— Pois não? Quem devo anunciar? — perguntou ele, com a voz contida típica de quem está acostumado a seguir protocolos.
Respirei fundo, tentando parecer mais confiante do que me sentia. — Irmã do capitão dentista Eduardo Alexandre… — disse, mantendo o tom suave mas firme.
O soldado franziu a testa por um instante, como se buscasse na memória. De repente, seus olhos iluminaram-se. — Ah, o Cruz! — exclamou, referindo-se ao último nome pelo qual os militares eram conhecidos na tropa. Um sorriso quase escapou dos meus lábios. Era verdade; na vida militar, Eduardo era o “Capitão Cruz”.
— Sim, ele é o Cruz — confirmei, acenando com a cabeça.
O soldado relaxou imediatamente, e um sorriso cordial surgiu em seu rosto. — Entre, menina! — disse, abrindo o portão. Em seguida, voltou-se para dentro do pátio e chamou: — É malta! Alguém leve a menina de jeep até o pavilhão de odontologia!
Não demorou para que um jovem militar, de uniforme impecável, se aproximasse com um jeep. Ele cumprimentou-me com um aceno respeitoso, mas não pude deixar de notar o olhar de admiração discreta que lançou ao meu corpo. Eu sabia que, além do apelido do meu irmão, meu “corpinho” — como Duda costumava gracejar — faria as honras da casa. Era inevitável; a atenção dos militares ao meu redor era palpável, alguns até deixaram o queixo cair, disfarçadamente. Mas tudo isso era parte do jogo, e eu estava determinada a ver meu irmão.
Subi no banco traseiro do jeep, agradecendo internamente por não ter de enfrentar aquelas ladeiras íngremes a pé. O motor rugiu, e em poucos minutos estávamos diante do pavilhão onde Eduardo trabalhava. Quando o veículo parou, a porta do edifício abriu-se e lá estava ele, de branco imaculado, com a expressão surpresa que eu tanto esperava.
— Que surpresa! O que vieste fazer aqui tão longe? — perguntou, abraçando-me com força.
— Queria ver como estavas… — respondi, retribuindo o abraço.
Eduardo soltou uma risada, percebendo que precisava justificar minha presença perante os colegas que observavam a cena com curiosidade. Afastou-se um passo e, com um tom teatral, anunciou:
— Pessoal, sei que têm mentes perversas… mas esta é mesmo a minha irmã! Podem cumprimentá-la… contudo, nada de beijos na boca!
Os colegas riram, e alguns aproximaram-se para cumprimentar-me com apertos de mão cordiais. Eu sabia que meu irmão estava a brincar, mas também conhecia o seu lado protetor. No fundo, ele adorava exibir sua irmã, mesmo que fosse apenas para provocar uma leve inveja entre os amigos.
No entanto, minha visita não era apenas social. Assim que conseguimos um momento a sós, no consultório dele, expliquei o real motivo. — Edu, preciso da tua ajuda — disse, abrindo um sorriso que revelava os dentes da frente. — Os incisivos… a massa de porcelana caiu. E eu só confio em ti para arranjar isso.
Eduardo examinou-me com o olhar clínico de dentista, mas também com a ternura de irmão. — Claro, Natty. Vamos resolver isso. Mas primeiro, conta-me tudo sobre a tua vida. Como estão os pais?
Passamos a tarde conversando, entre lembranças de infância e planos para o futuro. Ele conseguiu agendar um procedimento rápido para restaurar meus dentes, usando a influência que tinha no hospital. Enquanto isso, eu sentia-me grata não apenas pela habilidade profissional dele, mas pelo laço que nos unia, capaz de transpor até as barreiras mais rígidas, como os portões de um hospital militar.
Ao final do dia, ao sair do hospital, levei comigo não apenas um sorriso renovado, mas a certeza de que, independentemente das circunstâncias, a família sempre encontraria um jeito de se reunir — mesmo que fosse preciso um pouco de charme e um jeep militar para isso.
Um enfermeiro muito competente!
O gabinete do dentista cheirava a limpeza e a desinfetante, um aroma que sempre me acalmou. Sentada na cadeira de dentista, olhava para o teto branco enquanto meu irmão, o capitão Cruz, preparava os instrumentos. Ele era um enfermeiro dentário excepcionalmente competente, e eu só confiava nele para cuidar dos meus dentes. Desde crianças, sempre tivemos essa conexão especial.
"Vem", disse Duda, usando o apelido de infância que só eu podia usar. "Agora vou usar o ultrassom, não vai doer nada."
Senti o leve zumbido do aparelho contra meus dentes enquanto ele removia com precisão o cálculo dental acumulado. Suas mãos eram firmes, mas gentis. Eu estava completamente relaxada, confiante em suas habilidades. Quando terminou, ficamos conversando, relembrando nossas travessuras de criança.
"Sabes, mana", disse ele de repente, com um tom mais suave. "Tô com vontade de chupar seus seios."
Fiquei surpresa, mas não chocada. "Tá louco? Isso foi quando éramos moleques, agora não tem isso não. Porque você não procura uma namorada?"
"Vá lá, maninha", insistiu ele, com um sorriso que conhecia desde sempre. "Sei que você gosta também."
Suspirei, sentindo uma mistura de nostalgia e algo mais. "Ok, fazer o quê... Mas cuidado, elas estão muito sensíveis."
Não posso ignorar que foi prazeroso sentir meu irmão me chupar os seios. Havia uma intimidade nesse ato que transcendia o convencional, uma conexão que só existia entre nós. Além do mais, eu era uma mulher livre, dona das minhas escolhas.
"Será que posso meter dentro da buceta?", ele perguntou, hesitante. "Você toma a pílula?"
"Ai, Duda", respondi, balançando a cabeça. "Você tá ficando abusado. Sim, tomo a pílula, mas é esquisito você gozar dentro de sua irmã..."
"Ninguém precisa saber", ele sussurrou, aproximando-se. "E além do mais, sempre soube que tinhas uma buceta espetacular."
E lá me convenceu. Deitei-me de bruços na cadeira de dentista, sentindo o frio do couro contra minha pele. Esperei, respirando fundo, até sentir seu membro entrar em mim.
"Hummm... Duda", murmurei. "Você tem o melhor caralho do mundo."
"É só que tô ficando velho", ele respondeu, ofegante. "E não aguento muito sem gozar. Desculpa, maninha."
"Não tem problema", disse eu, puxando seus glúteos de encontra mim. "Goze quando lhe der na gana."
"Mana... vou gozar... gozaaaaaar!"
Senti o calor de sua ejaculação dentro de mim. "Que leitinho quente... você me deixa doida."
Depois, levantamo-nos e limpamo-nos como se nada tivesse acontecido. Ao sair do gabinete, os soldados fizeram-me a continência, tratando-me como um oficial superior. Duda piscou o olho para eu aceitar as honras. Conduziram-me até ao portão num jipe, com a dignidade reservada a altas patentes.
Ficou combinado que eu iria ver a casa que meu irmão tinha na Quinta das Lágrimas. Ficaria mais uns dias na bela cidade de Coimbra, onde as memórias da infância se entrelaçavam com os segredos do presente.
Enquanto o jipe percorria as ruas de paralelepípedos, olhei pela janela, refletindo sobre o que acontecera. Havia algo profundamente complexo na relação com meu irmão—uma mistura de afeto familiar, intimidade proibida e cumplicidade inabalável. Em Coimbra, cidade de estudantes e tradições, nossos segredos pareciam encontrar um espaço próprio, escondidos atrás das fachadas históricas e dos jardins sombrios.
A Quinta das Lágrimas esperava por mim, com seus mistérios e suas histórias não contadas. E eu, entre a lealdade familiar e os desejos secretos, seguia adiante, carregando dentro de mim tanto o peso quanto a leveza do que compartilhávamos.
Uma experiencia QUEER!
A sexta-feira chegou com aquela luz baixa e dourada do fim de tarde, anunciando o fim da semana. A mala ainda na mão, toquei a campainha da casa do meu irmão, o Eduardo, o Duda. A porta abriu-se, mas não foi a cara familiar dele que vi. Em seu lugar, estava uma mulher jovem, alta e fardada com o uniforme azul-escuro e impecável da Força Aérea Portuguesa. A farda, justa e elegante, conferia-lhe um ar de autoridade serena.
“O Eduardo vem mais tarde, mas podes entrar. Sou a Andreia”, disse, com um sorriso fácil que chegou aos olhos. Deixei-me levar pela corrente, entrando no hall.
Era bonita, de uma beleza que prendia o olhar. Cabelos negros, uma cascata de caracóis naturais e brilhantes que lhe caíam abaixo dos ombros. Os lábios, de um tom rosado-marrom tão rico que dispensava qualquer batom, contrastavam com a pele clara. Tinha traços suaves, um algo de asiático nos ossos das faces altas e nos olhos amendoados, um pouco rasgados, de um castanho tão escuro que pareciam negros. Havia nela uma mistura de doçura e força.
Seguimo-nos para a sala, um espaço acolhedor e um pouco desarrumado, típico do Duda. Ela ligou a televisão, mas o murmúrio das notícias rapidamente se tornou um ruído de fundo insignificante. Desligou-a. O silêncio que se seguiu não era incómodo, mas espesso, carregado de uma curiosidade não verbalizada. A conversa fluiu, leve a princípio, sobre a base aérea, sobre como conhecera o Cruz – era assim que ela, por vezes, se referia ao Eduardo. “Vamos ver até onde isto nos leva”, disse, com um encolher de ombros que era ao mesmo tempo esperançoso e cético.
Foi então que os nossos olhos pousaram numa caixa esquecida sobre uma estante: um *Pictionary*, mas a versão *sexy*. Um sorriso cúmplice passou entre nós. Por que não? As primeiras jogadas foram hilariantes, desastradas, cheias de risos constrangidos. Mas, com cada desenho mal feito, com cada tentativa de adivinhar palavras de duplo sentido, o clima na sala foi mudando. O ar pareceu ficar mais quente, mais pesado. O riso deu lugar a olhares mais demorados, a pausas mais longas. Uma tensão deliciosa e perigosa instalou-se. Ambas sentíamo-lo – um calor, uma *tusa*, como se diz, que crescia e nos deixava inquietas.
Andreia quebrou o silêncio, recostando-se no sofá e disse:
“Pena que não esteja aqui um caralho para nos tirar este calor”, gracejou, o tom de voz baixo e carregado de uma ironia que não escondia o deseho.
O coração bateu-me mais forte.
“Há alternativas”, retorqui, a voz mais firme do que eu esperava.
O olhar dela escrutinou-me.
“Eu sei… já experimentei, mas foi há muito tempo.”
“Ora, isso é como andar de bicicleta. Nunca se perde a prática.”
Foi então que ela se inclinou para a frente, os olhos negros a fixarem-me com uma intensidade pícara e desafiadora. “Mostra-me”, pediu, quase num sussurro.
Um nó formou-se na minha garganta. “Tens a certeza?”
Um sorriso lento abriu-se nos seus lábios. “Ah, o Edu não precisa de saber, claro.”
E, antes que pudesse processar o significado completo daquelas palavras, os seus lábios estavam sobre os meus. Não foi um beijo tímido ou exploratório. Foi um beijo profundo, afirmativo, de língua, que me percorreu como um choque elétrico, desde a nuca até à base da espinha. Um estremecimento involuntário percorreu-me o corpo. Naquele instante, num turbilhão de sensações, pensei: *Meninas, foi assim. Foi assim que percebi, que soube que eu virara bixessual.*
Andreia não parava. Cada beijo era uma provocação, uma pergunta e uma resposta ao mesmo tempo. As suas mãos encontraram o meu rosto, depois os meus cabelos. Eu respondia, perdida naquele sabor, na textura dos seus caracóis entre os meus dedos. A atração física era uma corrente avassaladora, e eu sentia-me molhada, tão excitada que quase doía. Ela parecia sentir o mesmo, o seu corpo a pressionar contra o meu.
“É melhor a gente se despir”, murmurou ela, rompendo o beijo, a respiração acelerada.
“Sim”, consegui articular. “Quero… quero fazer a tesoura contigo.”
Ela sorriu, um sorriso de compreensão total. Sabíamos ambas que aquela posição, íntima e igualitária, era um território conhecido, um símbolo de prazer partilhado entre mulheres. A vergonha dissipara-se, substituída por uma urgência avassaladora.
No sofá, depois no chão sobre uma manta, os corpos entrelaçaram-se. A sua pele era suave, quente. Os gemidos dela, baixos no início, tornaram-se mais altos, mais desesperados.
“Foda-se… hum, bom… come-me… come-me”, gemia, os dedos cravando nas minhas costas.
O meu próprio prazer era uma onda crescente, alimentada pelos seus sons, pelo toque dela.
“Ai… que vais fazer-me gozar… vou gozar!”, anunciei, perdendo o controlo, submersa na sensação pura.
Foi nesse exato momento de clímax partilhado, de absoluta vulnerabilidade e êxtase, que o mundo exterior invadiu o nosso universo privado. Nenhuma de nós ouviu a chave na fechadura, os passos silenciosos no hall. Mas ouvimos, ou antes, *sentimos*, uma presença.
Eduardo, meu irmão, estava em casa. E, ao deparar-se com o silêncio carregado e depois com os gemidos abafados, subiu as escadas que levavam à sala de estar com uma lentidão mortal. Não chamou. Não tossiu. Ficou parado no patamar superior, na penumbra, e espiou. Deixou-nos terminar, deixou a onda de prazer rebentar e recuar, na sua crueza e verdade. Só então, com um som quase impercetível, se retirou.
O ar gelou instantaneamente. O prazer transformou-se em algo pesado e vergonhoso. Vestimo-nos em silêncio, evitando os olhares umas da outras. O jantar que se seguiu foi uma tortura. O Duda estava estranhamente calmo, cortês, mas os seus olhos evitavam os de Andreia e, por extensão, os meus. A tensão entre eles era palpável, um fio elétrico prestes a faiscar.
Depois da sobremesa, a discussão eclodiu na cozinha. Vozes baixas, mas cortantes. Não consegui distinguir as palavras, apenas o tom de raia contida e profunda deceção dele, e a defensiva, quase desafiadora, dela. Não consegui pregar olho naquela noite. A culpa, pesada e acre, instalou-se no meu peito. Tinha traído a confiança do meu irmão. Tinha-me deixado levar por um impulso incontrolável.
Na manhã seguinte, muito cedo, ainda o sol não aquecia completamente o chão, ouvi a porta da frente fechar-se com um clique suave. Andreia tinha ido embora, sem alarido, sem deixar recado.
Encontrei o Eduardo na cozinha, a olhar para uma chávena de café frio. Aproximei-me, o coração aos saltos.
“Edu… desculpa. Sinto-me tão culpada. Não sei o que me deu.”
Ele ergueu os olhos. Não havia raiva neles, apenas um cansaço profundo, uma desilusão que me cortou mais fundo que qualquer grito. “Desculpa, Natty, mas sobre isso… não me apetece falar, ok?”
Vi-me a sair da cozinha. “Duda” estava magoado. Magoado porque, no seu entendimento, eu lhe tinha “comido a namorada”. E, num nível mais primitivo, talvez fosse verdade. Mas, ao mesmo tempo, uma parte de mim refletia, confusa: Andreia era uma timorense deslumbrante, sim. Tinha sido intenso, bom, inegavelmente. E ela… ela estava a pedi-las, ela mergulhou de cabeça naquilo. A culpa era toda minha, por ela não lhe ter permanecido fiel? Isso, pensava eu enquanto arrumava as minhas coisas para ir embora, era absurdo. A fidelidade partia-se de dentro para fora. Andreia, na sua busca, na sua coragem ou na sua confusão, mostrara-me algo. Talvez não fosse uma “falsa hetero”. Talvez fosse simplesmente alguém, como eu naquele momento, a descobrir que o coração – e o corpo – podem falar uma língua que a mente ainda não sabe nomear. A consequência, porém, era real: um irmão magoado, um romance desfeito e uma mancha de culpa que, sabia eu, levaria tempo a desvanecer-se.