O cheiro da submissão

O relógio na parede do escritório parecia estar me provocando, os ponteiros arrastando-se em um ritmo agonizante que não combinava com a urgência dos meus pensares. Eram quase nove da noite. A farmácia já estava fechada há horas, o balcão limpo, as luzes do fundo apagadas, mas eu ainda estava lá, preso a planilhas de inventário que não faziam sentido algum na minha cabeça. O cheiro de álcool e remédios estava impregnado nas minhas roupas, um aroma estéril que me lembrava o quanto eu estava cansado daquela rotina. Meu pai, o político sempre impecável, diria que era o preço do sucesso, da responsabilidade. Mas, naquele momento, com a barriga roncando levemente e os olhos queimando de tanto olhar para a tela, o único sucesso que eu desejava era a liberdade lá fora.

Fechei o laptop com um baque seco, o som ecoando no silêncio vazio do estabelecimento. O ar condicionado tinha sido desligado, e o calor úmido da noite começava a se infiltrar pelas frestas das janelas. Espreguicei-me na cadeira, sentindo a coluna estalar, e levantei-me. A camiseta algodão, justa no torso, colava levemente às costas suadas. Ajeitei a barra da calça jeans, agora sentindo o peso do dia nas pernas. Eu precisava sair. Precisava de ar. Precisava de qualquer coisa que não fosse aquela tela brilhante me julgando por não ter terminado o relatório.

Saí pela porta dos fundos, trancando-a com cuidado. A chave girou na fechadura com um som metálico final. Lá fora, a cidade era diferente. Não era a cidade movimentada do comércio, com mães de família e idosos buscando receitas. Era a cidade da noite, das sombras, dos sons abafados de carros passando em ruas distantes. O ar estava pesado, carregado de umidade e da promessa de chuva. Respirei fundo, sentindo o cheiro de asfalto quente e terra molhada. Era um cheiro muito mais real do que o da farmácia.

Comecei a andar sem destino definido. Meu tênis batia ritmadamente no calçamento irregular. O flat onde eu morava ficava a apenas algumas quadras dali, perto da praça principal, mas meus pés pareciam ter vontade própria. Eu não estava pronto para voltar para o vazio do apartamento, para a cama fria e para a reflexão solitária sobre o quão longe eu estava dos meus sonhos de viajar pelo mundo. Aquele sentimento de impaciência, essa coceira debaixo da pele que sempre me dizia para fazer algo impulsivo, estava começando a subir.

Virei à esquerda na esquina, afastando-me do caminho para casa. A rua ficava mais escura a cada passo. As postes de luz eram escassos, e alguns estavam quebrados, deixando pedaços de calçada mergulhados na penumbra. Eu me sentia estranhamente confortável naquela escuridão. Era como se a noite removesse a máscara de "João, o gerente modelo, o filho do político", e deixasse apenas o homem, com seus desejos confusos e sua necessidade crua de sentir algo.

Cheguei à Praça da Matriz. Durante o dia, era um lugar movimentado, cheio de crianças correndo, pombos e idosos nos bancos. Mas àquela hora, era um deserto de concreto e árvores silenciosas. O coreto ao centro parecia um esqueleto de madeira sob a luz pálida da lua. Sentei um arrepio percorrer minha nuca, não de frio, mas de adrenalina. Era aquele tipo de silêncio que gritava que você não deveria estar lá.

Foi então que o vi.

Ele estava sentado em um banco de pedra quase escondido pela sombra de uma figueira antiga. À primeira vista, parecia apenas um monte de trapos, uma forma escura e indistinta no banco. Mas, quando meus olhos se ajustaram, percebi que era um homem. Um morador de rua. Seus cabelos eram uma massa emaranhada e suja, caindo sobre os ombros e cobrindo parte do rosto. As roupas eram camadas sobrepostas de casacos sujos e calças esfarrapadas que mal deixavam adivinhar a forma do corpo debaixo dele. Havia um cheiro forte no ar, uma mistura de suor velho, terra e urina, que atingiu meu nariz como um soco físico.

Eu deveria ter virado as costas. O bom senso, aquele que meu pai tentava me ensinar, gritava para eu ir embora, para não me envolver. Mas meus pés estavam plantados no chão. Eu olhei para ele e, de alguma forma, senti uma conexão estranha. Talvez fosse a minha própria insatisfação se projetando naquela figura abandonada, ou talvez fosse apenas a curiosidade mórbida que sempre foi minha fraqueza. O homem levantou a cabeça devagar.

Mesmo na penumbra, seus olhos brilharam. Eram duros, vigilantes, sem nenhum traço de vergonha ou submissão. Ele me observou com uma intensidade que fez meu coração disparar no peito. Não era o olhar de alguém pedindo esmola. Era o olhar de um predador avaliando a presa, ou de um homem calculando o que fazer com um intruso em seu território.

— O que você quer, garoto de programas? — A voz dele foi rouca, como lixa sendo arrastada em madeira, mas carregava uma autoridade inegável.

A pergunta me pegou de surpresa. Olhei para mim mesmo. Camiseta de marca, jeans caros, tênis limpos. Eu não parecia um morador de rua, mas talvez, naquela hora, com aquele ar de perdido, eu parecesse fácil. Um sorriso se formou nos meus lábios sem que eu percebesse. Era um desafio.

— Só passeando — respondi, minha voz soando estranhamente calma. — A praça é bonite à noite.

Ele riu, um som curto e seco que não tinha graça nenhuma.

— Bonita. Tá. Você tá perdido, garoto. Ou tá procurando algo que não devia.

Ele se levantou. O movimento foi fluido, surpreendente para alguém na condição dele. Ele era mais alto do que parecia sentado. A camada de sujeira não conseguia esconder a largura dos ombros ou a força bruta que emanava dele. Eu soube, naquele instante, que estava em perigo. E, ao mesmo tempo, senti uma onda de calor subir das minhas virilhas, misturada com o medo. Era uma adrenalina primitiva, antiga, que reconhecia a dominância.

— Talvez eu esteja — disse eu, dando um passo para frente, invadindo o espaço dele. Era estúpido, impulsivo, totalmente eu.

Ele não recuou. Pelo contrário, ele se aproximou. O cheiro dele ficou mais forte, embriagador de tão real. Ele parou a poucos centímetros de mim. Eu podia ver as sujeiras no rosto dele, a barba por fazer, os dentes amarelados, mas também podia ver a energia bruta. Ele estendeu a mão e, antes que eu pudesse reagir, agarrou minha virila com uma força que me tirou o fôlego.

— Você gosta de brincar de perigoso, é? — ele sussurrou no meu ouvido, o hálito quente e fétido contra minha pele. — Vamos ver se você aguenta o brinquedo.

Meus joelhos quase falharam. A mão dele era áspera, calejada, e a pressão foi dolorosa e eletrizante ao mesmo tempo. Eu não disse nada. Não conseguia. Apenas balancei a cabeça, um movimento quase imperceptível.

— Vem — ele ordenou, soltando-me e virando-se na direção do banheiro público da praça.

Eu o segui. Era como se eu estivesse hipnotizado, um corpo alheio controlando meus movimentos. O banheiro ficava no canto mais escuro da praça, uma construção de cimento com portas de madeira podre e telhado parcialmente quebrado. O cheiro de urina e mofo era forte antes mesmo de entrarmos. Ele empurrou a porta pesada e entrou, segurando-a para eu passar.

Lá dentro, a escuridão era quase total, exceto por uma luz fraca que entrava por uma janela alta e coberta de teias de aranha. O chão de cimento estava úmido e escorregadio. Havia urina nos cantos, e o cheiro era sufocante, um miasma de degradação. Eu me senti pequeno, vulnerável, e estranhamente excitado. Meu pau estava duro, pulsando dentro da calça jeans, uma traição óbvia do meu corpo.

Ele me empurrou contra a parede fria e úmida. Minha bochecha esbarrou no azulejo sujo. Senti a mão dele deslizar pela minha cintura, puxando a camiseta para cima, expondo minha pele ao ar frio e sujo do banheiro. Seus dedos roçaram pelos da minha barriga, fazendo minha pele de galinha.

— Tira isso — ele comandou.

Eu obedeceu. Minhas mãos tremiam levemente enquanto eu desabotoava o cinto, o botão da calça e descia o zíper. A calça jeans escorregou pelas minhas pernas, acumulando-se nos tornozelos. Eu fiquei lá, de cueca boxer branca, contra a parede de um banheiro público sujo, com um estranho desconhecido atrás de mim.

Ele riu baixinho, um som gutural. A mão dele puxou a elasticidade da cueca, soltando-a com um estalo contra minha pele. Meu pau saltou para fora, duro e exposto. O ar frio bateu na glande, mas o calor do corpo dele logo se aproximou.

— Olha só isso — ele murmurou, e senti seus dedos envolvendo minha ereção. — O garoto rico tá gostando disso.

Ele começou a me masturbar com movimentos rápidos e grosseiros. Não havia delicadeza, apenas necessidade e uso. Eu gemi, minha testa batendo contra a parede. Era humilhante e incrível. Eu me sentia um objeto, apenas um furo para ser usado, e aquela ideia me deixava tonto.

— Vira pra cá — ele ordenou, girando meu corpo.

Eu me virei para enfrentá-lo. Ele estava mais perto agora. A luz pálida iluminava metade do rosto dele, revelando um sorriso cruel. Ele empurrou os ombros, fazendo-me descer. Eu entendi o que ele queria. Meus joelhos bateram no chão sujo e úmido de cimento. A dor foi aguda, mas foi rapidamente substituída pela urgência da situação. Eu estava olhando diretamente para a calça suja dele.

— Tira — disse ele.

Eu levantei as mãos, agora sujas de cimento, e desfiz o cinto dele. Era um cinto de velho, couro gasto. A calça dele era larga e cheia de manchas. Quando a desci, não havia cueca. O pau dele estalou para fora, semi-ereto, já parecendo uma arma. Era grande, mais grosso que o meu, com uma veia grossa pulsando ao longo da haste. O cheiro era intenso, de suor, urina e umidade não lavada, um odor masculino puro e cru.

Eu não esperei. Eu abri a boca e avancei. Não havia preliminares, não há beijos românticos. Era fome. Eu enchi minha boca com a carne dele, sentindo o gosto salgado e amargo da pele suja. Ele endureceu instantaneamente na minha boca, crescendo até tocar o fundo da minha garganta, fazendo-me engasgar.

— É isso, garoto — ele grunhiu, colocando a mão na minha nuca e empurrando minha cabeça para frente. — Chupa essa rola. Chupa como se fosse a última coisa que você ia comer.

Eu deixei ele guiar meu movimento. Ele fodia minha boca com força, batendo os quadris contra meu rosto. Eu tentava relaxar a garganta para tomar tudo, mas ele era grande demais. Minhas lágrimas escorriam pelo rosto, misturando-se com a sujeira do banheiro. Eu conseguia ouvir os sons obscenos: o barulho de sucção, o choro da minha garganta sendo forçada, os grunhidos dele acima de mim.

Ele puxou meu cabelo, forçando meu rosto para cima para olhá-lo. Meu lábio inferior estava ferido, inchado. Baba escorria pelo meu queixo.

— Você é uma puta, não é? — ele perguntou, cuspindo no meu rosto. O cuspe bateu na minha bochecha e escorreu. — Uma puta rica que adora um pau de mendigo.

— Sim — eu gaguejei, minha voz rouca. — Sou sua puta.

— Então abre essa boca de novo — ele empurrou a cabeça dele de volta para o pau dele.

Eu continuei sugando, desesperado, usando a língua para lamber a uretra, para morder delicadamente a glande. Ele estava gostando. Podia sentir as coxas dele tremendo ao lado da minha cabeça. A respiração dele estava pesada, ofegante.

— Vou gozar na sua cara, garoto — ele avisou, mas não parou de foder minha boca. — Vou te marcar.

Ele aumentou o ritmo, tornando-o brutal. Eu me senti usado, descartável, e isso me fazia querer mais. Meu próprio pau doía, tão duro que parecia que ia explodir sem nem ser tocado. De repente, ele puxou meu cabelo com força, tirando meu pau da boca com um som pop alto.

— Abre a boca! — ele gritou.

Eu abri a boca, esticando a língua, esperando. Ele masturbou-se rapidamente na minha frente, a mão deslizando pela haste grossa e lubrificada pela minha saliva. Com um urro gutural, ele estremeceu todo. O primeiro jato de porra foi forte, acertando em cheio o meu rosto, cobrindo meu olho esquerdo e meu nariz. O segundo jato foi direto na minha boca, quente e salgado, enchendo-a. Eu engoli o que pude, sentindo o líquido espesso descer pela minha garganta. Ele continuou gozando, cobrindo minhas bochechas, meu queixo, pingando no meu peito e na camiseta levantada.

Fiquei lá, de joelhos, coberto pelo esperma dele, ofegante, tentando recuperar o fôlego. O cheiro de sexo e urina era avassalador. Ele deu um passo para trás, ajeitando a calça, olhando para mim com desdém.

— Não é ruim — ele comentou, limpando a ponta do pau na minha camiseta. — Mas você ainda tá limpo demais.

Ele me puxou pelos cabelos novamente, me forçando a ficar de pé. Minhas pernas estavam fracas. Ele me girou e me empurrou de bruços contra o pia quebrado do banheiro. O cerâmica fria contra meu estômago me fez estremecer. Eu senti as mãos dele puxando minha cueca, descendo-a até os joelhos junto com a calça.

— Vamos ver se esse cu aguenta — ele disse.

Senti o dedo dele, grosso e sujo, roçando meu anus. Eu contraí involuntariamente.

— Relaxa, porra — ele deu um tapa na minha bunda, estalando alto e ecoando no banheiro. A dor aguda me arrouxei. — Se você apertar, vai doer mais.

Ele cuspiu na minha bunda, usando a saliva como lubrificante precário. Senti a cabeça do pau dele, enorme e quente, pressionando minha entrada. Eu tentei relaxar, respirar fundo, mas o pânico se misturava com o desejo. Ele empurrou. A dor foi imediata e intensa, um estiramento que parecia que ia me rasgar ao meio.

— Ai! — gritei, minhas unhas arranhando o cimento do pia.

— Cala a boca, sua viada — ele sussurrou no meu ouvido, mordendo minha orelha. — Você pediu isso.

Ele continuou empurrando, implacável, até que a cabeça do pau dele entrou. Eu gritei abafado contra o braço. Ele esperou um segundo, apenas para sentir minha resistência, e então entrou tudo de uma vez. Eu me senti cheio, transbordando. A dor deu lugar a uma sensação de plenitude grotesca. Ele estava fundo dentro de mim, tocando lugares que ninguém tinha tocado antes.

Ele começou a foder meu cu com uma fúria animal. Não havia ritmo, apenas pancadas secas e profundas. O corpo dele batia contra minha bunda, fazendo sons de pele contra pele que pareciam tiros. Eu estava preso no pia, sem escape, sendo usado como um boneco inflável. A dor e o prazer se misturavam em uma única onda de sensação avassaladora que me deixava tonto.

— Seu cu é apertado, caralho — ele grunhiu, puxando meu cabelo e forçando minha cabeça para trás. — Você gosta de ser arrombado num banheiro imundo, não gosta?

— Sim! — gritei, sem vergonha, sem orgulho. — Fode-me! Arromba meu cu!

Ele riu, um som sombrio e excitado. Ele acelerou o ritmo, se tornando uma máquina de foder. Eu sentia as veias do pau dele roçando minhas paredes internas, a glande batendo na minha próstata. Meu próprio pau, espremido contra o pia frio, pingava porra pré-ejaculatório no cimento sujo. Eu estava perto, muito perto, só daquela estimulação brutal.

— Vou encher esse cu de leite — ele avisou.

Com um último empurrão violento, ele enterrou o pau até a base e gritou. Eu senti o jato de porra quente explodir dentro de mim, enchendo meus intestinos, marcando-me por dentro. A sensação de calor e umidade foi o empurrão final que eu precisava. Meu corpo estremeceu todo e eu gozei sem nem tocar no meu pau. Minha porra jorrou no cimento do banheiro, misturando-se com a sujeira e a urina antiga.

Ficamos assim por um momento, presos um ao outro, ofegantes, suados, exaustos. Ele puxou o pau para fora com um som úmido e nojento. Senti a porra dele escorrer da minha bunda, escorrendo pela minha coxa. Eu me senti vazio, usado, uma casca vazia.

Ele se afastou. Eu me virei devagar, encostando no pia para não cair. Meu corpo tremia. Ele olhou para mim, calculando, e depois um sorriso torto surgiu no rosto dele.

— Ainda falta algo — disse ele.

Antes que eu pudesse processar o que ele disse, ele pegou o pau dele e começou a mijar. O jato amarelo e forte acertou meu peito, molhando a camiseta. Eu me afastei instintivamente, mas ele me empurrou de volta para o lugar.

— Não se mexe — ele ordenou.

Ele direcionou o jato para cima, acertando meu rosto. Eu fechei os olhos e a boca, sentindo o líquido quente e ácido correndo pelo meu rosto, entrando no meu nariz, molhando meu cabelo. O cheiro era forte, humilhante. Ele mijou na minha barriga, no meu pau mole, nas minhas pernas. Eu estava encharcado, o cheiro de urina agora era o meu cheiro.

Quando ele terminou, balançou o pau e guardou-o de volta na calça.

— Agora você cheira a um homem de verdade — disse ele, virando as costas.

Ele saiu do banheiro sem olhar para trás. A porta bateu atrás dele, deixando-me sozinho na escuridão.

Eu fiquei lá por um tempo que não soube medir. O silêncio do banheiro era ensurdecedor. Eu me olhei nas manchas do espelho quebrado acima do pia. O reflexo era de um estranho. Um homem de camiseta encharcada de urina e porra, com o rosto inchado e sujo, as calças nos tornozelos. Eu me senti nojento. Deveria me sentir nojento. Mas, ao mesmo tempo, senti uma paz estranha. A máscara de João, o gerente perfeito, o filho do político, tinha sido destruída. Eu estava nu, literal e figurativamente, e eu tinha sobrevivido.

Ajeitei a roupa devagar. A calça estava pesada e úmida. A cueca estava uma massa gelada e desconfortável. Subi o zíper, sentindo o metal frio contra a pele sensível da minha virilha. A camiseta colava no peito, pesada de fluidos. Eu cheirava a um esgoto.

Saí do banheiro. A noite lá fora parecia mais clara depois da escuridão do interior. O ar fresco bateu na minha pele molhada, me fazendo estremecer de frio. A praça ainda estava deserta. Não havia sinal do homem. Ele tinha desaparecido na noite como um fantasma.

Comecei a andar em direção ao flat. Cada passo era uma lembrança do que tinha acontecido. A urina na minha camiseta esfriava, me deixando tremer. A porra no meu cu escorria lentamente, uma lembrança constante e úmida da dominação que eu tinha sofrido. Eu me sentia exposto. Se alguém me visse na rua, um homem bem-apessoado andando como um zumbi, cheirando a urina, eu estaria acabado. O escândalo seria a ruína da minha família.

Mas não havia ninguém. As ruas estavam vazias. Apenas os fantasmas da cidade noturna. Eu andei rápido, olhando para o chão, com medo de cruzar com um carro da polícia ou com alguém conhecido. O flat estava a apenas algumas quadras dali, uma distância que parecia uma maratona.

Quando cheguei ao prédio, o porteiro não estava na recepção. Sorte. Eu não teria conseguido explicar aquele estado. Entrei no elevador, pressionando o botão para o meu andar com um dedo trêmulo. O espelho do elevador me mostrou o horror da minha aparência. Meu cabelo castanho, antes bem cuidado com o topete na testa, estava desgrenhado e colado pela testa com urina. Meus olhos azuis, brilhantes e confiantes, estavam vidrados, vermelhos e inchados. A barba perfeita estava manchada.

O elevador abriu. Eu quase corri para a minha porta. Enfiei a chave na fechadura, minhas mãos sujas escorregando no metal. Entrei e tranquei tudo, três vezes. Me encostei na porta e deslizei para o chão, exatamente como tinha feito no banheiro da praça.

Lá estava eu, no meu lar seguro, limpo e silencioso. Mas eu não me sentia em casa. Eu sentia o cheiro do banheiro público impregnado na minha pele, nos meus cabelos, nas minhas roupas. Eu levantei a mão e cheirei. Urina. Sexo. Sujeira. O cheiro dele.

Eu fechei os olhos e vi o rosto dele, a crueldade nos olhos, a força nas mãos. Senti a dor na minha garganta, a dor no meu cu, a queimadura da urina nos meus olhos. E, pela primeira vez em muito tempo, eu não pensei na farmácia, na política, no meu pai, ou no futuro. Eu só estava ali, naquele momento, vivendo a consequência visceral de um impulso que eu não tinha controlado.

Eu me levantei devagar e fui para o banheiro do meu flat. Era o oposto do outro: branco, limpo, cheirando a sabão neutro. Eu me olhei no espelho de corpo inteiro. A camiseta cinza estava manchada de amarelo e branco. A calça jeans escura tinha uma mancha úmida na virilha.

Tirei a roupa devagar, deixando-a cair num monte no chão do banheiro limpo. Parecia um animal morto no meio de uma sala de operações. Eu liguei o chuveiro. A água quente bateu na minha pele, mas não parecia limpar. Eu esfregava meu corpo com força, tentando remover a camada de sujeira, de humilhação, de desejo. Mas o cheiro parecia vir de dentro de mim.

Eu me lavei por muito tempo. Lavei o cabelo, esfregando o couro cabeludo até doer. Lavei a boca, enxaguando até não sentir mais o gosto de porra. Lavei o cu, sentindo a água quente tocar a carne ferida e sensível.

Quando finalmente desliguei o chuveiro e me enxuguei com uma toalha felpuda e branca, eu me senti um pouco mais humano. Voltei para o quarto e me deitei na cama limpa, sem me vestir. O lençol fresco contra minha pele nua foi um choque.

Eu fiquei deitado, olhando para o teto. O silêncio do apartamento era diferente agora. Não era mais o silêncio da solidão, mas o silêncio do segredo. Eu tinha um segredo agora. Um segredo sujo, perigoso, excitante. Eu tinha sido usado, humilhado, e eu tinha gostado. Eu tinha ido atrás de algo proibido e tinha encontrado o abismo, e o abismo tinha me olhado de volta e me cuspido de volta, transformado.

Meu corpo doía em todos os lugares. Minha garganta estava arranhada. Meu ânus pulsava ritmicamente, um lembrete constante da invasão. Mas, apesar da dor, apesar da humilhação de ter que voltar para casa molhado de urina de um estranho, eu não me arrependia.

Passei a mão na minha barriga lisa, descendo até o meu pau que, incrivelmente, começava a endurecer novamente apenas de pensar no que tinha acontecido. Eu me imaginei de volta naquele banheiro, sentindo o cheiro dele, sentindo a força dele me usando. Eu me imaginei pedindo mais.

Eu sabia que aquilo mudou tudo. Eu não poderia mais olhar para as planilhas de inventário da farmácia sem sentir o cheiro de urina. Eu não poderia mais sorrir para os clientes sem lembrar do gosto da porra de um desconhecido. Eu tinha cruzado uma linha, e não havia volta.

E, enquanto o sono finalmente começava a chegar, pesado e exausto, uma última pensamento passou pela minha cabeça, não com medo, mas com uma antecipação tremente: eu ia voltar lá. Eu ia procurar aquele banheiro, aquela praça, aquele cheiro. Eu precisava sentir aquilo de novo. Eu precisava ser destruído para me sentir inteiro.

Eu virei de lado, puxando o travesseiro, e fechei os olhos. O sono me levou rapidamente, mas meus sonhos não eram de praias desertas ou viagens pelo mundo. Eram de azulejos sujos, de mãos ásperas, de urina quente e de uma escuridão que finalmente me sentia em casa.

Foto 1 do Conto erotico: O cheiro da submissão


Faca o seu login para poder votar neste conto.


Faca o seu login para poder recomendar esse conto para seus amigos.


Faca o seu login para adicionar esse conto como seu favorito.


Twitter Facebook



Atenção! Faca o seu login para poder comentar este conto.


Contos enviados pelo mesmo autor


259397 - A besta no mato - Categoria: Gays - Votos: 0
259307 - Fetiches no bainheirão - Categoria: Gays - Votos: 7

Ficha do conto

Foto Perfil casadofetishista
casadofetishista

Nome do conto:
O cheiro da submissão

Codigo do conto:
259398

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
14/04/2026

Quant.de Votos:
0

Quant.de Fotos:
1