Eu joguei a mochila no canto do quarto, perto da cama de solteiro onde eu dormia desde que nasci. O quarto era grande, com aquelas janelas altas e venezianas de madeira que batiam quando o vento soprava forte da praça lá fora. Pela janela aberta, dava para ver o coreto iluminado por postes amarelos e o chafariz jorrando água em silêncio. A cidade dormia, mas a minha adrenalina acabava de acordar.
— Pai foi embora mesmo? — A voz de Luan veio de trás, seguida pelo som da porta se fechando com um clique seco.
— Viu a mala dele na sala? — respondi sem virar, abrindo o guarda-roupa para pegar um roupão velho. — Seu tio voou. Até segunda-feira nós somos donos da parada.
Luan riu, aquela risada grossa e estrondosa que sempre ecoava pelas paredes da escola. Ele se jogou na minha cama, fazendo as molas gemerem em protesto. Luan sempre foi o maior dos três, com aquela barriguinha de chopp que ele ostentava como um troféu, macia e convidativa, projetando-se sobre o cinto da calça jeans que ele usava apertada de propósito. A camiseta preta de uma banda de rock norueguês estava esticada no peito largo.
— E o Gabriel? — Luan perguntou, já tirando os tênis e deixando-os cair no chão de madeira com um baque surdo.
— Tá descendo. Mandei mensagem lá embaixo.
Quase na mesma hora, a porta se abriu de novo e Gabriel entrou, trazendo aquela vibe de "bonachão" que enganava todo mundo. Gabriel era mais gordinho também, mas com aquela barba desenhada perfeita, feita com navalha e paciência, que lhe dava um ar de adulto responsável. Mas eu conhecia o animal que morava ali dentro. Ele trazia uma garrafa de whisky roubada da adega do meu pai em uma mão e três latas de gelada na outra.
— Trouxe o combustível — Gabriel sorriu, aquele sorriso de olhos castanhos brilhando de malícia. Ele colocou a bebida sobre a escrivaninha, onde meus livros de farmácia e administração estavam empilhados, esperando para serem estudados. Fuck os livros. Aquilo ali era educação de verdade.
Eu me virei para eles. O ar no quarto parecia ter engrossado de repente, carregado de uma eletricidade estática que só existia entre nós três. Não era a nossa primeira vez. Longe disso. Desde os quinze anos, aquele quarto era o santuário das nossas perversões, o laboratório onde testávamos os limites da nossa anatomia e da nossa vergonha. Mas toda vez parecia a primeira, com aquele frio na barriga e o coração batendo na garganta.
— Então — Gabriel começou, servindo whisky em três copos de vidro que eu peguei no banheiro. Ele tomou um gole longo e limpou a boca com as costas da mão. — Mais um final de semana de curtição?
Luan se sentou na cama, encostando-se na cabeceira, e abriu as pernas. O movimento foi lento, proposital. A calça jeans marcava a coxa grossa e a virilha. Eu vi o olhar dele seguir Gabriel, que estava de pé, e depois pousar em mim.
— Brotheragem antes de tudo — disse Luan, estendendo a mão.
Eu fui até a cama e sentei ao lado dele, Gabriel sentou na outra ponta. Batemos os copos, o vidro tilintando num brinde sem palavras, e bebemos. O álcool queimou a descida, abrindo caminho no estômago e relaxando os músculos do ombro. A conversa fluiu naturalmente no começo, sobre a escola, sobre as meninas que Luan queria comer, sobre o campeonato de futebol da cidade, sobre a pressão do meu pai para eu entrar na política. Mas era apenas ruído de fundo, uma trilha sonora para o que realmente estava acontecendo sob a superfície.
Eu senti o pé de Luan roçar na minha perna. Não foi um acidente. Ele deslizou o pé descalço, com aqueles dedos grossos e peludos, pelo meu tornozelo até a canela, esfregando a pele com uma pressão firme e lenta. Olhei para ele. Luan não estava olhando para minha cara, estava olhando para a minha boca, depois para minha virilha. O sorriso dele tinha desaparecido, substituído por uma expressão de fome pura.
Gabriel percebeu. Ele sempre percebia. Ele colocou o copo na mesa e se aproximou, ajoelhando-se no chão entre as pernas abertas de Luan, que a partir daquela posição pareciam um convite aberto para o pecado.
— Tá difícil hoje, hein? — Gabriel sussurrou, colocando a mão na coxa de Luan.
Luan soltou um gemido abafado, jogando a cabeça para trás e expondo o pescoço. — Caralho, Gabriel. Já começa logo.
Eu fiquei observando, sentindo meu próprio pau começar a endurecer dentro da calça do moletom. Era um vício, aquilo. Ver as mãos de Gabriel, grossas que nem as dele, desabotoando a calça de Luan com uma lentidão torturante. O zíper desceu com aquele chiado metálico que soava como música para meus ouvidos. Luan levantou o quadril para ajudar, e Gabriel puxou jeans e cueca juntos para baixo, liberando o membro de Luan que já estava semicerço, pulsando no ar fresco do quarto.
Era um pau grosso, com uma veia saliente na lateral que batia no ritmo do coração dele. O cheiro chegou até mim instantaneamente: musgo, testosterona, um cheiro de homem que não tomava banho há algumas horas, aquele odor acre e delicioso que me deixava tonto. Gabriel não esperou. Ele inclinou a cabeça e levou a língua à base da glande, lambendo o precum que já estava borbulhando na ponta.
— Puta merda — Luan grunhiu, suas mãos indo automaticamente para a cabeça de Gabriel, entrelaçando os dedos nos cabelos escuros e empurrando para baixo.
Gabriel engoliu tudo de uma vez. Não tinha cerimônia. Ele era bom da boca, sabia usar a língua, sabia contrair a garganta. Eu via as bochechas dele inchando e murchando enquanto ele chupava Luan com vontade, aquele sombo molhado e obsceno de glup, glup, glup enchendo o quarto. Minha mão foi para o meu próprio cacete, esfregando-o por cima do tecido grosso do moletom. A pressão era alívio e tortura ao mesmo tempo.
— Vem cá, João — Luan chamou, a voz rouca de prazer. Ele estendeu a mão para mim, acenando. — Não fica aí só olhando.
Eu rasteje na cama até ficar perto do rosto dele. Luan me puxou e me beijou. Foi um beijo bruto, de dentes batendo e línguas brigando, com gosto de whisky e saliva. Eu senti a barba dele roçando no meu rosto, áspera e masculina. Minha mão encontrou o peito dele por baixo da camiseta, sentindo os pelos crespos e o coração disparado. Eu belisque o mamilo duro e Luan mordeu meu lábio inferior.
— Tira essa porra de roupa — ordenou ele contra minha boca.
Eu me levantei por um segundo, puxando o moletom e a camiseta de uma vez só. O ar me bateu na pele nua. Eu não era o mais sarado do grupo, tinha uma barriguinha leve e macia, mas me sentia poderoso naquele ambiente. Luan me puxou de volta para o colo, de costas para ele, com minhas pernas de cada lado das dele. Meu pau endurecido estava encostado na barriga dele, enquanto Gabriel continuava chupando o dele lá embaixo.
A posição era perfeita. Luan começou a me masturbar, sua mão quente e áspera deslizando pelo meu pau lubrificado pelo precum que eu já estava soltando feito torneira. Ele apertava a glande a cada passada, fazendo eu arquear as costas e soltar um gemido que não tentei reprimir.
— Gosta disso, seu safado? — Luan sussurrou no meu ouvido, mordiscando a orelha. — Gosta de ver o Gabriel chupando minha rola enquanto eu te punheta?
— Sim... caralho... — eu ofeguei, fechando os olhos e me entregando à sensação.
Mas Gabriel queria mais. Ele soltou o pau de Luan com um "pop" alto e se levantou, limpando a saliva da boca com o dorso da mão. Ele tirou a própria camiseta, expondo o corpo gordinho e peludo, os mamilos escuros e o peito largo. Depois foi a vez da calça. Gabriel estava duro, muito duro. O pau dele batia na barriga, vermelho e vivo.
— Deita — Gabriel disse para Luan, empurrando-o de leve.
Luan se deitou na cama de bruços, levantando o quadril. A bunda dele era linda, grande e branca, com pelos correndo entre as nádegas. Gabriel não perdeu tempo. Ele se ajoelhou atrás e separou as bochechas com as mãos, expondo o cuzinho rosado e apertado. Ele cuspiu na mão e passou a saliva na entrada, depois levou a língua lá.
O gemido de Luan foi abafado pelo travesseiro. Gabriel comia o cu dele com fome, lambendo, chupando, penetrando o orifício com a ponta da língua enquanto Luan se contorcia na cama. Eu fiquei de lado, vendo a cena, minha mão correndo freneticamente pelo meu próprio pau. Era pornográfico. Era melhor que qualquer vídeo que eu já tinha assistido.
— Vem cá — Gabriel olhou para mim por cima do ombro de Luan. — Toma o lugar daí. Vou preparar esse terreno.
Eu me posicionei na frente de Luan. Ele levantou a cabeça, o rosto vermelho e suado, e abriu a boca para mim. Eu não precisei pedir. Eu encaixei meu pau na boca dele e ele aceitou tudo, a garganta relaxada, a língua trabalhando a glande enquanto eu começava a mover o quadril, fodendo a boca dele com lentidão, sentindo o calor úmido e o aperto dos lábios dele.
Enquanto isso, Gabriel tinha parado de lamber e estava agora dedando o cu de Luan. Um dedo, depois dois. Ele usava a saliva e o próprio precum para lubrificar, abrindo o caminho. Luan gemia em volta do meu pau, a vibração percorrendo toda a extensão da minha ereção.
— Tá pronto? — Gabriel perguntou, sua voz rouca.
Luan soltou meu pau da boca, virando o rosto para trás. — Fode essa porra agora, Gabriel. Sem camisinha. Eu quero sentir vocês dentro de mim.
Aquilo foi o estopim. A frase "sem camisinha" ecoou na minha mente como uma bomba. Nós tínhamos feito isso antes, claro. Era a nossa regra não escrita desde que perdemos a virgindade uns com os outros. O calor de pele com pele, o risco, a sensação visceral de entrar sem barreiras. Era o auge da brotheragem, a entrega total.
Gabriel cuspiu na mão, lubrificou o próprio pau todo, que parecia ter crescido mais ainda, e se posicionou atrás de Luan. Ele segurou as nádegas firmes e empurrou a cabeça do cacete contra o cuzinho relaxado.
Luan prendeu a respiração. — Vai.
Gabriel entrou. Num movimento só, até a base. O gemido que Luan soltou foi quase um urro, misturado de dor e prazer intenso. Gabriel parou por um segundo, deixando o corpo dele se acostumar, depois começou a mover. O som de pele batendo na pele, tác, tác, tác, começou a ritmar o quarto.
Eu fiquei de joelhos na frente de Luan, oferecendo meu pau de novo. Ele me pegou com voracidade, chupando como se fosse a última coisa que ia comer na vida. A cena estava completa. Nós três, entrelaçados, suados, cheirando a sexo e álcool, movendo como uma única máquina de prazer.
Gabriel aumentou o ritmo. Ele segurava a cintura de Luan com força, deixando os dedos brancos de tão apertado. — Que cu apertado, caralho — ele grunhiu, o rosto contorcido de concentração. — Toma essa rola, seu vadia.
Luan só conseguia gemer em volta do meu pau. Eu senti a mão dele deslizar pelo meu saco, apertando os testículos, aumentando minha excitação. Eu olhei para baixo, para o rosto dele, os olhos vidrados, lágrimas de prazer escorrendo pelo canto dos olhos. Ele estava em êxtase.
— Eu vou gozar — eu avisei, a falha na voz.
Luan não parou. Se possível, chupou com mais força. Eu senti o orgasmo subindo da coluna, queimando, explodindo. Eu segurei a cabeça dele e arremessei os quadris para frente uma última vez.
— Ah, foda-se! — eu gritei.
O primeiro jato foi forte, batendo no fundo da garganta dele. Luan engoliu avidamente, mas eu joguei tanto leite que escorreu pelos cantos da boca dele, caindo no lençol branco da minha cama. Eu tremia todo, as pernas fracas, a mente branca, enquanto meu corpo se esvaziava dentro da boca do meu melhor amigo.
Quando terminei, me puxei para trás, caindo sentado na cama, ofegante. Luan limpou a boca com as costas da mão e lambeu os dedos, não perdendo uma gota.
— Delicioso — ele sussurrou, olhando para mim com um sorriso malandro.
Gabriel ainda estava fodendo o cu dele com força, agora com movimentos circulares que faziam Luan gemer alto. — Vem, Gabriel. Enche esse cu de porra. Eu quero sentir você gozando dentro de mim.
Gabriel apertou os olhos. O suor escorria pela testa dele, caindo nas costas de Luan. Ele estava perto. Eu via os músculos das pernas dele tremendo, o bumbum dele se contraindo a cada golpe.
— Toma, toma, toma! — Gabriel gritou, e com um urro primal, ele entrou fundo e parou.
Eu sabia o que estava acontecendo. Eu via a cara dele de prazer, os dentes apertados. Ele estava enchendo o cu de Luan com esperma, jato após jato quente e denso. Gabriel tremia, grunhindo baixinho, enquanto esvaziava as bolas dentro do amigo. Foi um momento de conexão absoluta, animal, primitiva.
Quando Gabriel se puxou, o pau dele saiu com um som molhado e nojento, seguido por um fio de porra branca que escorria do cuzinho de Luan, que agora estava vermelho, inchado e gotejando. O cheiro de esperma e cu ficou mais forte, impregnando o ar.
Luan se virou na cama, deitado de costas, o peito subindo e descendo rapidamente. Ele tinha a mão no próprio pau, masturbando-se furiosamente. O pau dele estava roxo, prestes a explodir.
— Me ajuda — ele pediu para nós dois.
Eu e Gabriel nos aproximamos. Eu comecei a lamber os testículos dele, enquanto Gabriel chupava a ponta do pau. Luan arqueou as costas toda, levantando o quadris da cama.
— Vou... vou... gozar... — ele avisou, e então o corpo dele endureceu.
Ele gozou. Foi uma explosão. A porra subiu alto, batendo no próprio peito dele, acertando até o queixo e a barba. Gabriel tentou pegar o máximo na boca, mas foi muita coisa. Nós ficamos ali, lambendo o leite da pele dele, passando a língua pelos pelos do peito, compartilhando o gosto salgado e amargo.
Caímos na cama, os três exaustos, um emaranhado de pernas e braços peludos e suados. O silêncio voltou ao quarto, mas agora era um silêncio pesado, de satisfação. O único som era nossa respiração voltando ao normal. Eu olhei para o teto, vendo as sombras das árvores da praça se movendo através das venezianas. Meu corpo doía, mas era uma dor boa. Uma dor de dever cumprido.
Passamos uns dez minutos assim, apenas recuperando o fôlego. Ninguém falou. Não precisava. A brotheragem era silenciosa às vezes.
Foi Luan que quebrou o gelo. Ele se sentou na beira da cama, passando a mão pelo cabelo bagunçado. — Cara, tô com uma sede absurda.
— Tem água na garrafa — eu disse, apontando para o criado-mudo.
Ele bebeu toda a água de um gole. Depois olhou para nós, com aquele brilho no olhar que eu conhecia muito bem. Ainda não tinha acabado. Para nós, nunca acabava tão cedo.
— E aí? — Luan perguntou, um sorriso torto no rosto. — Ainda aguenta mais?
Gabriel riu, se espreguiçando na cama. — Se você tiver cerveja, eu aguento.
— Tem cerveja na geladeira — eu disse. — Mas antes... — eu me levantei, sentindo a bunda doer e o corpo todo pegajoso de suor e porra. — Vamos tomar um banho. A gente tá uma nojeira.
— Banho juntos? — Gabriel sugeriu, levantando-se também.
— Claro — respondi.
Fomos até o banheiro que ficava no corredor, o banheiro social que minha mãe usava quando ainda estava viva. Era grande, com box de vidro e chuveiro com ducha de alta pressão. Eu abri o chuveiro e ajustei a temperatura. A água quente bateu nas costas e eu suspirei.
Entramos os três. Era apertado, mas não nos importávamos. O chão do box ficou escorregadio com o sabonete líquido que eu passei. Lavanos uns aos outros, mãos deslizando pelo corpo liso e molhado. Eu lavei as costas de Gabriel, sentindo a pele macia e os músculos sob a gordura. Luan me ajudou a lavar o cabelo, os dedos massageando meu couro cabeludo.
Foi ali, debaixo da água quente, que a ideia surgiu. Eu estava vendo Luan mijar, o jato amarelo misturando-se com a água que ia para o ralo. Ele não tinha vergonha, é claro. Nunca tivemos vergonha um do outro.
— Tá difícil segurer — Luan disse, olhando para mim. — A cerveja passou rápido.
— Deixa ir — eu disse, sem pensar duas vezes.
Luan relaxou a bexiga e o jato aumentou. Ele mirou na parede do box, mas depois desviou o jato para as pernas de Gabriel. Gabriel não se afastou. Pelo contrário, ele abriu as pernas e deixou o xixi bater nas coxas e no saco dele.
— Caralho, tá quente — Gabriel comentou, rindo.
Aquilo desbloqueou algo. Eu também senti a vontade. Eu me aproximei e comecei a mijar também, misturando meu jato com o de Luan sobre o corpo de Gabriel. A água amarela escorria pela barriga dele, pelos pelos pubianos, descendo pelas pernas. Era sujo, era degradante, e era incrivelmente excitante. Gabriel se masturbava debaixo da chuva de mijo, o pau endurecendo de novo.
— Me deixa — Gabriel pediu.
Nós paramos. Gabriel pegou o próprio pau e apontou para nós. — Querem?
Luan e eu nos olhamos e sorrimos. Nós nos agachamos, um de cada lado, e abrimos a boca. Não foi algo planejado, foi instinto. Gabriel soltou a bexiga e o jato bateu no meu rosto primeiro, quente e com cheiro forte. Eu virei o rosto para pegar na boca, o gosto salgado e amaro enchendo minha língua. Luan fez o mesmo, e nós compartilhamos o mijo de Gabriel, deixando escorrer pelo queixo, pelo peito, misturando-se com a água do chuveiro.
Foi um momento de pura luxúria, de abandonar qualquer noção de higiene ou civilização. Éramos apenas animais, marcando território, usando os fluidos um do outro para prazer. Quando Gabriel terminou, nós nos beijamos, trocando o gosto de urina e saliva, uma mistura ácida e doce que me deixou tonto.
Limpamos o chuveiro com água por mais cinco minutos, até não restar nenhum cheiro. Saímos de lá, toalhas nos ombros, sentindo-nos renovados e, ao mesmo tempo, exaustos.
Voltamos para o quarto. A cama estava uma bagunça, lençol amassado e manchado de fluidos. Nós nem nos importamos de arrumar. Nós nos deitamos, Gabriel no meio, eu e Luan de cada lado.
A noite ainda era jovem. O relógio na parede marcava meia-noite e meia. Ainda tínhamos o fim de semana inteiro pela frente. Meu pai só voltava no domingo à noite.
— E aí? — Luan sussurrou, a voz já ficando pesada de sono. Ele passou a mão pela barriga de Gabriel. — Amanhã a gente faz de novo?
— Claro que sim — eu respondi, fechando os olhos e sentindo o calor dos corpos dos meus amigos. — Amanhã a gente faz de novo. E depois de amanhã também.
Eu ouvi Gabriel rir baixinho, um som vibrante no peito dele. — É a nossa tradição, né? Enquanto o gato está fora...
— ...os ratos fazem a festa — terminei a frase.
Eu senti a mão de Luan encontrar a minha debaixo do lençol. Ele entrelaçou os dedos nos meus. Eu apertei de volta. Lá fora, o vento soprava as folhas das árvores da praça, e o som do chafariz continuava seu eterno borbulhar. Mas aqui dentro, no meu quarto, no nosso mundo, o tempo tinha parado. Não havia política, não havia pressão para ser alguém, não havia futuro. Havia apenas nós três, o cheiro de sexo que ainda pairava no ar, e a certeza absoluta de que, não importa o que acontecesse lá fora, nós sempre teríamos aquilo. Nossa brotheragem secreta, suja, perfeita.
O sono começou a me levar, pesado e confortável. A última coisa que pensei antes de apagar foi no sorriso do meu pai se ele soubesse o que estava acontecendo naquela cama enquanto ele negociava no Rio. Talvez ele não se importasse tanto assim. Talvez, lá no fundo, ele também tivesse tido seus amigos, seus fins de semana, suas segredos. Mas isso não importava agora. O que importava era que eu estava ali, entre meus dois melhores amigos, seguro, sujo e completamente, absolutamente feliz.
