ela, olhando pela janela. Sua voz estava plana, vazia. "Seu pai chega às sete."
Ela saiu do quarto sem olhar para trás, deixando Pedro sozinho com o cheiro deles ainda no ar e uma pergunta envenenada ecoando em sua mente: quantas vezes aquela cena havia sido ensaiada na cabeça dela antes de hoje?
Na cozinha, o jantar queimava no fogão, e as sombras da tarde haviam se alongado até cobrir completamente o chão. Pedro vestiu-se lentamente, cada movimento um esforço. Ao passar pela sala, viu Bia de pé na varanda, observando a tempestade que se aproximava. Seu perfil contra o céu escurecido parecia esculpido em mármore — belo, frio e intransponivelmente distante.
Ele entendeu, então, que nada entre eles seria igual novamente. A linha havia sido cruzada não por acidente, mas por uma colisão calculada de desejos reprimidos e solidões paralelas. E o pior de tudo era saber que, quando seu pai chegasse em casa e perguntasse sobre o dia, ambos mentiriam com uma naturalidade que os tornaria cúmplices para sempre.
A primeira gota de chuva atingiu o vidro da janela, e Pedro sentiu um calafrio percorrer sua espinha. O sabor dela ainda estava em sua boca — um lembrete amargo do banquete envenenado que acabara de compartilhar com a mulher que o trouxera ao mundo.


O peso do pecado (convencendo minha mãe Beatriz)
Foi então que senti uns braços femeninos envolverem a minha cintura…
—Temos de acabar o que começamos… diz Bia…
O quarto estava escuro, apenas um facho de luar atravessando as cortinas de velho cetim. O ar pesava, carregado pelo cheiro de suor e do perfume de madeiras do oriente que Bia ainda usava, aquele mesmo desde que Pedro agora era homem feito. Agora, ele não era mais uma criança. E ela, Beatriz, já não era apenas sua mãe…
Quando Pedro me penetrou com seu membro meu corpo arqueou sob o dele, um gemido rouco escapou-me dos lábios com palavras, venenosas e doces, se entrelaçavam no ar abafado.
— Ai, caralho, seu cabrão filho da puta... — a voz de Bia saiu como um sussurro áspero, carregado de uma raiva que não encontrava destino. Os olhos dela, muito abertos, fitavam o candeiro do teto, como se buscassem alguma resposta nos pendientes de cristal. — Vais arder no inferno cabrão...
Ela sentia a textura áspera do lençol contra as costas, o peso familiar e estranho do filho sobre si. Uma tempestade de contradições a dilacerava por dentro. Por um lado, um remorso agudo, cortante como vidro, a consumia. Ela havia falhado. Falhado como mãe, como guardiã, como mulher. A fraqueza que sempre combatera nos outros agora habitava seu próprio sangue, seu próprio corpo, que respondia com uma traição fisiológica ao toque proibido.

Por outro lado, sob a culpa e o terror, algo mais primitivo e profundo começava a despertar, um calor que se espalhava desde o centro mais íntimo dela, onde o corpo do filho Pedro se movia com uma urgência que era tanto violação quanto entrega. Era um prazer roubado, amaldiçoado, e por isso talvez mais intenso. Ela começava a gostar daquela conexão brutal, daquele caralho que não era mais de um homem qualquer, mas do fruto de seu próprio ventre. A mão dela, trêmula, subiu. Os dedos não encontraram o rosto do filho para empurrá-lo, mas os seios dela mesma, os mesmos que o amamentaram. Apertou, sentindo a dor e o prazer se fundirem numa única sensação avassaladora.
A mente de Beatriz viajava no tempo. Via o menino Pedro, de cabelos cacheados e joelhos ralados, correndo pelo quintal. Via o adolescente taciturno, fechado em seu quarto. E agora via o homem, cujo rosto contraído pelo êxtase era uma versão pervertida daquele que um dia beijara suas machucaduras. Onde ela tinha errado? Onde a linha tênue entre amor materno e solidão de mulher havia se rompido?
O ritmo de Pedro acelerou, seus músculos ficaram tensos. Um rosnado abafado saiu de sua garganta.
— Vou gozar... — a voz dele estava irreconhecível, gutural, animal.
Ela tentou dizer não. Tentou empurrá-lo. Mas seu corpo traiu-a mais uma vez, arqueando-se para recebê-lo, para selar o pacto de perdição que ambos estavam a assinar. A onda de calor inundou-a, um sinal final e irrevocável.
— Gozei dentro da buceta da minha mãe...exclamou Pedro…
As palavras dele, explícitas e cruéis, soaram como uma sentença. O grito que saiu de Bia não foi de prazer. Foi um uivo de puro desespero, de terror cósmico. Os olhos dela se arregalaram, fixando-se no vazio acima.
— Vamos arder no inferno... — ela chorou, as lágrimas finalmente rompendo a barreira do choque e escorrendo pelas têmporas, misturando-se ao suor no travesseiro.
— Não acredito que te tenhas vindo dentro de mim!
O silêncio que se seguiu foi mais pesado que todo o acto. Pedro retirou-se, o corpo dela sentindo de repente o frio do ar noturno onde antes havia calor proibido. Ele ficou deitado ao seu lado, a respiração ainda ofegante, o olhar perdido na escuridão.
Beatriz não se moveu. Sentia o líquido quente e pecaminoso escorrer por sua coxa manchando suas meia liga brancas, uma marca física do seu acto pecaminoso. O quarto de repente parecia menor, as paredes se fechando sobre eles. Cada objeto comum — o armário desgastado, o espelho embaçado, a fotografia dela com Pedro criança na praia emoldurada na cômoda — agora era um acusador silencioso.
O que viria depois? O dia seguinte. A luz do sol revelando a vergonha nos olhos um do outro. A vida comum, com seus rituais de café da manhã e notícias da televisão, seria possível depois disso? Ou seriam condenados a carregar esse segredo como um tumor, um peso que os arrastaria para o abismo que ambos agora temiam?
Ela virou a cabeça lentamente. Pedro olhava para ela. Nos olhos dele, o fogo do desejo havia se apagado, substituído por um vazio assustador, um reconhecimento do abismo em que haviam saltado juntos. Nenhum dos dois disse uma palavra. Não havia palavras para isso. Apenas o silêncio carregado do peso do pecado, e o conhecimento terrível de que o inferno, talvez, já tivesse começado ali, naquele quarto escuro, entre uma mãe e seu filho.
Revelação inesperada
O apartamento silencioso da família Silva parecia ter retornado à sua calma habitual depois do jantar. Pedro, de dezessete anos, havia se recolhido ao seu quarto, enquanto Bia, sua mãe, arrumava a cozinha. Jorge, o marido, saíra para um compromisso de trabalho que se estenderia por mais algumas horas. A rotina doméstica, um cenário perfeito de normalidade.
Na sala de estar, Bia se acomodou no sofá, um livro nas mãos, buscando um momento de paz após um dia cansativo. O silêncio era quebrado apenas pelo tique-taque do relógio de parede. Foi nessa calmaria que Pedro reapareceu, vestindo apenas um shorts de ginástica. Seu rosto exibia uma expressão que era uma mistura de timidez e ousadia.
— Mãe? — chamou ele, sua voz um pouco rouca.
Bia ergueu os olhos do livro. — Sim, Pedro? Precisa de algo?
Ele se aproximou, hesitante. Depois de um longo momento de silêncio carregado, onde apenas a tensão no ar parecia palpável, ele falou, as palavras saindo em um sussurro ousado:
— Quero comer-te o cú!
O livro escorregou dos dedos de Bia e caiu no tapete com um baque surdo. Ela ficou paralisada, os olhos arregalados de incredulidade e alarme. O sangue pareceu drenar de seu rosto, substituído por uma onda de calor vergonhoso.
— Tas doido! Isso não pode acontecer! — a voz dela saiu mais alta e mais áspera do que pretendia, um misto de pânico e autoridade materna.
Pedro não recuou. Em vez disso, seu olhar se fixou nela com uma intensidade perturbadora. — Mas você já fez com papai?
A pergunta atingiu Bia como um soco no estômago. Ela sentiu o chão ceder metaforicamente sob seus pés. Como ele saberia? Um momento privado, um experimento há muito enterrado no passado do casamento, algo que nem mesmo ela e Jorge mencionavam mais.
— O que eu faço com papai não é da sua conta... — a resposta saiu automática, defensiva, mas a fraqueza em sua voz era evidente.
Pedro viu a brecha, a hesitação. Ele se ajoelhou ao lado do sofá, sua voz baixando para um tom persuasivo, quase infantil, mas carregado de uma intenção que era tudo menos infantil.
— Vá lá mãe, deixe eu experimentar? Só uma vez. Ninguém precisa saber.
O conflito dentro de Bia era uma guerra civil. O nojo, o choque, a lealdade a Jorge, o papel de mãe… todos lutavam contra algo mais profundo e sombrio: uma curiosidade reavivada, uma pulsação de excitação proibida que a envergonhou ainda mais. Os segundos se arrastaram. O relógio parecia martelar sua condenação.

Então, movendo-se como se estivesse sob um feitiço, ela se levantou. Suas pernas pareciam de chumbo. Sem dizer uma palavra, atravessou o corredor em direção ao seu quarto, com Pedro seguindo-a de perto, seus passos quase inaudíveis. Ela abriu a última gaveta da cômoda, a mais funda, como se estivesse abrindo um cofre de segredos. Lá, escondida atrás de lençóis de seda, estava uma bisnaga de lubrificante, meio usada. Suas mãos tremiam levemente ao pegar o tubo.
Sentando-se na beira da cama, ela untou um pouco do gel frio em seu ânus, um movimento mecânico, seu rosto uma máscara de conflito interno.
— Vamos — ela disse, sua voz agora um fio de som. — Coloque um pouco na ponta de seu pénis...
Pedro obedeceu com uma concentração solene, untando graciosamente a glande, seus olhos fixos no processo como um noviço em um ritual. Bia se deitou em decúbito ventral no lençol, expondo a curva de suas nádegas, enterrando o rosto no travesseiro para não ter que encarar a realidade do que estava prestes a acontecer.
— Seja meiguinho... — o pedido saiu abafado pelo tecido.
— Tranquila... vou meter devagar... — a voz de Pedro era estranhamente suave, quase reconfortante, o que tornava a situação ainda mais surreal.
A pressão inicial foi um choque. Bia sentiu a cabeça do pênis de Pedro romper o anel muscular do seu ânus e deu um suspiro profundo, um misto de dor aguda e uma sensação de preenchimento proibido.
— Ai... isso... devagar... — ela gemeu, suas unhas cravando no lençol.
Assim que o pênis se acomodou, a dor inicial começou a ceder, transformando-se em uma sensação estranha, intensa. Pedro, então, começou a mover-se, suas estocadas inicialmente cautelosas, depois ganhando ritmo e profundidade. Bia fechou os olhos com força. Era… prazeroso. De uma forma tortuosa, avassaladora e erótica que a fez esquecer momentaneamente de tudo: de ser mãe, de ser esposa, dos perigos. O prazer era tão intenso, tão proibido, que apagou o mundo exterior. Ela esqueceu completamente que Jorge, seu marido, estava a caminho de casa, seu horário de compromisso tendo terminado mais cedo.

A chave girou na fechadura da porta da frente sem que nenhum dos dois ouvisse. Jorge entrou silenciosamente, cansado após uma longa reunião. A casa estava estranhamente quieta, mas então ele ouviu. Ruídos abafados vindo do quarto principal. Um gemido baixo, o rangido ritmado da cama. Seu coração deu um salto, primeiro com confusão, depois com um frio gélido de suspeita.
Ele se aproximou da porta do quarto, seus passos fantasmas no carpete espesso. A porta estava entreaberta. O que ele viu pela fresta o paralisou. A visão de sua esposa, de bruços, e de seu próprio filho por cima dela, os corpos unidos em um ato de uma intimidade chocante e profana. Mas foi o que ele ouviu que realmente o perfurou: a voz de sua fiel mulher, rouca de prazer, gritando:
— Força... dá-me com força... ai, que bom...
Era a voz dela, inconfundível, mas transformada por uma paixão que ele nunca tinha ouvido dirigida a ele com tal intensidade crua. Uma onda de náusea, traição e uma excitação perversa e não convidada inundou Jorge. Ele recuou, afastando-se da porta como se tivesse sido queimado. Seus pés o levaram até o banheiro, onde ele trancou a porta e se apoiou na pia, sua respiração ofegante refletida no espelho. A cena se repetia em sua mente, nítida e torturante. A excitação involuntária, repugnante para ele mesmo, crescia, alimentada pelo tabu e pela intensidade do que testemunhara. Aquele prazer era tão intenso, tão visceral, que ele, envergonhado e confuso, sentiu a necessidade física de alívio. Com a mão trêmula, ele desceu o zíper e se entregou a um ato solitário e angustiado, a imagem da esposa e do filho queimando em seus olhos fechados.
Enquanto isso, no quarto, a tensão atingia seu clímax. Pedro, ofegante, sussurrou contra o pescoço de Bia:
— Vou gozar!
A voz de Bia respondeu, livre de qualquer hesitação agora, completamente tomada pelo momento:
— Goza... goza dentro, seu fudilhão...
E Pedro obedeceu, seu corpo estremecendo em espasmos violentos enquanto inundava o interior de Bia com seu líquido branco e quente. Depois, o silêncio caiu, pesado e carregado. Sem uma palavra, Pedro se retirou, se levantou e, vestindo-se rapidamente, saiu do quarto, deixando Bia deitada, imóvel, a realidade começando a voltar em ondas lentas e devastadoras.
O apartamento voltou ao silêncio. Um silêncio diferente, porém. Um silêncio que agora abrigava um segredo monstruoso, uma linha que nunca mais poderia ser desfeita, e a sombra de um marido que, do banheiro, limpava suas mãos com um pano, seu rosto pálido refletindo o conhecimento de uma verdade que destruiria para sempre a família que ele pensava conhecer. A noite estava apenas começando, e o prenúncio do caos pairava no ar, tão espesso quanto o segredo que agora unia mãe e filho, e isolava o pai em sua própria e silenciosa agonia.
O intruso
O quarto estava envolto em semi-penumbra, apenas uma lamparina de cabeceira lançava um círculo amarelado sobre a cama desarrumada. Quando Jorge empurrou a porta, já encontrou Bia completamente imersa no emaranhado de lençóis de algodão, como uma crisálida tentando se proteger de um mundo exterior que, naquele momento, parecia-lhe demasiado intrusivo.
— Vamos fazer amor... — sugeriu Jorge, a voz um fio de seda áspera no silêncio do quarto.
A pergunta de Bia pairou no ar, frágil e sem convicção.
— Agora?
A hesitação dela era palpável, uma barreira invisível que Jorge decidiu ignorar. Como ela não se resolvesse, não por indecisão, mas por um cansaço profundo da alma, Jorge tomou as dianteiras. Movimentos sorrateiros, calculados, sob a desculpa do desejo. Ele a envolveu, não num abraço, mas numa posição, e sem cerimônia, enterrou-se nela. Bia prendeu a respiração, os olhos fixos no teto onde as sombras dançavam, estranhas e desconhecidas.
Jorge continuava com as estocadas rítmicas, mecânicas. Um ato de posse, não de união. Uma leve humidade, não de prazer, mas de tensão, começou empapar os pintelhos do seu marido…. O quarto cheirava a suor e a sexo. Os ruídos eram os únicos a preencher o vazio — rangidos da cama, respiração ofegante de Jorge, o silêncio abissal de Bia.

Foi esse som, ecoando pelo corredor mal iluminado, que deu coragem a Pedro. Uma coragem nascida da curiosidade mórbida, da inveja ou de uma solidão que o consumia. A porta, que não estava totalmente fechada, cedeu sob a pressão de sua mão suada.
A cena que se desdobrou diante dele era de uma intimidade violada. Bia estava atravessada na cama, numa posição desconfortável, quase clínica. Seu queixo pendia para fora do colchão, a linha do pescoço tensa como um fio de aço. Quando seus olhos, vidrados, encontraram os de Pedro na entrada, um choque visível a percorreu. O embaraço, a humilhação e um pânico súbito misturaram-se no seu rosto pálido.
— Pedro! — a voz saiu rouca, um sussurro cortante. — Que estás fazendo aqui? Vá embora!
O comando era claro, um grito de socorro disfarçado de ordem. Mas Jorge, imerso em seu próprio egoísmo, interrompeu o ritmo por um segundo. Seu olhar, ao se voltar para Pedro, não tinha surpresa, apenas um brilho de permissividade doentia…
O ar no quarto parecia ter se solidificado, pesado e opressivo. Jorge, com os braços cruzados e um sorriso torto nos lábios, observava a cena com olhos que brilhavam de uma excitação doentia.
—"Pedro, chegue mais perto e enfie seu caralho na boca dela... faça essa puta chupar seu pau..."
Pedro sentiu o estômago embrulhar. Ele olhou para Bia, que estava sentada na borda da cama, os olhos vermelhos de terror, as mãos tremendo enquanto tentava segurar-se nos lençois da cama. Ela não parecia mais uma mãe e mulher fiel que ele conhecia; agora era apenas uma figura encolhida, uma sombra da pessoa que fora.
Jorge deu um passo à frente, sua sombra cobrindo Bia como um manto escuro.
—"Vamos, Pedro. Não seja covarde."

Pedro fechou os olhos por um segundo, tentando bloquear a realidade. Quando os abriu novamente, sua decisão já estava tomada. Ele fingiu concordar, movendo-se lentamente, suas mãos indo para a cintura de seus shorts.
—"Está bem, Jorge", murmurou Pedro, sua voz quase inaudível.
Ele tirou os shorts, o tecido caindo no chão sobre a carpete do quarto. Jorge riu baixinho, um som úmido e desagradável. Pedro se aproximou de Bia, seu corpo projetando uma sombra sobre ela. Ele podia ver o terror em seus olhos, a resignação silenciosa que a havia consumido.
Pedro se ajoelhou, apontando seu pênis em direção aos lábios de Bia. Ela fechou os olhos, uma lágrima solitária escorrendo por sua face suja. Jorge respirou fundo, esperando o momento de dominação que tanto ansiara.
—"Abra a boca, sua puta", rosnou Jorge.
Bia, com um tremor que percorreu todo seu corpo, finalmente abriu a boca. Pedro se inclinou para frente e Bia devorou aquele caralho erecto.
Que cena! … Jorge socando a buceta de Bia enquanto ela fazia barulhos de boquete no pau de Pedro…uma baba de seu cuspe caia na alcatifa a cada engasgo…
Jorge riu, deleitando-se com a cena. "Isso, assim mesmo! Mostre que ela é uma puta!"
O vento uivava do lado de fora, arranhando as vidraças como dedos ansiosos. Dentro, apenas a luz suave iluminava o quarto, projetando sombras dançantes nas paredes. O ar estava carregado de um perfume pesado, doce e intoxicante.
Bia estava deitada no centro da cama enorme, seu coração batendo como um tambor de guerra dentro do peito. A decisão havia sido tomada horas antes, agora, não havia volta.
Bia se aproximou primeiro, seus movimentos fluidos como os de uma serpente. Seus olhos, normalmente tão maternais, brilhavam com uma luz que eu nunca tinha visto antes—uma mistura de desejo e desafio. Ela pegou a mão de Pedro, nosso filho, e a guiou lentamente sobre o próprio corpo, ensinando-lhe os contornos que ele só tinha visto em fotografias antigas. Pedro hesitou por um momento, sua respiração presa, mas então seus dedos se curvaram, explorando a carne que o havia nutrido.
Do outro lado da cama, Jorge, meu marido, deslizou entre minhas pernas. Seu rosto estava sério, concentrado. Ele não me beijou, não disse uma palavra. Em vez disso, seus lábios encontraram minha pele com uma familiaridade que anos de matrimônio haviam forjado, mas com uma intensidade renovada, como se estivesse redescobrindo um território há muito esquecido.
Enquanto isso, Bia puxou o rosto de Pedro para o seu, e seus lábios se encontraram em um beijo que era ao mesmo tempo proibido e inevitável. Eu observei, minha própria respiração acelerando, enquanto ela oferecia seus seios ao filho, guiando sua boca para um mamilo que já havia alimentado sua infância. O paradoxo da cena era quase doloroso—a mesma fonte de nutrição agora se tornava fonte de prazer.
Jorge se reposicionou, e num movimento coordenado que sugeria um entendimento prévio entre eles, ele se colocou sob Bia, que estava agora sobre mim. Eu senti o peso dela, o calor de seu corpo, e então o movimento súbito quando Jorge a penetrou. Um gemido escapou dos lábios de Bia, um som que era metade dor, metade êxtase.
Sem perder o ritmo, Bia alcançou para trás e guiou Pedro para dentro dela. Eu podia ver os músculos de suas costas se tensionando, sua juventude contrastando com a maturidade do corpo que o recebia. A expressão em seu rosto era de descoberta pura, como se ele estivesse encontrando um pedaço de si mesmo que sempre faltara.
A dinâmica entre os trés corpos era como uma dança coreografada por demônios particulares. Bia ajustou-se ao ritmo, seus quadris encontrando os movimentos de Jorge, as mãos agarrando os lençóis. Observava os rostos ao meu redor—a concentração de Jorge, a descoberta estupefata de Pedro—.
Pedro, então, voltou sua atenção para Bia. Seus olhos encontraram os dela, e pela primeira vez naquela noite, havia luxúria. Mas era tarde demais para dúvidas. Quando o caralho de Pedro entrou em mim, foi com uma força que me tirou o fôlego. Não era apenas o tamanho—era a intensidade, a determinação quase violenta com que ele se movia, como se tentasse apagar anos de separação física em um único ato…
Cada estocada era uma afirmação, uma reivindicação. Minhas unhas cravaram-se em suas nádegas, marcando a carne que eu havia banhado quando criança. Os gemidos que escapavam de meus lábios não eram totalmente de prazer—havia angústia neles, um reconhecimento do abismo que estávamos cruzando.
Após alguns minutos, uma onda de calor começou a se formar em meu baixo-ventre, crescendo até se tornar incontrolável. Meu corpo arqueou, meus músculos se contraíram em torno dele, e eu fui levada a um orgasmo tão intenso que ultrapassou a realidade. O quarto parecía desaparecer, a luz, a chuva forte na vidraça e o vento—tudo se fundiu em uma sensação pura e eletrizante.
—"Ahhh! Isso!" gritei, minhas palavras ecoando no quarto. "Façam-me gozar seus cabrões!"
Meu filho Pedro, estimulado por meu grito, aumentou o ritmo. Eu podia sentir sua juventude, sua resistência, e uma parte de mim se perguntou quantas noites ele havia fantasiado com este momento. Quando ele finalmente gemeu:
—"Ai, mãe. Vou gozar!"—houve algo tão visceral na declaração que quase me fez chorar.
Senti suas mãos em meus seios, seus lábios em meus mamilos, e acima de tudo, a realidade esmagadora de que era meu filho quem me preenchia. Essa consciência, em vez de me repelir, me levou a um novo ápice. Meu corpo se tensionou mais uma vez, e quando ele ejaculou dentro de mim, eu o acompanhei em uma convulsão de prazer tão intensa que manchas coloridas dançaram diante de meus olhos fechados.
Para minha surpresa, ele não parou. Seu pau, ainda duro, continuou seu movimento dentro de mim, e eu fiquei deitada sob seu peso, deixando que a maré de sensações me levasse. Atrás de mim, Jorge continuava seu ritmo implacável, seu próprio desejo alimentado pela cena que se desenrolava diante dele…

A chuva batia contra as janelas do quarto, um tamborilar constante que se fundia com a respiração ofegante na sala iluminada apenas pelo brilho da pequena luz de candeiro. O ar cheirava a sexo intenso.


E então, no ápice dessa dança doentia, no último esforço sentindo o caralho de meu marido Jorge todo hirto dentro do meu cú e Pedro pulsando dentro da vagina, veio o clímax. Não foi prazer. Foi um terremoto da alma. Um intenso espasmo colectivo e simultâneo que não foi sobre união, mas sobre aniquilação — da mãe, da esposa, da mulher chamada Beatriz. Um grito rasgou minha garganta, mas não foi de prazer. Foi o som de algo dentro de mim quebrando irremediavelmente.
— “Puta que pariu…foda-se!”
Nossas pernas tremiam, sim, numa convulsão que parecia sísmica, interminável. Mas quando os tremores cessaram, o silêncio que se instalou foi mais aterrorizante que qualquer grito. Nossos corpos ardendo como um fogo na lareira a crepitar. A chuva continuou. Três pessoas estavam deitadas no leito incestual, a mãe Bia tinha desaparecido. No seu lugar, restava apenas um vazio gelado e a consciência nauseante do abismo que havíamos cruzado…
Eles adormeceram, exaustos. Eu fiquei deitada, olhando para as vigas escuras do teto. A convulsão orgásmica sideral tinha terminado. O que começara agora era outra coisa: o silêncio pesado da culpa, o horror lento da realização. O que fizemos? O que nos tornamos?
Algo gelou meu sangue mais do que qualquer vento, que o pior ainda não tinha começado. A porta do proibido e faminto havia sido aberta. E éramos nós três, unidos pelo nosso pecado, que iríamos alimentá-lo.
A última tentação não tinha sido o sexo. Tinha sido a perda completa de quem éramos. E o preço estava apenas começando a ser cobrado.
Quando finalmente nos separamos, o silêncio que preencheu o quarto foi mais pesado que qualquer som. A primeira luz do amanhecer começava a colorir as bordas das cortinas…
Nós nos deitamos ali, os trés, respirando em uníssono, nossos corpos ainda quentes e húmidos do suor e fluidos de sexo compartilhado. Nenhum de nós falou. Que palavras poderiam cobrir o que acontecera? Que explicação poderia justificar o cruzamento de fronteiras que nunca deveriam ser tocadas?
Eu olhei para o rosto de Pedro ao meu lado, seus traços juvenis suavizados pelo sono que começava a tomá-lo. Em seu pescoço, uma marca roxa—minha marca. E soube, com uma certeza que gelou meu sangue mesmo enquanto meu corpo ainda tremia com resquícios de prazer, que nada jamais seria o mesmo.
A porta que abríramos nesta noite não poderia ser fechada. E quando o sol finalmente surgisse, iluminando os corpos entrelaçados na cama, ele revelaria não uma família, mas quatro estranhos que haviam se perdido em um labirinto de seu próprio desejo.
Lá fora o vento continuou a uivar, mas agora soava menos como um aviso e mais como um lamento—um lamento por tudo o que havíamos sido e tudo o que, a partir daquela noite, nunca mais poderíamos ser…
O sol ainda não havia rompido completamente o horizonte quando me levantei. A casa estava em silêncio, um silêncio pesado que eu já não sentia há anos. Movia-me pela cozinha como um autómato: café no filtro, pão na torradeira, manteiga a amolecer no prato. Os gestos eram meus, mas a mente estava noutro lugar. Num lugar escuro, onde as palavras se tinham transformado em feridas e os beijos em transações.
Ouvi os passos descendo as escadas antes de os ver. Jorge, com o seu sorriso matinal, e Pedro, o nosso filho vinte e dois anos, ainda com os olhos inchados de sono. Vinham diretos a mim, como vinham todas as manhãs há demasiado tempo. Uma rotina que outrora fora doce, e que agora me enchia as entranhas de gelo.
Jorge inclinou-se, o seu hálito ainda carregado da noite anterior. Pedro fez o mesmo ao seu lado, um eco perfeito do pai. Os seus rostos aproximaram-se dos meus, expectantes.
E eu desviei-me.
Não foi um movimento brusco. Foi lento, deliberado. Um simples rodar do pescoço, como se olhasse para algo fascinante na janela. Os seus lábios encontraram apenas o ar vazio e o meu cabelo.
O silêncio que se seguiu foi mais estridente do que qualquer grito. Jorge endireitou-se, o sorriso desaparecido, substituído por uma confusão irritada. Pedro franziu o sobrolho, um reflexo adolescente de desdém.
— “Que se passa, Bia?” A voz de Jorge era áspera, um fio de ameaça por baixo da pergunta casual.
Respirei fundo. O cheiro do café pronto encheu a cozinha, um contraste absurdo com o veneno que ia sair da minha boca. Olhei para um, depois para o outro. O meu marido. O meu filho. Os dois pilares do meu mundo, que sem eu perceber quando, tinham-se transformado nas paredes da minha cela.
— “Vocês são nojentos.”
As palavras caíram como pedras num lago de óleo. Jorge empalideceu. Pedro soltou um riso curto, incrédulo.
— “O quê? Mãe, estás bem?” Pedro perguntou, mas o seu tom não era de preocupação. Era de desafio.
— “Nojentos,” repeti, a voz mais firme agora. “Metem-me nojo.”
Jorge avançou um passo, o seu rosto contraído numa máscara de fúria.
— “Explica-te, mulher. Isto é alguma crise da tua idade?”
Abanei a cabeça lentamente. Não era uma crise. Era um despertar. Lento, doloroso, mas finalmente completo.
— “Não sou a tua mulher, Jorge. E não sou a mãe dele, Pedro.” Apontei para o nosso filho, que agora olhava fixamente para mim com os olhos arregalados do pai. — “Sou a puta privada da família. É isso, não é?”
A expressão de Jorge confirmou tudo. Não era negação, era o choque de ser apanhado. Pedro olhou para o pai, e depois para mim, e algo na sua cara mudou. A arrogância deu lugar a uma compreensão horrível. Ele sabia. Talvez sempre tivesse sabido, num nível qualquer, e tivesse aprendido a normalizar o anormal.
— “Tudo o que faço,” continuei, a voz a tremer agora não de medo, mas de uma raiva purificadora, “é para servir vossos desejos…
O pequeno-almoço na mesa às sete. A roupa lavada e passada. O jantar quente quando chegam. E à noite…” Parei, tentando engolir a frase…sou a vossa puta. “À noite, sou o teu brinquedo, Jorge. E durante o dia, sou a empregada que cria o teu clone.” Olhei para Pedro. “E tu aprendeste a ver-me da mesma maneira, não aprendeste? A mulher que está aqui para te satisfazer. A mãe-puta.”
Jorge tentou recuperar o controlo.
— “Bia, estás a dizer disparates. Somos uma família. Isto é amor!”
— “Isto não é amor!” gritei, e o som fez os pratos na bancada tremerem.
— “Isto é posse! Isto é servidão disfarçada de carinho! Beijam-me não porque me querem, mas porque é o vosso direito matinal. Como beber o café. Como calçar os sapatos. Sou um objeto da casa.”
Recuei até à bancada, apoiando-me nela. A força que tinha tido para dizer aquilo estava a esvair-se, mas a convicção permanecia.
— “Não toquem mais em mim,” disse, baixinho.
— “Não me beijem. Não me peçam mais nada.”
Pedro abriu a boca para falar, mas fechou-a. Desviou o olhar, envergonhado ou zangado, eu não sabia. Jorge, porém, inflamou-se.
— “Então é assim? Depois de tudo o que fiz por ti? De te ter dado uma casa, um filho, uma vida?”
— “Uma vida?” ri-me, um som seco e sem humor.
— “Dá-me a minha vida de volta, Jorge. Dá-me a Bia que era antes de te conhecer. Essa já não a tenho há vinte anos.”
Peguei no casaco que estava pendurado na cadeira. Não tinha planeado isto. Não tinha feito uma mala. Mas sabia que se ficasse mais um minuto naquela cozinha, sob aqueles olhos, voltaria a ser engolida pelo papel que me tinham atribuído.
— “Para onde vais?” rugiu Jorge, quando me viram dirigir-me à porta da cozinha que dava para a garagem.
— “Não sei,” respondi, sem me virar. “Mas sei o que deixo para trás. Deixo a puta privada da família. Ela fica aqui convosco. Tentem fazer o pequeno-almoço sozinhos.”
Abri a porta. O ar fresco da manhã acariciou-me o rosto, e pela primeira vez em anos, não senti as mãos de nenhum homem a reivindicá-lo.
Não olhei para trás quando ouvi Jorge gritar o meu nome. Não olhei para trás quando Pedro, numa voz muito mais pequena, chamou “Mãe…”.
Saí. O sol da manhã estava finalmente a nascer, banhando o mundo numa luz cor de laranja pálida. Era uma luz fria, mas era limpa. Era minha.
Era apenas o primeiro passo. O mais difícil. O resto do caminho era uma incógnita, um abismo de possibilidades assustadoras. Mas era um abismo que eu ia escolher. Pela primeira vez em vinte anos, a escolha era minha.
A porta fechou-se atrás de mim com um clique suave, cortando o cordão umbilical de uma vida que não era vida, mas uma longa e silenciosa agonia disfarçada de rotina. A puta privada tinha acabado de se declarar em liberdade. E o thriller da sua nova vida, imprevisível e perigoso, estava apenas a começar...


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Ficha do conto

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Nome do conto:
A sombra do desejo

Codigo do conto:
253837

Categoria:
Incesto

Data da Publicação:
03/02/2026

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