LAÇOS DE PRAZER - Capítulo 1: O Flagrante e a Confissão

O sol da manhã ainda se espalhava pelos corredores da faculdade de Arquitetura e Urbanismo quando Jaqueline guardou o estojo de lápis dentro da mochila com um gesto rápido, quase irritado. A primeira aula, Teoria e História da Arquitetura, havia sido suportável. O professor, um homem de voz monótona e slides repletos de datas, conseguira manter sua atenção por exatos quarenta minutos. Depois disso, sua mente começou a vagar entre curvas que não eram de colunas gregas e sim de um corpo feminino que ela conhecia bem.
Aline, sua namorada, que chegou atrasada na aula, sentava-se duas fileiras à frente, com os cabelos castanhos presos em um coque despretensioso e uma camisa branca que deixava transparecer os ombros. Jaqueline a observava enquanto a garota fazia anotações com uma caligrafia caprichada. Foi então que Aline virou o rosto, como se sentisse o peso daquele olhar azul sobre sua nuca, e sorriu. Jaqueline correspondeu com um sorriso pequeno, daqueles que guardam segredos.
O intervalo entre a primeira e a segunda aula foi curto. Tempo suficiente para Jaqueline encontrar Aline no pátio interno, entre as colunas de concreto aparente que tanto admirava (afinal, era para aquilo que estava ali, para aprender a projetar espaços). Aline aproximou-se e tocou seu braço.

- “Você está estranha hoje Jaque. Aconteceu alguma coisa?”

- “Nada. Só estou cansada. Não dormi bem”

Era mentira. Jaqueline dormira como uma pedra, mas acordara com uma inquietação que não sabia nomear. Havia algo na maneira como Priscila, sua madrasta, arrumara o cabelo na noite anterior diante do espelho do corredor (algo na curva do pescoço exposto, na alça fina do roupão que escorregara um centímetro além do aceitável) que a deixara com uma sensação estranha no baixo ventre.
Aline estreitou os olhos, desconfiada, mas deixou passar.

- “Você vai ficar para a segunda aula? O professor de Projeto Arquitetônico pediu para levarmos aqueles croquis”

Jaqueline olhou para a mochila, depois para o portão da faculdade, depois novamente para Aline.
- “Acho que vou para casa. Não estou rendendo nada hoje”

- “Jaqueline...” - Aline suspirou, cruzando os braços - “Você faltou à segunda aula semana passada também”

- “Eu compenso depois. Prometo”

A verdade era que Jaqueline não estava com vontade de não ouvir ninguém falar sobre plantas baixas, fluxos de ventilação ou acessibilidade. Ela queria a tranquilidade do quarto, o silêncio da casa vazia (Priscila saíra cedo para a empresa de galpões, como fazia todas as Segundas-feiras, e não voltaria antes das cinco da tarde). O namorado de Priscila, Alberto, só aparecia aos finais de semana, quando Jaqueline fazia questão de trancar a porta do próprio quarto e colocar fones de ouvido.
Havia algo em Alberto que a incomodava. Não era o homem em si (ele era educado, tratava-a com respeito, nunca tentou nenhuma aproximação inconveniente). Mas Jaqueline sentia uma ponta de desconforto ao vê-lo colocar a mão na cintura de Priscila, ao ouvir as risadinhas que a madrasta dava quando ele sussurrava algo em seu ouvido. Era um desconforto que ela não queria examinar com muita atenção, porque o que encontraria ali talvez a assustasse.
Aline desistiu de insistir. Inclinou-se e deu um beijo rápido nos lábios de Jaqueline, um beijo que durou apenas dois segundos, mas que fez os dedos da ruiva se contraírem ao redor da alça da mochila.

- “Depois me manda mensagem. E não esquece do jantar no Sábado na casa da minha mãe”

- “Não vou esquecer”

Jaqueline atravessou o pátio, passou pela portaria com um aceno ao segurança e alcançou a calçada movimentada. O ônibus demorou quinze minutos. Durante esse tempo, ela ficou encostada no vidro, vendo a paisagem urbana de Curitiba se transformar de edifícios institucionais em casas com jardins e depois em muros altos que anunciavam o bairro nobre onde morava com Priscila desde os dezesseis anos em um novo condomínio de casas caras.
O pai de Jaqueline, Sérgio, morrera quando ela tinha doze anos. Infarto fulminante, aos cinquenta e quatro anos, dentro do escritório da própria empresa. Naquela época, Priscila já era sua esposa (haviam se casado três anos antes, quando Jaqueline tinha nove). A menina nunca entendera bem o que o pai vira naquela mulher mais jovem, de cabelos negros tão longos que quase tocavam a cintura e pele morena clara com poucas sardas discretas no colo. O enterro de Sérgio foi uma névoa de ternos pretos e abraços apertados, e Priscila, aos trinta e seis anos, tornou-se viúva e madrasta de uma pré-adolescente que mal a tolerava.
Jaqueline se lembrava perfeitamente do primeiro encontro com Priscila, ainda antes do casamento: a mulher de olhos cor de mel estendera a mão e dissera com voz grave: “Olá, Jaqueline, sou Priscila. Seu pai falou muito de você”. Na época, a menina achou aquilo estranho. Seu pai não falava muito dela para ninguém, nem para a própria filha.
O casamento aconteceu rápido, e quando Sérgio morreu, Jaqueline já dividia a casa com a madrasta havia três anos. Priscila assumiu os negócios com competência feroz, transformando a empresa de galpões em algo ainda mais rentável do que nos tempos de Sérgio. Jaqueline, num primeiro momento, a odiou. Depois, passou a tolerá-la. Aos poucos, sem perceber quando exatamente, começou a sentir algo diferente (uma atração que disfarçava com grosserias e portas batidas).
Foi Aline quem a ajudou a nomear aquilo. “Você gosta da sua madrasta” - disse certa tarde no inicio do namoro, sem julgamento - “E não é daquele jeito de filha, não”
Jaqueline negou na época, mas a verdade queimava na língua. E desde então, algo mudou na dinâmica entre as duas. Jaqueline começou a usar em casa roupas que jamais usaria na frente de Aline ou de qualquer outra pessoa: camisetas velhas e largas demais que mostravam a alça do sutiã, shorts curtos que deixavam à mostra a curva da nádega, pijamas de tecido fino que se tornavam quase transparentes sob a luz da manhã. E Priscila olhava. Não disfarçava os olhares que desciam pelo corpo esbelto da enteada, que se detinham na cintura fina, nos seios pequenos e firmes que se desenhavam sob o algodão.
Nenhuma das duas falava sobre isso. Mas o silêncio era uma língua que ambas dominavam.
O ônibus parou. Jaqueline desceu e caminhou os duzentos metros até o portão eletrônico do condomínio. A construção da casa era moderna, com linhas retas e grandes janelas de vidro que Priscila mandara instalar depois de assumir a administração da herança. Jaqueline sempre achou que aquilo era um exagero

“Que necessidade ha de tanto vidro?” – ela pensava na época.

Mas hoje, enquanto inseria a chave na fechadura, sentiu um calafrio que não veio do vento.
A casa estava silenciosa. Muito silenciosa. Jaqueline deixou a mochila cair no sofá da sala, esticou os braços acima da cabeça e sentiu a coluna estalar. Seus cabelos ruivos, longos e ondulados, deslizaram pelas costas. Ela usava uma blusa azul-marinho de alças finas e uma saia jeans que terminava bem acima dos joelhos. Nada de muito ousado, mas o suficiente para realçar a magreza elegante de seu corpo.
Foi quando ouviu o barulho.
Um gemido. Abafado, mas inconfundível.
Jaqueline congelou no meio da sala. Seu primeiro pensamento foi de que alguém havia invadido a casa. Seu segundo, mais racional, foi de que Priscila dissera que só voltaria às cinco. O terceiro pensamento, aquele que se formou antes que ela pudesse impedir, foi um nome: Alberto.
Os gemidos vieram de novo, mais altos. E vinham do corredor do andar de cima, que levava aos quartos.
Jaqueline poderia ter saído. Poderia ter virado as costas, pegado a mochila, voltado para a faculdade. Poderia ter gritado “tem alguém aí?” e interrompido o que quer que estivesse acontecendo. Mas seus pés não se moveram naquela direção. Movimentaram-se para o oposto. Movimentaram-se para o corredor.
Seus passos eram tão silenciosos quanto os de um gato. Ela conhecia cada centímetro daquela casa, sabia onde as tábuas do assoalho rangiam e onde podia pisar sem fazer barulho. O corredor era longo, com quatro portas: a do banheiro (a única do lado esquerdo), a do escritório em frente ao banheiro, a do quarto de Jaqueline, social e no final do corredor, a da suíte de Priscila (todos esses com janela para a piscina).
O gemido mais recente não deixava dúvidas. Vinha do quarto de Jaqueline.
Ela sentiu o sangue subir ao rosto. Seu quarto. O lugar onde guardava suas coisas, onde dormia, onde lia e desenhava e sonhava suas fantasias. O lugar onde Aline já estivera nua em seus braços. Alguém estava usando seu quarto para fazer sexo.
Jaqueline não pensou. Empurrou a porta com a ponta dos dedos, devagar, tão devagar que o movimento era quase imperceptível. A porta não estava trancada (e isso a surpreendeu, porque Priscila era meticulosa com trancas e chaves). A fresta se abriu, primeiro um centímetro, depois dois, depois o bastante para que ela pudesse ver o que acontecia dentro.
O que viu fez seu coração parar por um segundo antes de disparar em uma taquicardia selvagem.
Priscila estava ajoelhada na cama de Jaqueline (na cama de casal com lençóis de algodão egípcio que a própria Jaqueline escolhera). A madrasta usava um conjunto de lingerie vermelho escuro, um sutiã de renda que mal continha os seios médios e firmes e uma calcinha de renda, mas que estava enfiada entre as nádegas. Seus cabelos negros, longos e soltos, caíam sobre as costas como uma cascata de seda escura. A pele morena clara brilhava levemente, úmida de suor.
Atrás dela, de joelhos também, estava Alberto.
O namorado de Priscila usava apenas uma cueca preta que já não escondia muita coisa. Seu corpo, aos cinquenta e seis anos, era uma surpresa para Jaqueline. Ela sempre o imaginara flácido, com barriga de homem de meia-idade que bebe cerveja aos fins de semana. Mas não. Alberto tinha ombros largos, braços definidos sem exagero de fisiculturista, um tórax com pêlos pretos e grisalhos que desciam em uma linha fina até a barriga. Não era musculoso, como ela disse depois, mas estava em forma. Muito em forma.
Ele estava atrás de Priscila, mas não a tocava. Ambos olhavam para um ponto à frente, para a parede onde Jaqueline pendurara um espelho antigo de moldura dourada.
Foi então que Jaqueline entendeu o jogo.
Priscila falava, mas sua voz era diferente. Era mais aguda, mais jovem. Ela atuava.

- “Mamãe não pode saber. Se ele descobrir o que o senhor está fazendo comigo...”

Alberto respondeu com uma voz que Jaqueline nunca ouvira antes, grave e cheia de autoridade simulada:

- “Sua madrasta vai te ensinar coisas que seus pais nunca poderiam te ensinar, Jaqueline”

O ar desapareceu dos pulmões de Jaqueline. Priscila estava representando ser ela. E Alberto representava... o quê? Um amante? Um padrasto? A cena era clara: uma enteada seduzida pela madrasta, com o conivente ou participante do namorado da madrasta. E estavam fazendo aquilo na cama dela.
Jaqueline deveria sentir raiva. Deveria invadir o quarto, gritar, expulsar os dois. Mas suas pernas tremiam, e entre elas, algo quente e úmido começava a se formar. Ela não conseguia desviar o olhar.
Priscila continuou, agora se inclinando para frente, apoiando as mãos no colchão, arqueando as costas de modo que o sutiã de renda ficou ainda mais apertado.

- “Por favor, não conte para ninguém. Eu faço qualquer coisa. Qualquer coisa que a senhora e seu namorado quiserem”

Alberto aproximou-se por trás, mas ainda sem tocar. Suas mãos pairaram sobre a cintura de Priscila, a poucos centímetros da pele.

- “Qualquer coisa?”

- “Qualquer coisa”

Jaqueline viu Priscila morder o lábio inferior. Não era mais atuação. Havia excitação genuína naquele gesto, nos olhos semicerrados da madrasta. Ela estava gostando de representar aquilo. Estava gostando de dizer aquelas palavras como se fossem dirigidas à própria enteada que a observava do outro lado da porta.
Alberto finalmente tocou Priscila. Suas mãos desceram pelas costas dela, contornaram os quadris e puxaram a calcinha fio para o lado com um movimento seco. Priscila gemeu (um gemido alto, sem vergonha).

- “Está molhada” - disse Alberto, como se estivesse constatando um fato da natureza.

- “É para a senhora” - respondeu Priscila, e Jaqueline soube que aquilo não era para Alberto, era para ela - “É sempre para a senhora, Priscila”

O nome da madrasta dito naquele contexto fez algo dentro de Jaqueline se romper. Ela levou a mão à boca para não soltar um som, mas seus olhos continuaram fixos na cena.
Alberto abaixou a própria cueca. O membro dele já estava ereto, e Jaqueline não pôde deixar de notar o tamanho (maior do que ela imaginava que um homem de cinquenta e seis anos pudesse ter). Ele se posicionou atrás de Priscila, roçou a ponta contra a entrada úmida dela, e então parou.

- “Peça menina” - ordenou.

Priscila virou o rosto para o lado, e por um instante seus olhos encontraram a fresta da porta. Encontraram os olhos azuis de Jaqueline.
Ela sabia. Ela sabia desde o início que a enteada estava ali.
Jaqueline prendeu a respiração, mas não se afastou. E Priscila sorriu. Um sorriso lento, perverso, que iluminou seu rosto de morena clara e depois se desfez em um suspiro.

- “Por favor, Alberto. Me come. Me come como se eu fosse a Priscila”

Alberto não precisou de mais nada. Enterrou o pênis nela num movimento único, e Priscila arqueou tanto as costas que seus cabelos negros tocaram os ombros dele. O gemido que escapou da boca da madrasta foi um som gutural, animal, nada parecido com as risadinhas educadas que Jaqueline ouvira nos jantares de domingo.
O ritmo começou lento. Alberto segurava os quadris de Priscila com firmeza, puxando-a contra si a cada estocada. A pele dela, morena clara e suada, batia contra a dele, mais escura que a dela e de pêlos. O som era obsceno: um molhado e úmido que preenchia o quarto junto com os gemidos.
Priscila não tirava os olhos da porta. Jaqueline sabia que deveria fechar os olhos, recuar, mas algo mais forte do que sua vontade a mantinha ali, paralisada, as pernas abertas sem que ela percebesse, a calcinha que usava sob a saia jeans já completamente encharcada.

- “Fala” - disse Alberto, aumentando o ritmo - “Fala como se ela estivesse aqui”

Priscila entendeu a instrução perfeitamente.
- “Jaqueline” - ela gemeu, e o nome saiu como um sussurro rouco - “Queria que você estivesse aqui, sua ruiva safada. Queria que visse o que sua madrasta faz quando pensa em você”

Jaqueline sentiu o orgasmo se aproximar sem que ninguém a tocasse. Nunca acontecera antes. Nunca. Ela podia assistir vídeos, podia ler contos eróticos, podia até mesmo ver Aline se masturbar diante dela (nada disso a levou ao limite sem contato físico). Mas ali, vendo a madrasta gemer seu nome enquanto era comida por um homem mais velho na sua própria cama, algo primitivo se apossou de seu corpo.
Alberto mudou de posição. Puxou Priscila pelo cabelo (não com violência, mas com autoridade) e fez com que ela se sentasse em seu colo, de frente para a porta. Agora Priscila montava nele, seus seios firmes escapando do sutiã de renda, seus mamilos escuros e duros apontando para frente. Ela cavalgava com perícia, movendo os quadris em círculos, e a cada subida o pênis de Alberto aparecia molhado antes de ser engolido novamente.

- “Olha” - Priscila disse, e Jaqueline não tinha mais dúvidas de que a madrasta falava diretamente com ela - “Olha como eu sou sua, Jaqueline. Mesmo com ele dentro de mim, eu penso em você. Eu sempre pensei em você”

As mãos de Alberto subiram pelo tronco de Priscila e apertaram seus seios. Ele puxou os mamilos, torceu-os suavemente, e Priscila jogou a cabeça para trás num grito de prazer.

- “Vou gozar” - ela anunciou, e seus olhos de mel encontraram novamente os de Jaqueline - “Vou gozar olhando para você”

Jaqueline não aguentou. Sem pensar, enfiou a mão dentro da saia, por baixo da calcinha, e tocou o próprio clitóris. Estava tão sensível que o simples contato fez seus joelhos ameaçarem ceder. Ela se apoiou na parede do corredor com uma mão enquanto a outra se movia freneticamente.
Dentro do quarto, a cena atingia o clímax. Alberto empurrou Priscila para a cama, de bruços, e a penetrou por trás com estocadas rápidas e profundas. Priscila enterrava o rosto no travesseiro de Jaqueline (o travesseiro que ainda guardava o cheiro do xampu da ruiva) e gritava abafada.

- “Jaqueline! Jaque! Jaque!”

Foi então que Priscila olhou novamente para a porta. Seus olhos estavam vidrados, perdidos, mas ainda assim conscientes. Ela viu a mão de Jaqueline dentro da própria saia. Viu o movimento rápido dos dedos da enteada. E aquilo foi o bastante.
O orgasmo de Priscila foi um espetáculo. Seu corpo inteiro se contraiu, as pernas tremeram, os dedos das mãos agarraram os lençóis com tanta força que as unhas deixaram marcas. Ela gritou (um som longo, agudo, que ecoou pelos corredores da casa vazia). E enquanto seu corpo se sacudia em espasmos, seus olhos permaneceram fixos nos de Jaqueline.
O orgasmo de Jaqueline veio em seguida, silencioso e devastador. Sua boca se abriu num grito mudo, suas pernas vergaram, e ela teve que se sentar no chão do corredor para não desabar. O prazer a atravessou como um raio, deixando-a ofegante e tonta.
Alberto ainda não tinha gozado. Ele continuou a se mover dentro de Priscila, agora mais devagar, enquanto ela se recuperava do clímax. Minutos depois, ele se retirou, tirou a camisinha (Jaqueline não tinha notado antes que ele usava uma) e gozou em um lenço que pegou na mesa de cabeceira. O gesto foi quase clínico, mas os olhos de Alberto, quando se voltaram para a porta aberta, não tinham nada de clínicos. Ele também sabia que Jaqueline estava ali. Ele também queria que ela visse.
Silêncio.
O silêncio mais pesado que Jaqueline já experimentou.
Ela se levantou do chão do corredor, ajustou a saia, passou a mão pelos cabelos ruivos desgrenhados. Seu rosto estava corado, seus lábios inchados de tanto morder. Ela podia fugir. Podia trancar-se no banheiro, ligar para Aline, fingir que nada acontecera.
Em vez disso, empurrou a porta completamente e entrou no próprio quarto.
Priscila e Alberto ainda estavam na cama, nus, suados, o cheiro de sexo impregnado nos lençóis. Priscila tentou cobrir os seios com os braços, mas desistiu a meio caminho. Alberto apenas a observava, calmo, como se esperasse exatamente aquela reação.

- “Jaque” - Priscila começou, a voz falhando - “Eu... nós...”

- “Não” Jaqueline ergueu uma mão - “Não peça desculpas ainda. Vamos para a cozinha. Vamos conversar. Mas antes, tirem esses lençóis da minha cama e
coloquem para lavar”

A autoridade na voz de Jaqueline surpreendeu até mesmo ela própria. Mas algo havia mudado. Ela não era mais a mesma garota que saíra da faculdade algumas horas antes.
Vinte minutos depois, os três estavam sentados à mesa da cozinha. Priscila vestira um roupão de seda preta, amarrado frouxamente na cintura. Alberto usava uma calça de moletom e uma camiseta branca simples. Jaqueline trocara a saia jeans por um short de pijama e mantivera a blusa azul-marinho. Nenhum dos três tocou no café que Priscila preparara maquinalmente.
Priscila foi a primeira a falar.

- “Jaque, eu não sei como pedir desculpas pelo que você viu. Pelo que fizemos... no seu quarto... usando você daquele jeito” - ela baixou a cabeça, os cabelos negros escorrendo sobre os ombros - “Foi errado. Foi desrespeitoso”

Jaqueline não respondeu imediatamente. Olhou para Alberto, que a encarava com uma expressão difícil de decifrar. Depois voltou os olhos para a madrasta.

- “Você não está pedindo desculpas de verdade” - disse Jaqueline, surpreendendo-se novamente com a própria frieza - “Se estivesse, não teria me olhado enquanto gozava. Você queria que eu visse. Queria que eu soubesse”

O silêncio de Priscila foi a confirmação mais eloquente.

- “Sim...” - a madrasta admitiu, e sua voz estava mais firme agora - “Sim, eu queria que você visse. Queria que você soubesse o que eu sinto. O que eu sempre senti”

Jaqueline inclinou a cabeça, seus cabelos ruivos caindo sobre um dos ombros.
- “O que você sempre sentiu?”

Priscila levantou os olhos. Os olhos de mel que haviam observado Jaqueline durante dois anos, desde que ela deixou de morar com a mãe biológica e se mudara para aquela casa. Os olhos que acompanhavam cada roupa transparente, cada short curto demais, cada momento em que Jaqueline se curvava para pegar algo no chão e deixava à mostra a curva da própria nádega.

- “Atração” - Priscila disse a palavra como se estivesse cuspindo um veneno que a sufocava há muito tempo - “Atração por você, Jaqueline. Desde o primeiro dia em que te vi. Você tinha doze anos quando seu pai morreu, e eu já era casada com ele. Eu já era sua madrasta. Mas quando te conheci... Caramba, você era tão bonita. E ficou mais bonita a cada ano”

Jaqueline sentiu um arrepio percorrer sua espinha, mas não se mexeu.

- “Era por isso que você olhava daquele jeito?”

- “Sim”

- “Era por isso que você nunca reclamou das minhas roupas?”

Priscila riu, um riso amargo, sem humor.

- “Você acha que eu não percebi? As camisetas transparentes, os shorts que mostravam metade da sua linda bunda, os pijamas finos que deixavam tudo à mostra quando a luz do sol entrava pela janela da sala. Você não usava aquilo por acaso, Jaque. Você usava aquilo para mim”

Jaqueline não negou. Não podia. Cada palavra de Priscila era verdade, e ouvi-las ditas em voz alta era ao mesmo tempo um alívio e um terror.

- “Você está certa” - Jaqueline admitiu, e a voz dela tremeu ligeiramente - “Eu usava aquelas roupas porque sabia que você olhava. E eu gostava que você olhasse. Gostava de pensar que você me desejava”

Alberto permanecia em silêncio, mas seus olhos iam de uma a outra, absorvendo cada detalhe da confissão dupla.

- “Quando você começou a namorar Alberto” - Jaqueline continuou, agora olhando para ele - “eu senti ciúmes. Não queria sentir, eu namoro a Aline, mas senti. Ciúmes de você, Priscila, por dividir sua atenção com ele. E ciúmes dele, por ter o que eu não podia ter”

Priscila levou a mão à boca, como se contivesse um soluço. Mas não eram lágrimas que ameaçavam vir, era excitação. Jaqueline reconheceu o brilho nos olhos da madrasta. Era o mesmo brilho que vira minutos antes, quando Priscila a encarava enquanto gozava.

- “E agora?” - Priscila perguntou, a voz grossa de desejo mal contido - “O que você sentiu quando nos viu? Quando me viu gemendo seu nome?”

Jaqueline respirou fundo. Era o momento da verdade.

- “Eu fiquei excitada” - disse, e a palavra pareceu queimar seus lábios - “Mais do que já fiquei na minha vida inteira. Eu me toquei ali no corredor enquanto vocês transavam. Eu gozei vendo você gozar para mim”

O ar na cozinha ficou denso, irrespirável.
Alberto falou pela primeira vez. Sua voz era calma, medida, a voz de um homem que organizava eventos corporativos e sabia como controlar uma situação.

- “E o que você quer agora, Jaqueline?”

A pergunta era simples, mas carregava um peso imenso.
Jaqueline olhou para Priscila. Olhou para Alberto. Lembrou-se do beijo rápido de Aline naquela manhã, da namorada que a esperava no Sábado para o jantar na casa da mãe. Lembrou-se de todas as certezas que construiu sobre si mesma: que gostava apenas de mulheres, que nunca se interessaria por um homem, que Alberto era apenas um incômodo suportável.
E então lembrou-se do momento em que Alberto penetrou Priscila. Do som que a madrasta fez. Da maneira como seus olhos se encontraram através da fresta da porta.

- “Eu não sei o que eu quero” - respondeu Jaqueline, e pela primeira vez em muito tempo, era a pura verdade - “Mas eu sei que não consigo parar de pensar no que vi. E que parte de mim... parte de mim quer ver mais”

Priscila levantou-se. Contornou a mesa e ajoelhou-se diante da cadeira de Jaqueline. Sua mão morena, as unhas pintadas de vermelho-escuro, tocou o joelho da enteada com uma delicadeza que contrastava com tudo o que acontecera até então.

- “Então vamos descobrir juntas” - Priscila sussurrou - “O que você quer ver mais, Jaque? O que você quer sentir?”

Jaqueline olhou para Alberto novamente. Ele não se mexeu. Apenas esperava, como se tivesse todo o tempo do mundo.
A garota ruiva sentiu o corpo responder antes que sua mente pudesse formular uma resposta. Entre as pernas, a umidade voltava. Seus mamilos endureceram sob a blusa azul-marinho. E seus lábios se abriram para dizer algo que, vinte e quatro horas antes, ela jamais imaginaria pronunciar.

- “Quero saber como é ser tocada por vocês dois”

As palavras pairaram no ar como uma sentença.
Priscila sorriu (não o sorriso perverso que Jaqueline vira no quarto, mas algo mais doce, mais promissor). Alberto inclinou-se ligeiramente para frente, e pela primeira vez, um sorriso também curvou seus lábios.

- “Você tem certeza?” - ele perguntou.

- “Não... Não tenho” - Jaqueline respondeu - “Mas eu quero descobrir”

Priscila levantou-se, puxou Jaqueline pela mão, e os cabelos negros da madrasta roçaram o rosto da enteada.

- “Então vamos começar devagar” - disse Priscila, beijando a têmpora ruiva - “Temos muito tempo. E você tem muito a aprender”

Jaqueline fechou os olhos por um instante. Quando os abriu, viu Alberto se aproximar, viu as mãos de Priscila deslizarem por sua cintura, e sentiu o coração bater tão forte que parecia querer sair do peito.
Ela não sabia o que aconteceria a seguir. Não sabia como explicaria para Aline. Não sabia se aquilo a destruiria ou a completaria. Mas, naquele momento, com o cheiro de sexo ainda impregnado na cozinha e os olhos de duas pessoas fixos nela, Jaqueline decidiu que não queria saber.
Ela queria apenas sentir.

...

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Ficha do conto

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Nome do conto:
LAÇOS DE PRAZER - Capítulo 1: O Flagrante e a Confissão

Codigo do conto:
258542

Categoria:
Confissão

Data da Publicação:
03/04/2026

Quant.de Votos:
1

Quant.de Fotos:
2