Desliguei. Não havia tempo a perder. Vestir-me às pressas, e assim em segundos, estava de negro, das botas ao casaco de couro, meu cabelo castanho preso. A força recém-adquirida pulsava em meus músculos. Não era muito longe dali. Corri, não como um humano, mas como uma sombra que se fundia com a escuridão, saltando entre telhados com uma graça sobrenatural.
Ao chegar, o cenário era caótico: luzes azuis e vermelhas giravam, viaturas da polícia bloqueavam as ruas, snipers posicionados. Passei pelo batalhão de agentes como um vento. Eles mal notaram minha passagem, uma habilidade útil do meu novo estado vampiresco. Elara, com seu sobretudo cinza e ar severo, falava com o comandante da operação.
“Temos uma infiltrada,” disse ela calmamente ao homem de uniforme. Ele olhou para mim, cético, mas um aceno de Elara bastou. Ela tinha seus contatos, suas maneiras de fazer as autoridades aceitarem nossa… assistência peculiar.
“Nós vamos acabar com isto,” disse Elara para mim, seus olhos prateados refletindo determinação.
A porta principal do banco estava arrombada. Entrámos em silêncio. O interior era um contraste de mármore frio e calor do pânico. Ouvia-se o choro abafado de reféns ajoelhados atrás do balcão. Quatro homens, com passamontanhas e armas de grosso calibre, controlavam a sala.
Um deles, aparentemente o líder, virou-se ao ouvir nossos passos. Seus olhos, visíveis através das aberturas do gorro, arregalaram-se de surpresa e depois de raiva.
“Vocês quem são? Isto é uma operação da polícia?” Ele gritou, erguendo a sua metralhadora. “Não interessa! Vamos matar toda a gente aqui se não saírem!”
O cheiro dele invadiu meus sentidos. Não era apenas o suor do medo ou a pólvora. Era o cheiro acre de violência premeditada, de crueldade. O cheiro de um criminoso. Minha fome despertou com um rugido silencioso, focando-se nele como um laser.
Um sorriso lento e instintivo curvou meus lábios, revelando a ponta dos meus caninos, que ainda tentava esconder em público. Avancei. Não foi uma corrida, foi um deslocamento, tão rápido que para os olhos humanos pareci uma miragem.
“Não, não vais,” disse eu, minha voz soando estranhamente suave no meio do caos. “Tu és a doença…”
Em um instante, estava diante dele. Ele tentou apontar a arma, mas minha mão envolveu seu pulso, e um estalo seco ecoou na sala. Ele gritou de dor.
“E eu sou a cura.”
Inclinei-me. A luta interna foi breve – o instinto vampírico era muito mais forte do que qualquer noção remanescente de etiqueta humana. Enterrei meus dentes em seu pescoço, no ponto onde a jugular pulsava freneticamente. O sabor explodiu em minha boca: metálico, quente, vital, e carregado com a essência de seus atos. Era diferente de beber de um saco de sangue hospitalar, que Olga me dera para treinar. Era cru, real, e intoxicante. A vida dele, sua força, fluía para mim, e com ela, flashes de imagens: um assalto anterior, um rosto amedrontado, a ganância cega. Era repugnante e, ao mesmo tempo, o alimento que meu corpo clamava.
Ele não gritou de dor física, mas de puro terror e descrença. Empurrou-me com sua força restante, cambaleando para trás, a mão pressionando o ferimento.
“Mas que merda é esta!” Ele gritou, os olhos arregalados de horror, fitando o sangue em suas mãos e depois em mim. Sua coragem desintegrou-se. “Monstro! És um monstro!”
Ao seu redor, os outros três assaltantes congelaram, perplexos. Os reféns observavam, atônitos. O líder, agora pálido e fraco, desmaiou, deslizando para o chão.
Elara aproveitou o momento de choque. “Agora!” ordenou, e agimos em sincronia. Enquanto ela desarmava um dos bandidos com movimentos de artes marciais precisos, eu me virei para o próximo. A fome estava saciada, mas a missão não. Agora, era apenas força bruta. Desloquei-me, desarmando-o com um golpe rápido e aplicando uma pressão em um ponto específico do pescoço que o fez desfalecer.
Em menos de um minuto, os quatro homens estavam no chão, inconscientes ou incapacitados. A polícia, ouvindo o silêncio súbito, invadiu o local momentos depois, encontrando apenas os criminosos derrotados e duas mulheres de negro saindo calmamente por uma saída lateral, deixando para trás um mistério e um líder de gangue que, ao acordar, juraria a todos sobre um demônio de dentes afiados.
Na rua, longe das luzes, Elara colocou uma mão em meu ombro. “Estás bem?”
Respirei fundo, o sabor do sangue ainda na língua, uma energia nova percorrendo minhas veias. A fome havia ido embora, substituída por uma estranha saciedade e um peso na consciência.
“Estou,” respondi, olhando para minhas mãos. “Ele chamou-me de monstro.”
“Ele é um ladrão e um potencial assassino,” disse Elara firmemente. “A sua justiça seria uma cela. A nossa é mais… direta. Não é sobre ser monstro ou anjo, Vanessa. É sobre ser a consequência.”
Olhei para a cidade, para as luzes inocentes das janelas. A minha nova vida não seria fácil. Cada refeição seria precedida por um desejo sombrio e seguida por uma reflexão pesada. Mas, naquela noite, na Avenida Belledonne, eu não havia sido apenas uma vítima da minha fome. Tinha sido a “cura”. E, por enquanto, isso teria de bastar. A noite ainda era jovem, e o rádio de Elara poderia tocar a qualquer momento.
Um dia Lisa a recém transformada vampira, convidou-me para sair… Fomos até Oakcity que era a cidade mais próxima de São Francisco… Lisa tinha ouvido falar de um bar bem gostoso…O bar tinha um nome sugestivo, “Sangue Fresco”, era um lugar de sombras e luzes baixas, um refúgio noturno no limite de Oakcity. O ar cheirava a madeira envelhecida, cerveja derramada e um leve traço de tabaco. As paredes eram adornadas com troféus de caça antigos e fotografias desbotadas de grupos de homens com olhares duros. Lisa, a novata com seu sorriso sempre fácil, parecia não notar a atmosfera carregada. Eu, por instinto, já sentia o peso dos olhares nas nossas costas desde que cruzamos a porta.
Deixamos o carro estacionado na rua escura, sob a luz trêmula de um poste quebrado. O som abafado de um blues pesado vazava pelas paredes. Entramos, e a conversa geral baixou por um segundo, um silêncio eloquente que nos avaliou antes de retomar seu murmúrio habitual.
Dirigimo-nos ao balcão, um bloco de carvalho escuro marcado por copos e anos. O bartender, um homem corpulento com braços tatuados, limpava um copo sem nos olhar diretamente.
— Duas cervejas, por favor! — falou Lisa, sua voz soando estranhamente alta naquele ambiente contido.
O bartender apenas assentou com a cabeça, servindo duas canecas de um barril sem etiqueta. O líquido era âmbar e turvo. Pegamos as bebidas e nos virámos, procurando um lugar. Os olhares eram como faróis fracos na penumbra, seguindo nossos movimentos. Achámos uma mesa vazia num canto, perto de uma janela suja que dava para o beco das traseiras. Sentámo-nos, e o banco de madeira rangeu sob nosso peso.
Mal tínhamos dado o primeiro gole — a cerveja era forte e amarga — quando a sensação mudou. O ar pareceu ficar mais denso. Um homem separou-se das sombras junto à porta dos fundos e dirigiu-se à nossa mesa com passos deliberados e silenciosos. Usava um fato preto, simples mas bem cortado, sobre uma camisa branca imaculada. Seu rosto era angular, sério, e seus olhos claros varriam o ambiente antes de se fixarem em nós. Não era um segurança comum; tinha a autoridade quieta de quem está no comando.
Parou ao lado da nossa mesa, as mãos nas costas.
— Sabem que este é o bar dos "Lycans"? — perguntou. Sua voz era baixa, mas cortou o som do blues como uma lâmina.
Lisa quase engasgou com a cerveja. Eu senti um frio na espinha. *Lycans*. Não era apenas um nome pomposo; na periferia de Oakcity, falava-se de um grupo, mais que um clube de motoqueiros, menos que uma lenda. Diziam que controlavam coisas, que tinham suas próprias leis.
— Não fazia ideia! — disse Lisa, genuinamente surpresa, seus olhos arregalados.
O homem no fato não sorriu. Seu olhar foi de mim para Lisa e de volta para mim, avaliando.
— Acho que vamos ter problemas... — falou ele, mais uma afirmação do que uma pergunta. Era um aviso polido, uma última chance de sairmos pacificamente.
Estava prestes a pegar no casaco, a mente a calcular a distância até à porta, quando outra voz ressoou, vinda da direção do balcão. Era uma voz grave, rouca pelo fumo e pela autoridade, mas que continha uma estranha nuance de cortesia.
— Ninguém vai fazer nada.
Todos os olhos, incluindo os do homem de fato, viraram-se. O homem que se aproximava era diferente. Era mais velho, talvez na casa dos cinquenta, com cabelo prateado penteado para trás e um rosto marcado por cicatrizes sutis e uma vida inteira de decisões difíceis. Usava um casaco de couro desgastado sobre uma camisa simples, mas andava com a descontração de um rei no seu salão. Os outros clientes baixaram ligeiramente as cabeças quando ele passou.
Ele parou ao nosso lado, ignorando completamente o homem de fato, e olhou para nós com um sorriso pequeno e cansado.
— Elas são minhas convidadas.
Olhei diretamente para ele, o coração a bater forte contra as costelas. A pergunta saiu antes que eu pudesse detê-la, impulsionada por um misto de medo e curiosidade.
— Quem é?
Este é Silver — deixou escapar um som baixo que poderia ter sido uma risada.
— Este é Silver, o Boss — apresentou-se o homem de fato, agora com um tom formal, quase respeitoso.
Silver acenou com a cabeça em direção ao bartender.
— As bebidas são por conta da casa — anunciou, sua voz preenchendo o bar. Depois, seus olhos, de um cinza metálico e perspicaz, repousaram sobre nós. — Deixem-se ficar à vontade.
E com um último aceno quase imperceptível, ele virou-se e desapareceu novamente nas sombras da parte de trás do bar, seguido pelo homem de fato. O blues retomou seu curso, as conversas aos poucos voltaram, mas o clima era diferente. Os olhares que agora pousavam sobre nós não eram mais de hostilidade, mas de curiosidade contida e, talvez, um pouco de respeito.
Lisa soltou a respiração que estava a prender.
— Meu Deus... — sussurrou, segurando a caneca com ambas as mãos. — O que foi isso?
Eu olhei para a cerveja não tocada, depois para a escuridão onde Silver tinha desaparecido.
"À vontade", ele dissera. Mas no bar dos Lycans, sob o olhar taciturno do Boss Silver, aquele convite soava menos como uma cortesia e mais como uma nova e intricada teia da qual, de alguma forma, acabáramos de nos tornar parte. A noite, percebi, estava apenas a começar…
O sussuro das estrelas
A oferta do Silver, o líder dos Lycans, parecia boa demais para ser verdade. Um bar novo, inauguração com open bar para um grupo seleto. Eu e Lisa aceitamos, contudo sempre cautelosas, mas curiosas.
A noite seguiu seu curso com música alta, luzes baixas e um ar de festa. Silver era carismático, dono do lugar, e circulava entre os convidados com um sorriso fácil. Mas, conforme a noite avançava e as bebidas fluíam, o clima mudou. O sorriso dele endureceu, e o olhar, antes brincalhão, tornou-se predatório.
— “Bem, meninas”, ele disse, sua voz cortando a música de fundo, reunindo-nos em um canto mais reservado.
— “Se pensam que a festa é de graça sem contrapartidas, estão muito enganadas.” O tom não era de brincadeira. Era uma afirmação gelada, um ultimato disfarçado. O ar pareceu sair do lugar. Não era uma proposta; era uma armadilha que se fechava.
A oferta do Silver tinha sido uma mentira venenosa, um roubo de dignidade.
O lugar era uma caverna ampla, mal iluminada por tochas, com o som abafado de rock pesado e risadas roucas. Silver era um homem imponente, de olhos que pareciam captar a luz de uma forma estranha, amarela. Ele nos cumprimentou com um sorriso que não chegava aos olhos.
O ambiente era pesado, dominado por homens com olhares que nos percorriam como se fôssemos mercadoria. Mas ignorámos o desconforto, embaladas pela música alta e pelos primeiros copos.
— A conta são vocês — declarou Silver, e sem mais cerimónias, desabotoou as calças.
— Vamos. Vocês têm de mamar nas nossas picas…
O ar pareceu sair do lugar. Antes que pudéssemos processar, antes que um grito pudesse se formar em nossas gargantas, ele fez um gesto brusco. E então, o ato indescritível. Ele e mais dois homens baixaram as calças.
— Vamos, meninas — insistiu Silver, aproximando-se. O seu olhar não deixava espaço para negociação, apenas para submissão. — Chupem e engulam nossa porra.
A humilhação foi um fogo líquido que me consumiu por dentro. Foi uma violência que não deixava hematomas visíveis, mas que marcou a alma com ferro em brasa. O sabor era amargo, metálico, uma profanação. O ato em si era mecânico, um desligar da mente para sobreviver ao momento, para que ele acabasse. As lágrimas queimavam os meus olhos, mas eu não as deixei cair. Não ali. Não na frente deles. O som dos gemos forçados, dos engasgos, preencheu o quarto asfixiante. Foi um broche coletivo, uma aniquilação em grupo da nossa dignidade. Nunca, em toda a minha vida, tinha engolido tanta humilhação disfarçada de fluido corporal. Era porra, sim, mas era sobretudo o seu poder, a sua dominação, que eles nos obrigavam a ingerir.
Um nojo absoluto, visceral, inundou-me. Não era medo, naquele primeiro instante, era pura repulsa. A Lisa tentou recuar, mas braços fortes como troncos a seguraram. Um dos Lycans agarrou meu rosto, seus dedos calejados pressionando minha mandíbula. O cheiro era animal, intenso. Chorei silenciosamente, os olhos fechados, enquanto era forçada a um ato que me esvaziava por dentro. Foi um broche coletivo, uma humilhação coreografada, onde éramos meros objetos, instrumentos para sua dominação. O gosto amargo e salgado, a sensação de asfixia, a visão da Lisa na mesma situação, com lágrimas escorrendo pelo rosto, tudo se fundiu em um pesadelo vívido. Engoli, não por vontade, mas por puro instinto de sobrevivência, para que aquilo acabasse mais rápido. Nunca, em meus piores temores, imaginei engolir tanta porra, sentir meu estômago se revolver contra uma invasão tão violenta.
O nojo subiu-me à garganta, um gosto amargo e metálico. Um pânico cego apoderou-se de mim. Olhei para minha amiga Lisa e vi o mesmo terror refletido nos seus olhos. Lisa chorava silenciosamente. Não era um pedido. Era uma sentença.
O que se seguiu foi um pesadelo fora do corpo. Uma sucessão de toques ásperos, cheiros agressivos, e a humilhação avassaladora de sermos forçadas a um ato sucessivos broches em coletivo, objetos sem voz. Fechava os olhos com força, tentando desaparecer, tentando estar em qualquer outro lugar. O sabor era repugnante, a sensação de violação, total. Nunca tinha engolido tanta porra. A frase ecoava na minha cabeça, um mantra de degradação. O tempo distorceu-se, arrastando-se numa agonia interminável.
Depois, não contentes, arrastaram-nos para um quarto nos fundos do bar. O cheiro a mofo e desinfetante barato enchia o ar. As paredes tinham um papel descolado que mostrava manchas de humidade. Fizeram uma suruba, fodendo duro, deixando nossas conas arrombadas. Cada empurrão era uma violação, cada gemido forçado uma traição ao meu próprio corpo. Que asco. Obrigaram-nos a fazer broche coletivo, rodando-nos entre eles como objetos sem vontade. Nunca tinha engolido tanta porra, o gosto impregnando-me a boca, a garganta, a alma.
A "suruba" que se seguiu não tinha nada de prazer. Era pura dominação, uma fúria destrutiva disfarçada de ato sexual. "Fodas-se que filhos da puta... mais devagar, seus caralhos!" A voz de Lisa, rouca de raiva e dor, ecoou em algum canto do salão, mas foi abafada por risadas e gemidos forçados. Cada investida era uma violação, um ato de posse que deixava marcas muito além da pele. A dor era aguda, dilacerante. A sensação de estar sendo "arrombada", como minha mente registrou de forma crua, era de uma violência íntima e profunda.
Um após o outro, eles vinham. E no final, o ato final de posse:
"Gozem dentro," ordenou Silver. Era a humilhação suprema, a marca biológica de sua conquista forçada. A sensação quente e repugnante do sêmen, enchendo um espaço que havia sido invadido, me fez sentir suja de uma forma que nenhum banho poderia limpar. O "asco" era uma onda física, um enjoo que subia da alma.
O "broche coletivo" foi a cereja do bolo de horror. Ficar de joelhos, em fila, obrigada a repetir o ato degradante para vários deles, um após o outro, enquanto eram observadas e encorajadas pelos outros...
Contudo o pior ainda estava por vir…roupas rasgaram-se. A suruba que se desenrolou foi brutal, mecânica, desprovida de qualquer coisa que não fosse dominação pura.
Em um dado momento já tinha um caralho no cu e outro pela cona, então soltei um grito:
“Foda-se que filhos da puta… mais devagar seus caralhos!” a minha voz saiu rouca, um grito que mais parecia um choro. Foi ignorada. O ritmo era duro, impiedoso, cada investida uma afirmação de posse. A dor era aguda, uma sensação de arrombamento, de violação que ia muito além do físico.
Um após o outro, eles gozavam dentro, e eu sentia o fluido quente e repulsivo, uma marca de sua conquista. A vergonha era um manto pesado, sufocante. Até Silver, que parecia ter ficado a observar, se aproximou de Lisa, que estava prostrada ao meu lado, soluçando silenciosamente.
Foi então que ele a virou com brutalidade. Um momento de confusão, e depois um grito dilacerante saiu da garganta de Lisa.
“Foda-se, que merda é essa?! Vais comer-me o cu?”
Silver apenas riu, um som baixo e gutural. “Calma… que já vais gostar…”
Quando finalmente nos libertaram, foi com um empurrão e um aviso sussurrado para não contarmos a ninguém. Saímos cambaleando para o estacionamento escuro, o ar noturno, outrora refrescante, agora parecia pesado e sujo. A adrenalia começou a abandonar o meu corpo, substituída por um tremor profundo e incontrolável.
Mal chegámos junto do meu carro velho, uma onda de náuseas violentas subiu-me do estômago. Dobrei-me ao lado do passeio, as mãos nos joelhos, e o corpo revoltou-se, expulsando o horror físico daquela noite.
— Blup… Foda-se, Lisa… — consegui engasgar, entre golfadas, os olhos cheios de lágrimas ardentes. — Estou a vomitar porra…no chão ficou uma poca de porra de Lycans…
Lisa estava ao meu lado, a mão trémula nas minhas costas, mas o seu toque já não era reconfortante. Nada seria. Ela também estava a tremer, o rímel correndo-lhe em manchas negras pelo rosto. Nenhuma de nós disse uma palavra durante a viagem para casa. O silêncio dentro do carro era espesso, carregado de uma vergonha que nos consumia.
Ao chegar a casa, o meu refúgio já não parecia seguro. As paredes conheciam a minha vergonha. Corri diretamente para a casa de banho, esfregando a pele no chuveiro até ficar vermelha e dorida, tentando apagar o que não era apenas superficial. A água quente não lavava a memória.
Deitei-me na cama, no escuro, enrolada num casulo de lençóis. Tentava forçar a minha mente a ficar em branco, a esquecer os detalhes, os sons, os sabores. Mas a vergonha não era algo que pudesse ser deixado à porta. Tinha-se instalado dentro de mim, uma presença pesada e fria no meu peito. A raiva ainda não tinha chegado — só havia o vazio gelado da humilhação e um medo agudo de que aquela noite me tivesse mudado para sempre, que tivesse roubado qualquer coisa que nunca conseguiria recuperar.
Olhei para o teto, ouvindo o bater descompassado do meu próprio coração, e soube, com uma clareza devastadora, que a rapariga que tinha entrado naquele bar já não existia. O que restava estava ali, naquela cama, tentando, em vão, esquecer.
Três anos se passaram e um dia passeando por Fillmore em San Francisco, ouvi de repente:
"Vanessa?" Me viro e vejo um cara com cara meio familiar.
"Sim?" Falei meio sem graça.
"Sou o Luís, seu irmão!"
"Luís?!" Pulei de surpresa. "Nossa, quanto tempo!".
Ele me convidou pra tomar um café no Starbucks, que lugar clichê né? Mas tá, precisava entender tudo aquilo. A gente se sentou e começamos a fofocar.
"Pensei que você tinha morrido!", ele falou meio cabisbaixo.
"Pois é! Mais ou menos!", respondi tentando ser leve.
"Como assim?" Luís estava confuso.
Respirei fundo e falei: "Sou uma criatura da noite!".
Ele olhou pra mim tipo "tá de sacanagem?".
"Explica melhor!", ele insistiu.
"Sou vampira...", soltei a bomba.
Luís ficou em choque, mas logo soltou um "Foda-se!" Tipo, que resposta é essa? Mas tá, ele estava animado com a coisa toda.
"E poderias me transformar também?", ele perguntou com os olhos brilhando.
"Não tenho autorização do Conselho!", respondi.
"Ninguém precisa saber, só me morde no pescoço e pronto!", Luís estava cada vez mais convencido.
Ele saiu dali achando que eu ia virar sua madrinha vampira. Que ilusão! Leve-o pra minha casa, abri um vinho... estava tão bêbada que nem percebi o que ele tava tramando.
"Que você tá fazendo? Não sou de ferro!", Luís começou a me encher de cantadas.
"Quero fazer você o minete da sua vida?", ele falou com uma voz rouca.
E aí, sem perceber, abaixei minha meia calça e minhas cuecas vermelhas... deixei minha rata à mostra pra ele lambê-la. Aí... bem, vamos dizer que a noite ficou bastante quente!
Imagina só o susto do Conselho quando souberem disso!
Cara, imagina a cena! Eu tava lá, deitada no sofá, mó relaxada. De repente, meu irmão Luis chega com aquela cara de safado, sabe? Tipo "vamos fazer algo maluco". Ele já tinha me contado sobre essa história de virar vampiro, mas eu nunca levei muito a sério. Aí ele começa a me beijar, e as coisas esquentam rápido. Ele tira minha roupa, eu tiro a dele...
De repente, ele tá lá embaixo, chupando a minha ratinha. Eu soltei um grito: "Deixa essa palhaçada e mete isso dentro!" Sério, tava mó excitada! Luis obedeceu na hora. Era estranho, sabe? Sentir o pau do meu irmão dentro de mim... mas ao mesmo tempo, era tão bom! Ficamos se lambuzando, se mordendo, até que... BAM! Os dois gozamos juntos. Minhas pernas tremiam tanto que eu tava quase caindo.
Luis ficou olhando pra mim com essa cara de "nossa, o que a gente fez?". Eu me aproximei dele e mordi seu pescoço, chupando um pouco do sangue dele. Ai, num lance de loucura total, cortei meu pulso com os dentes! Tipo, vampira mesmo! Dei um gole no meu próprio sangue e falei:
"Vai bebe logo, idiota, bebe rápido senão morre!" Ele começou a sugar meu sangue mágico, meio hesitante.
"Calma, não é pra beber tudo", ele disse. Aí eu mandei ele se deitar e descansar. "Só espera o efeito, logo você vai virar um vampiro!", falei animada.
Caramba, eu tava mó feliz em transformar meu irmão! Imagina só, nós dois, vampiros eternos, dominando a noite! Seria épico!
A sombra da vingança
O mundo tinha ganhado novas cores desde que transformei meu irmão Luis. Não eram as cores do crepúsculo ou do luar, mas sim as do sangue compartilhado e da imortalidade conquistada. A nossa ligação, sempre forte, tornara-se uma simbiose perfeita, intensificada por uma paixão que transcendeu os laços fraternos e mergulhou nas profundezas do desejo eterno. Os dias e as noites fundiam-se num só tempo, dedicado ao prazer, à caça, à descoberta dos limites do nosso novo ser. Eu, que outrora fora cautelosa, entregava-me à voracidade dos sentidos com uma fome que me assustava. Tornara-me ninfomaníaca, sim, mas numa escala sobrenatural: só pensava em foder, em sentir, em viver cada instante com a intensidade de quem sabe que o tempo, afinal, já não é um mestre.
Luis, porém, parecia buscar algo mais. Uma centelha de humanidade que eu já tinha deixado para trás. E foi essa busca que o levou até uma mulher que seria um tremendo erro fatal.
Chamava-se Elisa. Apareceu numa noite de nevoeiro, frágil e perdida perto do velho cemitério. Luis trouxe-a para o nosso refúgio, um loft abandonado no topo de um edifício industrial, com o ar despreocupado de quem oferece abrigo. Eu estava ausente, saciando minha fome noutro ponto da cidade. Quando regressei, ao romper da madrugada, senti primeiro o cheiro: sangue doce, mas com um fundo metálico e amargo, como flores murchas sobre aço.
Corri. Encontrei meu irmão no chão da sala, junto ao sofá de couro rasgado. O corpo, outrora tão cheio de força e calor, estava retesado, convulsionando. A pele, pálida por natureza, adquirira um tom cinzento e translúcido, como mármore doente. Os olhos, vermelhos como rubis, estavam opacos, vidrados. Ele ofegava, cada respiração um sacrifício.
— Luis!
Ajoelhei-me ao seu lado, as mãos tremendo sobre o seu peito. O cheiro intensificava-se, vindo dos seus lábios manchados de carmesim.
— O que fizeste? — sussurrei, mas já sabia. O cheiro era dela. O sangue dela.
Com um esforço sobre-humano, ele focou o olhar em mim. Um fio de sangue negro escorreu-lhe pela comissura dos lábios.
— Ela… pediu… — a voz era um arranhão, um sussurro de folhas secas. — Queria ser… como nós… Era… uma armadilha.
A raiva, gelada e afiada, instalou-se no meu peito. — Que estupidez! Como foste tão insensato, Luis? — A pergunta era um grito abafado. Sabíamos dos perigos, das lendas sobre caçadores que inventavam poções com toxinas inócuas mas fatais caso fosse bebido por um vampiro. A ingenuidade dele, aquele resquício de humanidade que o fazia confiar, fora a sua sentença.
Os seus dedos frios agarraram-se ao meu pulso com uma força residual. — O sangue… envenenado… Toxina… inócua para humanos… fatal para… nós. — Uma convulsão mais forte percorreu-o.
Olhei em redor. O apartamento estava vazio, mas a janela que dava para a escada de incêndio estava aberta, as cortinas esvoaçando ao vento frio. A rapariga tinha fugido. Deixara apenas o rasto do seu perfume barato e o veneno no coração do meu irmão.
— Vou buscar ajuda. Vou arranjar um antídoto — menti, sabendo que não havia tempo, nem cura para um veneno concebido com tamanha precisão.
Luis abanou a cabeça, quase impercetivelmente. Um último suspiro, mais um sussurro do que um som, escapou-lhe. — Vinga-me.
E depois, nada. O corpo deixou de tremer. A luz nos seus olhos apagou-se, deixando apenas duas pedras preciosas sem vida. A imortalidade, a nossa grande conquista, revelara-se uma farsa perante um veneno específico e traiçoeiro.
A dor que se seguiu não foi um grito, mas um silêncio absoluto que engoliu todo o som do mundo. Ajoelhei-me na poça fria do seu sangue misturado com o veneno, a minha fome de prazer transformada num vazio abrasador. O desejo que me consumia havia horas parecia agora uma piada de mau gosto, um vício insignificante perante a magnitude daquela perda.
Ergui-me. As lágrimas que desciam pelo meu rosto não eram de água, mas de sangue puro, expressão máxima de uma dor que não tinha palavras. Limpei o rosto com as costas da mão, manchando a pele.
A rapariga, Elisa, era apenas uma ferramenta. Alguém a tinha enviado. Alguém que sabia de nós, que conhecia as nossas fraquezas, que estudara a nossa natureza para criar um veneno que fosse um presente envenenado literal. Alguém que queria Luis morto. Ou talvez quisesse testar a arma nele.
A vingança não seria um ato de fúria cega. A ninfomaníaca que só pensava em prazer morrera ali, no chão, ao lado do irmão. No seu lugar, nascia uma vingadora. A minha caça já não seria por sangue para sustento ou por parceiros para o prazer. Seria por informação. Por verdade. Por sangue de outra espécie.
Jurei, naquele silêncio carregado de morte, que encontraria quem quer que estivesse por trás disto. Iria desenterrar cada pedra, seguir cada pista, usar cada sedução e cada terror ao meu dispor. Transformaria a minha fome insaciável em foco implacável.
A última coisa que fiz antes de deixar o loft para sempre foi fechar os olhos de Luis. Depois, saí pela janela, desaparecendo na neblina da manhã que nascia, uma sombra com um propósito novo e terrível: descobrir quem mandou fazer isto.
E fazer com que bebessem, gota a gota, do mesmo veneno que prepararam. A minha vingança não seria rápida. Seria uma obra de arte, lenta e dolorosa, tal como a morte dele tinha sido. A caça começava agora.


