Depois não se queixe II (continuação)

Visitando meu irmão
Desde cedo lá em casa todos chamava-mos nosso irmão Eduardo de “Duda” e “Duda ficou…
Mas primeiro quero fazer uma advertêmcia:
Para as leitroras desatentas, eis o resumo do último episódio
A minha irmã Carla, com a sua doçura envenenada, ligou-me para uma "confissão". Disse-me, com um sorriso na voz, que estava grávida. Parabéns, pensei eu, até ela soltar a bomba: "Do teu ex." Desliguei-lhe o telemóvel na cara. O mundo desmoronou-se, mas, no fundo, eu já sabia. Jonas, o meu ex-marido, e Carla sempre tiveram aquela química perigosa, mesmo depois do nosso divórcio. E eu, como uma tola, confiava nela. Afinal, éramos irmãs, não é? Partilhámos segredos, risos, e até algumas travessuras no passado – coisas de swing, de noites loucas que guardo para outros capítulos. Mas isto… isto foi a facada final.
Agora, deixem-me contar-vos como tudo começou. Porque esta história não é só sobre traição; é sobre como nos colocamos a jeito, como baixamos a guarda com quem mais devíamos desconfiar. E talvez, no fim, eu ainda tenha de agradecer à Carla por me ter roubado o meu homem. Soa absurdo, não soa? Mas é a verdade. Daqui nasceu uma mulher queer e bissexual, com o relógio biológico a despertar para novas possibilidades. Beijos, Natália.---
A Traição Entre Irmãs: Um Aviso Para Quem Confia Demais
Este conto é um aviso, um manual cruel da vida real, para que não vos aconteça o mesmo. É o vislumbre de como me coloquei a jeito, confiando cegamente na minha própria irmã. Depois, não me devia queixar, dizem. Parece triste, mas se calhar, um dia, ainda vou ter de agradecer à minha irmã por me ter roubado o meu homem. No entanto, fiquei mal. E, no meio dos escombros, nascia uma mulher queer, bissexual, com o relógio biológico a despertar num grito de revolta. Beijos, Natália.
Para as leitoras mais desatentas, aqui vai um breve resumo do último episódio:
O telemóvel vibrou. Era ela. "Oi, maninha, tudo bem?… Posso fazer-te uma confissão?", perguntou a voz doce e traiçoeira de Carla. Eu, meio curiosa, sempre quis ouvir o que aquela metida tinha na manga. "Fala… mas não incomodes", respondi, seca.
E a minha irmã Carla começou a desenrolar a teia.
— Tou grávida!
— Parabéns! — disse, automática, ainda não percebendo o abismo que se abria.
— Não estás a ver…? — insistiu ela, com uma ponta de provocação.
— Então?
E logo soltou a frase que me deixou sem chão, sem ar, sem jeito:
— Do teu ex.
"Plim." Desliguei-lhe o telemóvel na tromba. O mundo desfocou-se. Como era possível? Acreditava ter tudo resolvido com o meu passado. Jonas, o meu ex-marido, já não me dizia nada, além dos dois filhos lindos que me deixara. A nossa história estava arquivada. Ou assim pensava.
Sabia, claro. Sabia que Carla e Jonas não tinham um caso assumido, mas também sabia que não era a primeira vez que aquela vaca trepava com ele às escondidas. Éramos, ambas, vadias assumidas, a vida era uma festa. Até fizemos swing juntas, episódios que guardo para cenas futuras, quando a ferida não estiver tão aberta. Mas isso era suposto ser entre irmãs, um pacto. Não uma facada nas costas enquanto eu olhava para o outro lado.
Agora, estava mesmo fodida. O dia estava estragado antes mesmo de começar. O ar de casa pesava. Precisei de sair, de ruído, de anonimato. Fui a um bar pequeno, desses de bairro, que tinha ali perto. O cheiro a café velho e madeira envernizada acolheu-me. Um moço simpático, de sorriso fácil, veio servir. Pedi uma água tónica e um café forte. A bebida amarga combinava com o gosto na minha boca.
Enquanto o tempo passava, num ritmo pesado e lento, tentava esquecer. Ou quiçá, talvez lembrar. Reconstruir os fios que não quis ver. Lembrei-me de como descobrira, não por acaso, mas pela cumplicidade que outrora nos unia. A cumplicidade entre irmãs é fantástica, até se voltar contra ti. Carla, com a sua língua solta após uns copos, acabava sempre por me contar tudo. E foi assim que soube dos encontros "inocentes".
O café da perdição!
Um dia Jonas ligou para a redação para combinar um café…a principio um inofensivo café com sua cunhada…
—"Carlal
—“Que surpresa Jonas!
—“Não…desculpa incomodar mas é para dizer que deixaste cá os teus brincos em casa!
—A serio?
—Sim no domingo passado quando estiveste cá em casa com teu marido…
—Ah, já me lembro coloquei em cima da mesa de cabeçeira, Rogério estaba com sono e acabei esquecendo-me deles…
—Pois mas sabes como é a tua irmã, ficou furiosa e discutimos!
—Foda-se por uma merda dessas? —Olha não queres passar aquí na redação e tomava um café contigo!
—Não gosto muito de ir no teu trabalho!
—Deixa-te de merdas, qaundo chegares mandas ligar para a minha extensão que eu desco logo!
—Combinado…dá-me meia hora…
—Beijos, te espero…
Jonas deixa o carro estacionado no parque do jardín a dois quarteirões dalí, por causa de merdinhas…ele não quería falatório no trabalho da sua cunhada…
E chegando na entrada a porteira perguntou…
—Ah…sim…será que a senhora podería ligar para a “Edicão 4”…
“Porteira”—Claro, só um momento…
Enquanto Mónica a porteira chamava Carla, Jonas não podía deixar de reparar na bela visão do seu par de mamas que o decote da blusa azul proporcionava…
“Que bela punheta de mamas me fazias linda” — eram seus pensamentos dos quais em vão tentava afastar…tão absorto ele estaba que nem reparou na porta do elevador se abrir…e Carla vendo-o não perdeu oportunidade…
—Mónica tem namorado e ele joga kick-boxing…
Jonas ficou mudo e tentou disfarçar…andaram um pouco e acharam um café tranquilo…
—Muito gentil…— disse Carla por este com uma atitude cavalharesca puxar a cadeira para que esta se sente…
Minha irmã Carla com suas trinta e oito primaveras, tinha um corpo espectacular e era natural que qualquer homem se entesuasse come la, em especial uma piça grande como Jonas…
Com o sem intenção Carla cruzava e descruzava as pernas o que inquietava Jonas… o caralho de Jonas começou a crescer descontroladamente e a cabeça a enrrodilharse com os pintelhos…
—Passa-se alguma coisa? — Inquiriu ela…
—Nada…em vão dizia Jonas…
—Não queres dizer?
—Toma estão aquí os brincos… e Carla aceita estendendo-lhe as mãos…
Mas puta que pariu…assim que Jonas sente as mãos de sua cunhada…liberta um:
—Foda-seeee!
—O que foi…estás bem…
—Coisas de homem… para de descruzar as pernas…senão fico sem pintelhos!
—Não me digas! — quero ver isso…
—Não Carla…eu prometi a mim mesmo…
—Eu não digo à Natty!
—Que se foda… tenho o caralho todo emaranhado nos pintelhos…
—Uau! — Queres ir num hotel!
—É muito caro!
—Então vamos numa pensão de quinta…mas temos de resolver isso!
—Desculpa Carla, acho que tou apenas deslumbrado com teu corpo, mas isto passa!
—Que nada…não sejas tonto…sem uma boa foda isso não passa…
E lá foram eles na pensão Kanimambu… que era uma pensão onde por vezes ia putedo… aquel putedo de fodas de meia hora que recebe homens para descarregar a rebarba da semana… e minha irmã Carla sabia-o mas tava nem aí…
—Bates só uma punheta e vamos embora! — disse ele tentando não envolver-se…
—Nada disso… tás com pena dela agora?
—É tua irmã!
—Então Jonas ajuda-me com o cinto! — dizia Carla a medida que se desnudava e retirava as calças dele…libertando o emaranhado de pintelhos direcionou o caralho dele na sua boa saudando-o com a língua…
—Humm ….Mmmmm Maaahmmm…imediatamente caiu de boca…
—Foda-seeee… que bom que chupas!
—Pessoas como minha irmã é que teem culpa deixarem os homens andarem assim cheios de rebarba… estão mesmo a pedir um par de cornos…
Jonas fica em pé de frenta para Carla!
—A gente pode tentar o anal, contudo duvido qu ese caralho entre!
Jonas posiciona-se e Carla deitada na cama dobra os joelhos… mesmo sendo uma puta fudilhona não sei como mas seu cú seguía apertadinho…
—Ai ….ai arg… foda-seee…não Jonas não dá… isso nunca vai entrar… vamos mete na minha cona….
Carla não estava tomando nada para evitar a gravidez, era o mês de fazer descanço da pílula, mas não de fuder… o clima que rolava era impenssável parar agora… ela não estava sendo honesta com ele… contudo o seu desejo de fuder e de satisfacer seu cunhado era enorme…
Algumas estocadas em posição de missionário a cama rangia que parecía um filme de terror e a sua cona parecía uma cambra de ar de bicicleta fazendo barulhos de foda a cada vez que Jonas enfiava com vigor sua enorme verga…
“Choca…choca…choca…choca”…era o som da cona toda empapada…
—Ah meu heroi… fode campeão… rebemta-me toda…
Jonas lambia-lhe as tetas, um beijo molhado de Carla o puseram a mil e ambos atingiram o orgarmo…
—Ai…. Arg…desculpa…
—Vai…despeja tudo…
Ambos estremeceram- enquantos o semem de Jonas lhe recheava o útero…
Cairam estirados sobre a cama…mas o penis de Jonas ainda daba uns sulavancos…subindo e descendo…
—Tenho de drenar isso…e dizendo isso Carla iniciou uma puta mamada só parando quando este lhe enche a boca de porra…
—Foda-seee…quase que sufoquei! — se queixou ela…
—Bem vamos embora…
E foi assim que Carla emprenhou de Jonas… Claro que foi um filme em casa Rogério, o marido, saiu porta fora…
—Putaaa… — gritou ele quando soube…
Eu estava quase deprimida e tive de fazer umas férias em Ibiza para esquecer tudo isso…agora que estou melhor regressei a Portugal…
A irmão do capitão Cruz!
A chegada a Coimbra foi marcada por uma ansiedade doce e familiar. Após desembarcar do trem, minha primeira missão foi encontrar meu irmão, Eduardo. Em casa, sempre o chamávamos de “Duda”. Agora, Duda era um dentista respeitado, um homem que fazia de tudo um pouco, mas com um detalhe crucial: ele trabalhava no Hospital Militar. E eu, sua irmã civil, tinha um desafio pela frente. Sabia que civis não eram permitidos com facilidade naquelas instalações. Restava-me invocar um pouco de astúcia e, quem sabe, os dotes do meu corpo esbelto, que sempre fora motivo de para deixar os homens doidos, para conseguir entrar.
Ao aproximar-me do portão principal do Hospital Militar de Coimbra, senti o peso da estrutura imponente. O ar estava carregado de formalidade. Um soldado de plantão, jovem e de postura rígida, interceptou-me com um olhar inquisitivo.

— Pois não? Quem devo anunciar? — perguntou ele, com a voz contida típica de quem está acostumado a seguir protocolos.
Respirei fundo, tentando parecer mais confiante do que me sentia. — Irmã do capitão dentista Eduardo Alexandre… — disse, mantendo o tom suave mas firme.
O soldado franziu a testa por um instante, como se buscasse na memória. De repente, seus olhos iluminaram-se. — Ah, o Cruz! — exclamou, referindo-se ao último nome pelo qual os militares eram conhecidos na tropa. Um sorriso quase escapou dos meus lábios. Era verdade; na vida militar, Eduardo era o “Capitão Cruz”.
— Sim, ele é o Cruz — confirmei, acenando com a cabeça.
O soldado relaxou imediatamente, e um sorriso cordial surgiu em seu rosto. — Entre, menina! — disse, abrindo o portão. Em seguida, voltou-se para dentro do pátio e chamou: — É malta! Alguém leve a menina de jeep até o pavilhão de odontologia!
Não demorou para que um jovem militar, de uniforme impecável, se aproximasse com um jeep. Ele cumprimentou-me com um aceno respeitoso, mas não pude deixar de notar o olhar de admiração discreta que lançou ao meu corpo. Eu sabia que, além do apelido do meu irmão, meu “corpinho” — como Duda costumava gracejar — faria as honras da casa. Era inevitável; a atenção dos militares ao meu redor era palpável, alguns até deixaram o queixo cair, disfarçadamente. Mas tudo isso era parte do jogo, e eu estava determinada a ver meu irmão.
Subi no banco traseiro do jeep, agradecendo internamente por não ter de enfrentar aquelas ladeiras íngremes a pé. O motor rugiu, e em poucos minutos estávamos diante do pavilhão onde Eduardo trabalhava. Quando o veículo parou, a porta do edifício abriu-se e lá estava ele, de branco imaculado, com a expressão surpresa que eu tanto esperava.
— Que surpresa! O que vieste fazer aqui tão longe? — perguntou, abraçando-me com força.
— Queria ver como estavas… — respondi, retribuindo o abraço.
Eduardo soltou uma risada, percebendo que precisava justificar minha presença perante os colegas que observavam a cena com curiosidade. Afastou-se um passo e, com um tom teatral, anunciou:
— Pessoal, sei que têm mentes perversas… mas esta é mesmo a minha irmã! Podem cumprimentá-la… contudo, nada de beijos na boca!
Os colegas riram, e alguns aproximaram-se para cumprimentar-me com apertos de mão cordiais. Eu sabia que meu irmão estava a brincar, mas também conhecia o seu lado protetor. No fundo, ele adorava exibir sua irmã, mesmo que fosse apenas para provocar uma leve inveja entre os amigos.

No entanto, minha visita não era apenas social. Assim que conseguimos um momento a sós, no consultório dele, expliquei o real motivo. — Edu, preciso da tua ajuda — disse, abrindo um sorriso que revelava os dentes da frente. — Os incisivos… a massa de porcelana caiu. E eu só confio em ti para arranjar isso.

Eduardo examinou-me com o olhar clínico de dentista, mas também com a ternura de irmão. — Claro, Natty. Vamos resolver isso. Mas primeiro, conta-me tudo sobre a tua vida. Como estão os pais?

Passamos a tarde conversando, entre lembranças de infância e planos para o futuro. Ele conseguiu agendar um procedimento rápido para restaurar meus dentes, usando a influência que tinha no hospital. Enquanto isso, eu sentia-me grata não apenas pela habilidade profissional dele, mas pelo laço que nos unia, capaz de transpor até as barreiras mais rígidas, como os portões de um hospital militar.

Ao final do dia, ao sair do hospital, levei comigo não apenas um sorriso renovado, mas a certeza de que, independentemente das circunstâncias, a família sempre encontraria um jeito de se reunir — mesmo que fosse preciso um pouco de charme e um jeep militar para isso.
Um enfermeiro muito competente!
O gabinete do dentista cheirava a limpeza e a desinfetante, um aroma que sempre me acalmou. Sentada na cadeira de dentista, olhava para o teto branco enquanto meu irmão, o capitão Cruz, preparava os instrumentos. Ele era um enfermeiro dentário excepcionalmente competente, e eu só confiava nele para cuidar dos meus dentes. Desde crianças, sempre tivemos essa conexão especial.
"Vem", disse Duda, usando o apelido de infância que só eu podia usar. "Agora vou usar o ultrassom, não vai doer nada."
Senti o leve zumbido do aparelho contra meus dentes enquanto ele removia com precisão o cálculo dental acumulado. Suas mãos eram firmes, mas gentis. Eu estava completamente relaxada, confiante em suas habilidades. Quando terminou, ficamos conversando, relembrando nossas travessuras de criança.
"Sabes, mana", disse ele de repente, com um tom mais suave. "Tô com vontade de chupar seus seios."
Fiquei surpresa, mas não chocada. "Tá louco? Isso foi quando éramos moleques, agora não tem isso não. Porque você não procura uma namorada?"
"Vá lá, maninha", insistiu ele, com um sorriso que conhecia desde sempre. "Sei que você gosta também."
Suspirei, sentindo uma mistura de nostalgia e algo mais. "Ok, fazer o quê... Mas cuidado, elas estão muito sensíveis."
Não posso ignorar que foi prazeroso sentir meu irmão me chupar os seios. Havia uma intimidade nesse ato que transcendia o convencional, uma conexão que só existia entre nós. Além do mais, eu era uma mulher livre, dona das minhas escolhas.
"Será que posso meter dentro da buceta?", ele perguntou, hesitante. "Você toma a pílula?"
"Ai, Duda", respondi, balançando a cabeça. "Você tá ficando abusado. Sim, tomo a pílula, mas é esquisito você gozar dentro de sua irmã..."
"Ninguém precisa saber", ele sussurrou, aproximando-se. "E além do mais, sempre soube que tinhas uma buceta espetacular."

E lá me convenceu. Deitei-me de bruços na cadeira de dentista, sentindo o frio do couro contra minha pele. Esperei, respirando fundo, até sentir seu membro entrar em mim.
"Hummm... Duda", murmurei. "Você tem o melhor caralho do mundo."
"É só que tô ficando velho", ele respondeu, ofegante. "E não aguento muito sem gozar. Desculpa, maninha."
"Não tem problema", disse eu, puxando seus glúteos de encontra mim. "Goze quando lhe der na gana."
"Mana... vou gozar... gozaaaaaar!"
Senti o calor de sua ejaculação dentro de mim. "Que leitinho quente... você me deixa doida."
Depois, levantamo-nos e limpamo-nos como se nada tivesse acontecido. Ao sair do gabinete, os soldados fizeram-me a continência, tratando-me como um oficial superior. Duda piscou o olho para eu aceitar as honras. Conduziram-me até ao portão num jipe, com a dignidade reservada a altas patentes.
Ficou combinado que eu iria ver a casa que meu irmão tinha na Quinta das Lágrimas. Ficaria mais uns dias na bela cidade de Coimbra, onde as memórias da infância se entrelaçavam com os segredos do presente.
Enquanto o jipe percorria as ruas de paralelepípedos, olhei pela janela, refletindo sobre o que acontecera. Havia algo profundamente complexo na relação com meu irmão—uma mistura de afeto familiar, intimidade proibida e cumplicidade inabalável. Em Coimbra, cidade de estudantes e tradições, nossos segredos pareciam encontrar um espaço próprio, escondidos atrás das fachadas históricas e dos jardins sombrios.
A Quinta das Lágrimas esperava por mim, com seus mistérios e suas histórias não contadas. E eu, entre a lealdade familiar e os desejos secretos, seguia adiante, carregando dentro de mim tanto o peso quanto a leveza do que compartilhávamos.

Uma experiencia QUEER!
A sexta-feira chegou com aquela luz baixa e dourada do fim de tarde, anunciando o fim da semana. A mala ainda na mão, toquei a campainha da casa do meu irmão, o Eduardo, o Duda. A porta abriu-se, mas não foi a cara familiar dele que vi. Em seu lugar, estava uma mulher jovem, alta e fardada com o uniforme azul-escuro e impecável da Força Aérea Portuguesa. A farda, justa e elegante, conferia-lhe um ar de autoridade serena.
“O Eduardo vem mais tarde, mas podes entrar. Sou a Andreia”, disse, com um sorriso fácil que chegou aos olhos. Deixei-me levar pela corrente, entrando no hall.
Era bonita, de uma beleza que prendia o olhar. Cabelos negros, uma cascata de caracóis naturais e brilhantes que lhe caíam abaixo dos ombros. Os lábios, de um tom rosado-marrom tão rico que dispensava qualquer batom, contrastavam com a pele clara. Tinha traços suaves, um algo de asiático nos ossos das faces altas e nos olhos amendoados, um pouco rasgados, de um castanho tão escuro que pareciam negros. Havia nela uma mistura de doçura e força.
Seguimo-nos para a sala, um espaço acolhedor e um pouco desarrumado, típico do Duda. Ela ligou a televisão, mas o murmúrio das notícias rapidamente se tornou um ruído de fundo insignificante. Desligou-a. O silêncio que se seguiu não era incómodo, mas espesso, carregado de uma curiosidade não verbalizada. A conversa fluiu, leve a princípio, sobre a base aérea, sobre como conhecera o Cruz – era assim que ela, por vezes, se referia ao Eduardo. “Vamos ver até onde isto nos leva”, disse, com um encolher de ombros que era ao mesmo tempo esperançoso e cético.
Foi então que os nossos olhos pousaram numa caixa esquecida sobre uma estante: um *Pictionary*, mas a versão *sexy*. Um sorriso cúmplice passou entre nós. Por que não? As primeiras jogadas foram hilariantes, desastradas, cheias de risos constrangidos. Mas, com cada desenho mal feito, com cada tentativa de adivinhar palavras de duplo sentido, o clima na sala foi mudando. O ar pareceu ficar mais quente, mais pesado. O riso deu lugar a olhares mais demorados, a pausas mais longas. Uma tensão deliciosa e perigosa instalou-se. Ambas sentíamo-lo – um calor, uma *tusa*, como se diz, que crescia e nos deixava inquietas.

Andreia quebrou o silêncio, recostando-se no sofá e disse:
“Pena que não esteja aqui um caralho para nos tirar este calor”, gracejou, o tom de voz baixo e carregado de uma ironia que não escondia o deseho.
O coração bateu-me mais forte.
“Há alternativas”, retorqui, a voz mais firme do que eu esperava.
O olhar dela escrutinou-me.
“Eu sei… já experimentei, mas foi há muito tempo.”
“Ora, isso é como andar de bicicleta. Nunca se perde a prática.”
Foi então que ela se inclinou para a frente, os olhos negros a fixarem-me com uma intensidade pícara e desafiadora. “Mostra-me”, pediu, quase num sussurro.
Um nó formou-se na minha garganta. “Tens a certeza?”
Um sorriso lento abriu-se nos seus lábios. “Ah, o Edu não precisa de saber, claro.”
E, antes que pudesse processar o significado completo daquelas palavras, os seus lábios estavam sobre os meus. Não foi um beijo tímido ou exploratório. Foi um beijo profundo, afirmativo, de língua, que me percorreu como um choque elétrico, desde a nuca até à base da espinha. Um estremecimento involuntário percorreu-me o corpo. Naquele instante, num turbilhão de sensações, pensei: *Meninas, foi assim. Foi assim que percebi, que soube que eu virara bixessual.*
Andreia não parava. Cada beijo era uma provocação, uma pergunta e uma resposta ao mesmo tempo. As suas mãos encontraram o meu rosto, depois os meus cabelos. Eu respondia, perdida naquele sabor, na textura dos seus caracóis entre os meus dedos. A atração física era uma corrente avassaladora, e eu sentia-me molhada, tão excitada que quase doía. Ela parecia sentir o mesmo, o seu corpo a pressionar contra o meu.
“É melhor a gente se despir”, murmurou ela, rompendo o beijo, a respiração acelerada.
“Sim”, consegui articular. “Quero… quero fazer a tesoura contigo.”

Ela sorriu, um sorriso de compreensão total. Sabíamos ambas que aquela posição, íntima e igualitária, era um território conhecido, um símbolo de prazer partilhado entre mulheres. A vergonha dissipara-se, substituída por uma urgência avassaladora.
No sofá, depois no chão sobre uma manta, os corpos entrelaçaram-se. A sua pele era suave, quente. Os gemidos dela, baixos no início, tornaram-se mais altos, mais desesperados.
“Foda-se… hum, bom… come-me… come-me”, gemia, os dedos cravando nas minhas costas.
O meu próprio prazer era uma onda crescente, alimentada pelos seus sons, pelo toque dela.
“Ai… que vais fazer-me gozar… vou gozar!”, anunciei, perdendo o controlo, submersa na sensação pura.
Foi nesse exato momento de clímax partilhado, de absoluta vulnerabilidade e êxtase, que o mundo exterior invadiu o nosso universo privado. Nenhuma de nós ouviu a chave na fechadura, os passos silenciosos no hall. Mas ouvimos, ou antes, *sentimos*, uma presença.
Eduardo, meu irmão, estava em casa. E, ao deparar-se com o silêncio carregado e depois com os gemidos abafados, subiu as escadas que levavam à sala de estar com uma lentidão mortal. Não chamou. Não tossiu. Ficou parado no patamar superior, na penumbra, e espiou. Deixou-nos terminar, deixou a onda de prazer rebentar e recuar, na sua crueza e verdade. Só então, com um som quase impercetível, se retirou.
O ar gelou instantaneamente. O prazer transformou-se em algo pesado e vergonhoso. Vestimo-nos em silêncio, evitando os olhares umas da outras. O jantar que se seguiu foi uma tortura. O Duda estava estranhamente calmo, cortês, mas os seus olhos evitavam os de Andreia e, por extensão, os meus. A tensão entre eles era palpável, um fio elétrico prestes a faiscar.
Depois da sobremesa, a discussão eclodiu na cozinha. Vozes baixas, mas cortantes. Não consegui distinguir as palavras, apenas o tom de raia contida e profunda deceção dele, e a defensiva, quase desafiadora, dela. Não consegui pregar olho naquela noite. A culpa, pesada e acre, instalou-se no meu peito. Tinha traído a confiança do meu irmão. Tinha-me deixado levar por um impulso incontrolável.
Na manhã seguinte, muito cedo, ainda o sol não aquecia completamente o chão, ouvi a porta da frente fechar-se com um clique suave. Andreia tinha ido embora, sem alarido, sem deixar recado.
Encontrei o Eduardo na cozinha, a olhar para uma chávena de café frio. Aproximei-me, o coração aos saltos.
“Edu… desculpa. Sinto-me tão culpada. Não sei o que me deu.”
Ele ergueu os olhos. Não havia raiva neles, apenas um cansaço profundo, uma desilusão que me cortou mais fundo que qualquer grito. “Desculpa, Natty, mas sobre isso… não me apetece falar, ok?”
Vi-me a sair da cozinha. “Duda” estava magoado. Magoado porque, no seu entendimento, eu lhe tinha “comido a namorada”. E, num nível mais primitivo, talvez fosse verdade. Mas, ao mesmo tempo, uma parte de mim refletia, confusa: Andreia era uma timorense deslumbrante, sim. Tinha sido intenso, bom, inegavelmente. E ela… ela estava a pedi-las, ela mergulhou de cabeça naquilo. A culpa era toda minha, por ela não lhe ter permanecido fiel? Isso, pensava eu enquanto arrumava as minhas coisas para ir embora, era absurdo. A fidelidade partia-se de dentro para fora. Andreia, na sua busca, na sua coragem ou na sua confusão, mostrara-me algo. Talvez não fosse uma “falsa hetero”. Talvez fosse simplesmente alguém, como eu naquele momento, a descobrir que o coração – e o corpo – podem falar uma língua que a mente ainda não sabe nomear. A consequência, porém, era real: um irmão magoado, um romance desfeito e uma mancha de culpa que, sabia eu, levaria tempo a desvanecer-se.


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Ficha do conto

Foto Perfil lebresfomeada
lebresfomeada

Nome do conto:
Depois não se queixe II (continuação)

Codigo do conto:
253175

Categoria:
Bissexual

Data da Publicação:
26/01/2026

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