A ressaca tinha sumido, substituída por uma segunda ânsia, mais visceral. A cerveja quente no estômago não ajudava, apenas acrescentava um peso preguiçoso aos movimentos. Gabriel passou a mão pela barba molhada, aquele sorriso bonachão estampado no rosto, mas os olhos dele tinham um brilho predatório. Ele estava analisando a situação, calculando, como se fôssemos peças de um tabuleiro de xadrez feito de carne e suor.
— E se a gente complicar um pouco? — a voz de Gabriel saiu rouca, arrastada pelo cigarro que ele tinha acabado de apagar na borda da piscina. — A gente já fez de tudo. Precisa de um desafio. Algo pra levantar o ângulo da morte.
Luan riu, borbulhas subindo à tona enquanto ele se aproximava de mim, as mãos deslizando pelas minhas pernas sob a água. Sua pele estava lisa, escorregadia pelo óleo solar e pelo cloro. — Tá com saudades de faculdade, é? Sempre inventando essas regras bestas.
— Não é besta, seu arrombado — Gabriel retrucou, aproximando-se também. O corpo dele, mais gordinho, deslocava uma quantidade maior de água, criando ondas que batiam no meu peito. — A regra é simples. Quem gozar primeiro... perde. E o prêmio do perdedor é beber toda a porra da urina dos outros dois. Direto da fonte.
O silêncio que se seguiu foi pesado, carregado de eletricidade estática. Meu pau, que já estava meio mole do banho anterior, começou a latejar com uma força quase dolorosa só de ouvir a proposta. Não era só o ato físico, era a humilhação, a entrega total. Beber a urina um do outro já tinha virado nosso ritual de irmandade, mas transformar isso em uma punição por fraqueza sexual... isso mudava o jogo. Era uma prova de resistência.
— Tá apostado — eu disse, antes que a dúvida pudesse se instalar. Minha voz soou mais firme do que eu me sentia. — Mas se eu ganhar, vocês dois vão me limpar com a língua. Tudo.
Luan sorriu, aquele sorriso malandro que ele sempre usava quando estava prestes a fazer alguma besteira impulsiva. — Aceito. Mas prepara o gargarejo, João, porque hoje não vou seguir nada.
Gabriel apenas assentiu, mergulhando em seguida. A água explodiu ao redor de nós, e em segundos eu senti uma boca quente envolvendo meu pau debaixo d'água. A sensação foi surreal, o contraste entre a água fria da piscina e o calor úmido da boca de Gabriel. Ele não estava brincando; estava sugando com vontade, usando a língua para desenhar circunferências na glande enquanto a bochecha sugava o eixo.
Luan não perdeu tempo. Ele veio para cima, abraçando-me pelo pescoço, seus lábios encontrando meu ouvido, mordiscando o lóbulo. — Deixa ele trabalhar, amigo. Eu fico com a parte de cima.
Senti as mãos de Luan nos meus peitos, seus dedos roçando pelos meus pelos, pinçando meus mamilos que já estavam duros de tanto sol e tesão. A água nos dava uma flutuabilidade estranha, tornando os corpos leves e fáceis de manobrar. Eu levantei as pernas, envolvendo a cintura de Gabriel debaixo d'água, incentivando-o a ir mais fundo. Ele entendeu o recado. Sua boca largou meu pau e desceu, procurando minha saco, chupando um testículo de cada vez com uma delicadeza que beirava a tortura.
Eu estava cercado. Gabriel embaixo, devorando minha virilha com uma fome animal, e Luan em cima, grudado em mim, sua bunda macia deslizando contra meu abdômen enquanto ele me beijava o pescoço. A regra ecoava na minha mente: não gozar. Cada estímulo era uma faca de dois gumes; prazer extremo misturado com o medo paralisante de ser o primeiro a ceder.
— Vira — sussurrei em Luan, puxando-o pelos cabelos molhados.
Ele entendeu. Luan se afastou, virando-se de costas para mim, encostando as nádegas na minha ereção. A água servia como lubrificante perfeito, permitindo que meu pau deslizasse entre as bochechas dele sem atrito. Eu agarrei os quadris dele, puxando-o para trás. A cabeça do meu pau encontrou a entrada do cuzinho dele, que já estava dilatado e relaxado dos dias anteriores. Com um empurrão firme, entrei.
Luan soltou um grunhido que virou bolhas na superfície. Ele estava apoiado nas mãos na borda da piscina, arqueando as costas para me receber melhor. Eu comecei a foder, devagar no começo, sentindo a resistência do músculo interno cedendo ao meu avanço. A água batia em nossos corpos a cada pancada, criando um som de splash, splash, splash que marcava o ritmo.
Gabriel emergiu da água, tossindo e limpando os olhos, mas o sorriso não saiu do rosto. Ele viu a cena e se aproximou de Luan pela frente. — Agora a coisa fica séria.
Ele pegou o pau de Luan, que estava duro, batendo na coxa dele, e começou a masturbar com vigor, sincronizando a mão com meus empurrões. Luan estava preso no meio de um fogo cruzado. Eu o penetrava por trás, batendo fundo na próstata a cada vez, enquanto Gabriel torcia o pau dele na frente.
— Segura, Luan — eu grunhi, sentindo meu próprio controle vacilar. O aperto do cuzinho dele era perfeito, quente e vivo, contraindo instintivamente em volta do meu pau. — Não goza ainda, porra. Não seja o perdedor.
— Vai pra caralho... — Luan respondeu entre dentes, o rosto contorcido de prazer. — Tá... tá difícil...
A água esfriava, mas nossos corpos estavam em ebulição. O suor misturado com o cloro criava um aroma salgado e embriagante. Eu olhei para Gabriel. Ele estava duro como uma rocha, o pau roxo pulsando na água, mas ele se controlava. Ele sabia que se tocasse em si mesmo, perderia. Então ele focou em Luan.
Gabriel mergulhou novamente, desta vez indo para frente de Luan. Vi as pernas dele se abrirem e o rosto de Gabriel desaparecer na região pubiana de Luan. Ele estava chupando o pau de Luan enquanto eu fodia o cuzinho. A visão foi demais. Ver a cabeça de Gabriel subindo e descendo na base do pau de Luan, com a água borbulhando ao redor, me fez apertar os dentes.
Eu acelerei o ritmo. Não dava mais para ser gentil. A necessidade de dominar, de fazer eles sentirem tudo, tomou conta. Minhas mãos deixaram marcas vermelhas nos quadris de Luan enquanto eu batia com força. O som da carne batendo na carne, abafado pela água, ecoava no quintal vazio.
Luan começou a tremer. O corpo dele ficou tenso, os braços trêmulos na borda da piscina. — Pára... eu vou... caralho... — ele gemia, a voz falhando.
— Não goza! — Gabriel ordenou, vindo à tona por um segundo para respirar, antes de voltar a atacar o pau de Luan com a boca. — Aguenta!
Mas era demais. A estimulação dupla, o calor do fim de tarde, a adrenalina da competição. Luan soltou um urro alto, arqueando as costas de uma forma que parecia dolorosa. Eu senti o cuzinho dele contrair violentamente ao meu redor, apertando meu pau num espremedor de carne. Ele estava gozando.
Eu parei o movimento, mas não saí de dentro dele. Apenas fiquei lá, sentindo as pulsações do orgasmo dele através das paredes internas do corpo dele. Gabriel continuou sugando, engolindo o leite que Luan expelia, até que Luan desabou sobre a borda da piscina, ofegante, completamente derrotado.
— Baita — eu disse, sorrindo maliciosamente, ainda enterrado nele. — Você perdeu, Luan.
Luan virou o rosto para mim, os olhos vidrados, o peito subindo e descendo freneticamente. — Caralho... não aguentei... foi forte demais.
Gabriel emergiu de novo, limpando a boca e lambendo os lábios. — Pois é. Pagamento combinado. Vem cá, perdedor.
Nós nos afastamos da borda, trazendo Luan para o centro mais raso da piscina. A água batia na altura da nossa cintura. Luan parecia fraco, as pernas bambas, mas o sorriso no rosto indicava que ele não estava arrependido. Pelo contrário. Ele estava pronto para a punição.
— Na boca — eu lembrei, aproximando-me dele. — A regra era beber.
Luan se ajoelhou na água, o que o fez afundar até o peito, mas a boca ficou na altura certa. Ele abriu a boca, esticou a língua, e olhou para mim com submissão total. Era uma visão linda. Meu amigo, meu parceiro de crime, de joelhos na piscina suja, pronto para receber meu fluido mais íntimo.
Segurei meu pau, que ainda estava duro e coberto pelos fluidos de Luan. Apontei a glande para a boca dele. A vontade de mijar veio de repente, urgente, misturada com o tesão residual. O primeiro jato saiu forte, acertando em cheio a língua dele. Luan piscou com o impacto, mas não fechou a boca. Ele engoliu, a garganta movendo-se ritmicamente.
— Toma tudo — eu grunhi, deixando o fluxo soltar. — É seu prêmio, seu arrombado.
A água quente da minha bexiga misturava-se com a água fria da piscina antes de ser engolida por ele. Eu via o pescoço dele trabalhar, engolindo gole após gole. Gabriel, ao meu lado, não ficou de fora. Ele também segurou o pau, esperando a vez dele.
Quando terminei, sacudi a última gota no rosto de Luan, que lambeu os lábios, limpando o excesso. Ele tossiu levemente, rindo em seguida.
— Sua vez, Gabs — Luan disse, a voz rouca.
Gabriel não precisou de convite. Ele se aproximou, e Luan abriu a boca de novo. Gabriel soltou um jato grosso e amarelo, menos urgente que o meu, mas igualmente abundante. Luan tomou tudo, sem derramar nada, os olhos fixos no Gabriel. Era uma demonstração de lealdade bizarra, um selo de pertencimento que só nós três entendíamos.
Quando Gabriel terminou, Luan se levantou, passando a mão pela boca. — Puta que pariu... isso é forte.
— E você amou cada segundo — eu disse, puxando-o para um abraço. Nossos corpos se colaram, quentes e escorregadios. Não houve beijo, apenas o contato fraterno de peles a peitos, o cheiro de urina, cloro e sexo impregnando nossos narizes.
A adrenalina da competição deu lugar a uma exaustão repentina. O sol já tinha quase desaparecido, deixando o quintal no crepúsculo roxo. Nós saímos da piscina, gotejando, sem forças para nem mesmo pegar as toalhas. Caminhamos até a grama, perto das espreguiçadeiras, e nos deixamos cair.
A terra estava levemente úmida, esfriando nossa pele quente. Eu me deitei de costas, olhando para as primeiras estrelas aparecendo no céu. Gabriel se deitou do meu lado, e Luan se esparramou no chão, com a cabeça perto da minha perna.
— Puta merda, que fim de semana — murmurou Gabriel, a voz já ficando pesada de sono. — O pai vai te matar se souber.
— Ele não vai saber — eu respondi, fechando os olhos. O peso da realidade parecia distante, abafado pelo cansaço. — A gente arruma tudo amanhã. Cedo.
O silêncio do quintal era pacífico, apenas interrompido pelo som distante de carros na rua principal e pelo zumbido de insetos noturnos. A sensação de estar ali, nu, com meus melhores amigos, depois de tudo o que fizemos, era estranhamente reconfortante. Não havia vergonha, apenas uma cumplicidade profunda e suja.
Eu senti a mão de Luan roçar levemente meu tornozelo, um gesto inconsciente de carinho antes do sono bater. Gabriel roncou levemente, um som rouco e rítmico. A brisa da noite começou a esfriar, levantando os pelos dos meus braços, mas eu não tinha energia para me mexer. O sono me arrastou para baixo, pesado e negro, e eu desmaiei ali mesmo, na grama do quintal da casa da minha infância, cercado por cheiro de puta e urina.
A luz do sol batendo diretamente nos meus olhos foi o despertador. Eu grunhi, levantando a mão para bloquear o clarão, sentindo o corpo todo dolorido. A grama estava úmida de orvalho, e eu estava com frio. Me sentei, a cabeça pulsando, a boca seca como papel de lixa. O domingo tinha chegado, e com ele, a ressaca brutal.
Olhei em volta. Gabriel e Luan ainda estavam dormindo, espalhados como corpos mortos no chão. Luan estava de bruços, a bunda branca exposta ao sol, com marcas vermelhas da grama impressas na pele. Gabriel estava de lado, a barba desenhada agora coberta por uma barba por fazer real, o rosto relaxado no sono.
E então, o pânico.
Meu cérebro, ainda lento, processou um som. O som de um motor. Um motor conhecido. O motor do Honda Civic prata do meu pai.
Meu coração deu um pulo na garganta. Olhei para o relógio na parede da varanda. Eram nove e meia da manhã. Porra. Ele tinha dito que voltaria no fim da manhã, mas nunca era tão cedo. O carro parou na frente da casa. A porta se abriu e se fechou com um clang metálico.
— Luan! Gabriel! — eu gritei, pulando da grama. A dor nas costas me fez estremecer, mas o medo era mais forte. — Acordem, caralho! O meu pai tá chegando!
Luan deu um pulo, assustado, rolando na grama e caindo de bunda no chão. — O quê? Puta que pariu, onde estão minhas roupas?
Gabriel acordou mais devagar, parecendo confuso, mas a urgência na minha voz o colocou em pé num segundo. — Merda. Merda, merda, merda.
Nós corremos pelo quintal, nus, desesperados, procurando nossas roupas espalhadas desde o dia anterior. Calças jeans estavam penduradas no espreguiçadeira, camisetas no chão molhado, cuejas no deck da piscina. Eu peguei a primeira coisa que vi, a calça do Gabriel, e joguei para ele.
— Vistam! Agora! — eu ordenei, pulando com uma perna só dentro da minha calça.
O portão da frente rangeu. O som de passos no calçamento da entrada. O som característico das chaves do pai batendo na porta de metal. Ele estava entrando.
— Vocês tem cinco segundos pra sumirem dessa piscina — eu sussurrei, fechando a zíper com dificuldade porque o pau ainda estava meio duro e a calça estava apertada.
Corremos para dentro de casa, deixando rastros de grama e terra pelo chão da sala. O cheiro de urina e sexo ainda era forte, impregnando as cortinas e o sofá. Eu olhei para o caos. Latas de cerveja em todo lugar, preservativos usados no chão, manchas suspeitas no tapete da sala. A casa parecia o cenário de uma orgia romana.
— Ajudem a limpar isso! — eu gritei, pegando um monte de latinhas e jogando no lixo da cozinha. — Esconde as camisinhas! Tira o cheiro de puta daqui!
A porta da sala se abriu. O som da voz do pai ecoou pelo corredor. — João? Você tá aí? Trouxe uns pães da padaria nova.
Meu sangue gelou. Eu estava no meio da sala, segurando uma lata de cerveja aberta e meio cheia, sem camisa, com o cheiro de cloro e suor subindo do meu corpo. Luan e Gabriel estavam correndo escada acima, nus da cintura para cima, segurando as roupas no peito.
— Pai! — eu respondi, tentando disfarçar o pânico. A voz saiu estridente. — Tô... tô na cozinha! Um segundo!
Eu joguei a lata no lixo e passei a mão no cabelo, tentando parecer um filho normal num domingo de manhã, e não um anfitrião de uma gangbang de fim de semana. Gabriel desceu a escada correndo, vestindo a camiseta do avesso, o rosto vermelho de tanto se esforçar.
— Onde tá o banheiro? — ele sussurrou, desesperado.
— Lá embaixo, vai! — eu empurrei ele na direção do lavabo, que ficava longe da sala de estar. — E lava a cara! Você parece que chupou um pau de cavalo.
Gabriel não disse nada, apenas correu. Eu me virei para ver meu pai entrando na sala. Paulo Junior, o vereador, o exemplo de moralidade da cidade. Ele estava vestindo uma camisa social azul, calça de linho, aquele ar de homem importante que acabou de resolver os problemas do mundo.
Ele parou na porta, olhando ao redor. O nariz dele se franziu levemente. Eu segurei a respiração. Ele sentia o cheiro? Ele via a bagunça?
— Que ar estranho aqui, filho — ele comentou, deixando a sacola de pães na mesa de jantar que ainda tinha marcas de copos molhados. — Vocês fizeram uma festa?
— Ah, foi... foi só a turma da faculdade, pai — eu menti, sentindo o suor frio descer pelas costas. — A gente ficou conversando até tarde. Tava meio bagunçado, já vou arrumar.
Ele olhou para mim, aqueles olhos azuis penetrantes que sempre pareciam ler minha mente. Ele notou as marcas de unha no meu ombro, o roçadão de barba no meu pescoço. Meu coração parou.
— Você tá bem? Parece que você brincou muito — ele disse, com aquele tom meio paternal, meio julgador.
— Tô ótimo, pai. Só um pouco cansado. E a ressaca, sabe? — eu dei um sorriso forçado, esperando que ele não olhasse para o chão.
Luan desceu a escada, finalmente vestido, mas com a camiseta de banda dentro da calça e o cabelo um ninho de pardal. Ele tentou passar despercebido, caminhando na ponta dos pés em direção à porta da frente.
— Oi, senhor Paulo! — Luan disse, a voz trêmula. — Tava... tava indo embora. Obrigado por... por tudo.
Meu pai olhou para Luan, depois para mim, e arqueou uma sobrancelha. — Já indo? Nem café vai tomar?
— Não, não... minha mãe tá me esperando — Luan mentiu mal. — Tá bom, João. A gente se vê.
Luan praticamente voou para fora da casa. Gabriel saiu do lavabo, com o rosto lavado mas ainda com o cheiro de sabonete barato tentando disfarçar o cheiro de sexo. Ele cumprimentou meu pai com um aceno de cabeça rápido e seguiu Luan, sem dizer uma palavra.
A porta da frente se fechou. Eu fiquei sozinho com meu pai na sala bagunçada. O silêncio era ensurdecedor. Eu podia ouvir o som da geladeira na cozinha, o relógio na parede, e meu próprio coração batendo furiosamente.
Meu pai suspirou, passando a mão pelo cabelo bem cuidado. — Você precisa ter mais cuidado com a casa, João. Isso aqui não é um motel.
— Sei, pai. Desculpa. A gente limpa tudo hoje.
Ele se aproximou, estendendo a mão e tocando meu ombro, exatamente onde tinha a marca de unha do Gabriel. Eu me contraí, esperando a pergunta, a revelação, o fim do mundo.
— Seu avô tá me cobrando sobre aquele projeto da farmácia — ele mudou de assunto, aliviando meu medo instantaneamente. — Você já pensou no que vai falar na reunião de segunda?
A reunião. O trabalho. A vida real. O mundo onde eu não era um animal fodendo amigos na piscina do quintal. O mundo onde eu era o filho do vereador, o gerente, o futuro.
— Sim, pai. Já tô preparando tudo — eu disse, sentindo o peso da responsabilidade voltar a se instalar sobre meus ombros, pesado e inescapável.
Ele bateu levemente nas minhas costas e virou para ir para a cozinha. — Bom, então vai tomar um banho. Você cheira a cloro e... não sei o quê. Vai lavar essa roupa suja.
Ele saiu. Eu fiquei parado no meio da sala, olhando para a porta da frente onde meus amigos tinham acabado de escapar. O fim de semana tinha acabado. A liberdade, o sexo, a urina, a putaria sem limites... tudo isso tinha sido empacotado e guardado na gaveta secreta da minha mente.
Eu olhei para a mancha no tapete, uma lembrança física do que tínhamos feito. Eu sorri, um sorriso pequeno, cúmplice, apenas para mim. A ressaca doía, o corpo doía, o medo do pai ainda latejava, mas, porra, tinha valido a pena.
Aquele fim de semana tinha selado algo entre nós três. Algo que nenhum casamento, nenhuma carreira política, nenhum "mundo real" poderia quebrar. Éramos sujos, éramos safados, éramos livres. E enquanto eu tivesse a chave da casa do meu pai e a cumplicidade do Gabriel e do Luan, sempre haveria uma próxima vez.
Eu subi as escadas, sentindo o cheiro de casa antiga e segredos familiares. O domingo tinha começado, e a vida normal continuava. Mas debaixo da minha camisa social limpa que eu vestiria em breve, a pele ainda guardava a memória do suor deles, e na minha mente, o gosto da urina e da liberdade absoluta nunca desapareceria por completo.
